Autor: da Redação

  • Baile pela democracia resgata espírito de resistência à ditadura

    Espaço da contracultura na época da ditadura, o bar Ocidente lotou neste domingo com o baile promovido pelo Comitê em Defesa da Democracia. Um público animado reviveu antigas militâncias e reafirmou o espírito de resistência democrática.
    A atriz e performer Deborah Finocchiaro leu um texto de Caio Fernando Abreu, sobre a importância de manter a alegria mesmo nos momentos mais sombrios.

    Deborah Finocchiaro recitou Caio Fernando Abreu. Foto: Charlene Cabral/ Divulgação
    Deborah Finocchiaro recitou Caio Fernando Abreu. Foto: Charlene Cabral/ Divulgação

    A artista visual Zoravia Bettiol cedeu uma gravura de 1999, cotada a 570 reais, para ser sorteada entre os presentes. Foi a Formiga Apocalíptica. “Estamos lutando e resistindo, como a formiga, contra a massa bruta e paquiderme que representa os políticos corruptos do Brasil”, explicou.
    A Formiga Apocalíptica, gravura de Zoravia Bettiol
    A Formiga Apocalíptica, gravura de Zoravia Bettiol

    Além do DJ, a orquestra do maestro Garoto animou a noite, com clássicos dos anos 70 que os dançarinos cantavam junto.
    Maestro Garoto comandou a parte final do baile. Foto: Divulgação
    Maestro Garoto comandou a parte final do baile. Foto: Divulgação

    O próprio Ocidente cedeu o espaço graciosamente, e os funcionários trabalharam como voluntários. Foram diversas as contribuições, como as comidinhas da Maria, à disposição dos convivas.
    A noite serviu para angariar fundos e atrair mais participantes ao Comitê em Defesa da Democracia. Foi uma festa “presencial”, pela qual passaram cerca de 200 pessoas, para celebrar e ampliar o grupo. O Comitê é formado por quase 300 pessoas que, virtualmente, alimentam e acompanham o debate sobre a atual situação política do país.
    Os artigos produzidos pelos integrantes são reproduzidos no espaço destinado a isso na páginas deste Jornal JÁ: https://www.jornalja.com.br/comite/
    Foto: Charlene Cabral/Divulgação.
    Foto: Charlene Cabral/Divulgação.

    Foto: Charlene Cabral/Divulgação
    Foto: Charlene Cabral/Divulgação

  • Lula guarnece a última fronteira

    Pinheiro do Vale
    O ex-presidente Lula assumiu o comando do último reduto da resistência da presidente afastada Dilma Rousseff na batalha do impeachment.
    Ele se instalou numa suíte do hotel Royal Tulip Brasília Alvorada, o cinco estrelas mais próximo do Palácio da Alvorada e de frente para o Palácio do Jaburu, onde vive o presidente interino Michel Temer.
    O Royal Tulip fica à esquerda de quem vai pela via EPP (a avenida presidencial) chegando à península presidencial, com o Alvorada ao centro e o Jaburu à direta.
    Esse hotel é uma reconstrução recente sobre um antigo esqueleto arquitetônico dos tempos da fundação da cidade, em 1956, abandonado porque o grupo empreendedor faliu e seus restos ficaram na laje por mais de 50 anos, até ser recuperado e concluído.
    Seria o Brasília Alvorada Hotel, hoje integrante da rede internacional Royal Tulip. Projeto de Oscar Niemayer, idealizado por Juscelino Kubistchek para hospedar dignatários que viessem ao Brasil, plantado num dos locais mais nobres e bonitos da sua capital.
    Bem pensado, fica no meio de uma grande área verde, protegido de olhares indiscretos e  completamente seguro.
    No governo Lula o espólio do hotel Brasília desembaraçou-se e assumiu seu lugar na paisagem da cidade. Agora está ali para o que foi planejado: um lugar para adequado a reuniões políticas.
    Na península, os três presidentes podem se ver das janelas de seus quartos.
    Com toda a discrição, longe de telefones celulares e fora do alcance de câmeras de tevê ou teleobjetivas de fotógrafos abelhudos, Lula pode receber suas visitas. Qualquer coisa, poderia falar com Dilma pelo muro ou dar uma chegadinha à casa do Temer sem ser incomodado.
    Sem gravata, a bordo de um taxi ou de carro comum, um senador do baixo clero pode entrar e sair sem ser reconhecido.
    Seu objetivo é virar entre 10 e oito votos no plenário do Senado. Segundo as pesquisas Dilma teria 18 votos seguros, embora sua base oficial indique 22.
    O quórum para derrubar o impeachment é de 28 votos. Falta pouco. O golpe contabiliza 61 votos.
    O cardápio das conversas já é conhecido. Lula diz que vai assumir o governo como virtual primeiro ministro, sem perigo de desmandos ou descumprimento de acordos. Dilma como rainha da Inglaterra daria a condição legal para a re-estabilização do novo governo petista.
    Como executor bem mais do que fiador do novo governo, Lula conduziria o País até as eleições dos 2018, com a garantia de que o PT apoiaria um candidato de outro partido.
    Esta possibilidade pode abalar a frágil aliança do golpe, rachando o PMDB e trazendo de volta partidos da antiga Base Aliada.
    Um sinal de que há mais objetos no ar do que aviões de carreira, como dizia o gaúcho Barão de Itararé para falar dos mistérios da política, é que Lula e Temer estão agindo coordenadamente para controlar a eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados.
    Eduardo Cunha está ferido, mas não morreu. Segundo estimativas ele ainda controla 200 votos no plenário da Câmara.
    Os grandes caciques, Lula e Temer, não podem deixar que o baixo clero retome o comando daquela Casa. O grande pilar dessa negociação é que nenhum dos dois é candidato. Este é o acordo de paz para trazer de volta aos chefões paulistas o controle da política.
    Sem isto vai tudo por águas baixo, tanto o golpe quanto a recondução da presidente afastada. Uma das manobras é dar mais tempo para o processo de Eduardo Cunha tramitar, deixando que sua base vá se desidratando.
    O mais provável é que sua cassação somente ocorra nos mesmos dias da votação do impeachment no plenário do Senado.
    Não é improvável que Dilma e Cunha estejam na berlinda, no mesmo dia, um de cada lado das  torres gêmeas do Congresso Nacional.

  • O avanço do atraso e a possibilidade da resistência democrática

    Benedito Tadeu César – Cientista Político
    Vivemos um momento de refluxo das forças democráticas e de esquerda em todo o mundo e também no Brasil. É hora de resistência e de acúmulo de forças para poder voltar a avançar.
    No plano internacional, o panorama é de avanço da direita. Na Argentina, a centro-esquerda foi derrotada com a vitória eleitoral de Macri. Na Bolívia, Evo Morales perdeu o plebiscito e não conseguiu autorização popular para se candidatar a um novo mandato presidencial. Na Venezuela, a desestabilização do governo Maduro é cada dia mais intensa. No Chile, Bachelet enfrenta problemas sérios e acusações de corrupção. No Peru, a esquerda sequer conseguiu chegar ao segundo turno das eleições presidenciais.
    Nos EUA, Donald Trump, representando a ala mais à direita do Partido Republicano, será o candidato daquele partido à Presidência da República. Na Espanha, o Partido Popular (conservador) foi o mais votado nas últimas eleições, contrariando as expectativas de vitória da coligação Unidos Podemos. No Reino Unido, o Brexit venceu o plebiscito determinando que o país saia da Comunidade Europeia. Na Áustria, o Partido da Liberdade, de extrema direita, anti-imigração e eurocêntrico, conseguiu anular as eleições, que serão repetidas em outubro.
    No plano nacional, o panorama é semelhante, senão pior do que o internacional. O golpe jurídico-midiático-parlamentar tem tudo para se “naturalizar”, com a destituição definitiva de Dilma pelo Senado no mês de agosto e a aceitação popular do desfecho autoritário. Dilma não conseguiu virar o jogo. O PT parece estar conformado com a derrota que sofreu, preferindo investir forças nas eleições municipais de outubro próximo.
    Nem Dilma nem o PT apresentaram uma proposta capaz de sensibilizar as grandes massas e os setores mais avançados da sociedade, os movimentos sociais, partidos de esquerda e setores liberal democráticos. Não conseguiram, por outro lado, negociar com os setores menos retrógrados do empresariado e dos senadores a ponto de reverter os votos necessários para barrar o impeachment.
    Impasse e paralisia
    No plano político mais geral, há um impasse que leva à paralisação institucional, política e econômica do país. É um impasse tão profundo, que os principais agentes políticos encontram-se imobilizados. Há um aparente empate estabelecido entre os campos políticos em conflito. Nem Dilma e nem Temer têm condições de governar. Nem Dilma e nem Temer têm propostas capazes de aglutinar forças e ganhar a opinião pública e os setores de poder (empresários e movimentos sociais).
    Dilma não vira o jogo e Temer não se estabiliza no governo. Cunha, mesmo afastado, continua controlando o governo interino e acuando Temer. PMDB, PSDB, PT e a imensa maioria dos políticos estão desmoralizados e sem legitimidade frente à opinião pública. Apoiadores sinceros e/ou ingênuos do golpe estão silenciosos, decepcionados e até envergonhados, e a grande mídia desmoralizada para uma boa parte da população e exposta ao ridículo pela imprensa internacional.
    Os novos movimentos sociais de esquerda e de centro-esquerda tomam as ruas, deixadas vazias pelos que pretendiam tirar Dilma, mas veem lentamente suas forças se esvaírem sem conseguir alterar efetivamente o jogo político e abortar o impeachment.
    Aécio e Marina se recolheram, tão logo as denúncias de corrupção que os atingiam foram finalmente tornadas públicas pela grande mídia. Aécio perde prestígio e talvez não se recupere, pois sua presença não interessa mais nem mesmo aos tucanos. Marina se preserva para reaparecer no momento oportuno como uma possível alternativa de governo, mas, por enquanto, a cada vez que se manifesta mais explicita o interesse principal de promoção de sua candidatura.
    Não obstante a paralisia institucional e das principais lideranças políticas do país, caminham céleres as iniciativas neoliberais, antipopulares e antinacionais, promovendo o desmonte do arremedo de Estado de bem-estar social montado durante os governos Lula e Dilma.
    Considerando-se os agentes políticos e as instituições da República, só quem avança são os procuradores, a PF e a força tarefa da lava-jato, Moro e o STF, fazendo com que o jogo penda em favor dos golpistas na medida em que prendem apenas petistas e aliados e não os peessedebistas e peemedebistas que apoiam o governo Temer e que também são acusados de corrupção.
    Imbuídos de uma missão salvacionista, eles são os novos atores que dominam a cena, sem que se possa afirmar efetivamente quais são os seus objetivos reais. Sua “missão” seria apenas “limpar o país”, livrá-lo da corrupção e iniciar a construção de uma novíssima República? Que República seria esta e quem a construiria? De onde advém a força que demonstram? Terão suporte internacional? Por que se dedicam a desmontar as únicas empresas nacionais em condições de competir no mercado internacional e desenvolver tecnologia de ponta – a Petrobras e as grandes empreiteiras? Para onde conduzem o país e a quem o entregarão?
    Uma disputa secular
    O que sabemos, sem dúvidas, é que há uma disputa instalada no mundo e também no Brasil desde, pelo menos, o século XIX, sobre como desenvolver o sistema capitalista na economia e na política. De um lado, as propostas globalizantes, lideradas pelo grande capital internacionalizado e, de outro, os projetos nacionais. De um lado, a crença no livre mercado e na sua autorregulação e, de outro, a defesa da ação do Estado como indutor do crescimento da economia nacional, protegendo as indústrias nascentes, e realizando investimentos estratégicos para criar competitividade e conquistar mercados.
    Ao longo do século XX, em meio a conflitos e guerras, cresceram as tentativas de projetos nacionais de desenvolvimento com forte presença do Estado e com inclusão social, como por exemplo no Japão e na Alemanha, e o desenvolvimento dos chamados Estados de Bem Estar Social nos países desenvolvidos, no pós-segunda guerra mundial.
    Com a crise do bloco socialista e das alternativas nacionais de desenvolvimento nos países do terceiro mundo nas duas últimas décadas do século XX, avançaram novamente as posições ultraliberais de defesa do livre mercado internacional, a globalização e a financeirização da economia sem se submeterem a qualquer controle público.
    Nesse processo, num movimento de defesa de mercados regionais, criaram-se os blocos econômicos ao mesmo tempo em que cresceu o individualismo e a xenofobia e entraram em crise os partidos políticos tradicionais, firmados na antiga dicotomia capital-trabalho e favoráveis a projetos nacionais de desenvolvimento, de um lado, ou de integração ao capital internacional, de outro.
    No Brasil, esta disputa de caminhos de desenvolvimento do capitalismo se manifestou já a partir do final do Império, com a abolição da escravatura e a proclamação da República sem povo – os bestializados, na definição de José Murilo de Carvalho. As revoltas dos tenentes, na década de 1920, a Revolução de 1930, os conflitos e as instabilidades políticas de 1945, 1954, 1956/9, 1961 e 1964, bem como o processo de instabilidade política em curso, são expressões desta disputa que se arrasta no tempo.
    De um lado, a ascensão de Getúlio Vargas e a criação do Estado Nacional Moderno no Brasil marcaram a vitória parcial e temporária da posição daqueles que, nos anos de 1960, se tornaram conhecidos como “nacional-desenvolvimentistas”. Neste grupo, além de Vargas, incluem-se ainda, com diferentes graus de defesa do projeto nacionalista e também do sistema político democrático, Juscelino Kubitschek, João Goulart, (Castelo Branco, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo – durante a ditadura civil militar de 1964/1985), Itamar Franco, Lula da Silva e Dilma Rousseff.
    De outro lado, a destituição de Vargas e a eleição de Dutra, em 1945, e o suicídio de Vargas, em 1954, marcaram momentos de vitórias parciais e temporárias dos favoráveis à associação plena com o capital estrangeiro que, nos anos de 1970/80, ficaram conhecidos como adeptos da teoria do “desenvolvimento associado e dependente”, formulada inicialmente e de modo crítico por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto em 1965/67. Fazem parte deste grupo, Eurico Gaspar Dutra, Jânio Quadros, (Costa e Silva – durante a ditadura), José Sarney, Collor de Mello, FHC e Michel Temer.
    A farsa do impeachment sem base jurídica é a nova face da mesma e contínua disputa
    Durante os anos Lula/Dilma, auxiliados por uma conjuntura internacional de crise da economia norte-americana e europeia, mas de favorecimento da economia nacional em virtude da valorização das commodities brasileiras (minério e soja, principalmente), impulsionadas pelo crescimento acelerado da China, foi possível que o governo federal, com forte compromisso popular, adotasse políticas de investimento em infraestrutura e geração de tecnologia nacional, valorização da educação e inclusão social.
    A chegada da crise à economia brasileira, em 2013/4, com a desaceleração do crescimento chinês e a retração do preço internacional das commodities, aliada à inabilidade política e aos erros de condução da economia por parte do governo Dilma, possibilitaram que as insatisfações populares latentes crescessem exponencialmente, sem ser orientadas para a defesa do Estado de Bem Estar Social que vinha sendo construído no país.
    As manifestações de 2013 e também os chamados “rolezinhos” expressam a eclosão desse fenômeno no âmbito das classes médias e populares recém inseridas ao mercado de consumo de massas. Insuflados pela grande mídia, os protestos que tinham como alvo inicial os reajustes das tarifas de transporte público voltaram-se contra o governo, pedindo principalmente a ampliação e melhoria dos serviços de saúde e de educação e o combate à corrupção. De roldão, foram incluídos todos os tipos de pautas, desde o combate à homofobia e à violência contra as mulheres até a liberalização do porte de armas e a proibição do aborto, por exemplo.
    A ausência de partidos políticos e lideranças aptas para canalizar e dar direção à insatisfação generalizada abriu espaço para o avanço de grupos oportunistas, desde o chamado Movimento Brasil Livre até os black-blocs, que direcionaram suas ações visando o enfraquecimento do governo e culminaram com a campanha do impeachment, a partir da reeleição da presidenta Dilma, liderada pelos partidos e lideranças que não aceitaram a derrota nas eleições presidenciais.
    A piora das expectativas econômicas em função da crise que chegou ao país, o aumento da inflação e do desemprego, mais a ação articulada entre os promotores, delegados e juízes da Operação Lava Jato e a imprensa, e ainda entre as lideranças derrotadas nas eleições criaram o caldo de cultura que possibilitou o afastamento de Dilma e a entrega do governo ao grupo de Michel Temer, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e Romero Jucá. Um grupo cuja principal ideologia é o espólio do Estado nacional e que nunca chegou a elaborar um projeto de desenvolvimento para o país, fosse ele qual fosse – nacional ou associado/dependente dos grandes grupos da economia internacional, mantendo-se sempre como aliado principal dos vitoriosos em eleições presidenciais.
    Este grupo, além disso, não detém legitimidade popular e nem força política suficiente para se manter no poder. Eduardo Cunha, deputado federal afastado da presidência da Câmara por corrupção e na iminência de perder seu mandato parlamentar, controla o governo e seus principais agentes políticos, a começar pelo presidente interino – mantido sob rédeas curtas, por meio da imposição de ministros e lideranças – sabe-se lá pela utilização de quais meios e métodos.
    Na tentativa de conquistar o apoio dos setores empresariais e políticos comprometidos ideologicamente com as visões ultraliberais na economia e com concepções de desenvolvimento associado ao mercado e aos grandes centros hegemônicos do capital, o grupo atualmente no exercício da Presidência da República acelera a adoção de medidas de desmonte das políticas sociais e das estruturas do Estado voltadas para a promoção do desenvolvimento nacional de modo relativamente autônomo.
    Este é o motivo para a voracidade e a velocidade das ações empreendidas por Temer e seu grupo, com a adoção de ações que visam à desarticulação acelerada do projeto de Estado de Bem Estar Social que vinha sendo implementado no Brasil durante os governos de Lula e de Dilma. Propondo-se a criar uma “revolução” na economia e nas instituições, capaz de fazer o Brasil retomar o crescimento, o governo Temer tem promovido uma política de terra arrasada, a partir da qual tudo teria que ser reconstruído noutros termos.
    Citem-se, no plano social, por exemplo, a desobrigação de aplicação de valores do orçamento da União definidos constitucionalmente para as áreas de educação e saúde; a revisão das políticas de habitação popular; o não pagamento do reajuste do valor do Programa Bolsa Família; a aceleração da tramitação dos projetos de lei que visam a mudança na política previdenciária e de aposentadorias; a terceirização total das contratações de mão de obra, com a consequente precarização do trabalho e o enfraquecimento das organizações sindicais, bem como a alteração de outros dispositivos da CLT que garantem conquistas dos trabalhadores.
    Vai na mesma direção, no plano das relações internacionais e da política econômica, a pressa com que o governo interino se lançou ao esforço para desmontar a política de integração Sul-Sul, empreendida pelos governos Lula e Dilma, e para reintegrar o Brasil ao sistema de comércio controlado pelos EUA; a tentativa em curso de alteração do regime de partilha para a exploração do petróleo na zona do Pré Sal, que visa desobrigar que a Petrobras participe com pelo menos 30% em qualquer contrato de exploração de petróleo firmado com empresas privadas.
    Se aprovada, esta alteração colocará nas mãos de empresas não brasileiras a quinta maior reserva de petróleo do mundo, inviabilizará a criação do Fundo Soberano, que é uma espécie de investimento de longo prazo realizado pelo país, e impedirá que parcela importante dos royalties do petróleo sejam revertidos para o Fundo Social destinado à Educação e à Saúde.
    Destaque-se, ainda, a proposta de emenda constitucional, apresentada como a salvação das finanças públicas, que visa congelar os gastos com custeio e manutenção da máquina estatal e dos investimentos nas áreas sociais, limitando seu reajuste à correção da inflação do ano anterior. Uma limitação que o governo Temer já impõe como condição para a revisão da dívida dos estados subnacionais com a União.
    Se o novo contrato for aceito pelos estados, não apenas os atuais governadores, mas também todos os futuros governadores durante os próximos 20 anos estarão impedidos de aumentar os gastos de investimento, de políticas públicas e de custeio. Considerando-se apenas o aumento vegetativo da população, em declínio mas ainda positivo, a consequência será não apenas o congelamento dos gastos dos governos, mas a diminuição destes gastos.
    Com isto, piorarão ainda mais as políticas de segurança, de saúde e de educação, por exemplo, e o Estado estará impossibilitado de investir em obras públicas como estradas, transportes, energia, infraestrutura etc. Diversos serviços que hoje são prestados pelo Estado e obras que são executadas diretamente por agências e órgãos públicos passarão a ser prestados e realizados por empresas privadas. Além disso, os salários de todos os servidores e servidoras públicas serão congelados aos níveis atuais, pois só serão reajustados para repor a inflação do período anterior aos reajustes.
    O avanço do atraso e a necessidade da construção de uma frente ampla democrática
    O avanço das políticas ultraliberais, com a tentativa de desmonte dos Estados de Bem-Estar Social, hoje em curso desde o plano internacional, passando pelo nacional e chegando aos estaduais, tem aberto espaço para a manifestação de grupos xenófobos e obscurantistas, dispostos a estancar e a fazer retroceder os avanços das liberdades civis já conquistadas em boa parte do mundo. No Brasil, citando-se apenas um exemplo crucial, no plano da educação, avançam as propostas de alteração no Plano Nacional de Educação, de interrupção da integração curricular que começava a ser construída e, até, de aprovação de legislação que proíbe o pensamento crítico nas escolas públicas, sob a alcunha de “escola sem ideologia”, mas que melhor seria denominar de escola com ideologia única.
    Tanto no plano nacional quanto no plano estadual, só há uma saída para o enfrentamento dessas forças reacionárias e antidemocráticas que avançam. A construção de uma grande frente popular em defesa da democracia e do estado democrático de direito, que congregue partidos políticos, sindicatos, centrais sindicais, comitês e movimentos em defesa da democracia e contra o impeachment e todos aqueles que, engajados ou não em partidos e movimentos, estejam dispostos a defender a democracia. Uma frente suficientemente ampla para agregar todos os democratas, sejam eles liberais, sejam socialistas e até os que não têm definição político-ideológica firmada, mas defendem a democracia.
    A intransigência de alguns partidos de esquerda e de centro-esquerda, apoiada em avaliações de que poderão firmar posições e preservar territórios, e o oportunismo de outros, acreditando que se apropriarão do espólio dos derrotados, só favorecerá o retrocesso e os avanços da direita golpista que hoje assalta o poder e as riquezas populares e nacionais. Frente às eleições municipais deste ano, cada partido lança candidatura isolada, justificando-se com a promessa de “união no segundo turno”, ao qual, possivelmente, nenhum deles chegará. Quando se derem conta do equívoco, a direita e o retrocesso já terão atropelado a todos.
    Estamos em um momento de refluxo das forças democráticas e de esquerda em todo o mundo e também no Brasil. É hora de resistência, de acumulação de forças e de preparação para a reação de médio e de longo prazos. Disputas e divergências cabem e são bem-vindas nos momentos de avanço e de conquistas, pois nesses momentos é preciso se definir rumos e explicitar mais e novos objetivos a serem alcançados. Nos momentos de refluxo, como o atual, é preciso saber buscar semelhanças e, com elas, construir os consensos possíveis, para que se crie uma barreira capaz de conter o avanço das forças que não têm compromissos com os interesses nacionais, com as necessidades da ampla maioria da população e com a democracia.

  • O X da questão do teto dos gastos públicos

    Apito Brasil – Sindicato do Banco Central
    O quarto item da justificativa de fundamentação da proposta de emenda constitucional que cria teto para os gastos públicos traz uma afirmação poderosa que cativou de imediato a simpatia da grande imprensa e o apoio de formadores de opinião pública: a de que a raiz do problema fiscal do Governo federal está no crescimento acelerado da despesa pública primária, que variou 51% acima da inflação, só no período de 2008 a 2015, enquanto a performance da receita no mesmo período teria sido de apenas 14,5%. “Torna-se, portanto, necessário estabilizar o crescimento da despesa primária, como instrumento para conter a expansão da dívida pública.”
    Ao apresentar esses dados de maneira binária, sem contexto, o governo interino de Michel Temer tenta jogar nas costas do funcionalismo público federal e das rubricas de saúde e educação a responsabilidade pelo desajuste financeiro da União. O artífice de toda essa retórica – o ministro da Fazenda Henrique Meirelles – quer fazer a sociedade crer que a medida “essencial para recolocar a economia em trajetória de crescimento, com geração de renda e empregos” é congelar o salário do servidor público, sobretudo do Executivo, e desvincular da receita as despesas com saúde e educação.
    O que o ministro da Fazenda não conta é que nenhuma coisa nem outra é a vilã da diferença de 42 pontos percentuais verificada entre a evolução da despesa e da receita – pegando o próprio exemplo dado na justificativa da PEC 241/2016. Não é preciso o uso de matemática financeira para perceber que existe uma contradição nesse argumento. É só usar a lógica, em seu sentido mais puro. Se considerarmos que a despesa é fator X, a receita é fator Y e que o percentual dos gastos com educação e saúde, fator Z, está fixado em relação ao fator Y, logo se deduz que o aumento da diferença entre X e Y não decorre do fator Z, justamente porque ele está rigorosamente atrelado percentualmente à evolução de Y.
    Então, se não podemos responsabilizar a educação e a saúde pelo desajuste nas contas públicas, talvez seja a despesa com o funcionalismo a grande culpada pelo estado das coisas. Só que mais uma vez, a premissa está eivada de vícios. Mas desta vez, será preciso usar equações matemáticas para demonstrar as ambiguidades das afirmações usadas pelo governo para legitimar a PEC do teto dos gastos públicos.
    No ciclo do governo de Fernando Henrique Cardoso, que foi de 1995 a 2002, os gastos com o funcionalismo correspondiam a 55% da receita da União. Hoje, essa correlação é de apenas 40%, 15 pontos percentuais a menos. Ora, se os custos com o funcionalismo caíram em relação à receita, também não se pode atribuir ao servidor público a culpa pela crise fiscal do país.
    Se esses dois aspectos – funcionalismo e desvinculação de receita –, que são a razão de existir da PEC 241/2016, não causaram o desequilíbrio das contas públicas, quais foram os fatores de aumento desordenado das despesas? Onde foi aplicado esse dinheiro? Quem o consumiu? Por qual ralo escoaram recursos tão valiosos para a sociedade?
    Se forem sinceras as motivações do novo governo de neutralizar a verdadeira fonte de tamanho desajuste orçamentário, Temer e Meirelles serão obrigados a olhar para o lado e, para desespero do mercado, deparar-se com o óbvio: as despesas foram infladas ao longo desses anos por uma forte e continuada política de endividamento do Estado, a um custo elevado para o país. Um simples aumento de um ponto percentual na taxa Selic, por exemplo, provoca um custo fiscal entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões. As despesas com juros acumuladas de junho de 2014 a junho de 2015, foram da ordem de R$ 420 bilhões. Nada menos de 45% do orçamento da União é para a rolagem da dívida e o pagamento dos juros.
    Em junho de 2015, com o país já em recessão, a relação dívida/PIB ficou em 63%, o pior resultado da História. No mesmo mês de 2014, estava em 55% do PIB. Para analistas do mercado, o grande temor é o de que a dívida bruta ultrapasse os 70% do PIB, e indicador levaria o país a novo rebaixamento pelas agências de risco.
    Os servidores públicos não estão em dissonância com os anseios da sociedade brasileira nem descolados da realidade. Defendem também um ajuste de contas, desde que feito com qualidade, de maneira a favorecer a recuperação da economia. O funcionalismo já aceitou dar sua cota ao acordar um reajuste salarial muito abaixo da inflação. Mas o que se vê nas intenções anunciadas pelo governo interino são ações mais contundentes, aproveitando o desequilíbrio fiscal para tomar medidas que debilitam o Estado, em especial os programas que promovem o bem-estar.
    É preciso inverter essa lógica, porque a discussão que se fez até aqui, com caminhos que contemplam maior ou menor superávit primário, não vai à raiz do problema. Os cortes no orçamento e a política de juros altos não são utilizados para reduzir os gastos do Estado e torná-lo mais eficiente. São, no fundo, mecanismos para facilitar a descomunal transferência de renda para uma classe que sempre expropriou o Estado.
    Chegamos, então, à conclusão de que estamos diante de,no mínimo, uma desonestidade intelectual propalada por quem defende a tese da PEC do teto dos gastos. Vimos que a justificativa do governo, quando colocada em perspectiva, ganha sentido real, desmistifica certos dogmas reiteradamente vendidos como verdadeiros e criminaliza a dívida interna, hoje acima de R$ 3 trilhões. Se se quer colocar no cadafalso princípios pétreos e direitos constitucionais, que ao menos sejam mais transparentes e menos dissimulados, a fim de que haja um debate franco de ideias, mas que também se tenha a coragem de discutir o DNA da dívida interna. Afinal, quem e por que temem uma auditoria na dívida pública?
    Edição 98 – 8/7/2016 SINDICATO DO BANCO CENTRAL – SINAL
    APITO BRASIL – EDIÇÃO 98/16

  • Câmara decide novo presidente dia 14

    O  anúncio foi feito na tarde desta sexta-feira pelo presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão. A decisão vai contra a decisão do colégio de líderes, que havia remarcado o pleito para terça-feira (12).
    Maranhão justificou que pelo  Regimento Interno da Câmara, a prerrogativa de marcar e desmarcar sessões é do presidente da Casa. “Faremos as eleições na quinta-feira; o Regimento e a Constituição estabelecem que a presidência tem essa prerrogativa”, disse, ao sair da Câmara na tarde desta sexta-feira.
    Uma nova reunião na segunda-feira (11), entre líderes partidários foi marcada para resolver a questão e pedir esclarecimentos à Mesa Diretora. Será também uma tentativa de marcar uma nova data.
     
     
  • Série sobre a Redenção estreia nesta sexta-feira na TVE

    A minissérie Redenção tem seu primeiro episódio transmitido nesta sexta-feira, a partir das 20h30, pela TVE, canal 7. A minissérie de ficção conta a história de uma pequena sociedade que vive no Parque da Redenção, em um futuro onde Porto Alegre está vazia e abandonada.
    Produzido pela Primeiro Corte Produções, o programa será veiculado na faixa Histórias do Sul. Serão quatro capítulos, transmitidos às sextas-feiras, com reprise aos domingos às 20h. A direção é de Marcel Kunzler e a produção, de Flávia Matzenbacher.
    Os projetos desta faixa foram contemplados pelo Fundo de Apoio à Cultura do Rio Grande do Sul (FAC). Foram selecionados dez documentários e quatro minisséries, com um total de investimento de R$1,26 milhão nos audiovisuais, que abordam diversos temas e foram realizados por produtoras de Porto Alegre, Santa Maria, Pelotas e Ijuí.

  • O discurso direitista

    Jorge Barcellos – Doutor em Educação
    Denis Rosenfield publicou em Zero Hora (5/7) artigo em que, mais uma vez, critica o Partido dos Trabalhadores. Desconfio que Rosenfield só sabe da minha existência pelos artigos em que critico suas análises. Cada vez que ele publica um artigo novo, como o anjo de Benjamin, uma tempestade me arrasta para replicar seus argumentos. Talvez seja o contrário, talvez ele só escreva para saber que resposta darei a seus argumentos, típico da filosofia, área em que se formou e que o levou a transformar-se em eminência parda da direita intelectual. Eu, ao contrário, consigo nas redes sociais não mais do que meia centena de leitores de artigos em defesa do pensamento de esquerda. Sou um fiasco.
    Criticar o pensamento de direita de Rosenfield é meu esporte de combate predileto, para usar uma figura de expressão do sociólogo Pierre Bourdieu, mostrar que existem argumentos contrários ao seu pensamento que merecem serem defendidos. Como diz o escritor Diogo Mainardi, em “Lula é minha Anta” – autor também que critico, mas que tem ótimas tiradas – é como se Rosenfield fosse o Papa-Léguas e eu o Coiote. Recorro a todas as artimanhas do pensamento contemporâneo para capturar seus argumentos, mostrar a que tipo de projeto servem, exatamente como Diogo Mainardi diz fazer com Lula, na metáfora do Papa-Léguas, e assim, argumentos filosóficos se transformam nas catapultas do desenho, nos elásticos, etc. Rosenfield nunca desiste, sempre consegue nos impressionar a cada artigo publicado em ZH.
    Depois de muito refletir, descobri a razão de meu empenho: é que ele em seus artigos encarna o estridente “bip-bip” da direita, o eterno discurso que é a sua forma de desejar que a nação –ou ao menos aquela representada pelas classes populares e pelos direitos sociais básicos – se subordine ao capital e as formas de exploração que representa. Não tenho sorte, não dá certo, ele sempre consegue voltar com novos artigos de direita como “A Narrativa Petista”. Diogo Mainardi diz que o valor do desenho animado de Chuck Jones é sua essencialidade, são só dois personagens no deserto. No deserto das ideias, Rosenfield é o como o Papa-Léguas de Mainardi, a “besta primária equivalente absoluta essencialidade”, quer dizer, como diz Mainardi, Rosenfield está “perfeitamente adaptado a seu meio”, o pensamento liberal e pronto para se esquivar do Coiote, ou seja, de nós.
    Mas alto lá! Não me considero Coiote no sentido dado por Mainardi, o de uma caricatura do humanismo e da racionalidade, ao contrário, a única caricatura em jogo é a de um pensamento de esquerda humanista, que acredita numa sociedade em que o capital não transforma homens em mercadorias. E também não no sentido dado por Mainardi onde “Chuck Jones definiu o Coiote como um fanático, citando o filósofo George Santayana, para quem “um fanático é aquele que redobra seu empenho quando já esqueceu seu objetivo”. Nenhum dos autores aqui citados é fanático porque, ao contrário, tem seus objetivos bem definidos, a luta pela defesa do mercado, no caso de Rosenfield, a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores, no meu caso.
    Feita a digressão, voltemos ao que interessa. Seu último artigo em ZH é uma tentativa de caracterizar o que chama de “narrativa petista”. Não é difícil retrucar seus argumentos. Há pelo menos quatro argumentos que se contrapõem as ideias de Rosenfield. Primeiro, ele esquece que a direita sempre se caracterizou pelo seu caráter oligárquico, defesa do status quo e pela manutenção no poder. As ideias liberais tiveram no entanto sucesso e avançaram para além do plano econômico, transformando as políticas públicas em servas do capital e convencendo a sociedade brasileira da necessidade do impeachment. Com as primeiras medidas do governo Temer, veio o arrependimento.
    Segundo, e paradoxalmente, para a direita, os fatos correspondem ao discurso, daí a crueldade de sua política. O discurso de direita é uma narrativa de terror: sua prática aprofunda o buraco onde encontra-se a sociedade brasileira, o buraco da ideologia neoliberal. Na realidade das leis do mercado, não há lugar para solidariedade social e o resultado é que todos são tratados como mercadoria. A narrativa cada vez mais explicita, sem pudor, mostra que é um movimento com norte claro.
    Terceiro, as ideias direitistas são a expressão do olhar neoliberal do capital. Nele, a única realidade que conta é a econômica – o social não conta mais, só o que serve a expansão do capital. Temer já avisou que está preparando medidas duras. Duras contra quem? A sociedade, é claro, e já se anuncia nos bastidores um pacote que inclui alterações na previdência, a desvinculação das aposentadorias dos reajustes do salário mínimo, fim da estabilidade no serviço público e até a possiblidade de extinção do Bolsa Família a partir de 2017.
    Pior, e quarto, o discurso direitista se expandiu para novas fronteiras. Não é apenas um discurso econômico marcado pela apropriação dos recursos do Estado pelo Capital, é também um discurso político marcado pelo retrocesso da democracia e pela defesa de valores de setores retrógrados na sociedade. Com a crise das esquerdas, cada vez mais seus conceitos estruturantes vem revelando eficácia e ocupando os mais diferentes horizontes, construindo a “subjetividade neoliberal” (Byung Chul Han).Daí o reforço do discurso do impeachment mesmo sem base legal, do projeto de retrocesso dos direitos sociais básicos, da ascensão de um grupo politico ao poder sem compromisso com uma idéia de nação.
    Finalmente, frente a um projeto tão bem sucedido, resta a esquerda reconstruir seu discurso politico e sua prática nas próximas eleições. A sociedade precisa dar-se conta de que, apesar de a direita repetir seu discurso a exaustão, a esquerda oferece outro caminho possível, mais justo, humano e cidadão. Isso passa pelo fortalecimento das instituições democráticas que exponha as contradições do discurso da direita para a sociedade brasileira. A esquerda precisa urgente de uma nova estratégia que unifique as forças democráticas. Quando isso acontecer, ao contrário do que sugere Rosenfield em seu artigo para a esquerda, é a direita estará perdida. Mesmo assim, como diz Mainardi, Rosenfield escreverá novos artigos para Zh, “buzinando seu bipbip”. Enquanto a direita tiver sucesso e intelectuais a seu serviço, não ria: é a sociedade brasileira que estará caindo no abismo.

  • Com grande aparato, tocha olímpica desfila pelas ruas de Porto Alegre

    Matheus Chaparini
    Primeiro, apareceram dezenas de motos da polícia. Em seguida, algumas viaturas, um veículo de uma única rádio local e carros de som dos patrocinadores: uma marca de refrigerante, um banco e uma fábrica de automóveis.

     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Esse era o “abre-alas”, anunciado de cima de um carro de som por um jovem com sotaque da cidade-sede do grandioso evento. Logo atrás de todo este aparato, vinha ela: a tocha olímpica, um canudo de sessenta e nove centímetros feito de alumínio reciclado com fogo na ponta.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Teve gente que esperou na rua desde as 15h, horário previsto para a chegada do comboio ao Parcão. Mas a festa teve atraso de quase duas horas. Quando a caminhada partiu do Moinhos de Vento, às 17h20, causou frenesi pelas ruas da região central de Porto Alegre. Os meio-fios viraram camarotes cheios de moradores que aguardavam ansiosos para poder ver de perto o fogo simbólico das olimpíadas.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Ver e fotografar, é claro. À frente da tocha, um batalhão de fotógrafos profissionais se apressava na disputa pelo melhor ângulo. Somavam-se a estes, dezenas de celulares, buscando registrar o momento histórico, e garantir que não passasse batido nas suas redes sociais ou nos grupos de WhatsApp.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Teve também quem não se ficasse satisfeito com uma olhadinha na chama passando e seguiu o comboio. Durante o trajeto, era possível ver algumas pessoas com simulacros infláveis da tocha ou mesmo tochas feitas em casa, de papel, acompanhando o trajeto. “Esta vai ser uma noite inesquecível, sem dúvida”, garantiu um homem todo trajado de branco que acompanhava o percurso com uma tocha caseira – sem fogo, claro – em uma mão e uma bandeira na outra com a mensagem “paz”.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Em diversos pontos da cidade, foram montados palcos com programação cultural ao longo da tarde para esperar a passagem da tocha. Na Redenção, capoeira, pernas-de-pau, apresentação de danças típicas regionais, entre outras atrações, dividiram o espaço sonora com um ruidoso carro de propaganda de um patrocinador dos jogos.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    O comboio da tocha olímpica cruzou a avenida Osvaldo Aranha ao som de uma versão com base eletrônica do clássico “Mas que nada”, de Jorge Ben, e entrou no Parque Farroupilha. Para o revezamento da tocha, foram convocadas 77 pessoas, entre atletas, jornalistas, líderes comunitários e pessoas ligadas aos patrocinadores.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Na rua José Bonifácio, uma senhora que corria no parque, em seu exercício diário, reclamou: “Só vi gente fora de forma carregando essa tocha. Cadê os atletas?” A chama chegou ao Monumento ao Expedicionário nas mãos do empresário João Vontobel, fundador da Vonpar, representante da Coca Cola no estado.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Vontobel definiu o evento como “um espetáculo! Beleza pura” e logo passou a chama para um grupo de atletas, dentre eles, Marcelo Negrão e Paulo André Jukoski da Silva, o Paulão, medalhistas de ouro nas Olimpíadas de Barcelona, pelo vôlei masculino em 1992.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Jág

    Chamou atenção o aparato de segurança montado para a passagem da pira olímpica pela cidade. O percurso envolveu praticamente todas as esferas da Segurança Pública: Guarda Municipal, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícias Rodoviárias Estadual e Federal, além do reforço de agentes da Força Nacional. Surpresa com a quantidade de agentes e viaturas envolvidas na megaoperação, uma moradora da Fernandes Vieira comentou: “Nunca vi tanta segurança na minha vida!”
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Após passar pela Redenção, o trajeto seguiu pela avenida João Pessoa, Salgado Filho, Borges de Medeiros, passou pelas proximidades do estádio Beira Rio e encerrou no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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  • Assembléia aprova 15 propostas para manter mobilização

    Os professores que participaram da assembleia geral do Cpers/Sindicato nessa quinta-feira aprovaram as seguintes propostas:
    1- “Sartori Inimigo da Educação – Fora Sartori”. Campanha contra o Projeto do Governo Sartori (PMDB) e seus aliados.
    2- Realizar Campanha de Mídia contra o PL 44/2016 e participar das Audiências Públicas sobre o referido Projeto de Lei, organizadas pelo conjunto dos Servidores Públicos Estaduais.  Audiências Públicas confirmadas: dia 14/07, às 18h, na Câmara de Vereadores, em Santa Cruz do Sul e dia 15/07, às 9h30min, na Câmara de Vereadores, em Caxias do Sul;
    3- Participar da Marcha Nacional dos Servidores Públicos Federais, Estaduais e Municipais, no dia 12/07/2016, em Brasília/DF, com a seguinte pauta: Contra Toda a Retirada de Direitos;
    4- Materializar uma Campanha do CPERS/Sindicato nas Lutas Nacionais em prol dos Direitos dos Trabalhadores em Educação com o lema “Educação, Democracia e Direitos”;
    5- Participar da Construção da Greve Geral;
    6- Participar da Campanha Fora Temer;
    7- Denunciar o Estado que utiliza 30% do seu orçamento para incentivos fiscais e afirma não poder pagar os salários. Padronizar um e-mail a ser enviado a todos os deputados e governador, cobrando transparência;
    8- Realizar a Campanha “Onde esta o meu salário?”, organizando painéis e desmentindo as afirmações do Governo Estadual referentes aos valores dos salários dos educadores;
    9- Realizar auditoria nas contas do FUNDEB;
    10- Realizar Atos Públicos, em caso de parcelamento de salário, no dia do pagamento, em frente as agências do Banrisul. A atividade deve ser organizada por cada Núcleo;
    11- Organizar Conferências Regionais, envolvendo toda a comunidade escolar, a partir do mês de agosto, para discutir e repensar a escola que queremos;
    12- Denunciar o PL 190/2016 e pressionar os Deputados para a sua não aprovação;
    13- Garantir a participação de representantes, por Núcleo, no Debate sobre o PNE – Plano Nacional de Educação, frente ao contexto das políticas educacionais brasileiras, que se realizará no dia 13/07/2016 (4ª feira), às 13h30min, no Auditório Paulo Freire do CAFF – Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre;
    14- Realizar Moção de Repúdio contra a postura do Ministério Público de Torres, que motivou a instalação de sindicância em relação a um colega por suas convicções políticas;
    15- Realizar Moção de Repúdio as agressões sofridas pelos alunos ocupantes da escola Cristóvão de Mendonça, de Caxias do Sul, de autoria de alguns professores, direção da escola, Coordenadoria Regional (CRE) e Polícia Militar.

  • Professores terminam greve e voltam às aulas na próxima segunda-feira

    Higino Barros
    Foi decretada nessa quinta-feira o fim da greve dos professores da rede pública estadual, depois de 53 dias de paralisação. Os professores voltam às aulas na próxima segunda-feira. A decisão de retorno foi tomada na assembleia geral da categoria, realizada na Casa do Gaúcho, no Parque da Harmonia.
    Ao contrário da assembleia realizada no Gigantinho, há dez dias, dessa vez o grupo que votou pelo fim da paralisação foi majoritário. Nas avaliações feitas pelos defensores do fim da greve o adiamento do retorno as aulas provocou um sacrifício maior da vanguarda do movimento e o aumento do número de professores dispostos a voltar às aulas.
    Nas falas dos professores foi ressaltado a dificuldade de negociar com o governo Sartori, a necessidade de união de todas as correntes para enfrentar o adversário comum e que as ocupações nas escolas, pelos alunos, foi a grande novidade do movimento.
    Foi aprovada também uma agenda de mobilização que envolve questões específicas dos professores e de luta ao lado de outras categorias do funcionalismo estadual e federal.
    Recuo estratégico
    O Comando de Greve negociará agora com o secretário da Educação, Luis Alcoba, para acertar a recuperação das aulas e as reivindicações que o governo atendeu, entre elas , a manutenção da remuneração por risco de 69% da categoria e o não desconto dos dias paralisados.
    Segundo a presidente do Cpers/Sindicato, Helenir Schüller, o fim da greve significa mais um recuo estratégico dos professores do que derrota para o governo estadual.
    “Vamos juntar nossas forças em busca de melhores condições de salário e de trabalho. Foi criado um elo com os alunos e pais que vão mudar o panorama das lutas educacionais. Serão realizadas conferências regionais que vai culminar numa grande conferência estadual para indicar qual escola que desejamos”, afirmou a presidente da entidade.