Autor: da Redação

  • Ó Mac´Naima! …É, e é.

    (Uma paródia sertaneja de Macbeth)

    Paulo Timm – Maio, 2016

    Não temas! Advai!
    Só um homem   que  não foi parido pelo ventre de mulher
    Te fará mal. A cujo.
    Disse  Quelemén:
    O que foi feito, está feito.
     
    Se queres ser o homem que ontem foste  à noite, encara!
    O inferno é lúgubre . A noite densa. O punhal  profundo.
    “Sê violento, ousado e firme”  . Há-de-o.
    Disse ainda Quelemén:
    Mas o que foi feito, está feito.
     
    O destempero   já não cabe nas fezes  do República
    O verbo  já não arrefece a ação.
    Nem a  ação aquece o verbo. E que!
    Quelemén sabe de tudo
    Tudo o que foi feito,  está feito
     
    O sangue verte  sobre o sangue cru
    Sangue infenso aos ares  perfumados de Belém.
    A carne, sim,  cria  carne crua. Os quantos.
    Sempre a sina ao longe de Quelemén:
    O que foi feito,  está feito
     
    Ah! Se eu  pudesse examinar a urina dos acontecimentos
    Vem … vem,,, vem carinho!
    Hoje. Amanhã, talvez. Ou depois de amanhã. No nunca.
    Ó Quelemén! Tu o disseste
    O que foi feito , não pode  mais ser desfeito
     
    A verdade é esta sombra  contada por mentirosos
    Milhões de almas paridas pelo destino
    E apenas uma  farta do seu próprio sangue  letal Oressa.
    Quelemén! Quelemén!
    O que não pode ser consertado não deve preocupar
     
    Te entrega covarde!
    À punição exemplar do  teu tempo ido
    Vai! A pois.
    Desconcertado. Preocupar…Deslei…
    Nonada

  • Decreto de Temer autoriza transferência de concessões da Globo

    Matheus Chaparini
    Um decreto publicado no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 27, abre caminho para a transferência de concessões da Rede Globo. Não foi possível até agora esclarecer o objetivo, nem o alcance, da medida.
    O decreto tem data de 24 de junho e é assinado pelo presidente interino Michel Temer e pelo ministro da Ciência, Tecnologia, Informações e Comunicações, Gilberto Kassab.
    O texto “autoriza a transferência indireta da concessão de serviço de radiodifusão de sons e imagens outorgada à Globo Comunicação e Participações S.A.” em quatro estados e no Distrito Federal.
    O especialista em Direito de Radiodifusão, José Angelo Scopel, afirma que o decreto permite a venda da empresa. “Há dois tipos de transferência: na direta, a concessão é transferida de uma pessoa jurídica para outra, na transferência indireta, a concessão pode ser vendida junto com a empresa. Foi o que aconteceu com a venda da RBS em Santa Catarina, por exemplo”, explica o especialista.
    Scopel é advogado na empresa Rádio Sul, que atua na consultoria técnica e jurídica para a obtenção de permissões e concessões de canais de rádio e TV.
    O texto cita as concessões da Globo Comunicação e Participações S.A. em Belo Horizonte, Estado de Minas, Rio de Janeiro e Estado do Rio, São Paulo e Estado de São Paulo, Recife e Estado de Pernambuco, Brasília e Distrito Federal.
    Scopel explica que as transferências de outorgas precisam ser autorizadas previamente pelo Ministério e que o decreto, neste caso, funciona como uma autorização prévia. “Se o decreto saiu é porque foi pedido o que esta sendo autorizado ali”, explica o advogado.
    Segundo o decreto, as alterações societárias deverão ser efetivadas e registradas perante o órgão competente no prazo de sessenta dias, a partir da data de publicação, sob pena de invalidação e reversão da operação.
    Tentamos contato com a Globo Comunicação e Participações S.A, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta.

  • Municipários protestam após Fortunati encerrar negociações

    “Prefeito, eu quero! Prefeito, eu quero! Eu quero negociar!”, cantavam os municipários em frente à Prefeitura na manhã desta terça, um dia após o prefeito José Fortunati dar por encerradas as negociações com o movimento grevista. E completavam, em ritmo de marchinha: “Ô Fortunati! Ô Sebastião! Paga o reajuste e o vale alimentação. Eu queria ver se tu gostaria de viver com meu salário, daí tu aumentaria.”
    Nesta segunda-feira, Fortunati encerrou as negociações, alegando falta de condições de melhorar a proposta e anunciou o corte no ponto dos grevistas. “O Fortunati decretou o fim da nossa greve, mas ele esqueceu de nos consultar primeiro. E ainda cortou o nosso ponto. É muita falta de respeito”, reclamava um professor.
    Os municipários começam a receber a reposição da inflação nos contracheques de julho, com 1,2% retroativos a maio; 2% em outubro; 4,2% em dezembro; e 1,6% em janeiro do ano que vem.
    A greve já dura 15 dias. Os municipários devem permanecer no Paço Municipal até o início da tarde e partir em caminhada até a assembleia da categoria, que acontece às 14h, na Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia.

    Prefeito Fortunati encerrou as negociações nesta segunda-feira, alegando não ter condições de melhorar a proposta / Matheus Chaparini
    Prefeito Fortunati encerrou as negociações nesta segunda-feira, alegando não ter condições de melhorar a proposta / Matheus Chaparini

  • Assassinato de estudante: medo virou rotina no bairro Cavalhada

    Felipe Uhr
    “Não se esqueça do seu BO!” é o que está escrito no folheto distribuído pelas ruas do Bairro Cavalhada, convocando os moradores para uma reunião sobre segurança, que ocorrerá nesta quarta-feira, às 19h, na sede da Cecopam.
    A poucos metros dali, a estudante Sara Tótaro , de 22 anos, foi assassinada diante da família,  quando chegavam em casa, por volta das 21h45,na noite da última quinta-feira, 23. Segundo a polícia, Sara ficou em estado de choque, demorou para sair do automóvel e foi baleada no peito pelos assaltantes.

     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Panfleto distribuído pelo bairro alerta: “Não esqueça do seu B.O”| Ramiro Furquim/Jornal Já

    Na rua Gaurama, local do latrocínio, o clima é de insegurança entre os moradores e transeuntes. “A gente tem medo até de falar”, comenta um dos vizinhos da vítima, Edson Lima. Morando na rua a penas um ano, ele já sabe de vários assaltos na redondeza.
    Sua antiga casa era perto de uma boca de fumo, mas ele alega que o lugar era tranquilo e livre de assaltos. “Lá o chefão garantia a segurança, tu vê”, lamenta o morador que protegeu sua casa com arames do tipo utilizado em presídios de segurança máxima. Edson também paga uma empresa de segurança privada para que, de vez em quando, deem uma olhada em sua casa. Outros vizinhos fizeram o mesmo.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Na rua onde ocorreu o crime, medo se espalha entre os moradores| Ramiro Furquim/Jornal Já

    Mas não é somente nesta rua que o clima de tensão prevalece.
    Todo o bairro está com medo. Um mercado do bairro já virou alvo rotineiro dos bandidos. “Coloca aí quinze assaltos”, chutou a proprietária do estabelecimento, Karine Santin, já que afirma ter perdido a conta dos assaltos que já sofreu nos cinco anos em que é dona do comércio.  “Somos conhecidos na Delegacia por dois motivos: porque são nossos clientes e porque volta e meia temos que ir lá”, conta Karine, referindo-se à 13ª Delegacia de Polícia, encarregada de receber as ocorrência da Cavalhada e de outros quatro bairros: Hípica, Belém Velho, Vila Nova e Nonoai.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Delegado Luciano Coelho: não há suspeitos, mas há pistas | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Lá, é o delegado Luciano Coelho quem cuida do caso de Sara. O caso foi uma das 6.387 ocorrências registradas desde o início do ano até o momento em que a reportagem do Jornal Já esteve no local. Em média, são mais de 35 ocorrências por dia: “70% são relacionados a violencia”, afirma o delegado. Em três anos trabalhando na décima terceira, havia registrado apenas dois latrocínios. Nos últimos seis meses, já aconteceram três.
    Em relação ao assassinato de Sara, ainda não há suspeitos, mas a Polícia diz ter pistas.
    Gol branco foi identificado na Ação
    Um gol branco de duas portas. Essa é uma das pistas que a Polícia tem sobre o crime.  As imagens das câmeras de segurança de uma empresa localizada perto do local do assalto, flagraram este veículo seguindo o das vítimas. Segundo Coelho, outras evidências e informações chegam a todo o momento e devem ajudar na resolução do caso.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Agentes de segurança são vistos com frequência pelas ruas do bairro| Ramiro Furquim/Jornal Já

    Família ainda consternada
    Testemunhas oculares do crime, a família da jovem ainda se encontra consternada. A irmã depôs na sexta-feira e retornou à Delegacia nesta segunda para ajudar nas investigações. Os pais de Sara também estavam presentes, mas não falaram. “Estão em choque ainda”, contou o delegado, que afirmou que eles devem depôr na tarde desta terça-feira.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    No boteco, qualquer desconhecido gera suspeitas| Ramiro Furquim/Jornal Já

    Enquanto não se descobrem os culpados, tão pouco é resolvido o problema da segurança, moradores vão acompanhando o crescimento da violência. Na rua Gaurama, os olhares de desconfiança são disparados a qualquer desconhecido. No boteco da rua, a conversa animada, regada a pequenas dose de aguardente, é encerrada com a entrada de um anônimo que entra pedindo fogo. Quando o estranho sai, o dono do bar, seu Dalto, dispara: “Nunca vi”, balançando a cabeça, buscando através da janela o sujeito com os olhos.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Moradores antigos acompanharam o crescimento da violência | Ramiro Furquim/Jornal Já

    É isso a todo momento. Residente há mais de 40 anos, dona Iolanda Santos acompanhou o crescimento da violência na região. Segundo ela, até pouco tempo o bairro era tranquilo e sem muitos incidentes, diferente de hoje que pelo menos um assalto a cada dois dias é relatado entre os conhecidos. “A gente tem medo a qualquer hora”, conta a moradora. Um outro morador, sem se identificar, desabafa em relação ao governo: “Não querem resolver”. Em pequenos grupos, moradores vão se organizando. Uns planejam instalar câmeras por contra própria. Outros planejam reforçar a ronda da guarda privada.
    Jovem havia obtido primeiro lugar na prova do estágio 
    Sara tinha 22 anos e era estagiária da Biblioteca da Câmara Municipal de Vereadores em Porto Alegre. Havia passado em primeiro lugar na seleção geral realizada no ano passado. Estava no estágio há pouco mais de três meses. Fazia o cadastro e catalogação dos livros e periódicos. “Era inteligente, tranquila e delicada”, conta o colega de trabalho, o bibliotecário Jerri Heim. A coordenadora, Rose, visivelmente comovida, como os demais colegas, preferiu não falar. Sara foi homenageada no plenário da Câmara, com um minuto de silêncio.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Jovem assassinada era estagiária da biblioteca da Câmara Municipal| Ramiro Furquim/Jornal Já

  • Os sofistas ontem e hoje

    Os sofistas foram geniais educadores da polis grega. Eles foram os primeiros mestres e pedagogos da cultura ocidental. Exímios debatedores. Afiadíssimos dialéticos e imbatíveis na arte de argumentar e contradizer. Eles arrebatavam multidões, num tempo de mudança cultural e política que exigia novos ensinamentos no âmbito político, jurídico e moral. Na democracia insipiente da Grécia antiga, em que o direito e a moral já não eram compreendidos como produto da natureza, típico da cultura aristocrática decadente, mas da sociedade, eles se apresentam como os defensores de uma nova ordem ancorada em um único soberano, o homem.
    O homem é a medida de todas as coisas, diziam. Se o homem é a medida de todas as coisas, e não deus ou a natureza, então tudo é relativo ao homem e não existe a menor chance se levar a sério uma verdade que pretende ser universal e absoluta. Sem valores perenes, verdades universais e normas jurídicas absolutas, tudo vira uma questão de ponto de vista e de força suficiente para impor o seu ponto de vista, caindo inevitavelmente no ceticismo e no relativismo.
    O bem comum, por exemplo, em política, é só uma aparência externa para fazer crer que os interesses próprios, dos mais fortes, tenha legitimidade. Por trás do discurso do bem comum, age-se com interesses escusos e inconfessos e quem é mais expert e mais bem articulado impõe o que para ele ou seu grupo parece ser interesse a todos.
    Assim resumida a filosofia dos sofistas, que semelhança há com o que estamos vivendo hoje no Brasil? Estamos ou não reeditando os sofistas? Há laboratório melhor do que o Brasil para a ressurreição dos sofistas?
    A disputa, a guerra de posições, o argumento e contra-argumento, a luta incessante de posições opostas, é a regra em política. Em uma sociedade desigual como é a brasileira, é natural que se leve para o âmbito político estatal os interesses em disputa na sociedade civil. A disputa na defesa de interesses é, portanto, legítima.
    Na disputa legítima de interesses diversos, há os que defendem os empresários e ruralista e há os que defendem os trabalhadores e sem-terra, por exemplo. Há os que defendem os homens brancos e ricos e há os que defendem as mulheres pobres e os negros. Há os que são contra os homossexuais e há os que defendem os direitos dos homossexuais. Não há como ser diferente. Não há uma posição neutra e universalista em abstrato e nisso os sofistas tem razão.
    Mas, não haverá um mínimo de bem comum, de interesse público, de direitos humanos elementares que tanto um quanto outro deveríamos defender? Não há um mínimo comum que não poderíamos recuar sob pena de comprometer a vivência pacífica e justa da sociedade? Ou não dá para almejar vida pacífica e justa na sociedade? Se não há, então a própria política vira uma guerra de todos contra todos como se estivéssemos em um estado de natureza.
    Ora, a política é justamente a nossa capacidade de superar a natureza belicosa, interesseira e mesquinha, em nome de valores mais altos formulados por acordos humanos para nos tornar mais humanos.
    Há nisso uma pequena dose de idealismo e de utópico, mas não custa sonhar e tentar acordos mínimos de interesse comum. Fora isso, a barbárie piscará seu olho grande e nos atrairá para seus braços logo aí adiante!…

  • Professores da Ufrgs criam comitê para “dissecar” projeto do Cais Mauá

    Os docentes se opõem ao modelo licitado pelo Governo do Estado e endossado pela prefeitura da Capital, que relaciona a restauração dos armazéns tombados pelo patrimônio público à viabilidade financeira de um empreendimento, composto por um shopping center, torres de escritórios e estacionamento com mais de cinco mil vagas.
    “A defesa do Cais Mauá público e a necessidade de se opor ao plano de mercantilização da área em curso é uma causa altamente meritória.O conhecimento produzido na universidade precisa estar conectado com a realidade social e com a defesa do interesse público, por isso, estamos programados para oferecer estudos que dissecam o conjunto de erros constantes do projeto licitado”, revela um dos idealizadores do comitê, o sociólogo e pesquisador do Observatório das Metrópole, Luciano Fedozzi.
    Os professores vem se reunindo desde outubro de 2015. Em janeiro deste ano, promoveram um painel durante o Fórum Social Temático (FST) e em maio, lançaram um manifesto no qual condenam “a ocupação fomentadora de segregação e de elitização” do atual projeto, fato que “contraria o princípio da função social da cidade inscrito no Estatuto da Cidade” sem uma justificativa razoável do poder público para tal decisão.
    “Não encontrando explicação tecnopolítica, entendemos que tal empreendimento retrógrado só pode ser explicado pelos interesses escusos de mercantilização de um espaço público de alto valor imobiliário”, conclui o manifesto.
    Os professores também somaram esforços junto da Frente Parlamentar e Social em Defesa do Cais Mauá e estão integrados nas atividades do coletivo A Cidade que Queremos – “inclusive participando da discussão sobre ações judiciais”, revela Fedozzi.
    A intenção é, de agora em diante, agenda debates sobre pontos do projeto atual como meio ambiente e sustentabilidade, modelo econômico, mobilidade urbana e até a saúde pública. “O que temos não é um projeto para o Cais, mas sim um plano de negócios que tenta reproduzir o que já aconteceu com a mercantilização e a financeirização de outras áreas portuárias e outros espaços públicos degradados ou em desuso em várias cidades do mundo”, lamenta Fedozzi, cujos estudos no Observatório das Metrópoles se debruçam sobre este tema.
    O sociólogo salienta que o caso do Cais Mauá não é único no Brasil. “Nesse momento, está ocorrendo o mesmo processo no Cais José Estelita, em Recife, e no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. É uma concepção atrasada que tenta se fazer passar como “modernização” do espaço urbano. No caso de Recife já houve uma decisão liminar da justiça suspendendo o processo. Lá ocorreu grande mobilização da população e com participação de professores”, observa.
    Alunos serão bem-vindos
    Por enquanto, o grupo é composto apenas por professores e pesquisadores da Ufrgs. “Até pela urgência dos fatos, já que nosso ingresso coletivo foi um pouco tardio, reunimos primeiro o corpo docente”, avalia Luciano Fedozzi.
    Entretanto, o sociólogo acredita que há interesse não apenas de alunos da instituição, mas também de servidores de carreira em participar do debate. “Há pessoas que já participam a mais tempo das atividades e de movimentos como o Ocupa Cais Mauá e do Movimento em Defesa Pública da Alegria. Então é provável que esse comitê da Ufrgs venha a ser ampliado”, espera.
    Ele esclarece que o grupo não representa a universidade “como instituição”: “Não haveria condições para essa tomada de posição da Reitoria porque isso exigiria consenso total entre a comunidade de docentes”.
    “O que temos é um grupo que já soma, hoje, 115 professores, que está contribuindo, por um lado, para fortalecer o campo de setores sociais que vem lutando para exigir a rescisão do contrato e a abertura de diálogo com a cidade sobre o destino a ser dado para o Cais Mauá”, conclui.
     

    Manifesto de Professores da UFRGS em defesa do Cais Mauá

    Nós, grupo de professores e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cumprindo a função obrigatória de colaboração com a sociedade e as políticas públicas do país, vimos a público manifestar nossa posição contrária ao empreendimento previsto para a reocupação do Cais Mauá, berço da cidade de Porto Alegre e patrimônio histórico, cultural e paisagístico da capital do Rio Grande do Sul. Somos totalmente favoráveis a que seja viabilizado um novo uso a esse espaço público de crucial importância para a história da cidade, mas não nos moldes preconizados pela administração municipal.
    O empreendimento previsto para a área pública do Cais Mauá expressa uma concepção anacrônica em termos urbanísticos, sociais, ambientais e políticos. Fundamenta-se em um paradigma urbanístico já superado há pelo menos duas décadas, como demonstra a literatura e os casos exitosos de reformas que vêm sendo implementadas países centrais e da América Latina. Tomando como referência o princípio técnico consagrado de que um bom lugar é aquele com animação e o que a gera é a diversidade, entendemos que áreas especializadas devem ser evitadas ou enfrentadas por meio de políticas públicas visando à diversidade. Construir prédios monofuncionais, como são os shopping-centers ou edifícios-garagem, prédios comerciais por excelência, não tornará o Cais Mauá um bom lugar para a convivência dos porto-alegrenses.
    Da mesma forma, é um contrassenso que a Prefeitura de Porto Alegre realize um empreendimento que prevê a atração de milhares de veículos privados em uma área já congestionada. O transporte público de qualidade associado a outros modais não poluentes, como as bicicletas, são meios que expressam não somente a democratização do espaço – limitando o “carrocentrismo” – mas, também, o enfrentamento dos problemas ambientais. Porto Alegre é a metrópole do país com o segundo pior índice de poluição do ar.
    Ainda, a preservação da paisagem urbana e do patrimônio histórico e cultural é um ativo fundamental para a atração de pessoas e afirmação da identidade dos lugares. Nossa cidade tem o privilégio de ter uma imagem clara e estabelecida, mas no lugar de aperfeiçoá-la permitindo usos públicos para recreação, lazer e turismo, propõe-se sua descaracterização. O desenho do empreendimento desvaloriza o caráter singular, natural e histórico do lugar.
    Por princípio, espaços públicos qualificados atraem pessoas, gerando recursos, polarizando atividades econômicas complementares e compatíveis com atividades culturais, recreativas e de lazer, valorizando o entorno e diminuindo a insegurança. O empreendimento previsto trará uma ocupação fomentadora de segregação e de elitização. Contraria, portanto, o princípio da função social da cidade inscrito no Estatuto da Cidade.
    Não encontrando explicação tecnopolítica, entendemos que tal empreendimento retrógrado só pode ser explicado pelos interesses escusos de mercantilização de um espaço público de alto valor imobiliário. A esse respeito, o argumento da necessidade imperiosa de parceria público-privada para a reocupação do Cais Mauá é descabido e soa falacioso. O custo previsto para a recuperação dos armazéns do Cais é de cerca de R$ 43 milhões. Ora, a obra que está sendo realizada na orla do Guaíba com recursos oriundos de financiamento obtidos pela Prefeitura (entre a Usina do Gasômetro e a rótula das Cuias) está estimada em R$ 62 milhões. Um simples cálculo demonstra que os armazéns do Cais Mauá poderiam ser restaurados realisticamente com recursos mobilizados pelo município.
    Justamente a capital que se destacou no mundo pela prática da democracia participativa, é lamentável que uma decisão de tamanha importância, para a identidade da cidade, não tenha tido qualquer abertura para o debate com a sociedade. Em vez de chamada pública para o concurso de projetos urbanísticos, prática que permite a pluralidade de ideias e concepções, o que se viu foi uma prática de cima para baixo e o rechaço aos apelos para uma verdadeira abertura do debate público sobre a reocupação do Cais Mauá.
    Pelas razões expostas, nos somamos aos movimentos sociais e instituições profissionais, apelando para que a atual gestão da Administração Municipal rescinda o contrato com o consórcio Cais Mauá S.A., e abra ampla discussão com a sociedade porto-alegrense sobre o destino a ser dado para o importantíssimo espaço público do Cais Mauá.

    • Adriana Dorfman. Doutora em Geografia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Geografia. Instituto de Geociências
    • Adriana Schmidt Dias. Doutora em Arqueologia. Departamento de História.
    • Alessander Kerber. Doutor em História. Departamento de História e Programa de Pós-Graduação em História
    • Alexandre Virgínio. Doutor em Sociologia. Departamento de Sociologia.
    • Álvaro Krüger Ramos. Doutor em Matemática. Instituto de Matemática e Estatística
    • Anderson Zalewski Vargas. Doutor em História. Departamento e Programa de Pós-Graduação em História
    • Aragon Erico Dasso Junior. Doutor em Direito. Departamento de Ciências Administrativas
    • Álvaro Luiz Heidrich – Doutor em Geografia. Departamento de Geografia e Programa de Pós Graduação em Geografia.
    • Alzira Maria Baptista Lewgoy. Doutora em Serviço Social. Departamento de Serviço Social
    • Antonio David Cattani. Professor Titular do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Arlei Sander Damo – Doutor em Antropologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social
    • Bernardo Lewgoy. Doutor em Antropologia. Departamento e Programa de Pós Graduação em Antropologia Social
    • Caleb Faria Alves. Doutor em Antropologia. Departamento de Antropologia Social.
    • Carla Brandalise. Doutora em História. Departamento de História
    • Carlos Alberto Saraiva Gonçalves. Doutor em Bioquímica. Departamento de Bioquímica
    • Carlos Schmidt. Doutor em Socioeconomia do Desenvolvimento. Docente aposentado do Departamento de Economia.
    • Cássio da Silva Calvete. Doutor em Economia Aplicada. Faculdade de Ciências Econômicas
    • Cláudia Zanatta. Doutora em Arte Público y Poéticas Visuais. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais. Instituto Artes
    • Cinara Rosenfield. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia.
    • Cornelia Eckert. Doutora em Antropologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social
    • Darci Campani – Mestre em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental. Departamento de Engenharia Mecânica
    • Débora da Silva Soares. Departamento de Matemática Pura e Aplicada
    • Demetrio Luis Guadagnin. Departamento de Ecologia.
    • Denise Zancan. Departamento de Fisiologia. ICBS
    • Domingos Sávio Dresch da Silveira. Mestre em Direito. Faculdade de Direito.
    • Eber Marzulo. Doutor em Planejamento Urbano e Regional. Departamento de Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional.
    • Eglê Kohlrausch. Doutora em Enfermagem. Departamento de Assistência e Orientação Profissional. Escola de Enfermagem.
    • Eduardo Filipi. Doutor em Economia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Economia
    • Elisabete Zardo Búrigo  – Instituto de Matemática e Estatística..
    • Emerson Giumbelli. Doutor em Antropologia. Departamento e Programa de Pós Graduação em Antropologia
    • Enio Passiani. Doutor em Sociologia. Departamento de Sociologia
    • Eunice Kindel. Doutora em Educação. Ensino de Ciências da Faculdade de Educação
    • Fabio Meira – Doutor em Administração. Escola de Administração e do Programa de Pós-Graduação em Administração.
    • Felipe Gonçalves Silva. Doutor em Filosofia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia
    • Fernando Coutinho Cotanda. Doutor em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Fransciso Marshall. Doutor em História. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em História
    • Francisco Egger Moellwald. Doutor em Educação. Departamento de Ensino e Currículo da Faculdade de Educação da UFRGS.
    • Gisele Secco. Doutora em Filosofia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia
    • Gislei Domingas Romanzini Lazzarotto. Doutora em Psicologia. Instituto de Psicologia.
    • Glaucia Campregher. Doutorado em Ciências Econômicas. Faculdade de Ciências Econômicas
    • Glenda Pereira da Gruz. Doutora em História Ibero-Americana. Professora aponsentada do Departamento de Arquitetura. Faculdade de Arquitetura
    • Guilherme Dornelas Camara. Doutor em Administração. Escola de Administração
    • Gustavo Grohmann. Doutor em Ciência Política. Departamento de Ciência Política.
    • Helen Osório. Doutora em História. Departamento de História.
    • Helena Maria Cabeda Petrucci. Faculdade de Arquitetura
    • Heleniza Ávila Campos. Doutora em Geografia. Departamento de Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional.
    • Hélio Custódio Fervenza. Doutor em Artes Plásticas. Departamento de Artes Visuais e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes.
    • Icleia Borsa Cattani – Doutora em história da arte. Professora aposentada do Instituto de Artes
    • Jalcione Almeida. Doutor em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Joacir T N Medeiros. Instituto de Física
    • João André Jarenkow. Departamento de Botânica – UFRGS
    • João Farias Rovati. Doutor em Arquitetura e Urbanismo. Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional
    • João Werner Falk. Doutor em Medicina. Departamento de Medicina Social. Faculdade de Medicina
    • Jônadas Techio. Doutor em Filosofia. Departamento de Filosofia
    • José Carlos Baracat Junior. Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Instituto de Letras
    • Júlio Celso Borello Vargas. Doutor em Sistemas de Transporte. Faculdade de Arquitetura
    • Karl Monsma. Doutor em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Lorena Fleury. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Lorena Holzmann. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Dociologia
    • Luciana Lima. Doutora em Ciencias Sociais. Curso de Políticas Públicas e Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas
    • Luciana Neves Nunes. Doutora em Matemática. Instituto de Matemática e Estatística
    • Luciano Fedozzi. Doutor em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Luiz Augusto E. Faria. Doutor em Economia. Departamento de Economia e Relações Internacionais e Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais
    • Luis Artur Costa. Doutor em Informática na Educação. Departamento de Psicologia Social e Institucional e do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social e Institucional
    • Luis Felipe Nascimento. Doutor em Economia e Meio Ambiente. Escola de Administração
    • Maíra Baumgarten. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Maíra Rossato. Doutora em geografia. Colégio Aplicação
    • Marcelo Kunrath da Silva. Doutor em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Marco Paulo Stigger. Doutor em Educação Física. Escola Superior de Educação Física e do Programa de Pós-Graduação em Educação Física
    • Marcelo Milan. Doutorado em Economia. Departamento de Economia e Relações Internacionais
    • Mariana Baldi. Doutora em Administração e Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração
    • Maria Ceci Araujo Misoczky. Doutora em Administração. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração
    • Maria Eunice Maciel. Doutora em Antropologia. Departamento e Programa de Pós Graduação em Antropologia
    • Maria Ines Azambuja. Doutora em Medicina. Faculdade de Medicina Saúde Urbana.
    • Maria Ivone dos Santos. Doutora em Artes. Departamento de Artes Visuais e Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes.
    • Maria Tereza Flores Pereira. Doutora em Administração. Escola de Administração
    • Marilis Lemos Almeida Doutor em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Mathias Seibel Luce. Doutor em História. Departamento de História e Programa de Pós-Graduação em História.
    • Melissa Pimenta. Doutora em Sociologia. Departamento de Sociologia.
    • Miriam Telichevesky. Doutora em Matemática. Instituto de Matemática e Estatística
    • Mônica Torres Bonatto. Doutora em Educação. Colégio de Aplicação/UFRGS
    • Nelson Luiz Sambaqui Gruber. Doutor em Geociências. Departamento de Geografia
    • Nina Simone Vilaverde Moura.  Doutora em Geografia. Departamento Geografia e Programa de Pós Graduação em Geografia
    • Paulo Abdala. Doutor em Administração. Escola de Administração.
    • Paulo Francisco Slomp. Doutor em Educação. Faculdade de Educação.
    • Paulo Roberto Rodrigues Soares. Doutor em Geografia. Departamento Geografia e do Programa de Pós Graduação em Geografia
    • Pedrinho Arcides Guareschi. Doutor em Psicologia Social. Departamento de Psicologia Social e Institucional
    • Pedro Costa. Doutor em Administração. Escola de Administração
    • Rafael Kruter Flores. Doutor em Administração. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração
    • Raphael Zillig. Doutor em Filosofia. Departamento de Filosofia
    • Raquel Weiss. Doutora em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Regina Celia Lima Xavier. Doutora em História. Departamento e Pós-Graduação em Historia
    • Regina Weber. Doutora em Historia. Departamento de História.
    • Renato Paulo Saul. Doutor em Sociologia. Professor Titular aposentado Departamento de Sociologia
    • Rita Sobreira Lopes – Doutora em Psicologia. Instituto de Psicologia.
    • Robert Ponge. Doutor em Letras. Professor Titular aposentado do Instituto de Letras e docente convidado permanente do PPG em Letras.
    • Roberto Verdum. Doutor em Geografia. Departamento Geografia e Programa de Pós Graduação em Geografia
    • Robinson Achutti. Doutor em Antropologia Visual. Departamento e Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes
    • Ronaldo Herrlein Jr. Departamento de Economia e Relações Internacionais. Faculdade de Ciências Econômicas.
    • Rosa Angela Chieza- Departamento de Economia e Relações Internacionais. Faculdade de Ciências Econômicas.
    • Rosimeri Carvalho da Silva. Doutora em Administração. Escola de Administração e Programa de Pós-Gradução em Administração
    • Rúbia Vogt. Mestre em Filosofia. Colégio de Aplicação.
    • Sheila Borba. Doutora em Sociologia. Departamento de Sociologia
    • Simone Mainieri Paulon. Doutora em Psicologia. Instituto de Psicologia
    • Sílvia Altmann. Doutora em Filosofia. Departamento e Programa de Pós-Graduação de Filosofia da UFRGS
    • Silvia Regina Ferraz Petersen. Doutora em História. Departamento de História
    • Suzi Camey. Doutora em Epidemiologia. Departamento de Estatística. Diretora do Instituto de Matemática e Estatística.
    • Sueli Goulart. Doutora em Administração. Escola de Administração
    • Taís C. E. Frizzo. Colégio de Aplicação
    • Takeyoshi Imasato. Doutor em Administração. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração
    • Vanessa Marx. Doutora em Ciência Política. Departamento de Sociologia
    • Vera Lima. Doutora em Química Farmacêutica Medicinal. Faculdade de Farmácia e Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas
    • Virgínia Maria Rodrigues. Doutora em Matemática. Instituto de Matemática. Departamento de Matemática Pura e Aplicada.
    • Zita Possamai. Doutora em História. Coordenadora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Programa de Pós-Graduação em Educação.
    • Walter Nique. Doutor em Marketing. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração
  • Reviravolta no Alvorada?

    PINHEIRODO VALE
    Há uma fração do grupo palaciano do Palácio da Alvorada se articulando para levar à presidente afastada Dilma Rousseff uma proposta ousada que, acreditam, poderia provocar uma reviravolta no placar de votos favoráveis no plenário do Senado Federal.
    A ideia desses assessores é de a presidente dizer ou vazar que voltando ao governo materia a atual equipe econômica, ou pela menos a parte não tucana do grupo liderado pelo banqueiro Henrique Meirelles.
    Próceres do governo deposto dizem que essa seria uma manobra estapafúrdia, sem a menor possibilidade de Dilma aceitar, pois teria o repúdio da esquerda e provocaria estranheza descabida.
    Os formuladores dessa estratégia, no entanto, dizem que isto poderia vingar, se conseguir apoio de segmentos mais conservadores da antiga base aliada, pois sinalizaria, também, que a presidente afastada estaria, ainda, tomando distância dos grupos envolvidos nos processos da Lava Jato.
    Meirelles, como se recorda, era o sonho de consumo do ex-presidente Lula para compor um governo de notáveis, antes do impeachment se configurar.
    Nessa formação, Dilma poderia propor o tal governo de salvação nacional. Em complementação, ela apoiaria a candidatura de Meirelles à sua sucessão. Este posicionamento poderia atrair a adesão de grande parte das forças econômicas que estão paralisadas esperando uma solução da crise política para dar um empurrão na economia e nos negócios.
    Em contrapartida, Dilma se comprometeria a apoiar as reformas propostas por Meirelles.
    Neste particular, os donos da ideia não descartam que Dilma chegue até o ponto de sugerir que ela daria sinal verde às alterações drásticas no sistema previdenciário, que é um ponto fundamental do discurso de Meirelles.
    Com o apoio de Dilma, parte da esquerda poderia votar no Congresso com o novo governo e a atual situação. Neste caso, nem mesmo o PSDB teria como se negar a dar seu voto a dispositivos polêmicos e considerados inaceitáveis pela esquerda como uma nova faixa etária para as aposentadorias.
    Esta fórmula se apoia no estrago previsível do Lava Jato que deve atingir segmentos expressivos e poderosos do PMDB e de outros partidos, ameaçando inclusive o próprio presidente interino Michel Temer, que seria chamado a se explicar sobre financiamentos de campanha para o partido de que foi o presidente efetivo até poucos dias.
    Esses analistas acreditam que se o próprio presidente interino se encontrar numa situação insustentável, a melhor opção para o sistema será uma solução de compromissos com a presidente afastada.
    Isto teria de acontecer agora, antes do impeachment, pois se Temer cair depois de 31 de dezembro terá de haver uma eleição indireta. Neste caso, a confusão irá muito além da escolha de um candidato. Não há uma regulamentação em Lei para a eleição indireta.
    O único diploma disponível é a 4.321 de 1964, publicada no diário Oficial de 8 de abril aquele ano, que serviu para eleger o ditador marechal Humberto Castello Branco.

  • Prisão de repórter é debatida no Congresso Estadual de Jornalistas

    O repórter do Jornal JÁ, Matheus Chaparini, participou neste final de semana do 37º Congresso Estadual dos Jornalistas, que reuniu cerca de 70 profissionais de jornalismo em Caxias do Sul.
    Chaparini integrou a primeira mesa do evento, na noite de sexta-feira, 24, na Câmara de Vereadores, ao lado da professora de direito Letícia Bortoluzzi, da Faculdade da Serra Gaúcha e de Márcia Carvalho, representante do sindicato e mediadora do debate.
    Chaparini relatou o episódios do dia 15, quando foi preso e encaminhado ao Presídio Central enquanto trabalhava, cobrindo a ocupação da Secretaria da Fazenda por um grupo de estudantes e a violenta desocupação do prédio pela Brigada Militar.

    Chaparini citou casos de outros jornalistas presos durante o exercício profissional / Maurício Concatto
    Chaparini citou casos de outros jornalistas presos durante o exercício profissional / Maurício Concatto

    Repórter é acusado por crimes dolosos
    A professora Letícia estudou o caso e o expôs do ponto de vista jurídico. “Destaco o fato de os crimes imputados contra o jornalista serem todos dolosos, quando há a intenção de cometer o crime. Além disso, crimes de esbulho possessório são cometidos mediante ameaça”, explicou.
    Chaparini citou outros episódios de jornalistas presos durante o exercício profissional, como o repórter Alfredo Daudt, do Jornal do Comércio, detido em 1987, quando cobria uma manifestação do Cpers na Praça da Matriz, da repórter da Rádio Inconfiência, Veronica Pimenta, detida na semana passada quando cobria uma reintegração de posse de um terreno ocupado por famílias em Belo Horizonte e do fotógrafo Naian Meneghetti, preso em 2013, quando cobria um protesto que culminou na invasão da embaixada dos Estados Unidos em Porto Alegre.
    Além destes, o jornalista recordou o caso do processo movido pela família Rigotto contra o Já e seu editor, Elmar Bones. O episódio está relatado no livro Um reportagem duas sentenças: “É uma forma de censura por via judicial, principalmente quando se trata de um jornal pequeno. Um processo destes acaba com a empresa, como poderia ter acontecido com o Já, não fosse a insistência e teimosia do Elmar.”
    Com o tema “Por que as redes sociais são importantes?”, o congresso foi organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul .
    O evento acontece a cada dois anos e é um preparativo para o Congresso Nacional dos Jornalistas. A edição deste ano acontece de 25 a 28 de agosto em Goiânia e terá com o tema “Jornalismo ético: a sociedade quer e precisa”
    Vereador vai propor moção à Câmara
    Também esteve presente no evento, Jaison Barbosa (PDT), vereador de Caxias, “terra do meu governador, que ajudei a eleger”, comentou. Diante do relato e dos vídeos do episódio, Barbosa se comprometeu a propor à casa uma moção de contradição, já na próxima semana. Jaison Barbosa integra a base aliada do prefeito Alceu Barbosa Velho, também do PDT.
    Evento é preparação para o Congresso Nacional dos Jornalistas, que aconteceu em Goiânia em Agosto / Maurício Concatto
    Evento é preparação para o Congresso Nacional dos Jornalistas, que aconteceu em Goiânia em Agosto / Maurício Concatto

  • Marketing, o Deus da cara de pau

    Cláudia Rodrigues
    Essa semana três notícias dadas pela mídia convencional celebraram a total falta de noção ética e social do setor de marketing de instituições públicas e privadas.
    Primeiro foi o governo do Rio Grande do Sul que organizou exposição de roupas usadas em local privado, shoppings, para campanha do agasalho, expondo vestuário de inverno doado por personalidades gaúchas. É isso mesmo, 12 peças pregadas em estandes com o histórico sentimental da roupa. Deve ser o que consideram PPP, participação público privada. O slogan seria: “Ricos, comovam-se com a história sentimental de uma roupa”
    Coca-cola, Pepsi e AMBEV exibiram nos jornais o press release de bom mocismo barato sobre o relacionamento alimentar abusivo que mantêm com crianças e adolescentes desde a década de 1960. Para quem não sabe a comida industrializada é a principal  responsável por problemas endócrinos, respiratórios, alérgicos e cardiológicos de crianças e adolescentes do país. O fenômeno atinge todas as classes sociais.
    As empresas aproveitam o ensejo para anunciar que seu relacionamento abusivo com crianças e adolescentes continuará firme, mas agora, garantem, estão preocupadas com a saúde.
    Os pequenos até 12 anos poderão tomar achocolatados repletos de açúcar, carboidratos, gorduras e ínfima porção de cacau. Ou aqueles sucos 100% fruta fermentada e fervida até morrer, também com muito açúcar. Tudo com corante, acidulante, espessantes.
    Quem acha essa comida prática e fácil de comprar, consumir e descartar as embalagens, beleza. É só achar bacana o descarte de refrigerantes para os estudantes de até 12 anos.
    A partir dos 12 pode tudo e até os 12, tudo menos refrigerantes.
    O que mudou?
    Nada, a não ser a ideia de que a Coca Cola, Pepsi e  Ambev estão preocupadas com a saúde infanto-juvenil e trabalhando nisso com afinco.
    O Conselho Federal de Medicina exibiu-se no noticiário acatando a lei contra a qual vinha brigando: cirurgia cesariana a pedido da gestante somente após 39 semanas, a fim de baixar os níveis alarmantes de prematuridade de bebês no Brasil.
    Se a cesariana eletiva fosse o único problema ético e prático da obstetrícia, seria uma boa notícia. Assim como o Brasil serviu de plataforma para a industrialização da alimentação, promovida por nossas relações internacionais, especialmente com os norte-americanos, serviu à indústria da cesariana. Não haveria problema algum se ações e argumentos usados fossem de natureza científica, fisiológica, biológica, psicológica, social, política, histórica e econômica, nessa ordem.
    Infelizmente o que temos são argumentos baseados exclusivamente em mercado, consumo e marketing. Não em primeiro lugar, mas onipotente. Onipresente sobre toda e qualquer consideração de problemas e estudos humanos, sob bases exclusivamente econômicas de exploração, mais-valia e com argumentos baseados em crenças para justificar implantação de métodos abusivos, desnecessários e iatrogênicos.
    Curioso que essas notícias sejam dadas assim pelo lado curinga da força. Quem trabalha com pesquisas sobre os prejuízos da alimentação industrial, por exemplo, não foi ouvido. Quem trabalha com alimentação limpa, sem veneno e orgânica, ficou fora da pauta, alheio ao mercado.
    Labncheira_saudávelAlimentar bem crianças em escolas públicas e privadas deveria ser algo levado de maneira séria, em prol da saúde e do desenvolvimento, ou seja, educação alimentar. Governos e escolas que se preocupassem com educação sobre saúde procurariam manter relações melhores e mais estreitas com produtores locais de comida limpa, orgânica, sem venenos, com fruticultores, apicultores, gente brasileira que vive da terra, investindo em mercado interno e fortalecimento da economia por meio de relação direta entre gestores de educação e produtores de comida saudável e fresca.
    A Zero Hora conseguiu entrevistar uma nutricionista que trabalha para duas escolas privadas. A profissional está revoltada com a proibição da venda de refrigerantes para estudantes de menos de 12 anos. “Para a especialista em nutrição infantil Magali Martins, que trabalha com cantinas de duas escolas particulares de Porto Alegre, parar de vender esse tipo de bebida nas escolas não deve mitigar o desejo de consumo. Sou contra a proibição, porque acho que tudo o que é proibido se trona desejável. As crianças não vão comprar na escola, mas vão levar de casa, ou pior, sair da escola para comprar. O pai que dá refrigerante para o filho não vai deixar de dar – avaliou.”
    Cada escola tem apenas uma cantina, assim que os refrigerantes estarão lá, expostos. O que muda de fato?
    Nada, a não ser a falsa polêmica criada pela Zero Hora ao colocar a fala de uma entrevistada que vai contra toda e qualquer pesquisa sobre alimentação infantil saudável. Especialista de mercado, para o mercado e pelo mercado, tipo opinião de bêbado em final de festa, temos.
    O Conselho Federal de Medicina, em vez de assumir que embaça há anos para respeitar o tempo de gestação natural, que pode passar das 40 semanas, segura a bola nas 39 semanas, mas somente para situações em que a gestante pede a cirurgia. Obstetras continuam livres para mentir sobre ser cordão enrolado indicação para cesariana, assim como pressão alta, diabetes ou a famosa “ausência de dilatação”, que na maioria dos casos é apenas dilatação lenta e progressiva, absolutamente fisiológica. Continuarão os obstetras fazendo episiotomias, kristeller e outras manobras condenadas pela OMS.
    O que muda de fato?
    Nada, a não ser o falso cartaz de que o Conselho Federal de Medicina está atuante por menores índices de nascimentos prematuros, quando o fato é que vinha lutando contra e conseguiu no tapetão uma brecha para algo aviltante que mantinha como rotina.
    O governo  do Rio Grande do Sul em vez de investir em relação direta com associações comunitárias e de bairros, fornecendo carros para buscar roupas ou organizando brechós solidários em praças e parques, por exemplo, se dá ao luxo de promover uma exposição chique com roupas usadas em shopping!
    Era isso, três exemplos de operações de marketing, de verniz sobre coisas muito mais amplas que já contam com comprovação científica e lógica. Fica assim um sabor no ar de viva a Coca-Cola e nossa cerveja de milho transgênico, viva as gestantes que poderiam passar de 40 semanas, mas agora são levadas a entender que seus bebês de 39 precisam nascer porque depois de 39 pode, é seguro. Viva as celebridades e suas lindas relações sentimentais com o vestuário.
    O que mudou de fato?
    A cara de pau do marketing, cada vez mais encerada.

  • Que direitos? Que humanos? A volta do entulho da ditadura afeta os estrangeiros residentes no Brasil

    Por Félix Gonzalez e Denise Jardim
    No dia 3 de março passado, a professora Maria Rosaria Barbato, da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais foi intimada pela Polícia Federal (PF) para dar explicações sobre a sua participação em “atividades partidárias e sindicais” pelo fato de ser estrangeira.
    O que extraímos desse episódio sobre nosso ambiente atual e sobre os debates acerca da defesa da democracia e cidadania?
    Para os brasileiros, o fato parece tornar óbvia uma certeza: estrangeiro não é nacional e, portanto, não é cidadão. Mas observando com mais calma o encadeamento de fatos que culminam nesse indiciamento, é importante reconhecer sinalizações de retrocessos em diferentes âmbitos.
    Em primeiro lugar, a PF aplicou à docente o artigo 107 da Lei 6815/1980, mais conhecida como “Estatuto do Estrangeiro”, assinada por João Figueiredo nos estertores da ditadura, e que reza assim:
    “O estrangeiro admitido no território nacional não pode exercer atividade de natureza política, nem se imiscuir, direta ou indiretamente, nos negócios públicos do Brasil, sendo-lhe especialmente vedado: (…)  organizar desfiles, passeatas, comícios e reuniões de qualquer natureza, ou deles participar”
    Tal estatuto foi ressuscitado das gavetas da PF nos momentos de efervescência política que o país está vivendo. Com motivo das passeatas contra o golpe parlamentar que sofreu a legítima presidente, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) advertiu através de nota aos meios de comunicação, publicada no dia 16 de abril, que “estrangeiros que participarem de atos políticos podem ser detidos e expulsos do país”, conforme o mencionado Estatuto. Deve-se considerar que a FENAPEF representa os servidores da PF, sem ser órgão oficial governamental.
    Poderia ser uma postura óbvia se não soubéssemos que desde 2010, a PF sob coordenação do Ministério da Justiça, esteve diretamente envolvida em políticas orientadas para o combate ao tráfico de pessoas e, para tanto, envolvida com a efetivação de documentos internacionais de proteção aos direitos humanos, evocando em diferentes arenas públicas o Tratado de Palermo que, no âmbito das políticas internacionais que o Brasil é signatário, visa coibir o trafico de bens e mercadorias com a ressalva importante de incorporar um tratado que visa tratar as vítimas do tráfico de pessoas como verdadeiras vítimas e não como partícipes de crimes. Por, ao menos, cinco longos anos, a PF construiu em seus quadros os núcleos de enfrentamento ao tráfico de pessoas e mobilizou a observação de formas de encaminhamento condizentes com tais documentos em consonância com as críticas de ativistas dos Direitos Humanos.
    Por isso, a criminalização da professora Maria Rosária Barbato aparece como um episódio de várias camadas. Uma delas exige romper a imediatez da evocação da lei contra o estrangeiro, como se a própria PF desconhecesse e não estivesse envolvida em debates outros sobre uma atuação que deve ter cuidados com seu afã por indiciamentos e tipificação de criminosos, em especial, quando relacionado a pessoas estrangeiras.
    Uma segunda camada diz respeito ao que sinaliza para um estrangeiro qualquer na atualidade. A notícia trouxe preocupação e constrangimento aos muitos cidadãos estrangeiros, principalmente os residentes permanentes, que moram no Brasil pelo tolhimento a sua liberdade de expressão e, principalmente, porque essa Lei fere a carta magna, a Constituição Federal, que garante no seu artigo 5º a igualdade de direitos entre estrangeiros e brasileiros:
    “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País (…)” uma série de direitos, entre eles  “a manifestação do pensamento” e a “liberdade de associação”, além da liberdade sindical e o direito de reunião.
    Embora juridicamente possa ser facilmente comprovada à incompatibilidade entre uma Lei, emanada da ditadura, com a Constituição vigente, um estrangeiro que participe de atividades associativas, políticas, sindicais ou simplesmente de uma passeata ou um comício, pode ser detido, constrangido, humilhado e até ameaçado de expulsão.
    Quem é a professora Maria Rosaria Barbato? Professora contratada desde 2010, e concursada desde 2013 na UFMG. Portanto, não se trata de um estrangeiro que pode ser posto em suspeição por fragilidades de seus processos de inserção laboral no Brasil. Ela trabalha em uma universidade pública. Estaria ela mais resguardada do que outros estrangeiros? Por isso não deveria se preocupar? De fato, sinalizar com o indiciamento de uma pessoa que, a princípio parece tão resguardada não é “em si” um drama pessoal digno de ocupar a mídia no final de semana. Mas, é algo que sinaliza para outros, aqueles que se vejam mais frágil, e poderiam entender que se “até” uma pessoa regularizada sofre indiciamentos, o que sobra para os demais mortais? Se a mensagem pura e dura foi somente, e tão somente isso, já é um caso grave, pois o “entulho” autoritário está se fazendo valer da “suspeição”, e do jogo de cena em que uma federação, uma sociedade civil de direito privado que é uma organização sindical, faz uma leitura dos direitos políticos de qualquer estrangeiro (ou qualquer um), sinalizando que esses podem ser subtraídos.
    Essa é uma chantagem que vem sendo disseminada. Nessa camada, aprendemos com o caso da professora um jogo de suspeição que vem se disseminando para os estrangeiros e que conhecemos em outros campos da vida nacional, criminalizando relações solidárias como “conluio” e buscando coibir o debate na arena pública.
    A esperança para corrigir esses equívocos e se livrar desses entulhos ditatoriais está em projetos de lei: o PL 5293/2016, de autoria do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), propõe criar o Conselho Nacional de Imigração e atualizar o atual estatuto, argumentando que a participação de estrangeiros em sindicatos, organizações não governamentais, partidos políticos e outros movimentos sociais é desejável e republicano, como ocorre em países democráticos. Em tempos de paz, não cabe aplicar estatutos que à sua época nasceram da visão paranoica dos ditadores argumentando intervenção estrangeira e ameaça à segurança nacional. Os estrangeiros não podem ser alvo de punições ou proibições diante da sua participação em qualquer manifestação, reunião, passeata, conferência, ato ou atividade política ou social pacífica. Além desse PL, existe o PL 2516/2015, do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) que pretende ser uma nova lei de imigração no Brasil. O texto diz que “ao imigrante é garantida, em condição de igualdade com os nacionais (…) direito de reunião para fins pacíficos; direito de associação, inclusive sindical, para fins lícitos”.
    O problema persiste porque esses projetos de lei devem demorar em serem analisados e aprovados pelo Congresso Nacional. Desde 2012, culminando em 2013 na I Conferência Nacional sobre Imigrações (COMIGRAR), que contou com a presença ativa da PF, o debate sobre uma nova lei imigratória receptiva a princípios relativos aos direitos humanos vem sendo realizado e, nesse momento, uma súbita amnésia toma conta das instituições. Até lá, os estrangeiros estão em uma corda bamba jurídica com seus direitos de manifestação ameaçados.
    A professora Maria Rosaria Barbato, ademais, é uma especialista em direito e dedica-se ao tema do tráfico internacional de pessoas. Nada mais paradoxal! Era por aí que a PF estava renovando seus quadros e discursos de atuação nos recentes anos! Nessa última camada do problema que levantamos, por certo, ela teria muito a nos dizer sobre a dificuldade de lidar com o mundo das leis no Brasil, dos operadores das leis e daqueles que hoje, na prática, atuam com imensas “falhas” de memória. Instituições que revertem sua história recente de engajamento no debate com a sociedade organizada sobre a obsolescência do Estatuto do Estrangeiro, e que ampliaram sua inserção em debates sobre os direitos humanos dos imigrantes, estariam retornando ao uso da recursividade jurídica para colocar em suspeição nossos direitos políticos sob a retórica da soberania nacional.
    De toda forma, é um a luta que demonstra os tempos que estamos vivendo, e que tempos!

    Sobre os autores

    Félix GonzalezFélix Gonzalez 
    Professor Titular UFRGS.
     
     
     
     
    Denise JardimDenise F. Jardim
    Professora Associada UFRGS.