A ação do governo José Sartori sobre os estudantes que ocupavam a Secretaria da Fazenda e os atos praticados contra o jornalista da Já Editores mostra o quanto o Estado é o ator social mais violento. Quer dizer, o Estado, detentor do monopólio da violência, quando praticou atos contra estudantes e a imprensa, não pode ter suas ações consideradas legítimas, ao contrário, devem ser criticadas como arbitrárias. Primeiro porque a violência de Estado só é legitima quando está no limite de construções jurídicas e práticas que a limitem, no caso, o Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante a presença de Conselheiro Tutelar e a Constituição Federal, que garante a liberdade de imprensa, que a prisão do jornalista contraria. Quer dizer, o Estado só pode ser detentor da violência se ela for sempre, uma violência contida. Segundo, os fatos revelam que o governo Sartori adotou a lógica de repressão pura e simples dos movimentos sociais, o que significa, que trouxe para o interior do Estado uma lógica do plano externo para a administração interna, a lógica da guerra, que é bastante diferente da lógica da resolução dos conflitos internos.
Para os marxistas ortodoxos como para os neomarxistas, o Estado é sempre um instrumento violento porque é expressão de dominação, no caso, da classe burguesa no poder. O exercício da violência, nesta visão, é sempre para proteger posses econômicas e manter à distância as camadas exploradas. Mas o que o governo Sartori conquista ao manter a distância e reprimindo estudantes? Minha resposta: o questionamento sobre um projeto de governo que se baseia no desmonte das políticas públicas de educação. De fato, a atenção dada as possibilidades de privatização de diversos campos e estruturas do estado acena para uma aliança, que o governo quer esconder, entre o projeto neoliberal e partido no poder. Xavier Crettiez, em sua obra “As formas da violência”(Loyola, 2011), chama a atenção para a ideia seminal de Trotsky, de que “Todo Estado está fundado na força”: da mesma forma que a aliança entre fisco e exército no passado permitiu o enriquecimento do Senhor por meio da imposição a todos os súditos de um recolhimento de impostos, agora, sucessivos parcelamentos salariais e negativas de reajuste como no caso dos professores atualizam a estratégia de que o governo só pode governar se explorar uma classe, no caso, a dos servidores públicos.
A questão evolutiva, de um estado que monopoliza a violência interna, realizada pela função da polícia, com a lógica da administração da violência externa, realizada pela administração da guerra, confunde estas duas dimensões, tratar o espaço interno público como espaço de guerra, e o que o governo Sartori dissemina é o sentimento de insegurança, modifica a economia psíquica de seus cidadãos, que agora tem como característica, ao menos nos serviços públicos e no âmbito escolar, um aumento do medo, ao mesmo tempo que veem no Estado que tem o compromisso de os proteger, o recuo das dimensões de honra e coragem – só um covarde bate em estudantes. Quer dizer, ao mesmo tempo que o governo Sartori recusa a afirmação de que é um governo violento – ele foi a imprensa dize-lo -, ele sanciona ações violentas contra jovens na capital. Crettiez lembra a famosa fórmula de Julien Freund: “O Estado verdadeiramente forte é aquele que consegue dissimular a força nas formas, nos costumes e nas instituições, sem ter de exibi-la incessantemente para ameaçar seus membros ou intimidá-los” (FREUND, J. L’Essence du politique. Paris, Dalluz, 2004).
Por que a referência ao Direito e a norma não foi suficiente no caso dos estudantes que ocuparam a Secretaria da Fazenda, mas o foi no caso dos professores que ocuparam o CAFF? É que o consenso dos grupos envolvidos foi diferente em cada caso: no primeiro, os estudantes revelaram uma total perda de fé na política, na possibilidade de atendimento das reivindicações pelo Estado; no segundo, os professores foram capazes de depositar fé nas promessas do mesmo Estado. Mas é esta recusa a legitimidade do Estado que chama a atenção, a recusa do cumprimento de uma ordem judicial, a recusa de cumprimento de uma ordem de saída do espaço público: ele revela a recusa de uma identidade, a recusa do reconhecimento da autoridade do Estado. Ele revela a descoberta feita pela sociedade de que a legitimidade do Estado como monopólio da violência é, ao final, uma ficção jurídica, de que não tem sentido. Ele o deixa de reconhecer como instância de valor.
Quando o Estado pratica atos de violência que a população considera ilegítima, ele atrai a desconfiança da sociedade para si. Quando brigadianos batem em alunos ou professores, o que se tem é não é a produção da ordem, mas a produção da desconfiança. Para o cidadão, que vê tais atos, o Estado perde sua legitimidade simplesmente porque vê que o Estado não reconhece o individuo como pessoa portadora de direitos: não foi simplesmente bestial retirar estudantes da Secretaria da Fazenda a base de gás de pimenta? Sob nenhum aspecto foi uma violência regrada e controlada, como exigem as democracias, ao contrário, foi uma violência típica de situações de guerra.
Trata-se de compreender o que significa o termo “manutenção da ordem”. Surgido com a III República Francesa, a regulação pacifica das ruas foi uma exigência da questão operária, forma de substituir a fúria camponesa pelo ritual da passeata pacificada. As passeatas modernas nascem, afirma Crettiez, da necessidade de legitimar a democracia pelo afastamento da agitação popular. Exige-se uma gestão democrática dos conflitos, e daí, diversos agentes são criados com o objetivo não de aniquiliar o inimigo, mas reconduzir o cidadão “momentamente extraviado” à ordem republicana. A negociação com organizadores de manifestações vem antes do uso de agua, gás ou outros mecanismos de repressão.
Desde os movimentos de Maio de 68, a expressão “manutenção da ordem” era a filosofia baseada no distanciamento dos protagonistas do conflito, justamente o contrário do visto nas cenas que difundiram-se na internet do momento de retirada dos manifestantes. Quer dizer, o que é base do Estado Democrático de Direito, o uso da violência legítima não se realizou. O governo não consegue reconhecer que não há lugar para violência ilegítima porque ela abala a confiança do cidadão no seu Estado. Por isso, a adoção de formas não negociadas, formas adotadas para forçar os estudantes a abandonarem o espaço público assemelha-se a formas do terrorismo: não foi o que sentiram os estudantes, o uso da força como forma de tortura? Não foi relatado inclusive um abuso sexual à uma estudante nas redes sociais? Esse tipo de abuso no entanto, nunca é feito sem planejamento, o Estado sabe que pode obter um resultado mais rapidamente do que aquele conquistado mediante a legalidade. É uma opção o uso da violência.
Claro que muitas vezes, o uso da violência pelo estado não é premeditada, mas provém de um contexto que escapa aos agentes de Estado. Pelo menos é essa a visão passada pelas lideranças policiais, no caso de abusos. Pode-se acreditar nela? É claro que não! São ações nas quais falta discernimento pelas corporações encarregadas da repressão policial, daí o uso desproporcional do uso da força; ações onde é visível, pelas atitudes das forças policiais, da obstinação furiosa visível na intensidade da violência que muitas vezes pode ser encarada como válvula de escape inconsciente dos próprios policiais, vítimas de rebaixamento de salários ou de certa perversidade de alguns indivíduos no cargo, etc; finalmente, são ações que revelam a onipotência do Estado, raro nas democracias, onde a corporação policial faz uma ação completamente sem fundamento legal ou jurídico.
O governo Sartori, por esta razão, oscila entre a manutenção da ordem e a repressão. Pode-se notar a duplicidade do discurso, entre um governador que afirma respeitar os estudantes e um aparelho policial cuja ação é imediatamente repressiva. É verdade que o modus operandi dos novos movimentos sociais é problemática, ao retirar a centralidade de uma autoridade da gestão dos movimentos sociais. Mas o Estado deve encontrar uma forma de se relacionar com movimentos de múltiplas lideranças. Foi o que se viu quando uma fração dos estudantes, sob o orgumento de autonomia, resolveu, após um acordo que se entendia geral, invadir a Secretaria da Fazenda. Esta é uma realidade que exige ao Estado criar novas formas de administrar os conflitos. A comunicação entre o Estado e a sociedade não pode ser resumida a força, ela precisa mais uma vez ser renovada. Caso contrário, estudantes, sociedade e Estado estarão cada vez mais distantes dos objetivo constitucionais porque incapazes de chegar a termos de acordos comuns para a conquista de direitos e expressão de reivindicações.
Autor: da Redação
Os significados da violência do governo Sartori
Por 39 votos professores mantém decisão de greve no RS
Por 39 votos de diferença os professores que compareceram na Assembleia Geral do Cpers, realizada nesta tarde de sexta-feira no Gigantinho, votou pela continuidade da greve. O resultado mostrou a divisão da categoria: 730 professores votaram a favor da manutenção e 691 pelo seu fim. Antes do início da assembleia foi apresentado a votação feita nos 42 núcleos do Cpers/ Sindicato. Desses, 21 núcleos votaram pela suspensão da paralisação, 16 pela manutenção e cinco por acompanhar a decisão da maioria.
Foi uma das assembleia dos professores com pouco quórum, cerca de 1.500 e teve como novidade a votação por escrito, com o voto depositado em urnas, em vez do tradicional método de escolha por aclamação. Como esse sistema havia causado polêmica sobre o resultado final em assembleias anteriores, dessa vez houve o voto em urna.
Após o resultado, a presidente do Cpers, Helenir Schürer, anunciou que a partir da próxima semana o Comando de Greve vai procurar o governo para abrir novas negociações e procurar avançar nas propostas reivindicadas pelos professores. A dirigente do sindicato anunciou também que será feito um esforço de arregimentação de apoio à greve, principalmente no interior, onde a paralisação tem menos adesão.
Nas falas dos professores a favor da continuação da greve foi anunciado que o governo estadual vai promover desconto de salários a partir da próxima segunda-feira, 27, se as aulas não forem retomadas. Não há confirmação dessa medida ainda, mas ela é dada como certa por integrantes do Cpers.Nota de repúdio à prisão do jornalista Matheus Chaparini
Professores do curso de Jornalismo da Universidade Federal emitiram uma “nota de repúdio” à prisão do repórter Matheus Chaparini, na desocupação da Secretaria da Fazenda pela Brigada Militar, na terça- feira, 14 de junho.
Eis a íntegra da Nota:
Considerando:
(1) que o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul forma profissionais em uma perspectiva crítica, ética, humanista e reflexiva;
(2) que estes devem atuar como produtores intelectuais de conteúdo e agentes da democracia;
(3) que a atuação do jornalista ocorre em uma sociedade complexa com alto índice de pluralidade social e cultural;
(4) que a liberdade de expressão é um bem social amplamente resguardado pela legislação nacional e internacional;
(5) que o livre exercício do jornalismo constitui-se em um dos eixos de uma sociedade verdadeiramente democrática.
Nós, professores desta instituição de ensino, publicamente, nos manifestamos em repúdio à prisão do jornalista MATHEUS CHAPARINI, nosso ex-aluno.Consideramos que, no momento de sua detenção, este profissional exercia suas atividades em consonância com os pontos referidos acima e que norteiam o nosso trabalho como educadores. Solicitamos, ainda, que o governo do Rio Grande do Sul investigue as irregularidades ocorridas em termos de limitação ao trabalho da imprensa na manhã de 15 de junho de 2016. Do mesmo modo, como consequência, exigimos que sejam retiradas as acusações contra o jornalista.
Porto Alegre, 20 de junho de 2016″
Assinam: Ana Claudia Gruszynski, Ana Taís Portanova Barros, Cida Golin, Flávio Antônio Carmargo Porcello, Ilza Maria Tourinho Girardi, Luciana Pellin, Luiz Arthur Ferraretto, Marcia Benetti Machado, Mario Eugênio Villas.Boas da Rocha, Sandra de Fátima Batista de Deus, Virginia Pradelina da Silveira.Manifesto pela Democracia de Professores do Instituto de Letras da UFRGS
“Ponía el dedo en una llaga que demasiados deseaban disfrazar de cicatriz”.
Ariel Dorfman, La muerte y la doncella
O vigor de uma sociedade democrática está refletido na integridade de
suas instituições. A Universidade, instituição vocacionada para o exercício da
razão, não poderia abandoná-la neste momento por que passa nossa frágil
democracia. O motivo é simples: não há conhecimento fora da razão. E como
não há consciência fora do conhecimento, nem liberdade sem consciência, o
abandono da razão, tal como nos é solicitado por um governo que insta seu
povo a trabalhar sem pensar, nada mais é que a renúncia à liberdade. A
Universidade que abrir mão da razão, da consciência e da liberdade terá se
convertido em algo distinto de si mesma. Terá perdido a identidade.
Uma das marcas características dos regimes autoritários é a dissolução
de identidades. Essa dissolução está a serviço de outra igualmente perversa: a
dissolução da percepção das diferenças. Os incontáveis gestos políticos do atual
governo no sentido de eliminar uma série de programas destinados a diminuir
desigualdades sociais são a expressão manifesta de uma visão autoritária e
excludente, segundo a qual vivemos todos sob as mesmas condições. Não
vivemos. As condições de vida do operário que recebe vale-refeição ou do
professor que recebe o piso nacional não são iguais às de um banqueiro a quem
o Estado paga juros sobre juros, nem às do juiz que recebe auxílio-moradia do
mesmo Estado – que deveria proteger os vulneráveis. Um Governo que ignora
essas diferenças e as prioridades correspondentes, tratando a todos de igual
forma, não governa para o bem-estar social.
Neste momento da vida brasileira, em que o comando da nação foi
tomado de assalto por um grupo ativamente empenhado na promoção de um
retrocesso sem precedentes desde o restabelecimento de nossa democracia, nós,
professores do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul abaixo assinados, desejamos tornar público nosso mais absoluto repúdio ao
governo provisório, que se instalou a partir da derrubada de uma Presidenta
democraticamente eleita pelo voto popular.
A Universidade, ambiente sensível à rarefação das condições materiais e
morais para a experiência da razão, e de tudo que dela decorre como produto
social, não pode e não deve se calar diante de um governo que, por tudo a que
temos assistido, é o resultado de uma conspiração destinada a salvaguardar
interesses particulares, que nada têm a ver com aqueles que devem nortear os
rumos da nação brasileira. O silêncio da Universidade seria a renúncia a sua
identidade humanista, amparada no exercício da consciência e da cidadania e
comprometida com a defesa da pluralidade e da diversidade.
Ciente, e temeroso, do papel da Universidade, o governo provisório não
tem poupado esforços no sentido de atacar os avanços capitaneados pelo
ambiente acadêmico na esfera da ação social. Naquilo que afeta de modo mais
expressivo a sensibilidade daqueles que atuam na área de Letras, as extinções
dos Ministérios da Cultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação são as facetas
mais evidentes de um projeto comprometido com o aniquilamento da ciência e
da cultura em suas acepções mais amplas. Vale mencionar ainda o
desmantelamento de importantes iniciativas do governo anterior, como a ampla
discussão com professores e pesquisadores em Educação sobre a Base Nacional
Comum Curricular, articulação fundamental entre governo e universidades na
busca da excelência de ensino no País. Outra frente comprometida com o atraso
tem sido a base parlamentar de apoio ao governo provisório, responsável pela
submissão de um conjunto de projetos de lei que ferem brutalmente a liberdade
de cátedra, numa evidente tentativa de tornar a escola e a academia espaços de
reprodução mecânica de conteúdos, incapazes de promover a formação de
cidadãos verdadeiramente inteligentes e críticos, tão inconvenientes aos
regimes autoritários, como o que ora se instala de modo ilegítimo na direção do
País.
Na visão dos professores que subscrevem este documento, o cenário
apenas esboçado neste manifesto é preocupante. Estamos vivendo um
momento crucial para a manutenção da democracia no Brasil, em que é
necessário refletir sobre os rumos que a nação começou a tomar a partir de uma
ruptura injustificável. As consequências do silêncio e da inação, neste momento,
podem custar caro à nossa democracia, que, apesar de suas fragilidades
inegáveis, vinha se consolidando como um espaço para o jogo negociado de
interesses dos atores que compõem a sociedade brasileira.
A deposição de uma Presidenta eleita, com base em um argumento
jurídico especioso, falacioso, capaz de incriminar a maior parte de nossos
gestores públicos, o subsequente desmonte de todas as políticas sociais de
atendimento às camadas menos favorecidas e as decisões que visaram à
desarticulação de ações de governo no campo da educação, ciência e cultura,
importantes para toda a sociedade, não deixam dúvida: o impeachment da
Presidenta Dilma Rousseff constituiu rompimento inaceitável, que urge
desfazermos, sob pena de permitirmos a perpetuação de um governo que, tanto
pelo método de ascensão quanto pelo ideário manifesto por suas ações, já
tornou evidente seu descompromisso com o bem-estar social, com a soberania
nacional e com a democracia.
Assinam este documento:
Ana Tettamanzy, Anamaria Welp, Ana Zandwais, Antonio Barros de Brito
Filho, Antonio Marcos Vieira Sanseverino, Arcanjo Pedro Briggmann, Beatriz
Gil, Carlos Augusto Bonifácio Leite, Carmem Luci da Costa Silva, Claudia
Luiza Caimi, Cleci Regina Bevilacqua, Cléo V. Altenhofen, Denise Regina de
Sales, Erica Foerthmann Schultz, Eunice Polonia, Gabriela Bulla, Gabriel de
Ávila Othero, Gerson Neumann, Ginia Maria de Oliveira Gomes, Homero
Vizeu Araújo, Ian Alexander, Ingrid Nancy Sturm, José Carlos Baracat Júnior,
Karina Lucena, Leonardo Antunes, Liliam Ramos da Silva, Lúcia Rottava,
Luciene Simões, Luisandro Mendes de Souza, Luís Augusto Fischer, Luíza
Milano, Márcia Montenegro Velho, Marcos Goldnadel, Maria Alice Kauer,
Maria Cristina Leandro Ferreira, Marta Ramos Oliveira, Natalia Labella,
Patrícia Chittoni Ramos Reuillard, Paulo Coimbra, Guedes, Rafael Brunhara,
Rita Teresinha Schmidt, Robert Ponge, Rosa Maria de Oliveira Graça, Rita
Lenira de Freitas Bittencourt, Sandra Loguércio, Sandro Rodrigues da Fonseca,
Sergio de Moura Menuzzi, Tanira Castro, Ubiratã Kickhöfel Alves, Valdir
Flores.Teatro da UFRGS tem aulas suspensas por surto de sarna
Matheus Chaparini
Pulgas, ratos, pombas e agora sarna. Tudo isso faz parte do cotidiano dos estudantes de artes dramáticas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Desde a última quarta-feira, 22, as aulas do Departamento de Artes Dramáticas estão suspensas em função de um surto de sarna.
O coordenador do DAD, Mesac Silveria, confirma a suspensão: “Tivemos alguns casos de sarna entre os alunos, então, para poder bloquear o ciclo de contágio, suspendemos as aulas, evitando aglomeração de gente e maior propagação.”
Mesac não soube informar quantos casos foram confirmados, mas a estudante do terceiro semestre Clarissa Madalozzo afirma que pelo menos nove de seus colegas foram contaminados com sarna. “Teve uma colega que descobriu ontem e tem gente que ainda vai descobrir, porque a sarna fica encubada alguns dias”, explica Clarissa.
Recentemente, os estudantes sofreram com uma infestação de pulgas no prédio. A direção vinha tratando o caso com a intensificação da limpeza e eliminação de algumas almofadas. As medidas reduziam o problema, mas se tornaram insuficientes com a contaminação de sarna. O prédio será fechado para dedetização.
A retomada das aulas ainda não tem previsão. “Se a gente conseguisse resolver em uma semana seria ótimo, mas não temos como saber, porque depende do ciclo do parasita”, afirma o coordenador. A interrupção acontece no final do semestre, gerando apreensão entre os estudantes. “Tenho uma prova marcada para segunda-feira e nem sei como isso vai ser resolvido”, afirma Clarissa.
Segundo estudante, uma janela periga cair na calçada da Salgado Filho, próximo aos pontos de ônibus / Matheus Chaparini / Jornal Já
Pulgas, ratos e problemas estruturais
Mesac nega a infestação de pulgas. Segundo o coordenador, não se tratavam de pulgas, mas de piolhos de pombos, que podem ser confundidos pelos estudantes. “Como é um prédio muito antigo, junta muita pomba e é muito difícil de remover”, explica.
Para a estudante Cissa, não restam dúvidas: “É pulga com certeza. A marca da picada é muito específica.”
Além da infestação, os estudantes reclamam de problemas estruturais no edifício. Segundo Clarissa, o forro de uma das salas está prestes a desabar e a janela de outra está pendurada por um único parafuso, perigando desabar sobre a calçada da avenida Salgado Filho, via de grande movimento em função dos pontos de ônibus.
A falta de acessibilidade do edifício é outro problema apontado pelos estudantes. “Além disso, as salas não tem ar condicionado, então é muito quente no verão e muito frio no inverno. Quando esfria todo mundo adoece”, afirma Clarissa.A dialética do ódio no discurso dos brasileiros
O fascista não preserva o outro. Ele repete o quanto odeia aquele que não pensa como ele com a violência de quem poderia matar. E mata. Ideias matam. Pensar no outro como alguém que não tem valor e é descartável, é matar! No Brasil, a dialética nas opiniões políticas, de direita e de esquerda, se diferencia justamente nesse ponto, de como enxergam e colocam o outro. Ou como determinam o lugar do outro. O outro que sou eu, quando sei que todos somos iguais e temos o mesmo valor, está no discurso da esquerda. O outro que é inferior, descartável, não humano, povoa o discurso da direita. São duas formas diferentes de articular, na fala, as relações humanas. Principalmente porque em nosso país, precisamente no atual momento político, a esquerda assume uma postura democrática e não totalitarista em sua maioria e, de forma antagônica, a direita assume opiniões cada vez mais conservadoras, totalitaristas e antidemocráticas. Misantropia é a palavra que vem ao meu pensamento quando ouço o atual discurso da direita. Ódio, também. Compaixão, como em Schopenhauer, ou na Amizade (de Epicuro), ouço no discurso da esquerda. Humanismo… São duas dialéticas diferentes que situam o eu e o outro. Não, esquerda e direita não é somente uma escolha partidária. É uma escolha filosófica. Que define, na forma como se refere na fala, o lugar que o outro ocupa, o lugar em que está a pessoa humana e social. O lugar de quem se fala e de quem fala, numa reciprocidade. Ser, como existência, se constrói nessa dialética. Poderia ser um devaneio romântico de minha parte se o que descrevi não estivesse na fala. Está. Carrega-se ali esta verdade, a verdade de cada um. Basta analisar o discurso atual de ambos os lados, na efervescência política em que vivemos. Do lado das políticas ultraconservadoras da direita, o ideal de homem correto, predominantemente na aparência, branco, heterossexual e produtor de capital, erigido num profundo moralismo de cunho religioso, constrói a imagem do cidadão que se procura forjar. Ao forjar este cidadão, no imaginário, o “cidadão de bem”, cria um nicho, um lugar para todos aqueles que não merecem nossa consideração, sendo excluídos e desvalorizados. Dá-se esse processo no horrendo fenômeno Bolsonaro e sua personificação da intolerância, ódio e violência. Está nele o discurso fascista citado anteriormente e em seus seguidores, concordantes indubitáveis, que se assemelham, se identificam. Esse estilo, sendo eufêmico, não se percebe no discurso político dos representantes da esquerda brasileira. A necessidade de, em seu discurso, colocar o outro numa posição de valor, define sua postura perante o ser humano, que não inferioriza o outro nem o elimina. Usam predominantemente a dialética da união, ou do amor, com respeito a alteridade, de forma a priorizar, claramente, nossa necessidade de coexistir em uma sociedade.
A inserção da dialética do ódio na cultura
O homem conquista pertencência e pertinência quando se sente inserido na cultura. A cultura construída pela fala e pelo imaginário é dinâmica, sofrendo constante renovação. No contexto atual, a mídia tem determinante influência na construção do imaginário da cultura, como um interlocutor influente e inquestionável. Por meio da fala e da imagem determinam o papel do indivíduo. Determinam aquele que odeia e aquele quem se odeia, por exemplo. O discurso de ódio, que insere a dialética do ódio na cultura, precisa de um vetor, a mídia, e encontra na audiência um ótimo hospedeiro. Hospedeiro este que, além de alterar a si mesmo, dá continuidade à disseminação do ódio, infectando outras pessoas em uma cadeia catastrófica. O propósito de barrar essa disseminação do ódio pode ser encontrado no discurso da esquerda e não é difícil de se identificar. Quando falam de respeito aos homossexuais, mulheres, negros, povos indígenas e a importância do reconhecimento dos direitos destas pessoas, combatem diretamente o discurso de ódio. Aos que duvidam, convido-os a acompanhar alguma das manifestações contra o golpe que vêm ocorrendo.
Escolher é possível

Diante deste entendimento, da verdade que aflora no discurso, podemos esperar que as pessoas possam escolher qual discurso querem propagar. Há uma escolha importante nisso. Escolhe-se quem sou eu, quem é o outro e, inevitavelmente, quem somos. Assume-se desta forma uma posição social que pode colaborar para a coexistência humana, quando se escolhe a dialética do amor, ou não, quando se prefere a dialética do ódio. Podendo enxergar essa diferença, basta escolher. Perdoem minha saída reducionista: amamo-nos ou nos odiamos?Assembléia geral do CPERS define rumos da greve
Os professores da rede pública estadual, em greve há 40 dias, realizam assembleia geral, nessa sexta-feira, 24, às 13h30 min, no Gigantinho, para definirem o rumo do movimento.
O Conselho Geral do Cpers/Sindicato se reuniu hoje à tarde e examinou as propostas encaminhadas pelo Governo Estadual para o final da greve.
Segundo os professores alguns pontos não foram contemplados e por isso foram incluídos no documento entregue pelo Cpers à chefia da Casa Civil do Palácio Piratini.
Os integrantes do conselho e a presidente da entidade, Helenir Schürer, pediram a resposta imediata do governo às reivindicações, a tempo de ser analisada na assembleia geral da categoria, no Gigantinho.Largo dos Açorianos tem projeto alterado e obra só termina em 2017
FELIPE UHR
Anunciada para outubro de 2016, a revitalização do Largo do Açorianos só será concluída no ano que vem e por um valor maior do que o previsto.
A revitalização de todo o largo havia sido dividida em três etapas: restauração da ponte de pedra, monumento aos açorianos e o espelho d’água do lago e entorno.
As duas primeiras já estão em andamento e em fase de conclusão.
A ponte de Pedra está prevista para setembro e o Monumento para o começo de julho.
Já a restauração do espelho e a praça do entorno ainda nem teve início. O projeto inicial previa um custo de R$ 2,5 milhões e o começo das obras ainda para o primeiro semestre, mas técnicos detectaram problemas ao esvaziar o lago. “Tinha problemas sérios com as fundações. Tivemos que alterar o projeto” explicou o Supervisor de Praças, Parques e Jardins, Albano Assis. Será preciso rebaixar o nível da área.
Segundo Assis, diferente do projeto original, o lago agora será dividido em dois. Entre a ponte e o viaduto existirá uma passarela para cadeirantes. “Uma espécie de aterro será feito no local” disse o supervisor.
Devido a isso, a obra do espelho e da praça agora custará R$ 4,7 milhões, que sairão do Fundo Municipal do Meio Ambiente. O Conselho Municipal do Meio Ambiente (Cosmam) já aprovou mais recursos para revitalização.
Os documentos para o edital dessa etapa devem ser encaminhado nesta sexta-feira para a Secretaria da Fazenda, responsável por abrir a licitação.
Conforme Albano, a revitalização do Largo deve ser concluída só no ano que vem, já que a obra tem previsão de 9 meses. “Antes da obra tem toda burocracia, entregaremos em junho de 2017” concluiu.Deputados cobram posição de Sartori por prisão de jornalista
O deputado Adão Villaverde (PT) pediu que o governador José Ivo Sartori se desculpe com o jornalista Matheus Chaparini, do Jornal Já, preso na última quarta-feira, enquanto trabalhava cobrindo a desocupação da Secretaria da Fazenda pela Brigada Militar. O vídeo com a fala do deputado foi publicado em suas redes sociais.
A fala foi feita na tribuna da Assembleia Legislativa, na tarde desta quarta-feira, 22. O deputado falou em nome das bancadas do PT e do PSOL, condenando o que consideraram “uma prisão arbitrária e violenta.”
Villaverde recordou ainda o caso do jornalista Alfredo Daudt, do Jornal Comércio. Em 1987, o repórter foi detido pela Brigada Militar enquanto cobria uma manifestação do Cpers em frente ao Palácio Piratini. Na ocasião, ao saber do episódio, o então governador Pedro Simon chamou o jornalista ao Palácio para pedir desculpas oficialmente. Villaverde cobrou que Sartori tome uma atitude semelhante.
“O governador deve pedir escusas também ao Jornal Já , onde o repórter trabalha, e explicar a toda a sociedade gaúcha sua política de segurança pública e direitos humanos em relação à criminalização dos movimentos sociais, reorientando sua ação diante dos protestos, normais na democracia”, afirmou o deputado.Servidores Municipais decidem manter greve e terão ponto cortado
Em Assembleia Geral realizada, pelo Simpa (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre) na manhã desta quinta-feira,no Centro de Eventos do Parque Harmonia, os servidores decidiram manter a greve após nova proposta do governo que apresentou três cenários.
Após decidirem manter a greve, os municipários marcharam até o Paço Municipal.
A tarde o prefeito José Fortunati anunciou em coletiva o fim das negociações com a categoria. Fortunati alegou dificuldades e perda na arrecadação do Município. Os funcionários que aderirem a paralisação terão seu corte no ponto.
O Sindicato aguardava uma nova proposta do Governo para reiniciar as negociações.
Uma nova reunião da diretoria deve decidir os rumos da greve.
Confira a proposta encaminhada, na tarde de ontem,22 pelo vice-prefeito Sebastião Melo ao servidores:
Cenário 1:
a) 1% retroativo a maio de 2016;
b) 8,2% em dezembro de 2016.
Cenário 2:
a) 1% retroativo a maio de 2016;
b) 2% em outubro de 2016;
c) 4% em dezembro de 2016;
d) 2% em janeiro de 2017.
Cenário 3:
a) 1,2% retroativo a maio de 2016;
b) 2% em outubro de 2016;
c) 4,2% em dezembro de 2016;
d) 1,6% em janeiro de 2017.


