HIGINO BARROS
Se depender das iniciativas tomadas nesses dias pelos professores da rede pública em greve e pelo secretário estadual da Educação, Luis Antônio Corba, os próximos dias serão de maior confronto entre as duas partes.
Pela parte da manhã, um grupo de professores e funcionários ocuparam a sede da 1ª Coordenadoria Regional da Educação(CRE), em Porto Alegre, repetindo uma estratégia dos estudantes que ocupam 158 escolas estaduais.
Nessa quarta-feira, à tarde, professores e estudantes fazem manifestação em frente ao Palácio Piratini.
Do lado governista, o secretário Luis Antônio Alcoba de Freitas e comitiva, estiveram em quatro dessas escolas, na capital gaúcha, entregando uma carta com propostas para que os estabelecimentos de ensino sejam desocupados.
A carta entregue aos alunos traz respostas para algumas das reivindicações feitas pelos estudantes, que terão 48 horas para responder se aceitam ou não a negociação.
Caso não aceitem, Alcoba de Freitas deixou claro, embora dizendo que espera acordo, que o governo recorrerá à Justiça, solicitando a retirada dos estudantes.
Pelo demonstrado na ida do secretário da Educação ao Instituto da Educação, a negociação não será fácil. Ele e sua comitiva foram barrados na entrada do estabelecimento, tiveram que colocar um pano azul de identificação no braço para ter acesso ao local e houve o seguinte diálogo entre o secretário e um aluno:
Secretário: “Queremos entrar aí para negociar com vocês uma proposta de desocupação da escola.”
“Pois é, ontem (segunda-feira), estivemos na Secretaria da Educação para negociar e fomos recebidos com violência e não tivemos acesso a lugar nenhum. Fica difícil negociar assim”.
Já as professoras que ocupam a CRE exigem que seja marcada uma audiência com o governador Ivo Sartori e com o chefe da Casa Civil. Elas alegam que o secretário da Educação não tem autoridade para responder aos questionamentos.
“Só vamos sair daqui quando tivermos oficializadas a audiência com a Casa Civil ou com o governador’’, afirmou a diretora do 38º Núcleo, Terezinha Bullé da Silva, responsável pela iniciativa da ocupação.
A ação dos professores faz parte das orientações dadas a 42 núcleos do Cpers, pelo Comando de Greve do Sindicato de pressionar o governo para abrir negociações concretas.
Além da CRE de Porto Alegre, estão ocupadas as coordenadorias de Santa Maria, Santana do Livramento, Rio Grande e Santa Rosa.
Autor: da Redação
Professores em greve já ocupam cinco coordenadorias regionais
O Brasil pelo qual lutamos: a propósito de crucifixos em tribunais
O tema aqui em pauta – a presença de crucifixos em tribunais – pode não ter qualquer relação com a situação política atual no Brasil. Gostaria de mostrar o contrário, a partir de um comentário de uma decisão recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Estão em jogo duas questões cuja discussão me parece fundamental para compreendermos e reagirmos ao quadro que tem como marco o governo interino presidido por Michel Temer: o Brasil que queremos vislumbrar e as formas de resistência a situações com as quais discordamos.
Em 2012, foi amplamente divulgada a decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que ordenou a retirada de crucifixos e quaisquer outros símbolos religiosos das salas dos tribunais no estado gaúcho. Foram assim atendidas as demandas levantadas pela Liga Brasileira de Lésbicas e outras entidades feministas. Foi uma decisão inédita, uma vez que a tendência dominante no Judiciário brasileiro ia em direção contrária ou simplesmente considerava o assunto como de menor relevância. Agora em 2016, com repercussão muito menor, o CNJ, acionado por certos grupos, entre eles a Arquidiocese de Passo Fundo, revoga a decisão de 2012, com base em argumentos já expostos em momentos anteriores.
O principal dos argumentos para a manutenção de crucifixos em recintos estatais – como tribunais ou plenários de parlamentos – é que eles representam o papel do catolicismo na formação da nação brasileira. Esse papel é algo inegável. Com aspectos positivos e outros nem tanto. De toda forma, justificar dessa maneira a presença dos símbolos é optar por uma visão que consagra uma parte do nosso passado para falar da totalidade de nosso presente. O papel social do catolicismo é algo que pode ser reconhecido e contemplado por meio de instrumentos como as políticas de patrimônio e os conselhos de direitos. Templos e festas católicas têm sido objeto de tombamento e outras formas de patrimonialização. Expoentes católicos, ao lado de outros atores da sociedade civil, têm participado como membros de conselhos na área social, educacional, de saúde, etc. Por essas razões, não há necessidade de manter crucifixos em lugares como parlamentos ou tribunais para dar o devido reconhecimento ao papel do catolicismo na sociedade brasileira.
Diante disso, o que significa sua presença nesses recintos estatais? Significa optarmos por uma certa representação acerca do que seja o Brasil. Esses símbolos afirmam que o Brasil continua a ser cristão. O problema não está na afirmação em si, mas no que ela não nos deixa enxergar. Pois além de ser cristão, o Brasil é muitas outras coisas, mas os únicos símbolos religiosos que ganham o privilégio de serem vistos em parlamentos e tribunais são os crucifixos católicos. Em outras palavras, o Brasil que é representado pelos crucifixos não se define pela diversidade, e sim por uma imagem pretensamente homogênea, que recorre a uma condição do passado – o catolicismo que fez parte da formação nacional – para definir o presente. O Brasil dos crucifixos em recintos estatais corresponde, pois, a uma imagem semelhante àquela que vimos quando nos foi mostrada a foto do ministério formado por Temer. Em ambos os casos, temos um retrato muito parcial do que seja o Brasil do presente. É lamentável que um país que queira abraçar a diversidade como valor fique preso a imagens tão parciais.
Outro argumento levantado pelos que defendem a permanência de crucifixos em recintos estatais é de que sua presença não implica em coação sobre as consciências individuais. Os críticos da existência de crucifixos apontam que eles podem influenciar as decisões de juízes, parlamentares ou jurados. Concordo que essa alegação só às vezes corresponde aos fatos. Ela me parece tão limitada quanto a suposição – mantida pelos defensores dos crucifixos – de que estes podem inspirar legisladores e julgadores ou consolar réus. Mas a impossibilidade de supormos uma coação generalizada não anula a possibilidade de cidadãos específicos expressarem seu incômodo e seu desacordo com a presença desses objetos.
É importante deixar claro que desacordo e incômodo podem se fundamentar em motivos e condições diversas. Temos visto coletivos de feministas, defensoras de direitos sexuais, associações de valorização do ateísmo e do agnosticismo se posicionarem, em nome de certa concepção de laicidade, contra a presença de símbolos religiosos em recintos estatais. Mas um posicionamento na mesma direção pode ser percebido em grupos e pessoas religiosas. Por exemplo, há protestantes ou evangélicos que estranham o privilégio a um símbolo católico. E mesmo entre católicos, há os que pensam que crucifixos ficam melhor em outros lugares e que em tribunais e parlamentos acabam perdendo o sentido e a sacralidade que deveriam ter. Seria muito importante que esses religiosos descontentes tivessem suas opiniões mais enunciadas e disseminadas.
Em suma, há vários motivos para fundamentar desacordo ou incômodo com a presença de crucifixos em tribunais e parlamentos. Fica então a sugestão: que os dissidentes e incomodados expressem suas opiniões. Mais especificamente: que isso seja feito nos próprios recintos onde estão esses objetos durante as atividades para as quais são previstos. Se você for um jurado ou um advogado, expresse sua discordância e peça para o crucifixo ser retirado enquanto atuar ali. Se você for convidado a estar em um parlamento, expresse seu incômodo e o transmita aos vereadores, deputados e senadores. Talvez a insistência propicie o que o CNJ e outras instâncias se recusam a decidir. Pois aqueles que fazem questão de ter símbolos religiosos em tribunais ou parlamentos podem trazê-los em seus corpos – como muitos católicos fazem com crucifixos. E assim a todos fica assistido um direito sem privilégios.
No quadro atual, a resistência aos argumentos que defendem a presença de símbolos religiosos em recintos estatais ganha novos sentidos. Ela significa a afirmação de um Brasil plural, com um futuro que não se limita a repetir o passado. Ela significa a afirmação de nossa capacidade crítica, exercitada diante do que nos incomoda ou contraria, a mesma capacidade que nos faz refutar a legitimidade das medidas de um governo que atua como se não fosse provisório.Nota da Associação Latino-americana de Juízes do Trabalho
A Associação Latino-americana de Juízes do Trabalho – ALJT, em face da divulgação de gravações de conversas do Sr. Sérgio Machado com altas autoridades da República e dos acontecimentos que a ela se seguiram, vem a público manifestar a preocupação com a possível utilização do Poder Judiciário do Brasil para a perpetração do golpe de estado em curso no país.
As gravações dão conta do propósito de derrubada do poder da Presidente democraticamente eleita, como pressuposto de viabilização de um grande acordo, supostamente envolvendo até mesmo o Supremo Tribunal Federal, destinado a assegurar a impunidade de políticos que se opõem ao governo legítimo, alguns dos quais, inexplicavelmente, até aqui não alcançados pelas inúmeras fases da denominada Operação Mãos Limpas, seja na órbita de atuação do juízo da 23.ª Vara Federal de Curitiba, seja no âmbito do próprio STF.
O conteúdo das conversas parece evidenciar que a Chefe de Estado está sendo apeada do poder exatamente por ser elemento de garantia da independência e da autonomia do Ministério Público e do Poder Judiciário nas investigações e, o pior, sob a cínica justificativa de combate à corrupção.
Causa estranheza à ALJT a reação do Supremo Tribunal Federal às referências de pacto envolvendo a Corte e, ainda mais, de conversas supostamente já havidas com diversos de seus membros, principalmente se cotejada com as providências que se seguiram ao vazamento das gravações do diálogo entre o então senador Delcídio do Amaral com o Sr. Bernardo Cerveró, no momento em que parte da imprensa informa que alguns – ou todos – os Ministros do STF teriam sido criminosamente grampeados.
Considera a ALJT ser ofensivo ao dever de imparcialidade imposto à magistratura o comportamento do Ministro Gilmar Ferreira Mendes, incansável no propósito de ostentar o seu papel hegemônico no Poder Judiciário, sem receio de revelar a condução político-partidária que imprime à sua atuação de magistrado, seja com declarações prévias de condenação às partes cujas demandas lhe são submetidas, caso integrantes de uma corrente política, ou na complacência em relação a outras, integrantes da corrente contrária.
Sua Excelência, desde a posse no STF, denunciada, à época, por juristas, políticos e entidades da sociedade civil como sendo atentatória à independência judicial, revela desenvoltura crescente no trato político das questões judiciais, seja se exibindo publicamente em reuniões com líderes partidários, seja, como ocorreu no último sábado, dia 28 de maio, reunindo-se, sem registro em agenda, com o presidente interino, alvo de acusações que são objeto de ações que o Ministro julgará – e conduzirá -, como integrante e, agora, presidente, da 2.ª Turma do Supremo Tribunal Federal.
Preocupa a ALJT o silêncio dos demais integrantes do Supremo Tribunal Federal, a despeito de todos os fatos acima indicados. Mais ainda, o apoio que um e outro oferecem ao Ministro Gilmar Mendes, quando lhe atribuem a qualidade da independência e, em reconhecimento, oferecem-lhe postos chave da estrutura de altas Cortes de Justiça, justo quando diversos setores da sociedade civil organizada discutem propostas de pedido de impeachment de Sua Exceleência .
Espera a ALJT que, na difícil quadra que atravessa o país, seja preservado o papel do Poder Judiciário brasileiro, de salvaguarda dos direitos políticos e sociais, de defesa da Constituição e das leis, de firme resposta às práticas criminosas, sejam quem fores os autores, sempre marcadas por isenção, imparcialidade e independência.
Em 30 de maio de 2016,
HUGO CAVALCANTI MELO FILHO
PresidentePor uma rua para todos, artistas realizam ato cultural em frente à Prefeitura
Artistas de rua estão se apresentando desde o meio-dia desta terça-feira em frente ao Paço Municipal de Porto Alegre. O ato é uma iniciativa do grupo Arteiros da Rua, que é contra a uma minuta de decreto, do gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo, que regulamenta eventos de rua na cidade.

| Ramiro Furquim/Jornal Já
Música folk, instrumental e teatro já foram presenciados por quem passou nas proximidades da Prefeitura. A banda Cartas na Rua e o grupo de teatro Ói nóis aqui traveiz já se apresentaram.
Integrantes dos Arteiros, Núbia Quintana explica o ato: “somos contra a restrição do uso da rua”. O texto prevê a necessidade de autorização para eventos com mais de 30 participantes, além de cobrar pelo uso do espaço público.
| Ramiro Furquim/Jornal Já
“É a elitização das vias públicas e isso é um absurdo”, criticou Núbia. O Maracatu Truvão e o Bloco da Laje são algumas das atrações que ainda irão se apresentar no ato que deve ir até meia-noite.
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já Protesto pela educação: secundaristas são barrados ao tentar entregar reivindicações
FELIPE UHR
O Ato das escolas de Luta pela Educação organizado pelo Comitê de Escolas Independente reuniu cerca de dois mil estudantes na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre nesta segunda-feira, dia 7.
Alunos carregavam cartazes pedindo a retirada da PL/44 que prevê a entrega do comando de diversas áreas, como a educação, a organizações sociais; o pagamento do salários dos professores, além da reforma de escolas que hoje estão em situação precária.
Um dos organizadores do Comitê, o jovem Theo Pagote, estudante da Escola Padre Réus, explicou a atuação do novo grupo: “é um grupo em contraponto à Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e à UNE (União Nacional dos Estudantes) que não representam por inteiro os alunos das ocupações”. O comitê hoje é formado por 15 escolas e está buscando ampliar este número.
Entoando gritos como “Pula sai do chão é o bonde da ocupação” e “Governador fala a verdade, educação nunca foi prioridade”, os secundaristas marcharam até o Palácio Piratini, onde fizeram o primeiro ato da manifestação: queimaram um boneco do governador Sartori aos gritos de ” Sartori safado, Sartori safado”. Uma camisa da Umespa também foi colocada em chamas.
Após isso os estudantes seguiram em direção à Secretaria de Educação, mas foram impedidos de ingressar no CAFF (Centro Administrativo Fernando Ferrari) onde pretendiam entregar um conjunto de reivindicações ao secretário Luís Antônio Alcoba, mas não tiveram a oportunidade.
Alcoba, que não estava na Secretaria quando os jovens chegaram, se dirigiu ao portão , logo após participar de uma reunião com órgãos públicos para definir as próximas ações na área, mas não houve entendimento.
O secretário deixou o lugar, após ser chamado de fascista. “Desse modo não tem como ter diálogo”, explicou o titular da pasta da Educação no Estado. No final do ato, pedras foram atiradas pelos manifestantes em direção aos seguranças do CAFF. Foi o único incidente do ato que até então era pacífico.
A Secretaria da Educação irá apresentar amanhã uma carta-compromisso a todas escolas. Entre os comprometimentos estão o depósito de R$ 40 milhões para a realização de reparos urgentes em algumas escolas e autonomia financeira (verba mensal destinada à manutenção das escolas).
O documento foi finalizado após reunião do Governo do Estado entre os seguintes órgãos: Procuradoria-Geral do Estado (PGE), a Defensoria Pública, a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Conselho Tutelar, a Federação das Associações e Círculos de Pais e Mestres do RS e o Conselho Estadual da Criança e do Adolescente.
Após a entrega do documento, o Estado quer a desocupação das mais de 120 escolas em até 48 horas. Já os estudantes, tem reunião marcada para esta terça no colégio Júlio de Castilhos, onde definirão os próximos passos das ocupações.
Confira as fotos do ato:

| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já Prefeitura tenta licitar câmeras nos parques há um ano
A Prefeitura de Porto Alegre está preparando um novo edital de licitação para as câmeras de segurança dos parques da Redenção e Marinha do Brasil. O edital anterior foi aberto em janeiro deste ano e cancelado em março. A empresa vencedora não cumpriu cumprir as exigências de comprovação de capacidade técnica para execução da obra e foi eliminada ainda no processo licitatório.
A licitação previa aquisição de 30 câmeras de videomonitoramento, 21 para a Redenção e nove para o Marinha, com financiamento através do Badesul, no valor de R$1,7 milhão, com contrapartida de R$ 170 mil da Prefeitura. A Guarda Municipal será a responsável pelo monitoramento das câmeras tanto na sua central, quanto no Ceic (Centro Integrado de Comando) e a Procempa fará a instalação e manutenção dos equipamentos.
Em junho de 2015, em entrevista ao JÁ Bom Fim, o então secretário de Segurança de Porto Alegre, José Freitas, chegou a afirmar que ao menos 12 câmeras estariam instaladas em um prazo de três meses.
Porto Alegre já havia perdido uma oportunidade para concretizar o projeto em 2012. Por um erro da Prefeitura, a cidade perdeu acesso a um recurso do Ministério da Justiça, destinado a este fim. Na época, o projeto estava orçado em R$ 780 mil.Em decisão histórica, Janot pede prisão dos caciques do PMDB
Toda a cúpula do PMDB tem a prisão pedida pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Só Michel Temer, presidente do partido, ocupando interinamente a presidência do país, escapou.
José Sarnei, Romero Jucá, Renan Calaheiros e Eduardo Cunha são o alvo da decisão, que não tem precedente na história brasileira. As especulações dominam o noticiário, ante o fato inusitado.
Os pedidos de prisão estão com o ministro Teori Zavascki, do STF, já há mais de uma semana, segundo os jornais.
Os caciques do PMDB foram gravados por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro e delator da Lava Jato, e Janot os acusa de tramar contra a Lava Jato,
Jucá tratou a saída da presidente Dilma Rousseff como uma forma de “estancar a sangria” da operação e perdeu o cargo no ministério Temer.
Renan defendeu mudanças na lei de delações premiadas, o que já era uma posição pública defendida por ele.
Sarney, por sua vez, falava em buscar uma ponte com o ministro Teori Zavascki.
Carta aos apoiadores do golpe
Celi Regina Pinto
De março de 2015 até hoje, nestes mais de dois anos, muitas coisas se passaram na política brasileira. 2015 refere -se às primeiras grandes manifestações a favor do impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, os dias atuais referem-se às manifestações em favor da volta da Presidenta ao governo do país. E vocês estiveram presentes em muitos destes eventos, aos gritos, batendo panelas, usando palavrões. Vocês sempre estiveram lá. E agora? vocês ganharam? Estão contente com o resultado da cruzada das panelas?
Entre estes dois momentos foram muitos os eventos que resultaram no assalto ao poder por parte da banda podre do PMDB, segundado pelas eminências pardas de sempre, como o Senador Antonio Anastasia do PSDB, que há anos faz este papel na vida do neto de Tancredo Neves. E que agora repete seu trágico papel de moço bem comportado para salvaguardar os interesses escusos da ocasião. Era isto que vocês queriam?
A multiplicidade de eventos que resultou no assalto ao Planalto teve sempre popularidade. As manifestações no começo aconteciam nos bairros chiques das grandes cidades, mas levaram ao longo de dois anos, milhões de pessoas para as ruas. O que todos queriam vocês? Os grandes promotores dos eventos , que certamente não foram para as ruas, sabiam que o queriam: Rede Globo e FIESP. O que eles queriam era um governo que redesenhasse o capitalismo a se gosto. Simples como isto. A participação política destes dois atores foi sabiamente ideológica e precisou apenas de uma coleção de patos para se realizar, um grande, amarelo e de borracha no meio da Av Paulista, outros de gravata ou salto alto nos horários nobres da TV.
Ao lado de quem sabia o que queria, participou uma massa de pessoas de classe média alta, com uma falsa ideologia de classe, pois confunde seus privilégios pequenos burgueses oriundos de uma sociedade oligárquica e escravocrata com posições burguesas. Funciona muito bem como comissão de frente dos interesses da burguesia, mas esquece que os mesmos que os incomodam como companheiros de poltrona no avião, também compram serviços de toda a sorte vendidos por eles. São sempre os mesmos ao longo da História do Brasil, gritam contra a corrupção, mas parece que na verdade se revoltam contra o baile para o qual não foram convidados.
Houve também setores populares gritando a favor do impeachment. Como me disse outro dia um motorista de táxi : “eles não descobriram nada contra ela, mas que ela roubou, roubou”. Argumentei que se eles procuraram tanto e não acharam ela não deveria ter roubado. E ele me responde “é , eu nunca tinha pensado nisto” E este grupo representa muitas coisas, a frustração com a crise econômica, os próprios sonhos não realizados, uma indignação real com a corrupção e até um machismo primário contra a mulher Dilma Rousseff.
Mas mesmo assim, eu lhes pergunto: vocês venceram? e agora? Era com Temer e seus ministros acusados na Lava Jato que vocês sonhavam? O que vocês esperam de um governo que se coloca contra as leis trabalhistas, contra o SUS, contra a educação pública e gratuita, contra o direito das mulheres, contra o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Vocês poderão me responder que não sabiam. E eu acredito, a Rede Globo sabia, a FIESP sabia, mas o povo nas ruas não sabia, porque vocês pensavam que estavam participando da política, mas vocês não estavam, porque não existe participação sem discussão, sem lideranças políticas, sem ideias, sem propostas, sem informação livre. Gritos, urros panelaços não são expressões da participação política democrática. São apenas gritos, urros e palavrões, muito adequados para os interesses dos grandes promotores.
Mas há lições a aprender, vocês têm de aprender a participar da política! Lamento!
Permitam-me dar-lhes um conselho, não façam nada, mas observem, observem muito, observem as ocupações pelos estudantes das escolas públicas no Rio Grande do Sul, observem o movimento dos Lanceiros Negros em Porto Alegre, observem as discussões nas reuniões dos muitos grupos organizados para defender a democracia no Brasil, observem os movimentos dos professores grevistas, observem o sindicato dos petroleiros, observem as aulas públicas acontecendo por todo o país, os manifestos escritos a favor da democracia, observem a Presidenta Dilma recorrendo o país e falando às pessoas, defendendo-se, colocando-se politicamente. Isto, só isto, observem!!!
Porque agora se está fazendo política. Vocês possivelmente estão com medo do que está acontecendo e desta vez vocês estão certos, vocês devem temer (com ou sem Temer), porque a democracia é um jogo difícil de ser jogado. E vocês vão ter de jogar este jogo e aí meus caros apoiadores do golpe gritos, urros, palavrões e panelaços é muito pouco. Só serve para botar um usurpador e uma gang de ministros suspeitos no poder, por pouco tempo!Cresce tensão entre professores em greve e governo estadual
Higino Barros
A greve dos professores da rede pública estadual completou 30 dias nessa segunda-feira com o acirramento de ânimos entre os docentes, alunos que ocupam escolas estaduais e governo estadual. O Cpers/Sindicato convocou para quarta-feira, dia 8, uma grande manifestação em frente ao Palácio Piratini, com a participação dos estudantes e subiu o tom das críticas ao governador Sartori nas propagandas do movimento, divulgadas nas emissoras de Comunicação de Porto Alegre.
Na publicidade, o Comando de Greve acusa o governador Ivo Sartori de não fazer nada e nem estar interessado no fim da paralisação do magistério. Culpa ainda o governador pelo agravamento nas condições da educação pública e por desrespeitar a comunidade escolar. Sartori, por sua vez, embora sem citar nomes, aproveitou a posse do novo secretário da Educação, Luis Antônio Alcoba de Freitas, nessa segunda-feira para alfinetar o Cpers:
“Espero que as famílias e as instituições do estado nos ajudem a mediar o diálogo com os alunos que estão ocupando as escolas. Mas, preciso lamentar que grupos políticos e sindicais estejam usando menores para sua estratégia de combate. Todos sabem que a comunidade escolar quer a volta às aulas e o governo está do lado da comunidade. Nós reconhecemos as dificuldades e não podemos deixar o sistema educacional seja vítima da disputa política”, afirmou Sartori.
Considerando que Sartori é despreparado para governar e gerir conflitos, além de desconhecer a autonomia dos estudantes no episódio das ocupações das escolas, o Comando de Greve do Cpers divulgou uma nota oficial repudiando as declarações do governador. A posição de Sartori sobre as relações do alunos, entidades sindicais e políticas é classificada de leviana pela nota.
Nota de repúdio às declarações de Sartori
O governador Sartori quando critica o CPERS e lamenta o uso político de estudantes, durante a posse do secretário de Educação, Luiz Antonio Alcoba de Freitas, demonstra o seu total desconhecimento do que está acontecendo no Rio Grande do Sul em relação à educação. Além de desconhecimento, o que não se concebe para alguém que queira dirigir um Estado, ele demonstra total desrespeito aos estudantes ao não atribuir a eles capacidade de ter visão crítica e posicionamento claro em relação as condições da educação pública em nosso Estado, das políticas que o governo tenta impor à sociedade gaúcha e também da capacidade de organização e de autonomia. Além disso, Sartori é extremamente leviano ao atribuir ao CPERS o uso desses estudantes politicamente. O CPERS é um Sindicato que há 71 anos luta e tem responsabilidade com os educadores e a educação pública. O governo Sartori não é o primeiro que passa por uma greve, mas com certeza é o primeiro que demonstra tamanho despreparo de governar e gerir conflitos. Em seu discurso, Sartori fez duras críticas aos professores grevistas e aos alunos que mantém às ocupações. Vejamos se ele tem razão: Educadores que ganham 30% do que deveriam receber do Piso Salarial Profissional Nacional, alunos que convivem com goteiras, falta de luz, choque elétricos dentro das escolas, devido à falta de manutenção das instituições, e falta de merenda por causa do repasse das verbas. Estas são apenas algumas das razões que foram determinantes para a greve e as ocupações. Além da preocupação prioritária que é a privatização da educação, através do PL 44 e do PL 190 que é uma verdadeira mordaça que impede a livre expressão do pensamento na escola pública.
O governo fala da preocupação com os alunos que estão perdendo aula por causa da greve dos educadores. Qual a resposta do governo para a comunidade escolar sobre a falta de professores em muitas escolas do Estado, desde março, e que até hoje não chegaram nas instituições? Esta falsa preocupação de Sartori tem, única e exclusivamente, o objetivo de tentar desacreditar um movimento legítimo, sério e com o reconhecimento e o apoio da grande maioria da comunidade escolar. Sartori não combate efetivamente a sonegação e não revisa os incentivos fiscais (você sabia que a cada 30 segundos é sonegado um Piso Salarial do Magistério?). Demonstra, assim, querer um Estado a serviço dos grandes empresários e sem responsabilidade com as políticas públicas, pois para eles tudo pode, mas para o povo nada pode. Nós do CPERS repudiamos veementemente essa postura do governador Sartori e seus aliados. Não podemos deixar de dizer que essa postura nos envergonha profundamente, pois o Rio Grande do Sul sempre foi motivo de orgulho para o povo gaúcho e hoje nós nos sentimos apequenados pela forma que o governo Sartori trata uma ação legítima que é a da greve, um direito constitucional, e das ocupações frente a sua intenção de destruir a escola pública. Chamamos a comunidade escolar para aumentar a pressão em defesa de uma escola pública de qualidade e com educadores valorizados e estudantes respeitados!
O Comando de Greve do CPERS convoca a todos educadores a participarem do Ato Estadual Unificado com os estudantes, nesta quarta-feira, dia 08. A iniciativa ocorrerá em Porto Alegre com concentração às 13h em frente à sede do CPERS (Av. Alberto Bins, 480). Após a concentração, os educadores partirão em caminhada até a Secretaria da Fazenda para denunciar a falta de respeito do governo Sartori (PMDB) com a categoria e o descaso com a educação pública. “Vamos mostrar para o governo Sartori que a nossa greve está a cada dia mais forte e mobilizada. Exigiremos do governo propostas para as nossas reivindicações”, afirma a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.
Estudantes queimam boneco de Sartori em frente ao Piratini
felipe uhr
Por volta das 16h, desta segunda-feira, dia 6, estudantes queimaram o boneco do governador José Ivo Sartori em frente ao Palácio Piratini, a casa do governo gaúcho. O ato fez parte da marcha que os secundaristas de escolas ocupadas fizeram em Porto Alegre. Professores do Cpers também acompanharam o protesto.
Enquanto cantavam “Sartori mãos de tesoura, cadê o salário da minha professora?” a figura simbólica do governador queimava. “Sartori safado, Sartori safado” e “Unespa Safada” também foram ouvidos.
Cerca de duas mil pessoas (segundo organizadores) participaram do ato que culminou em frente aos portões do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), onde fica a Secretaria da Educação onde os estudantes queriam uma reunião com o atual secretário, Luís Antônio Alcoba, para apresentar uma pauta de reivindicações.














