Há pouco mais de 4 meses para as eleições municipais, o que se sabe é que teremos um pleito diferente: uma eleição rápida e com diferentes regras de financiamento e de publicidade.
Desta vez serão 45 dias, metade do tempo das outras vezes. Outro fato novo é que partidos e legendas podem oficializar suas candidaturas até as 19h do dia 15 de agosto de 2016, um dia antes de começarem as propagandas políticas.
A maior novidade, sem dúvidas é que dessa vez, o financiamento só pode ser feito por pessoa física e não jurídica, e pelos fundos partidários ou seja as empresas não podem doar diretamente aos candidatos.
Apesar da proibição, ainda não há uma punição prevista em lei, o que poderá variar de acordo com o tribunal.
Na publicidade algumas alterações também ocorreram. Cavaletes, outdoors, camisetas, telemarketing(propaganda via ligações) estão proibidos, diferente de outras eleições. Folhetos, volantes, adesivos e outros santinhos podem sem distribuídos até as 22 h do dia anterior a votação..
Na TV as propagandas eleitorais ocorrerão entre os dias 26 de agosto e 29 de setembro.
Autor: da Redação
Eleições 2016: nova lei proíbe doação de empresas mas não prevê punição
Mais dois ministros de Temer estão sob ameaça
PINHEIRO DO VALE
A tesoura do presidente interino Michel Temer está amolando o fio para cortar mais dois ministros ainda esta semana. É possível que um dos cortes seja anunciado nas próximas horas.
O ministro do turismo, Henrique Eduardo Alves já viu o bilhete azul nas mãos do secretário executivo do governo, o ex-governador do Rio de Janeiro, Wellington Moreira Franco, que levou a ele um recado do chefe do governo provisório.
Outro que está pela bola sete é o ministro da Saúde, Ricardo Barros, rejeitado pelo corpo de funcionários da pasta com tamanha repugnância que nem mesmo consegue se reunir com o segundo escalão de sua administração.
Henrique Alves é um político veterano, deputado federal por 11 mandatos, com amplo trânsito nos meios políticos. Entretanto, seu indiciamento iminente na LavaJato encerram sua carreira no gabinete do presidente interino Temer.
Deve pedir demissão a qualquer momento.
O caso do ministro da Saúde é mais agudo, pois a corporação o repeliu peremptoriamente.
Engenheiro civil de formação, deputado federal pelo PP do Paraná (sua base é em Maringá), Barros foi afrontado pelo diretor do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites, o médico Fábio Mesquita, de Londrina, também no norte paranaense.
Mesquite se demitiu do cargo por causa da presença da mulher do ministro numa comitiva oficial.
Pivô da crise, a mulher do ministro, é a vice-governadora do Estado, Cida Borghetti, catarinense que integra a aliança política (representando o PP) do governador tucano Beto Richa, também originário do norte do Paraná, com base em Londrina, herdeiro da base de seu pai, o falecido governador José Richa.
A comunidade médica do Ministério da Saúde não engoliu a inclusão da vice-governadora na comitiva oficial brasileira que foi à Assembleia Mundial de Saúde.
A repulsa a Barros é tão intensa que, em Brasília, espera-se sua destituição a qualquer momento.Eu e Jean, Jean e eu, ou:
As trajetórias de vida e a (im)possibilidade de desenvolver uma cosmovisão crítico-reflexiva
MARÍLIA VERÍSSIMO VERONESE*
Eu perguntava a mim mesma… de onde vem essa identificação incrível que tenho com o [deputado federal] Jean Wyllys? Tudo foi diferente em nossas vidas, pelo menos até a fase adulta. Ele homem, eu mulher. Ele gay, eu hétero. Ele de Alagoinhas na Bahia, eu de Porto Alegre das plagas gaúchas, mais próxima culturalmente de Uruguai e Argentina do que do resto do país. Ele de origem pobre e periférica, eu de classe média, filha de médico e professora universitária. Ele passou fome, eu sempre desfrutei de uma boa alimentação, sendo costumeiramente a fome resolvida assim que surgia. Mas eu me sentia quase que irmanada a ele, sentia uma identificação enorme. Ele falava e parecia que eu mesma estava a emitir uma opinião, de tão parecido que pensávamos o mundo e a política! A idade é próxima, nasci no final dos anos sessenta e ele no início dos setenta. Mas eu não entendia muito bem aquela semelhança das visões de mundo, até que li seu livro TEMPO BOM TEMPO RUIM – Identidades, políticas e afetos (Cia. das Letras, 2013). Aí comecei a identificar as semelhanças ocultas a um olhar mais superficial. Tivemos em casa uma formação religiosa católica, o que nos aproximou da teologia da libertação; estudamos numa escola pública de qualidade, que nos deu uma formação laica, humanista e politizada, eu no Colégio de Aplicação da UFRGS, tendo feito um “vestibular” aos dez anos de idade para ingressar, ele com bolsa de estudos na Fundação José Carvalho, entidade filantrópica que oferecia um ensino técnico de excelência aos poucos escolhidos em uma rigorosa seleção de candidatos. Outra semelhança: bem antes da época, ambos enfrentamos um processo seletivo concorrido e difícil, tipo “vestibular”! Alguns anos após a data que ingressei, em 1978, o processo seletivo foi substituído por sorteio no Colégio de Aplicação, que apesar de público era de elite na época, justamente pela forma de ingresso. Ela reproduzia a mesma injustiça da universidade pública, sendo agora seu corpo discente bastante variado em termos de origem de classe. Quanto à escola de Jean, segundo informações do site da instituição, existe hoje o projeto Garipando Talentos, criado há três anos, que tem o objetivo de selecionar e preparar jovens de 8ª série das escolas públicas do município de Pojuca para o ingresso no Colégio Técnico da Fundação José Carvalho (FJC).
Percebi que o modo como construímos uma visão de mundo semelhante, eu e Jean, vinha do fato de ambos termos experimentado na educação familiar o melhor da tradição comunitária cristã – os valores da solidariedade, do poder do perdão como reconstrutor de humanidades e vínculos, da comunidade como melhor forma de vida – minha mãe costumava nos repreender com a frase “colabora com a comunidade!”, quando eu e meus irmãos agíamos de forma egoísta. Por outro lado, tivemos acesso a um ensino público laico e de excelente qualidade. No colégio de Aplicação, tudo era calcado na noção de “liberdade com responsabilidade”, estimulava-se sempre a leitura e discussão crítica dos conteúdos trabalhados em aula, fazendo-nos compreender em profundidade o que era a justiça, e a crer, sobretudo, na sua efetivação pelos humanos em vida, corroborando com a teologia da libertação e evitando possíveis armadilhas da ética humanista cristã. Esta tem lá seus muitos aspectos contraditórios, basta ver a “dificuldade” da Igreja com a homossexualidade, os direitos reprodutivos das mulheres etc. Com o papa Francisco, parecem piscar algumas luzes no fim do túnel, mas a igreja católica continua sendo majoritariamente conservadora.
Aprendemos o que significava a opressão ao longo do processo civilizatório e sobre as contradições e ambiguidades desse. No Aplicação tínhamos professores vindos das ditaduras vizinhas, acolhidos pela universidade federal para uma readaptação laboral no exílio. Acessando a memória afetiva, recordo aqui o querido professor Fructuoso Rivera, que chegou do Uruguai sem falar português e foi dar aula para 30 agitados pré-adolescentes (coitado!), a quem chamávamos de “Gardelón” devido a um personagem humorístico da época, interpretado por Jô Soares. Dele temos uma lembrança preciosa: no dia de seu aniversário ganhou de presente um pequeno bolo inglês do tipo que se vendia nos bares estudantis. Pegou um canivete e dividiu-o em 16 minúsculas fatias, para que todos ali presentes ganhassem um fragmento, ensinando que o certo é não ficar ninguém de fora, nunca.
Discutíamos e participávamos muito nas aulas de história, sempre em forma de debate crítico, enquanto meus amigos de escolas privadas de classe média decoravam datas e fatos da historiografia convencional – aquela dos “vencedores” que escreveram as narrativas, carregadas da colonialidade do poder/saber e suas muitas distorções. Tínhamos aula de teatro, música e artes plásticas, além de dois anos de francês ou alemão, à escolha. Nas aulas de biologia, também discutíamos sexualidade e livre expressão do desejo, acreditem? Coma professora Maria Lúcia, linda e queridíssima.
Numa educação de excelência, é mais importante levar o/a estudante a pensar com independência e criticidade do que fazê-lo/a ter condições de “competir” no mercado de trabalho e “subir na vida” para além de seus competidores, isto é, o resto do mundo. Percebe-se que cada vez mais uma educação formal voltada obcecadamente para o “mercado” – uma posição vantajosa neste seria o que realmente importa – impede-se o desenvolvimento, nos estudantes, de uma formação crítico-reflexiva, plural, questionadora e que produza sujeitos capazes de indignação perante injustiças e desigualdades inaceitáveis.
Mas isso tudo é para dizer que, para desenvolver uma cosmovisão crítica e reflexiva, precisamos ter experiências que alimentem/enriqueçam aspectos sociais, políticos, cognitivos, intelectuais, artísticos, emocionais e afetivos da nossa subjetividade. E que isso independe de classe social ou das trajetórias de vida distintas que eventualmente tivermos, embora possamos dizer que o menino Jean teve uma boa dose de sorte também, para além de seus muitos méritos. O sociólogo Jessé de Souza, baseando-se nas ideias de Pierre Bordieu, afirma que a reprodução das desigualdades e injustiças vem “de berço”, da obtenção ou não de capitais simbólicos importantes para a vida em sociedade: uma criança pobre que é desde muito cedo expulsa da escola para trabalhar precariamente não desenvolve as qualidades necessárias para ter sucesso na vida acadêmica e profissional, tais como disciplina, capacidade de concentração e simbolização, raciocínio abstrato etc. E não porque haja algo errado com ela, mas porque não tem em casa uma mãe que lê jornais e livros e fala francês, ou não vê o tio falando inglês, ou não tem um pai médico tratando de suas doenças infantis em casa mesmo, ajudando a preveni-las, ou um irmão que ajuda nos estudos; não viaja ao exterior, não vai ao cinema, teatros e museus, não tem muito tempo disponível para estudar, não tem livros à disposição. Não teve o “treino” de passar horas em sala de aula, concentrada e focada em atividades intelectuais. Depois de adulto/a, ou ainda muito jovem, passa a trabalhar em atividades precárias e mal pagas, como serviços domésticos ou gerais, proporcionando ainda mais tempo aos sujeitos da classe média para estudarem e se qualificarem, galgando melhores cargos e ganhando mais, enquanto eles permanecerão no mesmo emprego por falta de condições de aperfeiçoamento pessoal. Então as condições concretas de existência determinam muito mais os modos de vida de cada um/a de nós – apesar de não haver determinações absolutas – do que o simples esforço individual, ou méritos pessoais.
A falácia da meritocracia constrói, contudo, uma representação social bastante difundida da pobreza como demérito e da riqueza como mérito. Nada mais enganador e reprodutor de injustiças e desigualdades. Meritocracia é um conceito que serve bem, por exemplo, no momento da composição de uma equipe econômica, ou para a formação de um ministério de Estado… A escolha e a indicação, nesses casos, devem ser por mérito, pela excelência demonstrada pelo/a indicado/a para ocupar aquela posição (tudo, aliás, o que não estamos vendo agora, nesse governo interino que assumiu ilegitimamente, a meu ver).
Nas situações de ingresso e posição no mundo escolar e laboral, ou do julgamento de indivíduos comuns de diferentes origens, ele pouco ajuda e ainda atrapalha muito a visão clara sobre os modos de reprodução das desigualdades de classe, gênero, raça/etnia etc. A vergonha pelo fracasso dos desfavorecidos, inculcada neles desde cedo pela sociedade de entorno, também contribui para que persista o imoral abismo social, além de ser uma perversão/crueldade institucionalizada e amplamente aceite. O “esforço pessoal” e a “vocação” – tidos como causas do sucesso ou fracasso, – não são as únicas nem as principais causas de resultados obtidos na vida dos cidadãos/ãs, em situações de alta desigualdade. Há processos de estratificação social, complexos e multicausais, a serem considerados. Mas o senso comum não costuma querer saber disso, na sua tendência a enxergar os pobres como preguiçosos e não possuidores de qualidades morais positivas.
A desigualdade socioeconômica não é merecida, não é causada por fatores individuais e sim de reprodução social, através de decisões políticas e econômicas, tomadas por grandes agentes com poder institucional, que afetam milhões de pessoas. Assim como as violências de que a mulher é vítima – estamos todos impactados pelo estupro coletivo havido na semana passada – não são culpa de seu comportamento, mas sim de séculos de patriarcado operando e formando uma densa camada subjetiva de machismo em boa parte dos homens (e também em boa parte das mulheres). Não falta quem ache, em ambos os sexos e em todos os gêneros, que a culpa pela pobreza e vulnerabilidade é do pobre e a culpa do estupro é da mulher, que de algum modo “provocou” ou “permitiu”.
Assim que voltamos à educação e seu potencial de formar reflexão crítica. Mais do que nunca precisamos de debates em sala de aula, sobre relações de gênero, sobre pobreza e desigualdades, sobre estratificação social, porque tudo é política, inclusive a ciência. O modo como queremos viver nossas vidas, o que consideramos uma boa sociedade, faz parte de um projeto político, de um projeto de vida, que envolve instâncias coletivas, institucionais, grupais, culturais e individuais. Refere-se, amplo modo, ao que queremos para o mundo em que vivemos e o que queremos para nós e os que nos rodeiam. Ao reduzirmos a noção de política à sua dimensão partidária ou mesmo institucional, ela se esvazia de sentido e ainda ganha, no senso comum, uma conotação negativa ligada à corrupção. Esta geralmente tem agentes do mercado envolvidos, o que costuma ser cuidadosamente ocultado; portanto, é preciso politizar a educação, no melhor sentido que concebo o termo: torná-la veículo de problematização e troca de ideias em todas as dimensões da existência humana e planetária. Projetos como o tal “Escola sem partido” – que parte da mais torpe e equivocada concepção da política -, se aprovados, irão decretar o descalabro do sistema educativo no Brasil, já tão debilitado. E impedirão que Jeans e Marílias, independente da origem de classe, de sexo e de identidade de gênero, possam eventualmente vir a experimentar formas de empatia que sirvam para construir pontes, identificações e diálogos mundo afora, ampliando e pluralizando formas de subjetividade social (e consequentemente de vida) crítico-reflexivas.
Frente pede que Sartori retire "projeto de privatização"
Felipe Uhr
Parlamentares e líderes sindicais presentes no abafado Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa, criticaram fortemente o PL 44/2016, durante audiência pública na tarde desta segunda-feira.
O projeto enviado em março pelo executivo autoriza que serviços públicos sejam assumidos por entidades privadas, as chamadas Organizações Sociais (OS’s).
Relatora da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) questionou entre outros pontos, a constitucionalidade do Projeto, alegando que ele fere o princípio da impessoalidade já que caberia exclusivamente ao Governo escolher quais órgãos seriam administrados pelas OS’s.
Teatro Dante Barone ficou completamente lotado | Ramiro Furquim/Jornal Já
Representantes de conselhos e diversas categorias de servidores se revezaram ao longo da tarde pedindo que o governo retirasse o projeto. Alguns acusaram o Estado de “desmantelar” os serviços públicos.
Outros criticaram o governador Sartori: “Se não quer administrar os serviços básicos, como saúde e educação, que não concorresse as eleições”, citaram outros, repetidamente, sob aplausos.
O que teve mais tempo a palavra foi o professor Aragon Dasso Júnior, que falou por 15 minutos. Aragon fez um breve histórico de outras políticas ocorridas em governos anteriores que, segundo ele, tinham o mesmo objetivo e que, na sua opinião, não deram certo.
Citou os governos FHC e Britto, período onde as privatizações ocorreram no País e no Estado e chamou o atual projeto de Sartori de “privatização mascarada.”
Já sob os gritos de “Retira, retira,retira” que o representante do Governo do Estado, o sub-chefe legislativo da Casa Civil, César Marsillac, iniciou sua tentativa de argumento a favor da matéria. Muito vaiado, César praticamente fez uma leitura de trechos do projeto e ao final defendeu sua Constitucionalidade.
Governo do Estado foi representado pelo sub-chefe legislativo da Casa Civil, César Marsillac: muito vaiado| Ramiro Furquim/Jornal Já
Ao final da audiência, com a aprovação de todos os presentes no auditório, foi entregue a Cesar, um documento da Frente Parlamentar em Defesa dos Serviços Públicos, composta por 30 parlamentares, pedindo que o governo Satori retire o projeto. O mesmo documento foi assinado pelas mais de 30 entidades presentes na audiência.
Proponente da audiência e representante da Frente, a deputada Stela Farias, concluiu: “O projeto é genérico, um verdadeiro cheque em branco para o Governador fazer o que ele bem entender.” Stela também criticou a postura do governo de enviar para a audiência um funcionário sem representação política. “A postura é a mesma, mandam um sub-chefe da secretaria. Isso mostra que não estão preocupados e seguem firmes e convictos desse modelo” concluiu.
Ao final da audiência, foi entregue a Cesar um documento assinado por 30 parlamentares e mais de 30 entidades, pedindo que o governo Sartori retire o projeto | Ramiro Furquim/Jornal Já Artistas convocam população de Porto Alegre para Ato Cultural
Um grupo de artistas de Porto Alegre publicou nesta segunda-feira um manifesto repudiando a minuta de Decreto Municipal que regula os eventos de rua na cidade. A iniciativa da Prefeitura, através do gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo é considerada “arbitrária, higienista e preconceituosa” pelo grupo.
Os artistas convocam a população para um Ato Cultural, que será realizado no dia 7 de junho em frente à prefeitura. O texto foi publicado através da página Arteiros da Rua, que reúne os artistas desde o ano passado, quando outra minuta semelhante surgiu, também do gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo e gerou uma mobilização histórica da classe artística na cidade.
Confira a íntegra do manifesto:
– PREFEITURA QUER TIRAR AS RUAS DO POVO –
Decreto restringe o acesso e cobra taxas pelo uso dos Espaços Públicos
Um ano após a tentativa de encaminhamento de um decreto que restringia as atividades dos Artistas de Rua da capital, a Prefeitura de Porto Alegre, através do gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB), elabora uma nova minuta, agora prejudicial a toda população porto-alegrense.
Melo tenta agora articular suas secretarias no sentido de restringir todo e qualquer tipo de evento e manifestação na cidade, exigindo autorização prévia e pagamento de taxas para o uso da via pública: de apresentações artísticas e culturais até manifestações políticas e de cunho religioso, desde o jogo de futebol na beira do Guaíba até a Roda de Capoeira no Zumbi dos Palmares, do aniversário de criança na pracinha ao Carnaval de Rua na Cidade Baixa.
Em face dessa iniciativa arbitrária, higienista e preconceituosa da atual gestão do município, que fere o Artigo V da Constituição, convocamos a população para o Ato Cultural Pela Garantia do Nosso Direito à Cidade, na terça-feira, 7 de junho, em frente à Prefeitura, a partir das 12h.Vieira da Cunha confirma candidatura à prefeitura de Porto Alegre
O secretário estadual da Educação Vieira da Cunha confirmou nessa segunda-feira sua saída do cargo para ser candidato à prefeitura de Porto Alegre, em outubro. Vieira da Cunha, que é deputado federal pelo PDT, reuniu-se hoje com o governador Ivo Sartori , à quem fez essa comunicação.
No domingo, ele se reuniu com o vice-prefeito Sebastião Mello, do PMDB, para avisar dos seus planos eleitorais. A expectativa do PMDB era contar com os pedetistas novamente na disputa, assim como ocorreu nas últimas duas eleições.
Com a decisão de Vieira da Cunha, cresce o número de candidatos em Porto Alegre. Até agora são conhecidos outros nove pré candidatos. Raul Pont, do PT; Luciana Genro, do PSOL; Nelson Marchesan Jr., do PSDB; Rodrigo Maroni, do PR; Van Hatten, do PP; Maurício Dziedricki, do PTB; Ônix Lorenzoni, do DEM, Danrlei de Deus, do PSD e Sebastião Mello, do PMDB.Professores e governo fazem nova rodada de negociação
Higino Barros
Os professores da rede público estadual de ensino, em greve há 15 dias, têm nova rodada de negociação com o governo estadual, na Secretaria da Educação. O Comando de Greve do CPERS/Sindicato, convocou professores e alunos que ocupam as escolas em apoio ao movimento, a comparecerem ao local para aumentar a pressão sobre os representantes governistas.
Nessa segunda-feira, os professores em greve fizeram uma Plenária, na parte da manhã, em frente ao Palácio Piratini. Eles cobraram do governo medidas concretas nas negociações, já que na reunião anterior a secretaria da Fazenda repetiu o argumento que os cofres públicos não tem condições de conceder o aumento salarial pedido pelo magistério.
Na parte da tarde, os professores e estudantes somaram-se à outras categorias do funcionalismo público estadual que entregaram um documento aos deputados estaduais contra a aprovação do PL 144. O projeto de lei possibilita maior presença de empresas privadas na gestão de áreas que são atualmente responsabilidade do poder público.Servidores paralisam TVE e FM Cultura contra projeto de Sartori
Matheus Chaparini
Um grupo de servidores da Fundação Cultural Piratini realizou uma paralisação em frente à sede da Fundação na manhã desta segunda-feira. O movimento pede que o governador José Ivo Sartori retire da Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 44/2016, que permite a entrada de organizações sociais privadas em serviços públicos em áreas como educação, cultura, esporte, tecnologia e meio ambiente.
“No momento em que este PL estiver aprovado ele é uma porteira aberta para que fundações, e até escolas e hospitais, sejam repassados para a iniciativa privada. A escola, por exemplo, pode passar a ser gerida por uma OS”, explica a jornalista Cristina Charão.
Para Cristina, a situação das fundações é ainda mais complicada, pois não haveria como simplesmente transferir a gestão, seria necessário extinguir os órgãos. “Além de tudo, todos os funcionários das fundações estão com seus empregos em risco.”
A mobilização dos servidores da TVE e da FM Cultura integra o movimento de várias categorias de servidores públicos contra o projeto de lei do executivo. O grupo montou um piquete na entrada da Fundação às 7h desta segunda-feira. De lá, o grupo partiu às 13h para a praça da Matriz, onde se soma à mobilização das demais categorias para a Audiência Pública que trata do PL 44/2016.
Segundo o movimento, a adesão foi de cerca de 80% dos servidores
Servidores tiveram apoio do movimento Ocupa Minc / Matheus Chaparini / JÁ
TVE cancela entrada ao vivo em razão do protesto
Enquanto os servidores paralisados permaneciam na entrada da Fundação Piratini, alguns poucos funcionários trabalhavam para colocar o jornal do meio dia no ar. Para driblar a falta de pessoal, dois carros da TVE se deslocaram até o parque Marinha do Brasil, levando o único repórter disponível para tentar fazer uma entrada ao vivo.
Ao perceber a movimentação, o grupo foi até o local para se manifestar com seus cartazes. A pauta era uma entrevista com o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, sobre os números do trânsito no feriado de Corpus Christi. Mas o constrangimento foi maior.
Discretamente, repórter e entrevistado tentaram combinar uma gravação na sede da EPTC, como alternativa, mas Cappellari acabou se retirando e a pauta caiu. Os servidores ainda fizeram uma brincadeira de morto-vivo, ironizando a situação.
A pauta era uma entrevista com o diretor-presidente Vanderlei Cappellari, mas a entrada ao vivo caiu / Matheus Chaparini / JÁ
Servidores criticam abandono do governo do estado
Além da pauta comum às outras categorias, os servidores da Fundação Piratini têm críticas ao tratamento dado pela atual gestão ao órgão. “Eles não estão investindo mais nada, estão terceirizando ao invés de investir na programação local. Esse governo veio para terminar o que foi adquirido ao longo dos quatro anos do governo petista”, afirma Carlos Ayres, radialista e delegado sindical. Ele cita como exemplo a migração do sinal analógico para o digital, que estava em andamento no governo passado e agora está parada.
Ayres é servidor da TVE há 30 anos e garante que os problemas se repetem a cada troca de governo. “Sempre que troca o governo a gente tem que começar tudo do zero. Os governos de direita, do PMDB e do PSDB, sempre tentaram desfazer o que foi conquistado.”
Cristina Charão critica o fato de as horas extras terem sido proibidas pela atual gestão. Ela conta que na última quinta-feira, não houve expediente, pois era feriado e os servidores não poderiam trabalhar. “Nos feriados, desde o ano passado, a TVE e a FM Cultura funcionam no play, só programação da rede e reprises. Então quem paralisa a Fundação não é o trabalhador.”
Além do PL 44/2016, a defesa da comunicação pública integrava a pauta / Matheus Chaparini / JÁ
“Projeto não é novo, nem foi criado por Sartori”
Alexandre Leboutte, jornalista da Fundação, afirma que o projeto não é novo, nem foi criado pelo governador Sartori. “Este mesmo projeto já foi apresentado em 2006, pelo ex-governador Rigotto e diante da pressão dos servidores, ele retirou. A cada gestão que tem como base social o empresariado, ele é reapresentado. Eles estão tentando fazer passar, se não der agora, certamente este projeto vai voltar daqui a pouco”, afirma Leboutte.
Além do temor em relação à privatização dos dois veículos, Leboutte demonstrou preocupação em relação ao conteúdo. “A nossa programação é caracterizada pela produção local, por dar espaço para a produção independente e para artistas que não dispõe de um grande aparato de marketing para chegar aos canais privados. Se a Fundação for privatizada isso deve se perder.”
Às 13h, servidores desmontaram piquete e seguiram para a Assembleia Legislativa, local da Audiência Pública sobre o PL 44/2016 / Matheus Chaparini / Jornal JÁ Estudantes do Instituto lançam livro artesanal sobre a ocupação
Isabela Marcon tem 16 anos, escreve desde os dez e pretende se tornar escritora profissional. Seu objetivo é poder viver dos livros. Entretanto, Isabela esconde seus textos. Ela cursa o segundo ano do Ensino Médio do Instituto de Educação General Flores da Cunha. Aluna do IE há onze anos, Isabela conta que foi a primeira vez em que se sentiu à vontade para mostrar seus escritos para outras pessoas.
“Eu gosto de escrever, mas nunca tive apoio na escola. Tive que me descobrir por outros caminhos”, conta a jovem.
Isabela escreve desde os 10 anos, mas costumava esconder seus textos | Ramiro Furquim/Jornal Já
Os alunos do Instituto produziram um livro sobre os primeiros dias da ocupação. “Ocupar Educar” foi lançado no domingo, 29, durante o festival OcupaFest, organizado pelos alunos e que contou com diversas atrações no saguão da escola. O livro traz poemas e mensagens escritas pelos estudantes, além de colagens e fotos dos cartazes que foram espalhados pela escola.
O projeto é uma forma de registrar para a posteridade o momento que vivem hoje: desde o dia 18 de maio, um grupo de estudantes ocupa o Instituto, como ocorre em mais de 140 escolas estaduais no Rio Grande do Sul, segundo a página Ocupa Tudo RS, que reúne as informações das ocupações escolares gaúchas.
A ideia de produzir um registro impresso surgiu pela aproximação do escritor Elizeu Braga. Natural de Porto Velho, Rondônia, Elizeu veio a Porto Alegre para participar do FestiPoa Literária e acabou ficando mais alguns dias por aqui. Em sua cidade natal, ele é responsável pela Arigóca, ponto de cultura que direciona suas atividades no incentivo à leitura.
Elizeu foi quem sugeriu a ideia de um livro artesanal | Ramiro Furquim/Jornal Já
Elizeu se aproximou da ocupação, mostrou seu trabalho e ofereceu apoio. “Vim conhecer o movimento e ver que contribuição eu podia dar: contação de história, oficina de poesia… Quando mostrei o livro artesanal, a galera gostou e quis fazer um também”, conta o escritor, que tem dois livros de poemas lançados neste formato.
A partir daí, convocou o poeta gaúcho Nicolas Nardi e juntos passaram a realizar atividades diárias na escola, orientando os estudantes na produção do material. “Nós organizamos o conteúdo, imprimimos o miolo, fizemos as capas à mão e costuramos, para montar o livro”, explica Isabela.
Em uma primeira tiragem, foram produzidos cerca de 30 exemplares, que estão à venda por R$ 10 e podem ser adquiridos diretamente com os estudantes no Instituto de Educação. O objetivo é arrecadar dinheiro para imprimir outras tiragens e multiplicar o relato da experiência de ocupar uma escola.O que explica a crise?
Giovane Martins*
Ainda não chegamos à metade de 2016 e, me arriscaria a dizer, já poderíamos calcular mais notícias sobre escândalos políticos nesta primeira metade do semestre do que em vários momentos parecidos da nossa história. O Brasil, que até pouco tempo era visto como o país do Carnaval e do futebol, agora ocupa as manchetes políticas do Brasil e do mundo quase que diariamente, com novas revelações em escândalos de corrupção – revelações que já foram capazes de levar para a cadeia alguns dos empresários mais ricos do país e de declarar a “quase morte” política (pois no fim das contas só a população tem o poder de declarar a morte política de alguém de forma definitiva) de vários envolvidos nos esquemas.
A crise política que estamos vivendo não começou ontem e provavelmente não terminará amanhã. Provavelmente também não começou em 2013, embora tenha sido neste ano que os primeiros protestos populares de grande magnitude tenham ocorrido durante o período frequentemente denominado de “lulismo”. Uma crise política desta magnitude não surge do nada. Embora na superfície esteja tudo correndo aparentemente bem, é perfeitamente possível que uma profunda sensação de desgosto e um crescente desejo de mudança estejam presentes nas consciências individuais.
Por isso seria um trabalho duro especificar onde começa a crise política que nos afeta, e é um tiro no escuro saber o que virá depois. Qualquer tentativa de se apontar uma causa para explicar o que está ocorrendo agora acabaria com o status de meia-verdade: talvez por isso as correntes ideológicas tradicionais tenham tanta dificuldade para justificar seus diagnósticos. Ao contrário de outros eventos históricos em que era possível delinear claramente onde uma revolta começa e quais são seus pontos de transição, fazer isso hoje é correr o risco de se cair na ideologia, na resposta que já estava engatilhada a priori.
Mas o que torna nossos tempos tão diferentes de outros eventos políticos históricos?
A filosofia, as ciências sociais, a comunicação social e outras áreas que frequentemente se comprometem com o debate político vêm desenvolvendo nos últimos anos uma boa gama de trabalhos a respeito de um novo mundo (ou de uma nova forma de se relacionar com ele) que ainda não entendemos bem – embora nosso contato seja permanente. Estamos na era do ciberespaço, das novas tecnologias da comunicação que a cada dia trazem novos recursos, que mudam a forma como nos relacionamos e tornam a atividade política acessível a qualquer um que tenha um computador ou um smartphone com internet. A clássica relação causa-efeito se torna completamente incerta em um mundo em que vários eventos significativos ocorrem simultaneamente, em que causas que desconhecíamos podem ganhar força em minutos e em que a informação ganha autonomia em relação aos sujeitos – quem precisa procurar informações quando elas aparecem na sua timeline inesperadamente?
Nossa imprensa tradicional, nossa democracia e as nossas instituições estão tendo que lidar com esse conjunto de novos fatores. A liberdade que a democracia nos proporciona, por sinal, é fundamental para que saiamos da crise sem qualquer violência ou derramamento de sangue, como já ocorreu antes nesses 30 anos de democracia. É essa liberdade que permitiu a cultura de participação política que estamos assistindo diariamente. Por mais que se pense o contrário, cada vez mais parece ser o povo o motor político principal, e não as classes médias e políticas.
Meu objetivo nesta coluna será trazer para o debate político alguns desses temas que nos ajudam a entender o momento político que ocorre no Brasil e em outros países do mundo, mas que ao mesmo tempo quase que nos impossibilitam de fazer análises sistemáticas que apontem causas e efeitos claros e distintos sem se cair em respostas velhas para problemas novos. Para isso, conto com a participação do leitor. O debate político, agora, é de todos!
* Giovane Martins é estudante de filosofia da PUCRS, pesquisador bolsista do CNPq e do CEFA – Centro de Estudos em Filosofia Americana.









