Autor: da Redação

  • Comitê em defesa da democracia debate

    Esta página do jornal JÁ, de responsabilidade do Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito, traz publicações de membros do comitê e de pessoas por ele convidadas, com o objetivo de discutir temas da realidade brasileira e internacional, a partir do conhecimento especializado de seus autores e de suas diferentes visões ideológicas e políticas, reunidas aqui para o livre debate imprescindível para a consolidação da democracia no país.
    O Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito foi criado no dia 04 de abril de 2016, no ato de lançamento de um manifesto em defesa da democracia subscrito inicialmente por 434 profissionais gaúchos das áreas de educação superior, cultura, pesquisa, comunicação, direito e ações comunitárias, com atuação em diferentes espaços de produção intelectual públicos e privados no Rio Grande do Sul. Disponibilizado para assinaturas através do Avaaz, o manifesto chegou até o presente momento ao total de 2.906 signatários. (link com o manifesto)
    O comitê surgiu a partir da preocupação com o grave risco de ruptura institucional vigente no Brasil, em decorrência do processo de impeachment da presidente da República, encaminhado de forma açodada e sem que tenha sido caracterizado crime de responsabilidade. Um processo que coloca em xeque o funcionamento das instituições e o respeito à própria Constituição.
    O comitê orienta-se pela compreensão de que é preciso consolidar a democracia no país e encaminhar as importantes mudanças necessárias para o enfrentamento da crise econômica e a retomada do desenvolvimento com inclusão social e a defesa da soberania nacional. Mudanças que só poderão ser realizadas com o apoio de um amplo bloco de forças sociais e políticas com elas comprometidas.
    Nesta perspectiva, o comitê foi constituído como um espaço propositivo e regular de informação, reflexão, debates e manifestações. Trata-se de um espaço de debates plural, suprapartidário, buscando a participação de pessoas com diferentes visões ideológicas e políticas, reunidas para defender a democracia e as grandes mudanças sociais acima indicadas. (link com o texto aprovado no lançamento do comitê)
     
     
     
     
     

  • Professores: "Não aceitaremos reajuste zero até 2018"

    Professores da rede pública estadual em greve e alunos que estão ocupando escolas em Porto Alegre fizeram um ato nessa terça-feira pela manhã, para pressionar o governo do Estado.
    A mobilização aconteceu em frente a Secretaria da Educação e em frente às Coordenadorias Regionais de Educação e pediu que o governo apresente propostas concretas na reunião prevista entre as duas partes, no dia 31 de maio.
    “Estamos nesse ato para dizer ao governo que não aceitaremos reajuste zero até 2018. Todos os outros governos nos pagaram e este também vai ter que pagar. Seguimos juntos e fortes na luta, pois somente assim vamos conseguir avançar em nossos direitos”, afirmou a presidente do CPers/Sindicato, Helenir Schürer.
    Houve um princípio de tumulto com empurrões entre seguranças e professores no ato em frente a SE, logo apaziguado.
    Depois dos discursos e palavras de ordem os participantes da manifestação saíram em caminhada até o Palácio Piratini. A greve do magistério completou duas semanas, com crescente adesão ao movimento. (H.B.)

  • Vieira da Cunha pode sair para concorrer à prefeitura pelo PDT

    HIGINO BARROS
    Depois de Raul Pont, pré candidato a prefeito pelo PT, os eleitores de Porto Alegre capital ganharam novo pretendente ao posto: o secretário estadual da Educação, Vieira da Cunha, que nessa terça-feira, admitiu a disposição de se afastar do cargo para concorrer pelo PDT.
    Segundo Vieira a decisão não é pessoal.  Os quadros do partido, tendo à frente o presidente da legenda no Rio Grande do Sul, Pompeo de Mattos, conversaram com ele mostrando a importância de sua candidatura para suceder José Fortunatti, também pedetista, que apoia a candidatura de seu vice, Sebastião Melo, do PMDB.
    Para Pompeo de Mattos a indicação de Vieira da Cunha está assegurada. A legislação eleitoral estabelece que os secretários estaduais têm até 2 de junho para deixar os cargos se quiserem concorrer a prefeito ou vereador em outubro.
    Dia 30 de maio, o PDT da capital realiza Seminário, em Santa Maria, com presença de convidados nacionais, em que essa candidatura será definida.
    A candidatura de Vieira da Cunha, no entanto, depende também do PDT montar em torno dele uma aliança que garanta tempo de rádio e TV na propaganda eleitoral.
    O prefeito José Fortunatti prefere que os trabalhistas apoiem a candidatura do atual vice-prefeito, Sebastião Melo, do PMDB, mas Fortunatti não conta com muita força de influência no partido.
    Vieira da Cunha disse que chegou a pedir demissão da Secretaria da Educação ao governador Ivo Sartori, antes de sair de férias, no início de maio. Mas voltou atrás com o pedido do governador para permanecer no cargo e com a promessa de aumento de escolas em turno integral na rede pública estadual.
    Mas pedetistas próximos ao secretário da Educação dizem que é questão de dias para que ele deixe o governo Sartori.
    Principalmente pelas dificuldades financeiras do governo estadual, sem margem de investimento e sem poder atender as reivindicações de professores em greve e estudantes, ocupando escolas.

  • Ocupação Infante: Diretora acusada de agredir três estudantes

    A escola Infante Dom Henrique, situada no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, está ocupada há quatro dias. Parece pouco, mas é o necessário para os alunos quererem a substituição da diretora do colégio.
    Desde que um grupo de estudantes anunciou à mesa diretora que a escola seria ocupada ,começaram os entraves. Em um primeiro momento, a diretora Jaqueline Boff apoiou, depois voltou atrás e, por último, trancou a escola, chaveou os banheiros e tentou intervir junto aos pais para que a escola não fosse ocupada.
    Na sexta-feira, dia da ocupação, o ato final e que iniciaria um grande conflito com os alunos proponentes da ocupação: a diretora agrediu física e verbalmente três estudantes.

    Estudantes ocupam a escola desde a última sexta-feira | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Estudantes ocupam a escola desde a última sexta-feira | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Diretora humilhou aluna vítima de abuso sexual
    A denúncia foi feita na página da ocupação no Facebook por meio de vídeo e depoimentos. Os atos da professora foram presenciados por colegas das jovens, que tentavam ocupar a escola. O relato mais grave dá conta de que a diretora teria se valido de uma confissão, feita em sigilo em outro momento, para expôr publicamente uma aluna menor de idade, que foi vítima de estupro.
    “O que é que uma estuprada está fazendo revoltada?”, gritou a diretora, humilhando a estudante menor de idade diante de seus colegas.
    A jovem estudante de 16 anos fala pouco sobre o assunto e pede anonimato. A confiança que tinha pela professora foi quebrada. A jovem sabe que o fato é o ápice da turbulência da ocupação, mas tenta manter o bom humor e a animação para continuar ocupando.
    Há ainda relatos de duas agressões físicas. A professora, ao tentar fechar a porta, prendeu o pé de um aluna que a impedia do ato. Outra jovem foi fortemente segurada pelo braço.
    A partir disso, a pauta da ocupação mudou. A escola já apresentava motivos suficientes para a ocupação, agora só será desocupada quando a diretora deixar o cargo, afirmam os alunos. “ Queremos que ela largue a Educação, mas sabemos que é difícil, por isso queremos que ela saia da escola”, afirma um dos estudantes.
    A queixa foi dada nesta segunda-feira, quando as três alunas, acompanhadas de uma advogada, foram até o Centro de Referência em Diretos Humanos da Defensoria Pública relatar o ocorrido. Na próxima quarta-feira, prestarão o depoimento oficial.
    A Defensoria encaminhará um medida administrativa contra a professora, para que saia da diretoria da escola. Outras medidas judiciais, tanto na área cível quanto criminal podem ocorrer.
    OCUPAÇÃO ENGATINHA E ESTUDANTES AINDA SE ORGANIZAM
    Estudantes garantem: escola só será desocupada quando a diretora cair | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Estudantes garantem: escola só será desocupada quando a diretora cair | Ramiro Furquim/Jornal Já

    A reportagem do Jornal JÁ esteve na ocupação no começo da noite desta segunda-feira, 23. Um menino embalando um skate vigiava a entrada. Após saber quem éramos, nos deixou entrar. Era Lucas, 16 anos, estudante do segundo ano. Logo nos apresenta para João Vitor, da Ubes, e para Mariane, todos eles estudantes e líderes da ocupação.
    Eles ainda organizam o movimento. Com a ajuda de Jessica, estudante de Letras da UFRGS e apoiadora das ocupações, montam a programação cultural.
    Dormindo mesmo na escola são poucos. Cinco, talvez seis, não mais que dez.
    As reivindicações da ocupação são principalmente ligadas à própria escola. A situação da estrutura não é boa. A iluminação é precária dentro das 9 salas de aula do segundo andar. Em uma delas estão dormindo os estudantes, há barracas e colchões.
    A sala dos professore é grande, bem ajeitada e tem até ar-condicionado. O colégio não tem um laboratório de Ciências. No banheiro masculino, duas cabines estão interditadas. No feminino, são três. Nos corredores, extintores com a validade vencida. Na biblioteca, o acesso aos livros é restrito. “Não há ensino pedagógico”, reclama Mariane.
    Alunos improvisaram barreira para impedir invasões através do muro caído | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Alunos improvisaram barreira para impedir invasões através do muro caído | Ramiro Furquim/Jornal Já

    No pátio, a situação não é diferente. Um dos postes de iluminação está estragado. Parte do muro está demolido, entra quem quer. Com telhas, os alunos improvisaram uma barreira, mas em dias normais a passagem fica aberta. Mendigos e usuários de drogas invadem o pátio durante a noite, denunciam os alunos.
    A noite avança e chegam mais alguns estudantes. Estavam em casa, voltaram para passar a noite. Pouco depois começam uma reunião. Surgem novas pautas, reivindicações a serem feitas, como irão se comunicar entre eles, entre outros assuntos. Sabem que precisam atrair mais colegas para a ocupação, para isso estão se organizando.
    A reunião termina e dá pausa para a janta. A noite é longa e fria mas a vontade de fazer história ainda é maior que qualquer outra coisa. Nos despedimos dos jovens enquanto preparavam sua alimentação para aguentar mais uma noite de ocupação. Que só terminará quando a diretora cair.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

  • Audiência Pública do Cais Mauá é aprovada na Assembleia

    A Comissão para Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa aprovou na manhã desta terça-feira a realização de uma audiência pública para debater as perspectivas de efetivação do projeto de revitalização do Cais Mauá. O requerimento foi proposto pelo deputado estadual Tarcísio Zimmermann (PT). A data e o local da atividade ainda não estão definidas.
    Recentemente o Jornal JÁ noticiou que o consórcio responsável pelo projeto admitiu que está em dificuldades financeiras, com várias dívidas e sem condições de pagar até mesmo pela segurança da área.
    “Vimos que sequer conseguem manter a segurança de um espaço tão nobre como é o Cais do Porto. Isso é preocupante. Se algo acontecer com os armazéns? Por isso solicitamos a audiência para esclarecer os fatos”, destacou Zimmermann.
    A audiência vem ao encontro dos trabalhos da Frente Parlamentar e Social por um Cais Mauá de Todos, formada recentemente por deputados, vereadores e diversos movimentos sociais e entidades que têm uma visão alternativa ao futuro do Cais Mauá.
    Serão convidados para participar da audiência pública representantes da Secretaria de Portos e Hidrovias do Estado (SPH), do Consórcio Cais Mauá do Brasil, do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE/RS), da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Rio Grande do Sul (IPHAE), do Ministério Público Estadual, dos integrantes da Frente Parlamentar e Social por um Cais Mauá de Todos e demais interessados na atividade.

  • Fortunati discutiu minuta de decreto, mas não chamou os artistas

    Matheus Chaparini
    Logo após o prefeito Fortunati ter se reunido com um pequeno grupo de representantes de movimentos sociais, na noite desta segunda-feira, setenta artistas realizaram uma Assembleia Geral na Superintendência Regional do Iphan, ocupada desde a última quinta-feira pelo movimento Ocupa Minc.
    O tema dos dois encontros era o mesmo: a minuta de decreto distribuída pelo gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo, e divulgada na semana passada pela página Arteiros da Rua, que dispõe sobre regulamentação para autorização de eventos na rua em Porto Alegre.
    “O curioso é que não nos chamaram para a reunião”, afirmou o músico Ricardo Bordin. Foi ele quem chegou à reunião dos artistas com a notícia de que outro encontro acontecera com o mesmo tema. Sentaram com Fortunati representantes da Frente Brasil Popular. “Nem conhecemos quem esteve nesta reunião”, completou o músico.
    Minuta “atinge os direitos cidadão”

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    Primeiro consenso: a minuta de decreto é ampla e não atinge só os artistas / JÁ

    O objetivo da reunião era construir uma carta de repúdio e um manifesto, que devem ser divulgados nos próximos dias. Uma nova reunião foi marcada para domingo, às 18h, no mesmo local.
    O primeiro consenso da reunião foi que o texto não limita apenas a arte na rua, sendo muito amplo. “Atinge os direitos do cidadão”, definiu o presidente do Sated-RS, Fábio Cunha, que criticou também a falta de diálogo na elaboração do texto. “Se eles tem uma problemática em relação à burocracia, querem modificar e isso vai atingir qualquer setor da sociedade, eles têm que dialogar com este setor, para entender a realidade.”
    A alegação de Melo é de que o documento não se aplicaria aos artistas de rua, tendo por finalidade “organizar a liberação de eventos comerciais”. Entretanto, o texto é amplo, e sequer cita a atividade comercial, abarcando “atividade recreativa, política, cultural, religiosa, esportiva ou promocional, comunitária ou não.”
    A minuta estabelece ainda critérios objetivos para classificação dos eventos segundo o impacto – baixo, média, alto  –, enquadra atividades com público previsto a partir de 30 pessoas. A grande abrangência do texto e a cobrança de pagamento pelo uso do espaço público gerou piadas ao longo da reunião.
    “Nem um futebolzinho pode mais. Aliás, se forem só onze contra onze pode, mas se tiver reserva tem que pagar”, brincou o presidente do Sated, que citou ainda outros exemplos: “tem uma parte que fala em ações comunitárias, se o pessoal lá no Campo da Tuca quiser fazer um brique, não pode.”
    Vereadora vai pedir audiência pública
    Ao final do encontro, a vereadora Fernanda Melchionna (Psol) se comprometeu a pedir uma audiência pública na Câmara de Vereadores para discutir o tema.
    “O problema é essência da minuta que fere o direito ao uso da cidade, que parte de uma premissa privatista, de tentar regular o uso do espaço público que na  prática significa cobrar por atividades comunitárias, associativas, culturais, recreativas, como o próprio decreto diz”, afirmou a vereadora.
    Para Fernanda, o discurso da prefeitura não coincide com o teor da minuta. “Para se ter uma ideia, o texto chega a citar procissões? Vão cobrar por uma procissão? As pessoas vão ter que pagar para manifestar sua fé nas ruas?”
    Outras cidades cobram pelo espaço público
    Durante a reunião foram citados exemplos de outras cidades, onde existem leis que regulamentam a atividade dos artistas de rua. O caso mais emblemático foi levantado pelo artista Pascal Berten, do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz.
    Ele contou que o grupo chegou a gastar mais de R$ 10 mil para utilizar espaços públicos em um único projeto. A Movida Cultural foi um projeto aprovado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) em 2014 e abrangeu espetáculos, debates e oficinas em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
    Nas três cidades, o uso do espaço foi cobrado pelo poder público, mas no Rio de Janeiro a situação foi mais complexa. Pascal explica que na cidade, há uma lei que regulamenta a arte de rua e que foi construída através do debate com os próprios artistas. Entretanto, a peça que o grupo apresentou tinha um tempo de preparação muito longo e não foi enquadrada como arte de rua, mas como evento comercial.
    “A lei do artista de rua foi na verdade usada contra nós, em vez de nos proteger, que seria o objetivo. E esse é o grande risco: qualquer lei, mesmo que esteja ali pra te proteger, pode ser usada contra ti, dependendo da interpretação que for usada”, concluiu Pascal.

  • O mistério do vazamento

    PINHEIRO DO VALE
    O mistério da República é localizar a quem interessava detonar o ministro do Planejamento de Michel Temer, o senador roraimense Romero Jucá, com a divulgação do conteúdo de conversas embaraçosas entre ele e um aliado há mais de três meses.
    Deitar na lona um peso pesado como Jucá é uma proeza de múltiplos resultados, todos negativos para o governo recém-instalado.
    Não obstante estar envolvido em fase de indiciamento em sete processos tramitando no Supremo, Jucá emergia no colégio de cardeais, não era membro da banda do baixo clero no ministério Temer.
    Ao contrário, o senador nortista faz parte da banda virtuosa do gabinete peemedebista, ao lado de Henrique Meirelles. Wellington Moreira Franco e outros astros do segundo escalão, como Pedro Parente. Pois não é que ele caiu de quatro logo ao levar o primeiro tiro?
    De fato, Jucá não era tão ficha limpa assim como se pintava na nova imagem, pois desde sempre, como político dos fundões remotos, construiu lá carreira passando por cima de obstáculos que, no Sul, já teriam acabado com ele há muito tempo.
    No jovem estado de Roraima esses tropeços não passavam de pecadilhos. Não adiante se espantar: o Brasil é assim.
    Antes de cair nas malhas dos templários de Curitiba, Jucá já passara pelos incômodos do fisiologismo da política naquelas bandas, envolvido numa negociata de desvio de madeira de terras indígenas quando ainda de sua estreia na esfera federal, como simples e jovem presidente da FUNAI.
    Na Justiça o processo se extinguiu por prescrição. Na política foi absolvido com a alegação então aceita de que a madeira não era dele, o dinheiro foi para o partido, com os apoios decorrentes foi catapultado para o governo do Estado e daí para a arena nacional na Câmara, no Senado e, desta feita, num ministério de primeira linha.
    Tudo isto para dizer que Jucá não é pouca coisa. Quem olhasse sua posição até a noite de domingo diria que se tratava de uma nova estrela no firmamento. Deixava obscuras bancadas periféricas para se lançar como teórico da economia, gestor de primeira linha, articulador político de alto desempenho, conselheiro de pé de ouvido do presidente. Ou seja: um manda chuva.
    Já se sabe que a gravação era parte do material da delação premiada de seu interlocutor, o ex-presidente da Transpetro, empresa subsidiária da Petrobrás, Sérgio Machado, já nas malhas do juiz Sérgio Moro. Ou seja: o autor da gravação foi o próprio delator Sérgio Machado.
    Então por que se botou a boca no trombone? Os primeiros suspeitos são os próprios membros do Judiciário, agastados com o que consideraram uma desfaçatez de Michel Temer passar por cima dos indiciamentos e outros que tais, nomeando Jucá ministro de linha de frente sem a menor cerimônia.
    Esta suposição ganharia verossimilhança porque estaria repetindo o episódio das gravações de Dilma e Lula.
    Consta que, ao se convencerem de que a presidente levava Lula para a Casa Civil como uma manobra para tirá-lo da frente do juiz Sérgio Moro, jogaram na rua a evidência que tinham para que ninguém duvidasse. E Lula caiu.
    Agora repetem a dose com Jucá: Temer desconheceu as evidências aceitas pelo juiz e ministros do Supremo e, então, levou. E Jucá recebeu um tiro no meio da testa, não nas costas como seria numa outra versão, de cunho conspirativo, que também corre (irresponsavelmente, pois não se sabe de onde saiu) em Brasília.
    Na capital federal o menor segredo é a origem de um boato. Quando não tem dono, todo o mundo fica alerta. É o caso deste, atribuído a forças ocultas que teriam como objetivo fortalecer a posição do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Vejam os leitores como se explica esta fantasia: Jucá seria uma ameaça à candidatura de Meirelles para 2018. É pouco?
    Nessa narrativa entram vários por quês. Meirelles é candidato a Fernando Henrique, o ministro da economia salvador da Pátria.
    A se confirmar que Meirelles fica com Fazenda e Planejamento (com todo seu cortejo de bancos e outras instituições), configura-se o desenho que Lula sugeriu a Dilma.
    Então Temer comprou a peça, podendo haver um acerto de bastidores para leva-lo como nome da chamada base aliada, catalisando uma coligação considerada impossível no cenário atual.
    Entretanto, ela poderia se compor para a eleição de 2018, se não no primeiro, no segundo turno. Se fosse assim, outro candidato dentro do mesmo governo seria um empecilho. Melhor matar a cobra de pequena.
    Se for isto que ocorreu inocenta o PT, pois estaria por traz de tudo o trio dos “imperdoáveis”, quais sejam: o juiz Sérgio Moro, o procurador geral Rodrigo Janot, e o ministro do Supremo Teori Zavascki (este mencionado por Jucá como “inconversável”).
    Há outra também alicerçada na ambição de Jucá de chegar a uma candidatura presidencial: o  PMDB de São Paulo, apoiado pelas frações sulistas, não veria com bons olhos a recondução do grupo liderado pelo ex-presidente José Sarney. Também é improvável, mas possível.
    Há tantas versões que se desfiarmos todas aqui, não caberiam no servidor da Internet. A verdade é que há muito mais coisas no ar do que aviões de carreira, diria o gaúcho Barão de Itararé.
    Quem morre de rir destas trapalhadas é a presidente afastada Dilma Rousseff. Embora saiba que estes fatos não influem no resultado da votação deu impeachment no Senado.
    Sua tropa parlamentar tem se mostrado muito limitada, não conseguindo ir além de um discurso considerado simplório. Como comentou um velho comunista veterano deste tipo de embates, relembrando a origem desses debatedores: “é nível secundarista”.
    Nas ruas, nas assembleias, nos espaços públicos em que pode se manifestar, Dilma se aproveita para, como fizeram com ela os tempos em que tinha as mãos atadas pelo cargo, fazer sangrar o governo golpista. Como diz o provérbio sueco: “a espada das mulheres está na boca delas”.

  • Liminar suspende reintegração de posse da Ocupação Lanceiros Negros

    felipe uhr
    “Pisa ligeiro, pisa ligeiro… Quem não pode com a formiga, não atiça o formigueiro!” era o canto entoado, pouco antes das 7:30 da manhã, por manifestantes que apoiavam a ocupação Lanceiros Negros, enquanto a tropa de choque da Brigada Militar se retirava, após receber liminar que suspendia a reintegração de posse do prédio.

     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    A ordem foi concedida pelo Jorge Luis Dall’agnol e tem efeito suspensivo por tempo indeterminado.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    A área estava interditada pela Brigada Militar desde às 22:30 e começou a agir pelas 5h da manhã, esperando o mandado de reintegração. Pouco depois das 6h30, advogados e representantes da Defensoria Pública obtiveram a liminar que demorou um tempo a chegar às mãos do Comandante da BM que em seguida recuou.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Com isso a ocupação segue sendo habitação de 70 famílias que, por não terem para onde ir, desde novembro moram no prédio do Ministério Público, abandonado havia 12 anos.

  • Lanceiros Negros: BM interdita área e reintegração de posse será pela manhã

    felipe uhr
    A área foi interditada por volta das 22h30 desta segunda-feira. Entre a rua Riachuelo e Andrade Neves só entram moradores, convidados e funcionários dos prédios ao redor de onde é a ocupação Lanceiros Negros, na rua General Câmara em Porto Alegre.
    Durante o dia, circulou aviso de que as ruas seriam bloqueadas a partir das sete horas de terça-feira, distribuído entre os condomínios. Com a divulgação, a Brigada antecipou a ação e impediu o acesso de carros e pessoas. O prédio onde é a Ocupação está isolado: ninguém entra, ninguém sai. Sem acesso ao lugar a equipe do JÁ segue nas imediações acompanhando o caso.
    Desde novembro, cerca de 70 famílias ocupam o prédio abandonado há 12 anos, que pertence ao Ministério Público. São pessoas que saíram de zonas do tráfico, vilas ou foram desapropriadas de suas casas e não tinham para onde ir.
    De dentro da ocupação a resistência é preparada. Moradores do entorno e pessoas solidárias a causa não param de chegar em protesto a reintegração de posse.

  • "Mais uma vez a expectativa dos professores foi frustrada"

    Higino Barros
    Convocada pelo governo estadual, a reunião entre o Comando de Greve do Cpers e representantes do governo Sartori, terminou sem resultado prático, na tarde desta segunda-feira.
    A reunião, realizada na Secretaria da Educação, durou 90 minutos e teve a participação do secretário da Educação, Vieira da Cunha, que retornou de férias, e do secretário-adjunto da Fazenda, Luiz Antônio Bins.
    “Mais uma vez a expectativa dos professores foi frustrada. Esperávamos a presença do secretário da Fazenda, com propostas concretas no papel e ele não compareceu e seu representante só reafirmou que o governo não tem dinheiro para conceder aumento”, explicou a presidente do Cpers/Sindicato, Helenir Schürer.
    A greve do professores da rede pública estadual completou uma semana nessa segunda-feira.
    Além da pauta financeira, os professores cobraram do governo estadual, sem serem atendidos, a retirada de projeto de lei que autoriza a participação de organizações sociais no ambiente escolar.
    Para os professores, tal projeto é um facilitador da privatização do ensino público.
    Ficou marcada nova reunião entre as duas partes no próximo dia 31 de maio. Até lá, a greve prossegue, com o crescimento na adesão ao movimento e na ocupação das escolas, por parte dos alunos.