Os estudantes que ocupam a Instituto de Educação General Flores da Cunha, em Porto Alegre, aderiram ao movimento grevista dos professores e profissionais de educação e garantiram que só desocuparão a escola depois de terem todas suas reivindicações atendidas. O grupo lançou um comunicado oficial na noite desta quinta-feira.
Os principais ítens da pauta da ocupação do IE são o atraso no repasse das verbas de autonomia financeira das escolas, a privatização do sistema de ensino público, o parcelamento dos salários dos professores e falta de segurança nos arredores da escola.
Os alunos questionam ainda o modelo de organização interna das escolas, que, segundo eles, não permite o diálogo com o todo da comunidade escolar na tomada de decisões. “Isso se traduz em um sistema escolar que não vê o aluno como cidadão e/ou atuante politico”, diz o texto.
Já são mais de 100 escolas ocupadas no Rio Grande do Sul, segundo a página do facebook Ocupa Tudo RS.
Confira a íntegra do comunicado:
COMUNICADO OFICIAL.
Nós, alunos do Instituto de Educação General Flores da Cunha,que diante da conjuntura de desmonte e flagelo da educação pública no estado e no país, decidimos por aderir a greve dos profissionais em educação apresentaremos por meio deste manifesto as pautas que levaram à ocupação.
Atentamos sobre os fatores mais prejudiciais ao ensino público e, especificamente, ao Instituto de Educação os seguintes problemas:
I O atraso na renda de autonomia financeira da escola;
II O processo de privatização do sistema de ensino publico;
III O parcelamento dos salários dos professores e a falta de segurança nos arredores da escola.
Justificativa:
O atraso na verba de autonomia às escolas fere o bem-estar dos alunos, pois ocasiona, por exemplo, a falta de materiais básicos de higiene e a precarização da merenda. Esses fatores influenciam diretamente na área pedagógica, visto que os alunos estão sendo privados de condições essenciais no funcionamento de uma instituição de ensino.
A PL 44/16 concede, tanto a pessoas físicas quanto às empresas, a divulgação de seus produtos dentro do ambiente escolar, desde que estes mantenham o funcionamento da escola. Desta forma, mercantiliza o ensino ao tratar o estudante como moeda de troca para fins publicitários.
Tememos, também, que essa parceria entre público/privado permita que as empresas influenciem nos fazeres pedagógicos dos professores, como ocorreu no Chile, lesando a liberdade de aprendizagem do aluno.
Entendemos o parcelamento dos salários dos funcionários públicos como um desrespeito absurdo com os professores, pois esses são o alicerce do sistema educacional e devem, por direito, serem remunerados adequadamente. A falta de segurança nos arredores do Instituto de Educação é um problema que incide sobre a escola há muitos anos: os constantes assaltos e assédios na região prejudicam a chegada e partida diária dos alunos da escola, pois estes, muitas vezes crianças, ficam totalmente a mercê da violência.
Portanto, ocupamos o Instituto em decorrência do cansaço diário destes desrespeitos do governo para com o ensino. Questionamos, também, o tipo de organização interna nas escolas, que não permite o dialogo com o resto da comunidade escolar quanto às tomadas de decisões. Isso se traduz em um sistema escolar que não vê o aluno como cidadão e/ou atuante politico.
Ansiamos por uma mudança profunda na sociedade e, para isso, a educação precisa ser qualificada imediatamente. Sendo assim, é por respeito à educação e ao Instituto de Educação General Flores da Cunha que tornamos oficial a ocupação dos alunos!
Para amparar os mesmos promoveremos, no ambiente ocupado, atividades educacionais como oficinas, palestras, debates e aulas preparatórias voltadas ao ENEM e vestibular. Esclareceremos já que a manifestação só será suspensa quando todas nossas pautas forem cumpridas!
Autor: da Redação
Ocupação do IE lança manifesto em apoio à greve dos professores
Docentes da UFRGS solidários com professores em greve
HIGINO BARROS
Uma das principais e mais representativas entidades de classe do Rio Grande do Sul, a Associação dos Docentes da UFRGS (ADufrgs), lançou nessa quinta-feira, uma Nota de Solidariedade aos professores da rede pública estadual, em greve iniciada no último dia 16 e aprovada em assembleia geral da categoria. No documento, a ADufrgs diz que “é solidária à luta dos colegas professores da Rede Estadual de Ensino e se coloca à disposição para auxiliá-los nesta empreitada ao mesmo tempo em que apela ao Senhor Governador do Estado para que tenha presteza no atendimento dos justos pleitos apresentados pelos docentes” (leia a íntegra abaixo)
Ao mesmo tempo, cresce o movimento de paralisação por parte dos professores e a ocupação nas escolas, principalmente no interior, ao contrário do que afirmam os representantes do governo estadual.
Em Três de Maio, por exemplo, a adesão é de quase 100%. Apenas uma escola ainda não aderiu a greve.
Em Santa Cruz, ocorreu também intensa mobilização com público de mais de mil pessoas percorrendo as ruas centrais da cidade.
Em Porto Alegre, o Comitê de Apoio aos alunos das escola ocupadas, criado pelo Cpers tem percorrido os estabelecimentos, reforçando essa aproximação e representantes da área cultural, como o cineasta Otto Guerra, o cantor Nei Lisboa, e o poeta Mário Poeta, juntaram-se aos alunos, prestando solidariedade, fazendo oficinas e divulgando a mobilização dos estudantes.
ADufrgs divulga Nota de Solidariedade aos Professores Estaduais do RS
Mais uma vez os professores estaduais se encontram em greve. Deflagrada na última sexta-feira, dia 13 de maio, tendo seu início marcado para o dia 16, não surpreendeu os gaúchos.
Destacam-se, neste movimento, as motivações para tal paralisação que, indiscutivelmente é prejudicial aos alunos, à sociedade e aos próprios docentes.
Os professores apresentam na sua pauta, reivindicações históricas. Algumas que se destacam pelo absurdo: trabalhadores querem ganhar aquilo que a lei determina. Professores querem receber seus salários no dia certo e de forma integral. Não fosse verdade pareceria piada.
Pode alguém trabalhar e receber menos daquilo que é definido em Lei? Pode alguém trabalhar e não receber em dia e de forma integral? Acrescente-se a isso o fato de que o pagador (devedor) é o próprio Estado que tem por obrigação observar as leis.
Temos também as questões relativas às condições das escolas. Fisicamente deterioradas, carentes de infraestrutura e de equipamentos escolares adequados ao momento histórico de desenvolvimento tecnológico. Carentes igualmente de recursos humanos e de mecanismos permanentes de formação continuada de seus professores.
O que assistimos não é um retrocesso, é a resistência de todos os governos, ao longo da história, em tornar real a bandeira de que efetivamente a educação é central para a superação desta e de todas as crises.
Os constantes discursos da primazia da educação, os inúmeros exemplos de países que superaram seu subdesenvolvimento investindo maciçamente em educação, parecem não encontrar guarida junto àqueles que têm a responsabilidade com o investimento neste direito. A educação constitui-se em insumo capaz de impulsionar a sociedade a desenvolver-se e emancipar os seus cidadãos.
Não basta mais garantir em Lei, não se mostra suficiente aprovar um Plano Nacional de Educação. Torna-se necessário que a sociedade tome para si a tarefa de defender a educação como patrimônio seu. Cabe ao Governo do Estado, de forma ágil, criar os espaços de negociação com os professores, de forma pública e transparente, apontando como pretende resolver a crise. O que é prioridade para a sociedade tem que ser prioridade para o governante.
A Diretoria da ADUFRGS-Sindical (Sindicato Intermunicipal dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior do Rio Grande do Sul) é solidária à luta dos colegas professores da Rede Estadual de Ensino e se coloca à disposição para auxiliá-los nesta empreitada ao mesmo tempo em que apela ao Senhor Governador do Estado para que tenha presteza no atendimento dos justos pleitos apresentados pelos docentes.Milhares de jovens se reúnem em mais um ato contra Temer
FELIPE UHR
Ao final da manifestação um dos organizadores falou em 30 mil pessoas, a Brigada não fez estimativas. Com certeza, eram mais de 15 mil de pessoas, a maioria jovens, que marcharam na noite desta quinta-feira pelo centro de Porto Alegre contra o governo Temer.
O ato começou, na esquina democrática. Aos poucos de todos os lados manifestantes iam chegando. Faixas e bandeiras dos movimentos jovens como Levante Popular da Juventude, Brasil Popular entre outros começaram a caracterizar o ambiente.
Os cantos contra o presidente interino começaram antes mesmo do deslocamento. Um pouco antes das 19h os manifestantes começaram a caminhar.
Uma grande faixa com os dizeres “Fora Temer” e “Cunha na Cadeia” era levada na frente. Atrás caixões com os escritos “SUS” “Fies” “Cultura” “Direito das mulheres” eram carregados junto a bonecos de Temer, Cunha e Sartori.
O primeiro ponto foi a praça da Matriz. Em frente do Palácio do Governo e Assembleia Legislativa, bonecos de Temer, Sartori e Cunha foram queimados.
Logo após o grupo deu uma volta na Praça da Matriz formando um verdadeiro cordão humano ao redor de toda a Matriz. O rumo seguinte foi a avenida João Pessoa. Somente ali se teve uma ideia da quantidade grande de gente que participava do protesto.
Grupos de apoio à cultura, a ocupação, aos artistas de rua, aos direitos das mulheres, todos eles presentes no ato. “Vem pra rua vem, é contra o Temer” ou “Temer, ladrão, teu lugar é na prisão” eram os dizeres mais cantados.
O protesto acabou no Largo Zumbi dos Palmares. Ás 20h30 horário que o manifesto chegou no local, foi negociada mais meia hora para que todos ainda ocupassem a avenida Loureiro da Silva sem intervenção da Brigada. Mas o bloqueio só aconteceu por volta das 22h, quando já não havia mais ninguém.
O ato foi tranquilo, e sem maiores incidentes. Um pequeno grupo persistiu depois que a grande maioria já havia dispersado, e até tentou um confronto sem sucesso já que de longe a Brigada observava tudo sem dar bola. Durante o trajeto lixeiras, postes e muros foram pichados por manifestantes encapuzados, assim como a sede estadual do PMDB, localizado na avenida João Pessoa.
Ao final do protesto, o Tentene Coronel da Brigada, Mário Ikeda classificou o manifesto como pacífico.A noite fria em um colégio ocupado
ramiro furquim

| Ramiro Furquim/Jornal Já
Era meia-noite. Havia o temor de que a Brigada invadisse o local e barricadas foram feitas com classes, cadeiras e até um banco de concreto: “A gente sabe que é muito fácil entrar e passar pelas cadeiras, mas é mais pra marcar nossa resistência do que para evitar uma invasão”, diz o presidente do Grêmio Estudantil, Sérgio Campos, 17 anos, do segundo ano do Médio.
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já
É a ocupação do Colégio Paula Soares, em Porto Alegre, a 200 metros do palácio do governo do Estado.
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
2016.05.18 – Porto Alegre/RS/Brasil – Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já 
Janta na medida pra todo esse pessoal | Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já
O cardápio da janta é lasanha, arroz, feijão requentado, cenoura ralada e suco de uva artificial em canecas de inox. A trilha sonora é Beyoncé. A lasanha foi feita no olhômetro. Ninguém sabe a medida. Mas a forma tinha quase um metro quadrado. Também teve sobremesa. Salada de frutas com maçã, mamão e banana.
Do portão, não passa mais ninguém não identificado | Ramiro Furquim/Jornal Já
A gurizada fala com muita convicção sobre o movimento. O prédio está muito mal cuidado. Em dias de chuva, os corredores ficam cheios d’água que escorre pelas paredes. A Direção já orçou reforma no telhado e pintura e elétrica. Há bastante tempo a escola segue com essas mesmas defasagens.
Paredes do Paula Soares | Ramiro Furquim/Jornal Já 
Olhar para cima sempre revela alguma coisa | Ramiro Furquim/Jornal Já 
Corredor | Ramiro Furquim/Jornal Já
Comentam a velocidade do aumento do número de escolas ocupadas. “Qualquer agressão que se faça aqui [no Paula Soares] vai ser um tiro no pé”, conversam debaixo do abrigo do portão principal. Os trajes são cobertas e capuzes. O frio aperta mais e mais.
Hall do Collégio | Ramiro Furquim/Jornal Já
Sete graus marca o aplicativo Tempo para Porto Alegre. A sensação é de temperatura bem mais baixa, mesmo agasalhado e dentro do prédio. O improvável silêncio se sucedeu após às três da manhã. Quase todos dormem.
Limpeza | Ramiro Furquim/Jornal Já
A guarda no portão e na central de câmeras segue acordada.
As noites frias não são problema maior que os problemas na escola | Ramiro Furquim/Jornal Já
O motivo: uma mãe chegou no portão e não conseguiu contato. Ficou nervosa e chamou a Brigada, que apareceu e causou pequeno susto ao adentrar com rispidez. Havia representante na diretoria e tudo acabou resolvido, contam.
Sono | Ramiro Furquim/Jornal Já
Gongo das seis
Tem gongo e megafone como despertadores | Ramiro Furquim/Jornal Já
O dia nasce, sem sol. Tem café, leite e achocolatado. O pão parece ter sido contado, mas tem margarina e chimia. Há também bergamota. Surge um chimarrão e bastante descontração, só quebrada porque um dos alunos está com um mal estar. A rotina recomeça.
Aguardando o café da manhã | Ramiro Furquim/Jornal Já
Novos cartazes são feitos e oficinas abrem o campo da percepção sobre o que se aborda numa sala de aula. O temor inicial de invasão já não existe mais. Já passou a quinta noite de um movimento que só acabará quando os estudantes quiserem.
Sala de aula | Ramiro Furquim/Jornal Já 
Higiene | Ramiro Furquim/Jornal Já 
Cartazes | Ramiro Furquim/Jornal Já 
Cartazes | Ramiro Furquim/Jornal Já 
Cartazes na parede | Ramiro Furquim/Jornal Já 
Oficinas e empoderamento | Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já Vereadores alteram regimento interno para votações passarem na TV
Os vereadores de Porto Alegre aprovaram na tarde desta quarta-feira o Projeto de Resolução 007/16. O projeto, proposto pela mesa diretora da casa, altera o regimento interno, invertendo as sessões de quarta e quinta-feira. As votações, que ocorriam nas segundas e quartas, passam a ocorrer segundas e quintas.
A alteração ocorre em função da divisão do espaço da TV Câmara com a Assembleia Legislativa. A TV transmite as sessões da Câmara nas segundas e quintas-feiras.
As quartas-feiras ficam, assim, destinadas para ao debate de temas de importância para o Município, não havendo votações nesse dia.
No projeto, o vereador Cássio Trogildo, presidente da Câmara, alega que “a transferência das votações de quarta para quinta-feira permitirá o acompanhamento direto dos debates acerca dos projetos em apreciação pela comunidade.”
O plenário aprovou também o PR 009/16, que altera os requisitos para protocolização de projetos de Diploma Honra ao Mérito, concedendo a apresentação de quatro dessas distinções durante a legislatura. O objetivo é garantir a isonomia na concessão entre os vereadores e, assim, evitar o prejuízo por mera perda de prazo para a protocolização da proposta.Artistas organizam protesto contra restrições à arte de rua
Artistas e entidades vão se reunir nesta sexta-feira, para esclarecer a minuta de decreto que regulamenta eventos de rua em Porto Alegre.
O vazamento do documento, que foi distribuído pelo gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo às secretarias municipais, gerou muita críticas entre os artistas.
Eles vêem o texto como uma reedição ampliada de outra proposta, distribuída pelo gabinete do vice-prefeito, em agosto de 2015, que regulamentava a Lei dos Artistas de Rua (Lei 11.586 de 2014).
A reunião será a partir das 18h, na sala 302 da Câmara Municipa, para “discutir a mobilização e articulação do movimento”.
Um evento no facebook foi criado pela página Arteiros da Rua – POA e até as 17h30 desta quinta já contava com mais de 460 confirmações.
No ano passado, em resposta àquela minuta, o movimento organizou um cortejo de artistas. Houve também uma audiência pública, que contou com a presença do então secretário-adjunto municipal de Cultura, Vinicius Cáurio.
Estão confirmadas as presenças de diversos artistas de rua, Eber Marzullo, professor de Urbanismo da UFRGS, IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil), Simpa (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre), AssoM-CB (Associação dos Músicos da Cidade Baixa).
A reunião é aberta.EPTC vai investigar servidores suspeitos de trabalharem para Uber
O aplicativo Uber começou a funcionar em Porto Alegre em novembro de 2015. A Prefeitura se apressou em declarar que a operação da empresa era clandestino na cidade.
A multa prevista para os motoristas que trabalham através do aplicativo é de aproximadamente R$ 7 mil, além do recolhimento do veículos. Até agora, foram recolhidos 58 carros.
A EPTC chegou a admitir a possibilidade de organizar armadilhas para pegar os motoristas da Uber.
Agora imagine a cena: a equipe está de prontidão para armar o flagrante e quando dá o bote, o motorista pirata é um colega, fazendo bico na folga.
O diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação, Vanderlei Cappellari, afirmou nesta quinta-feira, 19, que a empresa vai investigar sete agentes de trânsito suspeitos de trabalharem para a Uber. Se ficar comprovada a suspeita, os servidores serão exonerados.
Cappellari disse também que solicitou o cadastro dos motoristas da empresa pessoalmente ao diretor de Políticas Públicas da Uber, Daniel Mangabeira, que se comprometeu a fornecer as informações.
Atualmente, a Câmara Municipal de Porto Alegre discute o projeto de regulamentação do serviço de transporte individual por meio de aplicativo, semelhantes ao Uber, entregue na última segunda-feira, 16, pelo Prefeito José Fortunati.Raul Pont : "Temos experiência e competência para governar a cidade"
O ex-prefeito e ex-deputado Raul Pont concorrerá à Prefeitura de Porto Alegre nas eleições de outubro, pela legenda do PT.
O anúncio foi oficializado nesta quinta-feira pelo presidente estadual do partido, Ary Vanazzi . Pelo telefone, Raul falou ao jornal Já: “Agora temos de conversar com possíveis aliados e na convenção Municipal confirmar a candidatura” afirmou.
Dentre os possíveis aliados, o PC do B surge como o principal aliado a indicar o vice em uma composição de chapa. Este cenário se tornou possível desde que o principal nome do partido comunista, Manuela D’Ávila anunciou que está fora da disputa esse ano.
Uma eventual conversa com o PDT, partido que a nível nacional esteve do lado do governo Dilma, não está descartada.
Apesar da crise do partido do trabalhadores, Raul acredita em uma grande eleição. “Temos experiência e competência, já mostramos isso nos nossos governos aqui” afirmou.
Para ele a cidade está muito mal administrada. “Obras atrasadas, baixo investimento e a perda de qualidade dos serviços” são alguns dos problemas que a cidade atravessa.
O atual cenário nacional também não deve sair da pauta. Para Pont, os debates eleitorais serão em cima do “golpe e da ilegitimidade desse atual governo”.
“OP virou Simulacro”
O pré-candidato ainda falou sobre o orçamento participativo, grande marca das administrações petistas em Porto Alegre e que se manteve até hoje mas que para Raul existe apenas simbolicamente.
Pont alega que os orçamentos baixaram, os recursos são miseráveis e que hoje é uma mera peça retórica.
Por fim ele afirmou que buscará no diálogo com os movimentos sociais, CUT e CTB, e principalmente na juventude para construir uma campanha vitoriosa. “Não vamos apenas pra marcar posição, viemos pra ganhar”Queimando as pontes
PINHEIRO DO VALE
A presidente afastada Dilma Rousseff fez sua primeira aparição pública, na quarta feira, deixando-se fotografar no Palácio da Alvorada à frente de uma tela de computador comunicando-se pelas redes sociais.
Não se ouviu sua voz nem se leu o conteúdo de suas mensagens.
Não seria esse um bom dia para dar o troco a seus algozes, pois o carteiro levara, há pouco, um ofício expedido pela ministra Rosa Webber, do Supremo Tribunal Federal, pedindo que a “presidenta” se explicasse sobre o que ela quer dizer com “golpe”.
Devido a esse discurso desqualificando o ritual do afastamento, Dilma estaria criando mais uma aresta a lhe dificultar o caminho de volta para o Palácio do Planalto.
Como disse o ex-governador e senador paranaense, Roberto Requião, a presidente afastada está queimando as pontes.
Seus assessores que ainda têm voz, cuidadosamente ponderam que ela deve preservar o que sobrou da debacle. O Supremo é uma possibilidade longínqua, mas é uma luz no fim do túnel.
Isto não quer dizer que o tribunal vá lhe devolver diretamente a cadeira, mas dali pode sair uma fresta estreita que sirva para botar o pé lhe abrindo a porta do gabinete do terceiro andar.
Em breve, talvez na semana que vem, pode estar chegando à praia uma primeira onda do esperado tsunami da Lava Jato, com o julgamento do recurso do presidente da Câmara , Eduardo Cunha, pedindo sua reintegração na Câmara e, por conseguinte, na presidência da Casa.
Uma sentença negativa a Cunha pode ser a porteira aberta para que o ministro Teori Zavaski dispare os primeiros mandatos na orbita do foro privilegiado, pegando a turma que ficou sob sua jurisdição. Aí pode se dar o estouro da boiada.
Os observadores, em Brasília, estimam que devam ocorrer mais de 200 prisões. Esse maremoto levará por diante tudo o que sobrou.
Se conseguir surfar esta onda gigantesca, Dilma poderá chegar à praia e, mesmo arranhada e com algum membro quebrado, voltar a seu lugar. É um fio de esperança.
A tática é que ela fique quieta sem provocar marolas antecipadas, porque a onda grande está quase chegando.
Neste momento, o aconselhável é deixar o embate verbal para sua tropa de choque no Congresso. Neste particular, é interessante observar os discursos exibidos pelas tevês da Câmara e Senado.
Quem vem acompanhando desde antes do impeachment fica com a sensação de que não pode crer nos seus próprios ouvidos.
Os discursos têm os mesmos conteúdos de antes, apenas trocaram-se os oradores. A antiga bancada governista diz o que falavam os opositores e vice versa. Para uns a crise vem das antigas culpas; para os outros os programas sociais são obra do novo governo.
E assim vai. O novo governo já lançou seu bordão: “abrir a caixa preta”. Isto, no dizer dos assessores de Michel Temer, vai bater diretamente em entidades (ONGs) que têm convênios com o governo federal e que não prestaram contas.
Só no Ministério do Planejamento havia mais de 20 mil projetos em exigência, isto é, em dívida. Isto se refere a pequenas organizações tão minúsculas que não têm condições técnicas para cumprir as intrincadas exigências pra prestação de contas da burocracia do serviço público.
Com isto, ficaram vulneráveis, impossibilitadas de receber novos aportes ou, mesmo, de se apropriar de recursos já aprovados.
Uma dessas “caixas pretas” seria o Ministério da Cultura, onde artistas e promotores culturais captaram pequenas quantias, irrelevantes, e ficaram com suas contas pendentes.
Além disso, há milhares de outros projetos que embora aprovados, estão em exigências burocráticas, esperando para receber o dinheiro.
Entretanto, muitos desses projetos já fizeram despesas e ainda não puderam pagar seus fornecedores, deixando os promotores com dívidas reais no comércio. É uma situação angustiante.
Segundo informações extraoficiais, o presidente interino teria dito que liberaria 200 milhões de reais para cobrir esse rombo. Essa promessa poderia acalmar protestos que se espalham pelo país, com ocupação de dependências do Ministério da Cultura.
Neste particular, o novo governo assustou-se com a reação da classe artística. Mexer com os famosos, mesmo pequenos saltimbancos, é cutucar uma casa de marimbondos. Michel Temer quer se livrar rapidamente desse incômodo.
No entanto, não conseguiu recuar, como ensaiou, recriando o Ministério da Cultura, como chegou a fazer e voltou atrás duas vezes.
O plano de seus gestores é levar o setor de volta para o Ministério da Educação, mesmo que seja por um tempo limitado, para desmontar a bomba relógio que foi ativada com a atabalhoada providência de simplesmente dar um canetaço num espaço tão sensível.
Com menor impacto, mas tão incômodo quanto o MinC, foi a intervenção na EBC, a empresa Brasileira de Comunicação.
Ali está a TV Brasil, uma emissora regida por um estatuto especial e gerida por um conselho integrado por segmentos da sociedade civil. É outro vespeiro.
Neste caso, porém, ressalva-se a Agência Brasil, uma agência de notícias do governo com grande aceitação no mercado. Esta empresa é, em milhares de casos, a única fonte de material jornalístico de pequenos e médios jornais das cidades brasileiras. Este segmento não estaria ameaçado.
Sua redação é comandada por um jornalista do mercado, o gaúcho Paulo Totti, veterano das mais categorizadas redações da história da Imprensa dos anos 1950 para cá.
Ali se produz um noticiário isento, informativo, que atende a toda a demanda de informações especificas sobre regiões e segmentos da administração, que estão além do foco da chamada grande imprensa, comprometida com noticiário de interesse dos grandes centros urbanos onde os jornais e tevês têm seus mercados principais.
A EBC pode escapar da caça às bruxas.Maior colégio estadual do RS completa uma semana de ocupação
Matheus Chaparini
A ocupação do maior colégio estadual do Rio Grande do Sul já dura uma semana. Os estudantes do Júlio de Castilhos estão na escola desde quinta-feira passada, 12. O movimento começou como uma ocupação de 24 horas, mas o grupo decidiu em assembleia pela permanência.
Um grupo de cerca de 30 pessoas dorme na escola todas as noites. Durante o dia o grupo cresce.
As principais reivindicações do movimento são contra a PL 44, criticada como privatização do ensino; a precariedade da estrutura do colégio, que apresenta goteiras em várias salas do terceiro andar; e o programa Escola Sem Partido, “tira qualquer direito nosso de debater alguns assuntos polêmicos, justamente no colégio, que é onde a gente cria opinião”, explica a estudante Nicole Schilling.
Nicole, que faz parte do Grêmio de Julinho, conta que a inspiração veio das ocupações escolares de outros estados, principalmente São Paulo. “A gente vinha acompanhando as ocupas de São Paulo, daí alguém lançou a ideia no grupo do face e a gente foi se organizando”, explica Nicole.
Nicole diz que a organização foi difícil no começo, mas teve grandes avanços | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
A assembleia é o órgão supremo de decisão da ocupa. As cadeiras permanecem constantemente postadas em roda no saguão da escola. Várias vezes ao longo do dia, conforme surgem questões a serem debatidas ou problemas a serem resolvidos, o grupo convoca uma reunião geral.
As tarefas são divididas entre as comissões: Segurança, Cozinha, Comunicação, Cartazes. As funções são identificadas por faixas com cores diferentes que os integrantes trazem amarradas nos braços.
As decisões são tomadas em assembleia | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
Os estudantes se revezam em turnos de 6 horas. Os estudantes controlam quase toda a escola, as refeições – café da manhã, almoço e janta – são preparadas no refeitório e a porta é guardada pela equipe da segurança. O acesso à escola é fechado à meia noite e reaberto às 6h30, pois alguns ocupantes precisam sair para trabalhar.
Eles garantem que estudantes, professores, direção e visitantes em geral podem entrar, mas todos precisam se identificar. Na entrada, nome, RG e telefone são solicitados. “Se não se identificar não entra, porque a gente não pode deixar entrar qualquer pessoa. É uma questão de segurança”, explica Nicole.
Escola ocupada tem aulas e atividades culturais
Para o próximo sábado está prevista uma atividade da Frente Quilombola | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
Na escola ocupada e com greve dos professores, as aulas normais estão suspensas. Entretanto, professores da UFRGS, do próprio Julinho e de outras escolas se ofereceram para dar aulas e promover debates na ocupação. Além dos conteúdos do currículo escolar, os temas são educação, política, feminismo, entre outros.
O grupo de teatro Levanta Favela também se apresentou na escola esta semana. Para o próximo sábado, 21, está prevista uma atividade com a Frente Quilombola.
Senac e UFRGS utilizam salas do julinho
Nas noites do colégio Julio de Castilhos, os integrantes da ocupação se acostumaram a conviver com vizinhos, muitos nem sabiam que dividiam o espaço. Há cerca de dois anos, alunos da UFRGS têm aulas à noite em salas do Julinho. Um estudante de Administração que chegava para a aula explicou: “O prédio estava caindo, daí nos mandaram pra cá.”
Além da universidade, o Senac também utiliza as salas do colégio. Em assembleia, os alunos de Julinho decidiram que a entrada destes alunos será permitida normalmente.
Ocupação já dura uma semana e não tem prazo para acabar | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
Brigada Militar e Polícia Civil estiveram na ocupação
A necessidade de identificação na entrada gerou um conflito no último sábado. Um integrante da banda marcial do colégio entrou na ocupação sem se identificar. Os estudantes queriam que ele desse seus dados antes de ir embora, mas ele se recusara. Diante do impasse, o homem chamou a polícia.
A Brigada Militar foi até o local e chegou a passar do primeiro portão, em um momento de distração dos “porteiros”. Os estudantes se apressaram em fechar a porta de vidro, que dá acesso ao saguão, e o incidente foi resolvido na escadaria.
A Polícia Civil também deu as caras na ocupação do Julinho, no segundo dia.. Os estudantes contam que o portão estava aberto e dois homens à paisana entraram. Quando já estavam no saguão, eles se identificaram como policiais civis. A alegação era de uma denúncia de tráfico de drogas ao lado da escola. Os integrantes da ocupação contam que conversaram com os agentes, que desistiram de entrar nas dependências do colégio.






























