Autor: da Redação

  • Estudantes que ocupam o IE vão lançar manifesto nesta quinta

    Alunos do Instituto de Educação fazem assembleias a todo momento | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Alunos do Instituto de Educação fazem assembleias a todo momento | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Um grupo de estudantes ocupou o Instituto de Educação General Flores da Cunha na tarde desta quarta-feira. A ocupação foi deflagrada por volta das 13h. No final da tarde, os estudantes, junto com alguns pais e professores que apoiam a ocupação realizaram uma assembleia. Ficou decidido que um manifesto será lançado em 24h. Até lá, só entra quem é da ocupação.
    “A gente vai abrir mais adiante, mas neste primeiro dia a gente vai se organizar internamente”, explica o estudante Frederico Restori. O grupo recebe apoio de integrantes de outras ocupações, muito deles ex-alunos do IE.
    Estudante Frederico Restori | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Estudante Frederico Restori | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Atualmente o colégio está em obras. No início deste ano, o prédio histórico iniciou a primeira restauração em 81 anos. As obras iniciaram pelo ginásio, que estava interditado há mais de dez anos, por problemas no teto que acabaram por apodrecer o piso. A previsão é que as obras fiquem prontas em até a metade de 2017.
    Em função da reforma, os alunos serão transferidos para outras escolas no segundo semestre. O Instituto de Educação General Flores da Cunha tem 1600 alunos.
    Equipe da SEC visita as ocupações
    Uma equipe da Secretaria Estadual de Educação chegou em torno das 18h, enquanto acontecia a reunião. O grupo debateu internamente e decidiu não permitir a entrada na comitiva da secretaria.
    Titular da 1ª Coordenadoria de Educação da Seduc Jurema Garzella | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Titular da 1ª Coordenadoria de Educação da Seduc Jurema Garzella | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Desde o primeiro dia de ocupação, um grupo da secretaria faz visitas, de escola em escola. Até o final da tarde desta quarta-feira, já haviam conversado com 12 ocupações. Jurema Garzella, Coordenadora de Educação da 1ª Coordenadoria, responsável pelas 258 escolas estaduais, garante que a intenção não é reprimir, mas orientar. “Queremos saber o porquê, ver a pauta deles. Tem escolas que a gente vai e eles falam as necessidades, outras estão em melhores condições e ocupam em apoio”, explica Jurema.
    As ocupações aumentam a cada momento, já são mais de 80 em todo o estado. A página Ocupa tudo RS no facebook está fazendo a atualização do número de escolas ocupadas.

  • Cpers cria Comitê para apoiar alunos de escolas ocupadas

    Higino Barros
    O Comando de Greve do Cpers/ Sindicato passou a quarta-feira intensificando os contatos com os professores em favor greve da rede pública estadual. Além disso,  criou o Comitê de Apoio às Ocupações das Escolas, formado por seis professores, cuja responsabilidade é integrar à rede de apoio e solidariedade, colher doações e atuar para a solução das demandas das escolas ocupadas.
    O crescimento das escolas ocupadas pelos alunos ocorreu principalmente no interior do Estado, indicando também uma adesão maior dos professores ao movimento de paralisação. Nessa quarta- feira, um dos estabelecimentos mais tradicionais de Porto Alegre, o Instituto da Educação, foi ocupado pelos estudantes.
    Oficina foi oferecida no Paula Soares
    Hoje também o cineasta Otto Guerra, simpatizante da causa dos estudantes, ministrou uma oficina de animação aos alunos do Colégio Paula Soares, ocupado desde o último dia 14. Os estudantes das escolas ocupadas têm realizado atividades extra escolares, com apoio de professores e pais. Foram organizadas comissões para limpeza , de alimentação, de atividades culturais e sociais, de arrecadação de doações, entre outras.
     

  • Número de escolas ocupadas dobra em 24 horas

    O movimento estudantil de ocupações nas escolas, deflagrado a partir do Colégio Emílio Massot, na quarta-feira passada, 11, não para de aumentar. No final da tarde desta terça, 17, eram 42 escolas ocupadas em todo o Estado, segundo o Ocupa Tudo RS, página do facebook que contabiliza as adesões ao movimento. Hoje o número já chega a 83 ocupações espalhadas por todo o Rio Grande do Sul..
    Na noite da terça, a Secretaria Estadual da Educação lançou uma nota oficial sobre as ocupações. A secretaria informou também, por meio de sua assessoria, que buscará ouvir as reivindicações dos alunos por meio das Coordenadorias Regionais e diretorias dos colégios. O secretário em exercício, Luís Antônio Alcoba de Freitas, já visitou pelo menos 3 escolas onde ouviu pessoalmente os relatos dos alunos.
    Secretario Vieira da Cunha, de férias, retorna na segunda-feira
    No dia 9 de maio o Secretário Vieira da Cunha ingressou em férias. Pouco dias depois, começaram as ocupações nas escolas. Desde então, circulou um boato que Vieira já teria pedido demissão do cargo e nem retornaria das férias. Secretaria e Governo negam tal episódio. Não foi solicitado nenhuma saída. Vieira da cunha retorna na próxima segunda-feira de um viagem a Europa de onde acompanha as notícias das ocupações e greve dos professores através de mensagens de assessores.
    Confira na íntegra a nota oficial da Secretaria da Educação, a respeito das ocupações:

    Nota oficial sobre ocupação de escolas estaduais

    1. Desde a primeira ocupação, a Secretaria da Educação tem buscado o diálogo com as direções e os alunos, para conhecer a pauta de reivindicações. Na maioria das vezes, trata-se de justas contribuições ao processo de melhoria da qualidade da educação pública. As demandas apresentadas são atendidas na medida do possível.
    2. As mobilizações estudantis não serão tratadas como caso de polícia, e sim como uma pauta da área da Educação, na qual se pretende contar também com o auxílio de pais e familiares dos estudantes para se chegar ao consenso.
    3. Cabe ao Estado preservar a ordem, a liberdade e a integridade das pessoas.O acesso dos professores e alunos às escolas deve ser preservado. Caso isso não ocorra, as Coordenadorias Regionais de Educação devem ser imediatamente comunicadas pelas direções, conforme regem as normativas em vigor.
    4. A Secretaria da Educação buscará, sempre que necessário, a cooperação do Ministério Público Estadual, objetivando o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente e o debate entre os estudantes e o Poder Público. A finalidade é evitar confrontos ou atitudes que ponham em risco a integridade física da comunidade escolar, promovendo um ambiente saudável de diálogo e convivência.
    5. O Governo do Estado reitera que segue fazendo todos os esforços para recuperar o equilíbrio financeiro das contas públicas e espera que as condições socioeconômicas do país possam melhorar, repercutindo na arrecadação. Esses passos são imprescindíveis para recuperar a qualidade do serviço público, mantendo em dia o pagamento do salário do funcionalismo e o repasse de verbas para as escolas. Cabe salientar ainda que o Governo do Estado fez, em 2015, o maior investimento em educação da década, totalizando 33,7% da receita líquida.

  • Aumento dado pela Assembleia daria para construir escolas para 20 mil alunos no RS

    Felipe Uhr
    O aumento de 8,14%, aprovado pela Assembleia Legislativa, na última noite de terça-feira para o quadro de cinco órgãos públicos (Ministério Público, Tribunal de Contas, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça e Tribunal de Justiça Militar) e da própria casa, custará R$ 194 milhões aos cofres do estado em 2016.
    Com este valor seria possível construir 107 escolas infantis de tempo integral para 188 alunos cada uma, segundo os critérios do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.
    Segundo o Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil, o projeto Tipo 1, um modelo padrão de educação infantil pode ser construído em terreno com dimensões mínimas de 40m x 60m.
    O valor do projeto varia de acordo com cada estado. No Rio Grande do Sul, o custo de cada unidade de ensino seria em torno de R$ 1,8 milhões de reais. Se todos os 194 milhões fossem destinados para esse fim pouco mais de 20 mil alunos teriam escola no Rio Grande do Sul.
    Déficit de vagas no Ensino Infantil ainda é grande, aponta estudo
    Mesmo com a construção de todas essas escolas o problema estaria longe do fim. Um estudo do TCE-RS no final do ano passado divulgou que faltam pelo menos 172 mil vagas, 98 mil referentes a creches e o restante em escolas pré-infantis. O RS ocupa a 23ª posição entre os estados, com ofertas na pré-escola, chegando aos 75%, o que é menor que o índice mínimo (80%) exigido pelo Plano Nacional de Educação.
    Governador vetará aumento 
    O Governador José Ivo Sartori anunciou que irá vetar o aumento aprovado pelo legislativo. O governador disse entender a necessidade das categorias envolvidas, mas defendeu que “não pode ignorar a situação dos servidores do executivo, principalmente policiais e professores”, referindo-se ao parcelamento de salários do funcionalismo.
    Tudo indica, porém, que o veto do governador será derrubado pelos deputados da base aliada.

  • Folha ensaia autocrítica por cobertura do impeachment

    Em sua edição desta quarta-feira a Folha de São Paulo publica o artigo “Apocalipse do jornalismo”, do jornalista Mario Vitor Santos,
    Santos foi diretor em Brasilia, secretário de redação e fez a crítica do jornal, como ombudsman, por duas vezes – de 1991/93 e em 1997.
    Seu artigo soa como o primeiro ensaio de uma autocrítica que o jornalismo brasileiro está devendo a seu público.
    Vale reproduzir:
    APOCALIPSE DO JORNALISMO
    Mário Vitor Santos
    A ruptura institucional em via de ser completada no Brasil é resultado direto da degradação do jornalismo posto em prática por quase todos os meios de comunicação no país. Os cuidados éticos foram sacrificados a tal ponto que o jornalismo promove a derrubada de uma presidente até agora considerada honesta.
    Jornalismo deve informar os fatos de pontos de vista diferentes e contrários, encarnar ideias em disputa, canalizar o entrechoque de versões, sublimar antagonismos.
    Veículos brasileiros, ao contrário, quase todos em dificuldades financeiras e assediados pelos novos hábitos do público, uniram esforços na defesa de uma ideia única. Compactaram-se em exageros, catastrofismo e idiossincrasias. Agruparam-se de um lado só da balança, fortes para nocautear um governo, mas fracos para manter sua própria razão de existir, a autonomia.
    Poderia ser diferente. As denúncias de corrupção da Operação Lava Jato deveriam mesmo merecer toda a atenção de uma imprensa aguerrida. Deveriam mobilizar controles e cuidados na mesma proporção. No entanto, se a justiça da Lava Jato tem alvo preferencial, o jornalismo não deveria ter. Quem defende o equilíbrio quando justiça seletiva e jornalismo discricionário se fundem?
    Normas e técnicas jornalísticas não são meros enfeites para códigos ou lições esquecidas nos bancos da escola. São peças essenciais para a sobrevivência da democracia.
    Na Lava Jato, o que deveria motivar uma custosa operação de checagem independente e edição autônoma derivou numa repetição inglória dos piores momentos do jornalismo do passado. A audição generosa e justa do chamado outro lado das denúncias, tanto na apuração das informações como em sua edição, não existiu.
    O abuso de reportagens baseadas exclusivamente em fontes mantidas em sigilo tornou-se a regra. Vazamentos com objetivo manipulatório foram a tônica. Quando informações em “off” dão as cartas e o outro lado é uma formalidade, o jornalismo não existe senão como contrafação.
    O que foi feito do esforço de convivência de tantos profissionais de ponta com outras culturas jornalísticas mais avançadas, tolerantes e variadas? Onde estão as intenções de controle técnico, equidistância, sobriedade e isenção?
    Os ombudsmans, os rigores autonomistas das técnicas de investigação independentes e as autocríticas não serviram para nada. Virou pó o empenho de ao menos uma geração de profissionais para que o jornalismo, depois do infame apoio majoritário ao golpe de 1964, viesse a seguir melhores padrões.
    Não pode haver fracasso maior para quem ao longo dos anos aspirou a se legitimar como instituição pilar de uma jovem democracia. Veículos de mídia cederam ao populismo que inflama os ódios de classe e leva o país a vivenciar mais um golpe contra as instituições.
    Fica para conferir se a mídia terá no governo Temer a mesma obsessão higienizadora e incriminatória que exibe contra a ordem petista.
    Já se diz que a queda do governo Dilma marca o ocaso do arranjo democrático da Constituição de 1988. Corporifica também o fim do breve ensaio de jornalismo surgido no bojo do movimento que levou à Nova República.
    Parodiando o poema trágico de Murilo Mendes, essa mídia nativa, em busca da sobrevivência, nasceu para a catástrofe.

  • "Depois de Zé Dirceu será a vez de Dilma e Lula"

    Mal foi anunciada a condenação do ex-ministro José Dirceu, poucos minutos depois da divulgação da sentença, nesta quarta-feira, um dos comentaristas da rádio Gaúcha já deu o tom da cobertura e seus desdobramentos.
    “Zé Dirceu é, até agora, o único dos principais líderes petistas que está pagando o pato. E os outros? Se há razões para condenar o Dirceu, também pode  haver para condenar Dilma e Lula”, foi o comentário imediato do jornalista David Coimbra, um dos ancoras do Timeline..
    Dirceu foi condenado a 23 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro, na operação Lava Jato por crimes corrupção passiva, vantagens indevidas, lavagem de dinheiro.
    Segundo o juiz o caso de Dirceu foi agravado porque enquanto estava sendo julgado e condenado no mensalão ele continuava atuando no esquema de corrupção da Petrobras.
    A sentença é no ambito da Justiça Federal. Cabe recurso.
     

  • Educação: sem avanço em reunião com o governo, greve e ocupações aumentam no RS

    Pela demonstração de pouco interesse do governo estadual na reunião realizada nesta terça-feira, com o Comando de Greve do Cpers/Sindicato, o movimento de paralisação dos professores da rede pública terá muito trabalho para ter sucesso em alguma das 14 reivindicações da categoria.
    Prevista inicialmente para o Palácio Piratini a reunião foi realizada na Secretaria de Educação e o principal interlocutor aguardado pelos professores, o secretário da Fazenda, Giovane Feltes, não compareceu. Só estavam presentes, o secretário interino da Educação, Luis Antônio Alcoba e o chefe da casa Civil, Márcio Biochi. No local, houve um princípio de tumulto já que a Segurança da Secretaria da Educação não permitiu a entrada dos representantes dos alunos na reunião.
    Por isso, a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer fez questão de dizer que o encontro foi pouco produtivo e não teve avanços. Não ficou agendado novo encontro. “Mas não queremos ouvir intenções, queremos propostas concretas e a presença do secretário Feltes. O tempo que levará para termos uma nova audiência demonstrará o interesse do governo em resolver a greve dos educadores”, afirmou Helenir Schürer.
    42 escolas ocupadas
    Se no terreno das negociações os avanços não ocorrem, na novidade dessa greve- a ocupação de escolas por alunos- os ganhos são significativos. Até as 19 horas da terça-feira, 42 escolas estavam ocupadas, segundo levantamento do movimento Ocupa Tudo RS. Incentivador da ação estudantil, o Cpers/ Sindicato recomendou a pais de alunos e professores e a comunidade em geral a apoiar a iniciativa estudantil.
    As escolas ocupadas estão recebendo apoio e doações da comunidade escolar. Durante o dia, os alunos estão participando de diversas oficinas com o objetivo de debater o momento pelo qual passa a educação pública no país. Outra oficina realizada é a de criação de cartazes e faixas utilizados nos portões das escolas.
    O Comando de Greve do Cpers obteve do secretário interino da Educação a promessa que a ação dos estudantes será tratada como um caso da área de Educação, não da alçada policial, como é temor entre os pais, professores e alunos da rede pública. Para a presidente do Cpers, Helenir Schürer, o único ponto positivo da reunião foi a garantia que os alunos que ocupam as escolas não sofrerão repressões.

  • As unhas do Cunha

    P.C. DE LESTER
    O Cunha saiu dos holofotes e muitos analistas o consideram um cadáver político, que só falta enterrar.
    Mas a verdade é que Eduardo Cunha está vivo e os sinais de sua vitalidade aparecem diariamente, não mais nas manchetes, nem por isso menos eloquentes.
    “Cunha manobra para manter Maranhão na presidência da Câmara”, foi o título de uma nota secundária do Estadão, na sexta-feira.
    Há um zumzum na Câmara e há quem dê como certa  a eleição de um novo presidente nos próximos dias. Jarbas Vasconcelos, do PMDB de Pernambuco, remanescente dos extintos “autênticos” do partido, é dado como o mais provável.
    Até agora, no entanto, lá está o Waldir Maranhão, submerso depois do fiasco, mas no exercício do cargo.
    Nesta segunda-feira, outra notícia: 300 deputados votaram em André Moura, do PSC, para líder do governo Temer. Moura é um dos aliados de Cunha na Câmara.
    Mais: Arthur Lira, investigado na Lava Jato e também aliado de Cunha foi eleito para presidir a Comissão de Orçamento da Câmara.
    Outra coisa que se diz: a influência do Cunha no governo Temer é próxima de zero. Mas outra notícia dá conta de que um ex-assessor de Cunha, Carlos Henrique Sobral, assumiu a chefia do gabinete do ministro Geddel Vieira.
    Também Gustavo Rocha, que atuou como advogado de Cunha, foi nomeado para a sub-chefia de assuntos jurídicos da Casa Civil.
    Por fim, informa-se que o próprio Cunha comparecerá nesta quinta-feira para fazer sua defesa na Comissão de Ética.
    Será uma boa oportunidade para se ver se o Cunha é mesmo um cadáver a ser enterrado ou um incômodo fantasma a assombrar o governo Temer?
     
     
     

  • "Foi uma violência desproporcional", relatam as jovens detidas pela BM em manifestação

    Foram quase nove horas desde a detenção, ocorrida entre a rua Lima e Silva e avenida Loureiro da Silva, até que as quatro jovens saíssem do IML, para onde foram encaminhadas após serem liberadas da 3ªDPPA, delegacia da Polícia Civil no Bairro Navegantes.
    Carolina, Alexandra, Nicole e Julia foram agredidas pela Brigada Militar, durante a manifestação da última sexta-feira, no bairro Cidade Baixa. As quatro jovens, com idades entre 20 e 25 anos, foram vítimas de bombas de gás, balas de borracha, puxões, empurrões, asfixia e beliscões em várias partes do corpo, além de sofrer ameaças.
    Seus relatos foram ouvidos em entrevista coletiva, no quinto andar da Sede da Ajuris no bairro Praia de Belas em Porto Alegre. Elas foram as únicas detidas do protesto. A BM alegou desacato, tentativa de agressão e resistência a voz de prisão.
    Ao fim do ato, bombas e prisões

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    Ferimento de bala de borracha

    A artista visual Alexandra Assunpção foi a primeira a se pronunciar. Ela disse que estava no protesto lutando pela cultura, que acredita “estar sendo destruída” pelo governo interino. Alexandra diz ter acompanhado quase todo o protesto, que até então seguia tranquilo, fazendo fotos e vídeos.
    O pessoal já se dispersava quando de repente  se depararam com bombas de gás e ação truculenta da cavalaria. Alexandra conta que se refugiou das bombas de gás em uma lancheria, onde lhe deram vinagre. Recuperada, voltou para a rua para filmar.
    Ao olhar para o lado percebeu outra mulher jovem sendo carregada por dois homens de jaquetas pretas e calça jeans, aos gritos. Então, correu em direção aos três para tentar prestar ajuda à menina. Foi quando viu policiais vindo em sua direção. O alívio, por achar que estaria segura ao lado dos brigadianos que se aproximavam, foi desfeito rapidamente. Logo a separaram da jovem. Foi detida e arrastada pelos policias de quem esperava ajuda.
    Ao ver Alexandra sendo agarrada por agentes do choque, a amiga Nicole saiu em sua defesa. Também foi carregada e detida. A tentativa de diálogo foi recusada com truculência e brutalidade. Bombas de gás, que foram disparadas pelo Batalhão de Choque, faziam do ambiente nada receptivo ainda mais viril.
    agredidas, presas e algemadas
    “Foi uma violência desproporcional”, relata Nicole. No caminho até o carro ouviram xingamentos, receberam apertões e foram algemadas. “Somente depois vi que a Nicole estava junto comigo”, relatou Alexandra. A violência psicológica era muito forte. Após saírem e entrarem diversas vezes do camburão entraram no carro para onde iriam para a Polícia. Dentro do veículo, nem o cinto de segurança foi colocado.
    Seis policiais carregaram Carolina, afastada das outras duas. Ao vê-las no carro da frente, pediu para ir junto, o que lhe foi negado. A jovem, que é estudante de Jornalismo, estava no protesto manifestando seu repúdio ao machismo, ao fascismo e à homofobia.
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    Hematoma causado pelas agressões

    Carolina conta que já estava indo embora quando começou a confusão e tentou se esconder do gás lacrimogênio e dos disparos de balas de borracha atrás de um contêiner. Dois homens “enjaquetados” vieram em sua direção e exigiram que ficasse quieta, enquanto a seguraram fortemente.
    Quando Carolina começou a gritar, vieram seis homens do choque e a levaram. Antes disso, ela conta ter apanhado bastante da Brigada Militar. Um brigadiano apertou seu pescoço a deixando sem ar. Já dentro da viatura, algemada, foi ameaçada por um policial. “Se vierem te proteger vão tomar bala”, disse o homem. Logo depois foi encaminhada à delegacia.
    Longe dali, a estudante de direito Julia procurava notícias das amigas, até então sem saber para onde haviam sido levadas. Julia não foi pega pela Tropa de Choque da Brigada, mas tomou dois tiros de borracha, que atingiram seu braço direito e joelho esquerdo. As bombas de gás também a fizeram ficar tonta e sem ar.
    Já recomposta, descobriu o paradeiro das outras. Chegando na Delegacia, onde pretendia prestar queixa das agressões e saber o paradeiro das amigas, foi surpreendida. “De vítima passei a ser acusada” revela. Um policial deu voz de prisão e disse que sabia que ela estava na manifestação. Mesmo sabendo de seus direitos e de que aquilo não poderia se proceder daquele jeito, preferiu não fazer resistência. Foi algemada e levada junto as outras.
    Advogados chegaram e tratamento mudou
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    Mesmo depois de dias, os hematomas permanecem.

    Os advogados Darcy de Moraes e Lucemara Beltrami chegaram à delegacia, quiseram falar com as moças e após se identificarem, pediram que elas fossem desalgemadas. Não foram atendidos de imediato, pois, segundo os policiais que ficaram no local, as chaves estavam em poder de outro policial, que havia levado outras duas acusadas para atendimento médico.
    Os dois advogados haviam participado da então manifestação pacifica e sem tumultos. Saíram antes do ataque da BM. Já em suas casas foram surpresos ao saber que uma jovem manifestante estava desaparecida. Apoiados pelas redes sociais eles conseguiram encontra-la e, por consequência, as outras três. A comunicação via redes sociais ajudou na procura.
    “O tratamento humilhante só mudou com a nossa presença”, relatou a advogada. A partir de agora eles tratarão do caso juridicamente. “Vamos defender elas dessa acusação irresponsável”, afirmou Darcy. Os dois homens de jaquetas pretas relatados na entrevista coletiva eram da infiltrados da Polícia Militar. Um deles é Leandro Luz. O caso será denunciado ao Ministério Público Estadual.
     

  • Conselho Indigenista condena "retrocessos anunciados por Temer"

    O Conselho Indigenista Missionário manifestou preocupação em relação à possibilidade de o presidente interino Michel Temer revogar os atos administrativos de demarcação de terras indígenas, publicados no governo Dilma. O Cimi lançou nota oficial nesta terça-feira.
    O Conselho criticou também o governo Dilma, “o que menos demarcou terras indígenas desde a ditadura militar”, mas afirmou que Temer “parece disposto a ser ainda mais subserviente e serviçal aos interesses financeiros dos conglomerados empresariais.”
    Na nota, o Cimi presta solidariedade aos quilombolas, “golpeados por Temer que entregou a responsabilidade pela titulação de suas terras ao DEM.”
    O Conselho Indigenista Missionário é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), criado em 1972, que atua junto aos povos indígenas.
    Confira a íntegra da nota:
    Nota do Cimi sobre os retrocessos anunciados por Temer contra os Povos
    O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) manifesta preocupação diante das informações veiculadas, por diferentes veículos de comunicação, nesta segunda-feira, 16, de que Temer pretende revogar atos administrativos de demarcação de terras indígenas publicados pelo governo Dilma.
    Beneficiados inclusive com as “pedaladas fiscais”, usadas por eles próprios como subterfúgio argumentativo para decretar um verdadeiro golpe na frágil e limitada democracia brasileira, os setores econômicos vinculados ao ruralismo agroexportador não se contentaram em contribuir para que o governo Dilma seja o que menos demarcou terras indígenas desde a ditadura militar.
    Temer parece disposto a ser ainda mais subserviente e serviçal aos interesses financeiros dos conglomerados empresariais, de capital nacional e internacional, representados pela bancada ruralista, pela Confederação Nacional da Agricultura e pelo Instituto Pensar Agro. Para estes, a Constituição e o povo brasileiro são o que menos importa. A revogação de atos que, embora tardios e insuficientes, reconhecem a povos originários o direito fundamental às suas terras se converteria em mais uma prova desse fato.
    O Cimi presta solidariedade aos quilombolas do nosso país, golpeados por Temer que entregou a responsabilidade pela titulação de suas terras ao DEM, partido que questiona judicialmente, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a constitucionalidade do Decreto 4887/03 que regulamente a matéria.
    O Cimi faz votos e se soma à luta para que os golpes e os retrocessos contra os direitos dos povos no Brasil sejam cessados.
    Brasília, DF, 17 de maio de 2016
    Conselho Indigenista Missionário – Cimi