Autor: da Redação

  • Eleições 2016: trinta vereadores tentam a reeleição em Porto Alegre

    FELIPE UHR
    Trinta, dos 35 vereadores que formam a Camara Municipal de Porto Alegre, confirmaram ao JÁ que pretendem concorrer nas eleições de outubro.
    Dois estão encerrando a vida pública e não irão participar do pleito: Bernardino Vendruscolo (PROS) e Guiherme Socias Vilela(PP).
    Vendruscolo está no terceiro mandato  e já havia anunciado a retirada da vida politica no final do ano passado.
    Vilela aos 80 anos também não irá concorrer mais. Ex-prefeito de Porto Alegre, no tempo da ditadura, elegeu-se em 2012 pela primeira vez ao legislativo com 13.574 votos.
    Três vereadores ainda não definiram: Airton Ferronato (PSB), Kevin Krieger(PP) e Waldir Canal(PRB).
    Uma possível candidatura própria de seus partidos, ou alianças com outros podem implicar na indicação de seus nomes para outros cargos, como prefeito ou vice.
    A decisão deve ocorrer mesmo em julho, quando a maioria dos partidos realizarão suas plenárias.
    Airton seria o possível vice de Melo em uma chapa com o PMDB, caso este não tenha como parceiro, o velho aliado PDT.

  • A direita bota um ovo

    Pinheiro do Vale
    A direita botou um ovo.
    Enquanto esperam curtir dois anos no Palácio do Planalto, os golpistas levam uma bola nas costas arremessada pela presidente Dilma Rousseff.
    Numa virada de 180 graus, algo comparável a uma bicicleta do futebol,  Dilma vai deixar o governo propondo a antecipação das eleições.
    Esta manobra agrada a um grupo bem numeroso de senadores, o suficiente para atingir o quórum mínimo de 28 votos para barrar a condenação da presidente na votação do impeachment daqui a 180 dias no máximo.
    Esta não é uma proposta nova. Entretanto, dependeria da renúncia de toda a chapa vencedora da eleição de 2014, Dilma e Michel Temer.
    Como o vice avança guloso para o cargo, não se imaginava que pudesse apoiar esta reviravolta.
    Entretanto, com  esta proposta, em negociação sob a coordenação do ex-presidente Lula, o placar de 28 ou mais votos implica na volta de Dilma com o fracasso do impeachment.
    A proposta de Dilma é renunciar, abrindo espaço para a convocação de novas eleições. Como é possível, se há um vice-presidente no cargo?
    Diante da volta de Dilma, Temer não terá alternativa se não aceitar a proposta, abrindo mão de seu cargo, pois, ao contrário, se insistisse em continuar, ficaria falando sozinho.
    As forças políticas que o apoiam preferem voltar às urnas e continuarem com Dilma no poder. O político paulista é suficientemente realista para não impedir esse desdobramento.
    A nova eleição viria no bojo de uma grande reforma política, que incluirá a reforma partidária, mandato flexível e um semiparlamentarismo.
    É consenso, e até Dilma concorda que o presidencialismo de modelo norte-americano já não é mais adequado.
    O exemplo mais significativo examinado pelas lideranças brasileiras é o caso recente da Grécia.
    Como Dilma em, 2014, o primeiro-ministro Alexis Tsíprus foi eleito com o programa que logo se verificou inviável, devido ao agravamento brusco da crise internacional.
    Logo nos primeiros meses de seu governo, entre 15 de janeiro e 27 de agosto de 2015, constatando que seu projeto naufragava diante de situação externa (a União Europeia negou- lhe respaldo para equilibrar as contas públicas e fazer um ajuste fiscal), o líder da Coligação da Esquerda Radical chamou seu eleitorado de volta às urnas com uma mensagem muito clara, algo assim: “Olha pessoal, não deu. Vamos fazer outra tentativa de tal e qual forma”.
    O povo apoiou e ele continua no governo até hoje, depois de nova eleição, em 21 de setembro do ano passado.
    Esta seria a proposta da esquerda brasileira: “Vamos reajustar nosso projeto e disputá-lo nas urnas com nossos adversários”.
    A diferença é que, no Brasil, certamente a esquerda trocaria Dilma por outro nome, o ex-presidente Lula, que está com as melhores chances eleitorais dentre todos os candidatos prováveis.
    Ontem no Senado o senador gaúcho Paulo Paim, que lançou a ideia na Câmara Alta, tevevárias adesões de outros parlamentares, que se pronunciaram a favor de eleições já na tribuna da Casa.
    Se isto ocorrer, pelas pesquisas, a esquerda vence a nova eleição. A direta bota um ovo.

  • Lanceiros Negros: Justiça manda desocupar, clima é de resistência

    O oficial de justiça ainda não apareceu. Mas já se sabe que o mandado de desapropriação foi assinado no dia 7 de abril pelo desembargador Eduardo João Lima Costa.
    Foi expedido na última terça-feira, 26  pelo Juiz Rodrigo Delatorre, da 7ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre.
    A ordem judicial determina a imediata desocupação do prédio de três andares, localizado numa dos pontos históricos de Porto Alegre, na rua General Câmara (a rua da Ladeira no início da cidade) na esquina com a  Andrade Neves.
    O prédio pertence ao governo do Estado e está tomado desde novembro do ano passado por 70 familias, que se organizaram na Ocupação Lanceiros Negros   Cerca de 40 crianças e pelo menos 20 idosos com mais de 65 anos, além de mulheres grávidas compõem a população que vive no local.
    O clima na noite de ontem era de resistência. “Não temos pra onde ir” argumenta uma das líderes da ocupação e participante do Movimento de Lutas nos Bairros,Vilas e Favelas (MLB) Nana Sanches. .
    No total são aproximadamente 250 pessoas. Após reunião interna da Ocupação, realizada ontem a noite, nenhuma decidiu sair. Muitas já não tinham onde morar, outras vieram de zonas periféricas dominadas pela violência e pela guerra do tráfico.
    O apoio de movimentos sociais e dos movimentos estudantis também já foi pedido. Na internet o grupo criou o evento para a resistência da Ocupação já conta com quase 500 adeptos.
    Desde que chegaram as famílias já estão praticamente adaptadas à nova região onde vivem. As crianças estão todas matriculadas em creches e escolas públicas do centro. No prédio a hora de saída e entrada é regulada. As regras foram criadas em reuniões e devem ser cumpridas.
    A ocupação também necessita diariamente de doações. As mais urgentes são alimentos, água, lanterna, pilhas e gás de cozinha.
     

  • Brasil: líder mundial no uso de agrotóxicos

    Matéria do portal El País*
    Além de permitir o uso de pesticidas proibidos em outros países, o Brasil ainda exonera os impostos dessas substâncias.
    O morango vermelho e carnudo e o espinafre verde-escuro de folhas largas comprados na feira podem conter, além de nutrientes, doses altas demais de resíduos químicos.
    Estamos em 2016 e no Brasil ainda se consomem frutas, verduras e legumes que cresceram sob os borrifos de pesticidas que lá fora já foram banidos há anos. A quantidade de agrotóxicos ingerida no Brasil é tão alta, que o país está na liderança do consumo mundial desde 2008.
    Desde este ano, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos.
    A Abrasco alerta que 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por resíduos de pesticidas
    Os números falam por si nos últimos dez anos o mercado mundial desse setor cresceu 93%, já no Brasil, esse crescimento foi de 190%, de acordo com dados divulgados pela Anvisa.
    Segundo o Dossiê Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) – um alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde, 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos.
    Desses, segundo a Anvisa, 28% contêm substâncias não autorizadas.

    Karen Friedrich. Foto: Flaviano Quaresma

    Karen Friedrich. Foto: Flaviano Quaresma

    “Isso sem contar os alimentos processados, que são feitos a partir de grãos geneticamente modificados e cheios dessas substâncias químicas”, diz Karen Friedrich, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz, ao lado).
    De acordo com ela, mais da metade dos agrotóxicos usados no Brasil hoje são banidos em países da União Europeia e nos Estados Unidos.
    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre os países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam, anualmente, 70.000 intoxicações agudas e crônicas.
    A boa notícia, é que naquele mesmo ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou a reavaliação de 14 pesticidas que podem apresentar riscos à saúde.
    A má notícia é que até agora os estudos não terminaram.
    Governo concede reduções e isenções de impostos para produção e comercialização de agrotóxicos
    A essa morosidade somam-se incentivos fiscais.

    Foto: Divulgação

    Foto: Divulgação

    O Governo brasileiro concede redução de 60% do ICMS (imposto relativo à circulação de mercadorias), isenção total do PIS/COFINS (contribuições para a Seguridade Social) e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) à produção e comércio dos pesticidas.
    A constação é de João Eloi Olenike (ao lado), presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
    O que resta de imposto sobre os agrotóxicos representam, segundo Olenike, 22% do valor do produto. “Para se ter uma ideia, no caso dos medicamentos, que não são isentos de impostos, 34% do valor final são tributos”, diz.
    Bela Gil liderou movimento contra carbofurano usado em lavouras de algodão, feijão, banana, arroz e milho
    Recentemente, o consumo de agrotóxicos esteve novamente no centro da discussão. A apresentadora Bela Gil, que tem mais de 590.000 seguidores no Facebook, liderou um movimento para que a população se mostrasse contrária ao uso do carbofurano, substância usada em pesticidas em lavouras de algodão, feijão, banana, arroz e milho.
    Isso ocorreu quando a Anvisa colocou em seu site uma consulta pública sobre essa substância.
    Antes de Bela Gil (abaixo) publicar um texto engajando seus seguidores, o resultado se mostrava favorável à continuação do uso desse agrotóxico.

    Foto: Pedor Serrão Divulgação

    Foto: Pedor Serrão Divulgação

    Mas em poucas horas, a apresentadora conseguiu reverter o resultado da consulta, mostrando que os brasileiros querem que essa substância seja proibida também no Brasil, assim como já é em países como Estados Unidos, Canadá e em toda a União Europeia.
    Por e-mail, a chefe de cozinha adepta da culinária natureba disse por que liderou a campanha. “Já existem estudos revelando a toxicidade e os perigos do carbofurano”, disse.
    “Essa substância é cancerígena, desregula o sistema endócrino em qualquer dose relevante e afeta o sistema reprodutor”.
    Na bula do produto consta a informação de que essa substância é “muito perigosa ao meio ambiente e altamente tóxica para aves”. Orienta o usuário a não entrar nas lavouras que receberam o produto por até 24 horas após a aplicação “a menos que se use roupas protetoras”.
    2,4-D e a polêmica do ‘agende laranja’ usado na Guerra do Vietnã
    Há exatos dez anos, desde 2006, a Anvisa está reavaliando os riscos à saúde que o herbicida 2,4-D pode causar.
    De nome estranho, essa substância era uma das que formavam o chamado Agente Laranja, uma química que foi amplamente utilizada pelas Forças Armadas norte-americanas durante a guerra do Vietnã.
    Seu uso, naquele momento, era para destruir plantações agrícolas e florestas que eram usadas como esconderijo pelos inimigos. Mas, segundo a Cruz Vermelha, cerca de 150.000 crianças nasceram com malformação congênita em consequência dessa substância. Os Estados Unidos contestam esse número.

    Mais de 80 milhões de litros de agente laranja foram despejados pelas forças aéreas dos EUA entre 1961 e 1971. Foto: Enriquecardova Wikimedia

    Mais de 80 milhões de litros de agente laranja foram despejados pelas forças aéreas dos EUA entre 1961 e 1971. Foto: Enriquecardova Wikimedia

    Por meio de nota, a Anvisa afirmou que o parecer técnico de reavaliação do 2,4-D foi recentemente finalizado e deverá ser disponibilizado para consulta pública no portal da Anvisa nos próximos meses.
    A consulta pública faz parte do processo de reavaliação das 14 substâncias realizado pela Anvisa (veja o quadro abaixo).
    Seis pesticidas foram banidos e dois permanecem
    Desde o início dos estudos, em 2008, seis pesticidas foram banidos e dois foram autorizados a permanecer no mercado sob algumas restrições. Resta a conclusão dos estudos de outras seis substâncias – dentre elas o carbofurano.
    OMS considera glifosato cancerígeno
    O glifosato, usado para proteger lavouras de milho e pasto, e que no ano passado foi considerado cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde, também está nesta lista que aguarda conclusões.
    A demora para finalizar essa reavaliação fez o Ministério Público entrar com uma ação, em junho do ano passado, pedindo maior agilidade no processo. Na época, a Justiça acatou o pedido e estabeleceu um prazo de 90 dias para que todos os estudos fossem concluídos. Mas o setor do agronegóciotambém se moveu.
    O Sindicato Nacional das Indústrias de Defesa Vegetal (Sindivag) entrou com um recurso alegando que o prazo não era suficiente.
    Em nota, o Sindivag afirmou ser “favorável ao procedimento de reavaliação”, mas que “o prazo concedido para conclusão da reavaliação não era suficiente para que fossem adotados todos os procedimentos previstos nas normas vigentes”.
    O processo está agora na Justiça Federal, que informou não haver prazo para o julgamento.

    Fonte: Anvisa

    Fonte: Anvisa

    Apesar da demora, as reavaliações dos agrotóxicos são um passo importante para a discussão do consumo dessas substâncias no Brasil.
    “A consulta pública da Anvisa sobre o carbofurano foi importante para que o órgão e os especialistas envolvidos obtivessem conhecimento do que a população pensa”, diz Bela Gil.
    “A Anvisa pode se sentir mais inclinada a tomada de decisão de realmente banir esse agrotóxico”.
    Para Wanderlei Pignati, professor de Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), a lentidão desse processo ocorre porque há uma forte pressão de setores interessados na comercialização dessas substâncias.
    “As empresas querem fazer acordo, mas não deveria caber recurso”, diz. “Queremos proibir todos os [agrotóxicos] que são proibidos na União Europeia”, afirma. “Por que aqui são consumidos livremente? Somos mais fortes que eles e podemos aguentar, por acaso?”.
    Agrotóxicos deveriam ter altos tributos e não ser isentos, o governo deveria fazer uma revisão
    Segundo João Olenike, do IBPT, os agrotóxicos deveriam ter altos tributos, e não ser isentos. “Existe uma coisa chamada extra-fiscalidade, que significa que, além da arrecadação, o tributo tem também uma função social”, explica.
    “Por isso, tributa-se muito a bebida alcoólica e o cigarro: para desestimular seu consumo”.
    Para ele, deveria-se fazer o mesmo com os pesticidas. “O que valia na década de 70, [quando foi lançado o Plano Nacional da Agricultura], não vale para hoje. O Governo deveria fazer uma revisão”.
    Os alimentos mais contaminados pelos agrotóxicos
    Em 2010, o mercado brasileiro de agrotóxicos movimentou 7,3 bilhões de dólares e representou 19% do mercado global. Soja, milho, algodão e cana-de-açúcar representam 80% do total de vendas nesse setor.
    Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), essa é a lista da agricultura que mais consome agrotóxicos:
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    As demais culturas consumiram 3,3% do total de 852,8 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados nas lavouras brasileiras em 2011.
    Perguntas e respostas sobre os agrotóxicos
    Lavar os alimentos antes de consumi-los retira os agrotóxicos?
    Não. Lavar os alimentos pode contribuir para que apenas parte das substâncias sejam retiradas, mas eles continuarão contaminados pelos agrotóxicos.
    Água sanitária retira os agrotóxicos dos alimentos?
    Não. Segundo a Anvisa, até o momento não existem evidências científicas que comprovem a eficácia da água sanitária ou do cloro na remoção ou eliminação de resíduos dos agrotóxicos nos alimentos. A Anvisa orienta que se use uma solução de uma colher de sopa de água sanitária diluída em um litro de água com o objetivo apenas de matar agentes microbiológicos que possam estar presentes nos alimentos.
    Selo Brasil Certificado – Agricultura de Qualidade não garante isenção do uso de agrotóxicos, mas que os alimentos são controlados
    Como diminuir a ingestão de agrotóxicos?
    O ideal seria optar pelos alimentos orgânicos, que venham com o certificado Produto Orgânico Brasil, um selo branco, preto e verde.
    Como esses alimentos são mais caros e não estão disponíveis em todo mercado, há outras possibilidades, como escolher produtos com o selo Brasil Certificado: Agricultura de Qualidade.
    Esse selo não garante a isenção do uso de agrotóxicos, mas significa que a origem do alimento é controlada, o que aumenta o comprometimento de produtores com a qualidade do alimento.
    Além disso, recomenda-se o consumo de alimentos da época que, normalmente, recebem menos agrotóxicos para serem produzidos. (Diário Verde/ #Envolverde)
     

  • Sede própria e renovação, os desafios da Agapan

    FELIPE UHR
    “No principio, eram poucas pessoas imbuídas de um sincero desejo de preservar a natureza. Sentiam a necessidade urgente de agir, mas não tinham recursos nem patrocinadores”.
    “Não tinham nem onde se reunir e alguns, vistos como subversivos, tinham até ficha nos órgãos de segurança do regime militar. Mas seu maior desafio foi afrontar o medo e a indiferença da maioria dos seus contemporâneos”.*
    Algumas dezenas de pessoas, reunidas no auditório do INPS, no centro de Porto Alegre, assinaram a ata de fundação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Agapan, na noite de 27 de abril de 1971.
    Só um mes depois a imprensa registrou o fato e isso porque os líderes do grupo – José Lutzenberger e Augusto Carneiro – foram à redação do Correio do Povo  levar a notícia e ainda tiveram que redigir a pequena nota para ser publicada.
    “Éramos considerados loucos” lembra o ex-presidente, dirigente e associado desde aquela época, Celso Marques.
    O advogado Caio Lustosa, outro entusiasta  da causa ecológica, entrou na Agapan um ano depois da fundação lembra dos empecilhos e das barreiras dos primeiros anos:
    “Era um momento difícil, enfrentar o chamado desenvolvimento a qualquer preço, aquela história de criação de indústrias para gerar emprego, sem olhar os impactos”.
    A primeira campanha foi pela arborização de Porto Alegre e a imagem símbolo é a do estudante trepado numa tipuana para impedir sua derrubada para dar passagem a uma elevada.
    Mas o discurso ambientalista só ganhou audiência quando começou a funcionar em Guaiba a Celulose Borregaard.
    O mau cheiro exalado das chaminés atingia a capital e tornou-se prova concreta do que os ecologistas diziam quando falavam em poluição industrial.
    A associação não parou mais: desmatamentos, grandes empreendimentos, poluição dos rios e do ar. Onde houvesse uma ameaça ou agressão ao ambiente, a Agapan estava presente.
    Chegou ao ponto de influir na formulação de leis, como foi o caso da Lei dos Agrotóxicos, restringindo o uso agrícola de veneno, na época chamados de defensivos agrícolas.
    Pouco tempo depois, nove estados apresentaram leis semelhantes, baseadas na aprovada na Assembléia gaúcha.
    “Não somo contra o desenvolvimento, somos contra projeto sem discussão, sem o entendimento dos impactos ambientais” destaca o vice-presidente da entidade Roberto Abreu.
    Aos 45 anos, a Agapan vive uma outra realidade, assistindo inclusive um retrocesso na legislação ambiental que ela ajudou a criar.
    Internamente, as dificuldades começam na de idade de seus integrantes. A instituição está ficando velha e renovação ao longo dos anos praticamente não aconteceu.
    Seus atuais e ativos integrantes continuam sendo os mesmos de 45 anos atrás. “A juventude se identifica com a nossa causa, mas é menos regrada com essas coisas de normas de uma instituição o que dificulta a adesão” avalia um dos sócios fundadores e ex-presidente, Alfredo Gui Ferreira.
    Poucos sócios, que participam das ações da entidade, são jovens.
    Apesar disso o vice-presidente Roberto destaca os pontos positivos perante aos jovens: “Tentamos e estamos conseguindo uma aproximação e integração com outros movimentos que de uma certa forma estão do mesmo lado” apontou.
    Ele se refere a grupos como o coletivo “A Cidade Que Queremos” e ao “Movimento Cais Mauá de Todos” que hoje luta contra a construção de um shopping, com estacionamento, dois prédios comerciais e um residencial a beira do Rio Guaíba.
    O outro problema é uma sede. Sete meses sem um lugar para seus arquivos e reuniões, esse é um dos maiores desafios que a entidade tem no ano de 2016. “A necessidade de uma sede é imperiosa” avalia o presidente Leonardo Melgarejo.
    A entidade recebeu uma promessa de um espaço, cedido pela Prefeitura, mas a casa que foi concedida, no Bairro Petrópolis, não apresenta condições de habitação e necessitaria de uma reforma de valores altos. “É uma casa bem ampla, até mais do que precisamos, mas não há condições” argumenta Roberto.
    Mesmo com as dificuldades a Agapan continua pregando e agindo efetivamente naquilo que sempre se propôs a fazer: discutir e conscientizar sobre os efeitos que certas atividades podem produzir para o meio ambiente e na sociedade.
    *Do livro “Pioneiros de Ecologia”, de Elmar Bones e Geraldo Hasse, JÁ Editores, 2001.

  • Pioneira da ecologia, Agapan comemora seus 45 anos

    A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Agapan, comemora 45 nesta quarta-feira, dia 27 de abril.
    É a mais antiga organização de defesa ambiental do País, fundada em Porto Alegre por um grupo de pioneiros aglutinados por José Lutzenberger, que se tornou uma referência para o movimento ambientalista internacional.
    Para celebrar a data, associação fará um evento a partir das 19h30, no boteco Matita Perê, localizado na Rua João Alfredo 626, no bairro Cidade Baixa em Porto Alegre. Na ocasião a associação também lançará a campanha É VIDA. 
    Serão homenageados este ano a geógrafa Lia Luz Livi, o advogado Caio Lustosa e o arquiteto e biólogo Francisco Milanez.
    A Agapan é um entidade sem fins lucrativos, que obtêm recursos apenas das doações voluntárias de seus associados.

  • Mais de 100 filmes de 25 países no festival de cinema fantástico

    Entre 13 e 29 de maio, Porto Alegre vai respirar cinema: além de mais de 100 filmes entre longas e curtas-metragens provenientes de mais de 25 países, a programação inclui cursos, debates e mostra de cinema itinerante gratuitos.
    É a décima segunda edição do Fantaspoa, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.
    Entre os filmes destacam-se 49 longas-metragens que serão exibidos pela primeira vez no Brasil.
    Desses, cinco terão sua primeira exibição pública no mundo, 25 estarão em première latino-americana e 19 em première brasileira.
    São três os homenageados do festival.
    O ator espanhol Antonio Mayans, com mais de 150 filmes em sua carreira. O diretor inglês Brian Trenchard-Smith, figura importante para a recentemente redescoberta e cultuada filmografia australiana de gênero.
    O terceiro é o brasileiro Guilherme de Almeida Prado, que realizou alguns dos filmes de gênero mais criativos e premiados do Brasil. Todos estarão presentes no evento e participarão de sessões comentadas com o público após as sessões. Antonio Mayans ministrará curso de atuação gratuito.
    O espanhol Luis de la Madrid, responsável pela montagem de filmes como “A Espinha do Diabo”, de Guillermo del Toro, e “O Operário”, atuado por Christian Bale, estará presente no evento.
    Além de apresentar “A Espinha do Diabo” e conversar com o público após a sessão, ministrará um curso de edição oferecido gratuitamente.
    Além disso, será oferecido um curso teórico, também gratuito, intitulado Aspectos Históricos do Horror Cinematográfico Moderno e Contemporâneo, ministrado por Hernani Heffner, Curador Adjunto e Conservador-Chefe da Cinemateca do MAM-RJ.
    O músico italiano Vince Tempera realizará um concerto no Santander Cultural, mesclando trilhas de filmes de sua autoria e de outros mestres, além de contar histórias sobre a Era de Ouro do cinema italiano.
    No Instituto Goethe de Porto Alegre, será realizada a tradicional sessão musicada com o clássico “As Mãos de Orlac”, de Robert Wiene, musicado ao vivo pelo multi-instrumentista Diego Poloni, que já tocou em projetos de diversos gêneros musicais, como punk (Campbell Trio), música brasileira (Apanhador Só) e música livre instrumental (Trompa).
    Além das salas Cine Santander Cultural e CineBancários, o novo Cine Capitólio integrará este ano a programação do XII Fantaspoa.
    Na nova sala do prédio recém-remodelado serão exibidos seis longas-metragens de gênero brasileiros, passeando por diferentes épocas da história do cinema nacional.
    Serão apresentados os filmes “Espelho da Carne”, de Antonio Carlos da Fontoura; “Fica Comigo esta Noite”, de João Falcão; “Finis Hominis”, de José Mojica Marins; “A Hora Mágica” e “Perfume de Gardênia”, de Guilherme de Almeida Prado; e “Prata Palomares”, de André Faria.
    As sessões serão comentadas por integrantes das equipes de realização dos longas-metragens e/ou especialistas em cinema de gênero.
    O Fantaspoa também apresentará dois longas-metragens em que assina a produção: “Kryptonita”, de Nicanor Loreti e que será exibido na abertura do festival; e “FantastiCozzi”, de Felipe M. Guerra, que conta a história do cultuado diretor italiano Luigi Cozzi, que estará presente com Guerra na exibição e conversará com o público após a exibição.
    (Da redação, com Acessoria)
    XIIFantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre
    De 13 a 29 de maio em Porto Alegre
    Nas salas CineBancários, Cine Santander Cultural, Cinema Capitólio
    Ingressos ao preço único de: R$10,00
     
     

  • Eleições 2016: PTB também já definiu candidato

    Em matéria de ontem, 25 de abril, o JÁ informou que apenas três candidaturas à prefeitura de Porto Alegre estavam definidas, faltando quatro meses para o início oficial da campanha eleitoral.
    Na verdade são quatro candidatos lançados. O curitibano Maurício Dziedricki foi anunciado como pré-candidato do PTB na capital nos dias 8 e 9 de abril quando o partido realizou seminário em Porto Alegre.
    Aos 36 anos Dziedricki concorre pela primeira vez a um cargo no executivo. É a aposta de renovação da sigla.
    Foi eleito vereador em Porto Alegre pela primeira vez em 2004 e reeleito em 2008. Em 2010 conseguiu a vaga de suplente para deputado federal.
    Ocupou também a secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV) no governo Fogaça. Em 2014 se elegeu deputado estadual, com 40.009 mil votos fazendo pouco mais de 10 mil votos na capital.
     

  • Secretário defende terceirização para suprir quadro da SMAM

    Matheus Chaparini
    O novo secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre, Leo Bulling, admitiu que o quadro da secretaria “não é o ideal” e defendeu a terceirização, caminho encontrado pela prefeitura para suprir as carências de pessoal e equipamento da secretaria.
    Após o temporal de janeiro, técnicos da secretaria lançaram uma nota denunciando o sucateamento do órgão. A principal crítica era em relação à falta de reposição de pessoal, além da falta de manutenção dos veículos e equipamentos. No texto, os técnicos criticavam a terceirização, que julgavam “ineficiente e subdimensionada.”
    Atualmente, equipes contratadas em caráter emergencial em função do temporal de janeiro engrossam a equipe com 22 operários, dois caminhões munck e dois caminhões cesto. “Eles estão fazendo este trabalho de recompor o vegetal, de dar o equilíbrio para que ele possa se recuperar e formar sua copa novamente”, afirmou o secretário.
    Secretário garante edital de terceirização no primeiro semestre
    O contrato das empresas encerra em junho e a prefeitura prepara um edital para contratação definitiva. O secretário não definiu uma data, mas garantiu: “o edital sai antes de encerrar o contrato emergencial.”
    Entretanto, a contratação de empresas de terceirizadas também não vem se mostrando uma saída simples, como constata o próprio Bulling: “Ao longo do ano passado tivemos algumas frustrações. As empresas se apresentavam, se habilitavam e no momento de assinar o contrato acabavam desistindo.”
    Segundo o secretário, o edital ficava “pouco atrativo ao empreendedor” em função das exigências de pessoal e equipamento. “Eram exigidos 5 caminhões cesto, 2 ou 3 caminhões muncks, mais pessoal qualificado: um técnico agropecuário por equipe mais um biólogo ou engenheiro agrônomo para coordenar o serviço. Isso aí praticamente inviabilizava.”
    Bulling é o quinto secretário da Smam nesta gestão
    Desde que Fortunati assumiu seu atual mandato, em 2013, Leo Bulling é o quinto titular da pasta do Meio Ambiente. Ele tomou posse na secretaria no início do mês de abril. Seu antecessor, Mauro Moura, deixou o posto para poder concorrer nas eleições de outubro.
    Em abril de 2013, o então secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Zachia, foi preso durante a Operação Concutare, que investigava suposta venda de licenças ambientais. Além de Záchia, foram presas 17 pessoas, entre empresários, funcionários públicos e políticos.
    Afastado, Záchia foi substituído por Marcelo do Canto, que ficou menos de um mês no cargo. Em maio de 2013, Do Canto deu lugar a Claudio Dilda, que havia presidido a Fepam durante o governo Rigotto.
    Dilda permaneceu à frente da secretaria até junho de 2015, quando foi sucedido por Mauro Moura. Os dois trabalhavam juntos há cerca de 40 anos na Fepam. Moura atuava desde 2012 no setor de licenciamento ambiental da Smam.
    Leo Bulling é coronel aposentado da Brigada Militar e foi comandante da regional de Porto Alegre do Corpo de Bombeiros. Antes da Smam, trabalhou na Defesa Civil, do Estado e do Município, e na Smic (Secretaria da Produção Indústria e Comércio).
    Lá também foi secretário por uma situação análoga à atual: em 2008, o então secretário Idenir Cecchim se licenciou para retomar o cargo de vereador e concorrer à reeleição.
    Na Smam, Bulling era supervisor de praças, parques e jardins há três anos. Agora passa ao comando, tendo a tarefa de cuidar da vegetação de Porto Alegre, reconhecida como uma das cidades mais arborizadas do país. Missão que se mostrou mais difícil no início do ano quando um vendaval devastou Porto Alegre e demonstrou o pouco preparo da cidade para lidar com situações extremas.
    Bulling confirma troca na administração da Redenção
    O novo secretário confirma: Regina do Patrocínio é a nova administradora do Parque Farroupilha. Ela substitui o engenheiro agrônomo Celso Copstein. Há mais de 20 anos na secretaria, a bióloga também coordena da Zonal Centro da secretaria e as equipes terceirizadas. “Colocamos ela no parque porque, como ela tem a manobra de pessoal da Zonal, ela consegue reforçar a equipe para dar um melhor atendimento à Redenção”, explica Bulling.
    Em março, a reportagem do Jornal Já conversou com o então secretário do Meio Ambiente, Mauro Moura, que negou a substituição.

  • Camara aprova solidariedade a PMs que mataram quatro

    A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou Moção de Solidariedade aos brigadianos envolvidos no tiroteio em frente ao Hospital Cristo Redentor, na última sexta-feira (22/4).
    Na troca de tiros, quatro homens foram mortos pelos policiais.
    O caso ganhou repercussão internacional após a circulação de vídeos que mostram um dos soldados assassinando um dos homens que estava rendido e deitado no chão.
    A Moção de Solidariedade ao 11º Batalhão de Polícia Militar foi proposta pelo vereador Delegado Cleiton (PDT) e aprovada por 24 votos.
    Apenas a vereadora Fernanda Melchionna (Psol) votou contra.
    Na moção, o vereador afirma que a ação foi “legal e legítima”.
    “A ação da Brigada Militar foi conduzida com muita técnica policial, agilidade e coragem, garantindo a integridade física de terceiros e dos próprios policiais militares”, afirma o vereador na moção.
    Comitê Carlos da Ré lança nota 
    O Comitê Carlos da Ré da Verdade e da Justiça lançou nota nesta terça-feira criticando a ação dos brigadianos e a decisão do comando de condecorá-los.
    O texto intitulado “Barbárie e Civilização” e assinado por Ramiro Goulart, condena a “prática brutal que foi a execução sumaria de um homem desarmado e em estado de rendição.”
    O texto cita o artigo 2º da Convenção Relativa ao Tratamento de Prisioneiros de Guerra, assinada em Genebra, em 1929, que diz que “os prisioneiros (…) acham-se em poder do governo inimigo, não em poder do indivíduo ou formações militares que os capturaram” e que devem “ser tratados humanamente e protegidos contra atos de violência (…)”.
    O texto afirma que, ao tolerar atitudes como esta, estamos “enterrando a civilização.”
    Goulart conclui: “Não estou aqui a defender que pessoas possam se associar a facções, cometer ilícitos e sair ilesas, mas apenas que o Estado Democrático e de Direito, como instrumento de promoção da civilização não pode aplaudir e muito menos condecorar atos de barbárie, sob pena de se tornar ele próprio um criminoso.”
    Policiais envolvidos serão condecorados
    Na última sexta-feira, os policiais abordaram um veículo Hyundai I30 prata e um Honda Civic preto na Vila Jardim.
    Os ocupantes teriam atirado contra os policiais, baleando dois deles, e fugido.
    Ao chegarem ao Hospital Cristo Redentor com os colegas feridos, os brigadianos se depararam novamente com os dois veículos e iniciou uma intensa troca de tiros. Foram pelo menos 30 disparos.
    Um brigadiano ficou ferido na mão, outro levou um tiro de raspão na cabeça. Os quatro ocupantes do I30 foram mortos.
    O Honda Civic fugiu. Segundo a Brigada, foram apreendidos um fuzil de uso restrito e quatro pistolas 9mm.
    A conduta dos policiais foi defendida pelo secretário estadual de Segurança Pública, Wantuir Jacini, pelo comandante-geral da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas Moreira e por entidades representativas dos profissionais de segurança pública.
    Além disso, Moreira afirmou que os policiais serão condecorados. A cerimônia deve acontecer na próxima quinta-feira, 28.