A menos de quatro meses para o início da campanha à prefeitura de Porto Alegre, apenas três candidaturas estão definidas.
Luciana Genro, do PSOL, foi a primeira a anunciar sua candidatura, em fevereiro. Ela ganhou maior visibilidade ao concorrer à presidência da República nas eleições de 2014.
Na última pesquisa, realizada em dezembro pelo Correio do Povo, Luciana Genro aparecia em segundo lugar, com 12,2% atrás da deputada estadual do PC do B, Manuela D’Ávila.
Com a desistência da Manuela, Luciana ganha força com os votos da esquerda, ainda que o cenário seja difuso.
Outro candidatíssimo é o vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB), que substitui o prefeito José Fortunati na maioria dos eventos públicos na capital.
Sua visibilidade aumentou muito desde o ano passado, mas ainda não decolou já que nas mesmas pesquisas, em todos os cenários colocados, seu maior percentual foi 6,1%.
O terceiro candidato já definido é o vereador Rodrigo Maroni, do Partido da República.
Maroni foi eleito vereador-suplente ganhando a vaga com a eleição do titular, João Derly, para deputado federal nas eleições de 2014.
Recentemente, saiu do PC do B para lançar-se candidato pelo PR. Desde 2015 na vereança da Câmara, ganhou destaque nas últimas semanas por apresentar um projeto que dá folga aos servidores que comprovarem o óbito de seus animais de estimação, mas ainda é um desconhecido.
Busca apoio entre partidos para engordar seu tempo de TV e popularidade. Há pouco esteve reunido com a deputada estadual Any Ortiz (PPS) tratando uma possível aliança.
Os demais partidos ainda não definiram seus canditatos.
O PT, que já governou Porto Alegre por 16 anos, tem três opções: Raul Pont, Maria do Rosário e Henrique Fontana. Pont e Rosário seriam os menos prováveis: ele por já ter dito publicamente que não quer mais cargos públicos, ela por ter uma rejeição alta.
Pont, no entanto, já admitiu, que se for vontade unânime do partido, concorrerá.
Henrique, que está no quarto mandato como deputado federal, seria a aposta do partido dos trabalhadores em Porto Alegre. Ex-líder do governo e atual vice-lider do PT na Câmara, tem-se destacado na defesa da presidente Dilma Rousseff.
No PDT, existem duas possibilidades. Ou apóia Melo, e entra na chapa com o vice, ou assume candidatura própria.
Três nomes circulam como pretendentes: Viera da Cunha, Lasier Martins e Juliana Brizola. Juliana seria a preferida de Melo para ocupar o lugar de vice em uma eventual coligação.
Nos outros partidos também não há definição. O PSD, se concorrer virá com Darnlei, ex-goleiro do Grêmio, segundo mais votado para deputado federal em 2014.
O PSDB, com o veto da direção nacional à ex-governadora Yeda Crusius, tem Nelson Marchezan Junior, como candidato.
Beto Albuquerque (PSB), Marcel Van Hattem(PP) e Onyx Lorenzoni (DEM) são nomes que podem aparecer na disputa.
Este ano, os partidos tem como limite até 48 dias antes do pleito para anunciarem oficialmente seus candidatos. O tempo de propaganda política foi reduzido para 45 dias.
O primeiro turno das eleições acontece no dia 2 de outubro.
Autor: da Redação
Eleição em Porto Alegre tem apenas três candidatos definidos
Levante Popular planeja "escrachos" em todo o país
Thiago Pará é um dos coordenadores do Levante Popular da Juventude, movimento que realiza uma série de protestos bem humorados, chamaados “escrachos”, contra políticos que pregam e votam pelo impeachment da Presidente Dilma Rousseff.
Ele foi ouvido, nesta segunda feira, pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada e adiantou que um dos próximos alvos deve ser o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha [PMDB-RJ].
Leia a entrevista:
PHA: Thiago, qual é a sua função no Levante Popular?
Thiago: Eu sou um dos coordenadores nacionais do movimento.
PHA: O que é o Levante Popular?
Thiago: O Levante Popular da Juventude é um movimento nacional de jovens, que surgiu em 2006 e se nacionalizou em 2012, e que, desde lá, organiza jovens em escolas de bairros de periferia e em universidades e procura atuar nas questões centrais da política.
PHA: Vocês são os que organizam os escrachos?
Thiago: Isso. Nós estamos organizando uma série de escrachos pelo Brasil sobre o tema do impeachment.
PHA: E vocês realizaram, se não me engano, um em frente ao Palácio do Jaburu e outro em frente ao apartamento do [deputado] Jair Bolsonaro [PSC-RJ], no Rio, e também um em Sergipe. Não é isso?
Thiago: Isso, nós temos uma campanha lançada no feriado de 21 de abril para dar uma resposta ao Congresso Nacional que votou a abertura do processo de impeachment da Presidenta Dilma.
Então, na quinta-feira, fizemos um escracho em São Paulo na residência do vice-presidente Michel Temer. No mesmo dia, ele decidiu sair de São Paulo em resposta ao nosso escracho, que dizia que ali era o Quartel General do Golpe.
Na sexta, fizemos o escracho do Benjamim Maranhão da Paraíba. No sábado, realizamos um escracho em Brasília no Palácio do Jaburu. E no domingo, escrachamos o Bolsonaro e o André Moura [PSC], de Sergipe, que é tido como braço direito de Eduardo Cunha.
PHA: Vocês teriam como anunciar quais são os próximos escrachos ou isso seria uma surpresa?
Thiago: O escracho tem como um dos princípios a realização relâmpago, então não tem como anunciar. Mas certamente teremos vários outros ainda nessa semana.
PHA: Vocês têm alguma ideia de, digamos, homenagear o presidente da Câmara, Eduardo Cunha?
Thiago: Claro. Fomos nós que realizamos, no fim do ano passado, aquela chuva de dólares dentro do Congresso Nacional. Ele é uma das figuras centrais e é um dos nossos alvos, assim como o alto escalão do PMDB.
PHA: Vocês são subordinados a algum partido político?
Thiago: Não, o Levante é um movimento autônomo. A gente surgiu de uma iniciativa com os movimentos sociais. Apesar disso, temos boas relações com os partidos de esquerda como o PT, PSOL, PCdoB.
PHA: Vocês estão preparados para sofrer algum tipo de resposta como agressões físicas como houve ontem em frente a FIESP?
Thiago: Nós não realizamos atos com a intenção de produzir agressão física ou violência. E recomendamos à nossa militância de não aceitar provocações, pois elas vêm. No domingo mesmo, no Rio, tiveram três moradores em frente à casa do Bolsonaro que tentaram nos agredir, mas nós cuidamos ali, temos uma equipe de segurança para evitar esse tipo de situação.
Sabemos que a nossa juventude também não abaixa a cabeça para ninguém, mas a nossa orientação é não produzirmos esse tipo de cena.
Eventos climáticos serão tema de audiência pública na Câmara
Uma audiência pública , na Câmara Municipal, vai discutir os eventos climáticos em Porto Alegre e ações de planejamento para evitar os prejuízos, como ocorreu com o temporal do final de janeiro.
O presidente da casa, vereador Cássio Trogildo (PTB), aceitou o pedido feito pelo coletivo A Cidade que Queremos.
A audiência está marcada para o dia 19 de maio, às 19h, no plenário Otávio Rocha. A decisão foi publicada na edição desta segunda-feira do Jornal do Comércio.
Para Roberto Abreu, vice-presidente da Agapan,a uma das entidades que compõem o coletivo, a importância da audiência é possibilitar a discussão sobre a adaptação da cidade, principalmente de sua cobertura vegetal, para lidar com situações como esta.
“Isso envolve várias questões como poda de árvores, plantio, poda de raiz. O manejo inadequado acaba prejudicando os vegetais e a cidade fica mais suscetível a estes eventos climáticos”, afirmou Abreu.
“RECOMPOR O QUE FOI PERDIDO”
A solicitação foi feita através do coletivo A Cidade que Queremos, no dia 11 de fevereiro. No pedido, o grupo argumentava que “o momento é de recompor o que foi perdido, mas devemos ir além, propondo ações de planejamento, com intuito de evitar que prejuízos à população voltem a acontecer.”
O texto critica o manejo da vegetação, que “tem deixado a desejar” e cita a manifestação de técnicos da SMAM que denunciava o sucateamento da instituição. Um trecho do pedido afirma que “Porto Alegre já foi considerada uma das cidades mais arborizadas do país. Entretanto, temos assistido a uma derrubada sistemática de árvores, inclusive em situações polêmicas” e cita o corte das árvores da região do Gasômetro como exemplo.
O coletivo pede também a criação de uma Equipe Multidisciplinar, formada por biólogos, engenheiros ambientais, paisagistas e entre outros, para uma avaliação adequada da situação da vegetação da cidade.
A solicitação foi embasada juridicamente no artigo 2º do Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) e no Plano Diretor, que preveem “a gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da sociedade.”Salim Miguel: uma obra feita nas horas vagas
Aos 92 anos, morreu na sexta, 22, Salim Miguel, escritor catarinense com mais de 30 livros publicados.
Afetado por uma doença ocular, em seus últimos anos de vida lia com dificuldades, mas desfrutava de leituras feitas por sua companheira, Eglê Malheiros, mãe de seus cinco filhos.
O texto abaixo foi escrito em 2011 por Geraldo Hasse, que atendeu assim ao pedido do editor de um livro organizado em Florianópolis sobre o autor de Nur, belíssimo livro de memórias.
“MEU TIO LIBANOCATARINA”
“Me interessei por Salim Miguel em 2000, quando fui morar em Florianópolis e comecei a me aprofundar na história da ilha e seu entorno. No meio século anterior eu tinha lido en passant sobre o escritor, mas não havia registrado as informações na memória.
Lendo aqui e ali, descobri que Salim tinha uma biografia interessantíssima, a começar pela migração, em criança, do Líbano; a morada na pequena Biguaçu, um vilarejo de beira-rio, perto do mar; a ida para a capital do estado; a prisão em 1964; a migração para o Rio; e a volta para a querência, que é como os sulistas brasileiros, particularmente os gaúchos, chamam a terra natal.
Em 1999, havia sido lançado Nur na Escuridão, seu livro premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte como o melhor romance do ano.
Comprei um exemplar e caí na leitura. Era um saboroso livro de memórias devorado em poucos dias.
O passo seguinte foi conhecer pessoalmente o escritor, entrevistá-lo. Descobri um ser humano de primeira qualidade. Humilde, irônico, sem afetação. Afável, bom de papo.
Como na escrita, sua fala guardava ainda um último resquício de sotaque libanês: aquela ligeira trava que sinaliza a hesitação diante da palavra estrangeira.
A visita durou duas horas. Saí do apartamento dele e de Eglê, sua mulher, com dois ou três livros doados pelo próprio. Num sebo, dias depois, encontrei outros livros dele.
Escrevi então um perfil de Salim Miguel para o caderno de fim-de-semana do diário Gazeta Mercantil. Foi publicado no caderno de 20, 21 e 22 de abril de 2001. Matéria longa, ocupou 2/3 de página standard de jornal.
Título: “Mascate da Memória Familiar”. Ele gostou. Desde então nos falamos algumas vezes. Aos poucos fui descobrindo o quanto Salim Miguel é conhecido, querido e admirado.
<em>Ele cultiva amigos em todo o Brasil, desde Porto Alegre até João Pessoa, na Paraíba, onde se mantém há mais de 50 anos como colaborador do suplemento literário do maior jornal local – colaborador não remunerado!
Morando no Rio Grande do Sul desde 2005, não perdi o contato com “meu tio libanocatarina”.
Em 2008, escrevendo um livro sobre a história da navegação no Rio Grande do Sul, dei-me conta de que cabia incluir um capítulo sobre as balsas de toras que outrora desciam o rio Uruguai, nas enchentes.
Lembrei-me então do conto Ponto de Balsa, no qual Salim Miguel narra a aventura de dois ou três balseiros que se metem na correnteza, pilotando uma jangada-monstro, desde Chapecó até Uruguaiana, centenas de quilômetros de uma aventura única.
Esse conto é a versão literária de uma reportagem feita por Salim Miguel quando se iniciava no jornalismo. Sinal de que toda vivência, por mais antiga que seja, pode ser transformada em ficção.
Em agosto de 2011, Tio Salim me enviou seu último livro, Reinvenção da Infância, mais um volume de memórias calçado nas lembranças mais remotas de um guri vindo do Oriente.
Desigual, mas com trechos deliciosos, como as 10 páginas do capítulo 23 – Lição Dois, em que o rapazote relata uma noite maldormida numa pensão fuleira da capital, onde perdera o último ônibus para sua pequena Biguaçu.
Tenho comigo uma dezena de livros de Salim Miguel e acredito que conheço o essencial da sua obra, mas não o suficiente para fazer uma análise comparativa.
Como muitos e muitos escritores, ele começou como jornalista, dividiu-se entre empregos privados e públicos, foi livreiro, meteu-se no cinema e encerrou sua carreira profissional como chefe na editora da universidade federal de seu estado.
Sua carreira literária, mais de 30 livros, foi construída nas horas vagas, com a ajuda e solidariedade de sua companheira Eglê Malheiros, mãe de seus cinco filhos. “Nunca ganhei nada com meus livros”, disse-me o autor, na entrevista de 2001.
Dez anos depois, pode-se dizer que ele ganhou, sim, fama, sem falar do cheque recebido há alguns anos em Passo Fundo, onde foi aplaudido como um dos mais antigos e fieis militantes das letras do Brasil”.Pesquisa: maioria prefere nova eleição para sair da crise
O Ibope divulgou há pouco uma pesquisa concluída no dia 18, um dia após a votação do impeachment na Câmara.
A pergunta principal colocada aos entrevistados: qual o melhor caminho para superar a atual crise política. A resposta de 62% foi a seguinte:
– Dilma e Michel Temer saírem do governo e ocorrerem novas eleições para presidente,
Para outros 25%, a saida é Dilma continuar seu mandato com um novo pacto entre governo e oposição
Apenas 8% acham que a saída é Dilma sofrer impeachment e o vice-presidente Michel Temer assumir a presidência.
A campanha por novas eleições gerais junto com as eleições municipais de outubro ganha adeptos entre os apoiadores da presidente e, segundo alguns analistas, a própria admite que esta pode ser uma saída, mesmo na hipótese remota de que ela ganhe a batalha no Senado e permaneça no cargo.
O Ibope também perguntou com qual das frases o entrevistado está mais de acordo:
40% – A democracia é preferível a qualquer outra forma de governo
34% – Para as pessoas em geral, dá na mesma se um regime é democrático ou não
15% – Em algumas circunstâncias, um governo autoritário pode ser preferível a um governo democrático
11% – Não sabe/não respondeu
Questionados sobre o grau de satisfação em relação ao funcionamento da democracia no Brasil, os resultados foram os seguintes:
49% – Nada satisfeito
34% – Pouco satisfeito
12% – Satisfeito
3% – Não sabe/não respondeu
2% – Muito satisfeito
Segundo o Ibope, as perguntas cujas somas das porcentagens não totalizam 100% são decorrentes de arredondamentos ou de múltiplas respostas. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.
Processo de impeachment
O plenário do Senado elege nesta segunda-feira (25) os 21 membros titulares e 21 suplentes da comissão especial que analisará as acusações contra a presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment. A partir desse momento, o relator terá 10 dias úteis para elaborar um parecer pela admissibilidade ou não do processo de impeachment. O relatório é votado na comissão e depois submetido ao plenário. A oposição quer concluir a votação no plenário entre os dias 11 e 15 de maio.
Se houver voto favorável da maioria – 41 dos 81 senadores, o processo é instaurado e Dilma é afastada temporariamente do cargo. Se isso ocorrer, inicia-se a fase de coleta de provas. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, assumirá a condução do processo e Dilma terá direito de apresentar defesa. Para cassar o mandato da presidente, o quórum exigido é maior – dois terços, ou 54 dos 81 senadores.Cartas marcadas
PINHEIRO DO VALE
A tradição da raposice política mineira diz e o ex-presidente Tancredo Neves gostava de repetir: “Só se faz reunião depois que tudo está decidido”. Mais uma vez se confirmou o axioma.
Este cronista esteve fora do ar nos últimos dias, deixando passar a enxurrada que inundou o noticiário com a votação do relatório da Comissão Especial da Câmara que propôs ao Senado a abertura de um processo de impeachment da presidente da República, dona Dilma Vana Rousseff.
Seria um anticlímax sugerir, naqueles momentos, que não haveria surpresa, pois se tratava de um jogo de cartas marcadas.
Dizia o então vice-presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford, às vésperas da renúncia do presidente Richard Nixon: “Se não tiver a base parlamentar mínima, de nada vale haver ou não responsabilidade comprovada”.
O impeachment que tentavam aplicar em Nixo, também era baseado em acusações duvidosas, pois não se poderia dizer que mentir para a Imprensa fosse um crime de responsabilidade.
Mais ou menos isto, o que se repete no Brasil: não há crime, mas as forças políticas estão apeando uma presidente eleita. Têm os ¾ dos votos e basta. Assim pensam e fazem.
Uma comprovação desta afirmação é que já havia um acordão, como se chamam no Brasil os grandes conluios. A antiga “base aliada”, a formidável coligação de partidos que apoiava a presidente, roeu a corda e aplicou um golpe no PT, que perde a cadeira da mandatária, mas ganha um espaço mais confortável para se bater nas próximas campanhas eleitorais.
O quadro político ainda é instável, volátil, como dizem os cientistas do ramo. Uma previsão sensata, ou melhor, realista, de realpolitik, diria que Dilma será afastada pelos 180 dias, mas não inteiramente derrubada.
Tudo vai depender das próximas eleições municipais, para se avaliar como se comporão as forças políticas após o pleito.
Assim, tanto ela pode voltar como ser mandada embora, conforme as conveniências dessas forças políticas majoritárias, que se movimentam para ocupar o Palácio do Planalto: PMDB e a corriola de partidos pequenos e nanicos. O chamado “novo centrão”.
Na verdade, nada têm de centro, mas de direitona.
Enfim, hoje em dia, em política, as palavras valem o que se quiser.
Os dois grandes antagonistas, PT e PSDB, ficam de fora. Todos de olho em 2018.
Ninguém quer pagar o preço da crise. Também não querem amargar o efeito do purgante.
Sorrateiramente vão esperar que a economia se ajeite, com Temer ou com a volta de Dilma, para assumir um país melhor arrumado em 2019.
Ainda há muito pano para essas mangas. Mas, por enquanto, basta falar desse acordão, que nos próximos dias vai se explicitar para espanto de muita gente.Noticia falsa é a mais compartilhada na internet
Fonte: Portal Imprensa
Um levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação da USP apontou que três das cinco reportagens mais compartilhadas por brasileiros no Facebook entre a última terça-feira (12/4) e sábado (16/4) são falsas.
De acordo com a BBC Brasil, que obteve acesso ao estudo, as matérias que ocupavam o topo do ranking de acessos haviam sido desmentidas em notas oficiais ou reportagens publicadas pela imprensa.
O grupo de pesquisa, criado pelos professores da USP Marcio Moretto Ribeiro e Pablo Ortellado, analisou o desempenho de 8.290 reportagens, publicadas por 117 jornais, revistas, sites e blogs noticiosos. As estatísticas são divulgadas na página “Monitor do debate político no meio digital”.
Na lista dos “top 5” boatos compartilhados, estão: “Polícia Federal quer saber os motivos para Dilma doar R$30 bilhões a Friboi”, do site Pensa Brasil (3º lugar no ranking geral da semana, com 90.150 compartilhamentos)
“Presidente do PDT ordena que militância pró-Dilma vá armada no domingo: ‘Atirar para matar’”, do site Diário do Brasil (4º lugar, com 65.737 compartilhamentos).
“Lula deixa Brasília às pressas ao saber de nova fase da Lava-Jato. Seria um mandado de prisão?”, do site Diário do Brasil (5º lugar, com 58.601 compartilhamentos).
À BBC, o Diário do Brasil afirmou que a reportagem sobre o suposto presidente do PDT “não era exclusiva”. Disse ainda que a notícia é real, mesmo após ser desmentida.
Sobre o suposto mandado de prisão contra Lula, o veículo alegou que o texto foi publicado em 10 de março, às vésperas da Operação Xepa, que não teve qualquer mandado contra o político. O Pensa Brasil não se pronunciou.
O PDT desmentiu boatos campeões de audiência da semana. A reportagem falsa, repetida mais de 60 mil vezes, apontava que um homem chamado José Silvio dos Santos seria o presidente do partido no DF e teria convocado militantes para atirarem em parlamentares no último domingo (17/4).
“O PDT torna público que este cidadão, por não ter nenhuma autorização para se manifestar em nome da instituição, foi expulso do quadro de filiados do partido”, informou a sigla, em nota assinada por seu presidente no Distrito Federal, Georges Michel Sobrinho.
A matéria sobre a “doação de R$ 30 bilhões” pelo governo à Friboi foi desmentida em entrevista à BBC pelo próprio presidente da empresa, que controla o frigorífico. Ele não havia sido contatado pelo site.
Os pesquisadores também promoveram pesquisas de opinião em atos na avenida Paulista, em São Paulo.
“Cada lado dessa disputa construiu narrativas mais ou menos simplistas para defender suas posições. Tanto os boatos como as matérias produzidas foram muito compartilhados quando se adequaram a essas narrativas”, disse Marcio Moretto.
Brossard: "Impeachment é falácia pomposa e inútil"
PC de Lester
Paulo Brossard, cuja morte completou um ano neste 12 de abril, foi lembrado neste domingo pelo colunista do G1, Hélio Gurovitz, por sua posições a respeito do impeachment.
Brossard, que foi deputado, senador e ministro da Justiça, foi também consagrado jurista e professor de Direito Constitucional.
Abordou o impeachment num livro publicado em 1992. O impeachment diz ele é uma “falácia institucional pomposa e inútil”.
A coluna saiu com o discreto título: “Brossard e o impeachment”. O trecho principal:
Brossard critica o uso da expressão “crime de responsabilidade” na Constituição, por criar confusão e dar a entender que o impeachment é algo que não é – preferia o uso de “infrações políticas”, um termo mais claro para qualificar as instâncias passíveis de impeachment. Ele considera, enfim, o impeachment um processo “penoso e traumático” que paralisa a nação, uma “falácia institucional pomposa e inútil”. “Não funciona porque é lerdo em demasia, ao passo que as crises evoluem rapidamente e reclamam rápidas soluções”, escreveu. “Incapaz de solucionar as crises constitucionais, paradoxalmente, contribui para o agravamento delas.” A partir desta semana, quando o Senado, pela primeira vez na história. começa a apreciar o julgamento de um presidente em exercício – Collor renunciou antes dessa fase –, o Brasil testará os vaticínios de Brossard.?A farsa do impeachment ou de como aprendi a rir do Brasil
Enio Squeff
O espetáculo – a grotesquerie, na verdade – dos deputados no episódio em que,mais de três centenas deles, disseram “sim”ao impeachment, chegou a tal ponto. que a própria arte de rir passou a ser quase um constrangimento; na realidade, não foi mesmo de rir , mas de morrer de rir. Os deputados fazendo-se de sérios e serem, por sua vez, levados a sério, torna o Brasil um país, não vamos dizer uma farsa, mas, talvez, mais picaresco quanto nunca foi. Cada uma das peça do “sim, sou a favor do impeachment ” montou seu personagem como que numa cena felliliana. A sua moda, eles fizeram uma espécie de teatro brechtiano, de modo a desdramatizar tudo o que foi dito e feito. E comemorado.
Conceitos como patriotismo, liberdade, família, igreja propriedade – montaram um teatro embromatório, de tal monta, de maneira que a cada palavra aduzida, como honradez, heroísmo, moralidade e outras mais, acabou desmistificada no ato mesmo em que foi pronunciada. Tudo muito bufo, e derrisório, para dizer o mínimo, mas principalmente pela vibração do Brasil do lado de fora do Congresso; e olha que coxinha algum se sentiu ridicularizado na ação dos farsantes. Depois da condenação de uma inocente, a pátria amada, salve, salve – vibrou uníssona com a possibilidade de termos, por fim, réus confessos e comprovados, a governarem a República, da sétima economia do mundo e do maior país da América Latina.
Aí, porém, entra o maior deus – o deus ex-machina – o Supremo Tribunal Federal – o grande organizador do fudúncio. Mas disso se fala nos créditos que não foram dados à farsa.
Tudo começou, como é sabido, há mais de ano e, com aquilo que, em todas as óperas bufas, se chamam abertura, ou prelúdio(como quiserem). E que tanto na ópera, quanto na encenação levou o nome pomposo de “Mensalão”. Ali, um dos ministros, ou melhor, um dos inquisidores, o mais pimpão e tonitruante, proclamou, em alto e bom som, o princípio basilar de que é próprio dos chefes dos bandidos, não levar nenhum do butim. Tese novidadissima na história da humanidade, como é consabido. Ou seja, o sujeito é tão esperto que, ao roubar, deixa a muamba pra outros. E, assim, como os bufantes homens de preto, concluiriam, de fato, que quem era culpado, o mais culpado dos culpados, não deixaria rastros, tudo o mais se sucederia porque José Dirceu – o acusado mor, o chefe da bandidagem – apesar de não apresentar nenhum sinal de enriquecimento ilícito, exatamente por isso – não poderia deixar de ser condenado.
Brilhante, não?
Um lembrete a propósito, para os que não conhecem os métodos usados pela Inquisição. Naquela época, a partir do século XV, o José Dirceu de ocasião , teria amarradas as suas pernas numa grande e pesada pedra e jogado num rio – se afundasse era sinal de que não tinha culpa alguma – mas se se afogasse, os prestimosos pastores ou padres católicos,olhariam para o céus compungidos, fariam uma oração para o afogado; e ele tinha, então, o céu garantido. Se, porém, flutuasse, prova insofismável de que assinara um pacto com o demônio, seria ato contínuo, queimado num auto-de-fé. Como vivemos tempos mais civilizados, José Dirceu mofa na cadeia da Lava a Jato.
Deve, em todo o caso, provir desses tempos o ditado que o presidiário José Dirceu ainda leva por divisa ( assim como os judeus tinha marcada com um ferro em brasa o seu número, nos campos de concentração ), de que por vezes, na vida, ficamos entre “a cruz e a caldeirinha”.
Por ser simples assim, contudo, José Dirceu e outros foram devidamente encarcerados. Ficou decidido pelo Suprematíssimo Tribunal Federal, que para ser condenado não são necessárias provas, mas indícios, desconfianças, digamos. E sobretudo, uma figura jurídica até então desconhecida da maioria dos cidadãos brasileiros, o chamado “domínio do fato”. Que é o seguinte: o Marcelo Odebrecht pode não estar implicado no pagamento de propina ao PT ( outras partidos não vem ao caso, como diz o juiz Sérgio Moro), mas como é o filho do dono da Odebrecht. supõe-se que ele conhecesse ou devesse conhecer tudo o que fazem seus subordinados. Logo, ainda que sem provas, explica-se que ele tenha sido condenado a 19 anos de cadeia. Justiça é isso, brasileiros e brasileiras.
Aqui, na encenação, com o povo expectante, todos quase morreriam de rir. E logo então, como premio de sua boa ação, o Inquisidor Mor, ganharia – ou compraria – (não se sabe muito bem – é um dos mistério da peça)- um apartamento em Miami.
Concluída a abertura da ópera bufa, porém, abre-se o pano, sinal de que o teatro irá começar.
Daí em diante, realmente, o enredo não poderia ser mais engraçado. Agora a vítima é uma mulher chamada Dilma Rousseff, contra a qual nem mesmo o famoso “domínio do fato” é invocado. Tudo indica que nenhuma acusação séria pesa sobre ela. Aí, entretanto, é que está a graça. Não está dito, mas a acusação que pesa sobre ela, sub-repticiamente, vamos dizer, é a de ser uma bruxa. Ou uma ladra. Só que, de novo, ela é tão sórdida que nem mesmo evidências de roubo lhes são atribuída. Os que a acusam, porém, não são só os espectadores, os brasileiros de cada rincão da pátria amada, mas vários ladrões que assomam à cena. Cada qual berra uma frase no bom e velho português. Um, acusado de levar propina, arranca gargalhadas da platéia, ao dizer que é porta-voz de Deus, da sua igreja e principalmente da moralidade pública. Outro manda beijinhos a seu neto e a sua amantíssima mulher, boa mãe, esposa exemplar. Outro fala em nome do povo sofrido da sua região, que planta mandioca. Outro, sempre sob os aplausos até mesmo emocionado do respeitável público, manda suas saudações à maínha que está na sua sofrida Bom Sucesso da Gabiroba. Uma cena de tirar o fôlego e que fará gargalhar o povaréu, é a mulher do prefeito que será preso logo em seguida, por roubar para o hospital da sua propriedade. Na verdade, só uma heroína pode numa só frase, tornar-se capa de uma revista semanal, a vangloriar-se da inacreditável honestidade do marido.
Detalhes sobre o figurino. Quase todos fizeram botox, usam cabelos e cabeleiras pintadas. Quase todos estão disfarçados.
Voltemos, porém, ao teatro.
Depois de 325 menções a Deus, 220 agradecimentos ao meu pai, homem honesto, que me ensinou a honrar a Deus e ao Brasil, 128 invocações ao mais extremado patriotismo, 10 ameaças de morte ao nunca dantes tão xingado Lula, segue-se a ópera – sempre sob os aplausos do povo.
É um rico cenário. No fundo do palco, mas irreprochavelmente bem focado pelos holofotes, o presidente da Câmara sobre o qual avultam-se provas de que é um ladrão – mas que o povo ama e venera – comanda tudo com o olhar sobranceiro de quem, se deve alguma coisa, é à sua sã consciência, à sua igreja e principalmente a suas bem recheadas contas na Suíça.
Como todo o bom teatro temos, em suma, o principal: uma catarse. E tudo, afinal, seria uma apoteose nunca vista no Brasil gentil e varonil, não fosse um episódio destoante; a cusparada do único homossexual assumido da Câmara na cara do mais destemido e temido, deputado do Brasil, o votadíssimo e machíssimo, Jair Bolsonaro.
Não foi um happy end, convenhamos; o “fresco,” o “frutinha,” o “veado,”a bicha” . o isso o aquilo, humilhou de forma irrevogável o maior defensor da tortura e dos torturadores. Que, de forma constrangedora para alguém que se diz valentão, depois de limpar o rosto, ficou de olhos vermelhos, choroso, com medo inequívoco do seu agressor. Uma vexame para nunca mais ser esquecido. E que, como se dizia antigamente, empanou o espetáculo.
Alguém dirá, finalmente, deste dia glorioso, que o maior macho da Câmara, ou melhor do teatro que foi a Câmara, é um homossexual.
Mil perdões ao respeitável público brasileiro, mas o deputado Jean Wyllys nunca deveria ter deixado tão claro que é o único homem digno do nome no nosso parlamento.
Outra falha, para não concluir em vão, foi o não se dar o merecido crédito ao patrocinador da peça, o Supremo Tribunal Federal. É uma injustiça que o esqueçam a essas alturas dos acontecimentos. Ninguém melhor do que ele por liberar Eduardo Cunha de qualquer constrangimento por ser ladrão. Obrigado STF, obrigado ministro Teoriza Vasques, obrigado principalmente ao excelentíssimo Procurador Geral da República, o dr. Rodrigo Janot. Como se diz no fim dos espetáculos, sem vocês, essa peça cômica não teria sido encenada.Dengue já tem ocorrências em 32 bairros de Porto Alegre
Desde o início do ano até a última atualização da Secretaria da Saúde, já foram confirmados 217 casos de dengue em Porto Alegre.
Desses, 172 foram contraídos na capital em 32 bairros. Vila Nova e Chácara das Pedras dominam as ocorrências com 67 e 45 casos confirmados respectivamente.
Das 1.296 suspeitas, 692 foram descartados e 387 casos ainda estão em investigação. A tendência é que o número de casos confirmados aumente.
risco é alto em 20 bairros
Em janeiro a Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS) realizou o Liraa,(Levantamento rápido do índice de infestação por Aedes). É uma pesquisa que indica o risco de contaminação em cada região.
A vistoria realizada em 57 bairros da cidade, em mais de 7 mil domicílios, apontou um índice de infestação predial (IIP) de 2,3% médio na cidade, o que é considerado uma situação de risco médio.
No entanto 20 bairros entraram em situação de alto risco.
Um novo levantamento, previsto para março, ainda não foi realizado. Segundo assessoria da Vigilância Sanitária toda equipe e esforços estão concentrado em ações de dedetização em áreas consideradas de risco.
Não há informação de quando o novo levantamento será feito.

Em agosto de 2011, Tio Salim me enviou seu último livro, Reinvenção da Infância, mais um volume de memórias calçado nas lembranças mais remotas de um guri vindo do Oriente.
Brossard critica o uso da expressão “crime de responsabilidade” na Constituição, por criar confusão e dar a entender que o impeachment é algo que não é – preferia o uso de “infrações políticas”, um termo mais claro para qualificar as instâncias passíveis de impeachment. Ele considera, enfim, o impeachment um processo “penoso e traumático” que paralisa a nação, uma “falácia institucional pomposa e inútil”. “Não funciona porque é lerdo em demasia, ao passo que as crises evoluem rapidamente e reclamam rápidas soluções”, escreveu. “Incapaz de solucionar as crises constitucionais, paradoxalmente, contribui para o agravamento delas.” A partir desta semana, quando o Senado, pela primeira vez na história. começa a apreciar o julgamento de um presidente em exercício – Collor renunciou antes dessa fase –, o Brasil testará os vaticínios de Brossard.?