O Sindicato dos Vigilantes já há dois anos havia alertado para a falta de segurança no Hospital de Pronto Socorro (HPS), devido à redução no número de vigilantes no local.
Na terça, 19, isso ficou comprovado, quando um homem armado invadiu o setor de emergência do hospital e disparou vários tiros contra um paciente.
Num documento de maio de 2014, o sindicato registra:
“Era um efetivo de quatro vigilantes por turno, que ainda não era suficiente, e agora com um quadro de (apenas) três profissionais deixa totalmente vulnerável a segurança deste importante órgão municipal e também daqueles que são seus usuários”.
O documento foi apresentado no início da tarde desta sexta-feira (22), num ato público por mais segurança em frente ao hospital, com a participação de representantes do Sindivigilantes do Sul, Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Sindicato dos Municipários (Simpa), Associação dos Servidores do HPS (Serhps) e Sindicato dos Enfermeiros (Sergs).
Este protesto ocorre três dias após um homem armado ter invadido o setor de emergência do hospital, onde efetuou vários disparos contra um paciente, que resultou ferido com gravidade, provocando uma situação de medo e pânico entre profissionais de saúde e pacientes.
“Já era previsível que isso iria acontecer, já tínhamos avisado”, discursou o secretário de Políticas Públicas do Sindivigilantes do Sul, Marlon Costa.
“Estamos aqui para alertar os trabalhadores e as pessoas que vêm ao hospital buscar atendimento do risco que estão correndo”, completou.
O secretário do Conselho Fiscal, Jaqueson Fernandes, ressaltou que seriam necessários pelo menos dez vigilantes para uma instituição daquele porte. “A empresa prestadora (Seltec) foi notificada para ampliar o efetivo no hospital, mas isso nunca aconteceu”, denunciou.
Dirigentes das demais entidades cobraram providências do prefeito, José Fortunati, e do governo do Estado, lembrando que fatos semelhantes já ocorreram em outros hospitais, como o Grupo Hospitalar Conceição.
“Não é fácil trabalhar no HPS em situações normais. Imaginem, então, com essa completa falta de segurança vivida pela saúde pública”, diz a carta aberta da Asphs, divulgada no protesto.
Autor: da Redação
Sindicato alertou para a falta de segurança no HPS
Por que a mídia não quis ouvir Joaquim Barbosa?
P.C. de Lester
O maior sintoma de que há um golpe em andamento é a manipulação do noticiário, sutil quase sempre, às vezes escancarada.
Um exemplo, quentinho: a palestra do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, na sexta-feira em Florianópolis.
Ele vinha dando sinais de que discordava das interpretações legalistas que foram feitas (e trombeteadas) a respeito do processo de impeachment contra Dilma Rousseff.
Postou varias mensagens no twitter, intrigantes, questionadoras. E anunciou que falaria mais sobre o assunto na palestra que faria em um evento da Unimed Florianópolis na sexta.
E falou. Disse claramente que “falta fundamentação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff”.
“”Há um problema sério com a fundamentação. Tenho uma certa dificuldade, uma mal estar como ex-magistrado, com esse fundamento. A alegação é fraca e causa desconforto. Descumprimento de regra orçamentária é regra de todos os governos da Nação. Não é por outro motivo que os Estados estão quebrados. Há um problema sério de proporcionalidade. Não estou dizendo que ela não descumpriu as regras orçamentárias. O que estou querendo dizer é que é desproporcional tirar uma presidente sobre esse fundamento num país como o nosso. Vão aparecer dúvidas sobre a justeza dessa discussão. Mais do que isso, essa dúvida se transformará em ódio entre parcelas da população. Quanto à justeza e ao acerto político dessa medida tenho dúvidas muito sinceras”, afirmou.
“Acredito que, à medida que o tempo for passando, vão crescendo as dúvidas e os pensamentos de boa parte dos brasileiros quanto à justeza dessa destituição, que sem dúvida alguma vai acontecer dentro de duas ou três semanas. Mais do que isso, acho que essa dúvida paulatinamente se transformará em um racha profundo, uma rivalidade, um ódio entre parcela da população. A história mostra, o impeachment provoca esse tipo de paixões. Se ele não é fundamentado de maneira indiscutível, incontroversa, vai provocar esse tipo de discussão. E isso já estamos vendo no cotidiano do Brasil”.
“Quanto à justeza e ao acerto político dessa medida tenho dúvidas muito sinceras. E essa a interpretação que estou dando em primeira mão para vocês. Por outro lado, tem que se levar em conta, impeachment não é só uma questão legal, do domínio dos profissionais dos direitos. É muito mais político do que jurídico. E é isso que a maior parte dos autores desse processo em curso não conseguem perceber. Estamos lidando com algo que mexe com a relação delicada que cada um e nós mantém com o Estado que governo as nossas vidas”.
Graves e importantes declarações de uma figura como Joaquim Barbosa, mesmo que estimuladas por alguma ambição política (ele prega eleições gerais, como saída para a crise).
A palestra terminou antes das dez horas da manhã, conforme registrou o Diário Catarinense. Na mesma hora estava no 247.
Suas palavras foram, no entanto, ignoradas pelos informativos on line e os noticiários da Globo, Estadão, Folha… só a Zero Hora deu no site uma nota copiada do DC. Postou pouco depois das dez e às seis da tarde já estava fora da capa.
A edição impressa da ZH, a dita superedição de fim de semana, que circula sábado deu cinco linhas no pé de uma nota, amaciando as declarações de Barbosa.
No dia em que Dilma falaria na ONU sobre a crise brasileira, não era conveniente uma voz como a de Joaquim Barbosa engrossando o coro dos que dizem que esse impeachment é um golpe parlamentar.
Se ele tivesse dito que o impeachment é legal, teria merecido manchetes.Ambientalistas condenam instalação elétrica no Ferrabras
Ambientalistas e moradores da cidade de Sapiranga, distante 50 quilômetros de Porto Alegre, recolheram cinco mil assinaturas para frear a instalação de linhas transmissoras de energia elétrica no Morro Ferrabras.
A informação é do jornal Correio do Povo deste sábado (23), que adianta ainda que uma audiência pública para tratar sobre o tema deve ser realizada na cidade no dia 12 de maio.
O Ferrabras é um dos principais pontos de voo livre do Estado e possui rica biodiversidade.
O projeto é da Eletrosul, que pretende passar uma rede elétrica de alta tensão em um trajeto que passa por dentro do Núcleo da Reserva da Biosfera e da Área Prioritária para a Conservação da Natureza dos Contrafortes do Ferrabras, ambas protegidas por lei.
Moradores da região acreditam que a construção causará impactos permanentes na fauna, flora e nos recursos hídricos do local.
Além disso, poderá interferir negativamente também na subsistência das comunidades locais. “Pode comprometer o potencial turístico da região”, alerta o diretor-presidente da ong Araçá-PItanga, o biólogo Luís Fernando Stumpf.
O Conselho do Plano Diretor do município já se manifestou contra a obra. A secretaria de Planejamento, por sua vez, sugeriu que a empresa instale a linha na face sul do morro, onde já há redes elétricas instaladas.
O projeto ainda está sob análise da Fundação de Proteção Ambiental do Estado (Fepam).
A obra de extensão da rede elétrica está estimada em R$ 4 bilhões e prevê sete linhas de transmissão de energia.Número de domésticas com FGTS cresce sete vezes em um ano
A regulamentação do trabalho doméstico produziu um efeito multiplicador no recolhimento do FGTS entre os patrões: há um ano, apenas 188 mil empregados nesta categoria tinham contas vinculadas à previdência social.
Hoje, são 1,3 milhão de trabalhadores com esse direito, quase sete vezes mais.
Os dados são do Ministério do Trabalho, que os atribui à chamada PEC das Domésticas, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidente Dilma Rousseff em junho de 2015.
O número, entretanto, ainda é bastante inferior ao universo total desses trabalhadores, estimados pelo ministério em 6 milhões em todo o Brasil.
“Nós não tínhamos esses direitos, foi um avanço. Só não contávamos com o ódio dos patrões, que estavam acostumados com a trabalhadora que morava no local de trabalho e estava 24 horas por dia à disposição”, condena a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Oliveira.
A baiana, que estará em Porto Alegre na segunda-feira para um debate com o ministro do Trabalho e Previdência Social Miguel Rossetto ilustra: a contribuição patronal de 8% do FGTS, para quem paga salário mínimo, é o equivalente a R$ 70,40. Para um salário de R$ 920, ela se eleva a R$ 73,60.
“Para alguns deles, é um absurdo apesar de o valor ser irrisório. Não é uma questão de dinheiro”, sentencia.
Salários duplicaram com legislação
A nova legislação garantiu outros direitos como carteira assinada, intervalo de almoço, adicional noturno e horas extras e carga horária reduzida aos sábado.
A média salarial também deu um salto: atualmente é de R$ 924 para quem tem carteira assinada, contra R$ 578 pagos na informalidade – que era uma realidade para 70% da categoria.
“Claro que gostaríamos que algumas coisas fossem diferentes, por exemplo, outros trabalhadores já tem direito a cinco parcelas do seguro desemprego e nós, apenas a três. A luta continua, mas é certo que houve avanços”, elogia Creuza Oliveira.
Negras: o elo mais frágil da cadeia
Presidente da Federação Nacional das Domésticas, Creuza Oliveira participa de debate em Porto Alegre | Erasmo Salomão/MTPS
Chamar a classe de “trabalhadores domésticos” é, na verdade, uma universalização pouco ilustrativa, já que 92% das pessoas que desempenham funções em casas de família são mulheres.
E, entre elas, as mais abundantes nestes postos são as negras, recebem menos pela prestação de serviço e possuem escolaridade menor.
Em 2014, o índice de trabalho doméstico entre mulheres brancas era de 10%, enquanto que entre as negras era de 17%. Entre as primeiras, 33,5% possuíam carteira assinada, realidade que caía a 28,6% entre as negras.
“O atual perfil das trabalhadoras domésticas continua sendo o de mulheres negras, porém mais velhas, já que as mais jovens estão tendo oportunidades em outros campos de trabalho, fazendo faculdade”, celebra a sindicalista.
A própria Creuza é um exemplo dessa mudança: nascida em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, aos 10 anos de idade começou a trabalhar como doméstica sem receber salário – apenas comida e moradia. Foi apenas aos 29 anos, em 1986, que ela conheceu um grupo de outras empregadas e começaram a construir uma associação para lutar pelos seus direitos.
“Passei de tudo: violência física, psicológica, tentativa de abuso sexual. Mas hoje somos convidadas para dar palestras em escolas públicas e em universidades. A gente não se cansa”, conclui.
Serviço:
O quê: Seminário ‘Os direitos das trabalhadoras domésticas: avanços e desafios’
Quem: Creuza Oliveira, presidente da Federação Nacional e ministro do Trabalho, MIguel Rossetto
Quando: segunda-feira, 25 de abril,das 10h às 13h
Onde: Auditório do Ministério da Fazenda (Avenida Loureiro da Silva, 445 – Cidade Baixa)Chuva adia abraço ao Cais Mauá para o dia 7 de maio
O final de semana chuvoso obrigou os realizadores do abraço ao Cais Mauá a transferirem a atividade, que ocorreria neste sábado, para o dia 7 de maio.
O evento vem sendo preparado há tempo, porém a agenda política antes (a atividade havia sido programada para o dia 17 de abril, data em que foi votado o impeachment de Dilma na Câmara Federal) e agora a previsão do tempo, tem dificultado o encontro.
O coletivo Cais Mauá de Todos quer repetir uma ação de ambientalistas que, na década de 80 fizeram abraçaram o Guaíba para chamar atenção de autoridades à necessidade de preservação do rio.
Leia o especial do JÁ:
DOSSIÊ CAIS MAUÁ – Revitalização desafia governos há três décadas
DOSSIÊ CAIS MAUÁ – Licitação teve um único concorrente
DOSSIÊ CAIS MAUÁ – Mudanças acionárias movimentam milhões
Neste caso, a preocupação não é tanto com o meio ambiente, mas com a proteção da identidade e do patrimônio histórico de Porto Alegre. O grupo é crítico à revitalização do Cais Mauá proposta pelo consórcio vencedor da licitação que tem como principais pontos polêmicos a construção de três torres de escritórios comerciais com até 100 metros de altura (quase o dobro do que permite o Plano Diretor de Porto Alegre), um shopping center ao lado da Usina do Gasômetro e estacionamentos com vagas para ceca de 5 mil automóveis.
Além de atividades culturais como o abraço ao Cais, o grupo encabeça diversas ações judiciais que pedem a rescisão do contrato entre poder público e iniciativa privada – a maior parte usa como argumentos um relatório do Tribunal de Contas do Estado que aponta irregularidades no negócio – e organiza ainda frentes políticas para tentar reverter a situação.Premiado espetáculo Cadarço de Sapato faz últimas sessões
Elogiado pela crítica e merecedor de diversos prêmios, o espetáculo de teatro Cadarço de Sapato ou Ninguém Está Acima da Redenção encerra, no domingo (24), sua temporada na Sala Álvaro Moreyra.
Livremente inspirado na dramaturgia da inglesa Sarah Kane, a montagem da Cia Teatrofídico propõe um diálogo fragmentado e confessional, que mescla trechos de sua obra com a representação da prórpia vida da autora.
“Sarah Kane é um nome infelizmente ainda pouco conhecido no Brasil. Escreveu apenas cinco peças, mas é considerada a dramaturga inglesa mais importante do final do século XX”, recomenda o crítico Antonio Hohlfeldt, em sua coluna no Jornal do Comércio.
Buscando uma atuação performática os atores não revelam “personagens” mas sim situações e sentimentos num jogo de desconstrução e anticlímax.
Renato Del Campão recebeu ano passado o Prêmio Açorianos de Teatro na categoria de melhor ator com esta peça, que também levou o prêmio de melhor direção, com Eduardo Kraemer, e melhor cenário, com Ale Navarro. A peça também foi indicada em 2015 para melhor espetáculo e melhor produção.
Ficha Técnica:
Texto: Criação coletiva
Atuação: Renato Del Campão, Rejane Meneguetti, Jairo Klein, Adriana Lampert, Gustavo Razzera e Aline Szpakowski
Direção, Trilha Sonora e Iluminação: Eduardo Kraemer
Cenografia: Alexandre Navarro
Figurinos: Alunos do curso de Moda da Feevale
Produção: Cia Teatrofídico
Serviço
Onde: Sala Álvaro Moreyra (av. Erico Verissimo, 307)
Quando: Sábado, 23, e domingo, 24
Horário: 20h
Ingressos: R$ 30 (inteira) R$ 15 (meia entrada) na bilheteria do teatro uma hora antes do espetáculo.Os ministros estão nus!
Raul Ellwanger
Zapeando distraído, na quarta feira dia 20 de abril cruzei na tela com o ministro Celso de Mello, numa longa fala. Em seguida, outra longa fala do ministro Toffoli. E logo outra longa fala do ministro Mendes.
Percebi que o momento era sério, grave. Três ministros do Supremo jogados ao ar de enfiada, colados na edição, somando uns dez minutos. Pensei: caramba, algo aconteceu, deram um golpe, está chovendo Zika virus, o deputado Cunha enfartou, meu Cruzeiro de Porto Alegre saiu campeão, houve um terremoto em Brasília e a Bolívia invadiu o Atacama!!!
Diz a tradição: juiz só fala nos autos. Mas estes loquazes três ministros falavam pelos cotovelos e bíceps, no meio da rua, por entre os autos, acima das bicicletas e nas roletas dos ônibus, falavam aos gritos, para todo o país ouvir em horário televisivo de pico, escancaravam bocas e olhos para serem notados.
Eram três dos máximos dirigentes do país arengando ao conjunto do povo, eram a reserva moral no meio do tumulto!
Importantíssimo! Um só deles já seria magnifico.
Imagino um membro da mais alta Corte vir a auxiliar o país, deixando de lado aquela fila histórica de centenas de milhares de processos que esperam sob a poeira de suas togas, para debruçar-se ante a opinião pública como impoluto Mestre e mostrar a luz aos concidadãos.
Já que são três e falam muito tempo no megafone fora dos autos, qual seria o processo jurídico tão descomunal, estratégico e urgente, que os obrigasse a deixar suas pesadas tarefas legais e a quebrar a norma de prudência e discrição?
Nem mesmo o impedimento da Presidente demandaria tamanha organização e dedicação coletiva, afinal as câmaras legislativas vão fazendo seu serviço.
Mas não era nada disso, nada de tão importante assim, nem sequer era da alçada deles. O assunto era mais prosaico. Ou parecia. Os três falaram do mesmo assunto, com as mesmas três ideias, na mesma ordem, com o mesmo ar compungido de normalistas surpresas, quase traídas. Diziam, todos os três, na mesma ordem:
1) “sim, claro, este assunto não é minha atribuição, não me compete”;
2) “bom, mas por alguma razão ou força inexplicável, vou falar assim mesmo”;
3) “a ida e a fala da Presidenta ao exterior é impropria, inconveniente, pode gerar isto ou aquilo, esta hipóteses, aquela crise, etc, etc, etc “.
Nenhum conseguiu articular o porque da fala ser ruim para o Brasil, mostrando que o ensaio era cabal até nos silêncios.
Os idênticos olhares de cordeiro, as mesmas comissuras caídas, o biquinho labial de muxoxo, a uníssona tonalidade mansa dos três combinavam com a conversa do tipo “Joãozinho do passo certo”, no caso, “do papo certo”, parecendo três coroinhas que tivessem vindo recitar o catecismo ante a filmadora severa do padre, cada qual mais aplicado em repetir a idêntica lição.
Com alivio, pois afinal o vulcão Etna e a Falha de San Andrés seguiam tranquilos e o Sol cumpria sua rota normal, descobri então que a monótona emissora tinha ampliado o plantel de comentaristas internacionais. Sim, agora nada mais de Jaboresinhos e Nóibartinhas, agora os noticiários são de nível ministerial. Não apenas com simples jornalistas, mas com finíssima e selecionada ‘elèvage’, que conta simplesmente com três Ministros do Supremo, o que daria um peso cavalar às suas opiniões.
Não consegui, entretanto, descobrir qual a poderosa força do item 2) que os fez romper com o item 1) e desaguar impropria e arriscadamente no item 3).
Que motorização os fez dilapidar a já fatigada imagem do STF? Quem os mobilizou? Foi a repórter da salinha de redação via emei, foi algum estagiário que ligou do seu celular?
Mas se isto não era pauta nenhuma, ninguém associava STF com viagem presidencial, a matéria é um invento, como notícia é uma barrigada (de dez minutos)! Estou convencido de que foi uma força poderosa, um oculto tsunami, uma retroescavadeira que tirou os ministros do pedestal e os jogou ao lixo das ruas.
Fiquei com duas perguntas, sendo a primeira: que poder pode, em qualquer país do mundo, juntar no mesmo dia, na mesma hora, na mesma arenga com o mesmo texto, mais da quarta parte de seu máximo Tribunal numa véspera de feriado, para colocar o dedo em terra alheia, justamente membros daquela Corte que deveriam analisar questões constitucionais e que vem, misteriosamente, denegrir a presença internacional do seu próprio pais?
Acho que ninguém, nem o Presidente Obama consiga. Ou talvez o tirano saudita consiga. Não lembro da Presidente Dilma (que sim, tem o dever de representar seu país no exterior) comentar a esclarecedora e oportuna viajem de Mendes e Toffoli para um evento tipo pitza “pré-pronta”, por eles mesmos organizado e auto-convidados em Portugal, num estranho conjunto com gulosos políticos derrotados em 2014.
A segunda pergunta que ficou boiando na minha cabeça: porque foi necessário despí-los da aura de imparcialidade, porque tirar aquela venda que cobre os olhos do juiz, porque mostrar os três homens nus, sem roupa, à vista de todos delatando suas preferencias?
Porque eles tem que comentar uma viagem de outro Poder, se é que se fez antes com algum Presidente ou funcionário?
Lembremos de Osvaldo Aranha e todos os demais, ano após anos, representando o Brasil nas aberturas da Assembleia Geral da ONU!
Porque atacar isto, porque fazê-lo, porque fazê-lo no dia 22 de abril, porque cometer esta violência institucional degradando o STF, porque correr este risco político, porque gastar este fusível, porque esta desmoralização gritante da dita Justiça, porque afetar a independência entre os Poderes?
Imagino como se sentem os outros ministros do STF e das demais instâncias, os desembargadores e os jovens juízes sinceros em suas comarcas distantes, os advogados que lutam por seus clientes, o cidadão comum que crê no Direito, ao verem seus ‘magister’ engalfinhados na politica rasteira pela mão enluvada dos donos unitários da monocórdica comunicação eletrônica do Brasil.
Meu bom Barão de Itararé, há algo mais no ar, além do avião do Zezé e a poeira que levanta. Por fim, mais uma dúvida: serão os três ministros contratados como comentaristas fixos no plantel da uniemissora, terão as carteiras assinadas e recolherão os impostos trabalhistas? Afinal, todo trabalho deve ser remunerado.Nova diretoria vai comandar sindicato dos Correios até 2019
A chapa 1, Luta pela Base, com 588 votos, foi a mais bem sucedida nas eleições do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos/RS (Sintect/RS), triênio 2016/2019, ficando com três pastas na diretoria e uma sub sede.
A condução do sindicato é exercida de forma colegiada e proporcional, com as sete chapas concorrentes ao pleito elegendo representantes na diretoria.
As eleições foram realizadas entre os dias 18 e 20 de abril e disputadas entre grupos que representam as Centrais Sindicais, CUT, CTB e CSP-Conlutas. O Sintect/RS tem cerca de seis mil carteiros associados, dos oito mil existentes no Estado e movimenta uma verba anual de R$ 1.080,000, arrecadados entre seus associados.
RESULTADO FINAL
Chapa 1 – Luta pela Base – 588 votos – fica com três pastas e uma sub sede
Chapa 2 – Muda Sindicato – 394 votos – fica com duas pastas e uma sub sede
Chapa 3 – Unidade, Retomando o Sintect pela Base – 451 votos – fica com duas pastas e uma sub sede
Chapa 4 – Unidade Classista pela Base – 129 votos – uma pasta e nenhuma sub sede
Chapa 5 – Unidos Somos Fortes – 257 votos – uma pasta e uma sub sede
Chapa 6 – Unidade pela Base – 263 votos – uma pasta e uma sub sede
Chapa 7 – Renova + Ação – 301 votos – uma pasta e uma subsedeAbraço coletivo ao Cais Mauá clama por projeto alternativo
Neste sábado (23/04), às 17 horas, vai ocorrer um abraço coletivo ao Cais Mauá de Porto Alegre, para chamar a atenção do poder público para a singularidade do espaço, cuja revitalização é questionada por um grupo de cidadãos.
Leia o Dossiê Cais Mauá
A ação, inspirada em um abraço dos ambientalistas ao Rio Guaíba em 1988, é proposta do movimento Cais Mauá de Todos que está convocando a população pelas redes sociais para a defesa um novo projeto arquitetônico e urbanístico para o local.
A revitalização prevista para a área inclui o restauro dos armazéns tomados, porém prevê a derrubada do conjunto A7, que não está sob proteção e a construção de três torres comerciais, shopping center e estacionamento com 5 mil vagas.
A concentração será na Avenida Sepúlveda e terá intervenções artísticas e musicais. “Não vamos permitir que o maior símbolo de Porto Alegre seja privatizado e desfigurado, com a construção de espigões, shopping e mega estacionamentos”, defendem os integrantes do movimento.
Eles lembram ainda que nos anos 50, o Parcão quase virou loteamento de prédios; nos 70, tentaram demolir o Mercado Público e, nos 80, a Usina do Gasômetro. “Todos foram salvos graças a mobilizações da sociedade civil, movimentos espontâneos e legítimos. Demolir, destruir ou desfigurar o patrimônio público e a paisagem de Porto Alegre parece ser o esporte preferido de certos agentes públicos e privados. Agora a bola da vez é o Cais Mauá”, observam.
Se chover o evento será transferido para o dia seguinte: 24/05 no mesmo horário.
SERVIÇO
O que: Abraçaço ao Cais Mauá
Quando: Sábado (23/04)
Horário: 17 horas
Onde: Avenida Sepúlveda (em frente ao portão central de acesso ao Cais)Usuários de ônibus ganharão conselho ainda em abril
O secretário adjunto de Governança Local, Carlos Siegle de Souza, garantiu, na última quarta-feira (20), que o Conselho de Usuários do Novo Sistema de Transporte Coletivo de Porto Alegre será criado ainda em abril.
“Até o final do mês criaremos um conselho provisório, onde cada um dos 17 Fóruns Regionais do Orçamento Participativo elegerá um titular e um suplente. Essa será a primeira etapa. Esse grupo, após a definição dos nomes, terá seis meses para chamar uma eleição definitiva e estabelecer regimento interno”, ressaltou.
A previsão foi feita durante a reunião do Conselho Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu) de Porto Alegre. Segundo Souza, o colegiado terá um funcionamento semelhante ao do Conselho do Plano Diretor.
Apesar de o sistema de transporte coletivo em Porto Alegre estar operando através de licitação – a primeira na história do serviço na cidade – desde o início do ano, mitas críticas ainda são feitas à operação, especialmente quanto ao valor da tarifa, atualmente fixado em R$ 3,75.
Recentemente, o economista da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul André Augustin, denunciou um erro de cálculo que poderia estar entregando às empresas que prestam o serviço R$ 8 milhões a mais por ano.
A existência de ar condicionado apenas em parte da frota também gera questionamentos dos usuários.
Qualquer cidadão pode se candidatar
As eleições definitivas para o conselho de usuários, em data a ser definida, serão abertas a qualquer cidadão que quiser se candidatar. As votações acontecerão em cada um das 17 regiões do OP.
Ao todo, serão 21 representantes, 17 representantes da sociedade e quatro da Câmara Temática de Circulação e Transporte. O objetivo é dar suporte para a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) fiscalizar a prestação de serviço, visando a qualidade do sistema.
PL determina reserva de todos os assentos
Enquanto isso, tramita na Câmara Municipal um projeto de lei que reserva a totalidade dos assentos em ônibus metropolitanos para uso de gestantes, idosos, obesos, pessoas com deficiência, mulheres e pessoas com limitação temporária de locomoção.
“Hoje, apenas uma pequena parcela dos assentos dos coletivos é destinada a grupos preferenciais, números que não atendem mais às demandas e às circunstâncias atuais”, acredita o autor do PL, Paulo Brum (PTB).
Ele justifica sua proposta dizendo que em horários de pico os coletivos ficam superlotados, e, muitas vezes, as pessoas dos grupos especiais acabam sendo transportadas em pé, dentro dos veículos.

“Acredito que, à medida que o tempo for passando, vão crescendo as dúvidas e os pensamentos de boa parte dos brasileiros quanto à justeza dessa destituição, que sem dúvida alguma vai acontecer dentro de duas ou três semanas. Mais do que isso, acho que essa dúvida paulatinamente se transformará em um racha profundo, uma rivalidade, um ódio entre parcela da população. A história mostra, o impeachment provoca esse tipo de paixões. Se ele não é fundamentado de maneira indiscutível, incontroversa, vai provocar esse tipo de discussão. E isso já estamos vendo no cotidiano do Brasil”.
Diz a tradição: juiz só fala nos autos. Mas estes loquazes três ministros falavam pelos cotovelos e bíceps, no meio da rua, por entre os autos, acima das bicicletas e nas roletas dos ônibus, falavam aos gritos, para todo o país ouvir em horário televisivo de pico, escancaravam bocas e olhos para serem notados.
Nenhum conseguiu articular o porque da fala ser ruim para o Brasil, mostrando que o ensaio era cabal até nos silêncios.
A segunda pergunta que ficou boiando na minha cabeça: porque foi necessário despí-los da aura de imparcialidade, porque tirar aquela venda que cobre os olhos do juiz, porque mostrar os três homens nus, sem roupa, à vista de todos delatando suas preferencias?