Autor: da Redação

  • Oficina vai discutir projeto de recuperação do Gasômetro

    Uma oficina colaborativa vai colher sugestões da população para o projeto de revitalização da Usina do Gasômetro. A atividade acontece na próxima segunda-feira, 18, a partir das 17h30 na própria Usina.
    A atividade é organizada pelo escritório 3C Arquitetura e Urbanismo, vencedor de licitação da Prefeitura de Porto Alegre, que promove o evento através da Secretaria Municipal da Cultura.
    A oficina  será realizada na própria Usina e são esperadas cerca de 80 pessoas, que serão divididas em grupos para o trabalho. A atividade faz parte da etapa de anteprojeto da recuperação do espaço.
    A ideia é que funcionários, artistas e usuários do espaço possam contribuir no processo. Ao final, as discussões e sugestões serão consolidadas e, de acordo com a viabilidade, integradas ao projeto.
    Estão confirmadas as presenças do secretário da Cultura de Porto Alegre, Roque Jacoby, do coordenador da Memória da Secretaria Municipal da Cultural, Luiz Custódio, e do arquiteto Tiago Holzmann da Silva, do escritório 3C.

  • O "fator Cunha" na hora do vamos ver

    P.C. de Lester
    Na véspera da decisão da Câmara sobre a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a imprensa estrangeira está dando as manchetes que a nacional tem escamoteado. El Pais: “Cunha é o preço vergonhoso que a oposição aceitou pagar”.
    “A imprensa estrangeira e parte da nacional se estarrece na hora de descrever a ficha corrida dele e dos aliados que comandarão o Big Brother da destituição até domingo na Câmara”, diz Flávia Marreiro no espanhol El País.
    “Os aliados do vice-presidente Michel Temer tentam acalmar os mais desconfortáveis garantindo que, ao menos, Cunha não será mais presidente da Câmara depois que o serviço estiver feito. Pode ser, mas não faltará em seu círculo quem avalie que seria burro tirar um político tão competente e com um comando ímpar da Casa justamente quando se promete aprovar projetos que necessitam de grande número de votos”.
    The New York Times, maior jornal do mundo, foi ainda mais  fundo. Disse que Dilma, honesta, está sendo julgada por incriminados como Eduardo Cunha, que, nesta sexta-feira, foi denunciado por mais um delator, que o acusou de receber propina de R$ 52 milhões em 36 parcelas”
    A imprensa nacional ainda mantém o “fator Cunha” como um dado secundário, que pode passar batido, diante da importância que é tirar Dilma da presidência.
    Mas aos poucos uma parte da opinião pública não partidarizada começa a se dar conta do que pode significar esse “pacto com Cunha”.
    Na terça-feira a comentarista política da RBS, Carolina Bahia, disse na Gaúcha que colhera em fonte segura a informação de que estava fechado um acordo para  blindar Cunha, depois do impeachment, sem lhe tirar o poder real.
    Cunha deixaria a presidência da Câmara, que seria assumida por Rogério Rosso, aliado de Cunha que presidiu a Comissão que acolheu o impeachment na Casa.
    Sob a proteção do foro privilegiado e com sua imensa capacidade de manobrar nos bastidores, Cunha enfrentaria os processos por corrupção no Supremo.
    Rosane de Oliveira, no estúdio em Porto Alegre, brincou, quando a colega encerrou o seu relato: “Vou ter que tomar um Engov para aguentar essa notícia”.
    Curiosamente, o fato não voltou mais à pauta, a não ser por comentários de passagem: “Não convém esquecer que Cunha está incriminado na LavaJato”.
    Agora, de fora para dentro, está ficando claro o risco de ficar nas unhas do Cunha.
    Pelo menos para quem acredita que o item 1 da agenda brasileira deve ser manter e ampliar o combate à corrupção.
     

  • Uma brecha que pode ser fatal para o impeachment

    Pinheiro do Vale
    O jogo só dá impedimento. Cada vez que a bola bate no fundo da rede lá está o bandeirinha com braço levantado decretando o off side e a pelota volta para o tiro de meta.
    É o que parece este embate do impeachment – cada vez que a oposição quer marcar na banheira e lá vem o Supremo mandando voltar atrás.
    Esta imagem serve para mostrar o que ocorreu ontem à noite no plenário do STF.
    Com isto, toda essa gritaria que se está fazendo no plenário da Câmara dos Deputados desde a manhã da sexta-feira, devendo prolongar-se até à tarde de domingo, seriam palavras ao vento.
    Ninguém quer botar a mão em cumbuca. O fato relevante do dia é que o Supremo devolveu a bola que estava no fundo da sua rede para o legislativo, sem alterar o placar.
    Ou seja: deputados podem dizer e votar o que quiserem, mas quem decide se o tal relatório da Comissão Especial tem ou não valor legal é o Senado Federal.
    Ou seja: o relatório da Câmara é só uma queixa. O Senado é que pode dizer se vale ou não para abrir um processo.
    Entretanto, isto ainda não é definitivo porque o Supremo reservou-se o direito de dar a última palavra, caso as regras que estipulou não sejam respeitadas pela Câmara Alta.
    Aí está o “pissilone”. O STF julgou dois pedidos de mandados de segurança idênticos. Um deles impetrado pela presidente Dilma Rousseff.
    O outro pelo deputado Weverton Rocha, do PDT do Maranhão. Os dois pediam a anulação do relatório do deputado Joavair Arantes (PTB de Goiás).
    Espertamente os ministros denegaram, quase unanimes, a ação da presidente, como a dizer que a chefe do Executivo não dobra ninguém naquela Corte.
    Logo em seguida, o mesmo relator, Luiz Edson Fachin, denega o pedido do parlamentar do baixo clero maranhense, mas deixa uma brecha que pode ser fatal para o impeachment. É a casca de banana.
    No primeiro veredito fica sentenciado que a Câmara não julga, mas só acusa, se vencer a aprovação do relatório. Liberados os deputados para irem em frente.
    Em, seguida, o mesmo ministro Fachin derruba a ação seguinte, mas deixa um espaço para o presidente da corte, ministro Ricardo Lewandowski, na setença, relembrar os limites da Câmara: a denúncia deve se ater ao ato de admissibilidade, ou seja, julgar a legalidade das pedaladas e dos créditos da safra.
    Nenhum dos dois “crimes” é criminoso, pois as pedaladas foram dadas em 2014, fora dos limites de culpa, e os créditos para a agropecuária são atos do ministro da Fazenda e do Conselho Monetário Nacional.
    Ou seja: a presidente da República não responde por isto.
    É assim que a questão vai cair no colo do Senado. Isto se a Câmara aceitar o relatório da Comissão Especial do Impeachment, pois muita água vai correr até à tarde de domingo. Ainda não está definido.
    Aprovado o impeachment na Câmara. caso os senadores resolvam abrir o processo, não obstante os limites legais estabelecidos pelo Supremo, a Justiça pode barrar a decisão e impedir que a presidente Dilma Rousseff seja afastada do cargo até um julgamento de mérito, mais demorado e com amplo ritual.
    O ministro Lewandowski foi muito enfático ao definir os poderes do STF para barrar o impeachment se vier eivado de ilegalidades:
    “Embora não tenha sido eleitos pelo povo, juízes têm legitimidade nacional. Como juiz da Suprema Corte, tenho legitimidade, sim para rever os atos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário”, disse o presidente do alto de seu trono de chefe do Poder Judiciário, reafirmando que o Supremo tem direito para rever os atos dos demais poderes da República.
    Assim, os deputados vão entrar numa armadilha política e legal.
    Se aprovarem o impeachment não podem implementá-lo. E não adianta botar os coxinhas na rua, pois aí estão as forças Armadas para garantir que as decisões finais do Judiciário sejam acatadas por toda a sociedade, doa a quem doer.
     
     

  • Votação do impeachment modifica rotina em Porto Alegre

    O início da votação do impeachment da presidente Dilma Roussef, em Brasília, nessa sexta-feira (15), modifica a rotina em porto Alegre, onde grupos contrários e favoráveis ao afastamento da presidente preveem uma série de atividades até domingo, quando o processo deverá ser concluído.
    Nesta sexta-feira, a partir das 8h30, uma marcha da Via Campesina parte da avenida Farrapos, na Zona Norte, em direção à Praça da Matriz, no Centro Histórico. A caminhada em defesa do mandato de Dilma passa ainda pelas avenidas Mauá e Borges de Medeiros.
    O destino final dos agricultores é o “Acampamento da Legalidade e da Democracia”, que desde o início da semana domina o cenário do núcleo onde estão instalados os três poderes do rio Grande do Sul.
    Roda de samba e debate constitucionalista
    No “Acampamento pela Legalidade e Democracia”, movimentos sociais promovem atividades culturais e debates diariamente. Na noite de quinta-feira (14), por exemplo, a praça foi palco de uma aula pública sobre o papel da imprensa no processo de impeachment.
    Hoje, às 21h, rola uma roda de samba no local.
    Ainda nesta sexta-feira, estão previstos dois atos de movimentos contra a derrubada da presidente da República.
    A partir das 17 horas, uma concentração está sendo convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo para a Esquina Democrática. Como em ocasiões anteriores, o grupo deve sair em caminhada até o Largo Zumbi dos Palmares, na Cidade Baixa.
    Já os advogados, juízes, promotores, procuradores e servidores que defendem a legalidade da permanência de Dilma no poder, realizam uma aula pública com Marcelo Lavenère e Pedro Estevam Serrano sobre a Constituição. O evento ocorre no auditório da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi), na rua Fernando Machado nº 820, também no Centro Histórico.
    As atividades programadas para esta sexta levaram a presidente da Assembleia Legislativa, Silvana Covatti (PP) a suspender o expediente no Legislativo estadual. Em nota, ela menciona a responsabilidade “pela integridade física dos visitantes, dos servidores e das autoridades” e a “manutenção da ordem e da proteção do patrimônio público” como motivos para a decisão, embora nenhum dos atos dos últimos dias tenha registrado qualquer episódio de violência.
    Final de semana intenso
    No sábado (16) a mobilização anti-impeachment segue com uma aula pública sobre a ditadura militar às 17h no Parque da Redenção.
    Os professores de história Bernardo De Carli, Aécio Severo, Fábio Viecili e Lourenço Teixeira vão traçar um paralelo entre o Golpe de 1964 no Brasil com conjuntura atual, abordando ainda, os períodos autoritários em outros países da América Latina.
    No domingo (17), quando o Congresso Nacional deverá decidir se a presidente Dilma deve se afastar ou irá permanecer no cargo – ela está sendo julgada pelas ‘pedaladas fiscais’, que é uma operação financeira de antecipação de receitas interna utilizada frequentemente por agentes públicos para priorizar determinadas despesas em relação a outras – a cidade estará em vigília.
    Pela manhã, militantes de movimentos sociais se unem a artistas e produtores culturais realizam a segunda edição do Cortejo pela Democracia, que parte do Auditório Araujo Viana às 10h.
    Críticos à Dilma se reúnem no Parcão
    Os grupos opositores ao governo Dilma Rousseff se mantém em vigília no Acampamento Sérgio Moro, no Parcão. Lá, o grande evento será a transmissão ao vivo da sessão na Câmara Federal que vai decidir o futuro de Dilma Rousseff, no domingo, a partir das 14h.
    Mas o sábado também contará com uma palestra de Thomas Giulliano Ferreira dos Santos, cujo tema será “Dom Pedro II e Liberalismo no Brasil”.

  • Prefeitura pode propor tombamento nacional do Viaduto Otávio Rocha

    A dificuldade de viabilizar com recursos locais o restauro do Viaduto Otávio Rocha, no Centro Histórico de Porto Alegre, pode levar a prefeitura a sugerir o tombamento nacional do monumento. A obra de engenharia já é protegida pelo município desde 1988.
    A ideia foi apresentada pela arquiteta da Secretaria Municipal da Cultura, Briane Bicca, em uma reunião no gabinete do vice-prefeito, Sebastião Melo, na tarde de quinta-feira (14). Caso o monumento se tornasse patrimônio histórico federal, seria possível captar recursos mais facilmente para financiamento da revitalização.
    “O Viaduto Otávio Rocha tem todos os requisitos para ser tombado e reconhecido como patrimônio cultural federal ou até internacional”, propôs a arquiteta.
    Um projeto de restauro foi apresentado pela prefeitura em setembro do ano passado, mas até agora não houve avanços porque faltam recursos. O autor do projeto, arquiteto Alan Furlan, se comprometeu a organizar um levantamento histórico da edificação para ser encaminhado ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
    Já o vice-prefeito, Sebastião Melo, sugeriu uma solução via PPP. “Também podemos buscar contrapartidas com a iniciativa privada para a revitalização. A solução para o Viaduto Otávio Rocha não será somente do governo, mas sim de uma ação conjunta da cidade”, defendeu.
    Recentemente o cenário do viaduto foi usado para a gravação de um comercial de automóvel. Na ocasião, foram retirados os moradores de rua que habitam o vão sob as escadarias.
    Segundo os cálculos feitos pela Associação Representativa Cultural e Comercial do Viaduto, Otávio Rocha (Arcov), são necessários R$ 17 milhões para recuperar o monumento centenário.
    administração comunitária
    O vice-prefeito, Sebastião Melo sugeriu ainda que fosse discutida uma forma de modelagem para a administração do viaduto, com a participação dos moradores do Centro Histórico, permissionários e prefeitura.
    Atualmente, o Viaduto Otávio Rocha possui 34 lojas de diversas atividades. O comércio informal também é rico: agora há até um pintor trabalhando no local.
    No final do encontro ficou definido que na próxima semana acontecerá uma reunião de avaliação das ações e propostas com os participantes.
    obra foi prevista no primeiro plano diretor
    O Viaduto Otávio Rocha começou a ganhar vida em 1914.
    O primeiro Plano Diretor da cidade previu que a abertura de uma rua para ligar as zonas leste, sul e central de Porto Alegre, até então isoladas pelo chamado “morrinho”, era esteticamente necessária.
    As escavações que rebaixaram o morro e permitiram a construção do viaduto tiveram início com o plano de embelezamento da cidade.

  • Quota de traições vai definir placar final do impeachment

    Pinheiro do Vale
    Nesta quinta-feira, circulou em Brasília um placar apurado pelo PC do B dizendo que Dilma Rousseff vai ter 192 votos contrários ao impeachment na votação de domingo, na Câmara dos Deputados.
    Este é o número mais conservador das hostes governistas, menos do que os 203 votos apurados pelo ministro Jacques Wagner, da secretaria pessoal, dando como favas contadas que o relatório da comissão será rejeitado.
    Já a oposição, na contagem de Veja, teria 332 votos pelo impeachment, contra 123 contrários.
    Ou seja: se for assim o jogo ainda está zero a zero, pois nenhum desses resultados atinge a quota mínima para validar alguma continuidade do processo. Fica tudo como está.
    O que se comenta, efetivamente, é que a quota de traições irá definir o placar final.
    Pode ser que muitos parlamentares que deram a sua palavra a Michel Temer, na hora agá deem para trás. Ou o contrário: fiéis apoiadores do governo, vendo a casa cair, podem roer a corda.
    O que mais se comenta, nas áreas sujeitas à traição, é que as tais “pressões das bases” vão definir o que será o placar final.
    Leia-se que essas tais “pressões” são cobranças de financiadores de campanha, nos estados, que estão agarrando seus deputados pela goela para que obedeçam a seus senhores.
    Segundo se fala nos corredores, esse número poderia chegar a 60 parlamentares que não saber a qual santo acender suas velas.
    Eles estariam com a corda no pescoço de um lado, mas contando que, se o impeachment cair, poderão obter favores e prestígio junto ao governo sobrevivente, a ponto de se redimirem com os donos do dinheiro.
    “É aí que acontece aquilo que a oposição chama, em Brasília, de “balcão de negócios” e os governistas de “ação individual extrapartidária”, ou conquista de “voto a voto”.
    Isto na área política, pois ainda está pendente a reação judicial às contestações de legalidade do processo político desencadeado por Jovair Arantes, relator do processo, integrante do PTB de Goiás, partido que até pouco tempo integrava a base aliada.
    As nuvens da política continuam mudando sua forma a cada lufada de vento.

  • Mudança no Plano Diretor pode esvaziar cofres da prefeitura

    O secretário municipal da Fazenda, Jorge Tonetto, admitiu em entrevista ao Jornal do Comércio que a recente alteração do Plano Diretor aprovada na Câmara Municipal mesmo com a contrariedade do Executivo vai esvaziar os cofres da prefeitura.
    “É uma repercussão muito forte. Há um risco real de esvaziamento. Talvez seja fulminante”, alertou.
    Isso acontece porque, além de permitir a construção de espigões no limite máximo de aproveitamento do terreno em até 120 metros para dentro dos bairros onde para a Terceira Perimetral através da compra de índices construtivos, a Câmara decretou que essa negociação pode ser dar diretamente no balcão da prefeitura, sem a exigência de leilões.
    A consequência dessa mudança é que a arrecadação vai cair, uma vez que nos leilões, leva a cota o empreendedor que pagar mais ao município.
    “O momento é errado, não favorece a prefeitura e não favorece a cidade”, lamentou o titular da pasta.
    Originalmente, a Câmara havia aprovado um projeto muito mais amplo, que permitia erguer edifícios mais altos e largos em 20 bairros da cidade, onde passavam, além da avenida, os corredores de BRT.
    Fortunati vetou essa parte, assim como a venda de Solo Criado no balcão, mas o autor do projeto no Legislativo, vereador Reginaldo Pujol (DEM) não abriu mão desse último ponto.
    Diante da nova realidade, a prefeitura, que começou o ano prevendo arrecadar R$ 30 milhões com a oferta de índices construtivos, está revendo seus números.
    “Vai ser uma meta bem inferior”, resume Tonetto, ressalvando, entretanto, que a perda de arrecadação obedece também à conjuntura econômica pouco favorável.
    “O mercado imobiliário sinaliza que não está com muito apetite. Vemos isso na arrecadação de ITBI, que está com o mesmo valor nominal de três anos atrás”, conclui.
    Mobilidade urbana pode ser “inviabilizada”
    Ainda segundo a apuração do Jornal do Comércio, com a determinação de que os recursos oriundos da venda de Solo Criado sejam direcionados, em parte, para a habitação popular e hospitais da cidade, faltará dinheiro para investir em infraestrutura viária.
    Antes, a prefeitura usava em contrapartidas de obras de mobilidade, como a desapropriação de terrenos.
    “Isso pode inviabilizar o financiamento da mobilidade urbana em Porto Alegre. Se esvaziar o leilão, vamos onerar o tesouro. Como fazer isso em um ano de crise e de dificuldades?”, questiona Tonetto.

  • 'Fora Cunha' é desejo de acampados pró e contra impeachment

    Felipe Uhr
    Porto Alegre vive uma situação incomum nessa última semana, com dois acampamentos políticos armados em praça pública.
    Um, a favor do impeachment, ocupa um quadrado do Parcão desde março, na esquina da rua Mostardeiro com a Avenida Goethe, no bairro Moinhos de Vento. São 28 barracas, conjunto que leva o nome de “Acampamento Sérgio Moro”, uma homenagem ao juiz da Lava Jato.
    Alguns quilômetros dali a defesa da permanência de Dilma é a preocupação do “Acampamento da Legalidade e da Democracia”, instalado desde a última segunda-feira (11), no centro da cidade – mais precisamente na Praça da Matriz, junto às sedes do três poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo). O volume de pessoas é maior do que no outro grupo, são centenas de barracas.
    Apesar de estarem em campos políticos opostos, os dois acampamentos tem em comum a bandeira do ‘fora Cunha’, ou seja, pedem o afastamento do atual presidente da Câmara Federal, que é réu na Operação Lava Jato, acusado de crimes de corrupção.
    A reportagem do Jornal Já esteve no “Acampamento Sérgio Moro” em março, e constatou que apesar dos alvos do grupo serem Dilma e Lula, Cunha não era protegido: “Queremos fora todos os corruptos e vamos pedir a saída inclusive do Temer, Cunha ou Calheiros se forem julgados culpados”, declarou um dos acampados na época.
    No acampamento da Praça da Matriz não é diferente: a crítica é que Cunha, já réu declarado pelo STF, conduz o processo de impeachment contra uma presidente que não é alvo direto das investigações.
    Por isso, músicas de desaprovação ao deputado são cantadas a toda hora em cima dos caminhões de som.
    Cunha aceitou em dezembro o pedido de abertura do processo de impeachment, encabeçado por Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, em resposta à abertura ao seu processo de cassação na Câmara dos Deputados.
    Desde março, ele avança aceleradamente na Casa e a decisão será tomada no próximo dia 17, domingo. Paralelamente, o processo de Cunha se arrasta lentamente no Legislativo, graças aos artifícios e manobras de que ele lança mão – conhecedor nato do regimento que é.
    Enquanto a Nação parece, estar dividida quanto à saída de Dilma, uma coisa é certa e vista em todas as manifestações, o “Fora Cunha”.

  • Um plano B para o Alvorada

    Pinheiro do Vale
    A pá de cal. É assim que muitos observadores chamavam ontem à noite, em Brasília, a ação do ex-governador de Santa Catarina, Espiridião Amim, que fez o PP descer do muro para o lado do impeachment, trazendo consigo uma enxurrada de indecisos, que está pondo em perigo o mandato da presidente Dilma Rousseff.
    Se o governo cair, Amin vai se consagrar como líder da direita no sul do País. Dizem quequando Lula soube, anteontem, que o catarinense poderia dobrar o seu partido, herdeiro em linha direta, de sangue da antiga Arena, comentou com os intelectuais que estavam junto com ele na Fundação Progresso, no Rio, numa manifestação pró Dilma: “a vaca foi pro brejo”, disse o ex-presidente a um grupinho que tinha, entre outros interlocutores, Chico Buarque de Hollanda e Eric Nepomuceno.
    Entretanto, como dizia Honório Lemes, “não está morto quem peleja”.
    A presidente e seu grupo, ainda na linha do Leão do Caverá, “está batendo em retirada com pouca munição, mas lutando”.
    Ao contrário do que se imagina, não há hipótese de ela achicar se for perdendo os embates políticos nesta fase parlamentar.
    Seu plano é que se a crise chegar à beira do precipício, ou seja, tendo de se afastar da presidência enquanto o Senado Federal julga as razões da Câmara dos Deputados, ela vai se entrincheirar no Palácio da Alvorada para comandar a resistência.
    Como presidente, Dilma tem o direito de permanecer na residência presidencial. Temer fica com o Planalto, mas não pode mandá-lo embora do Alvorada.
    O plano é não se entregar. Muitos aliados da presidente, os mais aguerridos, chegam a dizer que vão construir um bunker, expressão que os seus marqueteiros não gostam por suas conotações históricas negativas, embora a ideia de uma fortaleza inexpugnável, que é o sentido dessa palavra, seja o objetivo.
    Dilma e seus seguidores pretendem manter acesa a chama da resistência, mobilizando os partidos que a apoiam e demais movimentos sociais. Todos na rua, bradando contra o golpe, enquanto, esperam os dilmistas, que o vice-presidente em exercício se afunde nas mazelas da crise econômica.
    Em 180 dias o país poderá ter outra cara e todos os atores políticos venham a entender que Dilma é a melhor solução, pois não é candidata e terá propostas concretas para pacificação do país.
    Uma delas seria chamar uma constituinte para a reforma política, tal como ela propôs e todos rejeitaram, depois das grandes manifestações de 2013.
    Um ator insuspeito, o senador Paulo Paim, pois embora sendo da esquerda, não pertence ao círculo íntimo nem ao núcleo duro do governo, mas é petista de carteirinha e gaúcho, como Dilma, o que dá uma certa credibilidade à iniciativa. Paim apresentou ontem no Senado um
    projeto de reforma constitucional convocando as eleições para essa constituinte já agora em outubro, junto com o pleito municipal. Seriam 129 membros eleitos com a finalidade de mudar o sistema político partidário e, eleitoral do Brasil.
    Isto tudo são conjecturas, para que ninguém diga que não há um Plano B.
    A verdade verdadeira, até o momento, é que o jogo continua empatado, pois se Temer não tem os 342 votos que precisa para derrubar a presidente, Dilma também ainda não conta com os 171 para barrar o processo no plenário da Câmara.
    O ambiente piorou muito depois que o PP desembarcou. Como se dizia: O Espiridião abriu a porteira. É o efeito manada, que já se expressa em algumas crônicas. Para os articuladores do governo, o importante é conter a debandada.
    É um desafio descomunal para uma executiva de perfil administrativo, como Dilma, ter de enfrentar as mais felpudas raposas da política brasileira. É possível que ela tenha subestimado seus adversários.

  • Erro no cálculo da tarifa ampliaria lucro das empresas

    Matheus Chaparini
    Um erro de cálculo da prefeitura estaria aumentando o valor da passagem de ônibus em Porto Alegre e ampliando a margem de lucro das empresas responsáveis pelo serviço em quase R$ 8 milhões.
    Essa é a conclusão do economista André Augustin, da FEE (Fundação de Economia e Estatística), ao analisar o cálculo da tarifa a partir dos dados fornecidos pela prefeitura.
    Recentemente Augustin criticou o Executivo por sonegar informações sobre os números utilizados para determinar o preço do transporte coletivo. Outras conclusões sobre o tema estão publicadas em seu blog.
    Agora, ele afirma ter encontrado onde está o “erro” do cálculo. Mas ainda não entendeu por que foi feito desta forma.
    Segundo o economista, o equívoco aumenta em quatro centavos o valor da passagem. Hoje o passageiro paga R$ 3,75, resultado de um preço mínimo fixado pelo edital em R$ 3,46, mais a diferença de inflação e os custos com o reajuste salarial de motoristas e cobradores.
    Pelos cálculos de Augustin, o valor correto seria R$ 3,42 e o equívoco estaria beneficiando as empresas com R$ 7,9 milhões por ano.
    cálculo é diferente do previsto no edital

    André Augustin explica que o edital dividiu cada uma das bacias (norte, sul e leste) em dois lotes. Como em cada lote, o custo e a quantidade de passageiros é diferente, é feita uma equalização para se chegar a um valor unitário da passagem, que valha para todos.
    Segundo o edital, o valor da tarifa ao usuário será obtido “calculando-se a média ponderada dos dados informados pelos vencedores pela rodagem de cada lote” – sendo os dados, os custos fornecidos pelas empresas durante a licitação.

    André Augustin é economista da área de transportes da FEE / JÁ
    André Augustin é economista da área de transportes da FEE / JÁ

    Só que a prefeitura fez a média ponderada pela frota e não pelo lote, o que poderia gerar essa diferença.
    Para o economista, o cálculo ter sido feito em desacordo com o edital já seria suficiente para tornar ilegal o valor da tarifa.
    Mas não se trata somente de um problema formal. “Este cálculo não faz sentido. Se todos os custos são calculados por quilômetro, a ponderação deve ser essa”, defende Augustin.
    Além disso, o economista defende que não era necessário fazer a média de cada insumo, pois seria mais fácil fazer direto a média do custo total por quilômetro de cada lote, ponderando pela rodagem.
    Ele esmiúça: “Pegando o custo de operação por quilômetro e multiplicando pela quilometragem total, se chega ao custo total do sistema. Este valor deve ser igual à receita, pois o lucro já está incluído nos custos”, explica.
    Segundo esse cálculo, o valor da receita anual gerada pelas passagens é de R$ 735.680.904,23. Pelo cálculo executado pela prefeitura e questionado por Augustin, o valor fica em R$ 743.632.006,28.
    A diferença é de R$ 7.951.102,05 por ano a favor das empresas.
    EPTC admite que mudou a conta
    A Empresa Pública de Transportes e Circulação de Porto Alegre (EPTC) admite que não fez os cálculos conforme o que estava descrito no edital, mas sublinha que a mudança na conta não interfere no resultado, ou seja, rechaça o valor a que chegou André Augustin.

    Ocorre que a justificativa dada pelo órgão público para alterar o método de cálculo determinado em licitação é que não seria possível determinar os custos utilizando-se apenas a quilometragem – trocando em miúdos, a prefeitura percebeu que a conta era impossível de ser feita da maneira como estava no edital.

    Mas isso só aconteceu “após a finalização do certame”, conforme a EPTC.
    A resposta ao JÁ foi enviada através da assessoria de imprensa, embora a reportagem já houvesse entrevistado anteriormente um técnico do órgão sobre o mesmo assunto.
    Na nota de 16 páginas – na qual o órgão analisa várias outras postagens do blog de André Augustin que não se referem ao objeto dessa reportagem – a EPTC dá sua versão sobre os fatos: segundo constataram técnicos, apenas dois itens do cálculo poderiam ser contabilizados pela quilometragem dos ônibus – os coeficientes de consumo de peças e acessórios e do preço do litro de combustível.
    Por outro lado, aponta um equívoco na análise feita pelo economista André Augustin: diz que o item “Fator de Utilização Motorista/cobrador (FU)” tinha sim previsão de ser calculado com base na tabela de programação de serviço das empresas, o que efetivamente foi feito.
     
    O economista André Augustin mantém a confiança de que seus números estão corretos e afirma que enviará oficialmente resultado do seu cálculo para a empresa.
    Confira a diferença de cálculo na tabela abaixo, desenvolvida por André Augustin
    Tabela tarifa de ônibus. André Augustin