No dia 13 de abril de 2015, o mundo perdeu Eduardo Galeano. O escritor uruguaio morreu aos 75 anos, vítima de um câncer que já estava espalhado pelo corpo.
Trinta anos antes, Galeano esteve em Porto Alegre e Gramado – participou, inclusive da festa de lançamento do Jornal JÁ, com o qual colaborou com crônicas durante várias edições.
O relato a seguir foi extraído da edição número 1 do jornal, publicada em outubro de 1985, e mostra como o uruguaio passeou por Porto Alegre e Gramado com bom humor, apesar de uma gripe – e da chateação provocada pela extrema frieza do público em sua noite de autógrafos.
Galeano: Um alerta contra o separatismo
Eduardo Galeano esteve em Porto Alegre para ensinar e aprender sobre a América Latina. Ensinou na Assembleia e aprendeu na noite de Porto Alegre e na tarde de Gramado. Levou ideias definidas sobre as duas realidades gaúchas com que pode conviver em três dias.
Numa terra onde os mitos duram menos que o relâmpago, Eduardo Galeano é uma honrosa exceção. Respeitado, lido e admirado por toda a América Latina, não é de estranhar que sua vinda até Porto Alegre, tenha provocado frisson nos meios intelectuais.
A gripe que o acometeu no Rio de Janeiro, no entanto, liquidou com as intenções de muita gente em repartir longas noitadas de papo elocubrados com o autor das “Veias Abertas da América Latina”.
A gripe e o próprio Galeano, mais afeito a papos de botequim, muito longe da empoada figura do intelectual europeu (logo decadente) que nossos representantes locais da classe tentam imitar.
Grande papo, Galeano. Seus dois últimos livros, “Nascimentos” e “ As Caras e as Máscaras”, verdadeiras colchas de retalho de mil histórias, são pouco para mostrar as outras mil que ele é capaz de contar de viva voz.
A gripe, que o fez literalmente derreter durante a entrevista coletiva na Livraria Quarup, não limitou seu bom humor, regado a Coca-Cola (bebida estranha para um crítico ferrenho das multinacionais). Tanto assim que, depois de atender ao final da coletiva, a um repórter solitário e atrasado, comentou: “Puxa, eu bolava grandes frases e ele ficava impassível, escutando. Depois, quando dizia coisas desimportantes, anotava tudo”.
Uma de suas histórias: Em 1935 Trujillo resolve modernizar a República Dominicana. Começa abrindo uma fábrica de calçados , dele mesmo. E decreta: ninguém pode circular descalço nas grandes cidades dominicanas. Quem tenta é preso, as cadeias logo ficam cheias. Aos miseráveis camponeses, resta comprar um par de sapatos por aldeia. Quem precisa ir à capital, os calça e vai. Melhor ainda, os camponeses descobrem que podem ir em duplas, bastando para isto que cada um calce um pé do par de sapatos, e enfaixe o outro pé, como se estivesse quebrado. No palácio lamenta a falta de compreensão do povo a seu projeto de modernização.
Horas depois da coletiva, a sessão de autógrafos, também na Livraria Quarup. Muito menos gente que o esperado. Mas o que irrita Galeano é a frieza das pessoas, que entregam o livro, dizem seu nome e esperam o autógrafo em silêncio.
Ele queria conversar, saber das coisas da gente brasileira. Chateado, vai embora assim que a fila termina. Á noite, novamente se esvaindo em suor, consequência da gripe, fala na Assembleia para um plenário superlotado por um público – aí sim, entusiasta. Saiu de lá ruim. Muita gente pensou que precisasse ir a um hospital. Mas não foi.
Foi, isto sim, para a Churrascaria do Negrão, saber se o churrasco do Rio Grande se compara ao do Uruguai. Era tanta gente, cerca de 20 pessoas, que ninguém lembrou de perguntar se havia gostado da carne. Da cerveja, gostou. Gostou tanto que nela afogou a gripe.
Magicamente curado, contou histórias para o grupo mais próximo. Os outros, como bons intelectuais gaúchos esqueceram do convidado e começaram a brigar entre si. Aos poucos a mesa foi esvaziando, todos reconciliados, a noite avançando. Restou o grupo que cercava Galeano, vendo-o derrubar sucessivas Brahmas enquanto contava suas histórias.
Outra delas: este ano, depois de uma longa procura, a avó encontra a neta, que havia sido sequestrada com sua mãe pela ditadura Argentina, quando tinha apenas um ano de idade. A garota está agora com nove.
Fora levada de Buenos Aires para o Peru. No reencontro, choro e emoção. A velha senhora leva a neta para casa e, num gesto de amor e de exorcismo resolve banhá-la. Em pleno banho, um cheiro forte e indecifrável começa a tomar conta da menina. A vó a ensaboa outra vez mas o cheiro não cede. Só então a velha senhora o reconhece: a menina está cheirando a nenê. O mágico momento do reencontro cria nela a regressão, expressa através do cheiro, na busca do carinho materno que lhe foi negado.
A noite avança e o grupo é expulso da Churrascaria do Negrão. Seguem todos para o Bar do Beto, onde Galeano continua derrubando cervejas e contando histórias.
Esta, ele não confirma, mas conta de qualquer maneira: 16 de julho de 1950. O Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai e pleno Maracanã. O país está em choque, mas a seleção uruguaia festeja na boate e na piscina do hotel. Apenas o capitão do time e autor do gol, Obdulio Varela, fica de fora da festa. Diz que o resultado foi injusto. Alia-se à dor dos brasileiros, e passa a noite percorrendo os botecos do Rio, se embebedando junto à torcida local e xingando “aquele filha da puta do Varela”. Sorte sua que não havia ainda televisão, e não foi reconhecido.
Ficou, de Galeano, a figura de um intelectual que não confunde engajamento com rabugice. Foi dormir às quatro e meia da manhã e antes do meio dia já estava em Gramado, passeio um tanto estranho mas que, recomendado sabe-se lá por quem, ele fez questão de fazer.
Foi, viu, e admirou-se. Depois de uma noite passada em volta da mesa de uma bar, ao melhor estilo brasileiro, depois de suas notáveis histórias sobre a realidade latino-americana, depois de anos e anos vividos a estudar e denunciar as relações de dominação no continente, Galeano passou pelas ruas de Gramado, viu seus prédios, suas lojas e seus hotéis.
Na manhã seguinte, pouco antes de embarcar para Montevidéu, comentava ao grupo que o levou ao aeroporto: “Vocês, gaúchos, com esta mania de separatismo que vem desde a Revolução Farroupilha, precisam lembrar que, separados do Brasil, terão que usar só aqueles móveis de Gramado. O que me parece motivo suficiente para mudar de ideia”.
Autor: da Redação
Memória: Histórias de Eduardo Galeano em Porto Alegre
Juíza intima poder público a se manifestar sobre demolições
Matheus Chaparini
O coletivo A Cidade que Queremos comemora que considera uma vitória inicial na ação popular que move na Justiça Federal, pedindo a anulação do contrato de arrendamento da área do Cais Mauá.
Nessa ação, o grupo solicitou ainda, uma liminar para suspender a demolição dos armazéns armazéns A7 – que fica ao lado do Gasômetro – e as séries C1, C2, C3, na altura do Mercado Público, além das demais estruturas não tombadas do antigo porto da Capital.
Na última semana, a juíza da 9ª Vara da Justiça Federal em Porto Alegre intimou a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), SPH (Superintendência de Portos e Hidrovias) e o Estado do Rio Grande do Sul a se manifestarem sobre a demolição dos armazéns.
A manifestação da magistrada é considerada positiva pelo coletivo porque difere da recepção a uma ação popular proposta anteriormente – ajuizada pelo advogado e vereador Marcelo Sgarbossa – quando o pedido liminar foi negado pela Justiça logo no primeiro momento. A ação pedia a anulação do contrato e o pedido liminar era de suspensão de todo e qualquer ato administrativo até o término do julgamento da ação.
Neste caso, a ação, ajuizada no dia 1º de abril, é assinada por 14 cidadãos e tem como advogados Caio Lustosa e Jacqueline Custódio.
O pedido se baseia em três itens: o desatendimento do prazo para apresentação de garantias contratuais, ausência de apresentação da carta de estruturação financeira e alteração na composição acionários do consórcio, em prejuízo das condições de habilitação exigidas no edital.
Os questionamentos do coletivo seguem parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que apontou irregularidades na contratação. O Governo do Estado, entretanto, já se manifestou pelo não rompimento com o consórcio Porto Cais Mauá do Brasil, que detém a concessão da área desde a licitação de 2010.
Os órgãos tem 72h para se manifestarem, a partir do momento em que forem notificados. Até agora, apenas a Antaq foi notificada, na segunda-feira.
Após este período, o Ministério Público deve se manifestar em relação à liminar em um prazo de 5 dias. Somente após estes esclarecimentos, a juíza tomará uma decisão em relação à liminar.
O coletivo A Cidade que Queremos ainda prepara a redação de uma Ação Civil Pública contra o negócio entre Estado e consórcio Cais Mauá de Todos e se mobiliza para um abraço à área histórica da Capital no próximo dia 23 de abril.
Ferramenta virtual pressiona para nova licitação
Um ferramenta virtual criada pela Rede Minha Porto Alegre permite que a população pressione o poder público para que haja uma nova licitação do Cais Mauá.
A campanha é feita pelo aplicativo Panela de Pressão, disponível neste link.
A participação se dá através de um clique no botão, que envia emails ou entra em contato via redes sociais com as autoridades responsáveis pelo tema – no caso, Governo do Estado e Prefeitura Municipal de Porto alegre.
“Se a pressão é grande, é possível dar ao alvo da mobilização uma dimensão de quantas pessoas estão preocupadas com um problema”, explicam os organizadores.
De acordo com o Cais Mauá de Todos, a campanha, visa reconquistar, para a sociedade, o direito de decidir o tipo de projeto que deseja para o futuro do marco histórico da fundação de Porto Alegre.
“O Cais não pode ser loteado como um condomínio, e sim compartilhado como um patrimônio da cidade, o maior de todos, na verdade”, defende o publicitário Rafael Ferretti, morador do Centro Histórico.Nomeação de um arquiteto reduz déficit no planejamento para 39 técnicos
A prefeitura de Porto Alegre publicou no Diário Oficial do município da última segunda-feira (11), a nomeação da arquiteta Carolina Wallau de Oliveira Kessler para a Secretaria de Urbanismo (Smurb).
A notícia foi dada na página web do Executivo, que anunciava ainda a contratação de 10 novos servidores para os quadros da Secretaria de Educação (Smed).
Com o anúncio de que a Smurb contará com um arquiteto a mais, será reduzido o déficit de profissionais da área técnica do planejamento Urbano de Porto Alegre, estimado pelo ex-secretário de urbanismo, Valter Nagelstein (hoje vereador pelo PMDB) em 40 profissionais.
A Smurb é responsável pela análise e licenciamento de todos os grandes projetos construtivo da cidade, como o Pontal do Estaleiro e a revitalização do Cais Mauá, assim como também formula e aplica as políticas de mobilidade urbana.Municipários da Capital votam adesão à CSP/Conlutas na quinta-feira
O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) realiza a primeira Assembleia Geral do ano na tarde da quinta-feira (14), a partir das 13h30, no Centro de Eventos do Parque Harmonia.
No primeiro horário, serão discutidos os encaminhamentos do V Congresso do Simpa, realizado em novembro do ano passado.
Às 14h30, será votada a filiação do sindicato à CSP/Conlutas e a abertura da Campanha Salarial 2016, que se dá em meio a declarações do prefeito José Fortunati de que não há dinheiro em caixa e que atrasos salariais não estão descartados.
Em 2015, a categoria precisou fazer uma greve de 15 dias para garantir a correção do efeito cascata na remuneração sem perdas salariais, que ficou garantida através da Lei Complementar Municipal Nº 768/2015 e da Lei Municipal Nº 11.922/2015.
Sindicato quer apoio em campanha
A pauta do efeito cascata voltou ao debate neste ano com o lançamento do Movimento em Defesa do Serviço e do Servidor Público – Nenhum Centavo a Menos, realizado no dia 22 de março, no plenário da Câmara Municipal.
Agora o sindicato quer ampliar apoios à pauta, chamando outras entidades de representação de trabalhadores, associações, movimentos sociais e vereadores na defesa dos trabalhadores do serviço público, “frente aos constantes ataques e retirada de direitos”.
ASSEMBLEIA GERAL DO SIMPA
Dia 14 de abril, no Centro de Eventos do Parque Harmonia
13h30 – 1ª ASSEMBLEIA GERAL
PAUTA: Encaminhamentos do V Congresso do Simpa
14h30 – 2ª ASSEMBLEIA GERAL
PAUTA: Deliberação da filiação do Simpa à CSP/Conlutas; Abertura da Campanha Salarial 2016.Indígenas do Paraná celebram acesso ao ensino universitário
A aldeia da Comunidade Tekoha Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, no Paraná, abriu na terça-feira (12), a sua 15ª Semana Cultural Indígena celebrando as conquistas de seu povo na educação, inclusive de nível universitário.
Todos os anos, ao menos quatro alunos da escola indígena local – considerada referência no Paraná – são escolhidos para fazer cursos universitários que contribuam para a autonomia da comunidade e para melhorar as condições de ensino, como Pedagogia e Letras.
“Os acadêmicos têm como responsabilidade agregar conhecimento para a melhoria da nossa gestão territorial, à sustentabilidade e à saúde dos povos indígenas”, celebrou o cacique Daniel Maraca Lopes, na abertura do evento.
O sistema de seleção entre os indígenas funciona também no retorno à comunidade, quando os jovens passam por uma seleção para concorrer aos postos de trabalho abertos na aldeia.
Com a especialização dos indígenas, foi possível subir de 2 para 10 os funcionários nativos da escola local em 10 anos. Ainda há bastante espaço para crescimento da participação, pois são 40 trabalhadores ao todo – o Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo atende 440 pessoas de um total de 661 integrantes da aldeia.
Uma história de três mil anos
A 15ª Semana Cultural Indígena tem como objetivo divulgar a cultura Avá Guarani, povo que vive na região há mais de três mil anos, além de promover a troca de experiência entre indígenas e não indígenas.
O evento prossegue até sexta-feira (15).
A programação prevê apresentações culturais da tradição indígena, passeios de trilha, degustação de comida típica, medicina natural, exposições e venda de artesanato.
Arlênio Heindrickson, de Santa Terezinha de Itaipu, levou as amigas Adriane Martins, com o filho Adonai Martins, e Jeani Hanver, para saber como vivem os indígenas: “Essa é uma experiência riquíssima. Nós aprendemos muitos quando visitamos o local”, elogiou.
Arlênio é tão conhecido no lugar que até ganhou nome indígena, Tupã Caray. Há pelo menos dois anos ele frequenta a comunidade.
Festas em outras aldeias
Na próxima segunda-feira (18) será a vez de as comunidades Tekoha Itamarã e Tekoha Añetete, de Diamante D’Oeste, abrirem sua semana indígena. Na 10ª edição, a Semana Cultural Indígena dos Itamarã e dos Añetete vai até o dia 20.Dilma não cai
Pinheiro do Vale
Maquiavel perde. Muita gente chama Aécio Neves de Tancredinho, numa alusão a seu avô, mas ele tem se revelado mais um Tancredão, pois adiciona uma dose de maldade política à celebrada esperteza do ex-presidente Tancredo Neves.
É isto mesmo: o rapaz mineiro revela uma capacidade inigualável de desnortear seus adversários, pois quando se pensa que ele está indo, já está voltando. É o caso de sua atuação neste caso do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Domingo a presidente vai levar um susto, mas não será defenestrada do Palácio da Alvorada. Escapa por pouco. Este é o plano, pois para o jovem tucano não interessa sua deposição. Pelo contrário: mantendo-a no Palácio do Planalto, tutelada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, ele sai da linha de fogo sem prejuízo político-eleitoral.
Primeiro: Dilma não é candidata, portanto não é adversária. Segundo, com suas manobras de vai não vai, enfogueira Michel Temer aqui, se afasta do PMDB ali, quando chegar domingo estarão frente a frente Lula e Temer, enquanto ele assiste de camarote a briga de faca dos paulistas.
Lula foi de certa forma encurralado, pois teve de entrar em campo aos 45 minutos do segundo tempo. Encontrou um jogo embaralhado no campo adversário: Marina Silva falando em eleições já, mas torcendo para deixar aos tucanos a pecha de golpistas; os tucanos patrocinando o processo de cassação, dão os votos no plenário, mas negam ao PMDB o apoio para o governo pós impeachment. Quer dizer, apostam no tumulto.
Temer está tranquilo, aparentemente. Vazou seu áudio, atribuindo o fato a uma barbeiragem no celular, mas já se coloca fora do governo, ou seja, em campanha como oposicionista. Ao mesmo tempo, seu partido poderá ficar dos dois lados, compondo a nova base aliada, apresentando-se como força dividida, para manter ministérios sem perder a imagem de independente com candidato próprio.
E o Eduardo Cunha? Isto é uma outra história. Como vítima, aglutina os evangélicos na rubrica da perseguição religiosa.
E o Lava Jato? Será o grande legado de seu governo, o combate intransigente à corrupção, não obstante os arrufos com o juiz Sérgio Moro por conta de seus vazamentos seletivos.
Está, portanto, feito o jogo. As cartas estão na mesa: Lula, Temer, Aécio e Marina no ringue. Dilma sangrando, gritando, incomodada e imobilizada por um indemissível vice-presidente que não pode assumir interinamente, amargando uma oposição na base do quanto pior melhor. Ou seja: nada de novo.Dilma sobre o áudio de Temer: "Caiu a máscara dos conspiradores"
A presidente da república Dilma Rousseff condenou nesta terça-feira (12) a atitude de seu vice, Michel Temer, que gravou um discurso – vazado pela imprensa – para ser lido no domingo, após a votação do impeachment caso a oposição obtivesse maioria na Comissão Especial.
“Se ainda havia alguma dúvida sobre o golpe, a farsa e a traição em curso, não há mais. Os golpistas tem chefe e vice-chefe assumidos. Caiu a máscara dos conspiradores”, apontou a presidente em um ato com educadores em Brasília.
Dilma se referiu também a Eduardo Cunha, que é na sua opinião “a mão, não tão invisível assim, que conduz com desvio de poder e abusos inimagináveis o processo de impeachment”. Sobre Temer, ela ilustrou: “o outro esfrega as mãos e ensaia a farsa do vazamento de um pretenso discurso de posse”.
A presidente criticou ainda os argumentos expostos no relatório da comissão de impeachment, que qualificou como “o instrumento dessa fraude”.
“O relatório é tão frágil, tão sem fundamento, que chega a confessar que não há indícios, não há provas suficientes, daquelas que eles chamam de irregularidades e que tentam me atribuir”, salientou.
Além de recordar os seu 54 milhões de votos, Dilma defendeu que o impeachment desrespeitaria também os votos contrários à ela, uma vez que deslegitima a participação popular no pleito.
“O impeachment sem crime de responsabilidade; o impeachment sem provas, cometido contra uma presidente legitimamente eleita na jovem democracia brasileira, abrirá caminho para governos sem votos, formados à revelia da manifestação do eleitor”, alertou.
Confira o discurso na íntegra:
É recíproco. Eu vou começar falando uma frase que está aqui sendo mostrada para mim, e que eu acredito que ela é muito importante: “este não será o País do ódio”. Definitivamente, este não será o País do ódio. Por isso, eu quero dizer para vocês que nós estamos aqui para que este não se torne o País o ódio e que não se construa o ódio como uma forma de fazer política no nosso País. O ódio, a ameaça, a perseguição de pessoas, de fato, este não é o País do ódio. Isso não cabe no nosso País.
Mas eu queria cumprimentar, começar, primeiro, agradecendo a presença aqui de todos vocês. E aí, rapidamente, agradecendo a todos aqueles que estão aqui hoje para defender a democracia no nosso País.
Começo cumprimentando os ministros: Mercadante, da Educação; Celso Pansera, da Ciência e Tecnologia. Em nome deles, cumprimento todos os ministros aqui presentes,
Dirijo também um cumprimento às senadoras Angela Portela e Fátima Bezerra,
Aos deputados federais que foram aqui saudados pelo ministro Mercadante, também dirijo meu cumprimento,
Queria fazer uma saudação especial aos representantes aqui que fizeram uso da palavra e que trouxeram a sua solidariedade: a Madalena Guasco Peixoto, coordenadora-geral da Conferência Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino, a CONTEE; o Roberto Leão, presidente da CNTE, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação; o Heleno Araújo Filho, coordenador do Fórum Nacional de Educação; Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito em Educação; a Tamara Naiz, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduando (ANPG); a Carina Vitral, presidente da União Nacional dos Estudantes, da nossa querida UNE; o professor Marcelo Bender Machado, presidente da Conif, o Conselho Nacional de Instituições da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica; a professora Maria Lúcia Cavalli Neder, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, a ANDIFES; o professor Demerval Saviani, filósofo e pedagogo; ao nosso querido cientista Rogério Cerqueira Leite.
Dirijo um cumprimento especial, mas especialíssimo, à Suzane da Silva. A Suzane da Silva, que escreveu que: “A casa grande surta quando a senzala vira médica”. Quero dizer à Suzane da Silva, que fez seu curso na escola Santa Marcelina, em Belo Horizonte… São Paulo, que fez a escola de medicina pelo ProUni. Quero dizer que ela é um orgulho para todos aqui presentes, para nós do governo porque vemos no ProUni uma das formas de democratizar o acesso à educação.
Para todos os professores, para aqueles que lutaram, que lutam e que lutarão contra a desigualdade racial, por nós todos que lutamos pelas cotas e pela política afirmativa na área de educação, ela é um orgulho por todos nós e, sobretudo, ela tem de ser vista como um orgulho para a sociedade e para o povo brasileiro porque significa muito para o nosso País que isso venha acontecendo. Nós lamentamos que demorou muito a acontecer, mas nós temos certeza que lutaremos para que continue acontecendo. Por isso, Suzane, receba aqui a certeza que você vai entrar em todos os lugares que você quiser entrar.
Por intermédio de todos os representantes aqui mencionados, eu cumprimento os estudantes, os dirigentes das instituições de ensino, os trabalhadores da área de educação que estão aqui presentes,
Cumprimento também todos os que me entregaram seus manifestos, na pessoa da professora Flávia Birolli, dos professores em defesa da democracia,
Cumprimento os senhores jornalistas, fotógrafos e os senhores cinegrafistas.
Senhoras e senhores, meus queridos amigos da educação aqui presentes, meus queridos professores, alunos, dirigentes,
Nós estamos vivendo nestes dias momentos muito decisivos para a democracia no nosso País. Os próximos dias vão mostrar com clareza quem honra e respeita a democracia que nós conquistamos com grandes lutas, e quem não se importa em destruir o regime democrático por meio da ilegítima destituição de uma presidenta eleita com 54 milhões de votos pelo povo brasileiro.
Quero dizer a vocês que me comove muito, que me alegra muito, mas, sobretudo, me dá força estar hoje com vocês para, juntos, tomarmos uma posição clara em defesa da democracia, da legalidade, do Estado Democrático de Direito e da educação. Estamos aqui para denunciar um golpe. Estamos juntos aqui para barrar com nossa posição enérgica uma tentativa de golpe contra a República, a democracia e o voto popular. Uma tentativa de golpe que também é contra as universidades públicas, contra a educação pública gratuita, contra os programas que tornam acessível a universidade privadas a todos aqueles que pleiteiam.
Vou repetir o que disse aqui mesmo, que disse aqui em momentos anteriores, aliás, aqui, eu tive um momento especial, um momento em que eu denunciei a farsa que era dizer que impeachment estava previsto na Constituição e de onde ele não era golpe. Como se estando previsto na Constituição qualquer impeachment é legítimo. Não é não. Vou repetir o que eu disse aqui: impeachment ilegítimo, sem base na legal, sem crime de responsabilidade, é golpe, sim!
Um golpe não é só contra mim, é também contra mim, mas não é, sobretudo, contra mim. É, sobretudo, contra o projeto que eu represento. Essa é a característica mais evidente desse golpe. É contra tudo aquilo que, nos últimos 13 anos, o meu governo e o governo do presidente Lula têm feito com o apoio do povo e com o trabalho incansável dos movimentos sociais e de todos os brasileiros e brasileiras que queriam ver um Brasil maior, mais forte e mais igual em suas oportunidades. O golpe é contra as conquistas da população, e contra o protagonismo assumido pelo povo brasileiro nesses 13 anos. O golpe é contra, é contra o fato que as pessoas, as Suzanas, começaram a andar de avião, sim. As Suzanas passaram a cursar a universidade e, o cúmulo do absurdo, as Suzanas entraram no Palácio do Planalto.
O protagonismo assumido pelo povo brasileiro foi exercido em várias atividades, mas algumas coisas caracterizam esse protagonismo. Primeiro, o acesso à renda, à empregos, à inclusão social, à redução das desigualdades. Mas tem uma característica que é fundamental, que é o acesso, que é a democratização do acesso à educação no nosso País, especialmente à educação universitária. Mas também a todos os níveis de educação, como nós dissemos, da creche à pós-graduação.
Vocês sabem disso, pois vocês vivem, e vocês estão vivendo em seu cotidiano, e sabem que a educação é eminentemente transformadora. Educação para todos, mulheres, homens, negros, brancos, pobres e ricos, cidadãos de todas as regiões.
Educação, que é parte intrínseca da construção de uma nação democrática. O efetivo direito à educação transforma as pessoas, – nós sabemos disso, nós vemos isso, nós vivemos isso – reorganiza a sociedade e muda o país. Para alguns, isso é muito ameaçador. Para nós, é a necessária semente de um Brasil de oportunidades para todos.
Por isso, nos últimos 13 anos, nós demos prioridade aos investimentos em educação. Lembro alguns resultados dessa escolha, e sabe por que lembro? Porque muitas vezes nós não conseguimos vê-los na imprensa. Nós criamos, sim, 18 universidades e 173 campus universitários; implantamos 422 novas escolas técnicas federais; contratamos 49 mil professores por concurso para fazer frente à expansão e interiorização dessa rede federal; 4 milhões de jovens entram nas universidades privadas graças ao ProUni e ao Fies. Com o Pronatec, 9,5 milhões mulheres e homens, jovens e trabalhadores fizeram curso de formação profissional e serão mais 2 milhões esse ano. Aprovamos o Fundeb e o Plano Nacional de Educação, apoiamos estados e municípios na expansão da rede de creches e pré-escolas, na garantia do transporte escolar e na implantação do ensino em tempo integral. Esse são alguns exemplos dos investimentos em educação que cito para mostrar que estamos dando consistência ao conceito de Pátria Educadora.
Pátria Educadora é educação para todos, é acesso democrático à educação, não só nas capitais, não só nos estados mais ricos, não só para aqueles que tem maior renda. Pátria Educadora é dar à universidade e à escola brasileira a cara e as cores do nosso povo – negros, índios, brancos, originários da escola pública. Pela primeira vez em nossa história, jovens pobres estão entrando nas universidades públicas e nas particulares, estão ganhando bolsas no exterior. E é bom que se diga, para quebrar o preconceito de muitos e se dando muito bem e mostrando muita competência.
As crianças e os jovens de famílias beneficiárias do Bolsa família estão estudando mais e com desempenho escolar cada vez melhor. Tem um número que eu acredito que, ao mesmo tempo, é uma alegria, mas mostra ainda o tamanho do nosso desafio. Hoje, 35% daqueles que concluem os cursos universitários são os primeiros em suas famílias a chegar a um curso superior e se formar. Trinta e cinco por cento. Pela primeira vez na história do nosso País, mas ainda é pouco. Repito: para nós, educação é uma maneira de transformar vidas, de promover igualdade, igualdade de oportunidades, de aumentar salários, de aumentar renda, e ampliar e melhorar a nossa economia.
Nós fizemos muito, e também, no caso da educação, vale nosso lema, isso que fizemos é só um começo. Há ainda muito a fazer e a continuação desse projeto depende do respeito à soberania do voto popular, depende do respeito à democracia.
Por isso, eu queria fazer aqui uma reflexão com vocês sobre o que tem acontecido nos últimos dias, verdadeiramente nas últimas horas. Nós vivemos tempos estranhos e preocupantes, tempos de golpe, de farsa e de traição.
Ontem, utilizaram a farsa do vazamento para difundir a ordem unida da conspiração. Agora conspiram abertamente, à luz do dia, para desestabilizar uma presidenta legitimamente eleita. Ao longo da semana, acusaram-me de usar expedientes escusos para recompor a base de apoio do meu governo, me julgando pelo seu espelho, pois são eles que usam tais métodos. Caluniam enquanto leiloam posições no gabinete do golpe, no governo dos sem-voto. Ontem ficou claro que existem, sim, dois chefes do golpe, que agem em conjunto e de forma premeditada.
Como muito brasileiros, tomei conhecimento e confesso que fiquei chocada com a desfaçatez da farsa do vazamento, que foi deliberado, premeditado, vazando para eles mesmos; estranho vazamento. Vazando para eles mesmos, tentaram disfarçar o que era um anúncio de posse antecipada, subestimando a inteligência dos brasileiros e das brasileiras. Até nisso são golpistas, sem respeito pela democracia, porque eu estou no pleno exercício de minha função de presidenta da República.
Vamos raciocinar, vejam só: antes sequer da votação do inconsistente pedido de impeachment, foi distribuído um pronunciamento em que um dos chefes da conspiração assume a condição de presidente da República. A pergunta que caberia para qualquer órgão de imprensa imparcial seria: de que base legal retirou a legitimidade e legalidade de seu gesto? Por que esta pergunta não é feita? Na verdade, explicitou-se, com essa atitude, o desapreço que se tem pelo Estado democrático de direito e por nossa Constituição.
Atropelam-se os ritos em curso no Congresso Nacional, em clara demonstração de desrespeito pelo Legislativo. O gesto que revela a traição a mim e à democracia ainda explicita que esse chefe conspirador também não tem compromissos com o povo. Diz que é capaz de anunciar que está pensando em manter as conquistas sociais dos últimos anos. Pensando. Como se conquistas sociais se pensa se vai ou não manter. E avisa que será obrigado a impor sacrifícios à população. Pergunto eu: com que legitimidade fará isso? É uma atitude de arrogância e desprezo pelo povo, do qual certamente tentará retirar direitos, que sem o golpe seriam inalienáveis.
Se ainda havia alguma dúvida sobre o golpe, a farsa e a traição em curso, não há mais. Se havia alguma dúvida sobre a minha denúncia de que há um golpe de Estado em andamento, não pode haver mais. Os golpistas podem ter chefe e vice-chefe assumidos; não sei direito qual é o chefe, qual é o vice-chefe. Um deles é a mão, não tão invisível assim, que conduz com desvio de poder e abusos inimagináveis o processo de impeachment; o outro esfrega as mãos e ensaia a farsa do vazamento de um pretenso discurso de posse. Cai a máscara dos conspiradores. O Brasil e a democracia não merecem tamanha farsa. O fato é que os golpistas que se arrogam à condição de chefe e vice-chefe do gabinete do golpe estão tentando montar uma fraude para interromper, no Congresso, o mandato que me foi conferido pelos brasileiros. Na verdade, trata-se da maior fraude jurídica e política de nossa história. Sem ela, o impeachment sequer seria votado.
O relatório da comissão de impeachment é instrumento dessa fraude. O relatório é tão frágil, tão sem fundamento, que chega a confessar que não há indícios, não há provas suficientes, daquelas que eles chamam de irregularidades e que tentam me atribuir. Pretendem derrubar, sem provas e sem justificativa jurídica, uma presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos. O que é muito importante e que eu queria destacar aqui para vocês: pretendem rasgar os votos desses 54 milhões de eleitores. Mas não apenas deles, rasgar, também, os votos daqueles que votaram em mim, mas também dos que não votaram. Porque todos que participam – e participaram do processo eleitoral – respeitaram a democracia representativa, por isso saíram de suas casas e foram votar no dia da eleição, por duas vezes, no primeiro e no segundo turno.
O impeachment sem crime de responsabilidade; o impeachment sem provas, cometido contra uma presidente legitimamente eleita na jovem democracia brasileira, abrirá caminho para governos sem votos, formados à revelia da manifestação do eleitor. O impeachment, sem crime, será um golpe de Estado, no exato e lamentável sentido da expressão: golpe de Estado. A quem interessa usurpar do povo brasileiro o sagrado direito de escolher quem o governa? Como acreditar em um pacto de salvação ou de unidade nacional sem sequer uma gota de legitimidade democrática por quem propõe? Como acreditar que haverá sustentação para tal aventura? Com farsas, fraudes e sem legitimidade ninguém pacifica, ninguém concilia, ninguém constrói unidade para superação de crises, só as agrava e as aprofunda.
Queridos amigos e amigas aqui presentes,
Eu agradeço imensamente a solidariedade de vocês. Agradeço, ainda mais, o apoio à democracia e à legalidade. Peço que vocês, que todos nós e o povo brasileiro, estejamos atentos e vigilantes nos próximos dias. Os golpistas tentarão de tudo: tentarão nos intimidar, tentarão nos tirar das ruas, usarão todos os artifícios possíveis. É possível novos vazamentos ilegais e facciosos; eles podem acontecer. É possível novas acusações sem provas, que serão feitas e amplificadas por manchetes escandalosas. Muito possivelmente sofrerei novas calúnias e novos ataques desesperados. Fiquem atentos, mantenham-se unidos, não aceitem provocações. Nós não somos do ódio; nós somos da paz.
Não se deixem enganar por nenhuma manobra: manobras mentirosas, manobras de última hora. Sempre atuem com calma e com paz.. Nós não somos violentos, nós não perseguimos pessoas, nós não divergimos dos nossos adversários com gestos de claro ódio. Nós acreditamos na consciência das pessoas. A verdade haverá de prevalecer. O impeachment não vai passar. O golpe será derrotado.
Em defesa da democracia, milhões de brasileiras e brasileiros estão se mobilizando por todo o nosso País, movidos por uma força extraordinária, múltiplas de sons e de lideranças. Ontem mesmo nós vimos isso no Rio de Janeiro.
Como cantou, ontem, Beth Carvalho, no ato dos artistas, afirmando que não vai ter golpe de novo, ela disse:
“Sem dividir o coração, vamos honrar nossa raiz
Democracia é o que a gente sempre quis”
Muito obrigada pela presença de vocês.Sete chapas disputam eleição do Sindicato dos Correios
Acontecem nos dias 18, 19 e 20 de abril, as eleições para o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect/RS). Os eleitos dirigirão a entidade durante o triênio 2016-2019.
Chama a atenção o número de chapas inscritas para o pleito, sete, ligadas às centrais sindicais da CUT, da CTB e CSP-Conlutas.
Pelo estatuto, a direção do sindicato é exercida de forma colegiada e proporcional, o que acaba resultando na participação de representantes de todas as chapas na direção do sindicato, desde que atingido o coeficiente de votos estabelecido.
Orçamento mensal é de 90 mil reais
O Sintect/RS representa cerca de seis mil trabalhadores entre os oito mil funcionários da estatal lotados em Porto Alegre, região metropolitana e em seis sub sedes do interior do Estado – a região de Santa Maria possui outra associação sindical dos Correios.
O orçamento mensal do sindicato é de R$ 90 mil, fruto do pagamento de mensalidade de seus associados.
Ligado ao Ministério das Comunicações, a estatal dos Correios e Telégrafos já foi uma das instituições mais confiáveis do governo federal, mas com o passar dos anos caiu sua eficiência, apesar de manter serviços exclusivos como entrega de cartas, telegrama e correspondência agrupada. Um de seus serviços, o Sedex, lidera o setor de encomendas expressas no Brasil.
Na atualidade, os trabalhadores do Sintec/RS lutam contra o fechamento das agências da estatal aos sábados, contra a privatização dos serviços e por melhores condições de trabalho e remuneração.
Chapas inscritas para a eleição triênio 2016-2019
Chapa 1, Luta pela Base
Chapa 2, Muda Sindicato
Chapa 3, Unidade, Retomando o Sintect pela Base
Chapa 4, Unidade Classista pela Base
Chapa 5, Unidos Somos Fortes
Chapa 6, Unidade pela Base
Chapa 7, Renova + Ação.
Professores do Estado se unem contra PL que altera cobrança do IPE
O CPERS realizará nesta quarta-feira, 13, ato em defesa do Instituto de Previdência do Estado (IPE).
O mote da campanha é “IPE público e de qualidade”, uma referência a um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa que pode instituir a cobrança da hospitalização de segurados criar taxas para a inclusão de dependentes, que hoje ingressam no plano do titular gratuitamente.
O ato reunirá professores de todo o Estado e por isso, nesse dia, haverá paralisação das escolas.
Os manifestantes se reúnem às 13h em frente à sede do sindicato, na Alberto Bins, e depois, seguem em caminhada até a sede do IPE, na avenida Borges de Medeiros.
Há ainda outras reivindicações dos educadores, que denunciam problemas no atendimento, cobranças indevidas e falta de peritos.
“Somente com uma unidade forte e uma grande mobilização conseguiremos avançar na conquista do IPE público de qualidade”, justifica a presidente do CPERS, Helenir.
Precipitação de Temer lembra Auro Moura Andrade, em 1964
PC de Lester
Tem razão o Renato Rovai: o audio de Temer não vazou, foi propositadamente vazado pelo próprio Temer, para desfazer a ambiguidade que existe em torno do que seria um governo Temer.
Ele disse que foi “por descuido” quando viu a reação negativa.
Temer é, mal comparando, o Auro Moura Andrade, que declarou vaga a Presidência na madrugada de 2 de abril de 1964, quando o presidente João Goulart ainda estava em Porto Alegre.
Foi o ato que selou politicamente o golpe.
O “descuido” de Temer pareceu, no primeiro momento, um erro, porque escancarou a conspiração, que ainda não conta com os militares e corre o risco de perder a batalha da opinião pública.
Até a mídia que patrocina o golpe registrou: Jorge Bastos Moreno em seu blog no Globo disse que o “vazamento” foi um tiro no pé do impeachment.
Mas a coluna em que ele disse isso não ficou mais do que algumas horas na capa da versão on line do Globo. E, como se sabe, a política é como as nuvens no céu.
No céu da política brasileira, onde sopram ventos de tempestade, qualquer previsão é precipitada. É provável que, com o auxílio obsequioso da imprensa, ele consiga transformar numa limonada esse limão.
Seu objetivo com o “vazamento” era ganhar expresso apoio de setores que podem galvanizar os votos dos deputados no congresso, principalmente os empresários e as oligarquias regionais, já que a mídia, para se livrar do PT, não descarta nem o Cunha.
Hoje parece que deu errado. Amanhã talvez se revele um acerto para seus propósitos, dependendo do que vier pela frente. Quem sabe quantos “vazamentos” vem por aí?
