O Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça, que atua no âmbito dos Direitos Humanos e cobra o reconhecimento das vítimas da ditadura militar brasileira, denunciou à Assembleia Legislativa a descaracterização do edifício onde funcionava o Dopinha em Porto Alegre – centro de tortura clandestino no bairro Bom Fim.
Segundo o coordenador da entidade, o músico Raul Ellwanger, o edifício – que é inventariado pela prefeitura de Porto Alegre por seu interesse histórico na salvaguarda da memória – teve demolido um anexo para a construção de novo prédio, além da colocação de uma piscina.
Há cinco anos o grupo pressiona para que o imóvel, que fica no número 600 da rua Santo Antônio, seja transformado em sede do Centro Cultural Ico Lisboa, uma homenagem ao militante morto nos porões da ditadura.
O local já foi reconhecido como centro de tortura clandestino por autoridades públicas e em 2015 houve até uma cerimônia para descerrar uma placa informando as sevícias aplicadas no local.
Não é a primeira vez que os militantes denunciam tentativas de modificação no imóvel. No início de 2016 houve inclusive uma vistoria no local e a prefeitura cobrou a paralisação das obras.
Segundo o Comitê, há um projeto de reforma do edifício autorizada pela prefeitura em 2010, porém um requerimento posterior de demolição de estruturas foi indeferido – o que deveria ter gerado uma multa aos proprietários.
A Comissão de Direitos Humanos do Legislativo gaúcho determinou a realização de nova inspeção presencial no imóvel, porém, a data ainda não foi anunciada.
Autor: da Redação
Militantes dos Direitos Humanos denunciam descaracterização do antigo Dopinha
Casarão na Santo Antônio já foi reconhecido como centro de tortura clandestino | Matheus Chaparini Resenha: Uma noite nos anos 90 com a Nação Zumbi
Tiago Jucá
Quando uma banda faz um show pra comemorar duas décadas de um disco, é impossível não lembrar como era 1996.
A internet recém engatinhava em baixíssima velocidade, portanto, consumíamos música em formato Compact Disc. O velho Long Play já era tratado como obsoleto.
A falecida Ipanema FM era a única emissora de rádio que tocava algumas músicas do Da Lama Ao Caos, primeiro álbum da Nação Zumbi e antecessor do Afrociberdelia. A curiosidade a respeito de uma banda que não tinha bateria já despertava nossa atenção pelos pátios da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Ufrgs). E por causa disso comprei os dois discos de uma só vez.
Mas Afrociberdelia veio pra arrebentar e tornar-se o melhor álbum musical da história deste país. Duas mudanças contribuíram para isso: a produção saiu do preto e branco Liminha e passou pro colorido BiD; e a banda passou a ter bateria, com a entrada de Pupilo.
A Nação Zumbi subiu ao palco do Bar Opinião, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira (7) com o que restou da formação original: Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue, Toca Ogan, e, claro, Pupilo e mais dois percussionistas nos tambores de maracatu.
Tocaram o álbum na íntegra e na ordem. A lamentar, apenas que o Bar Opinião permitiu a entrada de mias gente do que cabia. Estava excessivamente lotado, e pra fugir do empurra-empurra, cotoveladas e banhos de cerveja (que custava entre 14 e 16 reais!), a alternativa era ficar no mezanino, onde era possível se mexer, apesar de não ser possível ver o show.
Uma pena, pois mirar de perto Lúcio Maia tocar fogo na guitarra é uma das sete maravilhas da música brasileira atual.
Mas valeu pelos reencontros com vários amigos dos anos 90 que vivenciaram aquele boom sonoro que eclodia no país com Nação, Mundo Livre S/A, O Rappa, Planet Hemp, Cidade Negra, Skank, Jota Quest, Raimundos, Mestre Ambrósio e outros. Assim como eles, eu também…
“Eu vim com a Nação Zumbi
Ao seu ouvido falar
Quero ver a poeira subir
E muita fumaça no ar
Cheguei com meu universo
e aterrisso no seu pensamento
Trago as luzes dos postes nos olhos
Rios e pontes no coração”.
Jorge Du Peixe, vocalista da Nação Zumbi / Fernando Halal Bom Fim: comunidade vai ao governador pedir reabertura de posto da BM
Matheus Chaparini
O fechamento de um posto da Brigada Militar no parque Farroupilha está gerando uma mobilização intensa entre moradores e comerciantes do Bom Fim, em Porto Alegre.
Houve uma manifestação no final da tarde de quinta-feira (08) e um pedido de reunião com o governador já foi encaminhado ao Piratini para tentar achar uma saída para o problema.
“O bairro tem uma circulação de 90 mil pessoas durante a semana e mais de 140 mil aos sábados e domingos. Só isso já justifica a necessidade de se ter um posto fixo. É uma população maior do que muita cidade do interior”, comparou o presidente da Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim, Carlos Alexandre Randazzo.
A BM designou uma unidade móvel para o parque, porém a reportagem do JÁ constatou que ela enfrenta os mesmos problemas argumentados pela corporação para encerrar as atividades do posto fixo – possui apenas um policial de plantão que utiliza o telefone particular para chamar uma viatura em caso de necessidade.
Pior, no micro-ônibus adaptado não há banheiro para o guarda, que sofre também com o calor no interior do veículo.
Diante da situação, a saída da comunidade foi um protesto que reuniu dezenas diante do prédio que abrigava a antiga unidade na quinta-feira para pedir a “reabertura já!”, que eram as palavras de ordem ditas no ato.
Os manifestantes colocaram uma lona preta ao redor do posto, em sinal de luto, e deram um abraço simbólico ao posto policial, desativado no dia anterior.
Motoristas foram solidários ao ato
Grupo promoveu um abraço ao prédio e interrompeu o trânsito da Osvaldo Aranha | JÁ
Durante alguns minutos, o grupo de manifestantes trancou o trânsito da avenida Osvaldo Aranha para chamar atenção da população. A intervenção contou com a compreensão dos motoristas. Vários passavam buzinando e gritando mensagens de apoio.
Apenas um motociclista impaciente tentou furar o bloqueio. “Se quiser, pode passar por cima”, argumentou Cláudio Freitas, conselheiro da região centro do Orçamento Participativo.
O impasse foi resolvido pacificamente.
A principal queixa da comunidade foi a falta de diálogo do poder público, que não comunicou previamente sobre o fim das atividades do posto.
Para Nara Maria Jurkfitz, moradora do bairro desde 1967, o fechamento foi arbitrário. “É mais um ato que demonstra a falta de ação do governo com relação à segurança.”
Guarda Municipal pode ser alternativa
Durante a manifestação, algumas ideias surgiram em relação ao que fazer com o prédio, que pertence à prefeitura de Porto Alegre. Uma saída possível seria a Guarda Municipal assumir o posto.
“É uma alternativa, mas não é a melhor. A solução é o retorno da Brigada”, opinou o vereador Valter Nagelstein (PMDB), cuja base eleitoral é a comunidade judaica do bairro.
Representante da Associação dos Amigos do Parque Farroupilha, Roberto Jakubaszko, fez coro à ideia e levantou ainda outras possibilidades, como a própria comunidade assumir o posto, através das associações. “Não podemos é ficar com esse posto parado e desocupado”, observou.
Nagelstein disse que a Câmara de Vereadores está à disposição para tentar uma solução no âmbito municipal, mas não descartou buscar medidas judiciais que obriguem o Governo do Estado a alocar recursos na Segurança Pública.
Posto foi conquista da comunidade
Nara contribuiu com a obra | JÁ
Durante a manifestação, eram distribuídos panfletos informando a população sobre o fechamento. Para além da questão da segurança, havia um desconforto com o fim das atividades porque o posto policial era “o marco do movimento comunitário do bairro”, segundo o texto.
O prédio foi erguido em 1987, através da mobilização dos moradores e comerciantes. “Construímos com o dinheiro da comunidade, o pessoal se cotizou, não teve quem não participasse”, afirmou a moradora Nara Maria Jurkfitz.
Em 2004, a unidade foi reformada, novamente com recursos da população local. Até mesmo um telefone celular foi doado, criando uma linha direta com os policiais de serviço.
“Muitas ocorrências eram atendidas diretamente, sem passar pelo 190”, recordou o presidente da associação, Carlos Alexandre Randazzo.
Bairros vizinhos se somam à pressão
Além das associações de amigos do bairro de do Parque Farroupilha, o movimento é composto por diversas entidades do Bom Fim e até de outros bairros.
“O posto era uma referência, oferecia segurança não só do Bom Fim, mas aos bairros do entorno”, argumentava o presidente da associação, Carlos Alexandre Randazzo.
Veja a lista completa dos integrantes do movimento:
Associação dos Amigos do Bom Fim
Associação dos Amigos do Parque Farroupilha
Associação dos Permissionários do Mercado Bom Fim
Associação dos Amigos da Avenida Venâncio Aires
Grupo Vizinhança na Calçada (Cidade Baixa)
Associação dos Amigos da Cidade Baixa
Conselho Tutelar (Micro 8)
Conselho de Usuários do Parque Farroupilha
Conselho Comunitário de Segurança do Bairro Bom Fim
Direção da Escola Estadual Anne Frank
Conselho Escolar do Anne Frank
Grupo de Moradores da Avenida Cauduro
Grupo de Empresários e Moradores do Bom FimProfessores e alunos do Estado se unem contra política de Educação
Douglas Freitas
A sexta-feira (08) foi marcada por atos públicos em Porto Alegre contrários às medidas do governo José Ivo Sartori na Educação. Escolas das cinco regiões da Capital gaúcha mobilizaram estudantes e professores para questionar o parcelamento dos salários dos servidores estaduais, que atinge educadores, e para alertar para o atraso ou corte de repasses às instituições de ensino.
O grupo da Zona Leste de Porto Alegre se concentrou por volta das 10h da manhã na estação São Jorge, sob o viaduto da Perimetral, no cruzamento a Bento Gonçalves.
“Educador na rua, Sartori a culpa é tua” foi o grito mais entoado na caminhada que percorreu a Bento até o cruzamento com a Rua Paulino Azurenha, quase em frente ao Hospital Psiquiátrico São Pedro.
Após bloquear a passagem de automóveis por alguns minutos, o protesto voltou até o ponto de partida.
Houve também atos das escolas das zonais Azenha/Centro, Eixo Baltazar, Medianeira/Glória/Cascata e Zona Sul.Estado isenta microgeração de energia a partir de fontes renováveis
O governo do Estado do Rio Grande do Sul decidiu isentar de impostos as iniciativas de pequeno porte que gerem energia elétrica a partir de fontes renováveis, desde que essa operação esteja conectada à rede de distribuição convencional.
A decisão consta de um decreto assinado pelo governador José Ivo Sartori e vale a partir de 1º de junho deste ano para centrais com potência instalada de até 100 kw.
Na prática, não haverá mais a incidência da alíquota de 30% do ICMS sobre a energia excedente produzida em uma residência que tenha sido oferecida na própria rede de distribuição e utilizada nos horários de maior demanda. A iniciativa servirá de estímulo para que outros consumidores, como comércio e pequenas indústrias, possam implantar pequenas centrais de energia limpa.
“A geração de energia já interligada com as redes de distribuição é muito baixa atualmente no Rio Grande do Sul e a incidência do imposto vinha representando um obstáculo para ampliar este segmento que representa custo menor e respeito ao meio ambiente”, explica o secretário da Fazenda, Giovani Feltes.
medida quer estimular geração solar
Embora contemple também unidades eólicas e de biomassa, o foco maior da medida é estimular a energia fotovoltaica, produzida através de placas solares. O Rio Grande do Sul é terceiro estado brasileiro com maior número de conexões deste tipo na rede convencional, mas elas ainda não chegam a 200.
O Plano Energético do RS, lançado recentemente pelo governo do Estado, aponta que há grande perspectivas para ampliar a inserção deste tipo de geração, o que será estimulado com o decreto de isenção tributária
“É um fator que ajudará em muito para que a energia solar torne-se financeiramente viável e ganhe forte impulso na geração distribuída, tanto para usos isolados da rede como para aqueles conectados à rede de distribuição de energia elétrica”, frisou o secretário de Minas e Energia, Lucas Redecker.Substituição do termo "agrotóxico" volta à pauta na Câmara Federal
Naira Hofmeister
Mal os ambientalistas celebraram o arquivamento do projeto de lei do senador Álvaro Dias (PV-PR), que substituía o uso do termo “agrotóxico” por “produto fitossanitário” na legislação brasileira, já estão se mobilizando contra uma nova medida que vai no mesmo sentido.
O deputado federal do Rio Grande do Sul, Covatti Filho (PP), apresentou no final do ano passado uma proposta que alteraria não apenas a nomenclatura utilizada para designar os produtos aplicados em lavouras para combater pragas (insetos ou ervas daninhas), mas modificaria o próprio sistema de avaliação das substâncias.
Segundo o gabinete do parlamentar, se aprovada, a proposta vai “modernizar” a legislação brasileira, que data do final dos anos 80, além de afastar dos alimentos produzidos pelo sistema convencional um “preconceito” que, na opinião do autor do PL não encontra parâmetro no mundo.
Em nota de repúdio ao texto, o Fórum Gaúcho de Combate aos Agrotóxicos, integrado por 50 instituições – condena a omissão de conceitos já consolidados na legislação nacional, considerada pelos ambientalistas como uma das mais avançadas do mundo.
Segundo o Fórum, se a iniciativa prosperar, “não haverá necessidade de registro de herbicidas, tais como o 2,4D, o paraquat e o glifosato, por não se enquadrarem no conceito de “defensivos fitossanitários” proposto.
Além do mais, a proposta retira de estados e municípios a competência para legislar de
maneira mais restritiva em questões ambientais, de saúde e agronômicas.
O gabinete do deputado Covatti Filho organiza uma resposta aos questionamentos dos ecologistas e garante que haverá espaço para “aperfeiçoamento do texto”.
Já foi criada uma comissão especial na Câmara Federal para avaliar o PL. Assim que for instalada – coisa que só deve ocorrer após a tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff – o colegiado terá 40 sessões para produzir um relatório sobre a proposta de Covatti Filho, que terá ainda que passar pelas comissões da Casa antes de ir a plenário.
Proposta no senado sucumbiu à pressão
Autor de proposta mais singela, cujo objetivo era apenas modificar a nomenclatura dos produtos utilizados nas lavouras, o senador Álvaro Dias desistiu da empreitada diante da forte pressão social contrária à alteração. Seu projeto foi arquivado no final de março.
O título dado à essas substâncias aplicadas para matar insetos ou ervas daninhas principalmente em plantações de grandes extensões, que favorecem o aparecimento dessas pragas, gera debate.
Entre os ambientalistas, por exemplo, o termo consagrado é “veneno”, enquanto que os defensores da mudança no termo fazem um paralelo com a palavra “remédio”, que em outros locais é sinônimo de droga.
Interpretações a parte, o Brasil é atualmente o maior consumidor de agrotóxicos no mundo. Anualmente, cada habitante toma o equivalente a 5 litros dessas substâncias, algumas delas listadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “potencialmente cancerígenas”.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) alerta para outros riscos no consumo dessas substâncias, que podem estar presentes não apenas em alimentos ‘in natura’, mas também nos processados como pizzas, por exemplo: infertilidade, impotência, abortos, malformações fetais, neurotoxicidade, desregulação hormonal e efeitos sobre o sistema imunológico.
No Brasil são ainda utilizadas diversos químicos na produção de alimentos banidos em outros países, incluindo aqueles nos quais eles são fabricados.
RS foi pioneiro ao aprovar nomenclatura
O movimento ambientalista gaúcho teve suas primeiras vitórias legislativas nos anos 80, quando conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa a “lei dos agrotóxicos”, em 1982, que ampliava o controle sobre esses produtos e passava a utilizar o termo defendido por ecologistas para esclarecer os riscos inerentes à eles.
Uma das lideranças da campanha que resultou na promulgação da lei pelo então governador Amaral de Souza foi o engenheiro agrônomo José Lutzenberger, um dos fundadores da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, a Agapan, a mais antiga entidade do gênero no Brasil.
Naquela época, conta Lutz em seu depoimento no livro Pioneiros da Ecologia, “se eu quisesse comprar 50 gramas de material para fabricar pólvora, eu precisaria da licença do Exército. Mas qualquer guri podia chegar em uma loja e comprar um tambor de 200 litros de veneno, que se cair uma gota na perna está morto uma hora depois”.Audiência pública vai debater mudanças no licenciamento ambiental
As alterações previstas no procedimento de licenciamento ambiental brasileiro e seus impactos na natureza serão debatidos pelo Ministério público do Rio Grande do Sul na próxima segunda-feira (11) em uma audiência pública.
O evento, que inicia às 13h30min, no Auditório do Palácio do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, tem a finalidade de obter dados, informações, sugestões e críticas quanto às propostas que tramitam no Senado Federal (PL 654/2015), na Câmara de Deputados (PL 3.729/2004) e no próprio Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
O evento contará com manifestações de especialistas e representantes da sociedade civil que enfrentarão os dois lados da moeda, seja em defesa da proposta, seja rebatendo os eventuais retrocessos e flexibilização das normas ambientais vigentes.
O licenciamento ambiental é um procedimento obrigatório antes da instalação de atividades econômicas – como indústrias, por exemplo – potencialmente poluidoras. Atualmente, os empreendedores precisam passar por diversas etapas antes de receber permissão para iniciar as atividades, incluindo a medição dos impactos ao meio ambiente.Exposições retratam Porto Alegre pelas lentes de fotógrafos
Quer antecipar o final de semana e já curtir um programa cultural na sexta-feira? Duas exposições de fotografias sobre Porto Alegre estão em cartaz na Câmara de Vereadores da Capital e no Museu Joaquim Felizardo.
“Porto Alegre: Ontem e Hoje”, reúne 30 imagens dos fotógrafos da equipe de comunicação da Prefeitura (Cristine Rochol, Ricardo Giusti, Luciano Lanes, Ivo Gonçalves, Joel Vargas, Maia Rubim, Betina Carcuchinski, Aline Gonçalves e Ricardo Stricher). Amanhã é o último dia de visitação, no Museu Joaquim Felizardo, na Cidade Baixa.
Já a exposição do XIV Concurso Sioma Breitman de Fotografia, na Câmara Municipal, segue até o dia 22 de abril e expõe trabalhos de fotógrafos profissionais e amadores selecionados pela Casa.
Todas as imagens são em preto e branco. Entre os trabalhos que abordaram a temática O Cotidiano Invisível de Porto Alegre, há belos retratos de monumentos da Capital – como a Usina do Gaômetro, o Mercado Público e a Redenção – e outros inusitados, caso da foto que ilustra essa matéria, e brinca com uma justaposição de um cartaz que mostra Mario Quintana visto desde uma janela da casa de cultura que leva o nome do poeta.Secretaria de Cultura garante funcionamento da sala de cinema P.F. Gastal
A Sala de Cinema P.F. Gastal, na Usina do Gasômetro não fechará as portas. A garantia foi dada ao Jornal JÁ pela Secretaria Municipal da Cultura, em resposta a um abaixo-assinado que circula na internet alertando para o encerramento das atividades do local neste final de semana.
A sala, entretanto, vai operar com “temporadas reduzidas” a partir da segunda-feira: as sessões estarão restritas às sextas, sábados e domingos.
Essa foi a saída encontrada pela Secretaria da Cultura diante do escasso quadro funcional na pasta. Recentemente o contrato de trabalho de três profissionais – um projecionista, programador e o bilheteiro – venceu e não há previsão de nova contratação – problema semelhante ocorreu no ano passado na Cinemateca Capitólio.
Com isso, os funcionários do Capitólio precisam se revezar entre as duas salas para que nenhuma feche as portas.
Mobilização já levantou 1600 assinaturas
Cinéfilos, intelectuais e representantes culturais estão mobilizados para evitar o encerramento das atividades. Já foi criado um grupo no facebook e em apenas três dias já conquistaram mais de 1600 adesões a um abaixo-assinado.
Grupo irá pedir contratação de funcionários
Nesta sexta-feira ocorre uma reunião na Secretaria da Cultura, vai debater o tema com os líderes dessa mobilização. Confirmaram presença a secretária adjunta de Cultura, Anna Surita, o coordenador de Cinema,Vídeo e TV da pasta, Marcos Mello e a representante do grupo P.F Gastal Resiste, Mariana Müller. Mariana pedirá à pasta, garantias que profissionais sejam contratados: “Queremos o funcionamento da sala em tempo integral e não somente três dias afirmou.Segurança na Redenção: nova Unidade Móvel é precária e tem apenas um policial
Matheus Chaparini
Instalada há cerca de uma semana em frente ao auditório Araújo Viana, no Parque da Redenção, uma unidade móvel da Brigada Militar é elemento central na nova estratégia da corporação, que quer dar mais visibilidade às suas ações e trabalhar para atender mais rapidamente a população.
O micro-ônibus, que antes de chegar ao parque itinerava por Porto Alegre, é uma das contrapartidas da BM para a região diante do fechamento do posto de policiamento que ficava no estacionamento do Mercado Bom Fim. A outra é colocar os policiais anteriormente lotados no local a circular pelas ruas do bairro.
Segundo o comandante do 9º BPM, tenente-coronel Marcus Vinicius Oliveira, a troca é benéfica para a comunidade, uma vez que o posto móvel permite que o guarda se desloque para atender chamados, o que era impossível no sistema anterior, pois o policial não podia abandonar o armamento guardado no local, precisando utilizar o telefone para chamar viaturas em caso de necessidade.
Mas na prática, o que a reportagem do JÁ constatou visitando o novo posto móvel é que pouca coisa muda na ação do brigadiano, que além de tudo, precisa lidar com a falta de infraestrutura do veículo adaptado para servir de base.
Por exemplo, embora o comandante da BM assegure que em emergências o plantonista pode passar a chave no veículo e sair para atender a ocorrência, o policial da unidade afirma que a orientação é para chamar reforço.
Mas é preciso usar o telefone pessoal, afinal, a corporação não fornece aparelho e linha funcionais, segundo o guarda, que não quis se identificar. “Também não tem rádio”, complementa.
Calor sem refresco
No dia em que o JÁ esteve na unidade, as rádios de Porto Alegre anunciavam sensação térmica em torno dos 35°C. Ao se aproximar, o repórter nota que o único brigadiano no interior do veículo está suando muito.
Recostado no assento, ele colocara uma garrafa plástica com um resto de gelo atrás da nuca para resfriar o corpo. “Pode entrar, só não repara o calor”, convidou.
No interior do micro-ônibus, a sensação passava tranquilamente dos 40°C.
Uma saída seria abrigar-se sob o toldo do micro-ônibus, na parte externa, onde há sombra e a temperatura é um pouco mais baixa. “Mas meu turno é de 12h, das não vou ficar todo o tempo de pé do lado fora”, contesta o policial.
Há outros problemas: “Não tem banheiro nem geladeira. Para tomar uma água, eu preciso ir até um bar e comprar”, exemplifica.



