Autor: da Redação

  • Defesa da democracia e da legalidade lota o salão de atos da UFRGS

    O Salão de Atos da UFRGS lotou na tarde desta quarta-feira para o Grande Ato em Defesa da Democracia e da Legalidade.
    O ato foi convocado pela Frente Brasil Popular, ligada a PT e PC do B, e pelo Povo sem Medo, ligada ao PSol, e contou com apoio da reitoria da universidade.
    A defesa da democracia e da legalidade, acima de interesses partidários, foi a tônica das falas. Bernardete Menezes, do Psol, defendeu a importância de se unir e formar “uma trincheira”.
    “O Psol tem posição e lado nessa questão. Somos oposição de esquerda ao governo Dilma. Mas o que está em jogo não é partido A ou B.”
    O governo de Dilma Rousseff não foi poupado de críticas pontuais. Bernardete citou a sanção recente da lei anti terrorismo por Dilma. “Nunca teve terrorismo no Brasil, essa lei é para movimento social.”
    Ary Vannazi, presidente estadual do PT, também defendeu que o momento é de se deixar questões partidárias de lados.
    “Não precisa gostar do PT, basta gostar do Brasil e da democracia, porque quem já viveu sob uma ditadura sabe  a importância disso.” Vannazi afirmou que o objetivo é colocar 100 mil pessoas na esquina democrática no ato desta quinta.
    Na ausência do reitor, que cumpre agenda fora do país, o vice-reitor, Rui Oppermann, foi quem abriu as falas. Oppermann leu uma carta da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior).
    Na nota, os dirigentes repudiam “argumentos pseudo-jurídicos utilizados para encobrir interesses político-partidários, com a divulgação seletiva de elementos processuais antes da conclusão dos processos, ignorando o princípio da presunção de inocência.”
    IMG_20160330_172646718_HDRPaulo de Tarso, do Comitê Carlos da Ré, defendeu que há um golpe em curso, dado “pela mesma elite que esteve em 1954, em 61 e em 64. E o discurso agora é o mesmo.”
    Ele, que foi militante da VAR Palmares durante a ditadura lamentou a necessidade de se lutar pela democracia depois de tantos anos. “Eu estava a ponto de ficar na praia, aposentado, pescando e tomando meu mate, mas a direita não quer nos deixar parados,” brincou.
    “O golpe já foi dado”, afirma procurador
    Domingos Dresch, procurador da República e professor de direito da UFRGS afirmou que “o golpe já foi dado, estamos vivendo um estado de excessão.”
    Ele defendeu a “coragem cívica que a universidade não nega ao país.” O procurador afirmou que toda a sociedade ficou feliz ao ver, pela primeira vez na história do país, corruptos e corruptores sendo julgados e punidos por seus crimes, mas que, em algum momento, “os fins passaram a justificar os meios e passamos a ter desrespeitados direitos básicos.”
    Dresch criticou ainda a ideia, difundida pela grande imprensa, de um Ministério Público unificado e afirmou que mais de mil promotores e procuradores assinaram um manifesto em defesa da democracia. “O MP da constituição de 88 não morreu na Lava Jato”, afirmou.
    Pont PEDe fim do monopólio das comunicações
    Raul Pont fez uma das últimas falas do evento. Ele recordou que entrou na universidade em 1964, um mês antes do golpe, que trouxe expurgos de professores e jogou na ilegalidade entidades representativas dos estudantes.
    O ex-prefeito reiterou que o momento política brasileiro se constitui em golpe. “Mesmo que não tenhamos militares na rua, um golpe clássico pela força, é um golpe contra o resultado das eleições.”
    Ele criticou também a condução do processo de impeachment. “Mais da metade da comissão processante se elegeu financiada por empresas investigadas na Lava Jato”, afirmou, além de defender que “delação premiada é uma vergonha.”
    Para Pont, o problema maior é o sistema eleitoral brasileiro, que considerou “o principal estimulador da corrupção.” Ele criticou o voto nominal e o financiamento empresarial das campanhas.
    Raul Pont encerrou sua participação afirmando que “temos que avançar na construção da democracia”. Para isso, defendeu o fim do monopólio das comunicações e criticou a rede Globo e o grupo RBS, “que são o maior câncer do país.”

  • "Derrubar Dilma por pedaladas é molecagem", diz Ciro Gomes

    – O que eu falo é para gravar! Assim começou a rápida entrevista que o político Ciro Gomes (PDT) deu antes de participar, como palestrante, do seminário Dívida Pública, desenvolvimento e Soberania Nacional realizado nesta quarta-feira no Prédio 40 da PUCRS, em Porto Alegre.
    Questionado sobre o rompimento do PMDB com o governo, anunciado ontem pelo Senador Romero Jucá, ao lado de Eduardo Cunha e Eliseu Padilha em reunião aberta do Partido, Ciro foi enfático: “Era a crônica de uma morte anunciada”. Lembrou das diversas vezes em que alertou ao ex-presidente Lula e a presidente Dilma o quão era “estúpido e equivocado” se aliar ao PMDB que chamou de quadrilha da política brasileira.
    Temer: “Um assalto ao poder”
    Ainda na primeira pergunta, continuou falando de um possível mandato de Michel Temer, sucessor de Dilma em caso de Impeachment. Ciro destacou que Temer foi o candidato a Deputado Federal menos votado pelo Estado de São Paulo e afirmou ainda que o vice-presidente está “vinculado a tudo que está de errado sob ponto de vista constitucional e de corrupção no Brasil”, que está vinculado a Eduardo Cunha e que o próximo passo depois “de assaltar o poder” é “acabar com a Lava Jato”
    Segundo Ciro, a operação está saindo do controle dos politiqueiros de Brasília.
    Sobre Temer na presidência, Ciro Gomes disse se tratar de um governo ilegítimo que irá se constituir. Para ele, se trata de voltar para um governo de interesses internacionais. Com o PMDB no poder, junto ao PSDB, Ciro acredita que o Brasil terá uma “agenda entreguista”, e cita o exemplo do petróleo e do gás.
    Também ressaltou que esse novo governo arrebentaria com os avanços e políticas sociais que atualmente ocorrem no País. “Seria uma tragédia completa”, ressaltou.
    Se Temer assumir, Ciro pedirá Impeachment
    Para Ciro Gomes não há legitimidade no atual processo de Impeachment que corre no Congresso. Segundo ele não há crime de responsabilidade, motivo de um Impeachment, por parte do Governo Dilma. “Se trata de um truque, que eu não aprovo, mas não é crime” ressaltou. Se a presidente cair, Ciro será o primeiro a mandar o mesmo pedido de afastamento do atual Vice. “ Vou estar baseado no fato que ele (Temer) assinou diversos decretos de pedaladas”, afirmou.
    “Impeachment não é inevitável”
    Em sua conclusões, Ciro duvidou que um governo formado por Temer e novos aliados fosse livrar o Brasil da atual situação e citou três tipos de crises que estão interligadas: a crise que o Brasil vive junto ao comércio exterior, “temos um rombo de 110 bilhões”; a desvalorização da moeda que colabora para a alta da inflação e por último a crise politica. “Nem o PT, nem a CUT, nem o MST e nem eu vamos deixar vender o Brasil para o estrangeiro”
    Por fim terminou dizendo que irá lutar de todas as formas para que o que considera golpe não se abata no Brasil.
    Escute na íntegra a entrevista de Ciro Gomes:

  • A Globo e o golpe: nas duas vezes anteriores ela mentiu

    P.C. DE LESTER
    No dia 2 de abril de 1964, o presidente da República, João Goulart, ainda estava em território brasileiro.
    Havia desembarcado às 3h15 minutos da madrugada no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, para decidir se resistia ou não à quartelada que se iniciara contra seu governo.
    Nas primeiras horas da manhã, o presidente estava reunido com o comandante do então III Exército e os comandantes de todas as unidades da região Sul, mais líderes políticos como Leonel Brizola e outros.
    Naquela manhã, o jornal o Globo circulava no Rio de Janeiro com a seguinte manchete no alto da página: “Jango Fugiu: A Democracia Está Restabelecida” e abaixo em letras garrafais: “EMPOSSADO MAZZILLI NA PRESIDÊNCIA”.
    O Globo mentiu para encobrir um atentado a Constituição, que foi a posse forjada de Rainieri Mazzilli, o presidente da Câmara, quando o presidente da República ainda estava em território nacional.
    Na calada da noite, o presidente do Senado, Auro Moura Andrade, numa sessão de três minutos, declarou vaga a presidência da República e elegeu Mazzilli para o cargo.

    • No dia 1º de setembro  de 1969, estreou o Jornal Nacional, “o primeiro noticioso em rede nacional de televisão” no Brasil

    A principal notícia foi a doença do presidente Costa e Silva, há quatro dias com uma “crise circulatória”. O locutor Hilton Gomes disse que o presidente “passou bem à noite e está em recuperação”.
    O presidente, na verdade, tivera uma isquemia cerebral. Estava prostrado na cama, semi- paralítico e mudo.  Os três ministros militares já haviam empalmado o poder, descartando o vice-presidente Pedro Aleixo.
    O Jornal Nacional mentiu, encobrindo o chamado “golpe dentro do golpe”.
    Portanto, quando William Bonner diz que os jornalistas da Globo não criam fatos, mas apenas os divulgam e que “sempre foi e vai continuar sendo assim” é bom botar o pé atrás.
    Agora, toda a Globo está empenhada em dizer que o impeachment contra Dilma não é golpe. Não estará ela, novamente, tentando encobrir outro golpe?

  • Oráculo da Globo manda dizer que Dilma já caiu

    ELMAR BONES
    O jornalista Merval Pereira é uma espécie de oráculo para a Rede Globo e seus repetidores pelo Brasil afora.
    Membro do Conselho Editorial do Grupo Globo, ele atua como editorialista, colunista, comentarista nos principais veículos da rede.
    O que ele diz e escreve unifica o discurso em torno dos fatos mais importantes, principalmente nas questões de poder.
    É só ler a coluna dele no Globo para saber como vão se posicionar os repórteres, comentaristas, animadores de programa, comunicadores em geral que atuam dentro ou alinhados ao sistema Globo pelo país afora.
    O caso do impeachment da presidente Dilma Rousseff é um exemplo.
    Ele é o mentor da interpretação dominante na rede, de que o impeachment contra Dilma Rousseff nada tem de golpe e que está praticamente consumado.
    Em sua coluna de hoje, com o título “Não vai ter golpe”, ele diz que essa idéia de golpe é “uma construção do lulopetismo” e que “não há mais dúvidas de que existem motivos de sobra para o impedimento da presidente”.
    Ele não enumera nenhum dos “motivos de sobra” e diz que “além das pedaladas, há no pedido da Ordem dos Advogados, outras razões: as tentativas de obstrução da Justiça e a denúncia de Delcídio Amaral de que Dilma “fez pressão no judiciário para soltar empreiteiros presos”.
    Merval não ignora que o pedido protocolado pela Ordem dos Advogados foi desdenhado por Eduardo Cunha, não entrou em pauta e, portanto, não está em julgamento.
    E que o pedido tramitando na Câmara tem como base da acusação as ditas “pedaladas fiscais”, que muitos juristas e até ministros do Supremo não consideram suficientes para tipificar o crime de responsabilidade, indispensável para o impeachment.
    Merval não ignora também que uma delação de réu confesso, como a de Delcídio Amaral, que não foi sequer investigada, não pode ser base para afastamento de um presidente da República.
    Ele não ignora nada disso. Mas, embora seja da Academia Brasileira de Letras, o papel de Merval Pereira na Rede Globo não é o de um jornalista ou intelectual. É o de um ideólogo, a serviço de um projeto ideológico, onde importam os fins, não os meios. Por isso ele já vislumbra um “Temer empossado”.
     

  • The Beetles volta ao RS com o melhor tributo ao lendário quarteto inglês

    O Rio Grande do Sul volta a se aproximar de Liverpool a partir do dia 13 de abril, quando o quarteto argentino do The Beetles, considerado o melhor tributo da América Latina aos Beatles, sobe ao palco do Teatro Renascença, em Porto Alegre, para mais um espetáculo. A partir das 20 horas o oceano que existe de distância entre Brasil e Inglaterra deixará de existir e os porto-alegrenses vão regressar à década de 60 para relembrar este fenômeno musical da Terra da Rainha. Os ingressos podem ser adquiridos no site bit.ly/beetlespoa
    Assim como a capital dos gaúchos, São Leopoldo (15/4) e Uruguaiana (17/4) também serão contempladas com a magia do espetáculo do “The Beetles – O espírito de The Beatles”, que proporciona uma verdadeira imersão na atmosfera da Era Beatlemaníaca, comandada pelo quarteto formado por Francisco Desalvo (John Lennon), Marcos Gonzatto (George Harrison), Nilo Zalazar (Paul McCartney) e Jackson Bendik (Ringo Starr).
    Criado em 2008, o grupo argentino traz aos palcos interpretações, figurinos, instrumentos, aparência física e técnica vocal fiéis ao que os Beatles apresentavam às plateias, replicando os mínimos detalhes em respeito ao grupo de Liverpool e aos “fãs de carteirinha” dos Beatles.
    Para isso, são realizadas três trocas de figurinos da época como, por exemplo, os clássicos ternos pretos com o colarinho de veludo e os casacos marrons do famoso show do Shea Stadium, em 1965. O repertório ainda apresenta roupas mais informais, como as utilizadas na capa do álbum Abbey Road, fase na qual os Beatles se vestiam de acordo com seus gostos individuais, mesclados com trajes utilizados nas fases solistas de cada um deles, tais como a jaqueta militar do John e o colete da World Tour do Paul, usado no Estádio do Maracanã.
    Também são utilizados os clássicos baixo em forma de violino Hofner de Paul McCartney até hoje; a guitarra Gretsch Country Gentleman de George Harrison; a guitarra Rickenbacker 325 de John Lennon; e a bateria Ludwig Tigrada de Ringo Starr, entre outros.
    Os garotos da Argentina já encantaram o público gaúcho em suas passagens anteriores, sendo a mais recente no ano passado, durante o Beatles Festival, em Porto Alegre. Na estrada desde 2008, o show do tributo argentino traz ao público 35 músicas, como os clássicos Let It Be, Help! e Twist & Shout, sem esquecer de relembrar temas da carreira solo dos componentes, como Imagine, de John Lennon, todas fielmente interpretadas com respeito à cultura Beatlemaníaca e com riqueza de detalhes.
    Serviço
    Turnê gaúcha do “The Beetles – O espírito de The Beatles”
    Porto Alegre
    Quando: quarta-feira, 13/04, às 20h
    Onde: Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307 – Menino Deus)
    Ingressos online: R$ 33,00 (meia entrada) e R$ 44,00 (promocional)
    Compre pelo site: bit.ly/beetlespoa
     
    Pontos de venda (disponíveis a partir de quarta-feira, 23/03):
    Ingressos: R$ 30,00 (meia entrada) e R$ 40,00 (promocional)
    La Mafia Barbearia (Av. João Wallig, 154 e Av. Praia de Belas, 596)
    BarAca (Prédio D da Uniritter – Rua Orfanotrófio, 555 – Alto Teresópolis)
     
    São Leopoldo
    Quando: Sexta-feira, 15/04, às 20h
    Onde: Teatro Municipal (Rua Osvaldo Aranha, 934 – Centro)
    Ingressos: R$ 20,00 (meia entrada) e R$ 40,00 (inteira).
    Compre seu ingresso antecipado no site bit.ly/beetlessaoleo
    Uruguaiana
    Quando: Domingo, 17/04, às 20h
    Onde: Teatro Municipal Rosalina Pandolfo Lisboa (Rua XV de Novembro, 1844)
    Ingressos: – R$ 10,00 (comerciários e dependentes do Cartão Sesc/Senac), estudantes, professores e idosos);
    – R$ 15,00 para empresários e dependentes do Cartão Sesc/Senac e funcionários municipais (mediante identificação formal);
    – R$ 20,00 para o público geral.
    Ingressos à venda no Sesc Uruguaiana (Rua Flores da Cunha, 1984)
    Telefone: (55) 3412.4624
     
     
     

  • Passagem em Porto Alegre volta aos R$ 3,75 nesta quarta-feira

    A partir das primeira horas desta quarta-feira a passagem de ônibus de Porto Alegre passa a custar novamente R$ 3,75. A tarifa da lotação passa para R$ 5,60. As recargas feitas em cartão TRI têm validade de 60 dias, durante este período, o usuário paga o valor vigente no momento da recarga.
    Na noite de segunda, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) derrubou a liminar que mantinha a tarifa em R$ 3,25. Na tarde da terça,a Eptc comunicou a ATP do início da vigência da nova tarifa.
    O presidente do STJ, ministro Francisco Falcão, acolheu o pedido de suspensão da liminar, protocolado pela Procuradoria Geral do Município (PGM) de Porto Alegre. A limina foi  concedida pela juíza Karla Aveline de Oliveira, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, no dia 24 de fevereiro após ação protocolada pelo Psol.
    A argumentação era que o Comtu (Conselho Municipal de Transporte urbano) não havia sido consultado sobre o aumento da passagem. A prefeitura argumenta que não há aumento, pois a licitação seria o marco zero, e que não haveria necessidade de consulta ao conselho.
    Atualização do sistema será feita em uma noite
    A Eptc notificou a ATP (Associação dos Transportadores de Passageiros) na tarde desta terça-feira e o aumento já passa a valer a partir nas primeiras corridas desta da quarta. O mesmo não ocorreu em fevereiro, quando o valor da passagem foi reduzido pela liminar. Na ocasião, a alegação das empresas era de que não havia tempo hábil para atualizar o sistema com os novos valores e colar os adesivos nos ônibus.
    A ATP alega que quando a liminar suspendeu o aumento, em fevereiro, o anúncio foi feito repentinamente e por isso não foi possível fazer a alteração da noite para o dia. Desta vez, já se sabia de aumento desde a noite de segunda.
     

  • Ilustrações de Magliani sobre a ditadura militar no Brasil

    O Museu de Arte do Rio Grande do Sul abre na próxima quinta, 31, a exposição “Em tempo: Magliani e eu”. É às 19h, na Galeria Aldo Locatelli do MARGS.
    A mostra apresenta 25 desenhos da artista gráfica Maria Lídia Magliani ( 1946-2012) e dois exemplares encadernados  do Jornal Versus, pertencentes à coleção de Omar de Barros L. Filho.
    As técnicas usadas são: desenho a nanquim sobre papel vegetal; colagem sobre papel vegetal; e técnica mista sobre papel vegetal.
    Trata-se de uma exposição inédita que reúne ilustrações contestadoras da artista, guardadas por 40 anos pelo colega de redação e amigo Omar L. de Barros Filho.
    A exposição pode ser visitada de 31 de março a 15 de maio, de terças a domingos, das 10h às 19h, com entrada franca. Visitas mediadas a grupos podem ser agendadas pelo e-maileducativo@margs.rs .gov.br.

  • Oito horas no acampamento Moro: impeachment e liberalismo em tempo integral

    FELIPE UHR
    De longe já se vê as diversas faixas. Lula, Dilma e o PT são os principais alvos. “Fora Dilma” e “Lula na Cadeia” são as mais comuns. Mas cartazes contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha e do Senado, Renan Calheiros, ambos do PMDB, também são encontrados.
    Na esquina junto ao Parque Moinhos de Vento, o Parcão, é possível ver melhor. A faixa “Acampamento Sergio Moro” dá nome ao local que é, em Porto Alegre, o ponto de vigília daqueles que querem o Impeachment da presidente Dilma.
    Dentro do Parque, entre as árvores, cerca de 25 barracas de diversas cores e tamanhos ocupam um canto do espaço.
    Uma divisão com fitas plásticas delimita o território. Entre as primeiras árvores, mais duas faixas, os rostos de dois conhecidos liberais, Ronald Reagan e Milton Friedman e suas célebres frases respectivamente: “Nós o Povo, dizemos ao governo o que fazer, não o contrário” e “Não existe almoço grátis”.
    Entre as tendas e “gazebos”,o pomar de “pixulecos”(o boneco de Lula preso) é abundante naquele espaço do parque. “Plantamos moedas e nasceram esses pixulecos” brinca um dos integrantes do movimento.
    Do lado das barracas, cadeiras, uma mesa e uma churrasqueira de latão. Ao lado tijolos apoiam uma grelha: é o fogão à lenha improvisado.
    Chego ao local pouco mais de uma da tarde. Sou recebido por um homem de camisa branca com os seguintes dizeres estampados: Partido Militar do Brasil. Um pouco desconfiado, ele pergunta da onde sou e porque estou tirando fotos.
    Me apresento como jornalista, pergunto o seu nome e explico a minha aproximação. Poucos instantes depois mais dois indivíduos se aproximam. Um deles é Jorge Colares, o prefeito do acampamento. “Sou o prefeito porque sou o mais velho” brinca ele.
    O outro, mais jovem, é o estudante de direito Alberto Flores. Nas primeiras horas é com ele e com o carioca Rafael Albani, que chega logo em seguida, que converso mais.
    Os dois são integrantes da Banda Loka Liberal, um dos movimentos idealizadores do acampamento.  Sentamos embaixo da lona e por algum tempo trocamos palavras sobre o atual cenário político e sobre a banda o qual fazem parte.
    Sob o nosso olhar, o senhor de camisa branca senta conosco e durante algum tempo filma nossa conversa.
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    BANDA LOKA LIBERAL: UM FENÔMENO POLÍTICO DA DIREITA
    Eles existem oficialmente há um ano, logo após os protestos do dia 15 de março de 2015. Seus integrantes tem entre média  28 anos. O nome veio ao natural, explica Alberto, inspirado nas “barras” (torcidas organizadas de futebol da Argentina) e na ideologia do Liberalismo, defendido pelos fundadores e maioria do grupo.
    A banda Loka Liberal que atualmente tem mais 40 mil seguidores de todo o Brasil no facebook, embala os manifestos pró Impeachment, com cantos que pedem a saída de Dilma e a prisão de Lula. Já são mais de 30 músicas.
    “A esquerda dá milhões de motivos para escrever tantas músicas” argumenta Rafael quando se refere a quantidade notável de composições. A mais conhecida e mais cantada “Chora Petista” que nasceu já no primeiro manifesto, pegou fácil e colaborou para a ascensão do grupo que já esteve em Brasília protestando contra o governo.
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    Quando pergunto sobre porque Dilma e Lula são os principais alvos nas músicas a resposta é imediata: “Eles são o topo da pirâmide”.
    A conversa é interrompida. Colares anuncia o almoço: um arroz, com molho e galinha. Água e refrigerante são as opções de bebida. A falta de talheres atrasa um pouco o inicio da refeição que começou em torno das quatro da tarde.
    ACAMPAMENTO ORGANIZADO e POLITIZADO
    Durante as horas que fiquei no acampamento, mas principalmente durante o almoço, a pergunta que mais ouvi foi: “Mas qual a tua posição política?”
    No acampamento Moro, todos aparentam ter argumentos suficientes para a saída de Dilma. A insatisfação com o governo e as atuais denúncias de corrupção colaboram. O liberalismo e o conservadorismo são uma convicção.
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    Todos são de direita, mas há diversos tipos: desde os que são a favor de uma possível intervenção militar aos que apenas querem o fim do atual governo. Quando pergunto se Temer é a solução, ouço a resposta: “Talvez não seja a melhor opção , mas precisamos derrubar todos corruptos” argumenta um .
    Enquanto desfruto do delicioso arroz com galinha, simpatizantes se aproximam do acampamento. Uns queriam assinar o papel com as dez medidas de combate à corrupção formulada pelo Ministério Publico Federal recentemente.
    Outros queriam a camisa da Banda Loka Liberal vendida por vinte e cinco reais.
    É o caso da dentista Daniela Meira que trabalha perto do local. Apreciadora do movimento ela diz que é a favor do Impeachment mesmo admitindo ter “um medo por não saber o que pode acontecer”.
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    Sob o regimento de Colares, tudo funciona muito bem no acampamento. Na cozinha improvisada, isopores e coolers separam carnes, águas, refrigerantes e demais mantimentos devidamente etiquetados. Térmicas e cuias também não faltam para o chimarrão matutino ou final de tarde.
    Durante o dia os integrantes vão se revezando. Alguns vêm no inicio da manhã, almoçam e vão trabalhar à tarde. Sempre há alguém que passa para saber se falta alguma coisa. Outros chegam depois da aula e do trabalho já no começo da noite e passam a noite lá. O acampamento se sustenta através de doações. Vinte reais aqui, outros cinquenta ali ajudam na manutenção.
    DEZ DIAS ACAMPADOS, MAS AINDA SEM AUTORIZAÇÃO
    Instalado há dez dias no Parque Moinhos de Ventos, o Acampamento Sergio Moro não tem autorização da prefeitura.
    Segundo Colares, o pedido foi feito ao prefeito já no primeiro dia de ocupação e ainda não se obteve resposta.
    Outro problema são os banheiros: não há sanitários químicos e o do parque fica disponível até as 18h apenas. “Sorte temos os empresários e donos dos restaurantes e bares ao redor que nos deixam usar” salienta o “prefeito”.
    Iluminação, apenas dos postes do parque e do fogo das churrasqueiras.
    O almoço termina e continuamos com a roda de política. Chegam mais dois integrantes da Banda Loka: um deles, Tiago Silveira.
    Para ele o liberalismo ainda não tem a mesma força da esquerda. “Faltam partidos que nos representem” argumenta. Quando cito PSDB ou PP os presentes na roda rechaçam: “Um é governo e o outro leva a sigla de uma Social Democracia, se dizem de direita mas são de esquerda” rebatem.
    Para eles partidos de direita ainda não existem no Brasil. O mais perto é o Democratas “casado há anos com o PSDB”.
    Tiago também lembra que durante as décadas de 60 e 70, quando não tinham dinheiro nem poder político, a esquerda utilizou do poder intelectual e cultural para se disseminar. “a direita não usou disso e os reflexos a gente está vendo”.
    Para alguns integrantes da banda Loka grande parte da esquerda possui muito poder econômico e é fortemente sustentada pelo governo.
    O tempo vai passando, e as ideias de liberalismo e de Estado mínimo, são recorrentes. Citações de filósofos, economistas e políticos liberais sustentam a discussão. Mas eles não se iludem com as mudanças a curto prazo: “Vai demorar, mas a população está dando a respostas na ruas”.
    De políticos como opção para um possível governo ouve-se Bolsonaro, Onyx e até mesmo Aécio, desde que não esteja envolvido na lava-jato. “Vamos ter que ir no menos pior” afirma um.
    Ao repórter são sugeridos, durante a conversa documentários e livros como o “Caminho da Servidão” do economista e filósofo austríaco Friederich Hayek, todos de teor liberal.
    A noite chega e com ela mais pessoas se juntam ao acampamento. Muitos vindos do trabalho.
    Um grupo de mulheres traz um presente ao acampamento: uma nova faixa com o nome do Acampamento, esta com a foto do Juiz que leva o nome de batismo do lugar.
    Mais integrantes vão se juntando. Jovens da Banda Loka também vão chegando. O chimarrão dá lugar ao fardinho de Brahma, estrategicamente colocado em um dos isopores. O fogão de tijolos dá lugar à churrasqueira de latão. É a hora do “choripan”(pão com linguiça).
    De um lado a banda Loka já com vários integrantes, presentes. Do outro, alguns e o “prefeito” Jorge Colares que prepara o salsichão. Na mesa, pronta para receber o calor do fogo uma porção de coxinhas. Assim como no almoço, o repórter é convidado novamente para a refeição. Dessa vez recuso o convite e após oito horas no acampamento Moro me retiro.
    Os integrantes do acampamento prometem a vigília até o Impeachment acontecer. Durante as várias horas de conversa sempre perguntava o que representava de fato o acampamento. A mais interessante resposta que recebi foi uma citação a Saul Alinski “que disse que todo movimento deve ter território e simbolismo e isso que estamos fazendo aqui”

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    Pomar de “Pixulecos” faz parte da composição do acampamento

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  • PMDB embarca no golpe de Temer

    ELMAR BONES
    As revistas semanais nas bancas nesta segunda-feira estavam didáticas: a Veja dizendo que Lula já pensa em fugir, a IstoÉ apresentando “os 7 crimes de Dilma”, a Época mostrando a presidente como uma caigangue decrépita pintada para uma guerra perdida.
    Para completar, a Exame apresentando aos empresários A Saída Temer. A única dissonância era pequenina e brava Carta Capital.
    Isso depois de uma semana com a Globo e suas repetidores trombeteando que impeachment é recurso previsto na Constituição, portanto não é golpe. Ministros e juristas falando em tese, mas as manchetes maliciosas dando a entender que se referiam ao caso Dilma.
    Mesmo assim, nesta segunda-feira parecia faltar consistência ao processo de impeachment. Pelo menos é isso que se pode deduzir da atitude do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cláudio Lamacchia.
    Ele foi pessoalmente ao Congresso levar um novo pedido de impeachment, com outras alegações, entre elas uma delação ainda não conferida, como se o que tramita na Casa, ancorado nas “pedaladas fiscais” fosse insuficiente,
    Foi patética a atuação de Lamachia que teve que se esquivar das vaias para tentar entregar sua nobre demanda às sacrossantes mãos de Eduardo Cunha.
    No entanto, parece que tudo funcionou. Nesta terça feira o PMDB, em grande estilo, desembarca do governo Dilma, para abrir o caminho para o vice Michel Temer, que subirá a rampa do Planalto escudado por Eliseu Padilha, Renan Calheiros e Eduardo Cunha.
    Não há dúvida, é um golpe que só se sustenta pelo incondicional apoio da mídia, que quer tirar Dilma a qualquer preço.
    Acreditar que uma saída dessas pode levar à estabilidade política e à retomada econômica é ingenuidade ou má fé.
     
     
     
     

  • Prefeitura inaugura barreira para conter o lixo do Arroio Dilúvio

    O prefeito José Fortunati inaugurou nesta segunda-feira a ecobarreira do Arroio Dilúvio. A iniciativa visa impedir que o lixo jogado no arroio chegue até o Guaíba. A contenção foi instalada no trecho entre a avenida Borges de Medeiros e a Beira Rio, próximo à foz do arroio.
    Fortunati garantiu elogiou o projeto “inovador, que pode servir de referência para o mundo” e garantiu que “a prefeitura não vai gastar nem um centavo.”
    A inauguração contou com representantes da empresa e de secretarias municipais. Na ocasião, foi feita uma pequena demonstração de como o lixo será retirado da água, através de uma gaiola puxada por motor, mas não foi realizado o procedimento completo.
    A iniciativa partiu da empresa Safeweb Segurança da Informação Ltda, que custeou a implantação, no valor de R$ 250 mil, e será responsável pela operação.  A estimativa da empresa é de um custo mensal de R$ 15 mil, o que inclui a manutenção do equipamento, um operador, que vai fazer a máquina funcionar e ensacar o lixo e um segurança, para cuidar do equipamento à noite.
    Uma barreira flutuante foi instalada ao longo da largura do arroio. O resíduo fica preso na barreira, é suspenso por meio de uma gaiola e dispensado em uma plataforma. Ali, o funcionário contratado pela empresa ensaca o lixo que fica disposto em uma plataforma no nível da calçada. A parte da prefeitura é o recolhimento, que será realizado pelo Dmlu.
    A barreira contem o lixo da superfície e até 20cm de profundidade. O lixo que não couber na gaiola, como peças de mobiliário que muitas vezes são vistas boiando no arroio, deve ser recolhido manualmente.
    “Nós estamos trabalhando no lixo flutuante. As garrafas vem flutuando porque estão vazias e fechadas, no momento em que vier um garrafa cheia, ela vai afundar e passar por baixo, isso é inevitável”, explica o vice-presidente da Safeweb, Luiz Carlos Zancanella Júnior.
    O contrato prevê a operação do sistema durante cinco anos, sendo o primeiro ano uma fase de teste.

    Lixo acumulado desde a última quinta-feira / JÁ
    Lixo acumulado desde a última quinta-feira / JÁ

    Projeto foi desenvolvido por empresa de informática
    A ideia partiu de Luiz Carlos, a partir de uma iniciativa semelhante na cidade de Maltimore, nos Estados Unidos. A diferença é que neste outro modelo, o lixo é recolhido através de uma esteira, fazendo recolhimento constantemente e dispensando a necessidade de operador. Segundo o idealizador da ecobarreira do Dilúvio, a substituição da gaiola por uma esteira deve ser o próximo passo. “Estou chamando de ecobarreira 2.0”, explica Luiz Carlos.
    O projeto não tem muito a ver com a área de atuação da empresa, que desde 1995 trabalha com a área de informática, mais especificamente segurança da informação, e tem todo o custo pago pela própria Safeweb. “É um trabalho 100% pensando na cidade, não tem objetivo de trazer lucro”, afirma o vice-presidente da empresa, Luiz Carlos Zancanella Junior.
    Trata-se de um projeto piloto. Se der certo, a empresa pretende oferecer para outras cidades. Mas Zancanella explica que a ideia não é vender o projeto, mas oferecê-lo sempre em forma de doação.
    “Parece meio romântico, mas é verdade. A gente só quer ajudar a cidade”, garante o vice-presidente e diretor de TI da empresa. Ele explica que se trata de um negócio familiar, o dono e presidente é seu pai e outros parentes compõe a equipe.
    Na inauguração, funcionários da Cootravipa dão uma "mãozinha", recolhendo manualmente parte do lixo / JÁ
    Na inauguração, funcionários da Cootravipa dão uma “mãozinha”, recolhendo manualmente parte do lixo / JÁ