Autor: da Redação

  • Atiram no governo mas querem acertar nos programas sociais

    GERALDO HASSE
    Há na Mídia e nas ruas um martelar incessante reclamando “austeridade” na gestão das contas públicas. Muito justo: é preciso acabar mesmo com a roubalheira do dinheiro público.
    No entanto, se examinarmos a fundo o que querem os adeptos da “austeridade”, veremos uma maioria disposta a cortar os programas de amparo aos pobres, como o Bolsa Família, o principal legado das gestões petistas.
    Tirar dos pobres para promover o equilíbrio fiscal não é nada justo. “Se está faltando dinheiro, o governo deve tirar dos ricos, nunca dos pobres”, me disse um veterano empresário gaúcho que foi tropeiro na juventude, nos anos 1940.
    Católico praticante, ele também está revoltado com a descoberta da corrupção na cúpula da Petrobras, mas nem por isso pede o corte dos programas que permitiram ao Brasil dar um passo gigantesco na busca da igualdade econômica, justiça social e equalização dos direitos humanos.
    Infelizmente, são cada vez mais fortes os sinais de que as políticas sociais estão por um fio. Tome-se por base o afã de deputados e senadores para flexibilizar as leis trabalhistas, um dos projetos mais perversos dos conservadores e liberais para, como eles dizem, “acabar com a proteção a essa cambada de vagabundos”.
    Trata-se de uma hipocrisia irrigada pela mais profunda ignorância política. Como se pode construir uma democracia forte – e um mercado rico, que é o que mais interessa aos empresários – sem promover a inclusão das camadas carentes da população?
    Com a erosão da credibilidade do governo Dilma e o descrédito do PT, parece restar pouco para sustentar a aliança de movimentos sociais e grupos responsáveis pelos avanços obtidos desde a Constituição de 1988.
    A defesa das políticas sociais enfraqueceu-se, os direitos humanos mais elementares começam a ser alvo de chacota e um retrocesso ronda o estado de direito no âmbito do Judiciário, justamente o poder encarregado de garantir o cumprimento da Constituição.
    O que parecia uma marolinha antiPT virou uma onda na qual surfam delegados, procuradores, juízes e ministros sob os holofotes da Midia estabelecida, todos empenhados num esforço para incriminar especialmente os governos petistas.
    Se a corrupção é mais ou menos generalizada e vem desde outros governos, por que não atacar em todas as frentes?
    O clamor antiPT só vê os 35 bilhões de reais investidos no Bolsa Familia e fecha os olhos para o descalabro da Bolsa Dívida, cujo serviço, entre amortizações e juros, custou um trilhão de reais ao Tesouro Nacional em 2015.
    Em artigo publicado no final de fevereiro no site Congresso em Foco, o cientista político Antonio Carlos de Medeiros declarou-se convencido de que “chegamos ao final de um ciclo” e que é preciso “criar um novo bloco de poder” que seja capaz de formular “um novo modelo de crescimento” – mais liberal, naturalmente, com menos intervenção do Estado, cujo inchaço nas últimas décadas fortaleceu a burocracia e a tecnocracia, além de onerar pesadamente o Tesouro.
    Por aí vemos que muitos estudiosos já dão por encerrado o ciclo do petismo, só faltando que a presidenta Dilma seja impedida de continuar no Palácio do Planalto. Como será feito isso:
    1 – Pelo voto popular em 2018?
    2 – Mediante uma conspiração ampla orquestrada pelo Consenso de Washington?
    3 – Com ou sem sangue?
    LEMBRETE DE OCASIÃO
    “Só na foz do rio é que se ouvem os murmúrios de todas as fontes”
    Guimarães Rosa

  • Eleição de 2018 já está na rua e será teste para a democracia

    P.C. de Lester
    Dois dos mais experientes e respeitados jornalistas do país – Janio de Freitas e Mino Carta – trabalham com a hipótese de uma conspiração em andamento no país, um plano de desestabilização política manobrado por forças ocultas.
    Algo como aconteceu em 1964, com a derrubada do governo de João Goulart.
    O alvo imediato seria o PT e suas politicas populares, mas a  medio prazo o propósito seria reverter o processo da ampliação de direitos e de ganhos deflagrado bem antes de o PT chegar ao poder.
    Seria uma reação da “Casa Grande”, como diz Mino Carta, à ascensão de camadas populares na democracia, não apenas em termos de renda, mas também em educação e organização.
    Diante da dificuldade de alijar o PT do poder pelos caminho do voto, os conspiradores tratam de tensionar gradativamente o ambiente político até o ponto em que será inevitável uma intervenção militar.
    A manipulação da imprensa através de vazamentos seletivos é o principal instrumento da conspiração, facilitado pelo pensamento único antipetista que se instalou na mídia.
    Talvez 2018, quando haverá eleição presidencial, seja uma data limite, dependendo do resultado. A campanha já está nas ruas e promete ser explosiva.
    Em 1964, a inteligência por trás manipulando fatos ou criando factóides para instabilizar o ambienta político era ninguém menos do que o general Golbery do Couto e Silva, financiado por grandes empresários e com apoio da CIA..
    E o assalto à opinião pública contou com  a força de todos os grandes jornais, rádios e televisões, com uma única exceção – a Ultima Hora..
    Dizem que a história só se repete como farsa, mas é bom lembrar que naquela época também  se denunciava a conspiração antidemocrática. E ninguém acreditava.
     
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  • Festival feminista terá eventos gratuitos e a presença de Maria da Penha

    O Coletivo Feminino Plural,​ em parceria com outras entidades e artistas,​ promove o primeiro Festival #ArtivismoFeminista​ no contexto do Dia Internacional da Mulher.​
    O evento ​será ​realizado entre os dias 10 e 13 de março, na Casa de Cultura Mario Quintana e no Parque da Redenção.
    O projeto é apoiado pela Secretaria de Cultura/Sedac e pelo Ministério da Cultura/MINC, pelas entidades Rede Feminista de Saúde, Cirandar, Grupo Inclusivas, Ilê Mulher e conta com a parceria da Casa de Cultura Mário Quintana.
    O I Festival #ArtivismoFeminista terá intensa programação de oficinas, rodas de conversa, aula aberta, ações de ativismo​, e um sarau acessível denominado “Corpos DiVERSOS” sob a responsabilidade do Grupo Inclusivass de mulheres com deficiência no dia 11 de março às 18 horas.
    Esta atividade complementa a recepção à farmacêutica Maria da Penha, que estará na cidade para Seminário sobre a aplicação da Lei que leva seu nome.
    Todas ações do festival são​ gratuitas,​ abertas ao público ​em geral​, mas especialmente voltado a mulheres de todas as idades. À exceção do dia 13 à tarde, onde as atividades acontecem no Parque da Redenção, todas as outras se realizam na Casa de Cultura Mario Quintana​ (Rua dos Andradas, 736). A ideia é reunir ​mulheres de diferentes regiões de Porto Alegre, etnias,  idades, identidades sexuais​ e de gênero, para conversar sobre Feminismos, Saúde e Direitos Reprodutivos, Políticas Públicas para as Mulheres e para a Cultura.
    ​O Manifesto que convoca a atividade afirma que “juntas, iremos proclamar que este seja um tempo de liberdade e de expressão, um tempo de viver a experiência do corpo, de vozes não silenciadas, momento de sonhar com um mundo melhor, mais justo e sincero​”. Segundo a artista visual Luísa Gabriela, coordenadora do Ponto de Cultura Feminista Corpo Arte e Expressão, “apesar da violência, discriminação e preconceitos presentes no cotidian​o, nós mulheres​ ​resistimos e existimos plenas de potencial criador e certas de que nossa arte extravasa qualquer referencial androcêntrico​”, referindo-se ao machismo e à elevada violência de gênero ainda presente na sociedade.
    Um fervo abre a programação
    O ciclo de atividades começa com um Fervo Feminista – Expressões Diversas de Mulheres Artistas no dia 10 de março, às ​18h. ​Esta ação de #ArtivismoFeminista abre espaço na Travessa dos Cataventos às diversas expressões artísticas em uma proclamação para que ​”​este seja um tempo de liberdade e de expressão, de viver a experiência do corpo, de vozes não silenciadas, que possamos sonhar com um mundo melhor, mais justo e sincero​”​.
    Na sexta feira, dia  11  de março ​ à tarde ​começam as oficinas de artes cênicas, em que as artistas Andressa Cantergiani e Carol Pommer irão​ trabalhar com performance e teatro​. Este curso segue nos dias 19 e 26 de março e aos sábados de abril na sala Cecy Frank da Casa de Cultura Mario Quintana. Após​ esta atividade​, às 18 horas ocorre o Sarau Inclusivass Corpos DiVERSOS, concomitante com a mostra Diálogos Mulheres que Escrevem, com a presença de mulheres e suas publicações, venda de livros e troca de ideias no Hall da Ala Leste da CCMQ.
    No sábado (12) à tarde, além de oficina de artes cênicas, ​o Festival promove o diálogo sobre ​a articulação dos temas racismo e gênero com mulheres que atuam em pontos de cultura​, denominado​ Mulheres Negras e Cultura: Ativando e Fazendo Nós. ​E a partir das 19h é a vez da mostra de filmes Curta Circuita, com obras de curta metragem produzidas por ​cineastas ​mulheres e sobre mulheres. Será valorizada a produção audiovisual gaúcha e brasileira, destacando diretoras que se dedicam a temas femininos e feministas.
    No último dia, domingo (13), o ponto de encontro das mulheres ​ se transfere para os Arcos da Re​denção​ (Parque Farroupilha)​, a partir das 16h.​ Ali ocorrerá uma roda de conversa ao ar livre​ sobre direitos sexuais e reprodutivos na perspectiva da diversidade sexual. O encerramento fica por conta da Intervenção Artivista resultado da Oficina de Artes Cênicas: Teatro, performance e ativismo feminista​ (Andressa Cantergiani e Carolina Pommer).​
    A programação conta com a parceria das entidades que compõem o Ponto de Cultura, como  Ilê Mulher, ONG Cirandar, Grupo Inclusivass,  artistas Andressa Cantergiani, Carolina Pommer, Mirela Kruel, a Rede Feminista de Saúde e mais o Acervo Feminista Enid Backes, Fundação Luterana de Diaconia, Escola Lilás de Direitos Humanos, Núcleo de Gênero e Religião da EST, Rumo Norte, Movimento SuperAção, Biblioteca Pública de São Leopoldo, Rede Lilás – GT Prevenção, educação e cultura, Rede dos Pontos de Cultura RS, Casa de Cultura Mario Quintana, Secretaria de Estado da Cultura RS, Ministério da Cultura/MINC.
    Programação do Festival
    Dia 10 de março de 2016 (quinta)
    18h30 – Abertura do Festival – Aula aberta sobre Feminismos com Télia Negrão (Rede Feminista) e Maria Luisa Pereira de Oliveira (plataforma Dhesca Brasil) – Local: Travessa dos Cataventos (CCMQ)
    20h – Fervo Feminista – Expressões diversas de mulheres artistas – Local: Travessa dos Cataventos (CCMQ)
    Dia 11 de março de 2016 (sexta)
    *14h –  Abertura da oficina de artes cênicas: Teatro, performance e artivismo feminista com Andressa Cantergiani e Carol Pommer. As oficinas seguem nos dias – 19 e 26 de março e 02, 09, 16, 23 e 30 de abril (sábados) – das 14h às 18h – Local: Sala Cecy Frank (CCMQ)
    18h – Sarau Inclusivass: Corpos DiVERSOS com Interprete de Libras e Audiodescrição + Diálogos Mulheres que escrevem com a presença de mulheres e suas publicações, venda de livros e troca de ideias. Local: Hall da Ala Leste (CCMQ)
    Dia 12 de março de 2016 (sábado)
    *14h – 2º dia de oficina de artes cênicas: Teatro, performance e artivismo feminista com Andressa Cantergiani e Carolina Pommer Local: Sala Cecy Frank (CCMQ)
    17h – Mulheres Negras e Cultura: ativando e fazendo nós – Diálogos sobre raça e mulheres desde os pontos de cultura. Local: Auditório Luis Cosme (CCMQ)
    19h – Curta Circuita – Mostra de filmes de curta metragem produzidos por mulheres e sobre mulheres. Local: Auditório Luis Cosme (CCMQ)
    Dia 13 de março de 2016 (domingo)
    16h – Essas Mulheres e seus direitos sexuais e reprodutivos. Roda de conversa sobre direitos sexuais e reprodutivos na perspectiva da diversidade sexual. Local: Parque da Redenção – Concentração nos Arcos.
    18h30 – Intervenção Artivista da oficina de artes cênicas: Teatro, performance e ativismo feminista. Parque da Redenção.
    (*) Atividades destinadas às meninas e mulheres a partir de 14 anos. Inscrições através do email  pontodeculturafeminista@gmail.com
    Mais informações em  http://goo.gl/3GEAzw   ou pelo mail comunicapontodecultura@gmail.com

  • Projeto quer tornar zona rural de Porto Alegre exclusiva para produção de orgânicos

    Vai voltar à Câmara de Vereadores a ideia de fazer da  zona rural de Porto Alegre um “território livre de agrotóxicos e transgênicos”, produzindo apenas alimentos orgânicos.
     
    A proposta é da Agapan, a pioneira do movimento ambiental, e já resultou num projeto do vereador Comassetto, do PT.
     
    Foi apresentada em setembro de 2015 e derrotada por cinco votos.
     
    “Por dificuldade de mobilização, acabamos derrotados”, diz o vereador.
     
    Esperando que corrigir esta falha, Comasseto apresentará novamente a proposta.
     
    Um texto para discussão já está circulando e será tema de uma reunião no dia 14 de março, a partir das 11 horas na Câmara de Vereadores.
     
    Na mesma data e local a Agapan falará na Tribuna Popular sobre a situação das árvores de Porto Alegre.

  • Wanderley Soares, uma vida dedicada ao jornalismo

    Filho de um tipógrafo, com dois irmãos fotógrafos, Wanderley Soares teve em casa as primeira lições de jornalismo.
    Começou ainda adolescente como office-boy em O Estado do Rio Grande, o jornal do então Partido Libertador (PL).
    Por indicação do irmão, Valdomiro, tornou-se repórter policial da edição gaúcha da Última Hora, a rede de jornais populares fundada por Samuel Wayner.
    Em 1964, quando se deu o golpe militar a Ultima Hora de Porto Alegre, que apoiava Jango e Brizola, foi invadida pela polícia. Ele e vários colegas tiveram que fugir para escapar da prisão.
    Quando o jornal foi definitivamente fechado, ele se transferiu para a Zero Hora, que surgiu meses depois para ocupar o espaço da Última Hora, mas com uma linha editorial favorável ao novo regime.
    “Eu estava na última edição da Última Hora e na primeira edição da Zero Hora”, costumava dizer.
    Foi editor também na Folha da Tarde, na Folha da Manhã, e ultimamente colunista do jornal O Sul, sempre na área policial.
    Há poucos dias, conversando com colegas na Associação Riograndense de Imprensa, dizia que tivera “o privilégio de trabalhar na Zero Hora pobre, na Caldas Junior rica, na Caldas Junior pobre e na Zero Hora rica”.
    Jornal pobre, jornal rico, em qualquer circunstância Wanderley Soares manteve uma rigorosa conduta ética.
    Desde o início, num tempo em que os repórteres muitas vezes se confundiam com os policiais, cultivou um distanciamento crítico, evitando ter a autoridade como a única fonte dos fatos que noticiava.
    O texto preciso e direto e uma visão abrangente das questões de segurança, essa era sua marca registrada.
    É uma voz lúcida que se cala, num momento em que o Porto Alegre vive um colapso na segurança pública.
    Wanderley Soares morreu na tarde de sexta- feira, 4 de março, ao 76 nos.
    Seu corpo foi velado no Crematório Metropolitano de Porto Alegre,  onde foi cremado às 10 h de sábado.

  • Reação de Lula leva o PT às ruas e antecipa a campanha 2018

    Em poucas horas, um ato em defesa de Lula reuniu cerca de quatro mil pessoas no centro de Porto Alegre, na tarde desta sexta feira.
    Manifestações petistas ocorreram também em São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte, Salvador, entre outras cidades e capitais.
    O ex-presidente foi surpreendido de manhã cedo em sua casa e levado, em “condução coercitiva” para o aeroporto de Congonhas onde prestou depoimento por mais de três horas.
    A manifestação indignada de Lula depois do depoimento à Polícia Federal parece ter reacendido o ânimo da militância petista, que em poucas horas foi às ruas em todo o país.
    Lula voltou a dizer que está “com tesão” para disputar novamente a presidência em 2018 e anunciou que vai percorrer o país levantar a militância. Lembrou dos comícios em frente de fábrica, nos pontos de ônibus, na fase de construção do PT.  “Vamos recomeçar”, disse
    O ato em Porto Alegre foi convocado no início da tarde desta sexta-feira para as 17h, na esquina democrática.
    De lá, o grupo saiu em caminhada em direção ao largo Zumbi dos Palmares. “Não vai ter golpe, vai ter luta” e “Lula guerreiro do povo brasileiro”, cantavam os manifestantes durante a marcha.
    Durante a manifestação, algumas pessoas se aproximavam e faziam provocações como “queremos o Lula na cadeia”.
    Do outro lado a resposta vinha em forma de “fascistas, golpistas, não passarão.” Enquanto aconteciam os discursos, na esquina democrática, duas garrafas de vidro foram arremessadas em direção aos manifestantes, mas não atingiram ninguém.
    Manifestações contra Lula e o PT, em proporções menores, também ocorreram em diversos pontos do país.
     
    ato pró lula (4)
    ato pró lula (23)
    ato pró lula (10)

  • Depois da ventania, vendaval de podas assola Porto Alegre

    GERALDO HASSE
    Depois do vendaval que derrubou árvores em Porto Alegre no dia 29 de janeiro, os funcionários da CEEE e de outras instituições se sentiram no direito (e até no dever) de praticar o que José Lutzemberger denominava “poda bárbara”.
    A maioria da população entende e apoia o corte indiscriminado de galhos e ramos, pois tem consciência de que os fios (de eletricidade, telefonia e TV a cabo) são mais importantes do que a arborização.
    Nem é o caso de perguntar quem veio antes – as árvores ou os fios? Mas é pertinente perguntar se não chegou a hora de estabelecer um plano diretor de arborização e paisagismo do perímetro urbano de Porto Alegre.
    Atualmente pelo menos a metade das árvores das ruas da capital é inadequada para o paisagismo urbano, daí o conflito com o cabeamento eletro-eletrônico.
    Nos parques, praças e ruas predominam os espécimes vegetais de grande porte que representam fonte permanente de riscos para pessoas e de prejuízos para os proprietários de carros, imóveis e postes de fiação.
    A arborização é fundamental para amenizar a temperatura, oxigenar o ambiente e reduzir a poluição sonora, mas nem na zona rural se pode dispensar o bom senso na hora de escolher o que plantar perto das moradias.
    Umbu na porteira? Tudo bem, mas paineira não é recomendável perto de telhados.
    Em Porto Alegre a Prefeitura e os moradores plantam árvores-gigantes debaixo da fiação. Angico, pau ferro, tipuana, sibipiruna, abacateiro, ipê, espatódea, plátano, grevílea, guapuruvu, figueiras, flamboyant, mangueiras – nada disso deveria ser plantado nas calçadas, mesmo naquelas em que não há postes. Em parques e praças, tudo bem.
    Para calçadas com postes de fiação, podem ser plantadas, com um adensamento capaz de prover o sombreamento das calçadas, sem risco de acidentes graves com os pedestres, as seguintes árvores: araçazeiro, bico-de-papagaio, cafeeiro, camelieira, chuva de ouro, bauinia (pata de vaca), bergamoteira, extremosa, hibisco, jasmineiro do Havaí, laranjeira, leiteirinho, leucena, limoeiro, manacá, pitangueira, quaresmeira.
    A arborização e a fiação são compatíveis, mas é preciso ter critério e iniciar um programa de fomento ao paisagismo consciente.
    Uma boa fonte de orientação é o livro Cadastro Fotográfico da Vegetação de Porto Alegre, produzido pela Secretaria de Meio Ambiente de Porto Alegre.
    Publicado em 2011, é um trabalho de 430 páginas coordenado pela arquiteta Cleida Maria da Cunha Feijó Gomes, que listou centenas de vegetais identificáveis por fotos e descrições minuciosas.

  • O show dos Stones visto do Portão 3 do Beira Rio

    Matheus Chaparini
    Dez anos atrás eu era um piá sozinho perdido em Buenos Aires.
    Amontoado entre dezenas de milhares de castelhanos, ouvia os gritos enlouquecidos:  “Oooooo vamo los stoooones!” como se fosse um Boca e River na porra do Monumental de Nuñez lotado.
    Era minha primeira viagem sozinho, eu era menor de idade e os corôas tiveram até que assinar papelada pra eu poder partir.
    E agora os velhos me inventam de aparecer aqui na província. E mais: no glorioso Gigante da beira do rio. Mas dez anos se passaram, os tempos são outros. Os custos também. E como a vida não anda nada fácil para quem vive de imprensa – digo apenas de imprensa, não de imprensa, construção civil e shows dos Stones – não deu para ir.
    Pelo menos não dentro do estádio. Mas o lado de fora é sempre democrático.
    Partimos, eu mais um colega do JÁ, garrafita de pinga, meia dúzia de pilas pra ceva, sem muita eira a caminho do Beira. Trocadilhos infames à parte, pra nós, foi um grande espetáculo. E o maior que podíamos pagar. O palco ficou posicionado na goleira sul, portão 7. O portão oposto era o 3, e de lá se podia ver um pedacinho do palco e quase todo o telão. E dava para ouvir muito roquenrou.
    Apesar da moça do tempo da tevê ter passado a semana inteira brigando com a previsão, tentando segurar a chuva na hora do show, uma água pesada desabou sobre Porto Alegre durante quase toda a noite. Não sei como reagiu o pessoal que pagou um mês de aluguel pra assistir lá de dentro, mas o povo da rua ignorou o aguaceiro.
    Depois de meia hora de show, teve um grupo mais exaltado que não aguentou ficar do lado de fora. Alguns bretes foram derrubados, houve correria de seguranças. Umas 50 pessoas conseguiram entrar, metade foi puxada de volta para fora. Os demais atingiram a glória.
    Como represália, os seguranças do estádio colocaram uma enorme lona preta sobre o portão. Ninguém via mais nada. Não sei ao certo se foi a chuva ou o bom senso que derrubou as cortinas e desnudou novamente nossa janela de ver os Stones.
    Sobre o desempenho da banda não há muito o que dizer. Os velhos estão em perfeita forma. Keith Richards é o guitarrista mais foda do rock. O Ronnie Wood é outro monstrengo. Nunca fui o maior fã do Charlie Watt, mas tenho que reconhecer a precisão do cara, uma banda como os Stones precisam de um metrônomo sério na bateria. E o Mick Jagger é sempre o Mick Jagger, canta, dança, se sacode, sai andando pela chuva, comanda o espetáculo. Do auge dos setenta e poucos, o faz como se ainda tivesse vinte.
    Pelos arredores do Gigante, encontrei os caras da banda Cartas na Rua, que foram fazer um aquecimento pro show e tentar entrar de gaiato no navio. Encontrei também uma penca de conhecidos sem ingresso e um camarada da antiga, dos tempos de banda, que conseguiu a maior façanha registrada pela nossa equipe: entrou no show por cem pila. E de forma quase completamente lícita. Até o fechamento desta matéria ninguém fez melhor – não sem correr o risco de tomar umas cassetadas.
    A Cachorro Grande foi a banda escolhida para o show de abertura. Baita escolha. Muito mais adequada que a escolha dos Titãs, em São Paulo, e do Ultraje a Rigor, no Rio – onde o vocalista Roger conseguiu brigar com a plateia que havia feito a obvia constatação de que ele é um coxinha.
    Pra não dizer que eu só falei de flores, na hora da saída, o camarada que me acompanhava foi alvo da profissão mais antiga do mundo: o descuidista. Na parada de ônibus, uma distração, um esbarrão, um bote certeiro no bolso e um celular perdido.
    Na manhã seguinte acordei naquela ressaca stoniana e os jornais anunciavam que tinha sido o show mais empolgante que os Rolling Stones já fizeram no Brasil. Foi meu segundo. E ninguém pode dizer que eu não fui.

  • "Delação" de Delcídio paralisa o governo e tira Cunha das manchetes

    PCde LESTER
    Li a reportagem da IstoÉ com a “deleção premiada” do senador Delcidio Amaral por volta das 14 horas. Já era manchete na versão on line de todos os jornais.
    Respondi ao amigo que compartilhara comigo: “Parece coisa plantada”.
    Começa dizendo que a revista teve acesso às 400 páginas da delação premiada em que Delcidio do Amaral, ex-líder do governo no Senado, relata “com extraordinária riqueza de detalhes” o envolvimento de Lula e Dilma na corrupção.
    Ditas pelo ex-lider do governo no Senado, as afirmações seriam uma bomba de sacudir o Planalto.
    Mas a rigor, o relato não é revelador. Parece um requentado de várias denúncias   Lula e Dilma sabiam de tudo, presidente tentou interferir na Lava Jato, testemunhas foram caladas por influência de Lula…O que ele, Delcídio, estava pagando para Cerveró era dinheiro do empresário Bumlai a mando de Lula.
    “O que ele relatou contra a presidente é gravíssimo”, diz a certa altura a reportagem.
    Mas quando reproduz declarações que Delcidio teria feito não vai além disso:
    “É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, afirmou Delcídio na delação. 
    É a repórter que se encarrega de ser contundente em seu comentário:
     “A ação de uma presidente da República no sentido de nomear de um ministro para um tribunal superior em troca do seu compromisso de votar pela soltura de presos envolvidos num esquema de corrupção é inacreditável pela ousadia e presunção da impunidade. E joga por terra todo seu discurso de “liberdade de atuação da Lava Jato”, repetido como um mantra na campanha eleitoral. Só essa atitude tem potencial para ensejar um novo processo de impeachment contra ela por crime de responsabilidade”. 
    Esse tom que percorre a matéria trai o arranjo. Um repórter que tem nas mãos 400 páginas de uma denúncia que pode derrubar a presidente não vai fazer um comentário desses.
    Os documentos reproduzidos não provam nada, podem ser resultado de simples montagem.
    Mas os jornais não se importaram com nada disso. Antes de ouvir Delcídio, antes de ouvir Janot a “delação” já estava em todas as manchetes.
    As cinco da tarde, o senador Delcício do Amaral e o procurador Rodrigo Janot já haviam desmentido a delação.
    Mas aí a crise já estava criada. “O governo está anestesiado com a delação de Amaral”, dizia portal de  O Globo” ainda oito da noite.
    Enquanto isso, Eduardo Cunha saiu do foco. Os dez a zero que ele levou na votação do Supremo passaram para segundo plano.

  • Protesto e bomba enquanto o Conselho ratifica o cálculo da passagem

    Muito barulho por nada. Assim se poderia definir a reunião do Comtu (Conselho Municipal de Transporte Urbano) no final da manhã e início da tarde desta quinta-feira.
    O resultado da votação foi de 12 favoráveis e 4 contrários. Mas não era o valor da passagem ou o reajuste que estava sendo votado, e sim a apresentação, pela EPTC, da metodologia de cálculo utilizada na licitação.
    Basicamente,  o conselho reafirmou que a metodologia está correta. A decisão sobre o valor da tarifa está nas mãos da Justiça.
    O conselheiro da Umespa, Lucas Becker, solicitou que uma nova reunião seja realizada especificamente para votar o valor da passagem.
    Até o final do encontro os conselheiros sequer sabiam se haveria algum tipo de votação. Mas uma coisa se sabia: nenhuma decisão importante e definitiva em relação ao valor da passagem seria tomada ali.
    O representante do Sintaxi, Luis Nozari, chegou a defender a nulidade de qualquer votação, por não estar previsto na pauta da reunião.
    “Estamos fazendo uma reunião para referendar outra reunião que já tivemos no dia 17 de fevereiro”, concluiu Nozari, ao que uma repórter de uma rádio, confusa, virou-se para o lado e questionou  a um colega: “essa reunião não vale para nada? Então, por que estamos aqui?”
    “Estamos aqui para homenagear essa decisão judicial. Se disseram que o conselho não se manifestou, vamos nos manifestar então”, definiu, em outro momento, o presidente do conselho, Jaires da Silva Maciel.

    Conselheiros ratificaram cálculo da passagem por 12 votos a 4 / Foto Luciano Lanes / PMPA
    Conselheiros ratificaram cálculo da passagem por 12 votos a 4 / Foto Luciano Lanes / PMPA

    O encontro foi chamado pela própria empresa, pois a não aprovação no novo valor pelo Comtu foi o argumento que embasou a liminar concedida pela Justiça derrubando o aumento na tarifa.
    “Esse conselho foi apenas visitado pela Eptc e não teve nenhuma interferência na fixação da tarifa”, criticou o representante do Sintaxi, Luiz Nozari, que defendeu a nulidade da votação por não estar prevista na pauta. Nozari afirmou que a votação abriria brecha para “oportunistas questionarem judicialmente.”
    Técnicos da Eptc e conselheiros favoráveis ao resultado da licitação e o novo valor da passagem defendem que não há aumento. O argumento é de que a licitação representa um marco zero e, portanto, não há aumento.
    Consórcio notificou prefeitura por quebra de contrato
    Durante a reunião, umas das técnicas da Eptc anunciou uma informação nova. A prefeitura foi notificada extrajudicialmente pela consórcio Mais em relação aos prejuízos do não estabelecimento do contrato. O representante da ATP, Sandro Sleimon, defendeu essa saída. Segundo ele, os consórcios devem entrar com ação judicial contra o Município por quebra de contrato e cobrar os prejuízos relativos à derrubada do aumento.
    Ele atribuiu os questionamentos a “um mesmo grupo de sempre”. “Antes reclamavam que não tinha licitação, agora nos acusam de estarmos mancomunados com a prefeitura”, afirmou Sleimon.
    Para o representante da CUT, Alceus Weber, “está claro que existe fraude nessa planilha”. Weber apontou questões como as especificações dos veículos para defender a tese de que a licitação foi direcionada para beneficiar as empresas que já operavam o serviço e que seguem operando após o processo licitatório.
    Para o representante do Stetpoa, o que estava em questão não era o transporte público de Porto Alegre, que ele defende como um dos melhores do país, e sim as isenções, apontadas por ele como responsáveis pelo alto valor da tarifa. “Temos que achar uma forma de baixar a passagem e é nos 33% de isenção.”
    Do lado de fora, Brigada dispersa manifestantes com bomba de gás
    Brigada Militar lançou bomba de gás lacrimogênio contra os manifestantes, na maioria estudantes secundaristas / JÁ
    Brigada Militar lançou bomba de gás lacrimogênio contra os manifestantes, na maioria estudantes secundaristas / JÁ

    O Bloco de Luta pelo Transporte Público convocou seu quarto ato do ano em função da reunião. Antes do início,a cerca de 200 manifestantes, a grande maioria estudantes secundaristas, se reuniram em frente ao portão da sede da Eptc para pressionar os conselheiros e tentar a entrada de representantes do movimento, o que não aconteceu. Com faixas, bandeiras de diversas entidades e instrumentos, entoavam cantos como “Dança, Fortuna / dança até o chão / vou barrar de novo o aumento do busão” e “Tri caro / tri demorado / ainda por cima é tri lotado”
    O conselheiro do Stetpoa (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbanos de Passageiros de Porto Alegre), Emerson Dutra chegou em cima da hora e foi abordado apelos jovens, que se aglomeraram em torno de Dutra, tentando obter uma garantia de apoio. “Meu voto é sempre do povo”, afirmou vagamente o conselheiro antes de sair correndo, com os manifestantes correndo atrás. Na confusão, o conselheiro teve seu terno rasgado.
    Manifestantes pressionaram conselheiro na entrada da reunião / JÁ
    Manifestantes pressionaram conselheiro na entrada da reunião / JÁ

    Passava um pouco das 11h quando a reunião teve início e os jornalistas concentraram foco no interior da sala. Do lado de fora, estudantes organizavam um jogral para informar como procederiam no bloqueio da avenida Ipiranga, protesto por não ter sido permitida a entrada de representantes dos estudantes. Agentes da Eptc aguardavam a comunicação quando o choque da Brigada Militar interveio com uma bomba de gás lacrimogênio.
    Os manifestantes se dispersaram e retornaram até o colégio Julio de Castilhos, de onde havia partido o ato. Do lado de dentro da grade, outros funcionários da empresa de trânsito comentavam a ação da Brigada como “desproporcional”.