Neste domingo, dia 14, completa 20 anos a ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul para apurar o desvio de R$ 79,9 milhões em uma licitação para construir 11 subestações de transmissão da CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica.
A ação reúne 37 volumes e 80 anexos, está na 2ª Vara da Fazenda Pública em Porto Alegre e corre em segredo de Justiça (Processo nº 10502694894).
Em valores atualizados, o desvio chegaria aos R$ 800 milhões – quase 20 vezes o prejuízo causado ao Detran/RS, conforme apuração da “Operação Rodin”, que incriminou 39 pessoas.
É a maior fraude já cometida contra o patrimônio público no Rio Grande do Sul, dentre as mais de 200 Ações Civis Públicas ajuizadas pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, do MP, que estão em andamento no judiciário gaúcho.
Os dois contratos fraudados foram assinados em 1987, no governo Pedro Simon. A ação foi ajuizada em 1996, depois de uma das mais longas e rumorosas Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI) instaladas na Assembleia gaúcha.
CPI foi primeira a apontar corruptores
A fraude contra a CEEE, denunciada pela então secretária estadual de Minas e Energia, Dilma Rousseff, foi alvo de uma CPI na Assembleia Legislativa do RS, em 1995. Tumultuada, a CPI só foi concluída no ano seguinte, mas foi a primeira no país que apontou as empresas que promoveram a corrupção de funcionários públicos. A Comissão revelou em detalhes como agentes das empresas, organizadas em dois consórcios, agiam, alguns com trânsito livre dentro da companhia.
A CPI, que teve como relator o deputado Pepe Vargas (PT), deu origem a uma Ação Civil Pública, ajuizada em 1996 pelo Ministério Público Estadual que estimou em R$ 79 milhões o prejuízo à estatal de energia. Houve fraude no edital, na licitação e nos contratos, segundo o MP.
Na ação, são réus 11 empresas e 23 pessoas físicas. Entre as empresas estão a Alstom e a Siemens, as duas envolvidas nas fraudes do metrô de São Paulo.
Entre as pessoas físicas, o principal acusado é Lindomar Rigotto, ex- assessor da diretoria financeira da CEEE, irmão do ex-governador Germano Rigotto. Lindomar foi assassinado num assalto em fevereiro de 1999, no litoral gaúcho.
A história completa da falcatrua na estatal e os demais fatos que motivaram uma reportagem no jornal JÁ – como a morte de uma dançarina, do próprio Lindomar e ações judiciais movidas pela família Rigotto contra os poucos veículos de imprensa que ousaram publicar sobre o assunto – pode ser conferida em artigos assinados pelo jornalista Luiz Claudio Cunha para o Observatório da Imprensa e, com muito mais detalhes, no livro Uma Reportagem, Duas Sentenças – O caso do jornal JÁ.
http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/o-jornal-que-ousou-contar-a-verdade/
http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/como-calar-e-intimidar-a-imprensa/
Autor: da Redação
Caso CEEE: a maior fraude gaúcha completa 20 anos em segredo
Melo faz balanço dos estragos do temporal; oposição diz que falta plano de emergência
O vice-prefeito Sebastião Melo participou hoje de uma sessão na Câmara de Vereadores para tratar dos estragos causados pela temporal do último dia 29 e das providências tomadas pela prefeitura.
Melo afirmou se tratar de uma situação de exceção e que não haveria como prever a dimensão antes do ocorrido. “Em 37 anos em Porto Alegre, eu nunca tinha visto nada assim”, afirmou. O vice e o secretariado apresentaram alguns números relativos aos estragos causados.
Foram mais de cinco mil árvores derrubadas ou danificadas, somando sete mil toneladas de madeiras recolhida até agora. O número de operários, segundo Melo, chegou a 1.400, incluindo funcionários da prefeitura, equipes terceirizadas contratadas emergencialmente, além de militares e apenados do regime semiaberto.
Em um primeiro momento, a prioridade foi restabelecer o fornecimento de energia elétrica e água, em seguida, desobstruir as ruas e calçadas. Agora, o foco é nos parques. O vice-prefeito afirmou que diversas equipes já trabalham no Parque da Redenção e que o trabalho deve ser concluído em quatro ou cinco dias. Segundo o vice, em 90% da cidade, os trabalhos estão bem encaminhados.
“A Prefeitura, em um processo de governança, está cumprindo o prometido, que era dar um geralzão na cidade em 15 dias”, defendeu Melo.
Melo e secretários avaliaram os estragos do temporal do dia 29 / Elson Sempé Pedroso / CMPA
Vereadores de oposição criticam falta de plano de emergência
Após a exposição do vice-prefeito, vereadores de situação e oposição se alternaram na tribuna. Entre as principais críticas, a dificuldade de se obter informações junto à prefeitura e a falta de um plano de emergência.
A vereadora Sofia Cavedon (PT) lamentou que, entre os secretários presentes, não houvesse nenhuma mulher e fez uma série de questionamentos. “Temos um inventário do trauma que sofreu a vegetação urbana? Qual o principal motivo de queda das árvores? Que tipo de árvores? Qual a capacidade da Smam e do Dmlu, há anos sem concurso?”, indagou. Cavedon citou ainda a recente nota dos técnicos da Smam, que apontam para um sucateamento da instituição.
Fernanda Melchionna (Psol) criticou a falta de um plano de emergência e sugeriu a formação e treinamento de brigadas de cidadãos voluntários para atuar nos bairros. A vereadora chamou atenção também para o processo de terceirização da Smam, que considera pouco transparente.
Mônica Leal (PP) engrossou o coro da situação, elogiando a resposta da prefeitura à catástrofe, e reafirmando se tratar de um caso excepcional. A vereadora aproveitou o espaço para criticar o PT, que esteve à frente da prefeitura durante dezesseis anos.
O momento mais agitado da sessão foi a fala do vereador Idenir Cecchim (PMDB). Após elogiar o governo, que na sua opinião foi “rápido, unido e sério” para lidar com o problema, e criticar os “conselhões” criados pelos governos petistas, o vereador direcionou as críticas aos cidadãos presentes nas galerias.
“Onde estão os ecologistas que não estão ajudando a recuperar a cidade?” questionou, recebendo vaias dos presentes, e completou: “Não vamos dar minutos de fama para vocês, vamos conversar sobre coisas sérias.” A vereadora Sofia Cavedon se manifestou, afirmando que seu colega se dirigia de forma “ofensiva e desrespeitosa” aos cidadãos presentes nas galerias. Cecchim afirmou que Cavedon tentava tolhir seu direito de manifestação na tribuna.Ambientalistas querem discutir plano de prevenção contra catástrofes naturais
Um grupo de ambientalistas entrou na tarde de quinta-feira com um pedido de audiência pública para discutir a questão das árvores em Porto Alegre. No pedido, o grupo afirma que Porto Alegre já foi considerada uma das cidades mais arborizadas do país e critica a “derrubada sistemática das árvores, inclusive em situações polêmicas”, como o corte das árvores do entorno da Usina do Gasômetro.
O texto defende a necessidade da participação popular na construção de um plano de recuperação do patrimônio natural da cidade. Defende também a criação de uma equipe multidisciplinar, com biólogos, engenheiros ambientais, paisagistas, entre outros, para fazer uma avaliação qualificada da situação das árvores da capital.
O pedido foi entregue ao vice-prefeito, Sebastião Melo, e ao presidente da Câmara, Cássio Trogildo (PTB),durante sessão plenária que contou com a participação de Melo e diversos secretários para tratar das consequências do temporal do dia 29. Assinam a solicitação entidades ligadas ao movimento A Cidade que Queremos.
O texto cita ainda a recente manifestação de técnicos da Smam, “que denuncia o total sucateamento a que está exposta a citada secretaria”. A nota dos técnicos critica a falta de manutenção dos veículos, equipamentos e infraestrutura e a falta de reposição de pessoal, que estariam gerando dificuldades de atendimento até mesmo em situações corriqueiras.Comissão definirá futuro do deputado Jardel
Foi definido em reunião realizada na tarde da quinta-feira os nomes que irão compor a subcomissão processante do caso do deputado Mario Jardel (PSD).
Os parlamentares Sérgio Turra (PP), Jeferson Fernandes (PT) e Tiago Simon (PMDB) irão analisar as denúncias contra o ex-jogador.
Em dez sessões a subcomissão deve decidir o futuro do parlamentar na casa. Após isso o caso volta para a Comissão de ética e CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) que terão de apreciar a decisão.A bomba da dívida pública
Geraldo Hasse
Passou em branco a notícia de que em meados de janeiro a Presidência da República vetou a realização, no âmbito do Ministério da Fazenda, de auditoria da dívida pública com participação de entidades da sociedade civil.
Essa auditoria havia sido incluída no Plano Plurianual (PPA 2016-2019), por meio de emenda do deputado Edmilson Rodrigues (PSOL/PA), acatada pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
Em seu arrazoado contra a auditagem, o governo argumentou que “a forma abrangente prevista na iniciativa poderia resultar em confronto com o pacto federativo garantido pela Constituição”. Foi como dizer: “Melhor não mexer porque pode feder”.
Usar o pacto federativo como desculpa para blindar uma checagem ampla da dívida é uma manobra hipócrita que lembra os tempos da ditadura militar, quando nada podia ser discutido, sob o argumento de que a polêmica poderia colocar em risco a segurança nacional ou abriria o flanco para a solerte divisão da sociedade em favor do comunismo ateu.
É hora de superar tamanha cretinice: o endividamento de entes federados está profundamente relacionado com o governo federal, que atua soberanamente na área, como autorizador de contratos e cobrador de contas.
Faria bem a todos, cidadãos e governos, abrir as informações relativas à contratação, composição e custo da dívida. O governo argumenta que publica periodicamente informações da Secretaria do Tesouro Nacional e do Banco Central do Brasil, “garantindo transparência e controle social”. São relatórios herméticos que não revelam, por exemplo, quem são os credores do endividamento. A quem beneficia tamanho segredo?
“O Banco Central está suicidando o Brasil”, escreveu recentemente a economista Maria Lucia Fattorelli, auditora fiscal aposentada que reclama a realização da auditoria do endividamento brasileiro nos moldes da realizada no Equador, país vizinho que obteve a anulação de 70% das suas dívidas com bancos privados internacionais.
Se algo semelhante ocorresse entre nós, a dívida brasileira cairia de R$ 3,7 trilhões para R$ 1,3 trilhões, abrindo-se o caminho para uma significativa redução do serviço de amortização e juros. O gasto com juros e amortizações da dívida pública federal atingiu em 2015 (apenas até 1/12/2015) o valor de R$ 958 bilhões, dos quais grande parte decorre de cobertura de gastos feitos pelo Banco Central, mais focado no Mercado do que no Brasil, como se o interesse nacional fosse obrigado a se submeter às injunções globais.
Sem a redução da dívida, que canaliza recursos para a remuneração de banqueiros, rentistas e especuladores nativos e internacionais, o Brasil não terá poder de investir no atendimento de necessidades básicas da população. Esse pode ser um dos temas das campanhas políticas de 2016 e 2018.
A auditoria da dívida pública no Brasil está prevista na Constituição Federal – na forma de uma comissão mista de deputados e senadores – e deveria representar um procedimento normal, com vistas à transparência dos gastos públicos.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“Os banqueiros internacionais sabem muito bem que, se esticarem demais o elástico da atiradeira, acabarão matando a galinha dos ovos de plástico” (Millôr Fernandes)"Só ferrovia impedirá a migração das agroindústrias em Santa Catarina"
Mário Lanznaster*
Só um alienado não consegue enxergar que as agroindústrias do grande oeste de Santa Catarina estão paulatinamente se transferindo para o centro-oeste brasileiro.
A insuficiência de milho catarinense para abastecer as gigantescas cadeias produtivas da avicultura e suinocultura obriga as indústriasde processamento da carne a buscar, todos os anos, de 3 milhões a 3,5 milhões de toneladas de grãos no Brasil central.
Para isso é necessária uma operação rodoviária que, de tão grande e tão cara, está se tornando irracional e absurda.
Estamos falando de mais de 100 mil viagens de carretas com capacidade média de 30 toneladas que fazem o percurso de 2.200 quilômetros (imaginem o custo ambiental e humano) para trazer o precioso grão.
Isso representa mais de 5 bilhões de reais em fretes, todo ano.
Ora, com esse dinheiro é possível construir em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás as mais avançadas indústrias do Planeta.
O Brasil está refém do rodoviarismo, enquanto o mundo desenvolvido adota a multimodalidade: recomenda-se o emprego do transporte rodoviário até 500 quilômetros e, acima dessa distância, o transporte ferroviário. A diferença de custo é de quase 50%.
Só há um meio para evitar a fuga das agroindústrias: construir a ferrovia norte-sul, ligando o oeste catarinense ao centro-oeste do País.
O oeste barriga-verde está longe dos grandes centros de consumo e distante das áreas produtoras de milho, seu principal insumo.
Com a ferrovia será possível unir os dois pólos, levando o alimento industrializado para as grandes cidades e trazendo, principalmente, milho e soja.
Além dos produtos alimentícios, inclui-se todo o transporte de fertilizantes, calcário, grãos, farelo etc demandados nessa região.
De outro lado, o custo de transporte, caso mantenha-se a atual matriz, inviabilizará grandes empreendimentos do agronegócio em solo catarinense.
Esse quadro é agravado pelas rodovias em péssimas condições que neutralizam a competitividade das empresas.
A dependência dessa matéria-prima e as deficiências da infraestrutura logística brasileira, localizadas fora da porteira dos estabelecimentos rurais e agroindustriais, anulam a aptidão e a competência do agronegócio e prejudicam muito mais a agricultura do que as chamadas barreiras externas, como subsídios, quotas e sobretaxas.
Cada vez mais o transporte terá um peso crescente no preço final dos produtos.
Quem estiver longe dos centros de consumo ou de produção acabará mortalmente penalizado. O modal ferroviário é a alternativa viável para baratear custos de transporte e o custo final dos produtos.
O transporte ferroviário é a alternativa mais viável para baratear o transporte e o custo final dos produtos.
É o segundo transporte mais barato, depois do marítimo. Caso tivéssemos esta alternativa na região, não precisaríamos temer o avanço da fronteira agrícola para o centro oeste e norte, juntamente com as agroindústrias de carne.
Quando há vontade política e engajamento das lideranças, tudo anda com mais facilidade. Infelizmente não enxergo nada acontecendo neste sentido.
Todos os países desenvolvidos investiram em infraestrutura de transporte, mas deixaram as rodovias em segundo plano quando se tratava de transporte de cargas.
Optaram em otimizar o transporte fluvial e ferroviário como fator de integração e desenvolvimento. Infelizmente, o Brasil está na contramão da história e da racionalidade econômica.
Mário Lanznaster – Presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos e vice-presidente para o agronegócio da FIESC
Prefeitura não tem condições de evitar caos em temporais, denunciam funcionários
Os técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Porto Alegre alertam a população que os transtornos ocorridos após a tempestade do dia 29 de janeiro – quando milhares de habitantes ficaram sem água e luz durante dias por conta da queda de mais de três mil árvores sobre as redes de abastecimento da cidade – voltarão a acontecer “sem que a Prefeitura consiga dar uma resposta ágil e tecnicamente eficiente à população porto-alegrense”.
O manifesto, assinado por duas associações de classe (Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul, Senge, e Associação dos Técnicos de Nível Superior do Município de Porto Alegre, Astec), denuncia que o manejo da arborização urbana, necessário para manter os vegetais sadios e em condições de resistir aos efeitos do clima é feito de forma precária porque não há reposição de funcionários da área operacional – o último concurso ocorreu há mais de 20 anos, em 1993 – e a terceirização dos serviços é “ineficiente e subdimensionada”.
Os técnicos apontam ainda a falta de manutenção de veículos e equipamentos e também da infraestrutura necessária para o trabalho. “Uma parcela considerável dos danos e prejuízos causados à população poderia ser evitada caso a Smam dispusesse das condições mínimas necessárias para desenvolver ações programadas de manutenção preventiva da arborização da cidade”, lamenta a nota.
Manifesto foi ignorado pelos jornais
O manifesto foi divulgado na semana passada mas não recebeu atenção da imprensa gaúcha, que preferiu comprar a tese de que as árvores da cidade estavam velhas ou que eram inadequadas para uma cidade grande.
Os técnicos sabem que eventos extremos como o daquela sexta-feira a noite – com ventos que ultrapassaram os 120 km/h – serão cada vez mais comuns em razão do aquecimento global e “evidenciam que o processo de sucateamento do órgão ambiental de Porto Alegre pode se refletir negativamente na capacidade de resposta da cidade” frente a situações adversas.
Para alertar as autoridades sobre a necessidade de manter a pasta em condições de atender eventos como o do dia 29 de janeiro, um grupo de ambientalistas vai pedir à Câmara Municipal uma audiência pública sobre o tema. Uma reunião no Legislativo foi marcada para as 14 horas desta quinta-feira.Mas afinal me diga porque prevalece a produção que envenena e mata?
Leonardo Melgarejo, presidente da Agapan
A escola de samba Unidos da Vila Isabel trouxe para o carnaval gaúcho deste ano, com coragem e alegria, temas delicados como a agricultura familiar, a produção de alimentos saudáveis, a reforma agrária e a agroecologia.
Mostrou com a humildade e o despojamento honestos de uma escola enraizada no povo, em um desfile alegre e comprometido, que estas questões são atuais e merecem atenção geral.
A Unidos da Vila Isabel homenageou um homem do povo, um homem que saiu das barracas de lona preta e se tornou referência na Câmara Federal. Adão Pretto, uma voz forte e clara na defesa de pessoas modestas e despojadas, sempre revelando a indignação de quem vê, mas não entende por que “insiste em prevalecer a produção que envenena e mata, se existe neste lugar quem faça com o coração, caleja as mãos e alimenta a alma” – conforme cantava o samba-enredo da escola.
A Agapan se orgulha e agradece pela oportunidade de cantar com a Vila Isabel a música mais linda das passarelas deste ano. Participar deste ato político, incorporado à maior festa popular brasileira marca a história de nossa entidade e reforça nosso compromisso com o lema: “A vida sempre em primeiro lugar”.
Como mostra a crise ambiental que acaba de derrubar milhares de árvores em nossa cidade, como revelam as denúncias do coletivo A Cidade que Queremos, as facilidades asseguradas a interesses privados e a invisibilidade oferecida às denúncias feitas simplicidade e alegria pela Vila dificultam, mas não impedirão que os gaúchos se ergam pelo apoio à agricultura familiar, “gente humilde que sempre quis igualdade e fartura à todos, energia do povo, agricultura do país”.
Agradecemos ao presidente Cléber e a todos e todas da Vila Isabel pela honrosa oportunidade de estar com eles e assim reforçar nossa consciência de que cabe a todos: “cultivar, cuidar, amar, colher a esperança do amanhecer”.Chineses querem financiar ferrovia que atravessa o Brasil
Por conta do carnaval e da má vontade com tudo o que vem do governo, a imprensa não deu atenção à viagem de uma comitiva chinesa pela região onde passará a Ferrovia Transoceânica.
Projeto de R$ 30 bilhões, a ferrovia pretende ligar os dois oceanos, Pacífico e Atlântico, atravessando o Brasil. É considerada por muitos “uma quimera”.
Mas a verdade é que ele tem avançado, com rapidez para os padrões chineses.
Pacientes negociadores, os chineses trabalham sempre com projetos a longo prazo e dificilmente desistem no meio do caminho.
Agora, no início de fevereiro, foi dado mais um passo: três governadores – Pedro Taques, do Mato Grosso, Tião Viana, do Acre , Confúcio Moura, de de Rondônia – assinaram um protocolo de intenções para levar adiante o projeto em seus respectivos Estados.
Participaram do evento o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, e um grupo de 23 empresários chineses que percorreram as cidades que serão beneficiadas com a implantação da Ferrovia Transoceânica.
O protocolo é resultado de um acordo assinado pela presidente Dilma Rousseff e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, no último dia 19 de maio.
Foram 35 acordos, na verdade. Um deles prevê o estudo de viabilidade da Ferrovia Transoceânica.
A China quer aumentar os negócios na América Latina, e facilitar o acesso à produção brasileira, principalmente de soja, sem depender do Canal do Panamá, que tem forte influência dos Estados Unidos. Mas para se tornar realidade, o projeto tem que enfrentar desafios de engenharia, ambientais e políticos.
Em 2014, a China importou de Mato Grosso produtos no valor de US$ 4,9 bilhões, soja principalmente.
Brasil e Peru têm um sonho antigo de unir as costas dos Oceanos Pacífico e Atlântico. A China era o ingrediente que faltava para esse sonho se realizar.

Os presidentes do três países assinaram um memorando de entendimento, em julho de 2014, para construir a ferrovia transcontinental.
O acordo trilateral foi firmado entre os Ministério de Transportes e Comunicações do Peru, Ministério de Transportes do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e de Reforma da China.
Uma saída pelo Pacífico, aproximaria o Brasil da região com o crescimento mais rápido do planeta: a Ásia.
Para o Peru, facilitaria o transporte de produtos que chegam pelo Atlântico e de outros que são negociados com países do Cone Sul.
Para a China, haveria uma redução no custo de transporte da produção agrícola e mineral importada dos países latino-americanos. O cálculo inicial indica uma queda de US$ 30 no preço da tonelada de grãos exportada.
Entre as grandes commodities exportadas para China estariam a soja proveniente do Centro-Oeste e do Pará, no Brasil, e a rocha fosfática, matéria-prima para a indústria de fertilizantes.
Este mineral é retirado da mina de Bayóvar, no deserto de Sechura no Peru, tido como um dos maiores depósitos na América do Sul com capacidade para 3,9 milhões de toneladas por ano.
A produção satisfaz, principalmente, a demanda de mercados do Brasil, América do Norte e Ásia.

Custo financeiro
O custo estimado de uma estrada de ferro de 5.300 km ligando Peru e Brasil, que levaria seis anos para ser construída, é da ordem de 10 bilhões de dólares.
O presidente da Associação de Empresas Chinesas no Peru (AECP), Gong Bencai, já anunciou que a China International Water & Electric Corporation (CWE) é uma das interessadas no projeto.
A CWE é uma subsidiária da China Three Gorges Corporation (CTE) e uma das maiores companhias do gigante asiático tendo experiência em obras de hidrelétricas, rodovias e ferrovias em mais de 30 países.
Segundo a VALEC – Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa pública controlada pela União, a Ferrovia Transcontinental – sob a sigla EF-354 – foi planejada para ter aproximadamente 4.400 km de extensão em solo brasileiro, entre o Porto do Açu, no litoral do estado do Rio de Janeiro e a localidade de Boqueirão da Esperança (Acre).
Do lado peruano, o traçado ainda não está definido. Uma das propostas seria construir uma linha férrea transcontinental Brasil-Sul do Peru (Fetras) que uniria Madre de Dios, Cusco, Puno e Arequipa, no Peru, a Rondônia, no Brasil.
Souza Cruz culpa o governo ao fechar fábrica construída com incentivos
Há dez anos a Souza Cruz inaugurou com festa e foguetório sua fábrica em Cachoeirinha na região metropolitana de Porto Alegre.
O projeto, segundo informações da época, foi viabilizado por incentivos fiscais concedidos pelo governo do Estado.
Quase nada foi divulgado sobre esses incentivos. Mas o principal argumento a favor deles era exatamente a geração de emprego.
Agora, a Souza Cruz anuncia o fechamento da fábrica e demissões, alegando o aumento excessivo de impostos e o contrabando de cigarros.
Novamente, nada foi dito ou perguntado sobre os incentivos fiscais concedidos, normalmente, por prazos de 20 anos ou mais.
“Souza Cruz fecha fábrica de cigarros em Cachoeirinha e demite 190”, informou a Zero Hora com base no comunicado da empresa. A justificativa – dos impostos e do contrabando – foi aceita sem questionamento.
E, no dia seguinte, uma manchete explicativa:
“Demissões na Souza Cruz foram acordadas com sindicato para garantir benefícios aos funcionários” .
O emprego é sempre o principal argumento a favor dos incentivos fiscais. Nessa hora essa relação não é feita!
A culpa é jogada na conta do governo que provocou a crise, que leva ao aumento de impostos.
Também é culpa do governo porque não coíbe o contrabando, que tanto prejuízo causa à Souza Cruz.
A Souza Cruz detém 78,4% do mercado brasileiro de cigarros, segundo a revista Exame.
Lucrou 1,7 bilhões de reais, em 2015, um crescimento de 1% sobre o ano anterior. Lucro líquido sobre uma receita líquida de 6,26 bilhões de reais.
Claro, o cigarro é uma parte do negócio. É a exportação de fumo, beneficiada, que garante o grande ganho.
Como disse ao Jornal do Comércio, o presidente dos Fumicultores, Benício Werner:
“O fechamento de uma fábrica no Brasil não nos atinge tanto porque a exportação é muito representativa: 90% do que produzimos vai para a exportação”.
O prefeito de Cachoeirinha, Vicente Pires, disse ao JC que o faturamento da fábrica que vai fechar caiu de R$ 1 bilhão para 600 milhões nos últimos quatro anos.
A Souza Cruz está certa, na lógica capitalista. Mas, o contribuinte, que paga parte da conta, merece no mínimo ser melhor informado. (EB)
Em tempo:
Em 2014, segundo a Reuters, a British Tobacco desembolsou R$ 1,7 bilhão de liras (2,6 bilhões de dólares) para comprar mais uma fatia da operação brasileira, da qual hoje tem 97% do capital.
Abaixo, trechos de artigo publicado no jornal JÁ em maio de 2003:
Você aprova subsídio do governo para uma fábrica de cigarros?
A Souza Cruz, que não pertence ao seu Souza, nem ao seu Cruz, mas à British American Tobacco, com sede em Londres, acaba de inaugurar uma grande fábrica de cigarros em Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre.
O Rio Grande do Sul é há muito um Estado falido, que mal consegue pagar os salários dos seus funcionário e que corta gastos com saúde, segurança e educação.
Mas o governo teve um dinheirinho (quanto ninguém sabe, porque disso não se fala) para ajudar o negócio da British Tobacco que, apesar de todas as campanhas anticigarros, continua sendo uma das multinacionais mais lucrativas do mundo.
Páginas de anúncios coloridos publicadas em todos os jornais serviram como fogo de barragem, para dissuadir os espíritos críticos.
A ermpresa ousou até reproduzir nos anúncios uma frase do sr. Albino de Souza Cruz, o fundador da empresa brasileira, há 100 anos: “Nesta casa, mais que as máquinas, importam as pessoas”
Frase lapidar, dita num tempo em que não se sabia dos malefícos do fumo e nem se imaginava que o cigarro viesse a ser considerado um vilão da saúde.
Nossos jornais, óbviamente, deram feérica cobertura à inauguração que reuniu dois mil convidados.
Maravilhas foram ditas: uma das fábricas mais modernas do mundo, bilhões de cigarros por dia, milhões de dólares em investimentos, centenas de empregos…
Até o número de canapés foi informado por um diligente repórter (…)
Nenhuma palavra sobre os tais incentivos: em quanto importam, como serão concedidos, etc… Nada, como se existisse uma unanimidade sobre essa política de subsidiar fábricas, mesmo que sejam fábricas de cigarro, que são fábricas de morte.
Claro, fumar é uma decisão pessoal, como bem disse o presidente da American Tobacco na inauguração. Mas o governo, ainda mais um governo falido, precisa estimular?
A imprensa precisa omitir a informação e as críticas?



