Noventa mil carros haviam haviam passado pelos pedagios da free-way no final da tarde de sexta-feira.
Mais oitenta mil sairiam neste sábado, segundo previa a Concepa, concessionária da rodovia, a principal saída da capital gaúcha rumo ao litoral do Estado e Santa Catarina.
Na estação rodoviária, desde as oito da noite uma multidão nunca vista se espremia nas plataformas de embarque, dando a impressão de uma população em fuga.
Nas ruas e praças, arvores e galhos caidos, postes de iluminação danificados, fios estendidos nas calçadas, sinais da tempestade com ventos de 120 quilometros por hora, que arrasou grande parte da cidade uma semana antes.
Por causa disso, o tradicional desfile dos blocos na Cidade Baixa no sábado foi suspenso.
Nos noticiários, dois assassinatos e um tiroteio com rajadas de metralhadora no Morro Santa Teresa, onde ficam as principais emissoras de rádio e televisão da cidade.
Em todos os lugares, relatos de assaltos com faca, revólver, canivete em plena luz do dia, em locais movimentados.
Era tal o clima no início da noite que o comandante da Brigada Militar foi às rádios dizer que a corporação tem todas as condições de garantir a segurança da cidade durante o carnaval, mas pediu cautela à população.
À tarde, o vice-prefeito em exercício (o prefeito está num cruzeiro marítimo) já havia pedido que os moradores evitem os parques da cidade nestes dias, quando eles ainda estão tomados pelas árvores caidas com o temporal.
Vazia e com medo, Porto Alegre vive, em 2016, um carnaval sem precedentes.
Autor: da Redação
Carnaval em Porto Alegre: quem pode sai da cidade, quem fica não esconde o medo
Aprovada em 2007, lei das redes subterrâneas nunca saiu do papel
O centro de Porto Alegre não deveria ter nenhum fio ou cabo da rede de infra-estrutura pendurado em poste desde 2010.
É o que prevê a lei 10.337, aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo então prefeito José Fogaça nos últimos dias de 2007. O projeto foi apresentado pela então vereadora Neuza Canabarro.
Fogaça se reelegeu em 2008, deixou o cargo em 2010, para concorrer ao Governo do Estado. Assumiu seu vice, José Fortunati, que também se reelegeu, em 2012.
Oito anos se passaram, com a mesma gestão a frente do Município, e a lei não foi regulamentada.
Sem regulamentação, a lei ficou vazia e nunca foi colocada em prática.
O texto estabelece que as redes de infra-estrutura – energia, telefonia, tv a cabo – sejam exclusivamente subterrâneas no Centro, nas praças e parque e em vias e passeios densamente arborizados da capital.
Para os dois primeiros casos, o prazo estabelecido é de dois anos, a contar da entrada em vigor.
Ou seja, até março de 2010, o Centro, os parques e praças de Porto Alegre deveriam ter toda a fiação enterrada.
Para os demais locais, o texto prevê que um Decreto Municipal determine os prazos para a instalação progressiva da rede subterrânea.
Em caso de não cumprimento, a lei prevê uma multa diária que pode ultrapassar os R$ 90 mil
O assunto voltou à tona com a destruição causada pelo temporal da última sexta-feira, que derrubou postes e árvores, deixando exposta parte da fiação, cortando o fornecimento de energia e telefone e oferecendo riscos à segurança da população.
Tentamos contato com a assessoria de imprensa do Gabinete do Prefeito, que encaminhou a questão para a Smov (Secretaria de Obras e Viação).
A Secretaria informou que não tem nenhum posicionamento até o momento. Uma reunião deve ser realizada para definir quem fala sobre o assunto.Após vendaval, três mil toneladas de árvores já foram recolhidas
Seis dias depois do vendaval que devastou a região central de Porto Alegre, muitas arvores ainda se encontram no chão a espera de recolhimento. Apesar disso já foram recolhidos mais de três mil toneladas desde sábado quando a Prefeitura começou a agir.
A informação é do Secretário do Meio Ambiente, Mauro Moura. “Estamos recolhendo cerca de 400 toneladas por dia” avaliou. Mais de 30 equipes da Prefeitura atuam no recolhimento das arvores e galhos que foram atingidos.
A prioridade é retirar as arvores das vias e calçadas. A previsão é que o serviço de remoção seja finalizado na próxima semana. As pistas principais da cidade já foram limpas, segundo o Secretario.
As árvores estão sendo depositadas provisoriamente em um terreno atrás da Câmara de Vereadores, local próximo aos bairros mais atingidos. Depois serão transportadas para área Unidade de Triagem e Compostagem, localizado no Bairro Lomba do Pinheiro.
Somente depois disso serão realizados a remoção em parques e praças. “Vamos ver se conseguimos iniciar amanha ou sábado” falou Moura. Para ele o trabalho a ser realizado nos Parques e nas praças será ainda maior.
Uma avaliação parcial da Smam (Secretaria do Meio Ambiente) detectou pelo menos 300 árvores atingidas no Parque Farroupilha, a Redenção. No Parque Marinha do Brasil o estrago foi ainda maior. A estimativa é que mais de mil árvores tenham sido danificadas pelo vendaval.
Até lá a Prefeitura recomenda que os cidadãos não frequentem o Parque Marinha do Brasil e parte da Redenção. “No Parque Farroupilha é preferível utilizar apenas o eixo central evitando as áreas com mais árvores” alertou Mauro.
Ajudam no serviço de remoção, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil do Estado e Exército.Celulose investiu R$ 100 milhões em acesso rodoviário
A Celulose Riograndense apresentou à comunidade e à imprensa, na manhã desta quinta-feira (04/02), o novo acesso rodoviário que faz a ligação direta entre a planta industrial em Guaiba e a BR 116.
Para viabilizar a via, que possui 4,3 quilômetros de extensão e um viaduto de 60 metros de extensão com vão central de 30 metros sobre a via urbana (Coletora Sul), a empresa investiu cerca de 100 milhões de reais (US$ 24 milhões).
De acordo com Walter Lídio Nunes, presidente da empresa, a obra foi planejada e executada para evitar que os caminhões com origem ou destino à fábrica circulem pelas vias públicas de Guaíba:
“Todo o transporte de madeira, celulose, papel, resíduos e equipamentos era feito, até então, através das BR’s 116 e 290, passando pela Av. Castelo Branco. Desde dezembro, quando o acesso privado ficou pronto, passamos a usá-lo em caráter experimental. A expectativa é que até março, a totalidade das nossas cargas escoará exclusivamente pela nova via privada”, explicou o presidente.
O executivo disse que, durante este período de aprendizado, as empresas transportadoras que prestam serviços para a Celulose Riograndense treinarão e capacitarão seus motoristas para a utilização do novo trajeto.
A projeção é que, por dia, 725 veículos trafeguem no novo acesso, totalizando cerca de 1.400 viagens diárias. Por ano, serão transportadas 7.600 toneladas de cargas pela rodovia recém inaugurada (madeira, celulose, papel, resíduos, insumos e equipamentos).
O acesso privado conta com um posto de identificação para os caminhões que chegam à fábrica, estacionamento com 60 vagas e um prédio de apoio ao caminhoneiro, com sanitários e chuveiros.
Possui, também, instalações para pesagem de cargas e um local coberto para limpeza de veículos (evitando que restos de materiais sejam carreados para as vias públicas).
Toda a frota de caminhões que transporta a madeira utilizada pela fábrica possui computador a bordo e é totalmente monitorada, via satélite, pela empresa. Um centro de operações instalado na fábrica, em Guaíba, controla em tempo real, o andamento de cada um dos veículos onde quer que eles estejam (nos hortos florestais, ao longo das rodovias ou nas vias de acesso aos municípios de Pelotas e Guaíba). Este controle assegura que o motorista obedeça às instruções de transporte, como velocidade adequada, distância entre veículos para evitar formação de comboios e facilitar as ultrapassagens de outros usuários, paradas obrigatórias para recomposição física do motorista, entre outras normas.Depois da tempestade, a chuva: Porto Alegre em situação caótica
Menos de uma semana depois da tempestade que arrasou a cidade, na sexta-feira passada, Porto Alegre volta a uma situação caótica nesta quinta-feira.
Uma chuva fortíssima provoca alagamentos em pelo menos 40 pontos da capital, com interrupção de trânsito ou passagem muito dífícil.
A chuva começou às 10h30 da noite de quarta-feira e se intensificou na madrugada, quando em duas horas foram registrados 90 milimetros nos pontos de maior precipitação – chuva equivalente a quase um mes.
Falta também luz em diversas áreas da cidade. O prefeito em exercício, Sebastião Mello pelo rádio lançou um apelo à população para que não saia de casa.
Além do volume de chuva, a situação é agravada pela situação de muitas ruas, ainda com boeiros entupidos pelas arvores derrubadas pela ventania da sexta-passada.
Silvana Covatti é a primeira mulher na presidência do Parlamento gaúcho
A deputada Silvana Covatti (PP) assumiu na tarde desta terça-feira a presidênciada Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. É a primeira mulher no comando da
Casa do Povo em 180 anos de história.
A parlamentar foi o quarta mais votada nas últimas eleições, com 89.130 votos.
Durante a posse ela destacou que não deixará de usar o diálogo. Também salientou da importância de cada deputado deve superar o “dualismo e rusgas naturais” para o embate político. Por fim, concluiu que está “determinada em honrar principalmente as mulheres que represento, as mulheres que nem sempre têm sua importância reconhecida, afirmo que me sinto preparada, disposta e comprometida a presidir o Poder Legislativo do Estado do Rio Grande do Sul”.
A nova mesa diretora da Assembleia será integrada pela deputada Silvana Covatti, na presidência, Adilson Troca (PSDB, 1º vice-presidente), Álvaro Boesio (PMDB, 2º vice-presidente), Zé Nunes (PT, 1º secretário), Juliana Brizola (PDT, 2ª secretária), Marcelo Moraes (PTB, 3º secretário) e Liziane Bayer (PSB, 4ª secretária), como titulares.No início da solenidade, o deputado Edson Brum, que presidiu a Assembleia em 2015, apresentou termo de renúncia, conforme acordo entre as bancadas que prevê um ano para cada presidente à frente do Legislativo, uma vez que o Regimento Interno da Assembleia prevê um período mínimo da dois anos de mandato na presidência.
MEC libera R$ 111,5 milhões ao Senai para financiar bolsas do Pronatec
O Ministério da Educação (MEC) vai destinar R$ 111,5 milhões ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para o financiamento de bolsas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). O repasse foi publicado em uma portaria do Diário Oficial da União desta quarta-feira (3).
O Pronatec é um programa voltado para a capacitação profissional técnica de jovens e adultos. O Senai é um dos principais parceiros do governo federal na oferta de vagas.
O programa tem se mostrado um dos maiores e mais efetivos sucessos da atual administração do país, sendo que através do programa, centenas de milhares de pessoas já conseguiram se especializar, e assim obter uma melhor colocação no mercado de trabalho.
As inscrições para o Pronatec ocorrem diretamente nas instituições de ensino que oferecem os cursos, e podem ser feitas à qualquer período do ano, desde que haja oferta de curso com bolsas.
Saiba mais Informações, acesse: 5 cursos mais procurados do Pronatec
Vagas Pronatec 2016
As vagas para o Pronatec 2016 ainda não foram divulgadas, mas espera-se que sejam oferecidas ainda mais vagas do que no ano de 2015. Sendo que apenas no primeiro semestre de 2015 foram oferecidas mais de 200 mil vagas em diversas instituições. Dessas mais de 200 mil vagas, apenas o Sisutec ofereceu mais de 85 mil.
Pronatec 2016 Cursos
Os cursos oferecidos pelo Pronatec 2016 estão disponíveis no site do programa, em www.pronatec.mec.gov.br, no catálogo de cursos, sendo que atualmente o Pronatec oferece mais de 600 cursos de curta duração, que vão de 30 a até 170 horas totais, chamados de cursos profissionalizantes ou livres, e mais de 220 cursos técnicos, que possuem em média, de 180 horas totais a até 340 horas totais.
Estes cursos de longa duração possuem certificação no MEC, assim como estabelece a lei. Cursos profissionalizantes não são certificados pelo MEC, pois o ministério somente avalia cursos que possuam nível técnico ou superior.
Saiba mais Informações, acesse: Programa Jovem Aprendiz 2016 – Vagas, cursos e inscrições
Entre os cursos técnicos oferecidos estão:
Técnico em Manutenção e Suporte em Informática
Técnico em Informática para Internet
Técnico em Logística
Técnico em Manutenção e Suporte em Informática
Técnico em Nutrição e Dietética
Técnico em Segurança do Trabalho
Técnico em Guia de Turismo
Técnico em Massoterapia
Técnico em Enfermagem
Técnico em Estética
Técnico em Secretaria Escolar
Técnico em Óptica
Técnico em Análises Clínicas
Técnico em Podologia
Técnico em Controle Ambiental
Técnico em Design de Interiores
Técnico em Produção de Moda
Técnico em Informática
Técnico em Meio Ambiente
Técnico em Redes de Computadores
Técnico em Farmácia
Técnico em Podologia
Técnico em Radiologia
Técnico em Eventos
Técnico em Saúde Bucal
Técnico em Prótese Dentária
Técnico em Rádio e Televisão
Técnico em Hemoterapia
Técnico em Processos Fotográficos
Técnico em Hospedagem
Técnico em Mecatrônica
Técnico em Eletrônica
Técnico em Mecânica
Técnico em Química
Técnico em Automação
Técnico em Administração
Técnico em Secretariado
Técnico em Programação e desenvolvimento de Software
Técnico em Web Design
Técnico em desenho de moda
Técnico em desenho industrial
Prefeitura decreta situação de emergência em Porto Alegre
O prefeito em exercício Sebastião Melo anunciou nesta segunda-feira, 1º, a assinatura do decreto de situação de emergência na Capital devido à tempestade da última sexta-feira. Melo assumiu a prefeitura provisoriamente em razão das férias do prefeito José Fortunati, iniciadas no mesmo dia do temporal. Melo estima que a cidade retome a normalidade em 30 dias.
A decisão foi tomada durante reunião do Comitê Gestor de Primeira Instância. A medida permite agilizar as providências necessárias à reconstrução da cidade. O documento foi publicado em edição extra do Diário Oficial de Porto Alegre.
Durante a reunião, realizada no Centro Integrado de Comando da Cidade de Porto Alegre (Ceic), Melo também criou um grupo de trabalho para elaborar o dossiê da devastação da cidade. O relatório será utilizado para ter uma dimensão mais exata dos prejuízos financeiros e danos provocados pelo temporal.
Melo determinou prioridade máxima dos trabalhos nas estações de bombeamento do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) que ainda estão sem energia para que a água chegue a todos os pontos da cidade. As seis estações de tratamento de água estão operando normalmente. Porém, o serviço ainda não foi reestabelecido em todas as residências.
Segundo a CEEE, até às 18h15, haviam 12 mil pontos sem energia elétrica na cidade, sendo 6 mil desabastecidos desde sexta-feira.A Revolução Eólica (57) – Geração deve continuar crescendo nos próximos anos
A capacidade de geração de energia eólica no Brasil deverá passar dos atuais 8,7 mil megawatts (MW) para 24 mil MW nos próximos oito anos. A estimativa do governo, que consta no Plano Decenal de Expansão de Energia, é que em 2024 o parque eólico brasileiro deverá responder por 11,5% de toda a energia gerada pelo país. Até o fim de 2016, a capacidade instalada deve chegar a 11 mil MW, segundo projeções da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeolica).
A energia produzida com a força dos ventos é a que apresenta o maior crescimento no país. Entre novembro de 2014 e novembro de 2015 a capacidade instalada do setor cresceu 56,9% em relação aos 12 meses anteriores, de acordo com o Ministério de Minas e Energia. No ano passado, foram inauguradas mais de 100 usinas eólicas no país, com investimentos de R$ 19,2 bilhões. Atualmente, existem 349 usinas eólicas instaladas no Brasil, a maioria na região Nordeste.
“A energia eólica no Brasil é algo razoavelmente novo e essa indústria foi sendo construída com bases muito sólidas porque temos um recurso eólico muito bom no Brasil, um dos melhores do mundo e, ao entender e saber explorar esse recurso nós colocamos a eólica em uma situação de vantagem comparativa e competitiva muito grande”, diz a presidente da Abeeolica, Elbia Gannoum.
Para a coordenadora da campanha de Energias Renováveis do Greenpeace, Larissa Rodrigues, o panorama para a expansão da capacidade de geração desta energia no país é otimista, especialmente levando em conta que o desenvolvimento do setor aconteceu com maior força na última década. No entanto, ela avalia que a meta de alcançar 24 mil MW de capacidade instalada em 2024 ainda é tímida. “Quando você pega o que já está instalado hoje e o que está sendo construído, o que sobra não é muita coisa. Pelo que estamos vendo hoje, para 2024 poderíamos ter muito mais”, diz.
Transmissão
O escoamento da energia produzida pelas usinas eólicas foi um problema para os primeiros parques construídos, que ficaram prontos sem ter um sistema de transmissão concluído para levar a energia a outras regiões. Segundo a Abeeolica, isso aconteceu porque houve um desencontro entre os cronogramas de obras das usinas de geração de energia e das de linhas de transmissão.
“Hoje não tem mais aquele atraso e os próximos [projetos] tendem a não atrasar mais, porque o modelo é outro”, diz a presidente da Abeeolica. Desde 2013, os editais para a contratação de energia eólica condicionam a compra de energia desse tipo de fonte à garantia de conexão junto à rede de transmissão.
A entidade estima que cerca de 300 MW de capacidade instalada em 14 parque eólicos do Rio Grande do Norte e da Bahia estejam com problemas de conexão à linhas de transmissão. “Esse percentual não é relevante, é menos de 5% do total”, avalia Elbia.
Para o Greenpeace, o escoamento da energia é o principal gargalo para a expansão das eólicas no país. Larissa Rodrigues diz que o atrelamento da contratação à garantia de linhas de transmissão prejudica o setor. “No fundo, isso é muito ruim para a indústria eólica, porque quem faz a usina não é o mesmo agente que faz a linha de transmissão, são coisas completamente separadas no setor elétrico”, avalia.
Custo
O custo de geração da usina eólica, que era um entrave para o crescimento do setor há alguns anos, já não é mais obstáculo. Atualmente, ela é a segunda fonte de energia mais barata, atrás da energia hidrelétrica. “A eólica já chegou no seu grau máximo de competitividade, quando se tornou a segunda energia mais barata do Brasil em 2011”, diz Elbia.
Segundo ela, atualmente cerca de 70% dos equipamentos utilizados na geração de energia eólica no Brasil são produzidos no país. “Ao construir essa cadeia produtiva somando ao recurso dos ventos, nós temos um potencial eólico disponível para atender as necessidades do Brasil”.
Para a representante do Greenpeace, o debate sobre o custo da energia eólica atualmente é um mito, pois com o avanço da indústria o setor se tornou competitivo. “Há 10 anos quando se falava em energia eólica no país era uma coisa de maluco, ninguém acreditava. Hoje em dia só se fala nisso”, avalia Larissa Rodrigues.
Papel social
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, destaca que, além dos benefícios para a redução dos gases do efeito estufa, a expansão da energia eólica cumpre também um papel social. Isso porque pequenos proprietários arrendam parte de suas terras para colocar os aerogeradores e ganham uma renda extra por isso.
“A forte expansão da geração eólica no país é um elemento importante para o Brasil atingir a meta acordada na COP 21 para redução dos gases do efeito estufa. Além do benefício ao planeta, por menos emissões, tem ainda o benefício local, não apenas pela redução da poluição regional, mas também pelo benefício social ligado à renda que é gerada por essa atividade, que vem sendo desenvolvida geralmente em áreas mais pobres do Brasil”, avalia Tolmasquim.
Segundo estimativas da Abeeolica, cada família que arrenda suas terras para a instalação de aerogeradores ganha cerca de R$ 2,3 mil por mês e o no ano passado foram pagos cerca de R$ 5,5 milhões por mês em arrendamentos.
Os parques instalados atualmente possuem cerca de 87,5 mil hectares arrendados e 3% destas áreas são ocupadas com os equipamentos eólicos. O restante pode ser utilizado para agricultura, pecuária, piscicultura entre outras atividades.
Sabrina Craide, Agência BrasilArtistas instalam mosaico na ocupação Lanceiros Negros
Os moradores da ocupação Lanceiros Negros têm agora uma bela surpresa ao chegarem em casa. A entrada do edifício ganhou sua primeira obra de arte: uma enorme Monalisa lanceira negra em mosaico. A obra é assinada pelas artistas Silvia Marcon e Ini Viera, do Murb. O coletivo de mosaico urbano atua no Brasil, Argentina e estuda a criação de um núcleo em Portugal.

Obra em processo de criação / Divulgação
Outros mosaicos de Monalisas estilizadas podem ser vistos em diversos muros de Porto Alegre, seja na Cidade Baixa ou na Bom Jesus, além de Pelotas, Rio de Janeiro e Buenos Aires.
Silvia conta que a ideia surgiu há cerca de dois anos, motivada por uma oficina de mosaicos que foi convidada a ministrar na Paxart, que funciona como produtora e espaço de criação coletiva. “Como era uma oficina pra galera do grafiti, que trabalha com arte urbana, eu pensei que não poderia ser nada muito ‘mosaico para tia’. Pensei em vários personagens como Frida Khalo, Che Guevara, Bob Marley e optei pela Monalisa.”
Primeira Monalisa gigante foi feita em Buenos Aires
As duas artistas se conheceram através dos mosaicos. A argentina Ini Viera conhecia o trabalho de Silvia Marcon pela internet. Quando veio a Porto Alegre, no ano passado, fez questão de conhecê-la. O encontro rendeu uma parceria artística e fez as “Monas”, como elas costumam chamar, chegarem até Buenos Aires, onde já são seis. Lá, elas fizeram o primeiro exemplar de grandes dimensões e ficou a vontade de fazer um parecido em Porto Alegre.
O primeiro local pensado foi a travessa Lanceiros Negros, no bairro Auxiliadora, onde Silvia já havia instalado dez pequenos mosaicos, mas a comunidade não abraçou a ideia. Já os moradores da ocupação toparam de primeira, não reclamaram nem da sujeira do cimento e a Monalisa Lanceira Negra, de 2,70m x 1,50m colocada na parede da entrada.
A primeira Monalisa conjunta foi feita no final de novembro. “Em dois meses, evoluimos o que outros mosaicistas levam anos para evoluir. A primeira que a gente fez juntas ficou feia, não tem comparação com essa. Os nossos mosaicos parecem feitos por uma pessoa só, o que é muito importante quando se trabalha em duas ou mais pessoas”, afirmou Ini.
Para instalar o mosaico na ocupação, as artistas contaram com o apoio do pintor Nelson Sura, do aprendiz de mosaicista Marco Aurélio Martins e da fotógrafa Beatriz dos Anjos. Toda a cerâmica usada vem de doações e o cimento é pago pelas prórprias artistas.
Mas até que um monte de pequenas peças de cerâmica se tornem uma obra de arte na parede, há um longo processo. Tudo começa com uma imagem digitalizada, a partir da qual, é feito um plotter no tamanho desejado para a obra.
Essa imagem é coberta com uma tela de de fibra de vidro, onde a obra é montada. Em seguida, a artistas recortam a tela, separando as partes do mosaico por cores. Os fragmentos são reunidos novamente na parede, colados com cimento cola e rejuntados.
Foram dez dias de trabalho para que a Monalisa gigante tomasse forma sobre a tela, mas um dia inteiro para cimentar. No sábado, elas rejuntam o mosaico e o pintor Nelson Sura dá o arremate.
Crianças da ocupação observavam atentas o trabalho de montagem / Foto Matheus Chaparini


