Cerca de 100 agentes começaram nesta segunda a fazer o primeiro Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) de 2016 na capital. Até o fim da semana, serão visitados 57 bairros que hoje não possuem armadilha para monitoramento.
A ação irá fazer a coleta de larvas do mosquito para que se obtenha o índice de infestação predial desses bairros. A área será dividida em 21 estratos – a unidade amostral do LIRAa.
Cada estrato compreende de 8 a 12 mil domicílios, onde serão visitados 450 imóveis já sorteados no sistema disponibilizado pelo Ministério da Saúde.
este ano, são 139 casos notificados
Em 2016 já foram notificados 139 casos, 92 residentes em Porto Alegre e seis importados confirmados. Em 2015 foram 728 casos residentes na capital, 75 foram confirmados dos quais 58 importados.
Último levantamento foi em março do ano passado
O último levantamento foi realizado em março do ano passado, em 28 bairros. Havia outro previsto para outubro, mas foi adiado devido ao excesso de chuvas, que impediram a coleta dos dados.
Confira os dados dos bairros com grande índice de infestação, conforme o último levantamento:
Mont’Serrat, Bela Vista, Rio Branco, Jardim Botânico, Petrópolis – 5,7%
Bairro Protásio Alves – 7,3%
Lomba do Pinheiro, Agronomia – 6,1%
Teresópolis – 4,3%
Camaquã – 4,3%
Vila Nova – 4,0%
Ipanema, Espírito Santo, Guarujá, Serraria – 5,7 %
Aberta dos Morros, Hípica – 4,2
Arquipélago – 4,0
Bairros com IIP < 1% – 4 bairros
Bairros com IIP ≥ 1% e ≤3,9% – 37 bairros
Bairros com IIP > 3,9% – 18 bairros
Na época, grande maioria dos bairros amostrados (93,2%) estava em condição de infestação média ou alta.
Autor: da Redação
Começa levantamento da dengue em 57 bairros de Porto Alegre
Dilma se compara a Vargas por ataques à familia
Pinheiro do Vale
Quando a presidente Dilma Rousseff se compara a Getúlio Vargas, como fez na visita à reunião da Executiva do PDT que fechou questão contra o impeachment, ela de fato não se refere à questão política na Câmara, mas aos ataques à sua família.
Embora não tivesse falado de viva voz, ainda lhe repugnava a baixeza da reportagem de capa da revista Época em que uma equipe inteira procurou sem êxito encontrar alguma migalha que pudesse ligar seu ex-marido Carlos Araújo a algum malfeito, por menor que fosse.
A matéria de Época é um vexame para o jornalismo brasileiro, que se mostra ridículo por produzir profissionais dessa categoria. Expõe sócios controladores cobrando resultados a qualquer preço, sem nenhum prurido ético; um diretor de redação desesperado por sua incompetência para manter-se no cargo; editores de texto medíocres distorcendo declarações e comprometendo descaradamente amigos da família com conteúdos contrários ao que disseram; repórteres tresloucados, errantes no deserto a procura de cavalos com chifres. Uma vergonha! Diria o velho Boris Casoy.
Isto vem da sofreguidão para esconder o tamanho do fracasso, diminuir a distância de concorrentes. Uma ideia brilhante do gênio da redação de Época: “O ex-marido”. Deve ter pensado: como estes coleguinhas são burros, depois de tantos anos cavoucando não se deram conta que o ilibado Carlos Araújo seria o furo do ano. E lá se foram. Que equipe mais esperta…
A matéria foi um espanto: a capa dramática e, lá dentro, nada. Nada vezes nada. Nem uma pista. Coitadas das “fontes” expostas só em negativas. Nem uma linha que levantasse a menor suspeita. Apenas má fé e falta de assunto. Pobre leitor! Esse número da revista dá direito ao comprador de reclamar no PROCON.
Entre os profissionais de imprensa, Época expõe a fraude que se converteu esse tipo de jornalismo investigativo. Os velhos profissionais do ramo lembram-se dos tempos antigos, nos anos 70 e 80, quando o repórter precisava conquistar uma fonte antes de ter uma notícia. Era quase um ritual. Uma alta fonte contava um segredo (“não é para publicar”), deixava “descuidadamente” um papel sobre a mesa e pedia licença para dar um telefonema noutra sala. O repórter rapidamente lia e anotava. Chegando à redação era interrogado duramente pelo editor, tinha de ouvir o outro lado e, sempre, iniciava a matéria com a versão do acusado.
Na fase seguinte já havia mais flexibilidade do editor, a fonte passava um “dossiê”. Vieram os tempos do “denuncismo”. Em meio a muitas verdades também havia as manipulações. Muitas reputações de repórteres furões se fizeram por aí. Pelo menos o jornalista precisava ter uma fonte que lhe passasse um dossiê. Dava algum trabalho.
Agora é mais fácil. Tecnológico. Qualquer hacker passeia como se estivesse em casa nos arquivos dos órgãos públicos. É só plugar o pendrive e tem todo o vazamento em áudio e vídeo sem precisar se esforçar para encontrar uma fonte confiável para lhe passar o “vazamento”. Não precisa prática nem habilidade.
É o caso dos “vazamentos seletivos” do Lava Jato. É melhor para a imagem da Política Federal deixar o público pensando que há uma “garganta profunda” irrigando uma multidão de repórteres do que reconhecer que seus computadores são uma peneira de tela tão grossa que passa tudo. E pior: os órgãos de segurança máxima do País não têm como se defender.
Essa vulnerabilidade veio à tona quando os hackers do Wikileaks de Julian Assenge entraram nos escaninhos mais secretos da presidente Dilma Rousseff. Ela ficou quatro anos brigada com o presidente Barack Obama por causa disso, até o ministro José Eduardo Cardoso confessar que não podia fazer nada par impedir a invasão das delações. Quando um veículo diz que “teve acesso” está na verdade dizendo que invadiu um computador indefeso. Então ela fez as pazes com os norte-americanos.
Por estas e por outras que o programa prioritário do Exército Brasileiro para defender a soberania nacional não fala de tanques e canhões, mas de Segurança Cibernética (a Aeronáutica cuida de segurança espacial e a Marinha de motor nuclear). Se nem os mais profundos segredos de estado estão resguardados, imagine como não estão vulneráveis as pobres máquinas do tempo do Onça da Polícia Federal e do sistema judiciário.
Foi por isto aí que a “esperta” equipe da Época saiu a campo procurando escarafunchar a vida do irrepreensível e discreto Carlos Araújo. E é isto mesmo: tape o nariz e leia a matéria da Época e confirme que ele é irrepreensível e discreto.
Certamente foi por causa dessa grosseria que a presidente Dilma invocou o exemplo de Getúlio Vargas. Ele também teve seus parentes na alça da mira, o irmão Benjamin e o filho Lutero. Com Dilma já tinham procurado o irmão Igor, mas em vez de um nababo encontraram um advogado aposentado com um fusquinha igual ao do presidente Mujica, do Uruguai. Agora foram atrás do Araújo. Encontraram um ex-político de primeira linha retirado e um advogado que tem de trabalhar, mesmo doente, para ganhar seu sustento. Fizeram a anti-matéria. Vergonha!
Voltando a Getúlio, a imprensa ligou o pronunciamento de Dilma no PDT ao impeachment, pois a reunião fechava questão a seu favor e ela estava lá para isto. Entretanto, embora todos os presidentes de 1950 para cá tenham enfrentado pedidos de afastamento na Câmara (e só Collor perdeu), os casos são diferentes. Mas como os jornalistas não atinaram, ficou como se ela estivesse se comparando ao presidente suicida que se concluiu com um tiro no coração e a subsequente derrota eleitoral do candidato da oposição, general Juarez Távora, e eleição do candidato situacionista, Juscelino Kubitschek.
Em todo o caso, naquele ambiente, comparar-se a Vargas foi uma boa tirada retórica, pois ali estavam reunidos os que se apresentam como herdeiros legítimos do legado getulista.Oded Grajew: “O Fórum Social Mundial está em crise”
Felipe Uhr
“Por que nasceu o Fórum Social Mundial”?
Com essa pergunta Oded Grajew, um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, abriu seu discurso durante o debate realizado no climatizado auditório do Araújo Viana.
Grajew criticou a riqueza concentrada. “Não tem sentido”, reclamou. Entretanto, a sociedade não consegue reagir para mudar esse quadro.
Lembrou que o evento surgiu para oferecer propostas a fim de mudar o estado das coisas, mas perdeu o vigor ao longo de seus 15 anos. “O Fórum Social Mundial está em crise”, admitiu.
O empresário israelense naturalizado brasileiro repetiu várias vezes ao longo de sua fala que o FSM está sem foco. “ Reconhecer isto é fundamental”, avaliou.
A auto-critica é importante para que se abram novos caminhos. “Gostaria que essa crise fosse reconhecida, o que ainda não ouvi em nenhuma das intervenções aqui”, criticou.
Sem reconhecer a crise e fazer a auto-crítica, “não teremos força para mobilizar corações a fim de um mundo melhor”.
Não será fácil. “Vai doer, vamos sofrer e cortar na carne, mas é assim que vamos levar adiante este evento”, concluiu.
Porto Alegre berço do evento
O idealizador do Fórum também recordou porque Porto Alegre foi escolhida sede do evento mundial. Salientou o engajamento progressista da cidade e as conquistas populares importantes, como o Orçamento Participativo. Citou o atual prefeito, José Fortunati, e antecessores seus que quando comandavam o executivo municipal acolheram o Fórum na capital gaúcha.
Lembrou que o evento das esquerdas internacionais é um contraponto ao Fórum Econômico de Davos. “O ser humano é capaz de escolhas”, justificou, para logo completar: “quem está lá não faz parte de outro mundo possível”.
Primeira webrádio indígena do Brasil transmite para mais de 40 países
Matheus Chaparini
A ideia era construir uma rádio onde os indígenas falassem para seus iguais: utilizando linguagem própria, respeitando cada etnia e com um suporte técnico que permitisse chegar até as aldeias.
O projeto foi desenvolvido durante três anos até se tornar realidade, em 2013. A Rádio Yandê é a primeira webrádio indígena do Brasil. Através da internet, a Yandê transmite música, debates, palestras e conteúdo jornalístico para mais de 40 países.
Apesar de ter nascido no Brasil, o país é apenas a segunda maior audiência. Perde para a Croácia.
O idealizador da rádio, é um gestor de marketing baiano que vive na capital do Rio de Janeiro: Anápuáka Muniz Tupinambá, que esteve em Porto Alegre para participar do Territórios sem Fronteiras, programação paralela ao Fórum Social que acontece na Casa de Cultura Mario Quintana.
Anápuáka transmitiu ao vivo algumas atividades da programação, como uma mística com os Kaingang do Paraná.
Anápuáka Muniz Tupinambá, idealizador da Rádio Yandê / Foto Matheus Chaparini
Além de Anápuáka, a equipe da Yandê é formada pelo publicitário Denilson Baniwa e pela jornalista Renata Tupinambá, ambos de NIterói, também no Rio. “Juntamos nossas experiências de aldeia e nossas experiências profissionais, para conseguir olhar com os dois olhares, entender como funcionam os dois mundos.”
O trabalho funciona através de uma plataforma de gerenciamento on line. A programação é montada semanalmente, mas qualquer um dos três pode fazer alterações ou interromper a programação para fazer uma entrada ao vivo.
O fator tecnológico
O primeiro desafio era conseguir a tecnologia necessária para transmitir com qualidade mas em um formato “leve” – já que a população indígena no Brasil usa internet de smartfone, com pacote de dados, que não suporta arquivos muito pesados – e sem gastar demais.
“Tivemos que pensar em uma transmissão de streaming que chegasse na ponta com 32K, enquanto o comum das webrádios é 128K”, explica Anápuáka.
Depois de muita procura, inclusive no exterior, eles encontraram uma empresa brasileira que tinha a tecnologia de que precisavam.
Outras questão importante enfrentada foi a criação de uma forma própria de comunicar. “Não adianta chegar com uma linguagem de AM ou de FM ou mesmo das rádios comunitárias. São linguagens que não têm nada a ver com a questão indígena”, aponta.
A linguagem tem de ser acessível a todos, mas em relação ao idioma há uma flexibilização. Como são diversos grupos étnicos no país, com línguas próprias, o conteúdo da rádio é transmitido em diferentes dialetos nativos, sem tradução.
em busca de correspondente gaúcho
Além do trio que comanda a rádio, a equipe conta com correspondentes em Brasília e no Mato Grosso do Sul, com autonomia para produzir e veicular conteúdo, além de colaboradores, que passam informações que subsidiam as matérias produzidas pela rádio.
No Rio Grande do Sul, não há nenhum representantes da Yandê, mas Anápuáka afirma que já está em contato com possíveis futuros correspondentes.
O Fórum Social sempre possibilita contatos e encontros entre diversas iniciativas. De um destes encontros está surgindo uma parceria. O restaurante Itacacá especializado em culinária amazônica, que está instalado na CCMQ até o sábado à noite, passará a ter uma coluna sobre culinária na Rádio Yandê.Pacientes da saúde mental expõem críticas a hospícios no Fórum
Matheus Chaparini
Com instrumentos, bandeiras, e cantos bem humorados, um cortejo abriu caminho pelo Parque da Redenção, na manhã desta sexta-feira (22).
O grupo Nau da Liberdade, juntamente com profissionais, pacientes e militantes da saúde mental, denunciava o fato de vários de seus integrantes não poderem participar das atividades do Fórum Social Temático (FST) por estarem presos em manicômios e residenciais terapêuticos.
“O Fórum é considerado uma atividade política que faria mal para sua saúde mental”, era a mensagem transmitida através de um megafone.
Segundo os manifestantes, pacientes do Hospital Psiquiátrico São Pedro e de residenciais terapêuticos não podem mais deixar as instalações para outras atividades, como acontecia gestão anterior do Governo do Estado, quando o grupo realizava até mesmo viagens.
Lindomar, Olinda, Flavinho, Cássio, Deco, Hilda, Tânia… “Estes e mais de duzentos pacientes ainda estão presos nas grades do hospício. Para eles nós cantamos: viva a liberdade!”, prosseguiu o discurso.
Grupo fez chamada com nomes de quem foi impedido de participar do Fórum Social / Foto Aline Victorino
arte como cura
Apesar dos desfalques, o cortejo reuniu algumas dezenas de pessoas.
O que está em disputa é o modelo de tratamento de saúde mental que se pretende. Como deve ser tratado o paciente: dentro do manicômio, no isolamento, ou do lado de fora, na rua, integrado à sociedade?
“Pacientes não precisam só de tratamento, precisam de outros laços com a vida. A arte, a livre circulação, o viajar, o passear, o comer fora, ter amigos também fazem parte da vida”, defende Carolina Pommer, atriz profissional integrante da Nau da Liberdade, grupo teatral nascido em 2013 dentro do Hospital Psiquiátrico São Pedro.
Recentemente, a Nau e outros grupos de teatro que integram o chamado Condomínio Cênico do São Pedro conseguiram reverter um despejo iminente: a Secretaria da Sapude havia pedido de volta os pavilhões 5 e 6, onde se alojavam, à pasta da Cultura, que vinha utilizando o espaço para incentivar a arte entre os pacientes.
Após muita mobilização, os grupos obtiveram, em dezembro, o compromisso do governo de que os pavilhões permanecerão com a Cultura.
A utilização das artes cênicas como tratamento começou em 2003, em função da reforma psiquiátrica, segundo a auxiliar de enfermagem Maria da Conceição de Abreu. “A gente formou um grupo de teatro mesmo sem saber fazer teatro. Não se tinha uma residência artística, era só a vontade”, explica.
Ela começou a trabalhar no Hospital Psiquiátrico São Pedro em 1982. “Eu já era antimanicomial sem saber, porque eu nunca aceitei as coisas que eu via lá dentro. Eram pavilhões enormes, com cem pessoas dormindo em triliches, o refeitório não era adequado, o cheiro era horrível”, critica.
“A nau, a nau, a nau da liberdade”
Cortejo encerrou a programação intitulada “um outro mundo é possível sem manicômio” / Foto Aline Victorino
É nos pavilhões 5 e 6 – aqueles que a Secretaria da Saúde queria de volta – onde funciona a Nau da Liberdade, que hoje conta com cerca de 20 pessoas. Uma delas é Marlon Farias, paciente, ator e radialista.
“Eu passei a me sentir tão jovem, me entrosando com colegas e parceiros e a partir daí eu comecei a militar com a arte”, conta.
Além das atividades da Nau, Marlon apresenta o programa “Quartas intenções”, na rádio comunitária do bairro Rubem Berta, onde vive com a família.
A Nau da Liberdade foi criada em 2013, após uma vivência artística de três meses com o grupo italiano Accademia della Follia, formado por ex-internos de hospitais psiquiátricos. Durante a vivência, foi montada a peça “Azul como Liberdade”, encenada pelos pacientes do São Pedro juntamente com os atores italianos.
No ano passado, a Nau fez um intercâmbio com o grupo carioca Teatro de Dionísios, no chamado Hotel da Loucura, no Engenho de Dentro. Além disso, já viajaram por diversas cidades do interior do estado como Alegrete, São Lourenço do Sul, Caxias do Sul.
avanços estão em risco
Nos últimos anos, defensores da causa antimanicomial conseguiram obter vários avanços, como a reforma psiquiátrica. Mas a falta de uma política de Estado para o tema faz com que cada troca de governo ponha em risco todas as conquistas e os avanços obtidos.
“Fora Valencius! Fora Luis Coronel!” são as principais reivindicações dos militantes da saúde mental no Fórum.
Valencius Wurch é psiquiatra e foi diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi, o maior manicômio privado da América Latina, localizado região metropolitana do Rio de Janeiro e que foi fechado em 2012 após denúncias de violações dos direitos humanos.
Ele é o coordenador geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, empossado em dezembro, depois que o PMDB assumiu a pasta, com o deputado Marcelo Castro como ministro. Para a militância, ele representa um retrocesso na luta antimanicomial.
Luiz Carlos Illafont Coronel, também psiquiatra, foi diretor do Hospital Psiquiátrico São Pedro durante o governo Yeda e atualmente é coordenador de Saúde Mental da Secretaria Estadual de Saúde.
Grande mídia atrapalha o desenvolvimento social, aponta debate sobre comunicação no FSM
Felipe Uhr
Foi tema de discussão, no auditório do Dante Barone, na Assembleia Legislativa, o assunto “Mídia, Ideologia, Educação e Poder – A luta contra o monopólio da mídia e da reforma de Estado”. O atraso no inicio do debate e a ausência de alguns confirmados como o ex-governador Tarso Genro e o representante do Fórum Hip-Hop, MC Gaspar, não diminuiu o nível da discussão. Entre os oito convidados a falar sobre o tema, estavam o Secretario Nacional dos Direitos Humanos Rogério Sotilli e a jornalista Soraya Misleh, representante da Frente Palestina no Fórum Social.
Sotilli abriu o debate lembrando os movimentos que os Direitos Humanos estão no centro da defesa da cidadania, liberdade, criação e participação social. Criticou que atualmente, a grande mídia ataca os Direitos Humanos “quando criminaliza movimentos jovens sociais, quando criminaliza a juventude negra e imigrantes”.
Segundo ele é preciso garantir o acesso à informação para a formação de uma sociedade nova e defender que os Direitos Humanos sejam o centro disso. “ A informação nunca esteve tão capturada pelos interesses econômicos” ressaltou. Questionou a quem interessa esse tipo de informação e finalizou lembrando que ”sem Direitos Humanos não existe Democracia e sem Democracia não existe Diretos Humanos”.
Outro destaque foi a representante da Frente Palestina Soraya Misleh, que falou da situação do conflito entre Israel e Palestina. “ A grande mídia serve à classe dominante e ao capitalismo” afirmou. Segundo ela muito do que acontece no conflito é abafado pelas grandes mídias. O caráter racista e preconceituoso do lado israelense não é mostrado, segundo ela. jornalista recordou o caso dos palestinos impedidos de vir ao Fórum Social Mundial pelo cerca à cidade de Hebron e os 15 jornalistas assassinados na faixa de gaza.
Misleh destacou o drama de muitos palestinos que sofrem com a guerra. Segundo ela, Palestina que foi ocupada por Israel não é mostrada na TV, pois quando jornalistas de grandes emissoras internacionais retratam a verdade são demitidos. Por fim defendeu a Palestina dizendo que no país movimentos democráticos e sociais(LGBT, a favor da mulher e negros) também existem não só naquele país mas como em todo mundo árabe.
Outros convidados expuseram sua opinião sobre o tema à mesa. Paulo Motoryn, Coordenador da Comunicação da Secretaria Nacional da Juventude, falou da importância da mídia livre. Citou modelos de mídias alternativas e a relevância de coletivos de comunicação como alternativa. Motoryn apresentou o caso de um grupo de estudantes que montou um página, via facebook, para informar o que estava acontecendo durante as ocupações dos estudantes em São Paulo. “As vezes não são jornalistas, mas organizam coletivos de comunicação” observou.
As participantes Rosane Bertotti,Secretária Nacional de Comunicação da CUT e Rita Freire, do Grupo Colaborativo entre mídia Ciranda, também fizeram duras criticas a mídia. Rosane ressaltou que o sistema privado de Comunicação está ligado aos governos de direita. Lembrou que a grande mídia apoiou a ditadura, demoniza a esquerda e agora apoia o neo-liberalismo. Rita acusou a grande mídia privada de não dar espaço para a atividade social. “É preciso uma mídia desvinculada a governos e aos mercados” destacou.
O debate ainda teve a participação do vice-presidente do PCdo B, Walter Sorretini, que abordou as falhas nas politicas do Estado, apesar dos avanços sociais dos últimos 13 anos. Lembrou também que é preciso uma reforma no Estado brasileiro para que se avance o Projeto Nacional de Desenvolvimento. Depois vieram as participações estrangeiras. O ativista e acadêmico canadense Stephane Couture que falou sobre os casos de espionagem na internet e o livre acesso que policia ou governo devem ter as informações pessoais.Mesa apresenta projetos que concretizam um "outro mundo possível"
Não é só “se a gente quiser”, é preciso criatividade e muito trabalho, mas dá para concretizar, em pequenas ações, o lema que há 15 aos embala o Fórum Social Mundial – “um outro mundo é possível”.
Algumas iniciativas que modificam o status quo e a forma como pessoas se relacionam entre si foram apresentadas nesta quinta-feira (21), na mesa “Alternativas Emergentes”, promovida pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) – uma delas era o Jornal JÁ, que é o primeiro jornal do Rio Grande do Sul a financiar um projeto exclusivamente através de doações de leitores.
A ideia era reunir sob uma mesma pauta ações de diferentes naturezas, mas que tenham nascido, sobretudo, da organização coletiva e independente.
Além da jornalista Naira Hofmeister, que representou o JÁ, compuseram a mesa Roberto Abreu, representando a Agência Livre para Informação Cidadania e Educação (Alice) e Juliano Forster, criador do coletivo Paralelo Vivo.
O desafio de integrar diferentes movimentos e interesses da sociedade civil foi o grande mote da discussão. A fragmentação é uma das principais dificuldades enfrentadas por quem propõe iniciativas alternativas como estas.
“O leitor tem que se sentir dono daquele espaço de comunicação”
A jornalista Naira Hofmeister fez um apanhado dos 30 anos de história do Jornal JÁ, desde sua criação por um grupo de intelectuais no período da abertura política pós-ditadura, a transição para um jornal de jornalistas e outras etapas da história do veículo, que desenvolveu diversas iniciativas consideradas alternativas – jornal de bairro, editora de livros reportagem, publicações especializadas, resgate da memória.
A mais recente delas, dirigida pela jornalista, foi a campanha de financiamento coletivo de uma série de reportagens que aprofundam o tema da revitalização do Cais Mauá, que tem motivado discussões sobre o que a cidade pretende para o local que é seu maior símbolo. O projeto inédito na imprensa gaúcha, arrecadou R$ 10 mil somente de pessoas físicas.
“Tem um componente de parceria entre jornalistas e leitores que tem se ampliar cada vez mais. O leitor tem que se sentir dono daquele espaço de comunicação”, defendeu.
O Dossiê Cais Mauá, financiado pelos leitores e com participação destes inclusive na construção da pauta, é um exemplo de financiamento alternativo para o trabalho jornalístico. Naira defendeu que a iniciativa é importante pois “empodera o leitor e consequentemente empodera o jornalista, porque ele se sente autorizado.”
E acrescentou: “Se os jornais forem financiados exclusivamente pelas grandes empresas, pautas como meio ambiente e questões urbanísticas não terão um acompanhamento permanente, porque isto não é do interesses dos anunciantes.”
“Queremos estimular a criação de outras 100 zonas como esta até 2020”
Juliano Forster representa o Paralelo Vivo, que integra 20 empresas de criação e sustentabilidade
Juliano Forster buscou dar uma ideia do que é e de como funciona o Paralelo Vivo, tarefa não muito fácil, devido à complexidade dos processos e das relações internas do espaço. Conceitualmente, o Paralelo é um hub, ou então, “uma junção de iniciativas” empresariais, todas vinculadas com a sustentabilidade e o meio ambiente, como explica Forster.
A origem do coletivo foi casual: sua empresa, a Hidrocicle, que projeta sistemas de uso e tratamento da água, precisava reduzir custos e decidiu dividir o galpão que ocupava, no bairro Floresta, com outros empreendimentos.
O resultado, entretanto, foi além e criou uma rede de projetos colaborativos e uma catapulta para bons negócios com foco ambiental. Hoje, o espaço se constitui em uma zona de criação e sustentabilidade, abrigando 20 empresas, onde trabalham cerca de 50 pessoas ao todo.
Além de repartirem o aluguel e as despesas, eles dividem experiências, informações, contatos e até mesmo clientes.
Uma destas empresas é a Horteria, que desenvolve soluções para a criação de hortas urbanas. São ideias como o cultivo vertical de hortaliças, ideal para quem mora em apartamento e tem pouco espaço.
Outra iniciativa que integra a zona é a Cesta Feira, que funciona como um sistema de compra de produtos orgânicos com entrega a domicílio. Os produtos são comprados diretamente de agricultores familiares e entregues semanalmente na casa dos clientes.
Entre as metas de médio prazo, estimular a criação de outras cem zonas semelhantes ao redor do mundo até 2020. O projeto mais ambicioso é tornar o Rio Grande do Sul o local mais inovador e sustentável da América Latina até 2030.
“No Boca, são os moradores de rua que fazem a pauta e criam as regras”
Assim como o Fórum Social Mundial, o jornal Boca de Rua também está completando 15 anos. A edição pioneira foi feita em 2001 e circulou no primeiro FSM. O Boca é o projeto mais antigo da Alice (Agência Livre para Informação Cidadania e Educação). Além de dar visibilidade à população de rua, o jornal possibilita geração de renda, através da venda de exemplares.
Abreu disse que o projeto nasceu de uma conversa com um grupo de moradores de rua que ficavam na praça Dom Sebastião, em frente ao Colégio Rosário. Nesse diálogo, os moradores disseram que sentiam a necessidade de contar sua histórias: se sentiam invisíveis.
No Boca de Rua, os moradores de rua fazem a pauta e criam as regras. Uma das definições do veículo é não ter anúncios. “Comprometeria completamente a linha editorial e a própria ideia do projeto.”
Abreu citou um caso, de uma matéria que tratava de um incêndio na Vila Liberdade, em 2013. O jornal foi procurado por uma grande empresa do ramo da construção civil: queriam bancar a edição. A equipe se reuniu e decidiu não aceitar a oferta da construtora.
A luta do jornal agora é por uma sede que possa comportar as reuniões de pauta, que já tiveram como local a sede do Gapa (Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS), a Casa de Cultura Mário Quintana e recentemente se abrigaram no Museu da Comunicação Hipólito José da Costa – depois de passarem um bom período ocorrendo sob a sombra das árvores na Redenção.Safra de grãos pode segurar a economia
Soja, milho, arroz, feijão – todas as culturas de verão que rendem as principais safras no Rio Grande do Sul estão em condições excelentes, com perspectiva de grande produção, segundo o boletim da Emater.
Se a previsão se confirmar, a produção agrícola pode segurar a queda na economia regional e garantir um bom caixa ao governo, aliviando o déficit anunciado.
De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, as lavouras de soja, por exemplo, apresentam boa emissão de brotos laterais e alta estatura de plantas, demonstrando bom stand de lavoura e ótimo padrão sanitário.
A maior parte da área semeada com soja está em desenvolvimento vegetativo (52%), e lavouras com variedades precoces estão entrando na fase de enchimento de grãos (12%) com mais intensidade. Os produtores gaúchos seguem realizando o monitoramento sanitário.
A maior parte das lavouras de milho está na fase de enchimento de grãos (36%), apresentando bom padrão fitossanitário das espigas e boa formação de grãos, o que permite prever, neste momento, um excelente potencial produtivo. A colheita, que atinge 16% das lavouras de milho se intensificou na última semana, confirmando a expectativa de uma boa produtividade média que, se confirmada, deverá se aproximar do ano anterior, que foi de 6.500 kg/ha para o Estado. Os produtores também prosseguem a colheita das áreas destinadas ao milho silagem, atingindo no último período 56% do total plantado, cerca de 340 mil hectares.
Nas áreas já colhidas (semeadura do cedo), os produtores estão optando por um novo plantio de milho ou alternar com soja. No caso da primeira opção, se configura um segundo plantio dentro da mesma safra (tradicionalmente chamada de safrinha), mesmo que a partir de agora fique fora do período recomendado pelo Zoneamento Agroclimático e, teoricamente, mais suscetível a riscos.
A colheita do feijão 2ª safra atinge 36% da área estimada, com perspectivas de boas produtividades, especialmente nas regiões Celeiro, Noroeste Colonial e Alto Uruguai. Nos Campos de Cima da Serra, última região a implantar as áreas com feijão da primeira safra (lavouras do tarde), e que foram cultivadas na resteva do trigo, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, com poucas falhas de germinação nas áreas de baixada, onde o solo permaneceu encharcado logo após a semeadura. Nessa região também seguem os tratos culturais e de controle de fitomoléstias e pragas, especialmente da Diabrotica speciosa (vaquinha).
As temperaturas mais elevadas e a boa radiação beneficiam a cultura do arroz em todo o Estado e as lavouras puderam retomar sua evolução em ritmo satisfatório. Apesar do bom momento, em alguns casos pontuais a instabilidade climática ocorrida no final de dezembro ainda traz pequenos contratempos aos orizicultores, que gastaram mais tempo e dinheiro na condução das lavouras. De maneira geral, a maioria das áreas se encontra em recuperação e apresenta possibilidade de produtividades, se não ideais, pelo menos satisfatórias. Atualmente, 5% das lavouras de arroz estão em enchimento de grãos, 20% em floração e 75% em desenvolvimento vegetativo.
Cebola – Na região Sul, a cultura está na fase de colheita, cura e comercialização nas áreas de produção. Os preços se encontram em elevação devido à qualidade da cebola que está sendo comercializada. Em São José do Norte, a colheita já encerrou e os preços são considerados bom pelos agricultores. Alguns produtores compraram semente de cebola de verão, e estas estão na sementeira e transplante das mudas.
Batata-doce – Já foi colhida e comercializada 95% da produção na região Centro-Sul (Mariana Pimentel, Barra do Ribeiro e Sertão Santana). Até meados de março, segue o preparo de solo, plantio da batata-doce e também os tratos culturais da safra 2015/16. As lavouras estão produzindo em média 14,0 t/ha, com produto de boa qualidade. Houve uma pequena alta nos preços durante a semana devido ao momento de entressafra e escassez de produto no mercado.
Melancia – Cultura em estágio de florescimento, frutificação e início de colheita na região Sul, com bom desenvolvimento dos frutos. Produtores realizam os tratamentos fitossanitários e demais tratos culturais, como a colocação de proteção contra a alta radiação solar. Algumas áreas começam a ser colhidas.
Ovinocultura – Os ovinos apresentam razoável condição corporal. A elevada temperatura associada à umidade abundante propicia o ataque de parasitas, principalmente as verminoses, e a ocorrência de manqueira, que prejudica o bom desenvolvimento do rebanho. A safra de esquila está sendo concluída, porém houve atraso em algumas propriedades, pois tiveram que esperar na fila as equipes prestadoras de serviço. Os técnicos da Emater/RS-Ascar acreditam que até o final de janeiro a maioria das propriedades já tenha esquilado a totalidade dos seus animais. Os rebanhos já esquilados vêm apresentando melhoras na condição corporal e sanitária.
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar
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Obras do Instituto de Educação começam na próxima semana
O governador em exercício, José Paulo Cairoli, assinou nesta quarta-feira (20) a ordem de início dos serviços de restauração do Instituto de Educação General Flores da Cunha. A previsão é que a obra inicie em até cinco dias úteis após a assinatura do documento e seja concluída em 18 meses. A obra será executada pela Porto Novo Empreendimentos e Construções, ao custo de R$ 22,5 milhões.
Além de Cairoli, assinaram a ordem de serviço os secretários da Educação, Vieira da Cunha, e de Obras, Saneamento e Habitação, Gerson Burmann.
Durante a reforma, a escola permanecerá fechada e alunos serão realocados em duas outras escolas estaduais: Felipe de Oliveira, no bairro Santa Cecília, e Roque Callage, no Rio Branco. Ao todo, a escola tem 1.673 alunos.
O prédio, de inspiração neo-clássica, foi construído em 1935, durante as comemorações do Centenário Farroupilha. É tombado pelo município desde 1997, por estar dentro da área do Parque Farroupilha, e pelo estado, através do IPHAE (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado), desde 2006. Em razão disso, não pode receber reformas, apenas restauração, que envolve um processo mais complexo.
Toda a parte elétrica e hidráulica serão refeitas e o prédio será adaptado à legislação de prevenção de incêndios e terá acessibilidade universal para todas áreas, com a colocação de portões, rampas de acesso e um elevador.
Além disso, o prédio receberá uma passarela coberta ligando os três blocos, centrais de lixo e gás, iluminação de led, climatização com de ar condicionado independente em todos ambientes e um sistema de captação da água da chuva, que será reaproveitada para os banheiros, limpeza, rega de plantas e reservatório para incêndio.Barco Cisne Branco terá show em tributo aos Rolling Stones
Uma ótima notícia para os fãs dos Rollings Stones e apreciadores do Rock and Roll: o Barco Cisne Branco promove no dia 27 de janeiro, a partir das 19h, o evento Navegando com os Stones, com a apresentação da Bigger Band, banda gaúcha cover do grupo inglês. Os ingressos custam R$ 65,00 com direito à apresentação e passeio.
Em ritmo de aquecimento para os Rolling Stones – show que ocorre em março em Porto Alegre, “o Navegando com os Stones é uma chance de curtir um passeio pelo Guaíba, apreciar o pôr-do-sol e desfrutar de uma boa música”, destaca a proprietária do Barco Cisne Branco, Adriane Hilbig. O embarque inicia às 18h30 e a navegação será de aproximadamente 3 horas, com encerramento das atividades às 23h. O Cisne Branco fica atracado no armazém B3 do Cais do Porto – Av. Mauá, 1050 – e vem se confirmando como único espaço Cultural Flutuante da capital.
A Bigger Band
Formada em 2003, a “Bigger Band” faz uma releitura do som clássico dos Rolling Stones, mantendo o foco na simplicidade e essência do rock. A banda é composta por Rafael Kubbe (Voz), Eduardo Scaravaglione (guitarra), Marciano Silveira (guitarra), Rafael Pestana (baixo) e Carlos Moacir Dias (bateria). Além da devoção ao trabalho dos Rolling Stones, a “Bigger Band” realiza apresentações nas mais renomadas casas de shows do RS, além de animar eventos de grande porte, como encontros de motociclistas, festas municipais e eventos empresariais pelo Brasil.




