Autor: da Redação

  • ​Deputados encaminham processo para cassar Jardel

    O deputado Marlon Santos (PDT) selou ontem o destino do deputado Mário Jardel (PSD) ao recomendar a abertura de processo de cassação do ex-jogador de futebol, baseado numa série de denúncias do Ministério Público e em sua própria investigação como corregedor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (AL/RS).
    O parecer de Santos foi aprovado por unanimidade pelos membros da comissão de Ética Parlamentar do Legislativo gaúcho. Seu trabalho foi considerado exemplar e não mereceu reparos. Aliás, o deputado Juliano Roso (PCdoB), presidente da Comissão, rejeitou imediatamente o pedido da defesa de Jardel pelo afastamento do corregedor no processo.
    Na volta do recesso parlamentar, dia 3 de fevereiro será formada uma subcomissão para dar andamento ao processo, momento em que Jardel terá novamente oportunidade de responder à série de irregularidades atribuídas à sua conduta parlamentar, dentro e fora do gabinete.
    Desfecho previsível
    Na leitura, o corregedor apontou dificuldades pessoais do deputado Jardel e fatores que afetariam sua conduta como deputado, sendo “vítima e também vilão das denúncias que enfrenta”, o que quebra o decoro parlamentar. “É inegável que toda a conduta apurada fere a imagem da Assembleia Legislativa”, afirmou.
    Ele registrou evidências de ação articulada dos servidores e ex-servidores do gabinete contra o parlamentar, o que deverá resultar em denúncia judicial de todos os envolvidos.
    Também foi apurada a prática do PSD, antes mesmo de Jardel assumir o mandato, de assumir as despesas pessoais do ex-jogador , rotina que migrou com o deputado eleito para a Assembleia, conforme consta em planilha nos autos do processo.
    Apontou má-fé do deputado Jardel no descumprimento das normas legais para a prestação de contas de viagens, através da utilização de notas fiscais vencidas. Considerou incompatível a representação parlamentar simultânea à relação com drogas e a associação com o tráfico, conforme apontam as provas. Detalhou as diversas diligências realizadas para apurar as denúncias, descartando as acusações de contratação de funcionários fantasmas e de funcionária que também teria como atividade a prostituição.

  • O legado de Flávio Basso

    MATHEUS CHAPARINI
    Montei minha primeira banda de rock quando tinha uns 14 anos, no começo dos anos 2000. A gurizada do colégio queria tocar Cascavelletes na formatura do Ensino Fundamental. Juntamos cinco cabeças, fizemos alguns ensaios na saudosa Fun House e atacamos de “menstruaaaada, mas mesmo assim eu vou transar”, em pleno Salão Nobre da Sogipa.
    A diversão era descobrir alguma versão diferente ou música rara antes dos colegas. Piramos com a demo Vórtex. Chacoalhava nossa imaginação adolescente o texto do repórter Marcel Plasse, da revista Bizz, que descrevia a banda ao vivo como “um inferno” e Flávio Basso como um “clone de garagem turbinada de Mick Jagger.”
    Minha carreira de músico de rock não foi muito longe, mas hoje pela manhã, no velório do Júpiter, fiquei me perguntando quantos daqueles músicos com lágrimas nos olhos devem ter começado suas primeiras bandas por influência dele? Quantas daquelas pessoas foram tocadas pela música através do seu trabalho? Esse foi o seu legado: além de sua obra, as tantas outras que influenciou.
    Flávio Basso morreu nesta segunda-feira, 21, aos 47 anos, de falência múltipla dos órgãos. O músico tinha uma apresentação marcada para o dia seguinte.
    Basso foi criador das bandas TNT e Cascavelletes. Sem dúvida, o principal nome da geração que colocou o rock gaúcho no cenário nacional, nos anos 80. Em carreira solo, já como Júpiter Maçã, lançou uma demo com a banda Pereiras Azuis, que viria a ser o embrião do clássico A Sétima Efervescência, de 97. Complexo e diverso, fez rock, folk, psicodelia, marchinha, bossa e até cinema. Foi Flávio Basso, Woody Apple, Júpiter Maçã, depois Júpiter Apple, depois Maçã novamente.

  • Alstom paga indenização por suborno em São Paulo, no RS processo não anda  

    Na sexta-feira, 18,  a multinacional Alstom assinou um acordo com a Justiça em São Paulo: vai pagar uma indenização de R$ 60 milhões à  estatal Eletropaulo.
    A Alstom aceitou o acordo proposto pelo ministério público  para se livrar de um processo em que é acusada de pagar propina para conquistar um contrato de fornecimento de três subestações de energia.
    No Rio Grande do Sul, a Alstom e outras dez empresas são acusadas de ter pago propina para obter um contrato para construir onze subestações de energia da Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE.
    O contrato com a companhia paulista foi assinado em 1997, no governo do tucano Mário Covas.
    O contrato com a CEEE foi assinado em 1987, no governo do peemedebista Pedro  Simon.
    No caso de São Paulo, mesmo tendo iniciado dez anos depois, o processo já teve conclusões e a estatal de energia vai ser ressarcida.
    No Rio Grande do Sul, o processo movido pelo Ministério Público Estadual está há 20 anos no mesmo lugar. Ainda está em primeira instância, na 2ª Vara da Fazenda em Porto Alegre.
    Considere-se ainda que o contrato com a estatal paulista era para construir três subestações, ao valor atualizado de R$ 317 milhões.
    O contrato com a estatal gaúcha era para 11 subestações, ao valor de 150 milhões de dólares, valor da época.
    O prejuízo aos cofres da CEEE foi estimado em R$ 79 milhões em valores de 1996, quando foi ajuizada a ação.  Seriam mais de R$ 800 milhões hoje.
    Pior: o caso da estatal gaúcha parece condenado ao esquecimento. Numa recente reportagem do jornal Zero Hora, premiada pela Associação Riograndense de Imprensa, sobre a crise financeira da CEEE o caso sequer foi mencionado.
    CÁLCULO DO SUBORNO  
    Segundo a Folha de São Paulo, único jornal que vem acompanhando o caso, o valor da indenização foi calculado a partir do suborno pago pela Alstom, que correspondeu a 17% do valor do contrato, de R$ 317 milhões, em valores atualizados.
    Também entrou no cálculo da indenização uma espécie de multa de 10%, para cobrir o que a lei chama de danos morais coletivos.
    Serão pago R$ 55 milhões pelo suborno e perto de R$ 5 milhões a título de danos morais.
    O réu principal na ação é o mais importante auxiliar de Mário Covas à época, Robson Marinho, um dos fundadores do PSDB.
    Chefe da Casa Civil de Covas entre 1995 e 1997, as iniciais do seu nome (RM) foram citadas em documento interno da Alstom, escrito em francês, sobre a distribuição da propina.
    Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, ele foi afastado do cargo em agosto de 2014 por decisão judicial. Marinho é acusado de ter recebido US$ 2,7 milhões da Alstom em contas secretas na Suíça entre 1998 e 2005.
    No caso do Rio Grande do Sul, o principal acusado de ter recebido propina é Lindomar Rigotto, na época diretor adjunto de finanças da CEEE, assassinado em 2001.
    DINHEIRO BLOQUEADO
    Em fevereiro deste ano, a Justiça bloqueou R$ 282 milhões dos réus, sendo R$ 141 milhões da Alstom. Com o acordo, a empresa terá esse dinheiro liberado.
    O acerto, segundo a Folha, foi fechado na última sexta-feira (18), diante da juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi. Aturaram no acordo os promotores José Carlos Blat, Silvio Marques e Valter Santin.
    A suspeita de que a Alstom pagou propina em contrato com uma empresa do governo paulista, a EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia), foi revelada em 2008 pelo jornal americano “Wall Street Journal”.

  • Manifestantes jogam dólares na prefeitura contra privatização do Cais Mauá

    Naira Hofmeister
    Passava pouco das 18h30 desta segunda-feira (21) quando centenas de notas de dólares cobriram as escadarias de acesso ao edifício da prefeitura municipal de Porto Alegre, no Centro Histórico da Capital.
    Era o ápice do ato político organizado pelos coletivos contrários ao modelo de revitalização proposto para a antiga área portuária da cidade, que inclui a restauração dos armazéns tombados pelo patrimônio histórico e a construção de três espigões, um shopping center e estacionamento para 4 mil veículos.
    Depois de um ano intenso de trabalho para tentar barrar o empreendimento – que incluiu a realização de dezenas de festas, visitas, reuniões com autoridades e ações na Justiça – a brincadeira serviu como catarse coletiva. Todos queriam atirar seu punhado de notas falsas sobre o Paço Municipal e apenas as réplicas tocavam o chão, algum participante as recolhia para fazê-las voarem novamente.
    Apesar das risadas, o ato estava carregado de simbolismo: o dinheiro impresso representava a “recompra” do Cais Mauá pela população, uma referência ao processo de privatização da área – e de toda a orla central do Guaíba – denunciados por movimentos como A Cidade Que Queremos e Cais Mauá de Todos.
    escracho 010
    Houve também um “desabraço” ao prédio da prefeitura, quando os manifestantes deram as costas à porta de entrada para manifestar o rechaço pela política urbana implementada em Porto Alegre nas últimas gestões, além de discursos de lideranças tradicionais e de rostos novos – convocados pelos coletivos Defesa Pública da Alegria e Levante Popular da Juventude –, batucada, samba e hip hop improvisados.
    Ao fim do ato, ao ritmo de Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, os manifestantes entoavam: “Cais, cais, cais, cais, cais, cais / Traz o povo pro cais, traz o povo pro cais, traz o povo pro cais”.
    Criatividade atrai população

    Palavras de ordem, batucada e improvisos atraíram quem passava desavisado | Naira Hofmeister
    Palavras de ordem, batucada e improvisos atraíram quem passava desavisado | Naira Hofmeister

    Realizado no final do horário comercial e em um dos pontos com maior volume de circulação de pessoas no Centro Histórico, o ato atraiu curiosos que desconheciam por completo o debate sobre o polêmico projeto de revitalização do Cais Mauá.
    “Eu olho muito tevê, leio jornal e ouço rádio, mas não estou sabendo desse projeto”, admitiu o aposentado Jairo Balbueno, 68 anos, que, convencido da importância da pauta levou para casa uma pilha de panfletos “para distribuir aos vizinhos”.
    “Eu me criei nesse rio, ele é nosso, é uma beleza da cidade”, justificou.
    Já o empresário Antonio Carlos, 40 anos, reproduzia cada fala dos manifestantes para o filho, através do WhatsApp. Ele é portoalegrense, mas está morando em São Paulo e veio apenas passar uns dias na Capital gaúcha. “A primeira coisa que eu entendi é que o cais está fechado, mas antes era aberto, a gente podia ir lá ver o pôr-do-sol”, comparou.
    Esportista nas horas vagas, Antonio Carlos estava com sua bicicleta, mas foi em uma competição de corrida recente que ele se deparou com os tapumes da orla do Guaíba, no trecho entre a Usina do Gasômetro e a Rótula das Cuias.
    “É um circuito que tem em todo o Brasil e eu escolhi não correr em São Paulo, mas aqui, para poder ver o rio. E ele não estava lá”, revoltou-se.
    Por sua vez, Fabrício Fagundes, 24 anos, parou por alguns minutos sua caminhada de reconhecimento do Centro Histórico de Porto Alegre para ver o escracho contra a prefeitura. “Sou turista, estava em Florianópolis e passei por aqui antes de seguir para o Alegrete”, explicou.
    Apresentado aos argumentos dos manifestantes, que gritavam “não vai ter shopping”, ele aplaudiu: “Estão certíssimos! Shopping tem em qualquer lugar do mundo. Quando a gente é turista, quer mais é conhecer os lugares emblemáticos, importantes e tradicionais das cidades”.
    Catador emblemático se soma aos protestos
    Com 30 anos de militância, Carboneiro é liderança da Vila dos Papeleiros | Naira Hofmeister
    Com 30 anos de militância, Carboneiro é liderança da Vila dos Papeleiros | Naira Hofmeister

    Entre as dezenas de pessoas que participaram do ato, uma não conseguiria passar despercebida. Carregando seu carrinho com jornais velhos e papelão, Antônio Viana Carboneiro, o catador de lixo mais emblemático da cidade, foi ao Centro Histórico acompanhado do filho mais moço.
    “Os catadores apoiam esse movimento e pedem que todos os que estão aqui também olhem para a nossa luta com carinho”, explicou.
    Ao longo de mais de 30 anos de militância, Carboneiro liderou os moradores da Vila dos Papeleiros na busca por seus direitos, incluindo a mudança da comunidade para uma área urbanizada. Agora ele batalha pelo direito ao trabalho, ameaçado pela lei que baniu carroças e carrinhos de catadores das ruas de Porto Alegre.
    “Agora conseguimos um ano mais antes que entre em vigor, mas precisamos de mais apoio para que o meu pessoal não passe necessidade”, justifica.
    Para Carboneiro, há dois pontos de contato entre os movimentos que defendem uma alternativa ao atual projeto de revitalização do Cais Mauá e os catadores de lixo de Porto Alegre: a busca pela ampliação do diálogo com o poder público e o meio ambiente.
    “Cada catador é um ambientalista porque se vê uma garrafa, uma latinha, um papelão na rua, ele recolhe, evitando que isso vá parar nos rios. É um trabalho para a mãe natureza e que permite que a gente compre material escolar para os filhos, arroz e feijão dignamente”, esclarece.

  • Aprovada a Lei de Bairros: emendas tiram Arena do Humaitá e Pontal do Melo do Praia de Belas

    Foi aprovado o novo projeto de Lei de Limite de Bairros de Porto Alegre. Foram criados 15 bairros, extintos dois e outros tiveram alterações nas delimitações. Porto Alegre tem agora oficialmente 94 bairros. Desde outubro de 2013 na Câmara de Vereadores, o projeto passou por uma Comissão Especial, que apresentou e discutiu com os Conselhos. Depois foi para a Comissão de Urbanismo, Transporte e Habitação (Cuthab) onde mais uma vez passou por estudos e reuniões e, por último, teve o parecer da Comissão de Constituição e Justiça.
    Emendas criam dois novos bairros
    Das 15 emendas, 11 foram aprovadas, duas rejeitadas, uma retirada e uma prejudicada. Entre elas, a emenda de número quatro, feito pela Cuthab, retira a Arena do grêmio do Humaitá e coloca no Bairro Farraposs foi aprovada por unanimidade. Outra emenda mudou o Pontal do Melo do bairro Praia de Belas para o Cristal. Com as emendas, foram criados mais dois bairros: Boa Vista do Sul e Jardim Europa.
    Novos bairros

     Jardim Itu
     Jardim Sabará
    – Santa Rosa de Lima (interface entre os bairros Sarandi e Rubem Berta,
    a partir da Avenida Plínio Kroeff)
    – Costa e Silva (interface entre os bairros Sarandi e Rubem Berta,
    a partir da Avenida Baltazar de Oliveira Garcia)
    – Parque Santa Fé (parcela do bairro Rubem Berta, a partir da Avenida
    Baltazar de Oliveira Garcia)
    – Passo das Pedras (área sem denominação entre Sarandi, Rubem
    Berta e Mário Quintana)
    – Jardim Leopoldina (área sem denominação entre Sarandi, Rubem
    Berta e Mário Quintana)
    – Morro Santana (área sem denominação entre Agronomia, Jardim
    Carvalho e Mário Quintana)
     Sétimo Céu (interface entre os Bairros Tristeza e Ipanema)
    – Aberta dos Morros (área sem denominação e parcela do Bairro Hípica, entre a Estrada Gedeon Leite e Costa Gama, a partir da Avenida Edgar Pires de Castro)
    – Pitinga (área sem denominação entre a Lomba do Pinheiro
    e Restinga)
    – São Caetano (área sem denominação no extremo sul da cidade)
    – Extrema (área sem denominação no extremo sul da cidade)
    – Boa Vista do Sul (no extremo sul da cidade)
    – Jardim Europa (alterando as delimitações dos Bairros Boa Vista, Passo da Areia e Vila Ipiranga)
     

  • Após atrasos, Prefeitura entrega nova iluminação da Redenção

    A Prefeitura entregou oficialmente a nova iluminação do Parque Farroupilha no último domingo, 20. As obras haviam sido interrompidas no primeiro semestre, quando a empresa vencedora da licitação abandonou as obras. Os trabalhos foram retomados em julho com a previsão de conclusão em 60 dias. Cinco meses depois, finalmente, a Prefeitura entregou a nova iluminação do parque.
    Foram instalados 305 novos postes e recuperados outros 230 já existentes, totalizando 535, além de uma nova iluminação cênica e colorida para o Monumento do Expedicionário. O projeto incluiu ainda a instalação de uma nova rede subterrânea de iluminação pública, partindo das quatro subestações. A distribuição das redes e postes foi dividida em quadrantes com a finalidade de causar o menor impacto possível na paisagem do local. A obra teve um investimento de R$ 1,8 milhão, por meio do Fumip (Fundo Municipal de Iluminação Pública).
    A entrega da iluminação conclui uma série de melhorias realizadas ao longo de 2015, que marcaram os 80 anos do parque. Em outubro, o chafariz e o espelho d’água foram entregues revitalizados, com restauro das pedras do assoalho do espelho, limpeza do espelho d’água e reforma do chafariz. Em novembro, foram retomados os passeios de trenzinho pelo parque, com a concessão do serviço à empresa Sólidos Diversões, vencedora da concorrência pública para exploração da atividade. A bilheteria também foi restaurada para receber o novo trenzinho.
    As atividades do domingo tiveram início às 10h, com food trucks e uma estação de recolhimento de doações para a Campanha do Brinquedo. Quem doou um brinquedo pode andar gratuitamente no trenzinho iluminado da Redenção.
    O Concerto de Natal contou com apresentação da Banda Municipal e participações especiais de Isabela Fogaça e Cristina Sorrentino, que interpretaram canções clássicas natalinas junto ao chafariz central, além do Ballet Vera Bublitz.

  • Eleições gerais: nova bandeira da oposição

    O Datafolha divulgou, nesta segunda, pesquisa feita na semana passada: 42% dos deputados da Câmara Federal aprovam o impeachment de Dilma Rousseff.
    Os que rejeitam são 31%  e os restantes 27% estão indecisos.
    Interessante comparar esses números com os obtidos numa pesquisa de O Globo sobre a “viralização” do tema impeachment, que foi o assunto dominante nas redes sociais na semana passada.
    Os comentários tabulados pela pesquisa mostram um resultado muito semelhante ao obtido na pesquisa com os deputados: 43 % a favor da derrubada de Dilma, 34% contra e 24% indiferentes.
    Considerando as circunstâncias turbulentas em que foram feitas as pesquisas, os resultados indicam, ao contrário da interpretação midiática, que o impeachment por crime de responsabilidade é cada vez menos um desfecho previsível para a crise política.
    Tanto que a oposição política, que se mostra mais sensata que a oposição midiática, já começa a alterar sua estratégia para 2016.
    Em entrevista nesta segunda-feira na Folha de S. Paulo, o senador Aécio apontou o novo caminho que ele e seus aliados pretendem seguir.
    Vão deixar de lado esse impeachment maculado pela falta de escrúpulos de Eduardo Cunha e apostar no Superior Tribunal Eleitoral, onde corre uma ação que pede a anulação da eleição de Dilma e Temer, por vícios na campanha.
    Anulado o pleito de 2014, seriam convocadas novas eleições em seis meses. Claro que Aécio está embalado por uma ambição pessoal (ele aparece na frente nas pesquisas para 2018). Mas ele não diria o que disse na entrevista, se o atual processo de impeachment, em andamento, tivesse alguma chance. (E.B.)
     
     
     
     
     

  • Movimento quer incluir o Pampa no patrimônio nacional

    Matheus Chaparini
    A inclusão do Pampa entre os biomas protegidos pelo patrimônio nacional foi a principal reivindicação do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, integrado por várias entidades ambientais, no evento que marcou o Dia do Bioma Pampa, no auditório da Faculdade de Economia da UFRGS. A data é celebrado em 17 de dezembro, em homenagem ao aniversário do ambientalista José Lutzenberger.
    As bandeiras levantadas pelo movimentos foram a defesa do PEC 5/2009, que visa incluir o Pampa, o Cerrado e a Caatinga no patrimônio nacional, como já são o Pantanal, a Amazônia e a Mata Atlântica e a derrubada do decreto estadual 51.431/2015, que estaria indo a Constituição Estadual e criando brechas jurídicas que desobriguem as reservas legais.
    A Promotra de Justiça de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, Annelise Steigleder, classificou como “lamentável” o decreto. “Não está regulamentando nada e está retirando a segurança jurídica garantida pela Constituição Estadual.” A promotora criticou ainda a falta de consulta à população e às universidades na elaboração do decreto, o que teria gerado falhas técnicas.
    A geógrafa Monica Wiggers do IPHAE (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado) abordou o bioma pampa como patrimônio cultural e defendeu a importância desta classificação na ampliação de áreas protegidas. “É preciso aliar a proteção do patrimônio com a proteção ambiental.”

    Evento foi organizado pelo Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente
    Evento foi organizado pelo Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente

    Eduardo Velez, biólogo do Centro de Ecologia da UFRGS, falou sobre a biodiversidade do Pampa. Segundo ele, são mais 2.500 espécies botânicas no bioma e 10 tipos diferentes de campo já foram identificados. “A preocupação ambiental no Brasil geralmente está voltada para as florestas e podemos evr que o Brasil não é só floresta.” O biólogo afirmou ainda que o Pampa é o bioma com situação mais crítica de conservação e apontou falhas técnicas no decreto estadual.
    Pampa é o bioma menos protegido
    O Pampa é um bioma exclusivo da metade sul do Rio Grande do Sul, ocupa uma área de 178.243 km2, correspondendo a 63% do território gaúcho. É o que apresenta o menor número de áreas protegidas, apenas 0,36% de sua área de ocorrência. O bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. As paisagens naturais do Pampa se caracterizam pelo predomínio dos campos nativos, mas há também a presença de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados e afloramentos rochosos.
    Os painéis foram mediados pelo professor do Departamento de Botânica da UFRGS,Paulo Brack. A abertura ficou por conta dos músicos Germán Álvarez e Marcelo Egüez, que apresentaram canções de Alberto Zitarrosa e Atahualpa Yupanqui.
    O evento foi organizado pelo MoGDeMA (Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente) com apoio da AGAPAN (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), InGá (Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais), NEJ/RS (Núcleo de Eco Jornalistas) e Grupo Viveiros Comunitários, projeto de extensão do Instituto de Biociências da UFRGS.

  • "Imprensa alimenta espírito golpista", segundo Jorge Furtado

    Naira Hofmeister.
    A memória prodigiosa para “lembrar de nomes esquisitos” somada à curiosidade
    investigativa permitiu ao cineasta Jorge Furtado criar uma pequena enciclopédia de
    casos que exemplificam como a imprensa trai seu compromisso de informar o cidadão
    no Brasil.
    Ele deu uma amostra disso ao público que assistiu a sua palestra na Assembleia
    Legislativa do Rio Grande do Sul, no último sábado, 12 de dezembro. Disse mais: que a
    irresponsabilidade da mídia alimenta o espírito golpista da sociedade, na medida em que
    não oferece uma correta leitura da realidade brasileira.
    “Os jornais estão impregnados de ideologia. A infâmia e a fama são absolutas nessa era
    da mídia”, lamentou.
    Apesar de sua crítica da imprensa, Furtado tinha uma perspectiva positiva, graças à
    novíssima lei que garante o Direito de Resposta àqueles que se sintam prejudicados por
    uma matéria distorcida ou mal apurada. “É uma novidade que pode mudar muita coisa”,
    exaltou o cineasta, apontando o episódio.
    Mal sabia Furtado que dois dias após sua fala, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ)
    – que representa os conglomerados de comunicação do país – entraria com uma ação no
    Supremo Tribunal Federal (STF) para cassar a recém-editada lei, nesta segunda-feira
    (14).
    Segundo o portal especializado Jota, a Ação Direta de Inconstitucionalidade tenta anular
    cinco dos 12 artigos que regulamentam o Direito de Resposta. A justificativa da ANJ é
    que a norma “afronta garantias constitucionais a exemplo do devido processo legal, do
    contraditório e da ampla defesa”, entre outros.
    “Na prática, o instituto do direito de resposta, ao invés de pluralizar o debate
    democrático, converteu-se em instrumento capaz de promover grave e inadmissível
    efeito silenciador sobre a imprensa”, defendem os jornalões.
    O cineasta não sabia ainda da iniciativa dos empresários da comunicação, mas de sua
    palestra pode-se concluir que daria uma gargalhada diante dos argumentos.
    “A imprensa publica o que quer, sem checar nenhuma denúncia. Depois, quando elas
    não se confirmam, ninguém volta para retificar”, condenou no sábado.
    Além da investida contrária da ANJ, a força da medida ficou evidente quando O Globo
    publicou uma errata na capa do jornal, desmentindo uma informação que havia sido
    manchete em outubro e que vinculava o filho de Lula à corrupção investigada pela
    Operação Lava Jato – não por força da Justiça, mas por iniciativa própria do jornal, dado
    que a norma estava por ser assinada pela presidenta Dilma Rousseff.
    O caso Rubnei Quícoli
    Um dos “nomes estranhos” que Jorge Furtado nunca apagou da memória é Rubnei
    Quícoli – “já pensou um personagem com nome desses?”, introduziu.
    Rubnei Quícoli protagonizou uma ficção em 2010, mas ela saiu no jornal como verdade
    e Furtado lembra do episódio com detalhes. “Deram uma foto de meia página dele com
    um terno preto em cima de um edifício muito alto. Parecia assim uma campanha da
    Hugo Boss”, comparou.
    A imagem ilustrava uma reportagem em que Quícoli acusava a ex-ministra da Casa
    Civil Erenice Guerra de ter cobrado propina para negociar um empréstimo do BNDES a
    um empreendimento seu na área de energia eólica.
    Erenice chegou a ser investigada, mas nada sendo provado contra ela, o processo foi
    arquivado. A Folha de S.Paulo se limitou a noticiar o fim do inquérito.
    A indignação de Furtado, entretanto, recai sobre o inusitado fato de que o denunciante,
    Quícoli, era um bandido com extensa ficha criminal. “Ele tinha várias passagens pela
    polícia. Chegou a tentar vender um caminhão e sua carga roubados ao antigo dono e
    depois tentou matar o motorista que o entregou”, recordou.
    “E esse sujeito ocupa a capa da Folha de S.Paulo”, surpreende-se, passados já cinco
    anos do episódio.
    Furtado coloca no mesmo cesto outros nomes que memórias ordinárias são capazes de
    reconhecer: o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) ou os delatores da Lava Jato. “São
    bandidos que alimentam diariamente a imprensa, são eles que fazem as capas de jornais
    diariamente”, conclui.
    A corrupção na Petrobras
    O cineasta – que levou às telas de cinema seu olhar sobre a imprensa brasileira no
    documentário O Mercado de Notícias (fragmentos podem ser assistidos aqui;
    http://www.omercadodenoticias.com.br/) – condena a partidarização da imprensa no
    Brasil, coisa que, aliás, foi assumida pela ex-presidente da ANJ Judith Brito, quando
    ainda comandava a entidade: “Os meios de comunicação estão fazendo de fato a
    posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”, ela
    explicou em 2010.
    “Neste caso, a imprensa assume que deixa de fazer jornalismo e passa a fazer política.
    Não se dedica mais a buscar a verdade factual e isso é um grave problema para a
    democracia”, defendeu.
    Furtado exemplificou com o caso da Petrobras, que o senso comum já se acostumou a
    relacionar a uma desvalorização e desmonte que seriam consequências diretas da
    corrupção ocorrida nestes 13 anos de governo do PT.
    “Só que outro dia descobri que a Petrobras se tornou a maior petrolífera do mundo este
    ano! Que bateu o recorde de exploração de petróleo, alcançando 1 bilhão de barris. Esse
    ano!”, repetiu.
    Ele também leu manchetes dos jornais dos anos 60, nas quais eram relatados problemas
    de corrupção graves na estatal. Lembrou ainda que as denúncias dos jornalistas Paulo
    Francis, na década de 90, e Ricardo Boechat ainda nos anos 80 sobre os desvios de
    verba para uso pessoal na Petrobras. Boechat, hoje no grupo Bandeirantes, ganhou o
    prêmio mais respeitado do jornalismo brasileiro com sua investigação, O Esso.
    Mesmo analisado o atual escândalo, Furtado lembra que em seus depoimentos, os
    delatores dizem que “essa quadrilha” operava na Petrobras desde 1997 – antes, portanto,
    de o PT assumir o Palácio do Planalto.
    Outro elemento que lhe causou estranhamento foi ver uma reportagem sobre o
    pagamento de propina na estatal ilustrada com a imagem de uma lista dos receptores de
    dinheiro. O jornal borrou um trecho onde aparecia a inscrição “15M para JS”, seguidos
    do endereço e do telefone do ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB).
    “Puseram uma tarja preta para não mostrar a vinculação com Serra. Mas quando o
    Bumlai (José Carlos Bumlai) foi preso, ele era o ‘amigo do Lula’”, comparou.
    “A eleição não terminou”
    O bate-papo com Jorge Furtado foi uma promoção dos gabinetes dos deputados do
    Partido dos Trabalhadores (PT) Stela Farias (estadual) e Henrique Fontana (federal).
    Era um momento que vinha sendo acalentado desde o ano passado, ainda quando se
    discutia a reforma política que acabou saindo de maneira enviesada. Na ocasião, se
    achou melhor deixar “para depois da eleição”.
    “Só que a eleição ainda não terminou, ela não termina nunca”, lamentou o cineasta.

  • Primeira turma de Sem Terra se forma em Veterinária

    Por Catiana de Medeiros
    Da Página do MST

    Depois de cinco anos de trabalhos acadêmicos e pesquisa prática, 45 alunos da 1ª Turma Especial do Curso de Medicina Veterinária para assentados da Reforma Agrária no Brasil colam grau nesta sexta-feira (18), no município de Pelotas, na região Sul do Rio Grande do Sul. Ela terá como patrono o deputado Adão Pretto (in memoriam).
    A Turma Especial de Medicina Veterinária é uma parceria entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), onde ocorreram as aulas, através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). A segunda turma iniciou com 60 alunos, em 2013.
    A cerimônia de formatura começa às 17h no Theatro Guarany, no Centro de Pelotas. Depois das 21h será realizada uma festa de confraternização e em comemoração à conquista do curso, no Clube Centro Português 1º de Dezembro.
    Os formandos são agricultores assentados, acampados e filhos de beneficiários da Reforma Agrária de seis estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Ceará.
    Para o dirigente nacional do MST, Cedenir de Oliveira, cursos superiores como o de Medicina Veterinária, conquistados através de luta do Movimento, “são ferramentas fundamentais para ajudar na implementação da Reforma Agrária Popular no país, que, além de ser uma estratégica política do movimento, é uma forma de gerar desenvolvimento com a produção de alimentos saudáveis para a população brasileira”.
    As atividades também integram a 5ª Semana Adão Pretto, que tem como objetivo comemorar a memória do deputado que ajudou a fundar o MST e completaria 70 anos em 2015.
    Oito anos depois
    O curso começou a ser pensado ainda em 2005 pelo MST, quando foi encaminhado um projeto para a capacitação de jovens em Medicina Veterinária ao Pronera. No ano de 2007 ocorreu a assinatura do convênio e foi realizado vestibular para o ingresso de 60 acadêmicos.
    Porém, o Ministério Público de Pelotas entrou com uma ação civil contra a realização do curso e as aulas iniciaram apenas quatro anos depois, no primeiro semestre de 2011, após longa disputa judicial que terminou com o parecer favorável do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao Incra no final de 2010.
    As aulas iniciaram em regime de alternância, ou seja, os estudantes passavam de 80 a 120 dias na Universidade e depois mais dois meses nas suas comunidades, realizando trabalhos acadêmicos e de pesquisa prática.