Treze organizações da sociedade civil protocolaram, nesta segunda (23/11), representação no Ministério Público Federal (MPF) contra 32 deputados e oito senadores sócios de emissoras de rádio e TV. A representação se baseia no Art. 54, I e II da Constituição Federal, que proíbe a políticos titulares de mandato eletivo possuírem ou controlarem empresas de radiodifusão e empresas que gozem de favor decorrente de contrato com a União.
Além de pedir o cancelamento das concessões, permissões e autorizações de funcionamento dessas emissoras, as signatárias também pedem a responsabilização do Ministério das Comunicações pela falta de fiscalização do serviço público de radiodifusão.
A representação foi feita à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Estado de São Paulo. A partir dela, o MPF deverá entrar com ações em 17 estados. Na semana passada, o MPF já havia protocolado ação contra veículos de radiodifusão associados aos deputados federais Antônio Bulhões (PRB); Beto Mansur (PRB) e Baleia Rossi (PMDB), todos de São Paulo.
Além da CF, a representação se baseia, ainda, em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e em entendimento anterior da própria Procuradoria Geral da República (PGR). O documento destaca trechos dos votos dos ministros Luís Roberto Barroso e Rosa Weber no julgamento da Ação Penal 530. Para ambos, a proibição da propriedade ou sociedade em emissoras de rádio e TV por deputados e senadores tem por objetivo prevenir abusos decorrentes do poder político e do controle de veículos de comunicação de massa.
Na representação, as entidades lembram, ainda, que a própria Procuradoria Geral da República (PGR) afirmou a inconstitucionalidade da participação de políticos como sócios de emissoras de rádio e TV em parecer emitido nos autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 246, de autoria do PSol.
Signatárias
Além do FNDC, assinam a representação as seguintes entidades: Artigo 19, Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Andi – Comunicação e Direitos, Associação Juízes para a Democracia (AJD), Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Levante Popular da Juventude, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e Proteste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.
A representação é uma articulação das organizações da sociedade civil que compõe o Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (Findac), que reúne procuradores federais, entidades da sociedade civil e institutos de pesquisa e recebeu, este ano, o Prêmio República 2015 de Valorização do Ministério Público Federal, promovido pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).
>> Clique aqui para ler a representação na íntegra
Confira abaixo a lista dos parlamentares denunciados
Deputados Federais:
1. Adalberto Cavalcanti Rodrigues, PTB-PE
2. Afonso Antunes da Motta, PDT-RS
3. Aníbal Ferreira Gomes, PMDB-CE
4. Antônio Carlos Martins de Bulhões, PRB-SP
5. Átila Freitas Lira, PSB-PI
6. Bonifácio José Tamm de Andrada, PSDB-MG
7. Carlos Victor Guterres Mendes, PMB-MA
8. César Hanna Halum, PRB-TO
9. Damião Feliciano da Silva, PDT-PB
10. Dâmina de Carvalho Pereira, PMN-MG
11. Domingos Gomes de Aguiar Neto, PMB-CE
12. Elcione Therezinha Zahluth Barbalho, PMDB-PA
13. Fábio Salustino Mesquita de Faria, PSD-RN
14. Felipe Catalão Maia, DEM-RN
15. Felix de Almeida Mendonça Júnior, PDT-BA
16. Jaime Martins Filho, PSD-MG
17. João Henrique Holanda Caldas, PSB-AL
18. João Rodrigues, PSD-SC
19. Jorginho dos Santos Mello, PR-SC
20. José Alves Rocha, PR-BA
21. José Nunes Soares, PSD-BA
22. José Sarney Filho, PV-MA
23. Júlio César de Carvalho Lima, PSD-PI
24. Luiz Felipe Baleia Tenuto Rossi, PMDB-SP
25. Luiz Gionilson Pinheiro Borges, PMDB – AP
26. Luiz Gonzaga Patriota, PSB-PE
27. Magda Mofatto Hon, PR-GO
28. Paulo Roberto Gomes Mansur, PRB-SP
29. Ricardo José Magalhães Barros, PP-PR
30. Rodrigo Batista de Castro, PSDB-MG
31. Rubens Bueno, PPS-PR
32. Soraya Alencar dos Santos, PMDB-RJ
Senadores:
33. Acir Marcos Gurgacz, PDT-RO
34. Aécio Neves da Cunha, PSDB-MG
35. Edison Lobão, PMDB-MA
36. Fernando Affonso Collor de Mello, PTB-AL
37. Jader Fontenelle Barbalho, PMDB-PA
38. José Agripino Maia, DEM-RN
39. Roberto Coelho Rocha, PSB-MA
40. Tasso Ribeiro Jereissati, PSDB-CE
Autor: da Redação
MPF entrará com ações contra coronéis da mídia em 17 estados
Feriado da Consciência Negra será no 20 de novembro também em Porto Alegre
O Plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre concluiu hoje a votação do projeto que institui o 20 de novembro como feriado municipal consagrado ao Dia da Consciência Negra e da Difusão da Religiosidade.
A data de 20 de novembro foi consolidada nesta segunda-feira, 23, com a derrubada da emenda que transformava o feriado em data móvel, no terceiro domingo de novembro. Os vereadores deram 28 votos contrários à emenda, 3 favoráveis e uma abstenção do vereador Idenir Cecchim (PMDB).
O projeto é do vereador Delegado Cleiton (PDT) e havia sido aprovado na última segunda-feira, 16. Entretanto, fora aprovada também uma emenda do vereador Mauro Pinheiro (PT), que tornava o feriado data móvel. O autor do projeto questionou a emenda e ela foi votada novamente.
No ano passado, o mesmo vereador havia apresentado projeto semelhante. Aprovado pelos vereadores, o projeto foi vetado pelo Prefeito José Fortunatti (sem partido). Em votação empatada, em março deste ano, o plenário manteve o veto.
Em 2003, projeto semelhante, apresentado pelo então vereador Haroldo de Souza, do PMDB, foi aprovado com 25 votos favoráveis e dois contrários, sendo sancionado pelo então prefeito João Verle (PT). A Lei nº 9.252 entrou em vigência no dia 3 de novembro do mesmo ano, mas o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre ingressou na Justiça com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade e os efeitos da Lei foram suspensos pelo Tribunal de Justiça.Família de Lula pede direito de resposta à Folha de S. Paulo
Com base na nova lei de direito de resposta, em vigor no país desde a quinta-feira, 11, a família do ex-presidente Lula pede direito de resposta a reportagem da Folha de S. Paulo, reproduzida da revista Veja, intitulada “Decano do Lobby”, que faz referência ao nome de Fábio Luis Lula da Silva.
A matéria cita a Veja para ligar o filho do ex-presidente a Alexandre Paes dos Santos, lobista preso na operação Zelotes.
Do Instituo Lula
A reportagem intitulada “Decano do Lobby”, subscrita por Rubens Valente e publicada nesta data (21/11/2015) pela Folha de S.Paulo, faz referência ao nome do nosso cliente Fábio Luis Lula da Silva no seguinte trecho: “Em 2006, ele voltou a noticiário ao confirmar para a revista ‘Veja’ que cedia uma sala do escritório que construiu no Lago Sul para um dos filhos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luis, trabalhar, quando estivesse em Brasília”.
Ao reproduzir como se fosse verdadeira o que foi publicado pela revista “Veja”, Rubens Valente voltou a propagar notória e reconhecida mentira para os leitores do jornal e para a sociedade.
De fato, logo após a citada publicação de “Veja”, em 2006 (edição n.º 1979), Alexandre Paes dos Santos disse à imprensa que não conhece e jamais manteve qualquer relação pessoal ou profissional com Fábio Luis. Não bastasse, depois da publicação, promovemos em favor de Fábio Luis ação judicial contra Alexandre Paes dos Santos e a Editora Abril S/A, que edita a revista “Veja”. No curso da ação, Alexandre Paes dos Santos reafirmou que jamais manteve qualquer relação pessoal ou profissional com Fábio Luis.
Tal situação levou a Editora Abril a cometer um dos piores exemplos do mau jornalismo do país. A Editora juntou no processo uma gravação ambiental referente à conversa mantida entre o jornalista Alexandre Oltramari (repórter da “Veja”) e o Sr. Alexandre Paes dos Santos, na qual ambos combinaram uma versão para a elaboração de uma reportagem objetivando prejudicar o então candidato à reeleição presidencial Luiz Inácio Lula da Silva, pai de Fábio Luis.
Confiram-se alguns trechos daquela gravação ambiental que revelam a combinação levada efeito entre o repórter da revista “Veja” e o Sr. Alexandre Paes dos Santos para a elaboração da reportagem:
“1 a matéria… a matéria… ela tem como foco … e quem vai possivelmente…
2 [1/2] ….
1 … pra capa da revista é o filho do presidente”.
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“1. O segundo ponto que é… você tocou num ponto que é central, você disse assim: ‘ah, rapaz, isso aí é uma trolha do tamanho do mundo, é ano de eleição…’ …
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1. ai lá pelas tantas que eu vou ter que dizer: ‘olha, em Brasília eles dormiam no Palácio do Planalto, na Granja do Torto e chegaram até a despachar em alguma mansão-escritório em Brasília, numa área nobre da cidade’
2. hum, hum…
1. é… e aí entra você, sei lá, dizendo… é… ou: ‘não quero falar nada’ ou talvez dizendo a verdade: ‘olha, eu disponibilizei um espaço…’…
2. [2/3]… tenho… eu tenho que pensar nisso aí, porque isso aí vai ser difícil, é a abertura pra porrada… se eu tivesse cinquenta fins-de-semana (…) … pô, pau na máquina!
1. pensa nisso, porque eu acho que isso não é abertura pra porrada, eu acho que isso aí é uma… dique de contenção que você ergue, na medida que as cartas estão na mesa:‘recebi sim, trabalharam aqui algum… vieram algumas vezes…’…
Em conseqüência dessa conduta — que revela nítida armação para a elaboração de uma reportagem —, o Sr. Alexandre Paes dos Santos foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo a reparar os danos morais impostos ao nosso cliente Fábio Luis em virtude da publicação. A Folha de S.Paulo tem conhecimento dessa condenação e já publicou tal notícia (http://m.folha.uol.com.br/poder/2013/12/1389595-justica-condena-empresario-por-chamar-filho-de-lula-de-idiota.shtml?mobile), não sendo justificável o erro cometido por Rubens Valente. Aliás, o Acórdão proferido pelo TJSP também está disponível na Rede Mundial de Computadores (http://s.conjur.com.br/dl/dano-moral-lulinha-voto-vencedor.pdf), o que torna o erro inescusável.
Reafirmamos que o nosso cliente Fábio Luis Lula da Silva não conhece e jamais manteve qualquer relação pessoal ou profissional com Sr. Alexandre Paes dos Santos. Ao contrário, este último já foi condenado pela Justiça por dizer inverdades a respeito do nosso cliente. Em virtude do erro indesculpável de Rubens Valente, faremos pedido de retificação na forma da Lei Federal nº 13.188, de 11 de novembro de 2015.
Cristiano Zanin Martins
Da Teixeira Martins Advogados
Link de referência:
Declaração de defesa de Alexandre Paes dos SantosArgentina: classe média emergente derrotou Cristina Kirchner
A vitória de Maurício Macri (foto) na eleição argentina, neste domingo, foi consolidada pelos votos das famílias que ascenderam à classe média, exatamente pelas políticas sociais dos 12 anos do “kirchnerismo” (Nestor Kirchner e os dois mandatos seguidos de sua mulher, Cristina).
A reportagem é de Alexandro Rebossio, para El País:
Em uma das nove universidades públicas criadas pelo kirchnerismo, e frequentadas por muitos alunos que são a primeira geração de universitários de suas famílias, um professor propôs aos estudantes um exercício depois do primeiro turno eleitoral no qual o candidato da situação, Daniel Scioli, ultrapassou por pouco –com 37% a 34%– o opositor Mauricio Macri.
O professor os convidou a repetir em segredo seu voto daquela eleição e foi surpreendido com Macri quase empatado com Scioli, e com sua candidata a governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, arrasando o kirchnerista Aníbal Fernández.
Esses jovens fazem parte de uma classe média emergente em tempos do kirchnerismo que agora está exigindo mais, como aconteceu no Brasil. Aspiram a que se concretize a mudança no segundo turno deste domingo e dão como certo que as melhorias sociais dos últimos anos estão garantidas.
Alexandre Roig, sociólogo, pesquisador de carreira e professor de uma das universidades que mais cresceu em 12 anos de kirchnerismo, a de San Martín, opina que “grande parte do eleitorado com menos de 30 anos” não viveu a experiência neoliberal da Argentina de 1989 a 2001, com alto desemprego e crise, e isso permite sua “abertura para um governo de direita como o de Macri”, que não assume essa identificação e se qualifica como “desenvolvimentista”, nem conservador nem liberal.
Outro pesquisador de carreira, o antropólogo Hernán Palermo, que leciona na nova Universidad Arturo Jauretche, reconhece que “há uma faixa de estudantes de até 26 anos, filhos de comerciantes e ‘laburantes’ (trabalhadores), a quem o kirchnerismo mudou a vida, mas que acham naturais as políticas de Estado criadas pelos Kirchner e imaginam que não podem descer abaixo disso”. São jovens que só conheceram por livros o que foi o Governo de Carlos Menem (1989-1999) e que eram crianças na crise de 2001.
Os jovens não viveram o neoliberalismo dos anos 90 nem a crise de 2001; alguns querem mudar
“Também há problemas de falta de asfalto e de esgoto que impactam na hora de votar”, explica Palermo, um dos 6.000 cientistas argentinos que assinaram documentos de apoio a Scioli. “Macri fez bem em instalar a agenda da mudança, parece que melhorará o que temos, mas eu fico aterrorizado”, opina Palermo, que durante o kircherismo conseguiu se tornar pesquisador.
Nos corredores de outra das novas universidades, a de Avellaneda, jovens kirchneristas, que ali são maioria, distribuem propaganda a outros que votaram no primeiro turno na esquerda ou no progressismo. Tentam convencê-los. Mas não vão persuadir Susana, uma estudante de 26 anos que prefere não se identificar com seu nome e sobrenome reais porque é muito crítica em relação a sua universidade. Ela votou em Macri no primeiro turno e repetirá o voto no segundo. “Estudo aqui desde 2011 e estou cheia dessa lavagem cerebral. Há professores e funcionários escolhidos a dedo”, opina Susana. “Os kirchneristas querem instalar o medo de que a universidade vai fechar se Macri ganhar, mas ele não vai colocar as pessoas umas contra as outras, talvez mude um ou outro”, afirma ela, cuja mãe, docente, ficou desempregada na crise de 2011. Mas ela não tem nada a agradecer aos Kirchner: “Cristina é autoritária, soberba e só fala para seu pessoal. Em vez de dar ajuda social, deveria dar trabalho. O peronismo é olhar para trás. Macri, porém, tem uma visão mais moderna, que se vê no Metrobús e nas obras que faz. O fato de ter sido empresário lhe dá outra cabeça. Não entendo por que têm medo.”
Em uma aula da disciplina de jornalismo internacional da Universidad de Avellaneda, os alunos debatem sobre o fenômeno de seus conhecidos que votam em Macri. “Há jovens que não viveram os anos 90, mas seus pais sim, e no entanto todos votam pela mudança. Esquecem do que foi conquistado, e agora contam quantas vezes Cristina fala em rede nacional. Dizem que compraram um carro, mas não pensam em que contexto político isso se deu”, opina Luciano Vildozola. “Nos afastamos da sociedade. Antes as pessoas reclamavam do preço da carne e agora passamos a discutir política”, afirma Facundo Moro. “À minha volta muitos votaram em Macri por causa do comportamento de Cristina, porque é muito veemente. Eles acreditam que os eleitores kirchneristas só votam em função da ajuda social, mas estão tão enganados quanto os que acreditam que os de Macri são todos oligarcas”, analisa Marco Faccone. Nestas aulas, o partido PRO carece de um grupo que concorra às eleições ao centro acadêmico. Mas têm eleitores anônimos que fazem parte da mudança inesperada da sociedade argentina.
Eduardo Cunha e o impeachment a qualquer preço
Elmar Bones.
Foi sua estratégia de “impeachment a qualquer preço” que levou a oposição a abraçar Eduardo Cunha, mesmo sabendo os riscos que ele representava.
Cunha tinha mais de 200 deputados na mão e suficiente falta de escrúpulos para avalizar um “golpe paraguaio” para derrubar Dilma.
A vanguarda midiática, ao silenciar sobre o passado de Cunha, chancelou a manobra.
Em pouco tempo, Eduardo Cunha era o novo herói da moralidade, a encurralar o governo em votações decisivas.
Não fora um delator, esse novo herói dos nossos dias, Cunha teria seguido adiante, e estaria na linha de sucessão em caso de queda de Dilma. Fernando Baiano revelou a propina em conta externa, os procuradores suíços completaram o serviço.
Agora Cunha é um cadáver politico e a oposição tenta se desvencilhar dele. Cunha sabe que está perdido, mas vai lutar até o fim para desespero de seus ex-aliados, que gostariam de virar rapidamente esta página.
Não vai ser fácil recuperar-se desse desastrado episódio, que torna o impeachment quase uma miragem.
Rio Doce pode levar um século para se recuperar
São imensuráveis os prejuízos decorrentes do desastre provocado pela Samarco: ambientais, sociais, econômicos.
O trajeto da lama de rejeitos de mineração da Samarco, que percorreu cerca de 600 dos 853 quilômetros do leito do rio Doce até chegar ao mar, interrompeu o abastecimento de água em municípios de Minas Gerais e Espírito Santo.
Ainda é cedo para afirmar quanto tempo levará a revitalização do Rio Doce, o maior do Sudeste brasileiro. Talvez leve pelo menos um século, apontam as primeiras projeções. Talvez nunca volte a ser o que foi.
Os rios afluentes da calha principal, trazendo água limpa, com o tempo empurrarão a lama para o oceano, mas muitos rejeitos aderiram ao fundo. Além disso, há três reservas marinhas naquela área.
Comunidade e ambientalistas se unem em ações para tentar salvar o que conseguiu resistir à tragédia. “Os afluentes representarão as áreas de onde será iniciada a recolonização da calha principal. Isso deverá ser ainda mais importante nas regiões mais próximas do local do acidente, onde, possivelmente, a fauna de peixes foi severamente afetada”, avaliou o biólogo Fábio Vieira, um dos maiores especialistas na ictiofauna da Bacia do Rio Doce, em entrevista ao jornal Estado de Minas.
Torres projetadas para o Cais Mauá terão 28, 25 e 14 andares
Naira Hofmeister
Apesar de ter índice construtivo para erguer torres com 100 metros de altura na área das docas, o consórcio vencedor da licitação para revitalizar o Cais Mauá não deve utilizar a totalidade do índice nas três torres que planeja construir.
Segundo a assessoria de imprensa do empreendimento, serão 28, 25 e 14 andares em cada uma – porém, não há confirmação da altura em metros porque o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) ainda não foi encaminhado à prefeitura municipal.
Leia mais: JÁ aposta em financiamento coletivo para viabilizar edição sobre Cais Mauá
Sabe-se apenas que “a metragem mais alta é de 100 metros”. Ou seja, pelo menos uma das torres utilizará a totalidade da altura permitida. O Plano Diretor de Porto Alegre estabelece que as edificações na cidade terão, no máximo, 52 metros de altura, porém, o projeto do Cais obteve permissão da Câmara Municipal para ampliar esse limite.
O cálculo utilizado usualmente no mercado imobiliário é que cada andar mede entre 2,5 e 3 metros, porém, no caso do Cais Mauá, essa média na torre de 28 andares daria 3,5 – pelo que se pode deduzir que o segundo edifício terá cerca de 89 metros de altura e o terceiro, 50 metros.
No EIA-Rima do empreendimento, as imagens ilustrativas mostram a disposição dos três novos edifícios. As docas são a região mais próxima à rodoviária – a parte norte do empreendimento. Segundo a ilustração, o mais alto dos edifícios estaria sozinho no terreno e seria a construção mais ao sul das três. Os outros dois dividiriam o terreno da chamada “doca 2”.
Ainda segundo o documento, a projeção quando de sua elaboração, era que o edifício mais alto tivesse 24 andares, o segundo 23 e o menor, 10.
A terceira doca, ainda mais ao norte, abrigará a praça Edgar Schneider, que tem cerca de 4 mil m² e será recuperada, além do edifício do antigo Frigorífico do Porto, que é tombado, será restaurado e transformado em centro de eventos.Cinquenta mil mulheres negras marcham por seus direitos e imprensa ignora
Vera Daisy Barcellos
Cinquenta mil mulheres negras estiveram, na quarta-feira (18) sob o sol forte de Brasília, participando da Marcha Nacional de Mulheres Negras 2015: Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver.
E fizeram história. Ao longo tempo que virá, todas serão protagonistas de estudos que apontarão o significado social e político desta marcha no cenário deste país minado por uma crise institucional.
A estimativa numérica é das participantes do evento, referendada pela observação de alguns policiais militares que acompanhavam o desenvolvimento da marcha cuidando do trânsito. Um portal, campeão de “likes”, só enxergou quatro mil mulheres (e o evento já estava com mais três horas de duração).
Mas enfim, o ponto alto da manifestação (mesmo com tiros de um fascista) foi a chegada à Praça dos Três Poderes, no Eixo Monumental, e a entrega da plataforma contemplando reivindicações históricas da população feminina brasileira negra – 49 milhões – à presidenta da República, Dilma Rousseff, propondo um novo modelo de desenvolvimento que pense a vida em sua integralidade, intensifique a defesa dos direitos humanos e a redescoberta da preservação da natureza.
Percebo que a mídia tradicional, para não deixar de ser diferente, não fez a devida cobertura. Ou seja, confirmou a invisibilidade das mulheres negras nos meios de comunicação. Para não dizer que não houve divulgação, o jornal da noite de uma das principais redes de TV, entre outros, minimizou este histórico movimento das mulheres negras, dizendo que durante a “passeata” houve confronto entre as manifestantes da marcha e os manifestantes contrários à presidenta Dilma no gramado do Congresso Nacional.
Ou seja, a Marcha das Mulheres Negras, visível por rápidos segundos, serviu de pano de fundo para o noticiário que dominou as reportagens das emissoras de rádio e TVs do dia de ontem, sobre quem havia autorizado o acampamento no gramado daqueles que são a favor de uma intervenção militar no país.
Zapeei por diferentes canais televisivos e nada que mostrasse o que eu havia vivenciado intensivamente. Graças aos celulares da mulherada, a marcha esteve em tempo real nas redes sociais.
O Núcleo dos Jornalistas Afrobrasileiros do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, mais o Fórum Livre de Mulheres Negras, do qual também faço parte, e outras representações feministas e de mulheres gaúchas assinaram presença.
Simbolizaram mais de 600 mil mulheres negras gaúchas jovens, adultas, heterossexuais, lésbicas, idosas, meninas, com deficiência, quilombolas, agricultoras, privadas de liberdade, adeptas de diferentes cultos e religiões.
Em todo o percurso, as vozes ressonantes das participantes reforçaram a denúncia do persistente racismo e machismo que afetam sensivelmente as mulheres negras e a juventude negra.
E no contexto do bem-viver, colocaram novas formas de organização social e política, busca um novo modelo de desenvolvimento pensando a vida em sua integralidade, na intensa defesa dos direitos humanos e na redescoberta da preservação da natureza.
Porque as mulheres negras marcharam
Para denunciar o crescimento dos assassinatos das mulheres negras. E pelas inúmeras mortes por abortos clandestinos;
Pela garantia de atendimento e acesso à saúde de qualidade às mulheres negras e pela penalização da discriminação racial e sexual nos atendimentos dos serviços públicos;
Para protestar contra o processo educacional que amplia gradativamente a distância entre brancas e negras, conforme o aumento da escolaridade;
Pelo fim do racismo e sexismo produzidos no noticiário do jornais impressos e televisivos que promovem a violência simbólica e física contra as mulheres negras;
Pela titulação e garantia das terras quilombolas, especialmente em nome das mulheres negras;
Pelo fim do desrespeito religioso e pela garantia da reprodução cultural de nossas práticas ancestrais de matriz africana;
Pela nossa participação efetiva na vida pública;
Pelo direito às cidades, luta das mulheres negras urbanas que também buscam empoderamento político e social.Consciência Negra tem duas marchas hoje em Porto Alegre
O dia 20 de novembro é um marco da luta e da conscientização do povo negro no Brasil. A data foi lançada na década de 1970 pelo grupo Palmares, formado em Porto Alegre por jovens negros, entre eles o poeta Oliveira Silveira. O 20 de novembro marca o dia da morte de Zumbi, em 1695, e foi escolhido em lugar do 13 de maio, que remete à assinatura da Lei Áurea, em 1888.
Este ano, Porto Alegre terá duas marchas, ambas com concentração marcada para as 17h. A 9ª Marcha Estadual Zumbi dos Palmares parte do Largo Glênio Peres, às 18h. A caminhada contará com a presença de ritmistas do Estado Maior da Restinga e do bloco Afro Sul Odomodê. O trajeto encerra no Largo Zumbi dos Palmares, onde acontece a programação da 25ª semana da Consciência Negra. No local haverá apresentações dos grupos Três Marias, Grupo Sagrado e Maracatu Truvão.
Paralelamente, acontece a 2ª Marcha Independente Zumbi Dandara, convocada pela Frente Negra Contra o Genocídio do Povo Negro. A saída está marcada para a Praça Garibaldi, na esquina da avenidas Érico Veríssimo e Venâncio Aires. A marca tem entre suas bandeiras a defesa dos territórios negros e indígenas, o combate à violência às mulheres negras e a solidariedade aos imigrantes senegaleses e haitianos no Brasil.Na CPI do Carf, depoentes se calam para "não produzir provas"
O presidente da CPI que investiga o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), criticou hoje o comentário feito na semana passada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, sobre o trabalho das comissões parlamentares de inquérito.
O presidente do STF disse que as investigações em CPIs no Congresso são conduzidas por “amadores”. Para Oliveira, Lewandowski extrapolou suas atribuições ao fazer publicamente juízo de valor a respeito de atividades afetas a outro Poder e lhe fez um apelo: “Atenha-se às suas funções na Suprema Corte”.
“Respeitamos o ministro e pedimos que ele nos respeite”, frisou.
O senador disse que o poder de investigar das CPIs é “bastante limitado” devido ao preceito constitucional que permite aos depoentes não produzir provas contra si mesmos. Na prática, eles se recusam a colaborar.
Foi o caso, nesta quinta-feira, dos depoentes que se recusaram a responder à maior parte das perguntas que lhe foram dirigidas.
José Ricardo da Silva, ex-conselheiro do Carf, também não respondeu questionamentos da CPI / Foto Agência Senado
Na sessão da CPI nesta quinta-feira, foram dois dos principais investigados na Operação Zelotes, da Polícia Federal: o empresário Alexandre Paes dos Santos e o ex-conselheiro do Carf José Ricardo da Silva. Ambos optaram pelo silêncio, para “não produzir provas contra si mesmos”.
Alexandre Paes dos Santos, que atua como lobista de diversas empresas em Brasília e se encontra em prisão preventiva, disse que não tem nenhum interesse em aderir a uma delação premiada.
Entre as poucas declarações que deu na comissão, negou conhecer o empresário Luís Fábio Lula da Silva (filho do ex-presidente Lula) ou que tenha estado alguma vez com o ex-ministro da Casa Civil Gilberto Carvalho. Disse ainda “não ter nada a ver com o Carf”. “Nunca fui nem trabalhei lá”, acrescentou.
O empresário vem sendo investigado por tráfico de influência na edição de medidas provisórias que favoreceram setores como o automotivo.
Para a relatora da CPI, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), “APS” — como Alexandre é mais conhecido — e José Ricardo da Silva atuavam no “centro do esquema de corrupção” existente no Carf. Ambos apresentaram habeas corpus concedidos pelo STF garantindo-lhes o direito de permanecerem calados.
Assim como Alexandre, José Ricardo está detido preventivamente em Brasília devido aos desdobramentos da Operação Zelotes e não manifestou interesse em colaborar com as investigações.
Com base em documentos recebidos pela CPI, o presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira, disse estar convencido de que houve a “venda” de três MPs entre 2009 e 2014.
Ele lamentou que a base do governo tenha barrado a vinda de depoentes que, no seu entender, estariam ligados ao caso e não descarta que seja aberta uma nova CPI no próximo ano para aprofundar as investigações sobre o assunto.Relatório
Em entrevista após a reunião da CPI, a relatora Vanessa Grazziotin informou que estuda propor um novo modelo de funcionamento para o Carf. Seu relatório já deve ser divulgado na semana que vem, dependendo apenas de um acerto final com Ataídes.
Vanessa acredita que já existe hoje um consenso de que “do jeito que está, o Carf não pode ficar”. Ela defende que o órgão funcione apenas com servidores indicados pelo governo, por se tratar de uma instância recursal de caráter administrativo.
Atualmente, o Carf tem paridade, com metade de seus participantes indicados pelas confederações patronais, que representam as empresas privadas.
“Garantindo-se pleno direito de defesa ao contribuinte, é claro. Mas vale lembrar que daí pra frente, se for o caso, o contribuinte tem pleno direito de contestar na esfera judicial”, afirmou a senadora. “O caso do Carf apresenta desvios de recursos públicos num âmbito bem superior à da Lava-Jato”.
Disse também não estar convencida quanto à conveniência da proposta de Ataídes Oliveira de tornar obrigatório o preenchimento de todas as vagas do Carf por concurso público. Ela considera crucial ainda que no novo modelo de gestão da instituição sejam definidos prazos claros de julgamento para todos os processos em análise.
(Com informações da Agência Senado)

