Autor: da Redação

  • Esperar não é saber. É anomia mesmo.

    Enio Squeff
     “Quem disser que sabe o que está acontecendo no Brasil, está no mínimo mal informado” (Paulo Totti, jornalista)
    De meu querido amigo, Bernardo Kucinsky, há dias:” Sempre pensei que fosse difícil ser judeu, mas estou me dando conta de que hoje é mais difícil ser brasileiro”.
    Bernardo não se referia apenas aos percalços de um país violento – 40 mil assassínios por ano – ou à completa submissão da grande imprensa aos partidos de oposição  ou mesmo à parcialidade do Judiciário, que só vê os crimes do PT e trata de esconder os dos partidos que são contra o governo – mas ao sentido de uma palavra que parece definir a situação do Brasil como um todo – a anomia. O termo que define a uma contingência, principalmente do Estado, que seria desprovido de leis e de regras – nomearia à feição um país entalado por um certo tipo de anarquia, uma proverbial falta de regras. A anomia, no entender não só do Bernardo, seria tanto do governo que, passado um ano, não disse ao que veio; quanto da oposição que só tem como programa, para o país, um país imenso e complexo como o Brasil, o impeachment da presidente.
    Melhor definição parece, de fato, muito difícil. Anomia.
    De um lado, há um Judiciário na pessoa de um juiz, Sérgio Moro, que só vê e procura os crimes do Partido do Trabalhadores, nada de isenção. Mas não está só. Tem como se fiel avalista, um ministro do STF, Teori Zavascky que, parece  decidido a eliminar o  instituto do Habeas Corpus no País. Ambos, com o Ministério Público  a comandar – e não ministro da Justiça – uma Polícia Federal entregue às feras antipetistas; e agindo como tal.
    Anomia, de fato. Pois, no Planalto, há uma presidente a quem certamente falta aidéia do que venha a ser governar uma nação que está, queiram ou não, entre as grandes potências. Ou perdemos a posição entre  as dez maiores economias?.
    Anomia, esta a palavra. E não deixa de ser um perigo, por favor: onde a política se desmantela, a aparente ausência de política das ditaduras – o governo de um homem só ou de um Judiciário digamos ( não custa pensar em todas as possibilidades), passa a ser um tema bastante palatável para parte de uma sociedade cada vez mais despolitizada. Só que,  de política, como não é novidade, alguns membros do Judiciário sabem muito bem o que seja. E de como praticá-la.
    Beethoven definia a anomia da Áustria de seu tempo com uma única frase “enquanto os austríacos tiverem salsicha e cerveja, eles jamais farão a revolução”. Trocando a cerveja por cachaça, talvez, mesmo assim, não definamos a sociedade brasileira atual.
    E aí entra todo o imbroglio.
    Para o professor de direito constitucional da PUC, de São Paulo, Pedro Estevão Serrano, a idéia da anomia é perfeita: desde que se a considere como ausência de “normas”, ela atinge todos os setores da sociedade brasileira. A expressão, de fato, aplica-se a um extenso leque que vai das arbitrariedades da Polícia, ao Judiciário, mas não de forma menos nociva, ao parlamento brasileiro e à mídia.
    A leniência da oposição – e não menos dos grandes jornais e televisões – com umhomem como Eduardo Cunha – que comprovadamente ( não é uma hipótese) tem contas na Suíça, conta não declarada às autoridades, prescinde da cautela nas acusações. Pode-se supor que não  seja condenado – mas o “in dubio pro reo” sóse lhe aplica na teoria, ao ser submetido a julgamento. Que existe o crime e o cadáver, disso não há dúvida.
    A anomia da justiça brasileira, a propósito, não é uma hipótese, já que a notoriedade da perseguição escancarada a cidadãos como o presidente Lula, está longe de ser uma exceção, ou um procedimento extemporâneo.
    Não obstante, tudo mais é invocada como um mantra para que o presidente da Câmara seja poupado de “pré-julgamentos”. Como se seu crime não estivesse comprovado.
    Ele tem contas não declaradas ao fisco brasileiro, mas sobretudo negadas por ele perante o Congresso. Ponto. Enquanto isso. porém, cabe aos filhos do ex-presidente Lula – e às noras também – comprovarem que não são criminosos.
    Anomia, mas principalmente da mídia.
    O governador Geraldo Alkmin, de São Paulo, certamente é o único na longa listade governantes paulistas que em vez de abrir escolas, as está fechando. Existe algo parecido na história da educação no Brasil ou de São Paulo?
    Nem como fantasia do mais destrambelhado opositor do PSDB. Apesar disso, muito dificilmente se lê  ou se vêem quaisquer notícias ou comentários na televisão brasileira – incluindo-se as que não estão subordinadas ao governo paulista, como a TV Brasil. Aliás, calcula-se que a TV Brasil faça de tudo para não ser acusada de “chapa branca” por defender Dilma Rousseff; e, de fato, diga-se, a TV estatal federal não tem dado razões para que a acusem de parcialidade (embora se lhe possa invectivar por não ser minimamente competente). Em compensação, não existe nada tão tucanamente parcial quanto a TV Cultura de São Paulo. Trata-se de uma instituição estatal, não é mesmo? Ou seja, não é uma propriedade particular, ou de um governo, é uma instituição do Estado – teoricamente de todos os segmentos políticos, da oposição à situação. É isso mesmo, mas ela age e existe como TV de propriedade do governo do PSDB. Nada do que se veicula em matéria de política na Fundação Padre Anchieta – não existe opinião petista na TV Cultura – pode sequer ser sonhada como “independente”.
    Talvez seja difícil elencar, em suma, todas as notícias que saem em quase todosos jornais e revistas que acusam, sem provas, o ex-presidente Lula, e seus familiares de estarem envolvidos em corrupção.
    Seria uma anomalia, uma anomia às avessas, digamos, que houvesse um desmentido, ou uma retificação.
    Ora, com tudo isso, talvez seja muito pedir à imprensa, ou a Oposição – que até agora parecem ignorar a sua proximidade indecente com Eduardo Cunha – que reconsiderem seu oposicionismo enlouquecido; cabe, contudo, à sociedade que divise aonde chegamos e aonde podemos ir. Pois há alguns sinais positivos, de um mínimo de governabilidade, digamos. A imprensa não se demorou muito – compreensivelmente pode-se considerar- sobre a demissão do general comandante do Terceiro Exército. É a primeira vez que isso acontece desde a ditadura. Mas não foi só por ter feito críticas à presidente que o general Antônio Hamilton Martins foi desfenestrado de seu alto cargo. Coube-lhe a façanha incrível de considerar o recentemente falecido coronel Brilhante Ulstra – justamente a vergonha das Forças Armadas que não precisa de exaltar torturadores  – como herói. De um exército que teve Caxias, Tupy Caldas, Osório, ou o marechal Rondon e uma infinidade de outros nomes – esses sim, autênticos homens de bem – dispensa-se que se o macule com homens, como o tal coronel, cuja grande façanha foi a de ter torturado e matado presos políticos. Um monstro. Ou seja, o general que o elogiou, foi exemplarmente punido também por querer emascular as Forças Armadas – notícia mais que bastante para ser execrado e discutido. Apesar disso, como não logrou reunir as forças golpistas, nos quais se incluem obviamente a imprensa, grande parte do Judiciário e do Parlamento – o que se viu foi um constrangido silêncio. Quem militou na mídia nos últimos trinta anos, sabe bem o que eu quero dizer.  A anomia de que fala o Bernardo Kucinsky é não só a aceitação de que se pode conviver com a falta de normas, mas de que se a pode exaltar e, quem sabe, a incrementar. Então passa a ser aceitável que José Dirceu esteja na cadeia por suposições de que o dinheiro que ele declarou ao fisco e que constava de suas contas públicas, sejam frutos de “propina”(sic), mas que se garanta impunidade a, no mínimo, um mentiroso escancarado, que sempre negou ter contas na Suíça, como Eduardo Cunha.
    Cinismo, sobre cinismo – e pior – coletivo. Foi assim na Alemanha, quando o cheiro de churrasco humano se espalhava ao redor de Auschwitz e de Buchenwald. A classe média alemã e suas elites, faziam que era mesmo de outras carnes que não humanas, os eflúvios que exalavam dos fornos crematórios dos campos de concentração. Exagero?
    Como diz o também judeu americano Noam Chomsky, de um povo como o alemão que deu Beethoven, Goethe e Einstein, a última coisa que se esperava é que aderisse à barbárie nazista. Entretanto, a propaganda como epifenômeno da anomia, sempre dá frutos. E na Alemanha culta – um dos momentos mais importantes da cultura ocidental – ela não só deu, mas exceleu. Não se espere, finalmente, que a anomia em que vivemos – culpa também expressa de uma mandatária como a presidente Dilma sobre a qual não se pode dizer qualquer coisa como competente – não possa redundar em crimes hediondos, sob a chancela da Justiça com a plena aquiescência do Parlamento. E de grande parte da população. Basta aceitar que a ausência de normas seja razoável em nome de uma indignação seletiva. O resto, o ódio constrói por si. Por isso a maioridade penal, a flexibilização das leis trabalhistas, o fim dos direitos femininos em nome da religião, o retrocesso na demarcação das terras indígenas, e por aí afora; todos devidamente votados pela Câmara comandada por um réu.
    A existência das bancadas da Bala, da Bíblia e do Boi no Congresso são a conseqüência direta da malfadada anomia. E não se espere que desse ovo nasçam cisnes e não víboras.
    Do ventre da sociedade construída pelo “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda está se vendo morrerem milhares de pessoas assassinadas – com a participação mais que especial das polícias civis e militares do País.
    A aceitarmos passivamente as mazelas da atual anomia – com a indiferença não só dos três – mas também do chamado “quarto poder”(a mídia) – pode sobrevir sim, o dilúvio, como dizia Luis XV sobre a França pré- revolucionário ( “Aprés moi le déluge”).
    Thomas Carlyle, a propósito, um dos grandes historiadores da Revolução Francesa, nunca usou qualquer coisa parecida com a palavra “anomia”para descrever os antecedentes do que resultaram na queda da monarquia na França.
    Mas pesquisou as causas da revolução e não encontrou mais fome, ou iniqüidades sociais nos anos que a antecederam, do que nos séculos anteriores ao da França que se levantou em 1789.
    Pode-se dizer, do Brasil, que não vivemos o pior dos mundos. Mas a anomia podeser, quem sabe, justamente isso.
    Esperar, de novo, não é saber. É anomia mesmo.

  • Senador da Rede tenta atrair Simon e Paim

    Nesta sexta-feira, 6,  o senador Randolfe Rodrigues, eleito pelo PSOL do Amapá, formaliza em seu Estado o lançamento da Rede Sustentabilidade, o partido recém-criado sob a liderança de Marina Silva. Ele será o primeiro senador da Rede, que tem também cinco deputados federais.
    Desde  que anunciou a troca de partido, em outubro passado, Randolfe Rodrigues mantém  conversações com o ex-senador Pedro Simon, dissidente do PMDB e o senador Paulo Paim, em conflito no PT. Ele garante que os dois consideram a possibilidade  de ir para a Rede. “Paim me diz que tomará uma decisão até o fim do ano. Simon prometeu ir ao nosso Congresso Nacional… Quem sabe?”.
    Segundo informação da assessoria do Senador, Paulo Paim estará no Amapá no evento de hoje.
    Nesta entrevista ao JÁ, Rodolfo Rodrigues explica porque considera a Rede uma saída para a esquerda que se frustrou com o PT:
    Por que o sr.  deixou o PSOL?
    A relação no PSOL já estava deteriorada há algum tempo, desde minha renúncia à candidatura presidencial… perdi um bom relacionamento com a  direção partidária e comecei a ser visto com um tanto de desconfiança. Não estava em paz. A gota d’água foi este ano, quando tentei ser presidente do diretório estadual do Amapá e houve um veto.Segundo uns o veto era da direção estadual, segundo outros era da direção nacional. Pensei: nenhum dos dois me quer. Mas não tinha para onde ir… até que surgiu a Rede.
    A Rede apoiou Aécio na eleição de 2014. Qual é sua expectativa, agora?
    A Rede, embora eu entenda que a decisão da Marina, de apoiar o Aécio no segundo turno da eleição passada, foi errada, a Rede é um projeto em formação. E foi esse fator que alimentou as conversas de um grupo de militantes de esquerda, Heloisa Helena, já antes disso, Alessandro Molon e um grupo deslocados no PSOL… pensamos que se tivesse um contingente do pólo progressista, desse perfil, que se deslocasse para a Rede, poderia contribuir para aglutinar essas forças da esquerda democrática hoje dispersas.
    Um abrigo para a esquerda desamparada?
    Acho que estamos vivendo um dos períodos de maior defensiva para as forças progressistas do país. A derrota do PT enquanto projeto político não é uma derrota qualquer, leva boa parte da esquerda para o naufrágio… e há um espaço a ser ocupado. São milhares e milhares de militantes que não veem mais o PT como alternativa, “o maior partido de esquerda do ocidente”… esse espaço poderia ter sido ocupado pelo PSOL, mas o partido tem perdido oportunidade de ocupar. A Rede se concretizando como campo democrático popular progressista, amplo… pode ser legatária desse patrimônio.
    O que houve com o PSOL, a seu ver?
    O PSOL é uma experiênciua de dez anos. Já era para ter ocupado esse espaço. A deterioração do PT vem desde 2005, com o escândalo do “mensalão”. De lá para  cá já se sucederam duas eleições presidenciais. O PSOL tinha um espaço enorme para galvanizar o campo progressista, só que o PSOL resolveu… Fico desconfortável ao falar isso, é igual ex-marido falando da mulher, mas essa análise é inevitável… Se o PSOL tivese se aberto mais à conjuntura… Marina, por exemplo, já em  2010 poderia ter se filiado ao partido. Heloisa Helena, que teve um desempenho formidável, teve 7% do eleitorado em 2006, não poderia ter sido alijada das instâncias de decisões partidárias, como foi. O PSOL teve dois pecados:  um pouco de autofagia sobre de suas principais lideranças, Heloisa é o caso mais clássico… e não entendeu que estava em curso uma ofensiva conservadora, que o partido tinha que ser mais amplo no sentido de abrigar no seu conjunto não só aqueles que se  reinvindicassem socialistas, mas também setores democráticos. Faltou amadurecimento para isso.
    Para se abrir?
    Qualquer experiência de esquerda democrática progressista no Brasil fracassará se for uma alternativa política, um guarda-chuva, um abrigo, só para aqueles que se declararam comunistas e socialistas. Estes são poucos na sociedade brasileira. Uma experiência de esquerda democrática progressista, tem que se abrir também para outros campos democráticos.
    Tem que ser uma frente, necessariamente?
    Tem que ser necessariamente mais amplo, como foi o PT. Só que o PT como alternativa fracassou. Tem que ser mais amplo. Qual a novidade da Rede? Ela incorpora ao conceito de esquerda democrática um ingrediante a mais, que é a sustentabilidade. Um ingrediente indispensável, a ser incorporado pela esquerda do século 21.
    A esquerda tende a se fragmentar?
    A queda do PT ocasiona dois fenômenos: uma ofensiva conservadora, em parte alimentada por aqueles que nos anos de crédito fácil de governos do PT ascenderam à classe média e hoje se sentem traídos. E de outro lado uma esquerda mais estreita e mais  sectária. Na verdade, 14 anos após a subida do PT, temos o fechamento de um ciclo. Momento ideal para o surgimento de uma alternativa entre os dois extremo, ampla…
    Sobre Paim e Simon:     
    “São dos poucos com quem tenho insistido. Paim, não vejo pelo PT em 2018.  Para onde ele vai? Alternativa nenhuma reúne melhores condições do que a Rede para abrigá-lo. Ele me disse que tomará a decisão até o fim do ano. Simon, estive com ele e o convidei para o lançamento da Rede, disse que estaria lá comigo. Simon já é membro do Conselho de Notáveis”.
     

  • Ministério Público projeta torres quadrigêmeas em área administrativa

    Naira Hofmeister
    As famosas “Torres Gêmeas” que abrigam a sede central do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), na área administrativa de Porto Alegre – quase às margens do Guaíba, na altura da rótula das Cuias – ganharão duas novas irmãs em breve.
    Está tramitando na Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb) o projeto de ampliação da sede da instituição, que se estenderá ao longo do terreno vizinho, na avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, nº 100.
    “Acreditamos que em quatro ou cinco anos estejam prontas”, calcula o coordenador da Divisão de Arquitetura e Engenharia do MP-RS, Hugo Gino Pasquini, um dos autores do projeto.
    A nova construção se assemelhará esteticamente às atuais “Torres Gêmeas”: também será dividida em dois espigões e terá ainda um volume adicional lateral, pouco menor que as torres e coberto por um gramado.
    A diferença está na altura dos dois prédios principais, que terão 56 metros, ou o equivalente a 20 andares. É mais do que prevê o Plano Diretor de Porto Alegre, que limita as construções na cidade em 52 metros (18 andares).

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    Edifício terá altura total de 56 metros, quatro a mais do que o limite máximo da cidade | Reprodução

    “O terreno está na chamada área de interesse institucional, para o qual não há regime urbanístico definido pela lei municipal. Por isso as diretrizes precisam ser dadas pelo Conselho Municipal do Plano Diretor”, explica a funcionária da Smurb Sandra Laufer.
    O projeto prevê 618 vagas para automóveis. Originalmente eram 474, porém, a Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC) solicitou aos projetistas que aumentassem o tamanho do estacionamento, que ocupará os primeiros três pavimentos da construção – não haverá subsolo, para evitar problemas com inundações.
    conselheiros criticam DIMENSÕES

    Conselheiros Anadir (e) e Alan (c) questionam construção | Naira Hofmeister/JÁ
    Conselheiros Anadir (e) e Alan (c) questionam construção | Naira Hofmeister/JÁ

    Conforme a justificativa da arquiteta da prefeitura Sandra Laufer, o projeto está na pauta do Conselho Municipal do Plano Diretor – e alguns dos integrantes do colegiado se mostram bastante preocupados com as proporções da edificação.
    “Me surpreende que o Ministério Público, a quem sempre recorremos nas lutas para que se respeite a harmonia paisagística da cidade, proponha um projeto que não incorpore este aspecto”, condenou a conselheira da Região de Planejamento 6 (RP6), Anadir Alba.
    O representante da RP1 – que inclui o bairro Praia de Belas, onde será construído o edifício – Alan Furlan, teme o impacto da obra no “skyline” da cidade. “Quem vem para o Centro Histórico da Zona Sul não enxergará mais o edifício do Centro Administrativo, que é um símbolo da cidade. Vai ver só um paredão”, alerta.
    Já o conselheiro Alceu Rosa da Silva, que ocupa a cadeira destinada ao Orçamento Participativo no colegiado criticou a falta de compensações para a sociedade. “O aumento no número de vagas é apara atendimento de quem está lá dentro do Ministério Público. Ao povo, não é oferecido estacionamento”, alfinetou – ao que a arquiteta do MP Daiane Gomes respondeu dizendo que as vagas serão disponibilizadas para qualquer cidadão em atendimento na instituição.
    Impermeabilização DO SOLO preocupa
    O projeto de ampliação da sede do MP-RS foi pensado para otimizar ao máximo a ocupação do terreno onde será construído. Por isso, ao invés de serem construídos três prédios separados, eles formarão em um único volume – assim é possível compartilhar áreas comuns de circulação como corredores e sanitários, por exemplo, e sobra mais espaço para os escritórios.
    É pela mesma razão que a edificação vai ocupar quase que a totalidade do terreno onde será erguida, o que também é motivo de questionamento por parte de alguns conselheiros do Plano Diretor.
    Hoje o local abriga um estacionamento, mas o solo é todo permeável, ou seja, consegue absorver água com facilidade. Ao construir utilizando o máximo de aproveitamento do terreno, o Ministério Público irá impermeabilizar essa área, dificultando o escoamento em caso de chuvas, por exemplo.
    “Para cumprir a legislação no que se refere à área vegetada obrigatória farão um terraço verde. Só que não tem a mesma capacidade de absorção que um jardim”, compara Alan Furlan.
    Os arquitetos responsáveis pelo projeto contra-argumentam mostrando o lado positivo do terraço: segundo a lei, se o construtor optar por este tipo de área vegetada a extensão mínima precisa ser duplicada em relação ao que seria obrigatório caso fosse feito um jardim tradicional.
    elevar altura pode ser saída
    A sugestão dos conselheiros para mitigar tanto o impacto visual da obra na paisagem da região, e também deixar mais terreno livre de concreto para absorção das águas das chuvas foi aumentar a ainda mais a altura dos edifícios – o que, inclusive foi chancelado pelo secretário municipal de Urbanismo, Valter Nagelstein.
    Os representantes da população elencaram uma série de diligências sobre o projeto e pretendem solicitar medidas compensatórias de grande vulto para justificar a edificação – entre elas, recursos para a revitalização do Viaduto Otávio Rocha ou para a qualificação do sistema de drenagem do Parque da Redenção.
    Tribunal de Justiça e PGE também VÃO CONSTRUIR

    Construções deverão impermeabilizar maior parte da quadra | Reprodução
    Construções deverão impermeabilizar maior parte da quadra | Reprodução

    O “paredão”, como se referem alguns conselheiros do Plano Diretor ao novo projeto do MP-RS vai se estender muito além do terreno de número 100 da avenida Aureliano de Figueiredo Pinto.
    Ao lado do terreno onde serão construídas as novas torres da instituição, uma área grande está destinada à Procuradoria Geral do Estado (PGE), que sonha em construir no local sua sede definitiva – hoje o órgão estadual está dividido entre o prédio do Daer, na entrada da cidade, e o Centro Administrativo.
    A situação financeira porém, não ajuda e não há nenhuma perspectiva de construção num futuro próximo.
    Não é o caso do prédio anexo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), que ocupará o terceiro terreno atualmente livre na quadra, quase na esquina com a Borges de Medeiros, onde está a sede administrativa da instituição.
    A ampliação do TJ-RS já está em andamento, com as fundações do novo edifício sendo executadas. Serão 17 pavimentos – sendo três de subsolo – e 985 vagas de estacionamento. A previsão é que esteja concluído no início de 2019 e o valor total do investimento é de R$ 151,3 milhões.

  • Muro do Julinho desaba

    Parte do muro lateral do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, desabou em torno do meio dia desta quinta-feira, 5. Um pedaço de aproximadamente de 40 metros do muro do estacionamento desabou sobre a calçada da rua Laurindo. Moradores comentam que o muro já estava torto há muito tempo e que as árvores do lado de dentro estavam apoiadas sobre ele, além de terem as raízes muito próximas à base.
    O porteiro do prédio em frente, João Moisés Santos, viu o momento da queda. “Deu um estrondo muito forte, parecia uma explosão. Os moradores do prédio chegaram a descer pra ver do que se tratava”, conta João. “A sorte é que é um dia de chuva, se tivesse sol, provavelmente teria alguém passando.”

    João viu o momento em que o muro caiu: "parecia uma explosão"
    João viu o momento em que o muro caiu: “parecia uma explosão”

    Ninguém ficou ferido, apesar de o incidente ter ocorrido no horário de saída das escolas. Além do Júlio de Castilhos, o local é caminho de passagem dos alunos do Centro Municipal de Educação do Trabalhador Paulo Freire, localizado no encontro das ruas Laurindo e Santa Terezinha.
    O vice-diretor do Julinho, Sérgio Rovan Ozório, afirmou que as atividades seguirão normalmente. Ainda não foi definido como será feita a segurança, já que o buraco permite o livre acesso à escola. Ozório disse que não há verba disponível e o reparo do muro depende da Secretaria de Educação. Segundo ele, o colégio recebe apenas uma verba para manutenção, que já estaria atrasada há três meses “recebemos a parcela de julho em setembro”. (Matheus Chaparini)

  • RGE promete energia mais estável em 2016

    A Rio Grande Energia (RGE) começou a construir duas subestações e uma linha de transmissão em Júlio de Castilhos (entre Santa Maria e Cruz Alta). Sendo a empresa, o investimento de R$ 16,3 milhões nas três obras de distribuição de energia elétrica beneficiará 17,1 mil clientes na região  central do Estado.
    Com as subestações Júlio de Castilhos 1 e 2, além da linha de transmissão, a RGE pretende deixar o sistema mais confiável e moderno, melhorando a qualidade no fornecimento de energia a partir de maio de 2016.
    As obras também vão melhorar a qualidade do abastecimento do meio rural para as cidades de Tupanciretã e Pinhal Grande, com a instalação de novos alimentadores nas subestações.
    Sobre as obras
    Subestação Júlio de Castilhos 1
    Valor da Obra: R$ 4,3 milhões
    Subestação Júlio de Castilhos 2
    Valor da Obra: R$ 7 milhões
    Linha de Transmissão Júlio de Castilhos
    Valor: R$ 5 milhões
    Números: 16 quilômetros de linha e 44 estruturas metálicas
    Sobre a RGE
    A Rio Grande Energia (RGE) é a distribuidora de energia elétrica da região norte-nordeste do Estado do Rio Grande do Sul. Originada do modelo de concessão pública para distribuição de energia elétrica em 21 de outubro de 1997, a empresa atende 264 municípios gaúchos, o que representa 54% do total de municípios do Estado.
    A área de cobertura da RGE divide-se em duas grandes regionais: a Centro, com sede em Passo Fundo, e a Leste, com sede em Caxias do Sul. São 90.718 km² – 34% do território do Estado. Agrupadas, essas regiões apresentam um dos melhores índices sociais e econômicos do Brasil e também são as responsáveis pelo maior pólo agrícola, pecuário, industrial e turístico do estado.
    Desde 2006 a RGE faz parte integralmente do grupo CPFL Energia, o maior grupo privado do setor elétrico brasileiro.

  • Agressão a feministas: comando da BM abre inquérito

    Está em andamento o inquérito interno determinado pelo comando do 9o Batalhão da Brigada Militar para investigar o ocorrido na Feira Feminista na noite de domingo.
    “Ainda não recebi nenhuma denúncia formal, mas houve denúncia informal e considerei suficiente para abrir o inquérito. Só a abertura já tem mais de 50 páginas, com o material que colhemos nas redes sociais”, disse ao JÁ o tenente-coronel Marcus Vinícius, que assumiu o comando na quinta-feira, três dias antes do fato.
    As chamadas dos vizinhos ao 190, reclamando do barulho, também constam do inquérito. “Ali é uma área residencial e já passava das 23 horas.”
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    O comandante observava, em frente ao Palácio Piratini, a manifestação em solidariedade às mulheres que denunciaram ter sofrido a agressão. “O vídeo que eu vi só mostra correria”.
    Ele não considerou necessário afastar do serviço os policiais já identificados. “Os relatos são contraditórios. O que consegui averiguar até agora foi que foram deslocadas para lá duas guarnições (viaturas)”.
    Uma das peças do inquérito é o testemunho de uma moradora no Facebook, logo após o ocorrido. Ela viu os últimos 20 segundos da confusão: “Da sacada de casa vi as gurias que confraternizavam na Feira do Livro Feminista serem brutalmente agredidas, a feira foi totalmente “dissolvida”. Quando gritei “muito bonito, batendo em mulher” um deles me respondeu “vai à merda, vadia maconheira”. É assim que eles reagem ao questionamento, quando quem questiona é uma mulher. Eu estou em casa, vejo da janela três homens agredindo um monte de gurias, grito com eles e ainda tenho que ouvir um sonoro “vadia maconheira”, e vem me dizer que os agressores são os mesmos responsáveis pela minha segurança?”, escreveu.
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    A ausência de boletim de ocorrência ou outra denúncia formal deve-se ao fato de as vítimas serem do movimento anarquista, que não dialoga com o Estado, seja Polícia Civil ou Ministério Público. São todas muito jovens, estão com medo, não querem dar entrevista e muito menos se identificar.
    Pelo menos quinze organizações pelos direitos das mulheres, além de políticos da oposição ao governo Sartori (que extinguiu a Secretaria das Mulheres criada no governo anterior), participaram do manifesto. Pediam desde uma polícia estadual não militarizada até a cassação de Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara dos Deputados, agora na mira da comissão de ética do Parlamento. Cunha é o autor do PL 5069/13, que dificulta o aborto legal e a venda da “pílula do dia seguinte” mesmo a vítimas de estupro. O PL foi aprovado por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça dia 21 de outubro. Milhares de mulheres protestaram país afora.

    A concentração começou no final da tarde
    A concentração começou no final da tarde

    No ato de ontem, em Porto Alegre, algumas manifestantes usavam lenços para cobrir o rosto, alegando terem sido agredidas e estarem temerosas de retaliações. No final do ato, já quase nove horas da noite, o palácio estava iluminado de cor-de-rosa, em alusão ao “outubro rosa”.
    O prazo para concluir o inquérito é de 40 dias, prorrogáveis por mais 20 dias, o que coincidirá com as festas de Ano Novo.
     

  • Movimentos convocam ato para debater privatização da orla

    Uma dezena de movimentos sociais, ambientalistas e comunitários de Porto Alegre se reúne, nesta sexta-feira (06) para o lançamento oficial do coletivo “A Cidade que Queremos”, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
    No ato, marcado para às 10h na sala Maurício Cardoso, o grupo vai denunciar o que considera a privatização da orla do Guaíba através de projetos que entregam para a exploração imobiliária, áreas às margens do rio que deveriam privilegiar o uso para o lazer.
    “Se trata, na verdade, de edificar a orla, transformando-a em um lucrativo negócio”, explica um manifesto distribuído na abertura da Feira do Livro.
    Entre os projetos que serão abordados, está a revitalização do Cais Mauá, o antigo Pontal do Estaleiro (rebatizado recentemente de Parque do Pontal), as construções na área do Sport Club Internacional e até o projeto do arquiteto curitibano Jaime Lerner para a região do entorno do Gasômetro.
    “É evidente que as contestações técnicas e políticas sobre essas intervenções não são ouvidas pelo poder público”, condena o texto.
    Na oportunidade, os movimentos pretendem debater com os presentes a recente cheia do Guaíba e os possíveis impactos de inundações nesses projetos. Também serão abordados os apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre irregularidades na licitação da obra do Cais Mauá.
    O evento é aberto e faz parte da estratégia do grupo de rearticular o extinto Fórum de Entidades, que participou ativamente do processo de revisão do Plano Diretor de Porto Alegre e teve papel preponderante no episódio do Pontal do Estaleiro, pressionando as autoridades para que se realizasse uma consulta popular sobre o projeto.
    O JÁ possui um projeto de financiamento coletivo para lançar uma edição especial sobre as obras previstas para a orla do Guaíba, com especial ênfase no Cais Mauá. Para doar, basta acessar este link ou escrever para naira.hofmeister@gmail.com.

  • JÁ aposta no financiamento coletivo para viabilizar edição sobre Cais Mauá

    No ano em que completa três décadas de existência, o jornal JÁ lança seu primeiro projeto de financiamento coletivo, cuja proposta é realizar uma investigação profunda sobre a revitalização do Cais Mauá e suas implicações na orla do Guaíba.
    “A orla é área mais importante e valiosa de Porto Alegre, mas hoje o acesso a ela está muito limitado. Queremos propor uma grande discussão sobre as alternativas que existem para devolver esse espaço à população”, justifica o diretor do JÁ, Elmar Bones.
    A proposta é viabilizar uma edição impressa especial sobre o tema, que circulará em dezembro.

    O jornal fez um projeto semelhante em 2008, quando houve um grande debate público sobre a construção do Pontal do Estaleiro – rebatizado recentemente de Parque do Pontal – que culminou com a realização de uma consulta popular. “Nossa edição foi fundamental para esclarecer alguns pontos sobre os quais havia dúvida”, acredita Bones.
    A diferença é que agora a equipe quer viabilizar a publicação através do financiamento coletivo – o crowdfunding. Por isso, o jornal criou um projeto na plataforma Catarse, através do qual é possível realizar doações para viabilizar a edição. “Há uma tendência entre as publicações independentes de se apoiarem mais em seus leitores do que pelos métodos tradicionais de publicidade”, registra o editor.
    E, embora o crowdfunding ainda seja uma ferramenta nova no mercado editorial – especialmente no Rio Grande do Sul –, para o JÁ, esta modalidade de patrocínio se apresentou com naturalidade. Ocorre que a publicação sempre se dedicou à cobertura do noticiário da cidade sob o ponto de vista dos cidadãos, acompanhando as demandas do movimento comunitário da Capital. “É uma evolução dessa relação que sempre tivemos com a cidadania”, explica.
    Metas estendidas permitem aprofundar projeto
    O projeto “Dossiê Cais Mauá” tem 30 dias para arrecadar o valor pretendido – a campanha se encerra no dia 03 de dezembro. São duas metas diferentes: uma mais enxuta, de R$ 9 mil, ativa a produção de reportagens especiais mensais, que começam a ser publicadas no site do JÁ ainda em novembro.
    Mas a ambição da equipe é atingir doações de R$ 17 mil para viabilizar a edição de um jornal impresso que conte toda a história da área, desde os tempos em que ainda era usada como porto até o recente debate sobre sua revitalização.
    Os apoiadores podem doar valores a partir de R$ 10. Além de contribuir com a execução do projeto, quem participar recebe recompensas, como livros e revistas da JÁ Editores, materiais extras especiais sobre o tema – e ainda a possibilidade de participar das reuniões de pauta do projeto.
    Para contribuir é preciso acessar o site http://www.catarse.me/dossiecaismaua. É possível apoiar através do cartão de crédito ou imprimindo um boleto bancário. Para quem não tem muita intimidade com o sistema, a equipe do JÁ também recebe doações em dinheiro ou cheque, que serão devidamente registradas na campanha virtual. Neste caso, é só ligar para (51) 3330.7272 ou escrever para naira.hofmeister@gmail.com.

  • Brigada Militar lança nota sobre agressões na Feira Feminista

    A Brigada Militar lançou uma nota à imprensa, na tarde desta terça-feira, sobre as agressões policiais denunciadas pelas mulheres que participavam da 1ª Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre, na noite do último domingo.
    Confira a íntegra da nota:
    NOTA À IMPRENSA

    A Brigada Militar informa que a ação policial denunciada pelas mulheres participantes da Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre será apurada. Foi instaurado procedimento investigatório para o esclarecimento das denúncias.
    A Instituição tem como missão principal garantir segurança pública e bem-estar à população gaúcha. Sendo assim, a Brigada Militar não compactua com quaisquer atos de violência ou discriminação.

    Att.,
    Comunicação Social da Brigada Militar.

  • Começa a operar o ponto eletrônico na Câmara Municipal

    Entrou em vigor, na manhã desta terça-feira (3/11), o ponto eletrônico na Câmara Municipal de Porto Alegre. Em torno de 730 servidores (entre concursados, cedidos, cargos em comissão e estagiários) terão que registrar diariamente as entradas e saídas, incluindo o intervalo de almoço.
    “Contratamos uma solução completa de gerenciamento do ponto eletrônico, integrada com a folha de pagamento, nos mesmos moldes de outros órgãos públicos municipais da Capital”, ressaltou o presidente Mauro Pinheiro (PT).
    “Além do controle da frequência dos servidores, este sistema universal com biometria e cartão-ponto possibilitará, futuramente, a integração com as formas de acesso ao estacionamento e a outras dependências da Casa”, acrescenta o diretor-geral Luis Berres. (Maurício Macedo/CMPA)