A agressão policial a mulheres, na noite de domingo, foi denunciada em um protesto na Feira do Livro de Porto Alegre, o maior evento cultural da cidade.
Cerca de 300 manifestantes relataram, em uníssono, a agressão policial a um grupo de mulheres na Praça João Paulo I, no bairro Santana, onde estava acontecendo a 1ª Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre, evento paralelo à feira tradicional. https://jornalja.com.br/feira-feminista-acaba-com-violencia-policial/
Pequenos grupos de soldados, usando coletes e até capacetes, guardavam as entradas para os corredores das bancas de livros. A presença policial ostensiva ali mostrou-se desnecessária, pois as manifestantes queriam justamente ocupar os espaços abertos, para denunciar publicamente a violência policial.
O comandante do 9º Batalhão da Brigada Militar, tenente-coronel Marcus Vinicius Gonçalves Oliveira, disse ao jornal Correio do Povo que houve “uso médio” da força para conter a ação de pessoas que investiram contra a tropa. “Mexeu com uma, mexeu com todas!”
Logo após as 17 horas, as manifestantes partiram da praça onde foram agredidas, na avenida Jerônimo de Ornellas, e seguiram pelas avenidas João Pessoa e Salgado Filho. Ao final doa caminhada de cinco quilômetros, chegaram à esquina das ruas Andradas e General Câmara. Ali leram, em uníssono, o seu relato do fato, um texto que também incluía o discurso feminista.
Gritando palavras de ordem e pedindo o fim da polícia militar, seguiram pela Andradas até a Praça da Alfândega, e repetiram o texto, que seria lido ainda mais uma vez, já quase na Praça de Autógrafos.
Ali terminou o protesto, pacificamente, e com grande assistência do público, que fotografava e filmava com os aparelhos de telefone celular. As manifestantes são, na maioria, mulheres jovens, contrárias a convenções, ativistas que não aceitam que seja considerado normal o assédio machista.
O protesto encerrou com um refrão acompanhado por parte do público que foi à Feira do Livro no final do feriadão: “Pisa ligeiro, pisa ligeiro. Quem não pode com formiga, não atiça o formigueiro” As vítimas ainda não fizeram boletim de ocorrência
O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – Comdim Poa, foi das primeiras entidades a manifestar “solidariedade, indignação e repúdio à ação nefasta e covarde da Brigada Militar”. A presidente do Comdim, jornalista Vera Daysi Barcelos, sugere que as feministas agredidas registrem a ocorrência na Polícia Civil, para “tomada urgente de providências”.
Também exige punição o Coletivo Feminino Plural, entidade integrante da Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e do Consócio Nacional de Redes e Organizações para Monitoramento (Cedaw), que participou ativamente, através do seu Ponto de Cultura Feminista Corpo Arte e Expressão, 1a Feira do Livro Feminista Autônoma. “O objetivo desta Feira é difundir a produção cultural e artística feminista, que na maioria das vezes não se insere no mercado editorial. Em razão desse pertencimento na atividade cultural, e por considerar que nenhuma violência contra as mulheres pode ficar impune e deve servir de alerta ao caráter patriarcal e machista da sociedade e do estado brasileiros, vem a público solidarizar-se com aquelas mulheres atacadas na noite de ontem (…) e também denunciar e exigir de autoridades de todos os níveis, providências para a responsabilização dos autores das agressões, policiais militares integrantes da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.”
Patricia Marini
Com uma violência inesperada, a polícia chegou e acabou com a 1a Feira do Livro Feminista de Porto Alegre, que começou dia 30 de outubro para terminar hoje.
Um casal da faixa dos 60 anos de idade desceu do prédio onde mora e começou a discutir com o grupo que estava na Praça João Paulo I, na rua Jerônimo de Ornelas, no bairro Santana, local do evento. O casal acabou apanhando também.
Depois de um dia de debates e oficinas, algumas mulheres continuavam por ali, numa roda de música. Já passava das 11 horas da noite. Segundo várias das presentes, não houve qualquer tentativa de diálogo.
Os relatos dão conta de que chegaram ao mesmo tempo três viaturas da Brigada Militar, das quais os policiais, todos homens, desembarcaram já apontando as armas e empurrando as integrantes do grupo. Questionados, responderam que um morador ligou reclamando de “uivos e tambor”.
Uma moradora do bairro comentou que, quando chamada, a Brigada normalmente demora a aparecer e a alegação dos brigadianos é que existe apenas uma viatura para a ronda preventiva de cinco bairros, do Moinhos de Vento a Santana.
Depois de esvaziar a praça, os policiais ali permaneceram por algum tempo, “festejando” o feito às gargalhadas.
Antecedeu o fato a presença de um homem que passou pela Feira com uma atitude claramente provocativa, usando uma camiseta com os dizeres “Sou machista sim”. A organização do evento diz conhecer a identidade dele, que trabalharia como segurança no shopping Praia de Belas.
A reportagem tentou contato por telefone com o comando de policiamento da capital e com o tenente de plantão do setor responsável pelo despacho de viaturas, mas os quatro números de telefone informados, pela internet e pelo 190, dão sinal de ocupado.
A primeira reação das feministas foi relatar o episódio e lançar um pedido de solidariedade na página do evento na internet. Leia a íntegra: URGENTE! Pedido de solidariedade – Agressão policial durante a FLIFEA
Desde o início da FLIFEA sofremos perseguições e agressões machistas e fascistas, com ameaças, provocações e presenças hostis, que foram constatadas e enfrentadas em cada momento. Mas o que aconteceu nesta noite de domingo (01/11/15) merece uma denúncia específica para apontar a violência estatal que expressa a misoginia institucional que violenta mulheres sistematicamente.
Na noite de domingo estava acontecendo um ensaio artístico, com a presença de em torno de 20 mulheres, e uma viatura chegou com dois policiais que vieram supostamente devido ao barulho. Eles filmaram e intimidaram as mulheres presentes que estavam falando com eles, o que gerou reações de proteção entre as mulheres, como se organizar para ir embora e filmar a situação.
Em seguida chegaram outras viaturas com mais policiais que foram extremamente agressivos e marcadamente racista desde o início e tentaram deter uma de nós de maneira violenta, o que desencadeou uma série de agressões físicas por parte da polícia das quais nove mulheres ficaram feridas, sendo que quatro gravemente e precisaram de atendimento médico.
Muitas agressões aconteceram de maneira simultânea, havendo inclusive policiais que sacaram armas de fogo – um deles sacou uma arma e ameaçou várias de nós dizendo “eu vou queimar você”. Entre as ameaçadas nessa situação, uma das mulheres inclusive avisou que estava grávida, o que não foi relevante para os policiais. Dois moradores que estavam na praça no momento do ocorrido também foram agredido com cacetetes pela polícia.
As mulheres que estavam com celulares foram alvo específico de agressões, e dois celulares foram roubados pelos policiais. Algumas das mulheres que tentavam fugir eram perseguidas e derrubadas e não conseguiam sair das agressões dos policiais, caídas no chão apanhavam com cacetetes e chutes, enquanto outras voltavam pra colocar seus corpos como escudos para tentar protegê-las e tirá-las dali. Essa cena se repetiu sucessivamente, e em meio a espancamentos com cacetetes as mulheres conseguiram chegar até as proximidades do Hospital de Clínicas, quando os policiais finalmente dispersaram.
Em nenhum momento companheiras ficaram para trás, conseguimos nos reunir em segurança para escrever este relato e para chamar a solidariedade de todas as pessoas que possam nos apoiar neste momento. A feira está programada para continuar suas atividades na segunda feira (02/11/15), no mesmo local onde ocorreram essas agressões.
Considerando que mulheres chegarão desavisadas do ocorrido, temos que nos fazer presentes e precisaremos de todo o apoio possível. Começaremos o dia com uma roda de conversa sobre essa situação. Precisamos da presença da maior quantidade de pessoas possível para garantir a continuidade da feira nesse último dia.
É assim que a gente revida, não nos calando e resistindo juntas não apenas na disputa pela rua e o espaço público mas também contra um sistema que não admite a auto-organização de mulheres e que se sente ameaçado pela nossa existência insubmissa. Foi escancarado o acréscimo de ódio que a misoginia teve nesse episódio e sentimos que isso precisa ser enfrentado pela nossa sobrevivência, por todas nós que vivemos na guerra desse mundo contra as mulheres.
Naira Hofmeister
As festividades de abertura da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre, na noite de sexta-feira (30), dividiram espaço, na Praça da Alfândega, com dezenas de manifestantes que pediam a rescisão imediata do contrato de revitalização do Cais Mauá.
Um protesto promovido pelo coletivo Cais Mauá de Todos – contrário ao modelo idealizado pelo consórcio vencedor da licitação, que propõe restaurar os armazéns em troca da autorização para construção de um centro comercial ao lado da Usina do Gasômetro, três espigões próximos à rodoviária e estacionamento para 4.500 automóveis – fez ecoar, entre as bancas de livros, as palavras de ordem “Não vai ter shopping!”.
Satisfeitos com a publicação de uma reportagem sobre as irregularidades encontradas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) no processo de contratação e arrendamento da área ao consórcio no jornal Zero Hora – coisa que o movimento vinha denunciando pelo menos desde março – os manifestantes pediram “a rescisão imediata do contrato com o consórcio Cais Mauá S.A” e a “abertura de um concurso público” para a definição de um projeto na área.
“A parceria público-privada pode ser bem-vinda, desde que regulada pelo Estado em prol do interesse público, garantidas a transparência e legalidade do processo”, avaliam os ativistas através de uma “Carta aberta a Porto Alegre”, distribuída no local do evento (leia a íntegra no final da matéria).
E embora tenham comemorado a publicação das informações em um jornal de grande circulação, os manifestantes não deixaram de criticar a cobertura da imprensa local sobre o caso. “Falsas polêmicas como ‘vanguarda x atraso’ ou ‘realistas x românticos’ desrespeitam a inteligência dos gaúchos. Somos todos favoráveis à revitalização do cais. A discussão é sobre qual revitalização é boa para a sociedade e para a memória da cidade”.
O modelo proposto pelos manifestantes é menos voltado aos negócios, como deseja o atual empreendedor. “Temos que revitalizar esse cais com arte, cultura e cidadania”, pregou o professor Francisco Marshall, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
“Se tiver uma livraria ali, todo mundo vai querer ir”, complementou. Ato terminou em festa
Após a leitura da “Carta Aberta a Porto Alegre” e das falas de lideranças que compõem o coletivo, os manifestantes percorreram um trajeto entre a Feira do Livro e a praça Brigadeiro Sampaio, em frente à Usina do Gasômetro.
Em marcha, eles seguiram entoando suas palavras de ordem e foram aplaudidos por vizinhos que saíam às janelas para saudar o grupo. Mesmo durante o período em que o protesto ocorreu na praça da Alfândega, muitos cidadãos que estavam no local para prestigiar a feira respondiam ao protesto com aplausos e outros sinais de apoio.
Após a caminhada pela Rua da Praia, o ato terminou com uma festa na praça Brigadeiro Sampaio, que terá pelo menos 15 árvores suprimidas para permitir a construção de uma passarela de pedestres que leve ao shopping center. Carta Aberta a Porto Alegre
A revitalização do Cais Mauá está na pauta dos gaúchos há muito tempo. Desde o final dos anos 90, quando foram desativadas boa parte de suas funções portuárias, as construções históricas estão apodrecendo, abandonadas pelo poder público.
As diversas tentativas de viabilizar o restauro para exploração e uso do pórtico central, prédios e armazéns, tombados pelo patrimônio histórico no âmbito Federal e Municipal, fracassaram. E o discurso recorrente é o clássico: “O Estado não tem dinheiro”. Assim como a solução, sempre providencial, é a mesma: “É preciso privatizar”.
A Parceria Público Privada pode ser bem-vinda, desde que regulada pelo Estado em prol do interesse público. E garantidas a ampla participação, total transparência e plena legalidade do processo; para que a população decida, de fato e de direito, qual a melhor forma de requalificação do Cais Mauá de Porto Alegre.
Falsas polêmicas “favoráveis X contrários”, “vanguarda X atraso”, “realistas x românticos” desrespeitam a inteligência de milhões de gaúchos. Todos somos favoráveis à revitalização do Cais. A discussão é sobre QUAL “revitalização” é boa para a sociedade e para a memória da cidade que se construiu a partir do Cais do Porto. Afinal, bons e maus projetos geram empregos. Mas os maus projetos geram passivos que são pagos por todos nós; e para sempre.
Não se trata de um conflito de opiniões, mas de um conflito de interesse público e com a justiça, pois o processo é repleto de ilegalidades (licitação, contrato e consórcio) em flagrante desrespeito à Constituição Federal e as Legislações Estadual e Municipal. É inaceitável permitir uma intervenção urbana de natureza ilegal na área pública mais simbólica da cidade.
As falsas polêmicas servem apenas para desviar a atenção do que realmente importa, que são os conflitos legais e judiciais que apresentamos nesta Carta Aberta à Porto Alegre.
Nós não podemos compactuar com: 1) Projeto que não é elaborado com ampla participação popular, 2) Fraude do processo licitatório; 3) Irregularidades do contrato de concessão; 4) Caducidade do regime urbanístico municipal.
Toda a população quer o Cais Mauá reintegrado ao Centro Histórico! E exigimos participação, transparência e legalidade em todo o processo porque é sempre bom lembrar que a cidade não pertence apenas ao prefeito e aos vereadores, pertence a todos os porto-alegrenses.
Defendemos a imediata: 1) Rescisão de contrato do Consórcio Cais Mauá S.A, 2) Participação popular e ouvida da sociedade civil; 3) Abertura de concurso público de projetos e 4) Realização de nova licitação de concessão.
Queremos uma revitalização que respeite a memória da cidade e seja capaz de promover desenvolvimento sustentável e integrado. Queremos um Cais Mauá de Todos e para Todos. Coletivo Cais Mauá de Todos – 30 de outubro de 2015
Com a proximidade do verão, cresce o movimento nas praças e parques de Porto Alegre e aumenta o número de praticantes de atividades físicas em locais públicos.
A Redenção é um bom destino para quem quer se exercitar. O Parque Ramiro Souto conta com pista atlética, campo de futebol, quadras poliesportivas e tem iluminação noturna. Jogar basquete, futebol ou dar uma corrida no parque é de graça e faz bem à saúde.
As academias de ginástica ao ar livre também são uma boa alternativa. No Bom Fim são duas, uma na Redenção e outra na Praça Berta Starosta, na rua Vasco da Gama. Os espaços são direcionados principalmente à terceira idade e contam com aparelhos de alongamento e para fortalecer e desenvolver a musculatura.
A academia do Parque Farroupilha foi instalada em 2010, através de uma parceria entre a Prefeitura e a Pepsi. Em outubro de 2014, o contrato expirou. Além das academias, a empresa havia instalado dois chimarródromos, que forneciam água quente de graça. Um foi retirado e o outro está desligado.
Como término do acordo, a manutenção da academia fica sob responsabilidade da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM).
O supervisor de parques, praças e jardins, Léo Bulling, afirma que há uma parceria com o parque de diversões, localizado ao lado. Entretanto, os usuários reclamam da falta de manutenção dos aparelhos. Maria Elisa e Arnaldo são frequentadores assíduos da academia da Redenção
Arnaldo Raul Formiguieri é morador da Santana e frequentador assíduo da academia da Redenção. Ele conta que antes não fazia nenhuma atividade física regular. A esposa foi quem descobriu primeiro a academia e ele gostou da ideia. Todos os finais de tarde Arnaldo vai fazer seus exercícios. “Isso aqui é uma maravilha. O único problema é que falta manutenção e alguns pais trazem as crianças para usar como brinquedo, o que acaba danificando.”
Além de possibilitar uma atividade física gratuita ao ar livre, as chamadas “academias da terceira idade” propiciam um momento de integração. “Eu aproveito, faço meu exercício, não preciso pagar nada e ainda me divirto”, conta a paisagista Maria Elisa Medeiros, de 75 anos. Ela frequenta a academia da Redenção duas vezes por semana, quando busca a neta na creche.
Embora seja o público alvo, a terceira idade não é a única faixa etária a usufruir das academias ao ar livre. Os jovens são minoria, mas também aproveitam as academias e são muito bem vindos, garante Seu Arnaldo.
A Câmara Municipal aprovou na última quarta-feira, 28, uma lei que delimita a parte do território do Parque Saint Hilaire pertencente ao município de Porto Alegre. A área corresponde a 240 hectares, de um total 1.148 hectares do Parque.
O restante pertence ao Município de Viamão.
A nova lei corrige um erro já que a lei anterior, nº 16, de 29 de novembro de 1947, deu nome ao local, mas não promoveu a delimitação entre os dois municípios.
Em agosto a prefeitura de Viamão aprovou lei regularizando a delimitação dos outros 908 hectares pertencentes ao município.
Com as duas leis em vigor o próximo passo é a gestão compartilhada do parque pelas duas cidades.
A administração do parque pertence hoje integralmente à Prefeitura de Porto Alegre. Com a regulamentação das duas áreas se propôs um gerenciamento conjunto que foi sinalizado positivamente por Viamão.
Já está sendo montado um grupo de trabalho que irá analisar a situação. Coordenador desse grupo, o assessor Jurídico da Capital, Arnaldo Guimarães explica: “Espero reunir todos para uma visitação do parque, já na semana que vem, para analisarmos as condições do parque e o que deve ser feito”.
Há também a previsões de que o grupo se reúna a cada 10 dias e que no que vem já se tenha uma definição consistente sobre como e em que cada Prefeitura irá realizar suas atividades. Para o secretário do meio-ambiente, Mauro Moura, definir essas questões técnicas é fundamental .
”Farão parte do grupo de trabalho profissionais das Secretarias de Meio Ambiente e urbanismo, de ambos municípios, além da Procuradoria Geral e Ministério Público do Estado. Custo do Parque é desconhecido
A despesa mensal ou anual do Parque (manutenção e gasto com funcionários) é desconhecida. Nem o Coordenador do Grupo de Trabalho e o Secretário Mauro Moura souberam informar quanto o Saint Hilaire custa aos cofres públicos de Porto Alegre.
Hoje todo valor é pago pela Prefeitura da Capital, mas espera-se que, agora com a gestão compartilhada, o Munícipio vizinho também tenha responsabilidades nesse aspecto.
“Quase 90% está em Viamão, não é justo que só Porto Alegre pague essa conta” avaliou Moura.
Apesar de apenas 11% do parque estarem localizados em Porto Alegre, a propriedade do terreno pertence ao Munícipio. O parque hoje apresenta problemas como invasões irregulares e a precariedade do Hospital Veterinário.
Os fatos que levaram à operação da Policia Fazendária na CGTEE, estatal federal do setor elétrico, tem origem em apontamentos feitos em 2012. A Controladoria Geral da União, ao analisar o balanço daquele ano, detectou artificios, como fracionamento de compras para fugir de licitações. Os valores sob suspeitas envolviam compras em torno de 100 mil reais.
Esses apontamentos deram origem a um Processo Administrativo (PAD) concluído em 2014, comprovando as irregularidades e recomendando a demissão por justa causa de três funcionários e a suspensão de dois, todos do setor de compras em Candiota.
Pelo regulamento interno as demissões e suspensões deveriam ser executadas pelo diretor da área, no caso o diretor financeiro Clóvis Ilgenfritz. Ele diz que não há fraude mas erros e se recusa a executar as demissões.
O presidente, Sereno Chaise, com apoio da Diretoria Executiva, levou o caso à Policia Federal, que o remeteu para a Polícia Fazendária, onde foi parar em fevereiro deste ano. Agora chegou às buscas e apreensões e engloba já não só aquele PAD original mas todos os apontamentos da CGU nos últimos anos que envolvem gastos de R$ 169 milhões.
Não significa que seja uma fraude de 169 milhões. Pode ser, como advertiu o procurador, que sejam procedimentos errados não necessariamente fraudulentos. As investigações vão dizer.
Políticamente, o episódio fez aflorar o conflito entre o presidente Sereno Chaise, pedetista que se tornou petista com a ascensão de Dilma, e o diretor financeiro, Clóvis Ilgenfritz, quadro histórico do PT em Porto Alegre, que há muito nem se falam.
Sereno, 87 anos, deixa o cargo dia 6 de novembro.
As manchetes da ação policial jogaram a última pá de carvão na esperança de manter a presidencia da CGTEE com o PT. A expectativa agora é um nome do agrado de Dilma, um técnico de carreira no setor elétrico, com trânsito no PMDB. Os demais cargos estarão na partilha com o PMDB, entregues à influência do ministro Eliseu Padilha.
Quase três anos depois da inauguração da Arena, estádio do Grêmio, as contrapartidas do empreendimento que deveriam ser feitas pela OAS ainda não chegaram na região.
A construtora ficou como responsável pela pavimentação e ampliação de vias dos bairros Farrapos e Humaitá, porém moradores do Bairro Farrapos reclamam que quase nada foi feito.
Em 2012, Prefeitura e OAS assinaram um acordo para as contrapartidas. Mas o contrato assinado era bem diferente do que havia sido definido três anos antes, quando a construtora apresentou estudos de impacto ambiental e listou as intervenções que deveriam amenizar os efeitos da instalação da Arena na região.
Em janeiro de 2014 ,o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público Estadual (MP) bloquearam o dinheiro destinado às obras do entorno, que não deveriam ser realizadas pela Prefeitura, mas pela OAS.
A duplicação das avenidas Padre Leopoldo Bretano, A.J Renner e Ernesto Neugbauer, situadas no Humaitá e Farrapos, que estão previstas no projeto ainda não saíram do papel. O valor estimado em torno das obras foi de R$ 130 milhões, conforme a Prefeitura. Novo acordo entre OAS e Executivo foram firmados em dezembro do ano passado, 70% seriam do empreendimento e o restante dos cofres públicos. Obras da comunidade também não foram executadas
Itamar Guedes, conselheiro do Orçamento Participativo da região, lembra que outras cinco demandas da comunidade estavam por conta da OAS: Reforma e ampliação da sede a Associação de Creches beneficentes do Rio Grande do Sul (ACEBERGS), da Associação de Moradores do Conjunto Mário Quintana e da Associação da Vila Tecnológica. Além da construção de um complexo esportivo e da creche Vila Progresso. Destes, apenas a Vila Tecnológica e a creche da Vila Progresso foram contemplados. As demais obras dependem do desbloqueio dos recursos. “Queremos saber onde está esse dinheiro” questiona Guedes. Somente a ACEBERGS teria de receber quase R$ 500 mil, conforme documentos apresentados pelo conselheiro. “É um descaso com a comunidade” lamenta.
O presidente da Associação Mário Quintana, Sérgio Bueno, que mora na frente da Arena, lembra das diversas reuniões e da falta de cumprimento das demandas solicitadas: “Tanto a associação como o bairro inteiro ninguém recebeu nenhuma contrapartida” lamenta o morador, com documentos à mão que mostram o orçamento feito por ele para a reforma da sede da Associação, e entregues à coordenadora do Centro Administrativo Regional em junho do ano passado.
Bueno ainda reclama que a prefeitura destruiu canos e tubulações embaixo da avenida Leopoldo Brentano para as obras de acesso à Arena. “Quando chove acumula sujeira e água, o que não acontecia antes” criticou o morador
O Santander Cultural abre sua programação de shows em novembro, com o duo Bico de Pena, dia 1ª, às 18h, numa agenda integrada com a 61ª Feira do Livro de Porto Alegre. O show de música brasileira, com entrada franca, traz uma formação inusitada com dois instrumentos não harmônicos que geram arranjos de alta qualidade segundo a crítica especializada.
Formado pelo casal Renato Camargo (flauta) e Angelique Camargo (cello), o duo busca, com apenas duas linhas musicais, abraçar o desafio de expressar a música brasileira pelas entrelinhas de suas composições e arranjos. Fundado em 1992, é detentor de vários prêmios e participou de gravações ao lado de artistas renomados, como Nelson Ayres e Paulo Belinatti.
Bico de Pena tem dois CDs independentes lançados, Entrelinhas e Suíte das Crianças. Mauro Dias escreveu sobre eles no jornal O Estado de São Paulo: “A submissão de peças de Jobim (Luíza), Edu Lobo (Valsa Brasileira), Gismonti (Karatê) e outras às características não harmônicas da flauta e do violoncelo é coisa de um grau de dificuldade que só dois grandes músicos ousariam com êxito”.
Programação continua dia 8, com o compositor gaúcho Poty Borch. Natural de Jaguarão, mostra porque vem sendo apontado como uma das mais gratas surpresas da música gaúcha. No dia 15 é a vez do projeto Café ou Chimarrão?, que reúne o violinista Mathias Pinto e o guitarrista Paulinho Fagundes. O duo argentino Flor de Lio, no dia 22, traz sua música que transita entre o folclore e o tango, pela primeira vez a Porto Alegre. Dia 29, o Bandão da Oficina Choro e Samba do Santander Cultural apresenta um repertório especial para comemorar a Menção Especial no Prêmio Açorianos, que a Oficina Choro e Samba do Santander Cultural receberá em dezembro deste ano.
Luiz Cláudio Cunha Especial para o JÁ
Continua o estranho impasse em Brasília sobre a construção do Memorial da Liberdade e Democracia, dedicado ao presidente João Goulart (1919-1976) e foco do último projeto desenhado por Oscar Niemeyer.
“Quero resolver essa história”, disse o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ao anoitecer desta segunda-feira (26), ao receber uma delegação de cinco senadores — Cristovam Buarque, Telmário Mota e Lasier Martins (todos do PDT), Paulo Paim (PT) e Randolfe Rodrigues (Rede). Os parlamentares queriam reverter a surpreendente decisão do governador socialista que, em agosto passado, declarou nula a cessão de um terreno no Eixo Monumental de Brasília onde seria erguida a construção branca e ondulada de 1.200 metros quadrados onde se destaca uma cunha vermelha encravada na cúpula do monumento, com uma data maldita: 1964. O governador Rollemberg/André Coelho/Ag. Globo
Pelo local, transitam diariamente os generais mais estrelados do país, a caminho de seu local de trabalho, o Quartel-General do Exército. Entre eles, o chefe de todos, o comandante da força terrestre, o general quatro estrelas Eduardo Dias da Costa Villas Boas.
Dias antes do recuo inesperado do governador Rollemberg, o general Villas Boas reclamou para a senador Vanessa Grazziottin (PCdoB):
— Este memorial não pode ser construído ao lado do Quartel-General. Isso é uma afronta ao Exército!
Por mera coincidência, dias depois, Rollemberg anunciou a anulação do ato que liberava a construção, assinado ainda em 2004 no governo de Joaquim Roriz. Na conversa com os senadores, o governador não passou recibo pela bronca do general, que não mereceu citação de ninguém.
Rollemberg, sempre simpático, lembrou aos visitantes que seu pai, o juiz Armando Leite Rollemberg, foi nomeado ministro do Tribunal Federal de Recursos (TFR) justamente pelo presidente Goulart, sete meses antes de ser derrubado pelo golpe militar.
O terreno original, logo atrás do Memorial JK, fica a um quilômetro em linha reta do QG do Exército. O governador está sugerindo, agora, um outro terreno 8,5 quilômetros mais longe, a uma distância segura para não ofender a sensibilidade dos generais, ainda afrontados pela memória do presidente que derrubaram há meio século.
A proposta de Rollemberg é destinar uma área na outra ponta do Eixo Monumental, logo atrás da Praça dos Três Poderes e do mastro da gigantesca bandeira nacional que tremula entre os palácios do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. Memorial próximo ao Palácio do Planalto: a 8 km do QG, para alívio dos generaisO problema será ainda maior: ali está instalado o Bosque dos Constituintes, uma verdejante coleção de 600 árvores plantadas pelos integrantes da Assembleia Constituinte de 1987 para homenagear a promulgação da nova Carta. A primeira pá de terra, para cultivar as mudas de ipê, jacarandá, cedro, jequitibá e angico, entre outras árvores típicas do país, foi dada pelo presidente da Constituinte, deputado Ulysses Guimarães. Proposta furada de Rollemberg: o local, tombado, está ocupado pelo Bosque dos Constituintes
O terreno de 76 mil metros quadrados é tombado pelo patrimônio urbanístico da capital e não permite nenhuma alteração. Depois de recuar diante das tropas do general Villas Boas, o governador de Brasília certamente não terá fôlego para enfrentar as legiões civis da cidade. Ou seja, a encrenca continua.
A família do ex-presidente pretende entrar na Justiça contra o Governo do Distrito Federal (GDF) para defender os direitos do Instituto Presidente João Goulart (IPG).
A Petrobrás e a Eletrobras arcaram com os custos iniciais de R$ 1,7 milhão para os furos de sondagem no terreno desprezado pelo governador após a bronca do general. Os fundos reservados junto ao Ministério da Cultura, que ajudariam a financiar os R$ 19 milhões estimados para a construção do memorial, acabaram revogados pelo atraso das obras.
“Espero que o governador Rodrigo Rollemberg, que agora mostra boa vontade em encontrar uma solução, nos ofereça uma área no Eixo Monumental que esteja à altura da memória de João Goulart, o único presidente brasileiro morto no exílio. Jango foi perseguido, cassado e mantido longe de sua pátria por 12 anos. Só voltou ao Brasil morto, em 1976. Não é possível que, agora, Jango seja novamente cassado e perseguido. Ele faz parte de nossa história e da memória do Brasil. Jango exige respeito”, diz o seu filho, João Vicente Goulart.
Há oito meses o Largo dos Açorianos está vazio e permanecerá assim por muito mais tempo, pois a prefeitura de Porto Alegre anunciou na tarde desta quarta-feira que irá revitalizar o espaço somente ano que vem. Desde a dragagem da água sob a histórica Ponte de Pedra, feita pela Secretaria do Meio Ambiente (SMAM) para avaliar quais obras deveriam ser realizadas, o lago permanece abandonado.
O novo Largo terá passeios com acessibilidade, taludes e escadarias e deve ser concluída até dezembro de 2016. O projeto também prevê a colocação de iluminação cênica da Ponte de Pedra, com a instalação de 17 postes com 17 luminárias LED. Também serão instalados embaixo do viaduto da Borges dez projetores LED. Já a iluminação cênica da Ponte de Pedra é composta de quatro postes de aço com projetores e lâmpadas para iluminação externa. Sete linhas com quatro projetores subaquáticos de LED serão distribuídos embaixo dos arcos da ponte.
A obra terá custo de R$ 2,5 milhões e saíra do Fundo Municipal do Meio Ambiente e terá licitação aberta até o final do ano.
“A Prefeitura optou por requalificar todo espaço por ser um patrimônio histórico e ficar num local privilegiado, que permitirá à população desfrutar do local”, afirmou o prefeito José Fortunati.