Autor: da Redação

  • Argentina: em eleição tranquila, candidatos falam em união

    Dizem os jornais brasileiros que Cristina Kirchner sofreu uma derrota na eleição de domingo, embora seu candidato, Daniel Scioli. tenha vencido o primeiro turno.
    Em 2011,  Cristina Kirchner conquistou sua reeleição com 54% dos votos, sem oposição.
    Agora, apoiado por ela,  Scioli fez apenas 36,2% e não conseguiu evitar um segundo turno, inédito na Argentina, contra Maurício Macri, filho de um dos empresários mais ricos do país, que alcançou  34,7% dos votos.
    Scioli ainda é o favorito, mas mesmo sua vitória, se ocorrer, não deixará de  representar um desgaste da presidente Cristina Kirshner. Pelo seu perfil, \à direita do kirchnerismo, e pelas circunstâncias políticas: pela primeira vez terá que negociar com uma oposição que sai das urnas fortalecida.
    Uma vitória importante do governo, não devidamente destacada, foi o clima de tranquilidade em que se deu a votação.
    As eleições foram definidas como “as mais controladas da história”, e os partidos recrutaram um exército de interventores para evitar qualquer tipo de fraude.
    A seleção de rúgbi, que disputava o mundial com a Austrália, foi citada pelos dois principais candidatos como exemplo para o país. Scioli expressou seu desejo de que seu país fosse reflexo do espírito de Los Pumas, como é chamada a seleção.
    “Os Pumas são uma expressão do que deve ser o país. Que nos contagiemos pelo espírito dos Pumas. Eu digo isso como esportista. Eu acredito nesses valores. Essa é a garra que temos que ter.”
    Macri também aderiu à ideia. “Vejo muita alegria na rua, hoje pode ser um dia histórico. Os argentinos votam por continuar igual ou mudar, esperemos que votem pela mudança”, disse Macri e contou que veria a partida em família. “Eles são um exemplo, é a Argentina que queremos, todos unidos e olhando para a frente”, concluiu.
    Sergio Massa,  dissidente peronista que fez 21% dos votos e vai ser decisivo no segundo turno, também parecia eufórico: “Para além do resultado, para além das questões políticas, tomara que comece uma nova fase na Argentina a partir da decisão das pessoas”. Massa foi o único que falou de pequenas fraudes: “Acabaram de me avisar que tivemos um pequeno incidente de roubo de cédulas, hoje todos os argentinos temos a responsabilidade de cuidar do voto das pessoas”, afirmou.
    O segundo turno está marcado para 22 de novembro.
    A crise econômica é a principal causa do desgaste governista. De 2012 em diante, a economia se manteve parada e, em 2014, uma forte desvalorização do peso fez disparar a inflação, que atualmente chega a 25% e superou os reajustes salariais.
    Multiplicaram-se os casos de corrupção,  que chegaram ao vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, processado em dois casos, e afetaram inclusive a família da presidente, com o caso Hotesur. Sua guerra com a mídia, por conta da “ley de médios” que atingiu os grandes grupos, também foi fator de grande desgaste
    Apesar de tudo, Cristina  mantém sua popularidade acima dos 40%. Ainda é presente na memória de  muitos eleitores  a crise de 2001, antes de o kirchnerismo chegar ao poder, quando a Argentina registrou os maiores índices de pobreza a desemprego de sua história.
    ARGENTINA NA ERA DO AJUSTE
    (Do El Pais)  – A Argentina foi um dos primeiros países a se juntar à era dourada da esquerda latino-americana, que teve como líderes Néstor Kirchner,Lula e Hugo Chávez. Todos eles viveram os anos de bonança e expansão econômica.
    Agora, quando o continente entra em uma crise decorrente da queda do preço das matérias primas, a Argentina vota neste domingo e, ganhe quem ganhar, todos os políticos e empresários consultados preveem que chega uma nova etapa muito mais centrada e de provável ajuste.
    Até o candidato do Governo, Daniel Scioli, está muito à direita dos Kirchner e aponta para uma virada.
    A esquerda latino-americana mais antagônica aos Estados Unidos tem um marco institucional: a cúpula de Mar del Prata em 2005, quando Kirchner, Lula e Chávez, apoiados por um Evo Moralesainda na oposição e outros líderes emergentes, romperam com a ALCA, a área de livre comércio das Américas promovida pelos Estados Unidos, e desdenharam de George Bush com discursos muito duros. Dez anos depois, a Argentina é novamente o lugar onde se inicia uma mudança de ciclo, mas em sentido contrário.
    O que os argentinos votam neste domingo é a velocidade dessa virada, mas a direção parece indiscutível. Se, como indicam as pesquisas, ganhar Daniel Scioli, que foi vice-presidente de Néstor Kirchner, embora sempre estivessem distanciados, essa virada será gradual. Se optarem por dar uma oportunidade a Mauricio Macri, o candidato mais forte da oposição, que só tem chance de ganhar se conseguir forçar um segundo turno, a guinada será muito mais rápida.
    Scioli é muito diferente dos Kirchner, mas agora se entregou ao kirchnerismo porque precisa dos seus votos
    Scioli vem da ala mais à direita do peronismo e foi contratado pelo ex-presidente Menem, mas mantém vínculos muito estreitos com os líderes da esquerda latino-americana, que viajaram a Argentina para fazer campanha com ele, em especial Lula e Evo Morales. Não compareceu o venezuelano Maduro, mas Scioli evitou qualquer enfrentamento com ele e não disse uma palavra de condenação pela prisão do líder opositor Leopoldo López. Macri, que suavizou sua imagem em busca do voto peronista, está mais irmanado com a direita e tem bons amigos no PP espanhol. Ele sim fez duras críticas a Maduro e anunciou que se ganhar as eleições reunirá os líderes do Mercosul para condenar a Venezuela.
    Segundo os sciolistas, o governador de Buenos Aires vai inaugurar uma nova era pós-kirchnerista em que vai se aproximar de uma economia mais ortodoxa, mas sem chegar ao ajuste fiscal duríssimo do Brasil. “Nós olhamos para o continente e aprendemos com os outros. Temos dois exemplos recentes. A Venezuela continuou com as mesmas políticas apesar da crise e da queda do preço do petróleo, e foi um desastre. E o Brasil deu uma guinada radical para o ajuste duro e também foi um desastre, político e econômico. Scioli vai inaugurar uma terceira via aprendendo com os erros alheios”, afirma um sciolista importante.
    Scioli é muito diferente dos Kirchner, mas agora se entregou ao kirchnerismo porque precisa dos seus votos. Tira fotos com o embaixador dos Estados Unidos, um anátema para o kirchnerismo, e promete aproximar-se da UE. Seus homens mais fiéis divulgam aos investidores que Scioli vai consertar os desajustes da economia e pactuar com os recursos abutre para que a Argentina deixe de estar economicamente isolada e sem acesso ao crédito barato.
    Promessas e planos reais
    Scioli, filho de um rico empresário italiano de eletrodomésticos, não desperdiça nenhuma ocasião para deixar claro que ele vai fazer políticas a favor dos investidores porque necessita que retorne ao país uma parte dos 300 bilhões de dólares que se supõe que os argentinos ricos e não tão ricos mantenham a salvo fora de sua terra. Macri é ainda mais claro quando promete que eliminará a armadilha cambial, que limita a compra de dólares e provocou um mercado negro que está em pleno apogeu diante da incerteza das eleições.
    No entanto, a suposta virada de Scioli e Macri é um pacto implícito. Nenhum deles conta seus planos reais. Os argentinos dão uma espécie de cheque em branco a seus candidatos. Quase todos os presidentes fizeram o contrário do que prometeram em suas campanhas. Os eleitores sabem e não parece ser um problema grave.
    Tudo está nas entrelinhas, em códigos que os argentinos, interessados em política como poucos povos no mundo, entendem melhor que ninguém. Para ter uma ideia, basta reproduzir o anúncio de campanha de Scioli mais repetido nas rádios: “A única coisa que lhes peço é uma oportunidade. O resto deixem comigo. Eu sei o que preciso fazer e como fazer”. Os detalhes virão depois das eleições.

  • Jornal espanhol destaca força de evangélicos do Congresso brasileiro

    Em reportagem de Andrea Dip, da Agência Pública, o El País, na sua edição para o Brasil destaca o crescimento e a influência da bancada dos evangélicos, que já tem 90 deputados na Câmara, inclusive o presidente, Eduardo Cunha.
    Andrea Dip (Agência Pública)
    Homens de terno e mulheres de saia com a Bíblia na mão vão enchendo o auditório. Alguém regula o som do violão e dos microfones. A música que celebra “júbilo ao Senhor” estoura nos alto-falantes, e a audiência canta junto. Em um púlpito no palco, os pastores abrem o culto com uma oração fervorosamente acompanhada pelos fiéis.
    Uma descrição comum de um culto evangélico não fossem os pastores, deputados, falando de um o púlpito improvisado no Plenário Nereu Ramos da Câmara dos Deputados de um país laico chamado Brasil. E se o (até então) presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), anunciado do púlpito ao entrar no recinto pelos pastores João Campos (PSDB/GO) e Sóstenes Cavalcante (PSD/RJ), não tivesse deixado de lado a agenda oficial para participar da celebração e tirar selfies com pessoas que se amontoavam ao seu redor.
    Certamente seria bem menos estranho se logo atrás de mim, no fundo do auditório, assessores de parlamentares não estivessem fazendo piadas de cunho homofóbico e rindo alto durante boa parte do evento, que se tornou show com a chegada da aclamada cantora gospel Aline Barros, vencedora do Grammy Latino 2014 e um dos cachês mais altos do mundo gospel brasileiro. Ela tinha viajado do Rio a Brasília com o marido, o ex-jogador de futebol e hoje pastor e empresário gospel Gilmar Santos, especialmente para cantar e orar naquela manhã de quarta-feira no Congresso. Ao final do culto/evento, todos receberiam um CD promocional de Aline.
    Aline Barros entoou alguns de seus sucessos com o auxílio de um playback, antes da pregação do marido. O tema é a luta do profeta Elias contra Jezebel, a princesa fenícia que se casou com o rei de Israel e, uma vez rainha, perseguiu e matou profetas israelitas. A imagem da mulher poderosa de alma cruel é usada por dezenas de sites religiosos, que comparam Jezebel à presidente Dilma Rousseff, ameaçando-a de acabar como a rainha, comida por cães.
    “Em Tiago capítulo 5, versículo 17, está escrito que Elias era um homem como nós. Ele orou e durante três anos e meio não choveu. Depois ele orou de novo e Deus manda vir a chuva”, diz o pastor Gilmar, dirigindo-se aos parlamentares. “Muitas vezes a gente tem orado ‘Deus sacode esse país, traz um avivamento, faz algo novo’. Deus está fazendo. Mas a forma que Deus está fazendo nem sempre é do jeito que a gente quer, da nossa maneira. Muitas vezes a gente queria que Deus fizesse chover dinheiro do céu, que fizesse anjo carregar a gente no colo pra levar a gente pra todos os lados e queria pedir pra Deus pra sentar numa rede, pra ele trazer um suco de laranja e operar, trabalhar. ‘Manda fogo, destrói aquele endemoniado, aquele idólatra.’ Mas Deus não faz dessa forma.” Por que Deus escondeu Elias? Por que Deus tem escondido muitos de vocês e ainda não estão nos jornais como sonharam ou não tiveram reconhecimento como sempre sonharam? […] Deus está te escondendo, querido. No momento certo tudo vai acontecer, você vai ser exaltado. Deus sabe como honrar. […] Pode ser o momento mais difícil do seu mandato, mas continua confiando. Muitas pessoas podem estar vivendo uma seca nesse país. Nosso país pode estar vivendo o momento mais seco da história. Vidas secas. Mas o céu nunca vai estar em crise. Nunca tem crise, nunca tem crise.”
    Sem crise
    O número de evangélicos no Parlamento cresceu, acompanhando o aumento de fiéis. Segundo os últimos dados do IBGE, que são de 2010, o número de evangélicos aumentou 61% na década passada (2000-2010). Por sua vez, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE), encabeçada pelo deputado e pastor João Campos, agrega mais de 90 parlamentares, segundo dados atualizados da própria Frente – os números podem variar por causa dos suplentes – o que representa um crescimento de 30% na última legislatura.
    A mistura de política e religião é a marca da atuação dos pastores deputados. Campos, por exemplo, é presidente da Frente Parlamentar Evangélica, autor do projeto de lei apelidado de cura gay -e defensor destacado da redução da maioridade penal, como a maioria da chamada bancada da bala – em 2014 ele recebeu 400.000 reais de uma empresa de segurança para sua campanha. Cavalcante ex-diretor de eventos do pastor Silas Malafaia, seu padrinho na fé e na política, é presidente na Comissão Especial que trata do Estatuto da Família.
    Encorajada por Eduardo Cunha, que assumiu a presidência da Câmara dizendo que “aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver”, a bancada evangélica tem conseguido levar adiante projetos extremamente conservadores, como o Estatuto da Família (PL 6.583/2013), que reconhece a família apenas como a entidade “formada a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou de união estável, e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus filhos”. A PEC 171/1993, que usa passagens bíblicas para justificar a redução da maioridade penal, também foi aprovada na Câmara e aguarda análise do Senado, sem previsão de votação. O próprio Eduardo Cunha é autor do PL 5.069/2013, que cria uma série de empecilhos para o direito constitucional das mulheres vítimas de violência sexual realizarem aborto na rede pública de saúde. Esse está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Também foi nesta legislatura que a bancada conseguiu barrar o trecho que trata do ensino da ideologia de gênero nas escolas no Plano Nacional de Educação.
    Ainda segundo os dados fornecidos pela FPE, a maioria dos parlamentares pertence a igrejas pentecostais: a Assembleia de Deus é a que mais congrega esses fiéis, seguida pela Igreja Universal do Reino de Deus, que tem como figura de destaque o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Também tem representantes no Congresso as igrejas Sara Nossa Terra e a Igreja Quadrangular.
    Como acontece com os partidos na política, os membros também trocam de denominação. Eduardo Cunha recentemente trocou a Sara Nossa Terra pela Assembleia de Deus, onde já estavam os colegas João Campos e Marco Feliciano. Entre os membros das protestantes históricas estão Jair Bolsonaro (batista) e Clarissa Garotinho (presbiteriana).
    O sociólogo e escritor Paul Freston, professor catedrático em religião e política da Wilfrid Lauries University, do Canadá, explica que as igrejas pentecostais se diferenciam das protestantes históricas principalmente pela ênfase da crença nos dons do Espírito Santo, como “falar em línguas” e agir em curas e exorcismos. “Por ser uma forma mais entusiasmada de religiosidade, depende menos de um discurso racional, elaborado. Você pode não saber ler ou escrever, pode ser alguém que não ousaria fazer um discurso racional em público, mas sob influência do Espírito você fala. Por isso pode-se dizer que a igreja pentecostal também tem esse poder de inverter as hierarquias sociais”, explica o professor. E destaca: “Por ser mais próxima da cultura do espetáculo e menos litúrgica, também são as igrejas pentecostais que se dão melhor com as mídias”.
    Nos gabinetes
    “A Frente Parlamentar Evangélica [FPE] tem exercido um papel muito importante em contribuir com o processo legislativo porque ela priorizou algumas bandeiras que são relevantes para a sociedade brasileira como, por exemplo, a defesa da família tradicional”, diz João Campos, que recebeu a Agência Pública em seu gabinete de número 315 no anexo IV da Câmara, após muitos dias de negociação com seu assessor. “Outra bandeira nossa é a defesa da vida desde a concepção, os direitos do nascituro, a proibição do aborto, do infanticídio, os direitos da mulher também, mas principalmente os direitos do ente humano que está sendo gerado. Temos uma postura clara a favor da reforma política, sobre a reforma tributária e sobre a violência que tem inquietado a sociedade”, continua o deputado.
    O segredo do sucesso? “A gente atua a partir desses temas, e isso faz com que a Frente seja ouvida no Parlamento. A Frente nem é a que congrega o maior número de parlamentares, mas é uma das mais ouvidas. Porque não é a quantidade, é a atuação dela”, diz com orgulho. Pergunto sobre sua trajetória política e religiosa, em que momento as duas se misturam. Ele me conta que aos 16 anos já era líder de jovens em sua igreja (Assembleia de Deus) e há quase 20 foi ordenado pastor. Também fez carreira na Polícia Civil de Goiânia. Começou como escrivão de polícia, se tornou delegado, participou de greves – “sempre fui muito ativo”, diz. Passou a atuar na classe, foi presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, até que “naturalmente” se candidatou a deputado federal. “Eu sempre exerci liderança na igreja e na segurança pública. E essas duas vertentes apoiaram minha candidatura e me elegeram”, resume Campos, 53 anos, atualmente no quarto mandato como deputado federal. Quando pergunto se a igreja tem sido um ambiente fértil para a formação de líderes políticos, ele desconversa: “A igreja tem ocupado um espaço e se colocado mais na política tendo ela própria como referência”.
    Sua colega de bancada evangélica, Clarissa Garotinho (PR), é uma jovem deputada federal que tem política e religião no pedigree. A filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho é da Igreja Presbiteriana, como todos de sua família. E, como fez a mãe, todas as vezes que seu pai, Anthony Garotinho, mudou de partido, ela o acompanhou “mesmo a contragosto”, confessa. E não foram poucas vezes: o radialista de sucesso começou a carreira política no PT, depois foi para o PDT, para o PSB, PMDB e PR.
    Clarissa fala do jogo da política com a naturalidade de quem viveu isso em casa desde pequena, mas faz questão de dizer que nunca foi pedir voto em igreja. “Visitei algumas igrejas quando me convidaram, mas não foi o foco da minha campanha.” Descreve o início de sua carreira política como a de líder estudantil que se tornou diretora da UNE e foi eleita vereadora – a contragosto do pai, sublinha. “Nessa época, eu tinha me formado em jornalismo e fiz estágio com a Xuxa no programa dela a convite da Marlene Matos. A Marlene me convidou para ir para um programa na rádio Globo, eu já era gerente comercial da empresa dos meus pais, e ele não queria que eu entrasse na política. Dizia que a vida dos políticos ficava muito exposta, que dava muita dor de cabeça. Comecei a campanha sozinha, eu e a juventude do partido. Pensava: ‘Meu pai foi governador, minha mãe foi governadora, eu não posso perder uma eleição de vereadora porque, se eu perder, eu vou estar comprometendo o nome deles”, conta.
    De vereadora Clarissa passou a deputada estadual e em 2014 foi eleita deputada federal com a maior votação obtida entre as mulheres. Sobre sua atuação na bancada evangélica, ela diz que só participa das atividades quando acha necessário. “Quando houve algumas manifestações na parada gay que satirizaram a imagem de Cristo. Nesse ponto, a bancada reuniu inclusive católicos. Quando tem alguma causa que a gente entende que precisa se unir, eu participo das reuniões.”
    Pergunto sua opinião sobre o aborto, e sua expressão se fecha: “Tem temas que para nós não são negociáveis. Eu sou contra o aborto”. Sem que eu pergunte, emenda: “Mas você quer saber do Cunha? Eu não apoiei o Eduardo Cunha para presidente da Câmara só porque ele era evangélico. Não basta ser evangélico e eu presbiteriana para eu votar se acho que a postura dele como político não é boa pra representar a Câmara e não é boa para o Brasil. Fui uma das poucas deputadas evangélicas que não votou nele. Fizeram reuniões com os membros da bancada pra apoiar, mas eu não participei. Não gosto do estilo dele de fazer política. Ele usa chantagem pra conseguir vantagens, é o chantageador geral da República. O Eduardo é considerado um deputado muito temido aqui. Dizem que ele é vingativo, que tem um temperamento difícil. E ele ainda tem muito apoio aqui apesar dos escândalos”.
    Eduardo Cunha
    Quando estive no Congresso, cada vez que Eduardo Cunha entrava em uma sala da Câmara dos Deputados era cercado por um séquito e não raramente aplaudido de pé, apesar dos escândalos, e não apenas os mais recentes. Cunha, que começou sua carreira como tesoureiro do comitê eleitoral de Collor, chegou à presidência da Telerj, de onde saiu em 1993 em um escândalo de superfaturamento, quando foi descoberto que havia assinado um aditivo de 92 milhões de dólares a um contrato da Telerj com a fornecedora de equipamentos telefônicos NEC do Brasil (então controlada pelo empresário Roberto Marinho). Foi quando se aproximou do então deputado mais votado do Rio de Janeiro e dono da rádio evangélica Melodia, Francisco Silva. Por indicação de Silva, tornou-se presidente da Companhia Estadual de Habitação na gestão de Anthony Garotinho, da qual também foi afastado em meio a denúncias de irregularidades em contratos sem licitação e favorecimento a empresas fantasmas. A passagem pelo rádio, onde tinha boletins diários que acabavam com o bordão “O povo merece respeito”, tornou sua voz conhecida e se lançou a candidato a uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições gerais de 2002, quando foi eleito com o apoio de Garotinho e 101.495 votos nas urnas. Em 2003, entrou no PMDB e foi eleito deputado federal e hoje cumpre seu quarto mandato consecutivo. Em 2014 foi o terceiro candidato mais votado do Rio de Janeiro, com 232.708 votos.
    O sociólogo Paul Freston, que estuda as relações entre política e religião, pesquisou a biografia de Cunha e de seu mentor, Francisco Silva. “Ele começa politicamente pela mão do Francisco Silva, que já era uma pessoa estranha porque tinha uma identidade evangélica pessoal muito tênue. O que ele tinha era uma rádio evangélica. E basicamente usou a força da mídia para se lançar politicamente. Ele se dizia membro da Congregação Cristã, o que não fazia muito sentido porque é a igreja mais arredia, que não se envolve com política, com mídia, não paga pastor. E a própria Congregação fez uma declaração na época dizendo que desconhecia esse cidadão.”
    O polêmico pastor, escritor e psicanalista Caio Fábio – fundador e ex-presidente da Associação Evangélica Brasileira (AEVB), líder e mentor da igreja Caminho da Graça – acrescenta outras informações ao perfil de Cunha: “Eu o conheço há 20 anos, desde que o pessoal o chamava de ‘Eduardinho’. Desde quando ele trabalhava para o deputado Francisco Silva. Esse indivíduo de crente não tinha nada. Francisco comprou a rádio Melodia, criou uma igreja radiofônica chamada Cristo em Casa que não congregava ninguém, não reunia ninguém, não tinha relacionamento com ninguém. Era tudo no rádio e você dava o dízimo para esse ente abstrato. O Eduardo era o assessor dessa figura. Ele teve função importante na loteria esportiva do Rio de Janeiro, em autarquias diversas até chegar ao governo Garotinho. Ele dá nó em pingo d’água. O mais inteligente deles é burro perto do Eduardo Cunha. Ele é um dos caras mais ardilosos, mais jogadores, mais sutis que eu já conheci”.
    Recentemente, Cunha trocou a igreja Sara Nossa Terra, para qual foi levado por Silva, pela Assembleia de Deus. A primeira tinha pouco mais de um milhão de fiéis, enquanto sua igreja atual tem mais de 13 milhões de seguidores, segundo o IBGE. A ramificação da igreja escolhida por Cunha foi a Madureira, cujo presidente é o bispo Manoel Ferreira, acusado de coronelismo por membros de sua igreja por ter tornado seu cargo vitalício e denunciado por um pastor de sua igreja em uma matéria da revista IstoÉ por usar laranjas para abrir a Faculdade Evangélica de Brasília, dar golpe nos sócios e sonegar milhões em impostos (ele nega as acusações). Em agosto deste ano, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusou Eduardo Cunha de indicar a igreja do filho de Manoel, Samuel Ferreira, para receber parte da propina de ao menos cinco milhões de dólares destinada a ele referente aos contratos para viabilizar a construção de dois navios-sonda usados pela Petrobras.
    “Eu estou dizendo há 25 anos que Manoel Ferreira já se envolveu com tudo. É um gângster religioso. E curiosamente é para onde o Cunha foi”, acusa o pastor Caio Fábio.
    O começo de tudo
    A igreja pentecostal começou a se envolver na política brasileira na década de 1960 através da Brasil para Cristo, que elegeu um deputado federal em 1961 e um estadual em 1966. Depois disso, porém, a igreja só voltaria a eleger candidatos na década de 1980, como explica Paul Freston: “A maior participação vem em 1986, no fim do regime militar, com a Assembleia Constituinte. A Assembleia de Deus é o motor disso inicialmente, e se organiza desde a cúpula para ter um candidato oficial em cada Estado, um deputado. Eles se organizam e tentam apresentar esse candidato nas igrejas, falar pras pessoas votarem nele. É o que dá origem à bancada evangélica, é a primeira vez que se fala nisso. E a grande novidade é que a maioria é pentecostal”.
    Os pentecostais deslancharam na política com a Igreja Universal do Reino de Deus, que criou um plano político mais estruturado dentro da instituição, segundo a autora da tese Religião e política: ideologia e ação da ‘Bancada Evangélica’ na Câmara Federal, Bruna Suruagy (leia a entrevista completa aqui). “No início da década de 1990, a Igreja Universal começou a atuar com um plano político estruturado”, explica. Em sua pesquisa, Bruna chegou ao seguinte desenho do plano político da Universal: “A cúpula da igreja, formada por um conselho de bispos da confiança de Edir Macedo, indica candidatos em um procedimento absolutamente verticalizado, sem a participação da comunidade. Os critérios para a escolha desses candidatos geralmente têm base em um certo recenseamento que se faz do número de eleitores em cada igreja ou em cada distrito. E cada templo, cada região, tem apenas dois candidatos que seriam o candidato federal e o estadual. Ela desenvolve uma racionalidade eleitoral a partir de uma distribuição geográfica dos candidatos e a partir de uma distribuição partidária dos candidatos. Isso mudou um pouco agora porque existe um partido que é da Universal, o PRB, que fica cada vez mais forte no Congresso”, explica, destacando também a importância da mídia religiosa como interface entre a igreja e a política.
    A Pública fez contato com a assessoria de imprensa da Igreja Universal e obteve como resposta a que a instituição não se pronunciaria a respeito “porque não se envolve com política”. Ao insistir para obter a entrevista, a assessoria pediu que as perguntas ao bispo Edir Macedo fossem feitas por e-mail e não respondeu mais. Mesmo o site do PRB, que tem grande parte dos filiados ligados à Universal, incluindo o presidente do partido, Marcos Pereira, não deixa clara essa conexão entre o partido e a igreja. Mas, entrevistado pelo deputado federal Celso Russomanno ao vivo durante a festa de dez anos do PRB, no dia 25 de agosto, diante da plateia do auditório Nereu Ramos, Pereira revelou que sua carreira e o PRB caminharam de braços dados com Edir Macedo. Ele contou que é bispo da igreja desde 1999, foi vice-presidente da Rede Record de Televisão em 2003, ano em que também se tornou sócio da LM Consultoria Empresarial – holding que controla todos os negócios da Igreja Universal do Reino de Deus – e então se tornou presidente do PRB em 2011.
    Modelo brasileiro
    Ainda segundo a pesquisadora Bruna Suruagy, a Universal se tornou um modelo para outras igrejas brasileiras justamente porque a cada novo mandato havia um aumento significativo dos parlamentares. “A Assembleia de Deus, que hoje tem a maioria dos deputados, não funcionava assim”, diz. Ela explica que isso não significa que o funcionamento institucional das duas denominações seja o mesmo. “A Assembleia é uma igreja com muitas dissidências e muitas divisões internas, por isso não é possível estabelecer hierarquicamente os candidatos oficiais. As igrejas têm fortes lideranças regionais e uma fragilidade do ponto de vista nacional. A sede não tem tanta força e, por isso, eles criam prévias eleitorais. As pessoas se apresentam voluntariamente ou são levadas pela própria igreja, e ainda há a ideia de que alguns são indicados por Deus porque mobilizam grandes multidões, ou contagiam, como dizia Freud, o que também termina sendo um critério. Então tem uma lista, depois uma pré-seleção que passa por um conselho de pastores – isso em cada ministério, porque a Assembleia é uma igreja que tem várias subdivisões internas. É interessante que os que pretendem se candidatar assinam um documento se comprometendo a apoiar o candidato oficial caso ele não seja escolhido, para evitar candidaturas independentes e para manter a fidelidade que se tem na Universal.”
    O sistema de escolha de candidatos é confirmado pelo pastor Caio Fábio, enquanto conversamos no belo jardim de sua casa, em Brasília. “A maioria dos políticos que temos hoje foi produzida em berço pentecostal. Portanto, eles nascem do único poder que habita esse ambiente que é o do carisma pessoal. E esse carisma não tem absolutamente nada a ver com inteligência, instrução ou cultura. Por carisma entende-se a capacidade de comunicação popular intensa, tanto mais poderosa quanto menos escrupulosa seja. São em geral pastores, bispos e apóstolos. A Universal é um caso à parte, assim como as igrejas neopentecostais, que são igrejas pós-macedianas, porque o projeto político lá é totalitário, vem do Macedo a determinação de quem é e quem não é”, critica. “As igrejas reformadas [também conhecidas como protestantes históricas] são democrático-representativas. A cada cinco anos no máximo, tem uma eleição de pastores. As episcopais [pentecostais] são mais por sucessão, indicação do bispo. E, se os demais acolherem, eles são afirmados. Nas pentecostais, os pastores vão colocando seus filhos na linha sucessória na igreja e na política. Aconteceu assim com Malafaia, por exemplo. O pai dele era pastor e o filho também é. Os protestantes históricos são mais silenciosos, mas não quer dizer que não sejam homofóbicos, por exemplo. O Bolsonaro frequenta uma igreja batista e é… O Bolsonaro.”
    Freston, por sua vez, não vê influência do modelo americano, como os chamados cinturões bíblicos, na política brasileira. Para ele, o crescimento da bancada evangélica tem mais a ver com nosso modelo político. “Quando a imprensa e os acadêmicos começaram a notar a presença dos pentecostais na política, houve algumas interpretações sobre ser cópia dos Estados Unidos, que já tinha a direita cristã, e a ideia de que isso estava surgindo no Brasil, incentivado por esse modelo. Mas eu sempre achei que correspondia muito mais às peculiaridades do sistema eleitoral brasileiro. Porque você tem o crescimento pentecostal em muitos países do mundo, na América Latina toda, em muitos lugares na África, em alguns lugares da Ásia. Mas só no Brasil você tem esses fenômenos de bancadas nos Congressos. Essa aproximação com a direita é mais recente e tem a ver com essa nova direita, que não tem medo de se chamar de direita”, diz o sociólogo.
    Outra característica de nosso sistema eleitoral, a de representação proporcional com listas abertas, favorece os candidatos carismáticos, os puxadores de voto, que passam a ser cobiçados pelos partidos. “Eles dizem ‘vamos por o pastor candidato que ele traz mais 2 ou 3.000 votos para a gente’. Mas esse cara traz 60.000 votos e se elege sozinho! Esse sistema favorece a eleição desses pentecostais. E muitos países que tem crescimento pentecostal não têm isso. No Chile, por exemplo, onde o pentecostalismo também cresceu muito, você quase não teve políticos evangélicos porque é outro sistema eleitoral. Aqui os líderes pentecostais souberam maximizar suas possibilidades dentro desse sistema.”
    E o que querem os políticos evangélicos?
    Mais do que os temas morais como aborto, violência, drogas e sexualidade, são os interesses institucionais que unem a bancada evangélica segundo os pesquisadores. “A conquista de dividendos para as igrejas como a manutenção de isenção fiscal, a manutenção das leis de radiodifusão, a obtenção de espaços para a construção de templos e a transformação de eventos evangélicos em culturais para obtenção de verbas públicas estão nesse páreo”, explica Bruna Suruagy. Paul Freston dá um exemplo: “Na época da Constituinte, teve a questão do mandato do Sarney, do quinto ano. Para conseguir esse quinto ano, ele comprou muita gente no Congresso. A moeda de troca para muitos pentecostais era uma rádio, coisas ligadas à mídia”.
    Um estudo realizado pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em 2009 mostrou que de 20 redes de televisão que transmitiam conteúdo religioso, 11 eram evangélicas e 9 católicas. Apenas a Igreja Universal controla mais de 20 emissoras de televisão, 40 de rádio, além de gravadoras, editoras e a segunda maior rede de televisão do país – a Rede Record.
    Larissa Preuss, autora da tese de doutorado As telerreligiões no telespaço público: o programa Vitória em Cristo e a estratégia de mesclar evangelização e preparação política, destaca a enxurrada de pastores eletrônicos na televisão brasileira nas décadas de 1980 e 1990. “O RR Soares é o mais antigo, está no ar desde o fim dos anos 70, e o Silas Malafaia entra em 1982. Ele é quem fala mais explicitamente sobre política na televisão, apesar da maior articulação política ser da Universal”, lembra.
    A pesquisadora conta que estudou os programas de Malafaia de 2014 para entender a relação de seus discursos com as eleições. “Ele assume que existe uma briga política e deixa claro que quer influenciar e por isso não se candidata. Ele fala diretamente ao público, mas também fala muito aos líderes religiosos, tanto que Malafaia dá cursos de formação de pastores em locais como a Escola de Líderes da Associação Vitória em Cristo (Eslavec) e está construindo um império, hierarquizando igrejas dentro da Assembleia de Deus, que não tem essa cultura. O Malafaia se coloca no lugar do profeta, que é aquela autoridade que unge o rei e denuncia o sacerdote, e isso é muito forte. Ele incentiva os líderes a influenciar seus fiéis para que Deus possa agir na política.”
    A hipótese de Larissa é que os pastores midiáticos migram para a política justamente para garantir as concessões de radiodifusão. “Porque as outorgas são ratificadas ou podem ser abolidas pelo Congresso. Então é uma retroalimentação: eles estão na televisão, influenciam a eleição de certos candidatos que vão garantir sua permanência na televisão. A informação hoje é poder. A imagem é uma moeda valiosa. E os evangélicos estão na política como nunca. Basta dizer que o tema da última Marcha para Jesus foi ‘faxina ética’”.
    Municipal
    E não é só em âmbito federal que a bancada evangélica tem se fortalecido. O número de projetos de leis temáticos também tem crescido entre os vereadores e deputados estaduais evangélicos, que recentemente também barraram a discussão de gênero em planos municipais de educação em várias cidades, incluindo a capital paulista. E não é só isso. A pastora e deputada estadual Liziane Bayer, do PSB do Rio Grande do Sul, protocolou em abril o PL 124/2015, que prevê o ensino do criacionismo nas escolas públicas e privadas do Estado. Liziane, cujo slogan de campanha foi “compromisso com a fé, a família e a vida”, conta que começou a se interessar por política e a conversar sobre o assunto no grupo de mulheres de sua igreja. Ela diz que sabe que o projeto é polêmico, mas defende o ensino do criacionismo para dar uma opção aos alunos. “Eu acho o comunismo ruim, mas ele é ensinado nas escolas. O criacionismo pode ser visto da mesma forma, mas, até pra que tu digas que não é correto, tem que saber”, opina.
    Em Cuiabá, o vereador Marcrean dos Santos (PRTB) criou um projeto que virou lei para feriado evangélico na cidade (Lei n° 5.940/15); em Itapema (SC), o vereador Mouzatt Barreto (DEM) também criou um PL para obrigar a leitura da Bíblia nas aulas de história das escolas públicas e particulares; em São Paulo, o vereador Carlos Apolinário, que em 2011 conseguiu que a Câmara aprovasse o “Dia do Orgulho Heterossexual”, vetado pelo então prefeito Gilberto Kassab, apresentou um projeto de lei para criar banheiros públicos em restaurantes, shoppings, cinemas e em casas noturnas para gays, lésbicas, bissexuais e transexuais e chegou a declarar que “não é possível minha mãe entrar em um banheiro e encontrar um homem vestido de mulher”.
    Em Manaus, a vereadora Pastora Luciana (PP), que prefere ser chamada de pastora – “vereadora é só uma promessa, pastora é pra eternidade” –, é autora de três projetos temáticos: O PL 125/15, que visa autorizar por lei manifestações religiosas como palestras e pregações nos terminais de ônibus da capital com o uso de caixas de som; o 075/15, que propõe a instituição de uma capelania na Guarda Civil Metropolitana, e o PL da Cristofobia, que prevê multas para quem tiver “atitudes discriminatórias em face da religião cristã, palavras e práticas agressivas contra a figura de Jesus Cristo, ameaças, estereótipos pejorativos, induzir ou incitar a discriminação contra a Bíblia Sagrada”. Mas o projeto de lei mais bizarro é do vereador de Santa Bárbara do Oeste Carlos Fontes (PSD). O PL 29/2015  que proíbe a implantação de microchips em seres humanos, comparando-os à marca da besta prevista no livro de Apocalipse.

  • Um roteiro histórico pelo Bom Fim

    A edição deste sábado do projeto Viva o Centro a Pé visitou alguns pontos históricos do Bom Fim. Sob a orientação do arquiteto e professor da Ufrgs Cláudio Calovi, um grupo de cerca de 60 pessoas seguiu o trajeto que começou no Mercado do Bom Fim e terminou no Templo Positivista da avenida João Pessoa.
    O primeiro ponto de visitação foi a Igreja Santa Terezinha, edificação de estilo neogótico, que teve sua construção concluída em 1931. Na sequência, a Casa Lutzenberger, localizada na rua Jacinto Gomes, construída em 1932 pelo engenheiro e arquiteto alemão Joseph Lutzenberger. Os participantes puderam circular livremente por todo o imóvel, que está reformado e hoje abriga a empresa Vida, criada pelo ambientalista José Lutzenberger, filho do arquiteto, que morou na casa até sua morte em 2002.

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    Visitantes puderam circular pela Casa Lutzenberger/Matheus Chaparini

    “É uma casa bastante simples. Estilisticamente ela representa um periodo em que a arquitetura abandona a ornamentação exuberante e se torna algo mais racionalista. O mais interessante mesmo é o ambiente doméstico, os objetos, as pinturas, os jardins. Ela é um bom retrato de um ambiente da época”, explica o professor Calovi.
    Durante o percurso foi possível observar também o Colégio Militar, construído em 1872, inicialmente como um quartel, depois ampliado e transformado em colégio. Foi a primeira construção erguida no terreno da antiga Várzea, que hoje é o Parque Farroupilha. Até a criação do Parque, em 1935, o terreno perdeu mais áreas para a construção da Igreja, das casas da José Bonifácio, do Instituto de Educação, de prédios da Ufrgs e, por fim, do auditório Araújo Vianna.
    Visitantes aproveitam para tirar uma foto no jardim da Casa Lutzenberger
    Visitantes aproveitam para tirar uma foto no jardim da Casa Lutzenberger/Matheus Chaparini

    O ponto final do trajeto foi o Templo Positivista, localizado na avenida João Pessoa. “Essa é uma obra muito peculiar e pouco conhecida da cidade. Só existem dois templos positivistas no Brasil, este aqui, que foi construído em 1912, e um no Rio de Janeiro.
    A parte interna do templo não pode ser visitada. A coordenadora do Viva o Centro a Pé, Liane Klein, informou que a visita estava agendada com o guardião do templo, mas ele não apareceu. O zelador disse não ter sido informado da visita, mas abriu o portão para que os visitantes pudessem ter acesso ao pátio. Atualmente não acontecem mais cultos no Templo, que é aberto para visitação somente aos domingos.
    O arquiteto Cláudio Calovi orienta os participantes através de um megafone
    O arquiteto Cláudio Calovi orienta os participantes através de um megafone/Matheus Chaparini

    Evento acontece quinzenalmente
    O Viva o Centro a Pé é uma caminhada orientada por regiões da área central da cidade. No primeiro e no quarto sábados de cada mês acontece a a caminhada com um novo roteiro e um orientador diferente. “Os orientadores geralmente são arquitetos, escritores, historiadores”, explica Liane Klein.
    A próxima edição será no dia 14 de novembro, no Centro Histórico. O trajeto ainda não está definido, mas a orientação será do arquiteto Luiz Merino Xavier. Liane Klein conta que o projeto nasceu em 2006: “A ideia era divulgar o Caminho dos Antiquários. Ele foi criado por isso, mas foi ganhando muita força e acabou se tornando um projeto separado.”

  • Vento dos Campos Neutrais vai gerar energia para uma Porto Alegre

    Cleber Dioni Tentardini
    Setenta e um aerogeradores já estão operando no Parque Eólico ​Hermenegildo, ​em Santa Vitória do Palmar, no Litoral Sul gaúcho.
    Faltam vinte para completar a “usina”,  de 163 megawatts (MW) de capacidade instalada, que deu a partida no dia 15 de outubro, quando foi autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a injetar sua produção no sistema elétrico nacional.
    A previsão é de que todos os cataventos estejam em operação até a primeira quinzena de novembro, segundo o diretor do parque, engenheiro João Ramis.
    O Parque Hermenegildo, empreendimento da Eletrosul, completa com os parques de Geribatu e Chuí, o Complexo Eólico Campos Neutrais, o maior da América Latina, com 493 mw de capacidade instalada, suficiente para atender o consumo de três milhões de pessoas. Como a produção efetiva de uma usina eólica é cerca de metade da capacidade instalada, a energia do complexo dos Neutrais poderá abastecer 1,5 milhão de consumidores. O equivalente à população de Porto Alegre.
    Os investimentos chegam a R$ 3,5 bilhões, levando em conta os parques e as obras do sistema de transmissão.

    Linha de transmissão para escoar a energia do Extremo Sul/Foto Cauê Mendonça/Divulgação
    Linha de transmissão para escoar a energia do Extremo Sul/Foto Cauê Mendonça/Divulgação

    O Parque Eólico Geribatu, em Santa Vitória do Palmar, com 258 MW divididos em dez usinas, e o Parque Eólico Chuí, no Chuí, com 144 MW de potência instalada em seis usinas, são uma parceria da Eletrosul (49%) com o Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Rio Bravo, que detém 51% do negócio.
    Foi construída subestação de energia em Santa Vitória do Palmar/Divulgação
    Foi construída subestação de energia em Santa Vitória do Palmar/Divulgação

    O consórcio construtor é formado pela empresa espanhola Gamesa, a Schahin Engenharia S.A., responsável pela parte de construção civil, como as bases das torres eólicas, e a implantação da rede de média tensão; e a ABB, fornecedora dos equipamentos do sistema de transmissão.
    Primeiro aerogerador GE fabricado no Brasil e instalado Parque Eólico Chuí IX/Foto Divulgação
    Primeiro aerogerador GE fabricado no Brasil e instalado Parque Eólico Chuí IX/Foto Divulgação

    Campos Neutrais
    A denominação do complexo eólico remete ao período da colonização. A área compreendida entre os banhados do Taim e o Arroio do Chuí, onde foram posteriormente instalados os municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí, foi palco de várias disputas entre tropas portuguesas e espanholas. Para evitar mais conflitos, com a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, a região ficou sendo um território neutro e, portanto, conhecida como Campos Neutrais.
    RS é o 4º em produção eólica
    Os principais produtores de energia eólica no Brasil são os estados do Nordeste, principalmente Ceará e Rio Grande do Norte, pioneiros na exploração dessa fonte no país.
    O Rio Grande do Sul ocupa a 4ª posição. Passou de 1.000MW, mais de 17% da geração nacional de eletricidade originária dos ventos.
    Ampliação do Complexo Eólico Livramento/Foto Nélio Pinto/Divulgação
    Ampliação do Complexo Eólico Livramento/Foto Nélio Pinto/Divulgação

    A potência eólica instalada no país é superior a 5.600 MW, o que representa 4% da geração de energia nacional, onde predomina a energia hidrelétrica (superior a 80%).
    Embora pese pouco na matriz energética brasileira, o vento está crescendo no ranking dos investimentos em geração de eletricidade. Segundo a ANEEL, somando os projetos aprovados, em construção e que ainda não iniciaram as obras, são 397 parques eólicos, totalizando 9.835 MW. Representa 46% da potência as usinas em construção atualmente, que exploram diversas fontes energéticas.

  • Prefeitura aparece no Praia de Belas após duas semanas de inundação

    Felipe Uhr
    Há 15 dias alagadas, as ruas Ismael Chaves Barcelos, General Sérgio de Oliveira e Barão do Gravataí receberam só hoje a tarde uma equipe do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) da cidade. Ao todo, cinco caminhões de hidrojato faziam o trabalho de sucção e bombeamento da água acumulada para outras bocas de esgoto.
    Segundo o Diretor Geral do DEP, Tarso Boelter, o acúmulo aconteceu pois a rede de esgoto da região liga-se diretamente ao Arroio Dilúvio, diferente do novo sistema, que vai para a casa de bombas. “Falta uma obra estruturante que resolva essa situação” avaliou.
    Boelter conta que durante o trabalho de desentupimento dos esgotos foram encontrados muito lixo, areia e ratos mortos. Apesar do serviço, não é garantido que as águas baixem mesmo com o cessamento da chuva.

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    Ruas do Praia de Belas alagadas

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    Falta uma obra que resolva essa situação, diz diretor do DEP

    “Os níveis de água dos rios que desembocam no Guaíba (Jacuí, Caí, Taquari, Sinos e Gravataí) continuam altos, logo a tendência é que o Guaíba também suba e as ruas alaguem novamente” alerta o diretor.
    O vice-prefeito, Sebastião Mello, compareceu ao local para acompanhar o serviço realizado em conjunto pelo DEP, Smov (Secretaria Municipal de Obras e Viação) e Dmae (Departamento Municipal de Água e  Esgotos). Mello diz que a Prefeitura está avaliando a situação, mas ficou evidente que não há definição sobre o que fazer: “Num primeiro momento é resolver a situação dos alagamentos até que esteja sem água, depois estudar quem sabe uma inversão do fluxo de esgoto (assim a água iria para onde existem casas de bombas) e depois, a médio prazo, uma grande obra que resolva de vez esse quadro”.
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    Mello diz que a Prefeitura está avaliando a situação

    Churrascaria local perdeu 60% do movimento
    As chuvas que alagaram o local prejudicam carros, pessoas e moradores da região. Mas a Churrascaria Garcia, localizada na esquina da avenida Praia de Belas com a rua Barão do Gravataí, foi muito prejudicada. Conhecida por ficar aberta 24 horas, o difícil acesso dos clientes e o alagamento de parte de umas entradas foi o fator para a queda do movimento no estabelecimento.
    Segundo o proprietário Deuclécio Rissi, que mantém o restaurante ali há 30 anos a situação calamitosa é inédita. “Em outras chuvas, alagava, mas no outro dia já normalizava. Dessa vez está assim há 2 semanas” reclama o comerciante que contou que pela primeira vez, durante a madrugada, o restaurante não recebeu nenhum cliente.
    Rissi diz que desde o dia 10 vem ligando para a Prefeitura e o DEP, mas que só agora estão recebendo atendimento. Ele calcula um prejuízo em volta dos 60% em lucro e movimento.
    Moradores estão em estado de caos e passando constrangimento
    A água que alagou as ruas do bairro, também invadiu os prédios situados nas avenidas Praia de Belas e transversais. É o caso do edifício onde mora o músico Rogério Pereira. “Nunca tinha visto isso. Sempre chove e alaga o corredor do prédio, mas desse jeito não”, reclama o morador.
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    Moradores nunca haviam visto isto

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    Estacionamento inundado

    Moradora do bairro há 50 anos, a dona de casa Hilda Mendes aponta para os sacos de areia colocados na entrada do prédio, como medida de impedir a entrada da água, enquanto reclama e fala da situação delicada em que todos estão passando: “Há 15 dias não conseguimos sair direito de casa, nem os táxis gostam de nos deixar aqui pois não querem entrar com o carro na água!”
    Primeiro prédio do bairro em situação crítica
    Em situação ainda pior estão os moradores do prédio Pioneiro que leva este nome justamente por ter sido o primeiro edifício do bairro. Situado na rua General Sérgio de Oliveira, o prédio encontrava-se literalmente inundado. Pedaços grandes de madeiras apoiados por pedras serviam para a travessia para os moradores que não têm botas, pois o chão do prédio está alagado. O cheiro do corredor é desagradável e é possível ver fezes e dejetos boiando. A garagem do prédio encontra-se deserta. Apenas um vizinho, que viajou antes da chuva, deixou o carro lá.
     
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    CEEE tem que ser chamada para desligar luz do condomínio quando água sobe demais

    Dois garçons da churrascaria à frente, que alugavam um apartamento no térreo, tiveram que deixar o imóvel. Além da situação irritante e conflituosa, os moradores têm de conviver com os riscos que a chuva pode causar. O quadro de luz do prédio também é localizado no primeiro piso, logo, quando chove muito e a água avança, eles chamam a CEEE para desligar a luz do condomínio. Caso contrário, haveria risco de acidente fatal.
    “É uma situação muito ruim e desagradável”, critica o síndico do prédio, Adriano Bilibio.
    A moradora Morizete Batista também reclamou do descaso da Prefeitura: “Eles nunca vieram aqui. Isso sempre acontece e é muito triste”.
    Coincidência, ou não, após a chegada de repórteres, um caminhão do DEP entrou na rua e começou a retirar a água acumulada no prédio.

  • Moradores vão à Justiça por nova eleição no Conselho do Plano Diretor

    Naira Hofmeister
    Descontentes com o que consideram uma interferência irregular da Prefeitura Municipal na eleição de representantes ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA) – popularmente conhecido como Conselho do Plano Diretor – moradores da região central de Porto Alegre (RP1) protocolam, nesta sexta-feira (23), duas solicitações para que o Poder Judiciário garanta nova eleição. A decisão foi tomada em uma reunião, na noite de quinta, no Memorial do Rio Grande do Sul.
    Um pedido de reconsideração da candidatura da Chapa 1, rejeitada pela Prefeitura, será registrada na 4 Vara da Fazenda Pública. O grupo também vai protocolar um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça para tentar cassar a decisão que impediu a candidatura.
    A eleição de representantes da RP1, ocorrida no dia 7 de outubro, foi realizada em meio a um grande tumulto que envolvia a comprovação de endereço do candidato a conselheiro titular, Roberto Jakubaszcko.
    A Prefeitura não aceitou o documento de domicílio eleitoral do candidato e impugnou a chapa que tinha o apoio da maioria dos 105 eleitores cadastrados no dia da votação. Com isso, a vitória foi do grupo liderado pelo advogado que atua no ramo imobiliário, Daniel Nichele – embora diga conhecer com profundidade o Plano Diretor de Porto Alegre, ele sequer sabia da existência do Conselho antes de se candidatar.
    A intenção dos moradores com as ações legais é reconvocar o colégio eleitoral cadastrado na noite chuvosa em que a eleição foi realizada e refazer a votação – no dia 7 de outubro, foram contabilizados cerca de 1/3 das papeletas para a Chapa 2. Os outros 2/3 dos eleitores anularam ou votaram em branco, em protesto à impugnação da Chapa 1.
    Prefeitura permitiu voto do impugnado
    Embora tenha tido a candidatura impugnada, Jakubaszcko foi autorizado a votar na eleição – a prerrogativa para participar como votante é justamente a comprovação de residência dentro da área.
    “O domicílio de Jakubaszcko é o Centro Histórico!”, assegura o candidato a segundo suplente, o advogado Felisberto Seabra Luis, que vai assinar as contestações dos moradores, mostrando um documento anterior da própria Secretaria Municipal de Urbanismo reconhecendo o domicílio do morador.
    Segundo Jakubaszcko, que atualmente é o 1º suplente da RP1 e participa habitualmente das reuniões do CMDUA, o endereço apresentado no pleito é o mesmo que havia sido aceito na eleição de 2014.

  • 10ª Bienal do Mercosul apresenta mais de 600 obras de 20 países

    A 10ª Bienal do Mercosul – Mensagens de Uma Nova América, inaugura nesta sexta-feira, 23, e permanece aberta até o dia 6 de dezembro. Nesta edição, a Bienal apresenta 646 obras de 263 artistas de 20 países: Brasil, Chile, Paraguai, Cuba, México, Uruguai, Argentina, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Equador, Guatemala, Peru, Costa Rica, Panamá, Nicarágua, El Salvador, Porto Rico, Jamaica e Honduras.
    A cerimônia oficial de abertura ocorre às 19h30 no Santander Cultural. Estarão presentes membros da Diretoria e do Conselho de Administração, a equipe curatorial desta edição, artistas, patrocinadores e parceiros. A mostra Antropofagia Neobarroca, situada no Santander Cultural estará aberta para visitação. As demais mostras abrem no sábado, 24.
    O secretário da Cultura de Porto Alegre, Roque Jacoby, diz que a Bienal do Mercosul possibilita aos gaúchos ter acesso a um universo de alta qualidade artística, com nomes de expressão internacional. “A cultura de Porto Alegre agradece a esta iniciativa de longa data organizada pela própria comunidade cultural”, reforça o secretário.
    As obras estarão expostas nos seguintes espaços: Antropofagia Neobarroca, no Santander Cultural; Biografia da Vida Urbana, no Memorial do Rio Grande do Sul; Modernismo em Paralaxe, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado  Malagoli (Margs); A Poeira e o Mundo dos Objetos, Olfatória: o Cheiro na Arte, Aparatos do Corpo e Marginália da Forma, na Usina do Gasômetro, cada uma delas em galerias individuais. Além das sete exposições, esta edição promove atividades voltadas para a formação profissional no campo curatorial por meio da Escola Experimental de Curadoria e o desenvolvimento de um Programa Educativo.
    O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo será a sede do Programa Educativo e também irá abrigar a obra A Logo for América, de Alfredo Jaar, que será exibida na vitrine do prédio de frente para a Praça da Alfândega. O Instituto Ling abrigará a mostra Síntese, com um grupo de obras conceitualmente ligadas às sete exposições da 10ª Bienal, um recorte significativo de trabalhos que permitem uma visão geral da proposta curatorial da edição.
    Agendamento de visitas

    Para agendamento de visitas à 10ª Bienal do Mercosul – Mensagens de Uma Nova América, os grupos que quiserem percorrer os roteiros das exposições, acompanhados de mediadores, os grupos deverão ter a partir de 10 pessoas. Para marcar um horário de mediação devem ligar para o fone (51) 3254-7509.
    A central de agendamento funcionará de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 16h, e os agendamentos serão realizados por ordem de ligação. Os horários de visitas guiadas estarão distribuídos de terça-feira a sexta-feira.
    Para realizar o agendamento é necessário ter em mãos dados como: nome, endereço, telefone, e-mail da instituição e também do responsável. Outras informações podem ser obtidas através do e-mail agendamento@bienalmercosul.art.br.
    A Bienal do Mercosul oferece ônibus gratuito para escolas públicas, municipais e estaduais, ONGs e pontos de cultura de Porto Alegre, e cidades distantes até 30 quilômetros da Capital. Durante o processo de agendamento, essas instituições poderão se candidatar a esse transporte. Escolas particulares e demais grupos não estão incluídos neste serviço e, portanto, devem organizar e disponibilizar o próprio transporte, ficando à disposição o agendamento de horário guiado e o receptivo com mediadores.
    Cidades atendidas pelo ônibus da Bienal – Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Canoas, Sapucaia do Sul, Alvorada, Esteio, Nova Santa Rita, Gravataí, São Leopoldo, Guaíba e Viamão. Em Porto Alegre, os bairros Bom Fim, Centro e Cidade Baixa não serão contemplados com o transporte gratuito por estarem mais próximos aos espaços da exposição.
    Para aqueles que se deslocarem até a Bienal com o ônibus gratuito da instituição, serão oferecidos roteiros expositivos nas visitas. Os grupos devem escolher um dos roteiros, entre cinco opções disponíveis.
    Os grupos que agendarem visitas guiadas, mas se deslocarem com transporte próprio, podem escolher um ou mais roteiros para visitar no mesmo dia.
    1 – Praça da Alfândega – Santander Cultural -das 10h às 19h
    2 – Praça da Alfândega – Margs -das 10h às 19h
    3 – Praça da Alfândega – Memorial do Rio Grande do Sul – das 10h às 19h
    4 – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (rua dos Andradas, 1223) – 10h às 19h
    5 – Usina do Gasômetro (av. Pres. João Goulart), 551) – das 9h às 21h
    6 – Instituto Ling (rua João Caetano, 440, Três Figueiras) -10h30 às 17h30

  • Guaíba: maior enchente ocorreu depois que a chuva parou

    Ao menos 700 habitantes de Porto Alegre estão agora sem acesso a suas casas por causa das chuvas. Já é uma situação de emergência, que desencadeia ações de solidariedade ao tempo que evidencia a fragilidade da cidade perante o El Niño desta temporada, muito mais influente no clima que o anterior, de 1997.
    Mas o que mais assusta é a previsão de que as chuvas continuarão intensas por toda a primavera, e verão adiante. E diante disso, é inevitável que ressurjam no imaginário da cidade as cenas da maior enchente pela qual ela passou, em 1941. Daquela vez foi La Niña, fenômeno climático de efeitos mais violentos que os de El Niño.
    Ao contrário de todas as outras chuvaradas que causaram inundações nas áreas próximas ao Guaíba, sempre na primavera, a de 1941 foi no outono.
    O auge foi no dia 7 de maio de 1941, quando, já com sol, as águas dos rios que desembocavam no Guaíba, especialmente as do caudaloso rio Jacuí, chegaram à metade da altura das portas do Mercado Público e alcançaram a Andradas, antiga Rua da Praia.
    Impedidas pelo vento sul de seguirem pela Lagoa dos Patos em direção ao oceano, as águas da chuva ficaram represadas como aconteceu na semana passada.
    Como agora, as regiões atingidas não foram apenas as partes tomadas ao rio, os aterramentos para expandir o centro. A zona Sul e a parte lindeira ao cais na zona Norte são facilmente inundáveis. Porém, os primeiros são sempre os moradores da região das ilhas. “Devido ao aterramento, o Guaíba perdeu espaço e quem sofre os maiores prejuízos são as populações das ilhas, pois a água tem que ir para algum lugar”, diz o jornalista Rafael Guimarães, que pesquisou o episódio e publicou o livro em formato de álbum A enchente de 1941 (Libretos, 2009)
    O livro resgata as imagens e os números da inundação que deixou 70 mil pessoas desabrigadas, praticamente um quarto da população da cidade na época, de 272 mil habitantes.
    Construído na década de 1970, durante o período militar, com a intenção de proteger a cidade de uma nova grande enchente, o muro da Mauá é até hoje motivo de polêmica. Muitos são a favor da sua permanência para evitar inundação na cidade. Para Rafael, está provado que o muro é desnecessário. “Os alagamentos na cidade aconteceram mesmo com o muro já que água avança por baixo, pelo esgoto. É um custo benefício muito baixo para a cidade.” argumenta.
    Guimarães prepara agora o lançamento do novo livro, Águas do Guaíba, no qual faz um relato da história do Guaíba, seus afluentes e aspectos culturais que o cercam – monumentos, prédios, museus, avenidas que o cercam ou cercavam no passado. Além de contar uma parte da história de Porto Alegre, também reporta a cultura das outras cidades ligadas ao Guaíba, como Barra do Ribeiro e a cidade Guaíba. “Foi um trabalho muito legal, que lembrou minha infância, quando íamos a Itapuã desfrutar do Guaíba”, recorda. O livro será lançado em novembro, também pela Libretos, na Feira do Livro de Porto Alegre.

  • Quem foram os vencedores de 2015 do Prêmio Herzog

    “É uma sensação de dever cumprido, porque nós estávamos preocupados em conseguir contar essa história de forma que fizesse sentido para pessoas que são de fora do RS”, disse a  estudante de Jornalismo da Unisinos, Joyce Heurich. Ela recebeu, ao lado da professora orientadora Luciana Kraemer, na noite de 20 de outubro, no Tuca, em São Paulo, o 7º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, do Instituto Vladimir Herzog, com o documentário de 15 minutos sobre o caso do Jornal JÁ, arrasado por um processo judicial que quase acabou com o jornal.
    O prêmio Jovem Jornalista foi a parte final da noite. A cerimônia de entrega do 37º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos começou com quatro láureas especiais: aos ativos veteranos Mino Carta e Mauro Santayana, e, in memoriam, ao uruguaio Eduardo Galeano e ao gaúcho Daniel Herz .

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    Mino Carta, decano do jornalismo.

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    Santayana não pôde ir pessoalmente 

    Conheça os premiados de 2015:
    Categoria: Arte
    PRÊMIO
    Maioridade Penal
    Greg | Gregório de Holanda Vieira | Jornal Diário de Pernambuco – PE 
    MENÇÃO HONROSA
    Redução de maioridade penal
    Jarbas | Jarbas Domingos de Lira Junior | Jornal Diário de Pernambuco – PE
     Categoria: Fotografia
    PRÊMIO
    Haitiano toma banho em mictório
    Ronny Santos | Jornal Agora São Paulo – SP
    MENÇÃO HONROSA
    Batalha olímpica
    Pedro Kirilos | Jornal O Globo – Rio de Janeiro
    Categoria: Internet   
    PRÊMIO
    As Quatro Estações de Iracema e Dirceu
    Ângela Bastos e equipe
    Diário Catarinense – Santa Catarina
    Equipe: Ângela Bastos (reportagem), Júlia Pitthan (edição), Fábio Nienow (design), Charles Guerra (fotos e vídeos), Leo Cardoso, Betina Humeres e Lucas Amarildo (edição de vídeos).
    PRÊMIO
    Rota 66, a Confissão
    Marcelo Godoy e equipe
    Estadão.com.br – São Paulo
    Equipe: Marcelo Godoy (reportagem, roteiro e edição de texto), Bruno Paes Manso (reportagem), Ana Sacoman (edição final e edição de texto), Cecilia Cussioli (roteiro, edição e finalização de vídeo), Filipe Araújo, Alex Silva, Daniel Teixeira, Evelson Freitas e Wellington Oliveira (captura de imagens), Tiago Henrique, Carlos Marin, Renan Kikuche e Vinícius Sueiro (webdesign), Edmundo Leite, Francisco Carlos Fanca e Tiago de Souza Ferreira (pesquisa de imagens).
    Categoria: Rádio  
    PRÊMIO
    Mães da Fé
    Caetano Cury | Rádio Bandeirantes – São Paulo
    MENÇÃO HONROSAA Doce Ação
    Robson Machado | Rádio Tupi – Rio de Janeiro
    Categoria: Revista
     PRÊMIO
    Os filhos do Bolsa Família
    Cristiane Barbieri | Época Negócios – São Paulo
    MENÇÃO HONROSA
    Precisamos Falar sobre Romeo…
    Rodrigo Ratier e equipe | Revista Nova Escola – São Paulo
    Equipe: Wellington Rafael Soares Silva (repórter), Alice Vasconcellos (designer), Raoni Maddalena, Lucas Landau e Alexandre Bastos (fotógrafos colaboradores).
    Categoria: Jornal  
    PRÊMIO
    Favela Amazônia
    Leonencio Nossa e Dida Sampaio | O Estado de S. Paulo – Distrito Federal
    MENÇÃO HONROSA
    Racismo, um crime silenciado
    Marcella Fernandes e Julia Nunes Chaib | Correio Braziliense – Distrito Federal
    Categoria: TV Documentário  
     PRÊMIO
    Em Busca da Verdade
    Lorena Maria e equipe| TV Senado – Distrito Federal
    Equipe: Lorena Maria (direção, roteiro e produção), Deraldo Goulart (direção, pesquisa e produção), Davi Lima, Luciano Barreto e Cláudio Lisboa (editores), Guilherme Oliveira (edição e finalização), Rogério Alves, Marco Feijó e Carlos Moura (repórteres cinematográficos),), Leonardo Chaib e Izabela Caetano (videografistas), Joélio Rodrigues e Everaldo Santos (auxiliares de UPE), José Flores (trilha), Ana Carolina Resende, Júlia Rangel, Jéssica Alencar (estagiárias).
    MENÇÃO HONROSA
    A Revolta da Chibata
    Vera Cardozo | TVE – Rio Grande do Sul
    Equipe: Vera Cardozo (produtora executiva), Fernanda Carvalho (repórter), Vagner Karan, Thiago Krening e Ricardo Chaves (arte), Ademar Izaguirrez, Ronaldo Parra e Clóvis Santacatarina (imagens), Robson Wandermuren, Matheus Otanari e Claudio Trindade (assistentes de câmera), Messias Gonzales Freitas (locução), Luiz de Oliveira (iluminador), Lúcio Born (edição e finalização),André Suzano (operador de áudio), Thiago Gabbi (estagiário).
     Categoria: TV Reportagem
    PRÊMIO

    Estrada da Fome
    Daniel Motta e equipe | TV Record – São Paulo
    Equipe: Daniel Motta (produtor), Lucas Mello e Ingrid Sachs (repórteres cinematográficos), Heleine Heringer (repórter), Catia Mazin (editora de texto), Renato Bataglia (arte), Rodrigo Alves, Roni Barbosa, Miguel Wesley, Marcos Orlando e Leandro Pasqualin (pós-produção), Natália Florentino (editora de pós-produção), Rafael Ramos, Humberto Pinto e Julio Cesar (sonorização).
    MENÇÃO HONROSA
    Questão racial – da ditadura à democracia
    Débora Brito e equipe | TV Brasil – Distrito Federal
    Equipe: Débora Brito (reportagem), Sigmar Gonçalves e André Rodrigo Pacheco (repórteres cinematográficos), Márcio Roberto Stuckert Seixas e Eustáquio [sobrenome] (edição de imagens e finalização), Júlia Costa (arte), Edivan Viana do Nascimento e Alexandre Santos Souza (auxiliares técnicos), Beatriz Abreu (produção) e Ana Maria Simões Passos (edição de texto).
    7º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão – propostas de pauta vencedoras:
    Título: O caso do Jornal Já – instrumento de censura, dano moral oferece risco de extinção a pequenas publicações
    Estudante: Joyce Heurich
    Instituição: Universidade do Vale do Rio Sinos – Unisinos (São Leopoldo/RS)
    Professora orientadora: Luciana Kraemer
    Formato: Documentário de TV
    Título: Margaridas não se calam
    Equipe: Agnes Sofia Guimarães Cruz e Letícia Ferreira Leite de Campos
    Instituição: Universidade Júlio de Mesquita Filho – UNESP (Bauru/SP)
    Professor orientador: Danilo Rothberg
    Formato: Web Documentário
    Título: 6 e 7 de março de 2015: a história das 10 mortes da região do Parque Santo Antônio, zona sul de São Paulo, contada em mais de uma lauda
    Equipe: Lucas Vicente Torres Martins, Mateus Vasconcellos Nogueira Carvalho e Marcelo Rodrigues Santos de Souza
    Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo/SP)
    Professora orientadora: Denise C. Paiero
    Formato: Revista
     
     

  • Zelotes: aberto processo administrativo para investigar conselheiro do CARF

    Kelly Oliveira
    Agência Brasil
    A Corregedoria-Geral do Ministério da Fazenda, informou nesta quinta, 22, que abriu o primeiro processo administrativo disciplinar para apurar responsabilidade funcional de um envolvido na Operação Zelotes, da Polícia federal.
    O Ministério da Fazenda não informou o nome do conselheiro investigado. “Como a apuração administrativa terá prosseguimento por intermédio do respectivo processo disciplinar, os nomes dos investigados não poderão ser informados”, diz a nota.
    O caso investigado no processo administrativo disciplinar, instaurado pela corregedoria, “trata de negociações empreendidas para a realização de ‘pedido de vista’ por conselheiro, com a promessa de vantagem econômica indevida, em processo administrativo fiscal, cujo crédito tributário perfaz a monta de aproximadamente R$ 113 milhões, com atualização de setembro de 2014”.
    A Operação Zelotes investiga a manipulação de julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. A Polícia Federal estima que foram desviados mais de R$ 19 bilhões.
    Segundo o ministério, as apurações revelaram um sistema ilegal de manipulação de julgamento de processos administrativos fiscais no Carf, mediante a atuação coordenada de conselheiros com agentes privados que agiram com o objetivo de favorecer empresas em débito com a Administração Tributária.