Autor: da Redação

  • Conselheiro do Plano Diretor questiona audiência sobre Cais Mauá

    Naira Hofmeister
    O conselheiro do Plano Diretor pela região de planejamento central de Porto Alegre (RP1), Alan Furlan, encaminhou ofício à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) criticando a audiência pública para apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo relatório (Rima) do projeto de revitalização do Cais Mauá.
    Em sua carta, o conselheiro demonstra preocupação com a apresentação exclusivamente de pontos positivos sobre o projeto. “Isso irrita a população”, defende.
    Segundo Alan, na audiência pública “o empreendedor não apresentou os impactos do projeto, sejam eles técnicos, econômicos ou sociais”. “Estamos chegando à conclusão de que um projeto do porte proposto não possui impactos”, questiona, para logo emendar: “Acho ingênuo”.

    Alan é conselheiro do Plano Diretor/Foto Cesar Cardia
    Alan entregou queixas à Smam/Foto Cesar Cardia

    Ele ressalta, por exemplo, a falta de um estudo sobre o impacto que as construções na beira do Guaíba – três torres de até 100 metros de altura e um shopping center que cobrirá toda a extensão da área desde o Gasômetro até o armazém A6, inclusive onde hoje está o A7, que será demolido. “O material apresentado nem sequer apresenta um mapeamento dos ventos com medições no local e no Centro Histórico”, condena.
    Alan menciona ainda a falta de estudos geológicos para avaliar eventuais riscos da implantação do empreendimento. “Quais os reflexos que as fundações e a própria construção de torres de 20 andares terão sobre os prédios históricos?”, prossegue.
    Outros pontos abordados pelo conselheiro da RP1 em sua carta são as vagas de estacionamento público que serão suprimidas para desafogar o tráfego na avenida Mauá e o replantio de árvores que vem sendo cortadas na região desde a duplicação da avenida João Goulart, além da mudança no projeto originalmente proposto, que previa o rebaixamento da via no trecho defronte ao Gasômetro – ideia que foi abandonada recentemente.
    Defesa do comércio de bairro
    Uma das análises mais longas que Alan Furlan faz no documento entregue à Smam diz respeito à concorrência que um shopping center vai provocar ao comércio de rua do Centro Histórico. O consórcio Cais Mauá garante que não haverá impacto negativo na economia da região, o que o conselheiro vê com desconfiança.
    “Qual o estudo técnico apresentado para garantir que o empreendimento absorverá apenas demandas não atendidas ao invés de subtrair demanda do comércio já existente”?
    Alan lembra que não são conhecidos o “mix” de negócios propostos, ou seja, a natureza das lojas que vão se instalar no shopping e armazéns. “Restaurantes no Centro já existem, qual será a diferença”?
    Audiências do Pontal foram mais esclarecedoras
    Alan questiona ainda a falta de esclarecimentos sobre o projeto. “Por que os questionamentos técnicos não foram respondidos de forma clara e objetiva?”, indaga.
    Mencionando as audiências públicas do Pontal do Estaleiro, ocorridas em abril, como um parâmetro positivo de comparação, ele condenou as evasivas dadas pela equipe do consórcio Cais Mauá do Brasil. Em sua opinião, os técnicos responsáveis pelo projeto do Pontal conseguiram esclarecer minimamente as dúvidas da plateia, ao passo que no encontro sobre o Cais Mauá o empreendedor alegava que a resposta estava “nas páginas tais e tais”, o que ele considera insuficiente.
    Ainda comparando as reuniões sobre ambos projetos, Alan sublinhou que, à exemplo do que ocorreu com o Pontal, a RP1 havia solicitado a realização de uma audiência pública no Centro Histórico da cidade, que receberá o empreendimento, mas neste caso a sugestão não foi aceita pela Smam. “Continuaremos cobrando até entender a razão”, avisa.
    Dificuldades de acesso ao debate público
    O conselheiro relata também problemas de organização do evento. Por exemplo, seguranças estariam restringindo o acesso ao ginásio onde o debate foi realizado. “Como conselheiro da RP1 fui barrado quatro vezes”, revela.
    Uma vez dentro do espaço, Alan reparou que um cordão de isolamento separava a área das autoridades – mais próxima à mesa onde seriam apresentados os estudos – do restante público. “Ora, o objetivo não era de esclarecer sobre o projeto? Então porque o acesso a quem deveria estar sendo esclarecido estava restrito?”, indaga.
    A ausência de rampas de acesso para cadeirantes e outros equipamentos que garantissem a acessibilidade de deficiente também mereceu críticas – que foram encaminhadas por moradores da região que representa no Conselho. “Até mesmo quem estivesse em dúvida sobre o projeto passaria a ser contra, pela forma truculenta de tratamento, pela restrição de acesso praticada”, resume.
     

  • Exclusivo: RBS busca substituto para Duda Melzer

    Luiz Cláudio Cunha
    Ainda não é oficial, mas será: caiu o presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, o Duda.
    O afastamento do principal executivo do maior grupo de mídia do sul do país deverá ser formalizado em outubro. Uma empresa de head-hunters de São Paulo já está procurando um profissional que assuma o comando do conglomerado sulista e de forte repercussão na mídia nacional, já que a RBS é a maior afiliada da Rede Globo no Brasil.
    O grupo possui 18 emissoras de tevê que cobrem 789 municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de sete rádios e seis jornais, liderados por Zero Hora, o diário mais influente da região e o sexto jornal de maior circulação no Brasil.
    Eduardo Sirotsky, neto do fundador da RBS, Maurício Sirotsky (1925-1986), assumiu o comando do grupo em 2012, recebendo o bastão de comando do tio, Nelson Sirotsky, da segunda geração da família mais poderosa da mídia da região Sul.
    O que parecia promessa virou decepção. O jovem Duda, então com 40 anos, se defrontou com uma crise de conjuntura que mesclou redução de faturamento, aumento de custos, fuga de leitores e a crise existencial da internet que atingiu o fígado, o bolso e o modo de operação dos jornais impressos, núcleo central que sempre deu prestígio e influência às famílias tradicionais da grande mídia brasileira.
    A crise que afetou Zero Hora e outros grandes jornais erodiu o prestígio dos Sirotsky – e o comandante em exercício na terceira geração, Duda, acabou pagando o pato. Para tentar estancar a sangria, ele acertou em 2013 a contratação de um consultor respeitado em São Paulo e temido pelo apelido que o define: Cláudio Galeazzi, um especialista em hemorragias empresariais que, à custa de seu rigor impiedoso e cirúrgico, conquistou no mercado a merecida fama de Galeazzi Mãos de Tesoura.
    Sua aparição no grupo, sobrevoando o emprego de seus 6.500 funcionários, foi revelada aqui no JÁ numa reportagem em setembro de 2014 sob o título de “A tesoura que assombra a RBS”. A lâmina de Galeazzi cortou fundo na empresa, fundo demais. O fio agudo do consultor acabou sangrando até as relações entre criador e criatura, os dois Sirotsky que se revezaram no poder, Nelson e Eduardo.
    Gente de confiança de Nelson foi tesourada, sem piedade, pelo plano de arrocho imposto por Eduardo. Dois homens da tropa de elite de Nelson — o vice-presidente de jornais, rádio e digital, Eduardo Smith, e o diretor de jornalismo, Marcelo Rech — foram excluídos do círculo de decisão da RBS, provocando uma cisão irreparável nas relações entre tio e sobrinho. Eduardo afastou Rech da área crítica da direção editorial, contrariando frontalmente a visão de Nelson, que via o jornalista como uma referência de ponderação nas decisões sempre delicadas da redação.
    Apostas erradas
    O sobrinho, um inexperiente administrador de empresas com rápida passagem na juventude por uma inexpressiva franquia de pirulitos e balas, acabou sendo uma aposta errada do tio. Eduardo não mostrou o talento e o apego jornalístico que Nelson herdou do pai, Maurício, um homem que trazia a comunicação nas veias do veterano profissional de rádio.
    A sangria desatada dos últimos tempos mostrou ao clã Sirotsky que o próprio Galeazzi e sua impiedosa tesoura também foram apostas equivocadas. Nelson e membros da família acham, agora, que a dose foi exagerada, e o desgaste na imagem vencedora da RBS tornou-se insuportável. Os laços profissionais com Galeazzi estão cortados, ele já cumpriu sua missão de serial killer com louvor, e ninguém mais quer lembrar de sua sangrenta passagem por lá. Para conveniência geral, a conta da contratação de Galeazzi ficou nos ombros largos do jovem Duda Sirotsky.
    Diante do tamanho da crise que afeta os negócios da comunicação, agravada pelas dificuldades mais amplas da economia brasileira, a família Sirotsky percebeu agora que Eduardo não tem o perfil para cavalgar o tsunami da conjuntura e não tem o pulso necessário para impor um novo rumo à RBS.
    Com a frieza de um Galeazzi, Nelson aprovou, na família, a dolorosa decisão de tesourar o sobrinho, afastando-o da cadeira de comando antes que o buraco fique maior. Coincidência ou não, isso fará com que Eduardo Sirotsky Melzer compareça à CPI do CARF, no Senado Federal, na condição de ex-dirigente da RBS. Ainda não há data marcada para seu depoimento, mas ele já foi convocado para depor em nome da RBS, uma das principais empresas brasileiras flagradas pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, que investiga a manipulação de multas e crimes de sonegação no âmbito da Receita Federal.
    Fim da perpetuação
    Eduardo prepara o desembarque da RBS há algum tempo. Nunca formalizou a transferência da mulher, Lica, de São Paulo para Porto Alegre e, há algum tempo, trocou a casa na capital gaúcha por um apartamento, onde mora só. A mudança já foi concluída para a sua mansão no elegante bairro do Morumbi, na capital paulista, onde ele pretende morar definitivamente — dentro ou fora da RBS.
    A ousada decisão da RBS de requisitar os serviços de uma empresa head-hunter para definir o sucessor de Eduardo mostra que a família desistiu do privilégio hereditário de manter um Sirotsky no comando da empresa. É um exemplo inesperado de profissionalismo, que afeta o dogma da ‘perpetuação’ que o clã Sirotsky cultivou com obstinação até agora. Mas, revela também o reconhecimento de que não encontraram, nas veias familiares, o talento empresarial necessário para manter a RBS no rumo de sucesso que tinha com os dois primeiros Sirotsky, Maurício e Nelson.
    No grande evento de Porto Alegre da transmissão de mando na RBS, em 2012, as fotos mostram um sorridente Nelson Sirotsky cumprimentando o eufórico Eduardo Sirotsky Melzer. Sem perceber que o microfone continuava aberto, o tio deu um forte abraço no sobrinho e fez uma clara recomendação, que repetiu duas vezes, numa inconfidência que ecoou pelo salão:
    — Não se acadele, Duda, não se acadele!
    O verbo acadelar, no restrito linguajar gauchesco, significa desmotivar-se, perder a coragem, apequenar-se, quase uma desonra para o rígido código de ética do gaúcho tradicional. Nelson Sirotsky, sem querer, definiu nesse descuido, num momento de festa, o que acontece agora no momento de tragédia pessoal do sobrinho.

  • CPI do Carf ouve dois no dia 1º e decide acareação entre investigados na Operação Zelotes

    A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura denúncias de irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) deve ouvir na quinta-feira (1º) Meigan Sack Rodrigues, ex-conselheira da entidade, e Alexandre Paes dos Santos, sócio da empresa Davos Energia Ltda.
    Ambos são citados na Operação Zelotes, que investiga denúncia de que empresas, escritórios de advocacia e de contabilidade, servidores públicos e conselheiros do Carf criaram esquema de manipulação de julgamentos, para redução de multas de sonegadores de impostos.
    O Carf é um órgão do Ministério da Fazenda junto ao qual os contribuintes podem contestar administrativamente multas aplicadas pela Receita Federal. Ex-conselheira do órgão, Meigan Rodrigues havia sido convocada para reunião anterior da CPI, mas apresentou atestado médico e não compareceu. Ela é filha de Edson Pereira Rodrigues, ex-presidente do Carf, e sócia do pai em um escritório de advocacia.
    O lobista Alexandre dos Santos é suspeito de criar empresa de fachada para participar do esquema. Os requerimentos para a tomada dos depoimentos foram apresentados pelo senador José Pimentel (PT-CE).
    A CPI do Carf é presidida pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) e tem como relatora a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Criada em maio, teve seu prazo de investigação prorrogado até janeiro de 2016.
    Deliberativa
    Após a oitiva, a comissão deve votar requerimento de Ataídes Oliveira para realização de acareação entre Hugo Rodrigues Borges e Gegliane Maria Bessa Pinto.
    Em depoimento no último dia 3, Hugo Borges afirmou aos senadores que a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, após deixarem as pastas, frequentaram o escritório das empresas J. R. Silva e SGR Consultoria Empresarial, apontadas como peças principais do esquema de manipulação de julgamentos do Carf.
    Ex-funcionária da J. R. Silva, Gegliane é considerada uma testemunha-chave da investigação. Ela foi ouvida em audiência secreta no dia 30 de junho e, segundo revelou Vanessa Grazziotin na ocasião, prestou informações relevantes ao trabalho da CPI

  • Empresa do MCTI desenvolve chip a serviço de atacadistas de frutas e hortaliças

    O chip CTC13001 (identificação automática) é um “código de barras eletrônico” atende a padrões internacionais de comunicação sem fio.
    O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), através do Centro de Excelência em Tecnologia Avançada (Ceitec S.A.), desenvolveu microchips que, em sintonia com a emergente “internet das coisas”, permite aperfeiçoar o gerenciamento da cadeia logística de frutas e hortaliças.
    Visando garantir a qualidade dos produtos, reduzir o desperdício de alimentos e diminuir as perdas que ocorrem pós-colheita, especialmente durante o transporte e o armazenamento dos produtos nas centrais de abastecimento do País, a tecnologia da Ceitec S.A. opera em três linhas: identificação automática, lacre eletrônico e registrador de temperatura.
    São chips de ampla aplicação, incluindo o setor de frutas e hortaliças. O chip CTC13001 (identificação automática) é um “código de barras eletrônico” que atende a padrões internacionais de comunicação sem fio e permite a identificação automática de embalagens a quem estiver afixado, sejam caixas, paletes e outras formas de armazenamento.
    Esse chip permite a identificação e viabiliza o rastreamento e controle (local e tempo de armazenagem) de itens a partir de antenas de radiofrequência, construídas para esse fim, e controles informatizados. Centenas de itens podem ser identificados e contados em um palete, sem que ele seja desmontado. Com isso, economiza-se tempo e a manipulação dos produtos é minimizada. A identificação pode levar em conta data de produção, embalagem, região de colheita e outros fatores.
    O segundo chip, CTC13001T (lacre eletrônico), apresenta todas as funcionalidades do CTC13001 e, adicionalmente, acusa o rompimento da embalagem a que está afixado. Permite, assim, o tratamento diferenciado de itens de maior valor agregado e/ou mais sensíveis. Garante que a embalagem ou pallet entregue pelo transportador contenha exatamente aquilo que foi embarcado para transporte.
    Já o CTC12100 (registrador de temperatura) possibilita o gerenciamento da “cadeia do frio”, ou seja, as operações logísticas que devem ocorrer em baixa temperatura. Registra o histórico da temperatura do item e o disponibiliza na tela do smartphone. Desvios de temperatura durante o transporte ou armazenamento – que não produzem um efeito imediato, mas reduzem substancialmente o tempo de vida do produto em prateleira – podem ser prontamente identificados, convertendo-se em oportunidades de melhoria.
    Por meio da Ceitec S.A., o MCTI aporta a alta tecnologia dos microchips para aplicações que podem impactar diretamente a vida do produtor e do cidadão, trazendo mais rentabilidade, qualidade e ganho ambiental nesse relevante mercado de frutas e hortaliças.
    Ceitec S.A.
    Uma empresa pública federal vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), criada em 2008, a Ceitec S.A. atua no segmento de semicondutores e tem como missão posicionar o Brasil como um player global em microeletrônica, contribuindo para o desenvolvimento nacional.

  • Bento Gonçalves sedia Congresso Internacional de Educação à Distância

    O 21º Congresso Internacional de Educação a Distância (CIAED) será realizado entre os dias 25 a 29 de outubro, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O evento é uma promoção da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) e terá como tema-central “Se eu fosse Ministro da Educação, eu faria o seguinte a propósito da EAD…”. As inscrições estão abertas até o dia 14 de outubro ou na abertura do evento.
    Durante cinco dias, o congresso receberá educadores, especialistas, pesquisadores e dirigentes de organizações educacionais para discutir assuntos diretamente relacionados à educação a distância no Brasil e a inovação dessa modalidade de ensino.
    Conforme a diretora da ABED, Rita Maria Lino Tarcia, o evento terá uma série de debates importantes, com apresentações em sessões plenárias de especialistas internacionais, mesas- redondas, apresentações de trabalhos científicos, workshops e minicursos com foco na discussão dos aspectos relacionados à educação aberta, flexível e a distância no Brasil: “Os esforços da ABED, como sociedade científica para encorajar o estudo das teorias e a prática de pesquisa, na busca da excelência em educação a distância, a ética nas relações entre instituições, entre docentes e discentes, resultou na eleição da ABED pela comunidade de EaD como o fórum principal para a discussão e apresentação de pesquisas relacionadas à área”.
    Rita Tarcia ainda destaca a presença de expositores com produtos e serviços de empresas e instituições líderes no setor de EaD,  lançamentos de livros, apresentações de trabalhos científicos e a oportunidade de network. “O 21º CIAED já é um evento tradicional para os profissionais da Educação a Distância, que a cada ano procura construir um novo capítulo para ampliar as possibilidades educacionais no Brasil”, afirmou.

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    Congresso receberá educadores, pesquisadores e dirigentes de organizações educacionais

    SERVIÇO
    21º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância
    Data: 25 a 29 de outubro
    Cidade: Bento Gonçalves/Rio Grande do Sul
    Mais informações: abed@abed.org.br ou por telefone: (11) 3275­3561
    www.abed.org.br
    SOBRE A ABED
    A ABED foi criada em 1995 por educadores com interesse neste modelo de ensino a distância, além da aplicação de novas tecnologias no aprendizado. Dentre seus objetivos desta sociedade científica sem fins lucrativos está estimular a criatividade e a inovação na EaD. Com esta finalidade, organiza congressos, seminários e reuniões científicas para a sistematização e difusão do saber em EAD.
    A ABED é membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC e filiada a instituições internacionais entre as quais o InternationalCouncil For Open andDistanceEducation– ICDE e o Open Education Consortium – OEC.

  • Documentos do DOPS gaúcho estão no Comando Militar do Sul

    Geraldo Hasse
    Depois da sacada do jornalista Flavio Tavares sobre os simulacros de democracia vividos pelos brasileiros em diversos momentos da História, o que mais impactou o público presente ao evento de lançamento das três revistas JÁ sobre a ditadura de 1964/85, no auditório da ARI, sábado, 26 de outubro, foram as revelações do advogado Jair Krischke sobre o destino dado ao fichário do DOPS gaúcho.
    “Alguns dos presentes devem se lembrar que em 1982, no governo Amaral de Souza, os arquivos do DOPS foram queimados publicamente”, disse Krischke, completando: “Mas antes disso todos os documentos foram microfilmados…” Sim!
    E onde foram parar os microfilmes?
    “Estão no quinto andar do QG do Comando Militar do Sul”, afirmou o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos. Estão supostamente bem guardados mas não podem ser consultados por ninguém. “Por lógica e lei, deveriam estar no Arquivo Público do Estado”, afirma Krischke, salientando que em 1995 o general  Zenildo de Lucena, ministro do Exército no primeiro governo FHC (1995-98), opinou que os arquivos dos Dops estaduais deveriam ser devolvidos… Como a opinião não virou ordem nem lei, ficou por isso mesmo. Na documentação do DOPS gaúcho existe até material sobre a repressão durante o Estado Novo (1937/45), nome oficial da ditadura varguista.
    O Exército como guardião de documentos sobre a repressão política que, em grande parte, ele mesmo comandou, é mais um paradoxo a confirmar a simulação denunciada por Flavio Tavares e atribui dimensões de tragédia à luta dos militantes dos direitos humanos para fechar o caixão da ditadura, que permanece aberto após “o resultado pífio”, segundo Krischke, dos levantamentos realizados pela Comissão Nacional da Verdade durante o primeiro governo da presidenta Dilma. “A Comissão foi um traque”, disse Krischke
    Quando o editor do JÁ, Elmar Bones, lembrou que a ditadura expurgou milhares de estudantes, professores e pesquisadores, provocando um buraco nas universidades, Krischke contou um episódio relacionado com sua militância pelo resgate de documentos pertinentes à violação das liberdades fundamentais. “Consta que na UFRGS não há documentos sobre os famosos IPMs (inquéritos policiais militares) do início do governo militar pós-64”, contou ele, “mas recentemente fui avisado de que haviam sido doados à nossa universidade milhares de livros e papeis pertencentes a um velho professor falecido”.
    Vasculhando esse material, Krischke encontrou cópias de atas de cassação de professores, o que por si só confirma duas coisas: 1) as cassações não eram simples atos administrativos das Forças Armadas – tramitavam dentro da universidade e contavam no mínimo com o apoio de gente de peso nas universidades; 2) sempre é possível recuperar documentos que comprovam o mau caráter da ditadura 64/85, que “não foi apenas militar”. Em nome da OAB, Krischke microfilmou as atas.

  • Coletivo Feminino Plural lança grupo de estudos, filme e livro no dia 30

    Na próxima quarta-feira (30) o Coletivo Feminino Plural promove o lançamento do Grupo de Estudos Feministas e de Gênero. O evento de apresentação do projeto contará com a presença da médica baiana Maria José de Oliveira Araújo (Sorbonne) e da Rede Nacional Feminista de Saúde – Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e que integra a rede Doctors For Choice (Médicos/as pelo direito de decidir), lançamento da publicação “Saúde mental e gênero, novas abordagens para uma linha de cuidado”, organizado pelo Coletivo, e exibição do filme “O que há de errado com ela?”, dirigido por Mirela Kruel.
    Característica do feminismo contemporâneo, a articulação entre teoria e prática política instiga permanentemente à reflexão e debate sobre a pertinência das ideias. A diversificação dos enfoques feministas e de gênero nas últimas décadas demonstra a capacidade de auto renovar-se e ampliar o seu espectro. Esse fenômeno desafia à busca de abordagens e nuances no pensamento e na ação, à produção teórica e política, formas de organização, de expressão pública, de linguagens e estratégias. Uma vasta produção enriquece o pensamento atual, em teses, livros, discursos e outras formas de apresentação não usuais.
    É na perspectiva de provocar o debate que o Coletivo Feminino Plural propõe a constituição de um Grupo de Estudos Feministas e de Gênero, destinado a reunir mensalmente, além de suas filiadas, pessoas motivadas a discutir e aprofundar a compreensão sobre os diversos olhares em torno de temas instigantes, tais como: Feminismo, Gênero, Patriarcado, Sexualidade, Aborto, Autonomia, Racismo, Corpo, Ciência, Poder, Diversidade, Política, Trabalho, Cultura, Religião, Comunicação.
    1º ENCONTRO
    O primeiro encontro para a apresentação da proposta do Grupo de Estudos Feminino Plural ocorrerá em 30 de setembro, às 17 horas, no Clube de Cultura (Rua Ramiro Barcelos, 1853 – Bom Fim) com a participação da médica baiana Maria José de Oliveira Araújo (Sorbonne) e da Rede Nacional Feminista de Saúde – Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e que integra a rede Doctors For Choice (Médicos/as pelo direito de decidir). Nesta mesma noite, será lançada a publicação “Saúde mental e gênero, novas abordagens para uma linha de cuidado” organizada pelas integrantes do Coletivo Feminino Plural (Telia Negrão, Regina Vargas e Leina Peres Rodrigues) e o filme “O que há de errado com ela?”, dirigido por Mirela Kruel e protagonizado pela atriz Janaína Kremer. Ambas as peças compõem o Projeto Girassóis – Gênero e Saúde Mental, que tem o patrocínio da Secretaria de Políticas para a Mulher da Presidência da República.

    Cena do filme
    Cena do filme O que há de errado com ela?

    A partir do mês de outubro, o Grupo se reunirá mensalmente para discutir textos previamente selecionados que integram o Acervo Feminista Enid Backes, uma parceria com a Fundação Luterana de Diaconia, e do Ponto de Cultura feminista Corpo Arte e Expressão, parceria com Sedac/RS. Contará com a facilitação de pessoas que se ocupam de aprofundar olhares sobre palavras chave para as mulheres e o feminismo. Temas que provocam, instigam, irritam, iluminam e abrem caminhos do pensamento contemporâneo.
    O QUE: LANÇAMENTO DO GRUPO DE ESTUDOS FEMININO PLURAL
    QUANDO: 30 de setembro de 2015 – 17 horas
    LOCAL: Clube de Cultura – Rua Ramiro Barcelos, 1853 – Bom Fim
    PROGRAMAÇÃO: Provocações teóricas e troca de ideias, com Maria José Oliveira Araújo, lançamento de livro “Saúde mental e gênero, novas abordagens para uma linha de cuidado” e apresentação do filme “O que há de errado com ela?”.
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    Capa do livro

    ENTRADA FRANCA
    PARA SABER MAIS:
    Coletivo Feminino Plural é uma organização feminista de Porto Alegre fundada em 1996. Orienta-se pela defesa dos direitos humanos e da cidadania de mulheres e meninas. Atua por meio de ativismo político, projetos e ações de empoderamento pessoal e político das mulheres. É apoiada por inúmeras instituições, entre as quais a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Fundação Luterana de Diaconia, Poder Judiciário, Secretarias de Saúde e da Cultura do RS. Mantém parceria com a Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, Fórum de Entidades Ongs Aids do RS, Fórum de Mulheres do RS e de Porto Alegre, Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher, Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre Mulher e Gênero da UFRGS, Núcleo de Gênero e Violência da PUCRS, Núcleo de Gênero e Religião das Faculdades EST, Biotecjus/Unisinos, entre outros espaços de produção de conhecimento. A entidade coordena o Consórcio Nacional de Redes e Organizações para o Monitoramento da Convenção Cedaw e participa de campanhas nacionais e internacionais de enfrentamento à violência de gênero.
    Encontros servem também para planejar atividades
    Encontros servem também para planejar atividades

    Projetos sendo desenvolvidos:
    Girassóis- Saúde Mental e Gênero – propõe uma linha de cuidado em saúde mental para as mulheres com a perspectiva de gênero (SPM/PR)
    Conexões – estratégias integradas de enfrentamento à Aids e Violência de Gênero(SES/RS) Capacitação de agentes GOV e NGOV (saúde) intersecção Violência contra as mulheres e Aids em três municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Porto Alegre, Canoas e Viamão)
    Ponto de Cultura Feminista Corpo Arte e Expressão – Projeto em rede que visa desenvolver ações culturais, com a valorização das expressões afrodescendentes, de jovens mulheres, nas linguagens do hip-hop, literatura, teatro, artes visuais e ativismo digital (Sedac/RS e MINC)
    Escola Lilás de Direitos Humanos – ação educativa e criativa de adolescentes, do Bairro Restinga, em direitos e cidadania (Vara de Execuções Penais, Fórum de Porto Alegre)
    Acervo Feminista Enid Backes – Organização e disponibilização ao público de acervo especializado em gênero e feminismo (Fundação Luterana de Diaconia).
    Centro de Referência para Mulheres Vitimas de Violência Patrícia Esber – Implantação e coordenação do serviço desde 2011 – (Prefeitura Municipal de Canoas/RS).
    Qualificar e Sistematizar Informações do Centro de Referência para Mulheres Vítimas de Violência Patrícia Esber (CRM) da cidade de Canoas /RS – (Vara de Execuções Penais do Fórum de Canoas).
    Avaliação e gestão de risco como ferramenta para o enfrentamento à VCM Canoas/RS – Centro de Referência para Mulheres Vítimas de Violência Patrícia Esber (CRM) da cidade de Canoas /RS – (Vara de Execuções Penais do Fórum de Canoas).
    Impulsiona e apoia Inclusivass – Grupo de Mulheres com Deficiência – apoio ao trabalho com perspectiva de gênero de mulheres atuantes em diversas organizações e autônomas.
    GRUPO DE ESTUDOS FEMINISTAS FEMININO PLURAL – RESUMO EXECUTIVO
    Na perspectiva de introduzir e aprofundar questionamentos sobre os diversos temas que envolvem as teses feministas, a ONG Coletivo Feminino Plural, que completa 20 anos de existência em 2016, propõe a constituição de um Grupo de Estudos Feministas e de Gênero de caráter permanente.
    Planejado para acontecer mensalmente, deve reunir, além de suas filiadas, pessoas motivadas a discutir e ampliar a compreensão sobre as diversas abordagens teóricas de temas que compõem o ideário feminista, tais como: Feminismos, Gênero, Patriarcado, Sexualidade, Aborto, Autonomia, Racismo, Corpo, Ciência, Poder, Diversidade, Política, Trabalho, Cultura, Arte, Religião, Comunicação, entre outros.
    Quanto à Metodologia, devem constituir-se dois grupos de estudo – Estudos de Gênero – fundamentos e perspectivas teóricas; e Feminismos – trajetória histórica e ação político-social [proposta]– com temas e autoras selecionadas, leituras de textos, sessões de filmes e outras estratégias que provoquem processos dialógicos. A ideia é ofertar para pessoas que desejam aprofundar e debater perspectivas teóricas sobre estudos de gênero um ambiente propício para trocas de saberes; e para aquelas que desejam introduzir-se aos fundamentos e trajetórias dos feminismos a oportunidade de aceder aos seus fundamentos e implicações no ativismo político e mudança social.
    Após o lançamento do Grupo de Estudos, serão abertas inscrições para constituição da(s) turma(s), que deverão seguir um percurso previamente discutido e pactuado. Poderão ocorrer oficinas para introdução à Bibliografia Feminista e de Gênero, atividade vinculada ao Acervo Feminista Enid Backes, que se encontra em processo de organização, ação em parceria com a Fundação Luterana de Diaconia. Outras atividades poderão envolver outros grupos de estudos e pesquisas vinculados a ONGs e Universidades, bem como com o Ponto de Cultura Feminista Corpo Arte e Expressão. Será criada uma plataforma para acesso a textos e outros materiais de estudo.
    A participação é gratuita, mediante inscrição prévia, e ocorrerá na sede do Coletivo Feminino Plural, na Rua Andrade Neves, 159, 8º andar.
    Informações: 51 32215298
    Sede social: Rua Andrade Neves, 159- cjs 84 e 85 – Porto Alegre/RS
    Site: www.femininoplural.org.br
    Email: coletivofemininoplural@gmail.com

  • O simulacro da ditadura como renovação do estado democrático

    Cláudia Rodrigues
    Flávio Tavares, jornalista e professor da UNB, autor de “Memórias do Esquecimento”, vencedor do Prêmio Jabuti 2000 na categoria reportagem, esteve na ARI, Associação Riograndense de Imprensa, para homenagear o lançamento do kit antiditadura, produzido pela Editora JÁ.
    Tavares participou da resistência à ditadura, foi preso e libertado com outros catorze presos políticos em troca do embaixador dos Estados Unidos, em 1969, mas sua palestra passou longe dos detalhes pessoais vividos na prisão e no exílio de 10 anos no México. Ele fez uma análise sobre o momento atual, que considera uma continuidade do simulacro que foi a ditadura.
    A ditadura não se instalou como ditadura no imaginário da população, a palavra mais usada pelos meios de comunicação para estabelecer o golpe era democracia, o discurso era o da renovação, do estado democrático.
    E assim foi durante os 21 anos de ditadura e continuou o teatro. O Brasil se disse democrático, vendeu a ideologia da democracia durante o golpe, após o golpe e continua até hoje no teatro das palavras.
    ”Hoje, o que temos de diferente é que podemos estar aqui reunidos, na época da ditadura as pessoas, as famílias, não podiam falar contra o governo em voz alta dentro de suas casas porque havia a polícia política, os vizinhos podiam denunciar e as pessoas sumiam, mas em termos de organização política o que temos é um simulacro”, afirma Tavares.
    Os partidos políticos são todos iguais, não defendem ideologias e não as praticam. Houve uma concessão com o rompimento do governo militar para o civil e ficou muito claro que havia limites, o limite do pensar, das idéias. Os grandes ideólogos dos partidos hoje são os publicitários que apresentam à sociedade, com participação efetiva dos meios de comunicação, um teatro. A política do país ficou viciada no simulacro que iniciou durante a ditadura e refinou-se.
     
     

  • Feira Ecológica da Redenção comemora 26 anos com concurso cultural

    A Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE) está completando 26 anos no dia 17 de outubro. A organização da feira está promovendo um concurso cultural para escolher a arte comemorativa do aniversário. Neste sábado, 26, a partir das 9h, eles estarão oferecendo material para criação e ideias na banca central da feirinha.
    O vencedor do concurso será premiado com uma cesta de produtos orgânicos da feira e uma camiseta dos 26 da FAE. As inscrições vão até o dia 30 de setembro e o resultado será divulgado em 10 de outubro na feira e pelo facebook. Para se inscrever ou pedir mais informações, envie um email para laurinhaneis@gmail.com com o assunto CONCURSO CULTURAL 26 ANOS FAE.
    Para o dia 17 de outubro, a FAE prepara uma programação especial com bolo de aniversário, abraço simbólico da feira e uma atração musical ainda não confirmada. A Feira Ecológica da Redenção acontece todos os sábados, das 7h às 13h, na José Bonifácio.

  • Comunidades repudiam 'ataques' da RBS contra Morro Santa Teresa

    Lideranças de cinco comunidades do Morro Santa Teresa, acompanhados de representantes de entidades de engenharia, arquitetura e direitos humanos, e da vereadora Sofia Cavedon (PT), reuniram a imprensa hoje à tarde na Câmara Municipal de Porto Alegre para manifestar repúdio às matérias veiculadas pelo Grupo RBS ao que classificaram de “análises generalistas e preconceituosas, que criminalizam a pobreza e atingem a autoestima dos moradores, especialmente das crianças”.

    Lideraças das comunidades reunidas para uma caminhada/Foto Eduíno Matos
    Lideraças das comunidades reunidas para organizar uma caminhada/Foto Eduíno Matos

    A reportagem veiculada no Zero Hora no dia 20 de setembro com o título “O morro do medo” foi o que mereceu mais protestos e indignação entre os presentes. Julio Cesar Pacheco, da Associação dos Moradores da Vila Padre Cacique, e o engenheiro Vinicius Galeazzi, do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge-RS) leram dois manifestos que serão entregues ao Ministério Público e à Defensoria Pública do Estado, onde exigem uma retração pública do jornal.
    Uma das vilas do Santa Teresa/foto Divulgação
    Uma das vilas do Santa Teresa/foto Divulgação

    Os manifestos: