A Beira – movida editorial lança hoje o Fotodobras, que reúne ensaios sobre o urbano dos fotógrafos gaúchos Camila Domingues, Cristiano Sant’Anna, Eduardo Seidl, Mateus Bruxel, e da Joana França, do Distrito Federal. O evento será na Vulp Bici Café (Rua Bento Figueiredo, 78 – Bom Fim) a partir das 18h30 min. A entrada é franca.
O Fotodobras foi viabilizado por 169 pessoas através do site de financiamento coletivo catarse.me. No projeto, os trabalhos compõem uma coletânea de pequenos livros-dobraduras confeccionados a partir de uma página frente e verso de tamanho A3 que, dobrada, resulta em um livro de oito páginas. Os livros estarão à venda no local.
Joana França explorou a textura urbana ao catalogar a arquitetura de Brasília. Cristiano Sant’Anna garantiu o registro rudimentar e documental do gueto invisível em São Paulo através de pinholes. Camila Domingues justapôs abundância e desperdício na distribuição de alimentos. Eduardo Seidl vagou por luzes do amanhecer do centro de Porto Alegre e Mateus Bruxel trabalhou com as margens do urbano na mesma cidade.
A Beira é um novo coletivo editorial que aposta na circulação da fotografia, na pesquisa de novas formas de financiamento e na realização de edições independentes em pequenas tiragens.
Autor: da Redação
Beira lança livro com ensaios fotográficos nesta quinta
Ensaio de Mateus Bruxel aborda as margens do urbano, em Porto Alegre Posto Modelo quer dobrar atendimentos no Saúde da Família
Matheus Chaparini
A equipe da Estratégia de Saúde da Família (ESF) que atua no Centro de Saúde Modelo (av. João Pessoa) solicitou à Secretaria Municipal de Saúde a contratação de mais dois profissionais a fim de que possa dobrar o número de pacientes atendidos pelo programa.
Mais um médico e um técnico de enfermagem seriam suficientes para criar uma segunda equipe da ESF, possibilitando aumentar para no mínimo sete mil pessoas cadastradas. Hoje, a única equipe está sobrecarregada, segundo a coordenadora da ESF do Posto Modelo, a enfermeira Danielle Calegari.
“Trabalhamos com uma equipe ampliada para atender adequadamente a população, mas podemos aumentar muito mais os atendimentos”, explica a enfermeira.
Danielle entre as colegas Gabriela Colares e Ana Pereira / Foto Divulgação
Hoje, a equipe é composta por 18 profissionais: dois médicos, sendo um de 20h e outro de 40h, dois enfermeiros, três técnicos de enfermagem, oito agentes de saúde e uma equipe de odontologia com três profissionais. São atendidos 4.200 pacientes, quando o teto seria de 3.500.
A região de atuação da equipe compreende as avenidas Azenha, Ipiranga e Princesa Isabel, a Vila Planetário e o Condomínio Princesa Isabel, que é considerada de maior vulnerabilidade dentro do território atendido pelo posto.
Com a criação de uma nova equipe, o número pessoas atendidas poderia passar de sete mil.
Na Secretaria da Saúde, as informações divergem da equipe do posto Modelo. A vice-presidente do Instituto Municipal da ESF, Nina Ceolin, diz que o pedido para a criação da segunda equipe já foi atendido há seis meses.
“Uma equipe necessita de um médico, um enfermeiro, um técnico de enfermagem e dois agentes comunitários e há profissionais lá suficientes para duas equipes”, garante Nina.
No site da prefeitura, a informação é de que, além do médico, são necessários dois técnicos de enfermagem e de três a seis agentes.
Moradores foram excluídos
No final de 2012, o Posto Modelo criou uma segunda equipe de Saúde da Família. Mais de três mil pessoas foram cadastradas, mas, logo em seguida, excluídas do Programa. Eram moradores das ruas Laurindo, Santana, Sebastião Leão, Olavo Bilac, Venâncio Aires e Lobo da Costa.
A enfermeira Danielle diz que que o cancelamento desgastou todos envolvidos no processo.
“O cadastramento é feito de porta em porta, é muito trabalhoso para a equipe. Depois, os moradores ficaram contando com o atendimento. Até hoje as pessoas reclamam muito”, afirma.
O Programa de Saúde da Família é vinculado ao Ministério da Saúde e gerenciado pelos municípios. Esse sistema de atendimento se diferencia dos serviços oferecidos nas unidades básicas de saúde. Os agentes comunitários visitam as casas acompanhando principalmente pacientes crônicos, acamados, gestantes e crianças de até dois anos. O atendimento é mais acessível, o paciente consegue marcar consulta de um dia para o outro, sem precisar entrar em fila. Também há mutirões em praças e outros espaços públicos.
Equipe presta atendimento na rua Prof Freitas e Castro / Foto Divulgação
A equipe do Posto Modelo organiza ainda grupos de caminhadas na Redenção, grupo para gestantes e uma roda de conversa focada na saúde mental. Uma vez por mês a equipe vai para a rua desenvolver atividades em cada uma das oito microrregiões que formam o território atendido.Aurora apronta presuntaria no MS
A Cooperativa Central Aurora Alimentos – terceiro maior grupo agroindustrial brasileiro do setor de carnes – inaugura neste sábado (1º de agosto) no município sul-mato-grossense de São Gabriel do Oeste a presuntaria na qual investiu R$ 120 milhões ao longo dos últimos 15 meses.
Com essa ampliação decidida na contracorrente da crise da economia, a indústria de São Gabriel do Oeste (inaugurada em 1996) vai aumentar em 20% os abates de suínos (de 2 500 suínos/dia para 3 000/dia); o número de funcionários subirá de 1 629 atualmente para 1 844; o faturamento deve saltar de R$ 478 milhões (2014) para R% 560 milhões (2015) e R$ 727 milhões (2016); e o ICMS gerado crescerá de R$ 54 milhões este ano R$ 68,4 milhões em 2016.
Com um faturamento de R$ 6,7 bilhões em 2014, a Cooperativa Central Aurora Alimentos é um conglomerado agroindustrial sediado em Chapecó (SC) que pertence a 13 cooperativas agropecuárias (uma delas em Erechim, RS), possui 105 mil associados, sustenta mais de 26.000 empregos diretos e tem uma capacidade de abate de 18 mil suínos/dia, 1 milhão de aves/dia e um processamento de 1,5 milhão de litros de leite/dia. Mantém 42 estabelecimentos: oito unidades industriais de suínos, sete unidades industriais de aves, seis fábricas de ração, 13 unidades de ativos biológicos (incluindo granjas, incubatórios e unidade de disseminação de gens) e oito lojas comerciais.
As unidades industriais de suínos são: Indústria Aurora Chapecó (SC), Frigorífico Aurora Chapecó (SC), Frigorífico Aurora São Miguel do Oeste (SC), Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste (MS), Frigorífico Aurora Sarandi (RS), Frigorífico Aurora Chapecó II (SC), Frigorífico Aurora Erechim (RS) e Frigorífico Aurora Joaçaba (SC).
As sete plantas para processamento de aves são: Frigorífico Aurora Maravilha (SC), Frigorífico Aurora Quilombo (SC), Frigorífico Aurora Erechim (RS), Frigorífico Aurora Abelardo Luz (SC), Frigorífico Aurora Guatambu (SC), Frigorífico Aurora Xaxim (SC) e Frigorífico Aurora Mandaguari (PR).
As 13 cooperativas agropecuárias filiadas são: Cooperalfa (Chapecó/SC), CooperA1 (Palmitos/SC), Coopercampos (Campos Novos/SC), Copérdia (Concórdia/SC), Cotrel (Erechim/RS), Auriverde (Cunha Porã/SC), Cooperitaipu (Pinhalzinho/SC), Camisc (Mariópolis/PR), Coasgo (São Gabriel do Oeste/MS), Coopervil (Videira/SC), Cocari (Mandaguari/PR), Colacer (Lacerdópolis/SC) e Caslo (São Lourenço do Oeste/SC).Um golpe no ar
Um noticiário superficial e mal intencionado segue disseminando o sentimento de que a solução para a crise política seria a queda da presidente Dilma Rousseff.
Segundo essa interpretação primária e perigosa, a presidente poderia ser enquadrada em crime de responsabilidade pelo judiciário e, em seguida, cassada pelo congresso, num processo de impeachment.
Que a oposição faça esse discurso, principalmente a parte menos responsável e mais eleitoreira da oposição, faz parte do jogo.
Mas ver os grandes veículos de mídia encamparem uma tese dessas é extremamente preocupante.
Dilma não é Jango, nem Collor. Jango por suas vacilações perdera a confiança até de aliado mais próximos. Collor, eleito por uma frente oportunista turbinada pela mídia, não tinha base política para resistir.
Não é o caso de Dilma. Embora ela esteja fragilizada, com a popularidade em baixa, com seu partido acuado por acusações de corrupção, ela ainda é a expressão eleitoral de forças sociais amplas e organizadas e não consta que tenha, até o momento, sido abandonada por elas.
Em vez de tranquilidade, a derrubada da presidente, poderá resultar numa instabilidade sem precedentes e pode desencadear uma sucessão de crises, que ninguém pode prever onde vai acabar.
O país tem problemas, a crise é real e crescente e a presidente parece perdida diante do quadro de instabilidades. Mas forçar sua saída agora é golpe e golpe a gente já viu: sabe-se como começa, não se sabe como termina. (Já Bom Fim/Julho 2015)Livro para colorir não é arteterapia
EMÍLIA GONTOW*
Os livros de colorir lotaram as prateleiras das lojas e estão fazendo sucesso. Porém, com seu surgimento vieram também equívocos no que diz respeito aos benefícios que esta forma de passatempo oferece. Nas capas destes livros estão estampadas palavras como Arte, Arteterapia e Criatividade. É preciso esclarecer.
Estes livros são bonitos e podem divertir, lembram nossa infância e antigas atividades de lazer – formas de passatempo. Imagino que vieram para ficar, pois brincar com as cores e material para colorir é muito bom. Podem acalmar, colaborar na concentração e até instigar a imaginação para posterior criação. Mas eles não são arte e, muito menos, Arteterapia.
A Arteterapia surgiu no Brasil no final da década de 1960 e, assim como a arte, que é pouco explorada na nossa cultura, ainda não é bem compreendida. As palavras arte, terapia e criatividade são usadas nas diferentes expressões informais do dia a dia, porém na prática contém especificidades. Na hora de se divertir com os livros de colorir, pode parecer não ser importante, mas o esclarecimento é fundamental para estar ciente do que se está fazendo ou “consumindo” e quanto às terapias a procurar.
Criatividade significa capacidade de criar, gerar um novo ser ou objeto. Os desenhos dos livros de colorir já vêm criados, não são formulações da pessoa que pinta, esta apenas os colore.
Arte é criação pessoal, representação ou nova interpretação; envolve conhecimento da história, intenção e proposta do artista, que se, até um período, tinha a ver com o belo, no início do século passado, com os horrores das guerras, perdeu este compromisso. Por isso, não podemos dizer que este passatempo estimula a criatividade e que seja arte.
Arteterapia é expressão criativa, nasceu justamente para desmanchar o desenho pronto (estereotipado) da pessoa, devolvendo-lhe a própria identidade, simbologia e metáforas. São usados recursos artísticos nas áreas visual, musical, poética, dança e teatro, com finalidades terapêuticas, a fim de propiciar expansão da consciência, mudanças psíquicas, resolução de conflitos internos, desenvolvimento da personalidade e autoestima de pacientes, clientes, familiares, profissionais e cuidadores. Só é assim concebida quando o processo é conduzido por um arteterapeuta formado, o que ocorre em nível de especialização, e capacitado para oferecer o ambiente preparatório, pensamento terapêutico, materiais específicos para tal, propostas, acompanhamento adequado e reflexão final fundamental.
Como funciona a arteterapia?
A Arteterapia atua nas emoções em desequilíbrio, situações traumáticas, nas patologias e distúrbios de comportamento, déficit cognitivo e físico. Os arteterapeutas atendem em clínicas, hospitais, organizações não-governamentais, aldeias, escolas, universidades, em grupos informais e consultórios; em parceria ou não com outros profissionais da área da saúde. As propostas para o cliente abrangem uma gama enorme nas diversas técnicas de desenho, pintura, montagem, colagem, gravura, cerâmica, fotografia, canções, escrita, expressão corporal e outros.
Os primórdios da Arteterapia (1870) são tecidos por médicos, psicanalistas e psicólogos, mais tarde, por pedagogos e educadores que atestaram a importância da arte na vida humana como função estruturante, que revela possibilidades e aponta para o novo. O objetivo era libertar crianças e adultos de desenhos e pinturas que não fossem pessoais. Constitui-se como terapia e não objetiva a estética; o foco é o processo do paciente e não análise da obra de arte. É reconhecida como profissão pelo Ministério do Trabalho e uma busca simples na internet nos coloca em contato com Associações de arteterapeutas na Itália, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Brasil, entre outros.
Assim, os livros para colorir servem para colorir desenhos prontos, produzidos por outra pessoa. Arteterapeutas apontam que estes livros aprisionam a criatividade e estimulam o famoso “não sei desenhar”, limita o olhar ao desenho “perfeito”, mantendo a pessoa estagnada, já que criar incomoda, dá trabalho. Um livro para colorir serve para o que diz: colorir.
Nunca atuará efetivamente na transformação psíquica de uma pessoa. Em época de produção e consumo rápido como a nossa, é fundamental que se diga que os livros de colorir não trazem o aprofundamento necessário às mudanças decorrentes de uma terapia, que demanda tempo e o profissional adequado.
* Emília Gontow é artista plástica, arteterapeuta, taróloga terapeuta e terapeuta floral em Porto Alegre.
Dívida pública vai chegar a R$ 2,6 trilhões
Nos últimos 12 meses a dívida pública brasileira subiu 17%.
Chegou aos R$ 2,5 trilhões em junho. É um número impensável, com onze zeros.
Distribuída entre os 200 milhões de brasileiros daria uma dívida de R$ 12,5 mil para cada um.
No fim de 2015, já será maior: pode superar os R$ 2,6 trilhões: para fechar suas contas, o governo federal terá que emitir novos títulos até dezembro.
Só para pagar os juros, o país terá que desembolsar R$ 63 bilhões.
Os dados são da Secretaria do Tesouro Nacional e revelam um dos maiores problemas do país, um iceberg do qual conseguimos ver uma pontinha.
Este ano, por exemplo, para não aumentar excessivamente o endividamento, o governo terá que usar R$ 147 bilhões do orçamento para resgatar títulos.
Dinheiro que, numa hora dessas, sairá da segurança, da educação, da saúde, dos investimentos…
A dívida pública federal inclui os endividamentos interno e externo do governo.
Os números mostram que o aumento da dívida em junho deste ano está relacionado com a emissão líquida (o governo fez mais dívidas do que pagou) e com a apropriação de juros sobre o estoque do endividamento brasileiro (pediu emprestado para pagar o juro).
No mês passado, foram emitidos R$ 66,58 bilhões em papéis da dívida federal, ao mesmo tempo em que foram resgatados (pagos) R$ 2,52 bilhões. A diferença, de R$ 64,05 bilhões, foi coberta com novos papéis. Ao mesmo tempo, as despesas com juros totalizaram R$ 23 bilhões.
Interna e externa
A quase totalidade desta dívida é interna, com bancos e fundos nacionais. Com o crescimento de 3,8% em maio, a dívida interna atingiu R$ 2,462 trilhões.
A dívida externa, junto a bancos e fundos internacionais, está diminuindo. Caiu 2,34%, em maio, ficando em R$ 121,28 bilhões.
A maior parcela desses títulos (42%) pagam juros pré-fixados. Outros 32% pagam juros segundo o índice de preços. O restante, em torno de 20%, são títulos remunerados por taxa flutuante.Câmara define novos limites de bairros na volta do recesso
Felipe Uhr
Em discussão há pelo menos sete anos – um e meio na Câmara Municipal – o projeto de lei que cria novos bairros em Porto Alegre e altera limites daqueles já existentes deve ir a plenário na volta do recesso do Legislativo, a partir de 1º de agosto.
A condição proposta pelo relator do texto na Comissão de Urbanismo, Transportes e Habitação (Cuthab), vereador Engenheiro Comassetto (PT), é que sejam feitas alterações ao projeto do Executivo com demandas enviadas pela sociedade ao colegiado.
Comassetto costura um acordo entre oposição e situação para que todas as solicitações consideradas pertinentes – recebidas em quatro encontros comunitários ao longo do primeiro semestre – sejam aglutinadas em uma única emenda ao PL original. Não devem haver contribuições excedentes.
A alteração gera controvérsia no Conselho Municipal do Plano Diretor (CMDUA), cuja análise do texto precedeu o envio ao Legislativo municipal. “Há interesses pessoais e não coletivos na iniciativa”, denuncia a funcionária pública e conselheira do fórum da Região de Planejamento 6 (RP-6) de Porto Alegre, Anadir Alba.
Ela reclama que a tarefa de debater com a sociedade as mudanças nos limites do bairro já havia sido feita e que o texto encaminhado aos vereadores foi aprovado por unanimidade pelos 27 membro do CMDUA depois de muita discussão. “Estamos desde 2011 com isso, o que está no projeto foi o construído com as comunidades”, argumenta.
Para Anadir, moradores descontentes com o formato definido no Conselho do Plano Diretor aproveitaram a brecha da tramitação na Câmara para mudar o conteúdo do texto final. “São uma minoria”, aponta.
O arquiteto da Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb) Túlio Calliari também defende a manutenção do mapa enviado para a Câmara. “Houve uma construção técnica para que os limites acordados virem lei”, explica.
Apesar da polêmica, Comassetto acredita que o acordo será constituído na primeira quinzena de agosto, habilitando o PL para a análise em plenário.
mudanças incluem arena e pontal
A proposta que foi encaminhada à Câmara Municipal prevê a criação de 13 novos bairros e a extinção de dois: Marcílio Dias, cuja área seria absorvida pelos bairros adjacentes (Centro, Floresta, São Geraldo e Navegantes) e Jardim Itú Sabará, que seria dividido em Jardim Itú e Jardim Sabará. Porto Alegre, que hoje conta com 79 bairros, passaria a ter 91 com as alterações.
Até o início do recesso legislativo, Comassetto já havia elencado 11 pontos que deveriam ser alterados no texto final, mas as mudanças podem chegar a 20. Elas seriam organizadas em forma de incisos em uma única emenda, para garantir que não haja distorção com a aprovação de uns e a rejeição de outros.
Duas mudanças chamam atenção. Uma, sobre a área onde está a Arena do Grêmio e outra a do Pontal do Estaleiro – atualmente chamado Parque do Pontal.
Em ambos os casos, o CMDUA havia decidido modificar os bairros a que pertencem esses empreendimentos. A Arena passaria da Vila Farrapos, onde está atualmente, para o Humaitá (onde aliás, a imprensa situa o estádio em suas narrativas).
Já a Ponta do Melo – onde se pretende erguer o Parque do Pontal – pertence ao Cristal, mas passaria para o domínio do bairro Praia de Belas segundo o texto original, o que Comassetto quer evitar.
A divergência tem sua raiz no poder da indústria da construção civil. Moradores do entorno da Arena, por exemplo, temem que ao passar o domínio do Estádio para o Humaitá, a Vila Farrapos deixe de receber investimentos e se desvalorize.
“Estão de olho neste espaço por ser perto do Centro, querem expulsar a pobreza e construir arranha-céus”, reclamou a moradora Seila Pedroso, da Vila Farrapos, em um dos encontros promovidos pela Cuthab.
Segundo ela, a vila, que completa 50 anos em setembro, está sendo “engolida” pelo Bairro Humaitá, que estaria recebendo “todas as regalias” do poder público.
Na mesma ocasião, o conselheiro do Orçamento Participativo (OP) Itamar Guedes reclamou que na divisão proposta a parte boa, “que são os empreendimentos que trazem melhorias para a comunidade”, vai ficar toda do lado do Humaitá.
Cuthab propõe mais dois bairros novos
Se o PL original propõe a criação de 13 novos bairros, a Comissão de Urbanismo, Transporte e Habitação (Cuthab) da Câmara pretende incluir na lista outros dois: Boa Vista do Sul, que estaria situado entre Belém Novo e Lami, e outro ainda sem nome e território definidos com exatidão, mas que estaria situado na região da Cavalhada, onde hoje fica a Cohab.
“Nesses casos, há o contexto do pertencimento, os moradores se sentem parte de um bairro e não de outro e há quem prefira a criação de um novo”, argumenta o parlamentar.
Outra alteração que deve ser feita é no limite do novo bairro Aberta dos Morros, que não se estenderia até o Morro Tapera, conforme o texto original.
Desenho atual é da década de 1950
A conformação atual dos bairros de Porto Alegre foi estabelecida em 1959 e o PL em discussão unifica legislações existentes desde 1957 sobre a organização da cidade. “Porto Alegre será o primeiro município brasileiro a ter uma lei que delimita os bairros”, comemora o conselheiro do OP Eduíno de Mattos.
O texto tem o objetivo de organizar os serviços oferecidos pelo poder público, conforme explica o prefeito José Fortunati em sua apresentação do documento. “A importância do bairro como microunidade territorial do município está associada a aspectos socioculturais e administrativos, capaz de estabelecer estreito vínculo de identidade da população com o espaço em que vive, e mais recentemente, de se consolidar como importante referência para a definição e gestão de políticas públicas.”
A iniciativa foi proposta em 2008 pela Secretaria de Urbanismo quando a pasta ainda levava o nome de Planejamento. Tramitou no CMDUA entre 2011 e 2013, quando, ao final do ano, foi encaminhada para o Legislativo em sua redação final.
No ano de 2012 foram realizadas 10 reuniões na Câmara, 18 reuniões preparatórias junto aos fóruns de gestão e planejamento e mais oito reuniões na Secretaria de Urbanismo.
Caso o Legislativo altere o mapa sugerido originalmente, não será mais possível debatê-lo, restando a Fortunati apenas a possibilidade de sancionar ou vetar a redação aprovada no plenário.Cai área plantada com florestas no Rio Grande do Sul
Carlos Matsubara
A área plantada com florestas para fins industriais apresentou uma leve queda nos últimos cinco anos no Estado. Conforme dados de 2014 divulgados no relatório “A Indústria de Base Florestal no Rio Grande do Sul”, a área de plantio utiliza hoje 2% do território gaúcho.
O documento, disponível aqui , foi produzido pela Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), em parceria com empresas do setor.
Em 2009, segundo levantamento da mesma entidade, eram 738 mil hectares, ou 2,62% do território estadual ocupados por florestas plantadas. Uma pequena queda, portanto.
A redução vai na contramão do que vinha sendo observado até então, já que em 2009 a área havia dobrado em relação a 2002, quando os plantios de pinus, eucalipto e acácia ocupavam 360 mil hectares, equivalentes a 1,3% do território gaúcho.
Projetos não saíram do papel
Essa queda, no entanto, pode ser explicada em parte com a não confirmação de três grandes projetos na área de celulose no Rio Grande do Sul: Stora Enso, Votorantim Celulose e Aracruz Celulose. Os plantios, em sua quase totalidade, eram apoiados financeiramente por essas empresas, que tinham interesse em construir megaplantas de celulose por aqui.
A Aracruz, absorvida pela chilena CMPC Celulose Riograndense, cuja recente ampliação da unidade em Guaíba vem sendo criticada por ONGs ambientalistas, ainda poderá ser investigada pelo Ministério Público.
Área ocupada é insignificante perto de pecuária e agricultura
No Rio Grande do Sul existem 596,7 mil hectares de florestas plantadas, o que equivale a 8% da área com plantios florestais no Brasil.
As “fazendas” de eucalipto representam 52% (309 ha), enquanto o pinus e a acácia representam 31% e 17% da área plantada no Estado, respectivamente.
Para efeito de comparação, enquanto os plantios de florestas ocupam 2% da área total do RS, a pecuária e a agricultura, ocupam pela ordem, 33% e 25%. Ainda de acordo com o relatório da Ageflor, a região de Encruzilhada do Sul é a que possui maior concentração de florestas plantadas no Estado, com aproximadamente 49,3 mil hectares de pinus, eucalipto e acácia em proporções semelhantes.
O município de São Francisco de Paula ocupa a 2ª posição, com 33,5 mil hectares predominantemente de pinus (90%), seguido por Piratini com cerca de 30,7 mil ha das três espécies.
Setor quer reconhecimento
O presidente da Ageflor, João Fernando Borges, ressalta que o setor florestal contribui com 4% do PIB gaúcho, gerando 7% dos empregos e 3% da arrecadação de impostos, além de responder por 2% do valor das exportações por meio de produtos originários da madeira e derivados químicos.
“Nosso principal desafio é criar condições para a retomada dos investimentos da indústria florestal. O Rio Grande do Sul tem excelentes condições para o crescimento do setor, mas temos gargalos que reduziram nossa competitividade”, lamenta.
Para Borges, é necessário restabelecer a atratividade do setor com visão de longo prazo, equilibrando desenvolvimento e conservação dos recurso naturais. “Neste sentido, achamos fundamental disponibilizar os dados do relatório para sermos reconhecidos como m setor sustentável e relevante para economia gaucha”, conclui.


