Autor: da Redação

  • Câmara Federal debate criação de estímulos à agricultura urbana

    Tramita na Câmara dos Deputados uma proposta de criação da Política Nacional de Agricultura Urbana, estabelecendo ações de apoio ao cultivo de alimentos dentro das cidades, estimulando o plantio individual e de forma coletiva.
    A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Casa já aprovou o projeto, que precisa ainda passar pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de seguir para o plenário.
    “A agricultura urbana tornou-se um dos vetores para repensar as próprias cidades como sistemas de ecologia urbana resilientes às mudanças climáticas, econômicas e sociais num contexto de urbanização globalizada”, justifica a deputada Luizianne Lins (PT-CE), que foi relatora do texto na Comissão de Desenvolvimento Urbano.
    Produção deverá estar prevista no Plano Diretor
    A autoria do projeto é do deputado Padre João (PT-MG). O texto determina que a agricultura urbana esteja prevista nos planos diretores dos municípios, que deverão definir em seu território, aquelas áreas aptas ao desenvolvimento de agricultura urbana comunitária e individual.
    O objetivo, segundo o autor, é garantir as funções sociais da propriedade e da cidade, ocupando espaços urbanos ociosos, além de ampliar a segurança alimentar e nutricional das populações urbanas vulneráveis.
    Caso vire lei, os produtores urbanos e suas organizações poderão acessar linhas de credito específicas e ainda terão garantida a participação em programas governamentais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que organizam a comercialização da produção para creches, escolas, hospitais e penitenciárias públicas.
    * Com informações da Agência Câmara de Notícias
     

  • Rugby Charrua lança novo uniforme e campanha para angariar sócios

    Matheus Chaparini
    O clube pioneiro do rugby gaúcho, o Charrua, apresentou as novas “armaduras” que as equipes adultas passarão a usar na temporada nacional 2015. O coquetel para a imprensa e convidados, na noite da segunda feira (20) marcou também a largada de uma campanha para angariar sócios-torcedores, cuja meta inicial é filiar 100 pessoas à entidade.
    O evento foi realizado no restaurante Outback do Barra Shopping e marcou a retomada da parceria da casa especializada em comida australiana com o Charrua. “Começamos esse relacionamento seis anos atrás, com a loja do Iguatemi. Depois a rede passou a patrocinar a seleção brasileira e é até hoje patrocinadora oficial do time de rugby nacional”, explica o presidente do Charrua, Rodrigo Hleveina dos Reis.
    Os uniformes foram confeccionados pela Sulback, especializada em material esportivo para rugby. A empresa, que tem sede em Caxias do Sul, é do argentino Aldo Tamagusuku, um dos fundadores do Serra, clube pelo qual jogou até 2013.
    A Sulback existe desde 2009 e fornece uniformes para cerca de 70 equipes de rugby do país e desde o ano passado, detém a exclusividade da marca Charrua. Aldo considera que a parceria tem dado visibilidade à empresa e alavancado os negócios.
    “Colocamos a marca em uma linha customizada com mais de 40 produtos. O Charrua sempre foi atrativo pra nós, a marca é muito forte e os valores que o clube transmite são muito genuínos, o Charrua é uma família”, afirma Aldo.
    O sócio torcedor foi uma modalidade criada pra quem não é atleta ou familiar e quer apoiar a equipe e se manter informado sobre o time. Através de uma mensalidade de R$ 25, o interessado ganha uma camiseta e passa a receber uma newsletter com os resultados e novidades do clube – além de ter direito a cortesias no Outback. Atualmente, são cerca de 120 associados, entre atletas e sócios-familiares.
    O Charrua manda seus jogos na Sociedade Hípica de Porto Alegre. As partidas acontecem nos finais de semana e a entrada é franca. Os treinamento ocorrem aos sábados na casa do Charrua, e às terças e quintas à noite no estádio Ramiro Souto, no parque da Redenção.

  • Mauro Pinheiro admite impossibilidade de sancionar projeto anti-corrupção

    Felipe Uhr
    O Presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador Mauro Pinheiro (PT), assume interinamente a cadeira de prefeito às 14h dessa quarta-feira (22).
    E apesar de desfrutar de plenos poderes durante seu período de exercício como chefe do Executivo, Pinheiro não deverá aprovar o projeto de lei de seu companheiro de bancada Marcelo Sgarbossa, que prevê o fim de contratações de empresas doadoras de campanhas políticas.
    Na segunda-feira, Pinheiro havia afirmado ao Jornal do Comércio que sancionaria o texto se tivesse oportunidade.
    Apesar de ser simpático ao teor do texto, Pinheiro admite a impossibilidade de tomar tal atitude. “Eu votei a favor do projeto, mas não faria nada contrário ao pensamento do prefeito Fortunati”, avisou, lembrando que desconhece a opinião do titular do Executivo a respeito do assunto.
    “Seria totalmente anti-ético”, complementou.
    Ele antecipa que não fará grandes alterações na agenda tradicional do Paço Municipal. Em seus pouco mais de dois dias na cadeira, Pinheiro pretende recolher informações precisas sobre dois postos de saúde que estão para ser construídos na Zona Norte da Capital.
    Segundo o vereador, a prefeitura tem um acordo com o Grupo Hospital Conceição e deve repasses a entidade que poderia interferir na situação. “Vou me reunir com alguns secretários para saber mais, já que como vereador estou tentando a liberação dos recursos para as obras”, justifica.
    Mauro Pinheiro recebe o cargo das mãos do vice-prefeito, Sebastião Melo, que embarca para Brasília em seguida. O prefeito José Fortunati está na Europa em uma agenda da Frente Nacional de Prefeitos, da qual é presidente, e retorna à Capital somente na sexta-feira.
     

  • Desde Cuba, with love

    Naira Hofmeister
    Em algum lugar no bairro latino de Miami, Nancy deve ter olhado para aquela cena da bandeira cubana sendo hasteada em Washington, na última segunda-feira, (20) dividida entre o alívio e o rancor.
    Quantas histórias como a sua poderão ser evitadas a partir do restabelecimento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, simbolizados pelo ato transmitido pelas TVs em todo o mundo?
    Naquele ano de 2006, ela havia decidido – apesar do aperto no peito que lhe provocava – ir embora de Havana. Nancy amava seu país e o regime dos irmãos Castro: seus olhos se acendiam e a boca se rasgava em um sorriso muito vermelho de batom quando ela apontava, do “balcón” do apartamento em Centro Havana, com exatidão, o caminho percorrido por Fidel diante de sua janela, em uma celebração do aniversário da Revolução Cubana.
    A saudade da pátria, entretanto – ela calculava – haveria de doer menos que a da filha, que deixara o país ainda adolescente: primeiro circulou pela América Central em busca de um emprego que pagasse mais que os 15 dólares mensais de teto salarial vigente em Cuba. Em Porto Rico encontrou a oportunidade como corretora de imóveis e a passagem do território norte-americano para o continente foi rápida.
    Durante quase uma década, elas haviam se visto uma única vez quando a menina conseguiu visitar a mãe durante uns poucos dias, já que a permanência em território nacional era rigorosamente contabilizada – e taxada – pelo governo cubano. Telefonemas tampouco eram frequentes.
    O quarto da “niña” não havia sido desmontado e nele Nancy recebia estrangeiros que estivessem de visita ao país. Ilegalmente, já que ela não havia se registrado e nem pagava as taxas ao governo para ter tal autorização.
    Quando eu conheci o espaço – no qual morei durante três meses – ela me disse que seríamos “como mãe e filha” – “porque eu hoje estou só, e tens a idade da minha menina” – e foi assim que eu fui introduzida a esse drama tão universal da separação, mas que em Cuba tem um inegável apelo especial.
    A cada aluguel mensal recebido – que equivalia a cinco dias em uma pensão autorizada barata, mas cujo valor era bem mais alto que os tais 15 dólares de teto salarial – Nancy conseguia pagar para entrar uma vez no então chamado escritório de interesses dos Estados Unidos em Cuba, diante do qual um outdoor provocava: “Señores imperialistas: no les tenemos ningún miedo!”
    Hoje esse prédio é a embaixada americana e duvido que a mensagem ainda esteja lá.
    Uma vez dentro do edifício, ela precisava contar com o bom humor dos funcionários. Durante o período em que estive com ela, nunca houve boas notícias. A cada visita, Nancy voltava com instruções diferentes das que havia recebido da vez anterior. E com uma lista de novos documentos que precisava providenciar – todos com alto custo para a maior parte da população cubana.
    Mas se a burocracia fazia o possível para que ela desistisse, sua filha, do outro lado daquele estreito que os balseiros atravessam, deu uma forcinha ao ânimo materno: engravidou. Brindamos com Havana Club Añejo Especial e nem sentimos a ressaca no dia seguinte, tamanha a felicidade (eu também já a sentia como minha) com o anúncio da chegada do Máximo – Nancy se divertia com o nome escolhido para o netinho.
    Graças a ele Nancy não desistiu: pensava no neto, na ajuda que precisaria dar a filha e ria com as lições de inglês que tentava aprender. As vezes, a galhofa escondia um certo nervosismo, porque dava para sentir que ela estava morrendo de medo de não se adaptar, de deixar a pátria da qual era uma entusiasta, de ser confundida com uma traidora.
    De noite me perguntava como era estar longe de casa, e, acho, devia se perguntar como seria estar longe de casa. Mas embora buscasse nas minhas palavras algum alento era impossível esquecer que eu tinha uma passagem de volta comprada, que só precisava ir até a companhia aérea para postergar um pouco mais enquanto não cumprisse “minha missão” naquele lugar: cobrir uma suposta abertura de Cuba após o afastamento (que era temporário mas que depois de dois anos foi oficializado) de Fidel Castro do poder.
    Como para lograr tal objetivo seria preciso permanecer na ilha quase 10 anos, retornei a Porto Alegre sem poder testemunhar esse momento histórico. Nancy tampouco consegiu.
    Ainda sob o impacto daqueles três meses sobre os quais não construí outras certezas além do imenso amor por aquele povo feliz, recebi a notícia de que ela havia finalmente conseguido seu visto e a passagem aérea para Miami.
    Na sua despedida, soube que preparou um prato de lagostas – caríssimas para os nativos da Ilha, que ela comprava no mercado negro como todas as iguarias que de vez em quando nos dávamos ao luxo de consumir. O mesmo que havia feito em meu aniversário de 25 anos.
    Durante todos esse anos ela nunca deixou de me abastecer com informações sobre “su Cubita querida”: mandava fotos de Fidel Castro em mesas redondas, artigos de jornalistas sobre a Ilha e até uma manchete que dizia “Fidel Castro é considerado o maior estadista do mundo por um jornal de Bangladesh”.
    Quando o comandante em chefe se afastou definitivamente das funções administrativas, em 2008, e o poder ficou nas mãos de Raúl, ela me escreveu: “Ele não podia permitir que o elegessem dada dua idade e complicado estado de saúde. Está velho e doente, mas segue sendo Fidelllllllll, para os que queiram e para os que não”.
    Nancy nunca deixou de amar a seu país e ao seu povo. Aos poucos deve ter se acostumado aos norte-americanos e talvez até tenha assistido à cerimônia de içamento da bandeira cubana pela televisão (antes ela havia me confessado que preferia desligar o aparelho quando começavam a falar de Cuba, porque não aguentava ouvir os “horrores e as idiotices” dos comentaristas sobre sua pátria).
    Fico pensando se Nancy vai poder desfrutar dessa aproximação, se tentará visitar familiares e amigos que seguem em Cuba ou se o trauma da burocracia é forte demais para ser superado. Ou então se a crise econômica não a colocou em dificuldades ou ainda se o tempo não terá apaziguado seu coração e aplacado as saudades.
    O último e-mail que recebi dela, em janeiro deste ano – Nancy nunca se esquece do meu aniversário e todos os anos me manda saudações virtuais – terminava com um singelo “with love”.

  • Atletas do rugby utilizam a Redenção para treinos noturnos

    Matheus Chaparini
    Uma bola oval cruza o campo de futebol do estádio Ramiro Souto, no parque da Redenção, todas as terças e quintas, sempre a partir das 22h. Jogadores e jogadoras vestem uniforme nas cores vermelho, azul e branco e a torcida alenta com cânticos enaltecedores. “Não tá morto quem peleia” é um deles.
    Fundado em junho de 2001, o Charrua é o mais antigo time de rugby do Rio Grande do Sul. Amador, se sustenta com as mensalidades dos 120 associados e com receitas oriundas da venda de produtos licenciados e de eventos. “Somos autossuficientes, 100% da mão de obra é voluntária. Não existe nenhum profissional remunerado no Charrua”, explica o presidente, Rodrigo dos Reis.
    Apesar disso, não faz feio em campo: o time feminino adulto, por exemplo, é o atual campeão brasileiro e há três meninas convocadas para a seleção em seus quadros. Entre os homens, o destaque é o atleta Gabriel Bolzan, revelado pela casa e que hoje treina para representar o país nas Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro.
    Além das equipes principais para mulheres e para homens, há categorias de base. No feminino, apenas a juvenil, mas entre os homens é possível ingressar como jogador do infantil, juvenil e da categoria formativa, que é para adultos iniciantes.
    Todas as equipes possuem treinador, preparador físico e manager, que auxilia o técnico nas viagens e partidas.
    Posições para todos os tipos físicos
    “O rugby é um esporte de valores morais muito rígidos: hierarquia, espírito de equipe, respeito, integridade, lealdade”, explica o presidente, Rodrigo dos Reis, que foi um dos fundadores do clube.
    Se a filosofia é rigorosa, o mesmo princípio não é adotado para selecionar atletas segundo seu corpo. Isso porque um dos princípios do Charrua é que o rugby é para todos e pode se adaptar a cada tipo físico.
    Ao contrário do futebol, no rugby quem mais ataca são os de trás – os backs. A linha de frente – forwards – é composta pelos jogadores mais fortes e pesados, que tem a tarefa de impedir o progresso do ataque adversário. Aqueles mais leves e velozes cumprem a tarefa de fazer avanços mais agudos, tentando cruzar a linha de fundo do campo adversário, o objetivo maior da disputa.
    A disputa termina no terceiro tempo
    “Se o cara não se sente à vontade jogando, talvez ele goste de alguma outra coisa, vai ser manager, vai assar o churrasco do terceiro tempo… Chegaram a te falar o que é o terceiro tempo?”, introduz o presidente.
    O terceiro tempo é a confraternização tradicional que ocorre entre as equipes após os dois tempos de batalha. Os atletas interagem, cantam suas músicas e o dono da casa oferece ao visitante comida e bebida. A prática não está no livro de regras do esporte, mas ele faz parte da cultura do rugby no mundo inteiro.
    Ismael Arenhart também é dos fundadores, já foi o camisa 2 da equipe e hoje é preparador físico do masculino. Para ele, a função do terceiro tempo tem a ver com o caráter amador do esporte, que só se profissionalizou em 1995.
    “É um jogo de contato e as pessoas que estão dispostas a isso, o tornam um estilo de vida. Então é uma atividade tão importante, que o terceiro tempo é um agradecimento por alguém oportunizar o esporte que tu tanto ama. Se inverte a lógica de competição para deixar claro que sem adversário não tem esporte”, justifica.
    Gurias são campeãs brasileiras

    Mulherada joga duro na equipe do Charrua | Tânia Meinerz/JÁ
    Mulherada joga duro na equipe do Charrua | Tânia Meinerz/JÁ

    Quem acha que os esportes de contato físico intenso são coisa pra homem, constata seu grave equívoco assim que bota os pés no Ramirão em noite de treino do Charrua. No mesmo horário de treinamento, dividem o campo a equipe masculina e a equipe feminina. E o jogo das gurias é bem pegado.
    Desde 2004 o Charrua conta com um time de mulheres. A procura é menor do que no caso dos homens, e por isso, elas jogam em uma formação de 7 atletas – e não de 15, como os rapazes. É a modalidade chamada “Sevens” no jargão internacional do esporte; a outra é conhecida como Rugby XV.
    “No Sevens não temos as segundas e terceiras linhas que há no XV. Todo mundo faz tudo, todo mundo limpa e joga, não temos posições tão definidas e é bem mais correria”, compara Juliana Menezes, que começou a praticar o esporte em 2007 e foi a capitã do time feminino até o ano passado.
    Com Juliana no comando da equipe, as gurias do Charrua foram campeãs brasileiras, título que ainda detém porque as competições de rugby sevens se concentram no segundo semestre.
    O clube conta com três atletas na seleção brasileira: Juliana, que mora em Porto Alegre e precisa pegar avião para conciliar as atividades, Raquel Kochhann e Luiza Campos, que estão morando em São Paulo. Ao todo são 16 atletas treinando no time feminino.
    Esporte retorna às olimpíadas em 2016
    Há cinco anos atrás, Gabriel Bolzan havia passado no vestibular, praticava ginástica olímpica e estudava teatro, quando o amigo Gustavo deu a ideia: “tem um time de rugby que treina na Redenção, vamos jogar?”
    Hoje Gabriel é atleta da seleção brasileira e treina em São Paulo para representar o país nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. A competição, em 2016, marca o retorno do rugby aos jogos.
    Desde julho do ano passado, a seleção está treinando em São José dos Campos, através de um projeto da Confederação Brasileira de Rugby, aprovado pelo Ministério dos Esportes. Os atletas recebem uma bolsa de R$ 1.500 ao mês e aqueles que moram fora do estado ocupam uma casa alugada pela organização.
    No cenário mundial, o Brasil ainda está longe de disputar títulos importantes. As principais equipes são Fiji, Nova Zelândia, África do Sul e Inglaterra, países onde o esporte é profissional e tem mais popularidade. “Na África do Sul, o rugby é que nem o futebol aqui no Brasil: no aeroporto tem a foto dos caras em alguma propaganda”, observa o atleta, não sem uma pontinha de inveja.
    Jogadores usam pés e mãos
    Origem do esporte seria semelhante ao futebol | Tânia Meinerz /JÁ
    Origem do esporte seria semelhante ao futebol | Tânia Meinerz /JÁ

    O rugby é jogado com os pés e com as mãos, utilizando uma bola oval. O objetivo principal é cruzar a linha de fundo do campo adversário e encostar a bola no chão, fazendo o chamado try, que vale 5 pontos e dá direito a uma conversão, que é um chute de dois pontos.
    Os passes só podem ser dados para o lado e para trás.
    A outra forma de pontuar é através de um chute de três pontos, que pode ser dado durante o jogo ou na cobrança de um pênalti.
    Utilizar as pernas para derrubar o adversário ou fazer o takle (abordagem para derrubar) acima da linha do ombro são exemplos de infrações graves.
    São inevitáveis algumas comparações com o futebol, até porque os dois esportes possuem uma origem comum. “O rugby e o futebol sempre foram a mesma coisa. Cada civilização praticava o seu esporte com bola, cujo objetivo era conquistar um território ou acertar algum tipo de caçapa do outro lado. Tem diversos nomes e regras diferentes, da Roma Antiga, da China… Basicamente é um esporte de bola, de avanço territorial e de conquista de polos”, sintetiza o presidente do Charrua, Rodrigo dos Reis.
    Essa matéria foi publicada em versão ampliada no jornal JÁ Bom Fim de julho, que circula gratuitamente em estabelecimentos comerciais do bairro.

  • Movimentos convocam audiência pública popular sobre Cais Mauá

    Enquanto aguardam a convocação da audiência pública oficial para debater o projeto de revitalização do Cais Mauá de Porto Alegre, que será feita pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, movimentos comunitários e ambientalistas decidiram realizar seu próprio debate.
    O coletivo Cais Mauá de Todos, crítico à proposta apresentada pelo consórcio vencedor da licitação para realizar a obra, está chamando os habitantes da Capital para participar de uma audiência pública popular no dia 1º de agosto.
    Com o título de “Pára tudo!”, um evento foi criado no facebook para divulgar o encontro.
    A ideia surgiu depois que o consórcio protocolou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental do empreendimento (EIA-Rima) que, entre outras implicações, prevê a derrubada de 330 árvores no entorno do Cais e alterações no trânsito dando prioridade para a circulação de automóveis.
    Há também preocupação com a construção de “torres muito mais altas do que nas imagens exibidas à população” e com a desistência, por parte do empreendedor, de cobrir o shopping center que será construído ao lado da Usina do Gasômetro com um telhado verde, como havia sido anunciado anteriormente.
    “Pretendemos dialogar com a população e principalmente com os moradores do centro, afetados diretamente pela intervenção pretendida”, justificam os organizadores do evento.
     
    para ativistas, projeto é deboche
    O EIA-Rima do cais Mauá alerta ainda para a falta de manutenção do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre – que tem no Muro da Mauá sua face mais conhecida – o que poderia levar a falhas em uma eventual necessidade de acionamento.
    “E para fechar o deboche com a população, apresentaram em PDF estapafúrdias idéias a serem aprovadas, como um passeio de helicóptero turístico, uma mega Roda-Gigante, um ônibus anfíbio…A especulação na especulação”, lamentam os ativistas.
    O documento foi protocolado na Smam no dia 1º de julho, mas tramita na prefeitura há pelo menos três anos. Em abril, uma lista com contrapartidas cujo valor alcançava os R$ 36 milhões foi entregue ao Executivo Municipal.
    Agora a pressa de agendar a audiência pública é do empreendedor, já que não há um prazo estabelecido para sua realização. A única obrigação é que ela seja convocada através de um edital publicado em jornais de ampla circulação, 45 dias antes de sua realização – período no qual a população pode consultar o EIA-Rima na biblioteca da Smam. O estudo já está disponível para quem tiver interesse de mergulhar nas mais de duas mil páginas.
    Falta de diálogo é a maior crítica
    O grupo, que desde o início do ano vem realizando intervenções para refletir sobre a proposta – e que inclusive apresentou um projeto alternativo para a área – reivindica maior participação popular no processo.
    “Apresenta-se o projeto na mídia como se estivéssemos assistindo o futuro acontecer na nossa frente, mas sequer podemos decidir se é esse futuro que queremos para o Cais, e como consequência, para todos nós”, reclamam.
    Indignado com a falta de receptividade do poder público e dos empreendedores, eles dizem que agora é a hora do “não”. “Desde o começo do ano propusemos debate, queremos ser propositivos, mas agora é a hora do não! Não queremos um projeto de revitalização que não ouve a população. E que sequer parece ter investidores interessados”, provocam.
    mostra de economia criativa é outra atração
    Além do debate popular – que terá entre seus convidados o presidente da seccional gaúcha do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Tiago Holzmann, a criadora do projeto alternativo para a área, Maria Helena Cavalheiro, e a líder do Ocupe Estelita no Recife, Liana Cirne Lins – outras atrações estão sendo organizadas.
    O grupo quer fazer na Praça Brigadeiro Sampaio uma grande mostra de economia criativa, que inclua entre as atividades planejadas ideias que pudessem ser implementadas no Cais Mauá idealizado pelo coletivo.
    Para isso o local receberá também uma feira de música e filmes e quiosques com venda de cerveja artesanal e produtos orgânicos. “E o que pintar no espaço livre à manifestação popular”, convidam os organizadores.
    A audiência pública popular e a feira de economia criativa ocorrem no sábado, dia 1º de agosto, às 15 horas, na praça Brigadeiro Sampaio, no Centro Histórico de Porto Alegre.

  • PL que veda contratação de doadores de campanha vai ao Executivo

    Aprovado no final do ano passado por 13 votos a 10, o projeto de lei que proíbe a contratação de empresas doadoras de campanhas eleitorais pelo poderes Executivo e Legislativo de Porto Alegre está a um passo de ser analisado pelo prefeito José Fortunati.
    O vereador Marcelo Sgarbossa (PT), autor da proposta, aguarda a confirmação de uma data para fazer a entrega formal do documento a Fortunati.
    Mais de meio ano depois de passar pela Câmara o texto final ainda não chegou às mãos do prefeito em razão de um pedido de renovação de votação, feito pelo vereador Márcio Bins Ely (PDT), que utilizou o expediente por considerar o resultado no plenário apertado.
    Em maio, o pedido foi retirado e, há duas semanas, o texto final do PL foi enviado novamente para o gabinete do vereador Sgarbossa para que este o encaminhe ao Executivo.
    Na prática, a iniciativa de Bins Ely, que é colega de partido de Fortunati e já foi secretário municipal em sua gestão, ajudou o Executivo a protelar a análise de um projeto que versa sobre tema espinhoso para a administração pública.
    Sabe-se que as doações de campanha podem funcionar como um toma lá dá cá: a empresa financia um político que, depois de eleito, entrega obras públicas (em alguns casos superfaturadas) para que esta execute. Na reforma política votada no Congresso Nacional, apesar do forte movimento liderado por entidades, não houve espaço para a limitação de doações de campanha que pudessem reduzir os riscos de corrupção no poder público.
    “Não estamos proibindo as doações a partidos ou candidatos, queremos simplesmente estabelecer um critério para a contratação, para que todos saibam que as empresas que doarem ficarão impedidas de fechar contratos com o município. Os empresários, que são pessoas físicas e, como tal, eleitores, podem continuar fazendo doações dentro dos limites estabelecidos na lei eleitoral”, defende o parlamentar.
    MOVIMENTO PEDE APOIO DA SOCIEDADE CIVIL
    Se antecipando a uma eventual resistência do prefeito a assinar a lei já aprovada na Câmara, Sgarbossa desencadeou o movimento #sancionafortunati, que busca apoio da sociedade civil para pressionar pela sanção do texto.
    Há um abaixo assinado virtual e o gabinete de Sgarbossa tem entrado em contato com entidades e sindicatos para que subscrevam a iniciativa coletivamente. A meta de quase 500 assinaturas virtuais está próxima de se concretizar.
    Também já confirmaram apoio Ajuris, CUT-RS, IAB-RS, Sindicato dos Engenheiros (Senge-RS), Conselho Regional de Farmácia, Marcha Mundial de Mulheres, MST, Laboratório de Políticas Públicas e Sociais (Lappus), Cáritas e Agapan. A Conferência Municipal de Saúde de Porto Alegre também aprovou Moção de Apoio à sanção do projeto.
    Segundo o texto, o doador de campanha fica impedido de contratar com o poder público durante os quatro anos subsequentes à eleição com a qual contribuiu. Mas essa limitação só passaria a valer a partir do próximo pleito municipal, em 2016.

  • Sartori enfrenta a ira dos funcionários públicos

    Dezenas de carros da Polícia Civil com a sirenes ligadas pararam o trânsito na frente do Palácio Piratini na tarde desta sexta-feira (17). Eles apoiam o estado de greve definido na a assembleia do Sindicato dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (Sindsepe-RS), realizada durante a manhã. Suas lideranças com megafones avisaram ao governador José Ivo Sartori (PMDB) que no dia 18 de agosto, quando deverá ser deflagrada a greve geral, eles prometem voltar com muito mais força.
    As lideranças policiais disseram que os funcionários públicos estão cansados do uso da mídia pelo governador Sartori para desmerecer o seu trabalho. Eles são contrários ao pacote enviado pelo Executivo à Assembleia Legislativa que prevê, entre diversas medidas, a criação da Lei Estadual de Responsabilidade Fiscal, que veda aumentos salariais sem previsão de receita e a transformação da licença-prêmio em capacitação.

  • Inspirada nos cabarés parisienses, Von Teese abre as portas no Bom Fim

    Matheus Chaparini
    Chá das cinco, noites de poker e espetáculos burlescos. No bar, um mafioso e uma pin up preparam drinks quentes, um mágico de fraque e cartola advinha o número escolhido no dado e uma taróloga lê o destino de quem estiver disposto a saber. Tudo isso se encontra em um cabaré à Paris dos anos 20, que fica logo ali, no Bom Fim.
    A Von Teese – High Tea & Cocktail Bar abre as portas para o público hoje, a partir das 15h, na rua Bento Figueiredo, 32. Na estréia, a companhia Atmosfera apresenta o espetáculo Rouge Cabaret, inspirado no filme Moulin Rouge. A entrada é gratuita até as 19h, após será cobrado ingresso, revertido para os artistas. Os antecipados custam R$20 e na hora R$25. O evento já tem quase mil confirmações no facebook.
    A decoração e os figurinos buscam inspiração no burlesco, no ambiente dos cabarés antigos e, claro, em Dita Von Teese. Mas as referências vão além, como explica Carolina Disegna, sócia da casa: “A ideia é um lugar que pareça um cabaré dos anos 20 à la Paris, mas que também tenha um mix de outros lugares, como o chá das cinco, por exemplo. A gente não está muito preocupada com a questão histórica, com o que servia na época. A gente quer brincar com tudo que a gente já viveu e já se divertiu. Eu morei bastante tempo em Londres, um pouco na Itália e a na Austrália e a Giovana morou em Barcelona.”
    O espaço vai funcionar de terça a domingo, das 15h à meia noite. Durante a tarde, a Von Teese é uma casa de chás, quando a noite cai, um bar de coquetéis com oito drinks originais, além dos clássicos. Quem assina os coquetéis é a a bar tender Jey Silva, os quitutes são de Diovana Gheller, sócia da Von Teese. Além do cardápio, que deve se modificar com o tempo, a casa vai oferecer um ou dois pratos diferentes a cada dia, criados por Diovana.
    A casa foi totalmente reformada em um mês e meio. “A gente teve um grupo de pedreiros que a gente ama de coração, Voltaire e sua equipe. Nós pedíamos, eles imaginavam, davam ideia. Faziam tudo no prazo. Reformamos piso, banheiro, cozinha, elétrica e fizemos toda a decoração”, conta Carolina. O palco fica em cima do bar, logo na entrada. Nos fundos há uma área aberta com algumas mesas e um pequeno ambiente coberto, mais reservado. O espaço tem capacidade para 70 pessoas.
    Programação:
    Quarta: Tarot das 16h as 20h
    Quinta – Festa Indomáveis, a partir das 19h
    Sexta – Companhia Atmosfera apresenta: Rouge Cabaret
    Sábado – Pole & Tease, com studio de pole dance High Heels
    Domingo – Big Bad Handsome Poker – aulas de poker e torneio, com Helio Dias

  • A Revolução Eólica (53) ​- ​ Setor ignora crise, cresce 2GW/ano e busca 10% da matriz elétrica

    ​​Por ​Cleber Dioni Te​n​tardin​i​
    A Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica projeta chegar no ano de 2020 com 20GW de capacidade instalada no país, o que representa 10% da matriz elétrica nacional.
    O otimismo da entidade, que reúne cerca de 100 empresas, baseia-se no desempenho apresentado até agora, em meio à crise econômica.
    O setor tem hoje no país uma potência instalada de 6,6GW, o que dá 5% da matriz. Até o final do ano, serão acrescidos mais 3,2GW, já em construção. Outros 14GW foram vendidos no último leilão de energias renováveis, realizado pelo governo em abril. A cada ano, estão sendo vendidos entre 2 e 3GW.
    “Vamos chegar em 2019 com 18GW instalados”, comemora a presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum. A executiva mineira falou com exclusividade ao JÁ sobre os principais avanços do setor e aproveitou para anunciar a criação de uma rede de intercâmbio de  tecnologias e experiências visando fortalecer a cadeia produtiva de energia eólica.
    Como estão os investimentos em energia eólica?
    Elbia Gannoum – Hoje, pela primeira vez, o Brasil possui política para a energia eólica e promove debates e eventos internacionais. Isso é importante para mostrar à sociedade o que a pesquisa científica traz de efeitos para a economia. O Brasil é o segundo país mais atrativo do mundo em fontes renováveis, só perde para a China. No ano passado, foi o quarto país que mais investiu no setor. Já é a décima economia em capacidade instalada de energia eólica.
    Essa crise não ​afetou o setor ?
    ​​O Brasil está enfrentando dificuldades de abastecimento devido à queda dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, então, com crise ou sem crescimento, o país tem que contratar energia, manter a capacidade instalada, e aí entra a necessidade de investimento em energia eólica. De cinco anos para cá, 50% da energia contratada no país foi de energia a partir dos ventos porque é a segunda fonte mais barata do Brasil. A terceira fonte é 30 ou 40 reais mais cara. É o único setor que está crescendo, o único que está gerando empregos. Ano passado a indústria eólica criou 37 mil empregos, enquanto nos demais setores foram fechados 100 mil postos de trabalho.
    Quanto ao preço, só perde para a energia hidrelétrica. Qual foi o preço praticado no último leilão, em abril?
    O preço do último leilão de energias renováveis se mostrou bem defasado em relação ao custo de produção da eólica, porque as condições macroeconômicas mudaram muito no último ano. Câmbio, financiamento, taxa de juros a longo prazo, participação do grau de financiamento do dinheiro do banco versus do acionista, então essas mudanças que aconteceram de um ano pra cá pressionaram muito os custos de produção. Além disso, tem o fato de as empresas terem de nacionalizar os produtos torna mais caro. O preço foi de R$ 179 por MWh, hoje nós entendemos que tem de ser R$ 210. A energia vendida para a Usina Eólica Cerro Chato (Santana do Livramento) foi de R$ 131, mas em valores atualizados é de R$ 205.
    A produção de uma usina eólica no Brasil está muito aquém da capacidade instalada?
    Estamos adaptando e estudando a tecnologia de ponta dos aerogeradores, que ainda vem de fora. Mas o nosso fator de produtividade é da ordem de 50%, ao contrário da média mundial que é de 30%. Porque nós temos dos melhores ventos do mundo.
    Na época em que surgiram os primeiros parques no Brasil, nós fazíamos medições da velocidade do vento a 50 metros de altura. Então nos primeiros parques de Osório o cálculo era de que a produção média seria de 30% da capacidade instalada, a mesma da Europa. A tecnologia mudou. Hoje são feitas medições a 120 metros do chão. E a eficiência dos equipamentos melhorou bastante. A produção de energia eólica no Brasil está caminhando rapidamente para assumir uma posição de liderança no mundo.
    O Mapa Eólico foi atualizado em todo o​ pa​ís​?
    Se antes, em 2001, quando foi feito o Mapa Eólico, o potencial de capacidade instalada no Brasil era de 143 GW, hoje é superior a 400GW. Ainda não se tem o número exato porque somente dois estados atualizaram seus atlas: o Rio Grande do Sul tem 195GW, a Bahia tem outros 195GW. Aí, já temos quase os 400GW. Então, esse potencial é bem maior com essas novas tecnologias. Estamos, inclusive, criando uma rede que facilite a comunicação e a troca de tecnologia entre os especialistas.
    Como vai funcionar essa rede?
    É a Rede Brasileira de Inovação de Energias Renováveis Complementares. Vai reunir pesquisadores, investidores e financiadores de projetos de energia eólica. A ideia é colocar uma plataforma na Internet. O projeto está pronto e na fase de captação de recursos. O objetivo é facilitar a troca de tecnologias e experiências e fortalecer a cadeia produtiva de energia eólica.

    Parque Geribatu, em Santa Vitória do Palmar / foto Antonio Henriqson
    Parque Geribatu, em Santa Vitória do Palmar / foto Antonio Henriqson

    A indústria nacional de equipamentos eólicos está acompanhando o crescimento das usinas?
    A exigência de conteúdo nacional está associada ao financiamento, pois 95% dos parques construídos no Brasil são financiados pelo BNDES, logo tem de ser aplicada a política de nacionalização. A partir de 2010, quando se deu o processo de crescimetno do setor, o programa de nacionalização da indústria de energia eólica, que já existia desde o Proinfa (2002), começou a ser implementado com rigor. A partir de 2013, esse programa foi mudado e se tornou mais exigente. Hoje, 80% das turbinas em parques eólicos no Brasil têm que ser nacionalizadas. Há um processo de implementação gradual da nacionalização, que termina em junho de 2016. Estamos vivendo o auge dessa nacionalizaçação e construindo, de fato, uma cadeia produtiva de energia eólica.
    Mas há parques menores que não precisaram dos recursos do BNDES
    Sim, esses parques que não pegaram dinheiro do BNDES compram equipamento diretamente de outros países. Não tÊm esse impedimento e nem é bom que tenham mesmo, porque não faz sentido querer vetar o capital estrangeiro. Temos dois parques no Brasil que pegaram recurso externos e trouxeram máquinas de fora. Há um parque pequeno em Xangri-lá, que é da Honda, de 27MW, para autoprodução de energia. Os equipamentos são da Vestas, totalmente importados, embora essa empresa também tenha fábrica no Brasil. E tem outro, em Barra dos Coqueiros, que é investimento chinês, de 90MW.
    Havia um projeto de uma empresa indiana, que iria construir uma usina eólica grande em Tapes…
    Há uma fábrica de aerogeradores indiana, a Suslon, que está no Brasil desde 2007, e suas turbinas são bem comercializadas nos parques eólicos nacionais. Eles até participam do processo de construção, mas não investem nos parques, pois são fornecedores de máquinas.
    E existem fabricantes de aerogeradores e de pás, ou hélices, no país?
    Sim, há sete fabricantes de turbinas operando ativamente no país, três em processo de instalação, três fabricantes de pás e muitos fabricantes de torres e fonrnecedores de outros serviços. Por questão de logística, as fábricas tendem a se instalar próximas aos parques eólicos. Então, a maioria está indo para o Nordeste. Há fábricas em São Paulo que se instalaram antes desse crescimento da energia eólica. A primeira fábrica que chegou ao Brasil tem quase 20 anos, a Wobben, de Sorocaba.
    E no Rio Grande do Sul?
    Aqui há fábricas de torres, mas não de naceles, os aerogeradores. De pás, não há necessidade porque há uma fábrica que começou um pouco depois da Wobben, que é a segunda maior fabricante do mundo, a Tecsis, em Sorocaba, genuinamente brasileira, fundada por um engenheiro do ITA. E, há mais duas, um brasileira que se instalou há dois anos no Ceará, e outra americana, em Pernambuco. Então essas três atendem à demanda.
    Executivos da, Eletrosul, Ministério de Minas e Energia e Eletrobras anunciando investimetnos no setor em 2011 / Foto Umberto Caletti_Ascom Eletrosul
    Executivos da, Eletrosul, Ministério de Minas e Energia e Eletrobras anunciando investimetnos no setor em 2011 / Foto Umberto Caletti_Ascom Eletrosul

    Em termos de produção de energia, o Rio Grande do Sul perde para alguns estados nordestinos…
    Hoje, os estados com maior capacidade instalada de produção de energia eólica são, na ordem, o Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul.
    Difícil competir com os ventos do litoral nordestino.
    Isso de achar que os melhores ventos estão no litoral, depende muito de que local estamos falando. No Nordeste, nós descobrimos que o melhor vento do país fica no semiárido baiano, na região de Xique-xique, onde a velocidade média do ventos varia de 10 a 12 metros por segundo ou de 36 a 46 quilômetros por hora. Para se ter ideia, em Santa Vitória do Palmar, que registra um dos melhores ventos no RS, segundo o Atlas Eólico, 40% do vento chegam a 8 m/s ou 28,8 km/h.
    RS é mais atrativo, segundo especialista alemão
    O Rio Grande do Sul tem condições de vento melhores do que a Alemanha para geração de energia eólica, segundo o Jens Peter Molly, diretor geral do Grupo DEWI, empresa alemã com filial no Brasil, que atua na área de consultoria. Ele esteve em Porto Alegre, no fim de junho, onde foi palestrante da 14ª edição do Congresso Internacional de Engenharia do Vento.
    Petter Molly conhece bem a realidade brasieira pois foi um dos autores do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), instituído no final do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2012, com o objetivo de aumentar a produção de eletricidade a partir de três fontes alternativas: o vento, a biomassa e as pequenas centrais hidrelétricas.
    Segundo ele, a velocidade dos ventos em solo gaúcho fica na média de 8 metros por segundo, enquanto na Alemanha oscila entre 6 e 7 m/s. Mas, pondera, mesmo em condições melhores que o país europeu, o Rio Grande do Sul, assim como outras regiões brasileiras, sofre com a excessiva burocracia e com a falta de infraestrutura. Ele exemplifica as diferenças: “A Alemanha tem 25 anos de experiência em energia eólica. Todas as regras são transparentes para quem deseja investir neste setor. Lá, proprietários das terras receberem 10% do rendimento anual, a possibilidade dos investidores obterem rendimento médio de 5 mil euros; no Brasil, os ganhos ainda são inseguros, pois dependem de leilões do governo federal, e a liberação para funcionamento leva no mínimo sete anos.”