FELIPE UHR
Em assembleia geral, na tarde desta quarta-feira, 03, os servidores municipais de Porto Alegre decidiram por fim à greve, que completou duas semanas.
A votação, porém, revelou uma divisão entre os grevistas: 589 votos a favor e 529 contra o fim da greve.
O movimento que revindicava o pagamento do reajuste de 8,17% de forma integral acabou cedendo a proposta do governo, de pagamento parcelado.
O governo municipal tem agora trinta dias para apresentar uma proposta que resolva as perdas do denominado “efeito cascata” sem mais prejuízos para a categoria.
A revisão da proposta é considerada um avanço para o SIMPA ( Sindicato dos Municipários de Porto Alegre). Não serão descontados os dias de greve conforme anunciado anteriormente pelo vice Sebastião Mello.
Após exatas duas semanas de greve, decidida por unanimidade, os municipários voltam as atividades normais a partir desta sexta-feira, depois do feriado. Nas escolas em greves as atividades voltarão ao normal de acordo com agenda de cada uma.
Devido ao feriado, os serviços públicos municipais voltam à normalidade na sexta-feira.
Autor: da Redação
Municipários saem da greve divididos
Funcionários da Zoobotânica apreensivos com futuro do Parque Zoológico
Uma audiência Pública discute o futuro do Parque Zoológico de Sapucaia do Sul no Plenarinho na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (3), às 10h.
Funcionários da Fundação Zoobotânica do Rio grande do Sul, inseguros com o futuro da instituição devido a uma possível privatização do Parque, prometem presença na Casa do Povo.
O único representante do Governo Estadual na reunião será o servidor público Juliano Fakredin, atual presidente Interino da Fundação. A secretaria do Meio Ambiente, Ana Pellini não irá.
Proposto pelos deputados Altemir Tortelli (PT) e Manuela D’Àvila (PC do B), a audiência também discutirá o risco que sofrem os demais espaços verdes públicos do Rio Grande do Sul, como o Parque Itapuã.
Ao todo, 22 áreas integram o Sistema Estadual de Unidades de Conservação.
“As notícias que chegam via imprensa motivaram o agendamento da audiência por preocupar quem defende o meio ambiente e vê nas unidades de conservação espaços fundamentais de proteção da biodiversidade e de educação ambiental” , avalia Tortelli.
A audiência também vai discutir o futuro dos 78 funcionários do quadro do Zoo, composto por técnicos, auxiliares, tratadores, atendentes e serventes, além de 25 funcionários terceirizados, caso a ameaça se concretize.
O caso mais citado para a privatização é do Parque Itapuã que estaria entre os primeiros a ser repassado à iniciativa privada. Entretanto, o Zoológico é o mais simbólico e que atrai fortemente a iniciativa privada.Feiras orgânicas se consolidam em Porto Alegre
Matheus Chaparini
As feiras ecológicas crescem em Porto Alegre e já são uma experiência consolidada na Capital. Vinte e seis anos se passaram desde que meia dúzia de pioneiros começaram a se reunir na José Bonifácio uma vez ao mês, para vender produtos livres de agrotóxicos e pesticidas.
De lá para cá, as bancas da tradicional feirinha do Bom Fim se multiplicaram – hoje são mais de 100 feirantes – e ganharam frequência semanal, incentivando a criação de outros cinco espaços para a venda de orgânicos na Capital.
Hoje, há feiras ecológicas também nos bairros Tristeza, Três Figueiras, Menino Deus e Petrópolis – a mais recente, nascida em 2013.
“A tendência é o crescimento à medida que temos mais produtores e consumidores atentos, procurando. É um produto de qualidade com um preço menor do que nos supermercados”, assegura a responsável do Centro Agrícola Demonstrativo da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic), Claudia Ache.
A próxima a inaugurar deve ser a do bairro Auxiliadora, cujos moradores já ingressaram com uma solicitação formal na Smic.
Contato pessoal com agricultor é marca dos entrepostos de orgânicos na Capital
Cliente compra de quem produz
Além da garantia de que os alimentos vendidos nas feiras ecológicas não foram produzidos com a utilização de agrotóxicos – cujos riscos já foram reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Instituto Nacional do Câncer, por exemplo – esses espaços aproximam o consumidor dos produtores rurais.
É que na grande maioria das bancas, são os próprios agricultores que atendem o público.
Fabiane Galli é a representante dos consumidores da feira das quartas do Menino Deus no Conselho das Feiras Ecológicas e considera esse um aspecto importante, pois cria um elo de confiança. “Não é uma relação anônima, como quando tu compra no supermercado”, observa.
Depois de anos frequentando as feiras, ela já fez vários amigos. “As crianças vem junto, brincam e se alimentam de coisas gostosas e saudáveis. É um ganha-ganha pra todos nós”, sintetiza.
É também o que acontece com Francisco Siliprandi, frequentador assíduo da feira do Bom Fim. De tantos conhecidos que já fez ao longo dos anos, ele brinca que vai “montar turmas e fazer visitas guiadas”.
O tempo trouxe também conhecimento – e até manhas – para economizar nas compras. “Vou até a ponta e volto, pesquisando preços. Às vezes algum produtor teve uma safra muito boa e pode dar uma diferença grande no valor”, sugere.
Mas o mais importante é saber o “ponto certo” de cada produto. “Por exemplo o maracujá, se não estiver bem murcho, pesa mais, e acaba ficando mais caro”, explica.
A Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE) nasceu em 1989 e só cresce desde então
Bom Fim, a maior e mais antiga
A feira da José Bonifácio, aos sábados pela manhã, é a maior e mais antiga da capital. Acontece desde 1989 e hoje conta com mais de 100 feirantes.
Lorita Rossi foi uma das primeiras a ingressar no grupo, vendendo seus chás quando a feira ainda era mensal. “Eram seis, sete feirantes; só. Nós nos conhecíamos bem, conhecíamos as famílias”, rememora.
Se nesses 26 anos, a feira cresceu e se diversificou, o mesmo aconteceu com sua banca, chamada Sítio Apiquários. “O impulso veio do consumidor, que nos pedia outras coisas. Nós tínhamos apenas 20 variedades, que eram as mais conhecidas. Hoje, trabalhamos com cerca de 120 plantas”, esclarece.
Lorita também vende suas infusões em lojas tradicionais na Capital e na Serra, mas a feira ecológica é, sem dúvidas, o principal negócio: “Nosso trabalho é abastecer a feira, nós vivemos em função disso”, comemora.
“Adubar com merda de vaca era coisa de louco”
O casal José Mariano Matias, o “Jalo”, e Marinês Riva também são da leva de feirantes mais antiga. Há 21 anos, montam banca na José Bonifácio; e há 18, passaram a vender também nas quartas, no Menino Deus.
A família vive em Eldorado do Sul, onde planta hortaliças. Em uma área de dois hectares, eles colhem 300 caixas por semana, somente para as feiras. O excedente da produção é todo vendido para a merenda escolar do município.
Além das hortaliças, Jalo e Marinês produzem também arroz orgânico. A mão de obra é toda familiar, são seis pessoas e nenhuma máquina: todo o processo é feito manualmente, do preparo da terra até a colheita.
Jalo conta que quando a família se mudou para Eldorado do Sul, há 23 anos, os agricultores vizinhos desdenhavam da produção orgânica. “Na época diziam que a gente era louco, adubar com merda de vaca, com palha”, recorda.
Mas com o acréscimo de 30% sobre o valor da saca aos produtores de arroz ecológico que vendam para a merenda escolar, o negócio ficou lucrativo. “Hoje, os que nos diziam loucos estão lá plantando arroz, estão engrenando na produção, que foi valorizada”, completa.
Grupo conta com conselho que reúne produtores, consumidores e prefeitura
solicitação pode partir de moradores ou entidades
Geralmente o pedido de criação de uma feira chega à Prefeitura através da associação comunitária. Entretanto, outras entidades da sociedade civil podem também fazer a solicitação.
A feira de Petrópolis, por exemplo, foi um pedido do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), cuja sede fica a uma quadra do mais recente ponto de venda de orgânicos na Capital, na praça Ruy Teixeira.
Alguns produtores já comercializavam seus produtos no pátio da entidade, mas a procura era tanta que o espaço ficou pequeno e o sindicato solicitou um local maior, onde a feira pudesse ocorrer aberta ao grande público.
Uma vez feito o pedido para a criação de um entreposto de orgânicos, a Smic consulta o Conselho de Feiras Ecológicas para verificar se existe demanda e produtores interessados – podem participar agricultores instalados em um raio de 200 quilômetros da Capital.
Se houver aprovação, resta aguardar a tramitação burocrática que inclui a emissão de alvarás e inspeções nas propriedades, que precisam atender as exigências da legislação sanitária.
Integrantes do conselho tomam posse em junho
O Conselho das Feiras Ecológicas é formado por representantes dos feirantes, dos consumidores e do poder público. Os feirantes escolhem seus representantes através de eleições – a proporção é de um eleito para cada dez alvarás emitidos.
O mais recente pleito ocorreu em maio e os resultados serão divulgados no dia 25 de junho. Os mandatos tem vigência até 2017.
Para a responsável do Centro Agrícola Demonstrativo da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic), Claudia Ache, a importância do colegiado reside em manter o estímulo às feiras.
“Tanto para que o consumidor entenda a importância dessa alimentação, como incentivar o produtor a partir pra uma produção orgânica”, acredita.
A convivência entre agricultores também traz frutos para a organização desse setor. “As feiras estimulam o associativismo, porque pra participar eles tem que fazer parte de algum grupo”, conclui.
Serviço
Quarta – feira:
MENINO DEUS – das 13 às 19h
Av. Getúlio Vargas (no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura)
PETRÓPOLIS – das 13 às 18h
Rua General Tibúrcio, parte lateral da praça Ruy Teixeira.
Sábado:
TRISTEZA – das 7h às 12h30
Av. Otto Niemeyer esquina com a Av. Wenceslau Escobar
BOM FIM – das 7h às 12h30
Av. José Bonifácio, 675
MENINO DEUS – 7h às 12h30
Av. Getúlio Vargas (no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura)
TRÊS FIGUEIRAS – das 8h às 13h
Rua Cel. Armando Assis, ao lado da praça Desembargador La Hire GuerraCisne Branco oferece passeio gratuito no Dia Mundial do Meio Ambiente
O barco Cisne Branco irá realizar um passeio especial, gratuito, para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente. A ação acontece no dia 5 de junho e os passageiros poderão embarcar mediante a doação de dois quilos de alimentos não perecíveis, que serão encaminhados a instituições carentes.
“É nossa missão promover ações que estimulem o interesse pelo meio ambiente”, enfatiza a sócia-diretora do barco, Adriane Hilbig.
O Projeto Ecológico do barco Cisne Branco é um passeio-estudo do Lago Guaíba e do Delta do Jacuí com duração de três horas. O foco prioritário são os estudantes, mas qualquer interessado poderá participar.
Durante o trajeto, serão abordados aspectos históricos, geográficos, sociais, econômicos e ecológicos da região – lições que serão passadas aos passageiros por técnicos da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul (Sema).
Os ingressos estão limitados à lotação do barco, que é de 200 passageiros. Para garantir a entrada, é possível realizar a troca dos dois quilos de alimentos não perecíveis na bilheteria do barco já a partir da terça-feira (2).
Serviço
Quando: sexta-feira, 5 de junho, às 9h
Onde: Saída do armazém B3 do Cais Mauá (Av.Mauá, 1050)
Quanto: dois quilos de alimento não perecível
Informações: alexandre@barcocisnebranco.com.br ou (51) 3224-5222Greve mantida: municipários expõem suas insatisfações
Felipe Uhr
Em uma chuvosa tarde de quinta-feira (28) e após oito dias de greve, os municipários de Porto Alegre decidiram – de forma unânime, mais uma vez – dar prosseguimento à paralisação, que teve início ainda no dia 13 de maio, com atos que duraram 48 horas e antecederam a declaração do estado de greve, no dia 20.
O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) exige a reposição integral do reajuste de 8,17%, sem o parcelamento que propõe a Prefeitura, e desaprova o corte da folha ponto dos grevistas.
A determinação dos servidores em manter os serviços parados expõe, entretanto, uma insatisfação ainda maior com a Prefeitura. A professora Claudia Ferreira, 24 anos de funcionalismo, diz que não se trata apenas de aumento salarial. “Estamos aqui representando um contexto muito maior”, explica.
Ela trabalha na Escola de Educação Infantil Bento Gonçalves, no Bairro Partenon e cita, por exemplo, as más condições do colégio que hoje atende a 90 crianças em turno integral. “Nosso trabalho de educação poderia ser muito melhor se tivéssemos mais recursos” reclama.
Sua colega de trabalho, Daniela Fernandes, apoia, mesmo estando apenas há seis meses na escola. “A greve é válida para quem está a mais tempo, mas também é importante pra quem está chegando, para que não se tenha prejuízo no futuro”, argumenta, em referência às perdas provenientes da retirada do chamado “efeito cascata” – o pagamento de reajustes salariais também sobre os benefícios, considerado irregular pela administração municipal e que recaem sobre funcionários com mais tempo de carreira.
Já para o funcionário da Secretaria Municipal de Administração (SMA), o desenhista Roger Denis, com 25 anos de serviços prestados, há uma postura radical da atual gestão.
“Acenamos nosso descontentamento desde o final de abril e não foi feito nada. Já era pra ter sido resolvido”, reclama.
Professor Mauro: “é o jeito que podemos lutar”
Desde 1977 lecionando Educação Física – e a partir dos anos 90, exclusivamente em escolas municipais – o professor Mauro Marques orgulha-se da trajetória combativa dos trabalhadores da Prefeitura. “Participo de greves desde 1979, é a forma como podemos lutar. Cada um pega o seu medo e se junta contra o governo”, comenta.
Ele entende que não há outra forma de garantir os direitos do trabalhador: “Nenhum chefe pergunta para o funcionário se ele quer aumento. Não há valorização voluntária”, acredita.
Sua escola – cujo nome é Vereador Antônio Giúdice – tem cerca de 1200 alunos. Mas lá, diferente do que ocorre na Bento Gonçalves, o problema não é infraestrutura. “Temos condições boas de trabalho. É mérito da direção, que sabe captar esses recursos” salienta.
De qualquer maneira, ele criticou a Prefeitura pelo que considera falta de diálogo. “Esse governo tem esse jeito”, condena.
Sexta-feira será de greve geral
Nesta sexta (29), o Simpa adere à greve geral convocada pelas centrais sindicais em todo o País.
A próxima assembleia será na terça-feira da semana que vem, mas já amanhã será realizada a primeira reunião entre municipários e Prefeitura para negociar exclusivamente uma saída para o efeito cascata.
Os grevistas também preveem fazer corpo a corpo com o prefeito José Fortunati, acompanhando sua agenda durante o próximo sábado (30).Audiência pública debaterá regras para food trucks
A Prefeitura de Porto Alegre está convocando uma audiência pública para debater a regulamentação de food trucks, que se tornaram uma febre na cidade em feiras e eventos ao ar livre. O debate ocorre na quinta-feira (28), a partir das 19h, na Câmara Municipal.
No encontro, o Executivo vai apresentar a minuta de um Projeto de Lei que institui a atividade de gastronomia itinerante e altera a Lei 10.605/2008, para a adaptação desta nova modalidade, regulando o comércio ambulante em veículos.
Pela proposta da Prefeitura, os food trucks não poderão estacionar em áreas onde prejudiquem o comércio ambulante tradicional e os estabelecimentos fixos. Entre as proibições previstas, estão a venda de cachorro-quente, pipoca ou churros e a determinação de que estejam a pelo menos 50 metros de distância da concorrência.
Regiões de intenso comércio gastronômico, já consagrado na cidade – como o quadrilátero do Centro Histórico e parte dos bairros Moinhos de Vento, Cidade Baixa e Ipanema – não poderão receber food trucks.
Também será exigido o cumprimento de normas sanitárias para evitar a contaminação dos alimentos, além de comprovação de frequência em cursos de boas práticas.
Proposta elaborada com a sociedade
A minuta do projeto de alteração da Lei 10.605/2008 é resultado do estudo de um grupo de trabalho integrado pelo gabinete do vice-prefeito, secretarias municipais, sociedade civil e Legislativo.
Os técnicos da prefeitura ouviram a opinião de representantes dos food trucks, sindicatos, ambulantes e entidades ligadas ao comércio e à alimentação. O grupo de trabalho levou em consideração o comércio gastronômico estabelecido em bares e restaurantes, além de valorizar os pequenos ambulantes.Protesto contra transgênicos reúne dezenas em Porto Alegre
Felipe Uhr
Cerca de 50 pessoas se reuniram, na noite da segunda-feira (25), em um protesto contra a produção de alimentos transgênicos que se concentrou na avenida Mostardeiro, no bairro Moinhos de Vento, e seguiu em caminhada pelas avenida Goethe e Osvaldo Aranha, em Porto Alegre.
O ato foi convocado pelas redes sociais e se inseria dentro das atividades do Dia Mundial Contra a Monsanto – chamada que ocorre em diversos lugares ao redor do mundo para atrair a atenção da sociedade ao modelo de produção do qual a empresa é símbolo: modificar geneticamente sementes de alimentos para que se tornem mais resistentes a venenos e possam ser cultivados em larga escala reduzindo a ameaça de pragas.
Os manifestantes carregavam faixas de repúdio aos transgênicos, alegando que eram prejudiciais à saúde – algo que vem sendo sinalizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Instituto Nacional do Câncer há algum tempo.
Por outro lado, o sistema de produção de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) é um negócio com poucos riscos para empresas, conforme sublinhou o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Meio Ambiente (Agapan), Alfredo Gui Ferreira.
“As sementes transgênicas são mais apetitosas para os insetos e obrigam os agricultores a comprarem agrotóxicos. A venda casada é o grande negócio deles”, destacou, fazendo referência ao fato de que essas multinacionais usualmente vendem as sementes resistentes e o veneno.
Representantes do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente também recriminaram a produção de transgênicos. Para o biólogo e membro do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema) Francisco Cauwer, o consumo dos alimentos orgânicos, produzidos sem nenhum tipo de agrotóxico, deveria ser incentivado. “É a saída contra o agronegócio e as seis grandes empresas que monopolizam esse mercado”, exemplificou.
Além de ambientalistas vinculados à entidades tradicionais do Estado, que protestavam com faixas e cartazes, o ato reuniu estudantes e participantes independentes, a maioria vestidos de preto e, alguns, com lenços cobrindo o rosto.
Uma aluna do curso de biologia da Ufrgs, que não quis se identificar, alegava que a monocultura é um retrocesso para a saúde das pessoas: “Já está provado que os índices de agrotóxicos cada vez aumentam mais nos alimentos transgênicos”.
Entre os anônimos, chamava atenção um manifestante caracterizado com a Morte. “A Monsanto é uma empresa, criminosa. Existem vários documentários que comprovam isso”, argumentou.
Para ele não é de interesse das grandes corporações investir em agricultura familiar recursos que podem ser empregados na monocultura. “Caso fosse, a produção de alimentos orgânicos seria muito maior” completou.
Local do protesto não mais é sede da empresa
A manifestação, que foi organizada através das redes sociais, aconteceu em frente ao Edifício Madison, considerada a sede porto-alegrense da Monsanto.
Mas surpreendidos pelo protesto, administradores do edifício comercial explicaram aos manifestantes que a multinacional já não opera no local há 7 anos. “Não há mais vínculo nenhum da empresa com o prédio”, dizia um dos representantes do condomínio.
“O ato é válido mas tinha que ter sido feito no lugar certo” completou.
A Monsanto funcionava no sexto andar do prédio, em um escritório atualmente ocupado pela construtora Goldsztein Cyrella.
Mas os manifestantes não se abalaram com a notícia de que o endereço estava equivocado. “A Monsanto já teve sede aqui então esse é o ponto de referência para aqueles que são contra os transgênicos” disparou o cidadão vestido de Morte.
Não faltou quem desconfiasse ser apenas um despiste dos administradores para que o ato não ganhasse mais adesões. “É, aparentemente a empresa não está mais aqui, mas isso pode ser só uma orientação. Também, pouco importa”, ilustrou um dos manifestantes que preferiu manter-se anônimo.
Os protestos do Dia Mundial Contra a Monsanto em Porto Alegre iniciaram no último sábado (23), quando ambientalistas se reuniram na feira ecológica do Bom Fim. O ato da segunda-feira encerrou a agenda que deverá ser repetida no ano que vem.
Protesto gerou simpatia e irritação
A manifestação gerou uma breve interrupção do trânsito nas avenidas Mostardeiro e Goethe – a primeira fechada pela EPTC devido ao ato. Para liberar o trânsito, os ativistas rumaram, ao final do protesto, para a avenida Goethe.
Entretanto, no período em que as duas avenidas estiveram paralisadas, muitos carros buzinavam contra o ato enquanto outros sinalizavam em apoio da causa.
Um deles, o fotógrafo Olavo Hinckler, era o morador do bairro vizinho, Rio Branco, estava passando e achou interessante a movimentação. “Não tenho tanto conhecimento sobre os transgênicos, mas acho válido esse tipo de ato em razão de algum ideal”.
Já para dois moradores do bairro Moinhos de Vento, aparentando 50 anos que não quiseram se identificar os manifestantes estavam equivocados. “Quer dizer que o agronegócio mata? A única coisa que está dando certo no País. Gera emprego, comida e renda para o Brasil” conversavam entre si.
O ato se encerrou por volta das 19h30 no bairro Moinhos de Vento quando os manifestantes seguiram, acompanhados pela Brigada Militar e EPTC, para avenida Osvaldo Aranha. Não houve confrontos nem violência.Geógrafos celebram seu dia com show gratuito na Capital
O Dia do Geógrafo, 29 de maio, será comemorado com um show gratuito em Porto Alegre. O grupo Canto dos Livres – Iuri Daniel Barbosa (violão e voz) e Vinícius Braun (gaita ponto, violão e voz) – apresenta nas escadarias da Borges de Medeiros, um espetáculo baseado na música missioneira.
O trabalho tem como ponto de partida a pesquisa de mestrado em Geografia Cultural de Iuri, que teve como temática a vida e obra dos artistas autointitulados Troncos Missioneiros (Jayme Caetano Braun, Noel Guarany, Pedro Ortaça, Cenair Maicá).
A obra dos Troncos Missioneiros se destaca do restante da Música Regional do Rio Grande do Sul pela busca de uma particularidade regional (por uma música e uma região Missioneira) e pelo seu discurso contestatório, de luta, engajado.
No repertório de “Uma noite missioneira” canções e payadas de Jayme, Noel, Ortaça, Cenair, mas também de outros artistas da região, além de músicas autorais do grupo.
O espetáculo, aberto ao público, ocorre a partir das 19h, diante do edifício do Utopia e Luta.
Debate atrai profissionais e estudantes
Além da celebração, profissionais e estudantes de Geografia se encontram alguns dias antes – 27 de maio, quarta-feira – para debater o mercado de trabalho na mesa redonda “Experiências Profissionais: Atuação e Diálogos”.
O encontro, que ocorre na sala 202 do Departamento de Geografia da UFRGS, terá abertura do professor Francisco Eliseu Aquino (UFRGS) e contará ainda com as participações de Iván Gerardo Peyré Tartaruga (FEE/RS), Willi Bruschi Junior (Biolaw Consultoria Ambiental) e representantes da Associação de Geógrafos do Brasil.Cais Mauá de Todos planeja encontros mensais para debater projeto
Felipe Uhr
Pela terceira vez em 2015, o ato festivo do coletivo Cais Mauá de Todos – que questiona a concessão e o projeto de revitalização da antiga área portuária de Porto Alegre – movimentou a noite de sábado (23), na avenida Sapúlveda, centro da Capital.
Em quase quatro horas, os manifestantes expuseram seus principais argumentos contra a obra, que prevê, além do restauro da área, a construção de três torres de 100 metros, um shopping center e estacionamentos para 4.500 automóveis.
A proposta do grupo é seguir realizando encontros mensais para debater o assunto. “Desde março, foram três atos festivos. Queremos manter essa regularidade”, explica a radialista Katia Suman.
Katia é uma das fundadoras do grupo que cobra maior participação popular no debate sobre o projeto. Para o coletivo, o desenho proposto pelo consórcio Cais Mauá do Brasil – e acatado pela prefeitura e Governo de Estado – não foi discutido com a sociedade. “É uma descaraterização do patrimônio histórico da cidade” defende a comunicadora.
Os ativistas não veem vantagens inclusive nas contrapartidas de R$ 36 milhões, propostas pelo consórcio à prefeitura. “As obras fecham o Caís para a cidade. É tudo maquiagem”, completa.
Além das noites de música e debate, o coletivo atua em outras frentes, como o questionamento jurídicos que está sob análise da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul.
A advogada Jaqueline Custódio destaca que há clausulas que não foram compridas pelo consórcio dono do negócio. “Não foram apresentadas as garantias financeiras do projeto e após ganha a licitação, não foi apresentado um projeto consolidado no período de 120 dias”, condena.
Por fim, o grupo comanda estudos para pressionar o tombamento da paisagem do Cais pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), protegendo assim, a área de alterações físicas.
Noite de sábado terminou com chuva
O manifesto pacifico teve início pelas 20h do sábado e contou com presença de aproximadamente de 500 pessoas. O público era um pouco menor que em atividades anteriores, porque havia ameaça de chuva que havia desde o final da tarde – o que se transformou em realidade próximo da meia noite, quando os participantes se dispersaram.
Com uma pequena alteração em seu cronograma, o evento começou com a palestra do engenheiro Jorge Luís Stocker que destacou a importância do lugar para a cidade, fazendo uma reflexão histórica e patrimonial do espaço.
O ato seguiu com a palestra do especialista em redes sociais Marcelo Branco, que destacou movimentos incentivados exclusivamente pela internet. Um processo que teve seu ápice no Brasil em 2013, com as manifestações de junho. Branco reafirmou a importância das redes sociais nesse processo: “é importante que isso seja discutido e debatido nas redes”.
A fala de Marcelo foi seguida por um vídeo onde personalidades, pensadores, manifestantes, sociólogos e moradores se mostravam contra o projeto atual.
Após o vídeo, foi a vez do sociólogo João Volino ocupar o microfone. João resgatou o processo histórico do atual contrato, ressaltando pontos em desacordo contra o Plano Diretor como a altura dos edifícios, de 100 metros, quando o máximo permitido na cidade é de 52 metros. A autorização para utilizar padrões construtivos acima do previsto na lei pode ser solicitada quando o empreendedor protocola na Prefeitura um projeto especial, como é o caso do Cais Mauá.
O sociólogo ainda sublinhou que a construção de um shopping irá desfavorecer o Mercado Público e o comércio de porta de rua, característico no centro da Capital. Volino pediu três coisas: “Queremos participação popular, transparência e legalidade”.
Conexão contra a privatização de espaços públicos
As palestras encerraram com a participação da advogada gaúcha, Liana Cirne Lins, uma das envolvidas do Ocupe Estelita, via skype e depois telefone direto de Recife. Na capital pernambucana ativistas lutam há um ano contra a demolição da área portuária para a dar lugar a torres.
Liana classificou esse tipo de projeto como um “estrupo histórico” para as cidades. Destacou a luta travada em Recife e também as manifestações contra a privatização de espaços públicos, hoje rotineiros em todos lugares do mundo.
Um dos palestrantes esperados, o historiador Eduardo Bueno faltou ao evento devido a compromissos profissionais.
Após os discursos e pedidos de uma maior discussão entre prefeitura e sociedade, as manifestações tiveram continuidade com atrações musicais de duardo Pitta, The Jalmas, Tonho Crocco, Tribo Brasil e Yanto Laitano e dos Dj’s Rafa Ferretti (Pulp) e Maurício Cunha (Fiesta Latina).



