Cleber Dioni Tentardini
É preciso uma engenharia para decifrar a ação dos ventos sobre uma cidade, tamanho são os seus efeitos e a sua interação com o ser humano e o meio ambiente. E um congresso internacional – que pela primeira vez será realizado na América do Sul – para reunir 500 dos mais importantes especialistas mundiais para debater a tecnologia em Porto Alegre, em junho.
Por ser pouco conhecida, é comum as pessoas logo associarem a engenharia do vento à energia eólica e à meteorologia, mas essa especialização abrange um amplo leque de assuntos. Hoje ela está presente em praticamente todas as construções civis e conhecer suas especificidades é fundamental para o conforto e segurança das populações.
Por exemplo: a cobertura do Gigante da Beira-Rio teve que ser reduzida alguns centímetros após os resultados de testes sobre o efeito dos ventos no estádio.
Da mesma forma, o projeto do Parque do Pontal, a área do antigo Estaleiro Só à beira do Guaíba, foi elaborado levando-se em conta as condições climáticas e o impacto dos ventos sobre as pessoas no entorno do empreendimento.
A ampliação da CMPC Celulose Riograndense, em Guaíba, incluiu a colocação de uma grande tela circular de proteção na pilha de cavacos – ajudando a conter a poeira que poderia prejudicar comunidades próximas.
Na ponte estaiada de São Paulo foram colocados dois triângulos, chamados tecnicamente de nariz de vento, para cumprir uma função aerodinâmica no desempenho da estrutura. Diminuíram em 50% as oscilações verticais da estrutura.
Em comum, esses projetos foram submetidos a simulações no túnel do vento do Laboratório de Aerodinâmica das Construções (LAC), no Campus do Vale/Ufrgs, o mais avançado da América Latina. Esse túnel foi batizado com o nome de seu fundador, professor Joaquim Blessmann, uma referência mundial no assunto, já aposentado.
experiência de três décadas no LAC
Quem ficou com a responsabilidade de manter o laboratório com o mesmo padrão de qualidade foi o professor Acir Loredo-Souza, da Pós-Graduação em Engenharia Civil, da Universidade – ele é também presidente da Associação Brasileira de Engenharia do Vento.
Aos 49 anos, está há quase 20 anos à frente do LAC. Entrou como aluno da Ufrgs em 1983, e três anos depois começou a trabalhar como auxiliar de pesquisa, como voluntário do professor Joaquim Blessmann.
Concluiu o mestrado na UFRGS e doutorado na Universidade de Western Ontario no Canadá, trabalhando no laboratório mais avançado do mundo em engenharia do vento, que fez os estudos para as torres gêmeas no World Trade Center, nos Estados Unidos, e para muitas das maiores obras do mundo. Quando voltou, assumiu a direção do laboratório.
Ele coordena uma equipe de pesquisadores/bolsistas, estagiários e técnicos que, apesar das dificuldades, presta um trabalho reconhecido internacionalmente.
Do contrário, o LAC não seria escolhido como o organizador e Porto Alegre como a sede do Congresso Internacional da Engenharia do Vento, que reunirá no próximo mês de junho os maiores especialistas do mundo no assunto.
Porto Alegre é a primeira sede na América do Sul
O Congresso Internacional da Engenharia do Vento, que já está em sua 14ª edição, irá ocorrer pela primeira vez na América do Sul, com a expectativa de reunir aproximadamente 500 conferencistas de 33 países – entre eles Canadá, Estados Unidos, Japão, China, Austrália, Inglaterra e Alemanha.
Entre os destaques da programação, já estão confirmadas palestras dos pesquisadores John Holmes, da Austrália; Horia Hangan, do Canadá; e Jens Peter Molly, da Alemanha (veja no box abaixo a que eles se dedicam).
O evento será nos dias 21 a 26 de junho, no Centro de Eventos da PUCRS.
A maior comitiva é da China, que tem investido muito em engenharia do vento. Segundo o professor Acir Loredo-Souza, nesta ocasião eles irão apresentar a candidatura para sediar o próximo congresso, em 2019.
Realizado a cada quatro anos, o congresso aborda diversos tópicos relacionados a ação e efeitos do vento, incluindo o planejamento urbanos e a dispersão atmosférica de poluentes. “Haverá palestras desde a ciência mais básica até a parte da aplicação em obras reais que foram construídas desafiando a engenharia no limite do conhecimento”, ressalta o pesquisador.
Universidade não ajuda na manutenção
Curiosamente, o LAC é sustentado apenas com os trabalhos que presta, principalmente para empreendimentos de fora do Rio Grande do Sul, que representam 99% da demanda.
“É um desafio diário manter esta estrutura sem o apoio financeiro da própria Ufrgs, mas ainda somos uma referência e pretendemos continuar assim”, afirma Loredo-Souza.
Dezenas de prédios residenciais e comerciais de vários estados brasileiros e de países da América do Sul, como Uruguai, Argentina e Venezuela, passaram pelos estudos da engenharia do vento no LAC.
Os arranha-céus de 70, 80 andares em Balneário Camboriú, diversos estádios de futebol, incluindo as arenas da Copa, igrejas como a Basílica de Goiás, o campanário no Santuário de Aparecida, a Catedral de Belo Horizonte – um dos últimos projetos de Oscar Niemeyer -, o Templo Rei Salomão, da Igreja Universal; o Museu do Amanhã, no Rio; as pontes estaiadas Octávio Frias de Oliveira, São Paulo; de Laguna e do Rio Negro, em Manaus.
Também ali é feita a calibração dos anemômetros, os aparelhos utilizados para medir a velocidade dos ventos.
“Obviamente, precisaríamos de um apoio oficial da Universidade, ainda mais neste momento de desaquecimento da economia e a consequente queda na demanda do setor da construção civil. Mas o que nos anima é perceber que o pessoal que quer investir mais na qualidade de seu produto busca nosso trabalho pela tecnologia avançada que oferecemos”, afirma Loredo-Souza.
Túnel do vento traz segurança a projetos
Ao simular no túnel os principais impactos dos ventos em modelos reduzidos de edificações, é possível determinar as pressões que irão atuar sobre as fachadas e as estruturas, resultando em projetos mais precisos.
“Os estudos do túnel nos dão maior segurança de como a estrutura responderá aos efeitos dos ventos. O que o laboratório faz é orientar os responsáveis pelos projetos a realizarem ou não adequações em suas estruturas”, completa.
Entretanto não existe uma legislação que obrigue os empreendimentos a realizarem os estudos no túnel de vento, que é a simulação mais próxima da realidade, uma garantia maior de segurança. O que há é uma norma, a NBR 6123, de 1988 – Forças Devidas ao Vento em Edificações – e que todo engenheiro deveria seguir.
O túnel disponível no LAC é do tipo de retorno fechado, projetado especificamente para ensaios estáticos e dinâmicos de modelos de construções civis. Este túnel permite a simulação das principais características de ventos naturais.
Sua relação entre comprimento e altura da câmara principal de ensaios é superior a 10, e suas dimensões são 1,30m de largura, 0,90m de altura e 9,32m de comprimento. Na segunda câmara de ensaios, as dimensões são maiores: 2,50m, 2,10m e 15,60m, respectivamente.
A velocidade máxima do escoamento de ar nesta câmara, com vento uniforme e suave, sem modelos, é de 47m/s (170 km/h). As hélices do ventilador são acionadas por um motor elétrico de 100 HP e a velocidade do escoamento é controlada através de um inversor de frequências.
Canadense com túnel único no mundo virá para congresso
Horia Hangan é professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Western Ontario, Caanadá, e diretor fundador do Instituto de Pesquisa WindEEE, o qual possui um túnel de vento hexagonal para simular diversos tipos de ventos, sendo o único no planeta deste tipo.
Ele estará em Porto Alegre em junho para debater sobre o tema na 14ª edição do Congresso Internacional de Engenharia do Vento que será realizado na PUCRS.
Em 2009, o professor projetou e desenvolveu o WindEEE Dome. WindEEE é um instituto destinado a estudar o impacto de qualquer tipo de sistema eólico no habitat de origem humana e natural. Pela primeira vez no Brasil, ele falará sobre simuladores físicos e novas técnicas de medições desenvolvidas pelo WindEEE.
modelo alemão de energia eólica será detalhado
Já o palestrante Jens Peter Molly – diretor geral do Grupo DEWI, com filial no Brasil – vai detalhar o modelo de energia eólica alemã, país onde o crescimento das energias renováveis deve continuar.
“É um paradigma desta evolução o fato que a maior geradora de energia elétrica na Alemanha tenha decidido vender todas as plantas convencionais e se concentrar somente nas energias renováveis”, enfatiza Molly.
O diretor geral do Grupo DEWI destaca que no país europeu existe a política de “Energiewende” (mudança das energias), que significa que a Alemanha vai substituir o uso da energia nuclear até 2021.
“Por isso, nós precisamos das energias renováveis como a eólica onshore, offshore e fotovoltaica”, justifica.
O país europeu já instalou mais de 38 mil MW de energia eólica onshore e também mais de 38 mil MW de fotovoltaica. As duas fontes geram 84,2 milhões de MWh de energia ou 13,8% da geração elétrica.
No Brasil, a situação do abastecimento com a energia elétrica é grave por causa da falta de chuva. “Mesmo com chuvas adicionais, a geração de energia tem que se concentrar nas energias eólica e solar, porque o consumo da energia elétrica em decorrência do avanço da indústria e da população não pode ser mais suprido, mesmo com o crescimento da energia hidrelétrica”, acrescenta Molly.
As duas fontes renováveis de energia têm grandes vantagens, pois apresentam condições de instalação com mais rapidez em relação às hidrelétricas, além da economia de água.
Professor premiado apresentará efeitos em estruturas
O Professor John Holmes, da Austrália, recebeu o prêmio Davenport – Medalha de Prata (Award Senior) na última conferência, realizada em 2011, em Amsterdam, na Holanda.
Com foco nos efeitos do vento em estruturas, Holmes tem mais de 400 artigos e reportagens publicados. A terceira edição do seu livro “Carregamento devido ao Vento em Estruturas” (Wind Loading of Structures) foi lançado em fevereiro pela CRC Press, do Grupo Taylor & Francis.
Autor: da Redação
Laboratório referência atrai congresso internacional sobre ventos para a Capital
Miniaturas de edificações ao lado do túnel do vento no LAC | Divulgação Defensores de alternativa para Cais Mauá convocam novo ato festivo
Neste sábado (23), a partir das 19h, a Avenida Sepúlveda, no Centro, será novamente ocupada por militantes que buscam uma nova discussão sobre o futuro do Cais Mauá de Porto Alegre. Os cidadãos temem que a área seja desfigurada com a construção de três torres, um shopping center e estacionamentos para mais de 4 mil carros conforme projeto do consórcio que deve revitalizar a área.
“A oposição ao projeto atual decorre da total liberdade do Estado, de arbitrar sobre os bens públicos a bel prazer, muitas vezes por interesses alheios aos da população, como essa tal “revitalização” que nada mais é do que especulação imobiliária sobre o patrimônio histórico e cultural mais valioso da capital dos gaúchos”, critica o sociólogo João Volino Corrêa, um dos porta-vozes do coletivo.
O consórcio Cais Mauá do Brasil promete investir cerca de R$ 600 milhões na área – R$ 120 milhões para restaurar os armazéns tombados pelo patrimônio histórico. O grupo também protocolou na prefeitura contrapartidas na ordem de R$ 36 milhões para o entorno.
Durante o ato-festivo – como os militantes costumam chamar as reuniões que vem ocorrendo frequentemente no local, onde se combinam discussão pública e música ao vivo – será feito um chamado para a criação da Fundação Cais Mauá, convocando todas as entidades que já sinalizaram apoio à causa. Este passo surgiu da necessidade do Coletivo Cais Mauá de Todos se organizar formalmente como uma instituição cívica voluntária.
Será um novo passo para o movimento, que no mais recente encontro público apresentou um projeto alternativo que prioriza pedestres e ciclistas e oferece um conjunto de ações culturais no espaço, que passa agora por estudos de viabilidade econômica.
O evento terá a participação, via Skype, da ativista e Doutora em Direito Público Liana Cirne Lins, professora da Universidade Federal de Pernambuco, que vai falar sobre a situação do Ocupe Estelita, do Recife, e dar apoio ao movimento portoalegrense.
Além disso, Marcelo Branco, ativista de Software Livre, vai abordar a cidadania conectada e as revoluções em curso no mundo todo e Jorge Luís Stocker, vice-presidente da Defender, vai falar sobre patrimônio arquitetônico e paisagístico. A importância histórica da área portuária será abordada pelo jornalista, escritor e pesquisador Eduardo Bueno, o Peninha, enquanto o sociólogo João Volino Correa fará um breve relato sobre as ações do grupo Cais Mauá de Todos.
Dentre as atrações musicais, estão Eduardo Pitta, The Jalmas, Tonho Crocco, Tribo Brasil e Yanto Laitano. Após os shows, Rafa Ferretti (Pulp) e Maurício Cunha (Fiesta Latina) vão comandar o som. Pelo Facebook, quase três mil pessoas já confirmaram presença no evento.
PROGRAMAÇÃO
19h30 – Linha do tempo das atividades envolvendo o Cais Mauá, por João Volino
19h50 – Jorge Luís Stocker e o patrimônio arquitetônico e urbanístico
20h – Skype com Liana Cirne Lins, do Ocupe Estelita, direto do Recife
20h15 – Marcelo Branco e a revolução conectada
20h30 – Eduardo Bueno e o contexto histórico da área
Apresentação de artistas convidados, seguida de baile aberto
O ato festivo tem o apoio dos grupos Minha Porto Alegre, Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Sindicato dos Engenheiros (SENGE/RS), Defesa Civil do Patrimônio Histórico (Defender), Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Poa em Movimento, StudioClio, Rádio Elétrica, Estúdio Gorila, Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ/RS), Defesa Pública da Alegria, Ocupa Cais Mauá, Porto Alegre Ativa, Associação Comunitária do Centro Histórico de Porto Alegre, Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, Editora Libretos, Bar Ocidente, Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (Mobicidade), Laboratório de Políticas Públicas e Sociais (Lappus), Chega de Demolir Porto Alegre e Fast Food Cultural.Brasileiros, uruguaios e cubanos se irmanam para cantar José Martí
No dia 29 de maio, às 20h, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa, músicos e compositores cubanos, brasileiros e uruguaios reúnem-se para cantar a vida e a luta do mais universal dos poetas da Ilha – e herói da guerra de independência cubana contra o domínio espanhol: José Martí.
O show marca o lançamento do CD inédito, gravado em Porto Alegre a partir de 14 poemas de Martí, que foram escolhidos e musicados pelos gaúchos Leonardo Ribeiro, Mário Falcão e Pablo Lanzoni, pelo uruguaio Sebastian Jantos e pelo cubano Maurício Figueiral.
A realização é da Associação Cultural José Martí e a entrada é franca.
Além dos autores e intérpretes, participam do espetáculo os músicos Marisa Rotenberg (voz), Cláudio Sander (sax), Giovani Berti (percussão), Ricardo Arenhaldt (bateria), Éverson Vargas (baixo) e New (teclados). O ex-governador do Estado, Olívio Dutra, declama o poema Banquete de Tiranos.
Foram musicados os poemas martinianos Tiene el alma del poeta, Cuba nos une, Baile agitado, Cultivo una rosa blanca, Por tus ojos encendidos, Banquete de tiranos, Tonos de orquestra, Yo vengo de todas partes, A Emma, Aquí está el pecho, mujer, Yo puedo hacer, Noche de mayo, El rayo surca e Fragmento.
Nos dias 22 a 27 de janeiro deste ano, o projeto José Martí em Canto participou de uma jornada cultural em Havana, a convite do Centro Nacional de Música Popular, do Ministério da Cultura de Cuba, durante as festividades dos 162 anos do natalício de Martí.
“Um encontro entre músicos de Cuba, Brasil e Uruguai contribuiu para fortalecer a solidariedade e a integração entre os três países, tendo na cultura uma condição fundamental para este processo”, explica o presidente da Associação Cultural José Martí do Rio Grande do Sul, Ricardo Haesbaert.
O show integra a programação da 9ª convenção Gaúcha de Solidariedade à Cuba. Apoiam o projeto as seguintes entidades gaúchas: Sindipolo, Sergs, Sindbancários, Stimepa, FTM, Afocefe, Ugeirm, FeteeSul, Sintec, Sinfeeal, Sindiporg, Sindiágua/RS, Sidipetro/RS e Semapi/RS.Audiência pública discutirá rumos do zoológico de Sapucaia do Sul
Felipe Uhr
A Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa realizará um audiência pública que discutirá a situação do zoológico de Sapucaia do Sul. O debate, proposto pelos deputados Altemir Tortelli (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB), ocorre no próximo dia 3 de junho às 10h30 no plenarinho da Casa.
A informação de que o governo do Estado estuda privatizar autarquias e empresas públicas – entre elas, o zoo – para reduzir o tamanho – e o gasto do Tesouro gerou preocupação na bancada oposicionista.
“Queremos compreender quais possibilidades o governo pode apresentar” afirmou Tortelli.
Embora a justificativa seja a delicada situação financeira do Estado, o parlamentar não descarta uma eventual pressão do setor imobiliário para que a área seja vendida. “São 160 hectares”, explica.
Há também uma preocupação com os funcionários, que poderiam perder o emprego caso a iniciativa privada assumisse o controle do lugar.
O zoo de Sapucaia possui cerca de mil animais sob seus cuidados. Tortelli argumenta que o espaço pode ser utilizado para lazer e para a pesquisa ambiental, além de servir à preservação da fauna e da flora do Estado. A privatização, portanto, não seria aceitável. “O cidadão merece lugares para lazer com sua família”.
Estão convidados para a audiência pública representantes das secretarias estaduais do Meio Ambiente, Casa Civil, Fazenda, além de funcionários do parque, dirigentes da Fundação Zoobotânica e a comunidade em geral.
Até mesmo o governador José Ivo Sartori foi chamado. “Seria muito bom se ele estivesse presente para essa importante discussão” provoca o deputado.Porto Alegre participa de protesto mundial contra transgênicos
Militantes ambientalistas organizam em Porto Alegre duas manifestações que integram a programação da Marcha Mundial contra a Monsanto, que ocorre anualmente sempre no dia 23 de maio.
A programação na Capital ocorrem nos dias 23 e 25 de maio (sábado e segunda-feira, respectivamente). O primeiro ato ocorre na feira orgânica do Bom Fim, a partir das 10h. Na segunda-feira, a concentração será na frente da sede da empresa em Porto Alegre (Rua Mostardeiro, 800), a partir das 17h30.
Os participantes da marcha, que integram grupos como o Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema) e a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, alegam que as sementes transgênicas da empresa, além de dificultarem a participação de pequenos agricultores no mercado, causam empobrecimento do solo e malefícios à saúde, pois estão associadas com o uso de agrotóxicos – o que a própria Organização Mundial da Saúde já classifica como agentes causadores de câncer.
O evento criado no facebook conta com mil presenças confirmadas.Reunião de GT sobre Cais Mauá reaviva otimismo de gestores públicos
Naira Hofmeister e Felipe Uhr
Após a primeira reunião do Grupo de Trabalho sobre o Cais Mauá, convocada pelo Governo do Estado, ganhou força a possibilidade de que sejam apresentados aditivos ao contrato firmado com o consórcio responsável pelas obras.
Apesar de o encontro inaugural ter tratado apenas de resgatar o histórico do processo – desde a concessão, em 2010, até as recentes divulgações dos resultados financeiros do consórcio, que apontaram um prejuízo de R$ 12 milhões em 2014 – foi suficiente para reavivar, nos gestores públicos, um pouco do otimismo de outrora a respeito do empreendimento.
“Acreditamos que as coisas estejam se encaminhando para a execução das obras”, sintetizou o diretor-geral da Secretaria dos Transportes e Mobilidade, Vanderlan Frank Carvalho, que preside o grupo.
O secretário municipal do Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais, Edemar Tutikian, que representou a prefeitura na reunião, saudou a criação do instrumento. “É fundamental esse diálogo. Se a Prefeitura e o Governo do Estado estão juntos é porque há vontade política de fazer”, comemorou.
Westphalen: “projeto é prioridade”
A tese de que é necessário fazer aditivos ao contrato parece ter prevalecido sobre a defendida por quem acredita que o melhor caminho é o rompimento unilateral, que foi revelada em uma reportagem da Zero Hora na semana passada.
“O papel do Estado é fazer cumprir o que está estabelecido e analisar possíveis aditivos que possam ser apresentados. Como transcorreu muito tempo desde a assinatura do contrato, o que foi estabelecido naquela época pode não ser mais o adequado dentro da realidade atual. E cabe a nós remover qualquer entrave que seja da competência estadual”, afiançou Carvalho.
O secretário de Transportes, Pedro Westphalen, que participou da abertura da reunião, confirmou a disposição. “O governador determinou que o Cais Mauá seja tratado como prioridade. Temos 90 dias para dissecar o atual contrato e apresentar um diagnóstico dos entraves e caminhos que devemos seguir para revitalizar uma área tão nobre da nossa capital”.
Apesar da determinação em fazer o projeto caminhar para a concretização, Carvalho admite a necessidade de receber informações mais detalhadas da empresa para avançar no debate. “A alteração no quadro societário será objeto de análise, assim como a estruturação financeira do consórcio, que precisará ser apresentada em algum momento”, ponderou.
Essa exposição será feita em um segundo momento, quando o grupo já tiver concluído a fase de detalhamento das cláusulas contratuais. “Depois vamos ouvir empresa para que manifestem as dificuldades que estão tendo, e se elas tem origem no Estado ou na Prefeitura”, explicou.
Revisão não está nos planos
Embora haja disposição para alterar cláusulas que eventualmente estejam impedindo o andamento da obra de revitalização do Cais Mauá, tanto a Prefeitura como o Governo do Estado descartam a possibilidade de rever o projeto executivo para se adequar às demandas de um grupo de moradores que é crítico ao desenho sugerido.
“Tem que entender como isto funciona, é um processo. Teve uma licitação legal, diretrizes, aprovações nas comissões da Prefeitura, foi aberto um Estudo de Impacto Ambiental. E tudo lastreado na lei aprovada na Câmara de Vereadores. O que as pessoas querem discutir? Isso é técnico”, argumenta o secretário Edemar Tutikian.
É também como pensa o coordenador do GT, Vanderlan Frank Carvalho. “Já temos um instrumento jurídico que é legal e válido, não estamos entrando no mérito da utilização da área mas das ações administrativas necessárias para que o contrato tenha seu objeto atendido”.
Ambos, entretanto, registraram a importância de esclarecer pontos ainda pouco conhecidos do projeto. “Tem que informar”, observou Tutikian, que garantiu, por exemplo, que a volumetria do shopping que será construído ao lado do Gasômetro não impactará na paisagem.
“Em absoluto”, reforçou, lembrando ainda que não há nenhuma construção aprovada para a área até este momento. A Câmara de Vereadores aprovou índices construtivos de até 36 metros na área, o que seria equivalente a um edifício de 12 andares.
Já o coordenador do GT pelo Estado sublinhou a disposição em prestar contas sobre “tudo o que está acontecendo”. “Nossa ideia é desmitificar tudo o que existe em torno do projeto. O secretario nos determinou que haja uma comunicação ativa, a cada reunião, que se diga o que foi tratado, os encaminhamentos”, concluiu.
O próximo encontro do GT do Cais Mauá acontece na segunda-feira (25).
Ativistas propõem criar fundação
Enquanto a reunião do GT Cais Mauá acontecia a portas fechadas, o grupo de ativistas que contesta o projeto começou a convocar a população para um novo ato festivo diante do pórtico central, no próximo sábado (23).
Na ocasião, além dos tradicionais shows e debates sobre a área, os ativistas vão propor a criação de uma fundação que os permita “marcar presença em qualquer movimento de revitalização do Cais, presente ou futuro”, segundo texto divulgado na página do evento.
Eles também estarão recolhendo apoios a um abaixo assinado que pede uma nova discussão sobre o destino do porto.
O encontro começa às 19h com um relato sobre o histórico do movimento, prossegue com breves palestras do Jorge Luís Stocker sobre patrimônio histórico e afetivo, e do jornalista e historiador Eduardo “Peninha” Bueno. O ápice às 21h, quando uma das lideranças do movimento Ocupe Estelita, do Recife – Liana Cirne Lins – vai interagir com os presentes através do skype.
A partir das 22h, se apresentam no palco improvisado na avenida Sepúlveda os artistas Tonho Crocco, The Jalmas, Tribo Brasil, Eduardo Pitta e o DJ Rafa Ferreti.
O movimento pede doações no dia do ato festivo para financiar novas atividades e pagar os custos técnicos do evento.Após 5 anos, MinC volta a selecionar Pontos de Mídia Livre
Cinco anos depois do segundo – e mais recente – edital de Pontos de Mídia Livre, o Ministério da Cultura (MinC) volta a selecionar iniciativas de comunicação independentes para receberem apoio estatal.
O texto com as regras para a concorrência será publicado no dia 8 de julho, mas uma minuta do documento está disponível on-line para que a comunidade possa escrutinar a proposta.
“A possibilidade de cogestão das políticas públicas é o caminho a ser seguido. Estamos construindo diversos instrumentos de estímulo à participação social. A consulta pública é um deles e deve ser a mais ampla possível, para possibilitar que quem recebe essas políticas na ponta também participe do seu processo de criação e implementação”, ressalta a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Ivana Bentes.
O documento ficará disponível para sugestões e consultas até o dia 26 de maio. Após esse prazo, as contribuições serão sistematizadas e todas as propostas submetidas receberão uma resposta do MinC.
Um seminário também ocorre no Rio de Janeiro, nos dias 15 e 16 de maio, para debater o assunto.
Edital vai distribuir mais de R$ 5 mi
O edital vai entregar a 71 iniciativas de mídia livre selecionadas um total de R$ 5 milhões, que serão divididos entre prêmios de R$ 120 mil (para 20 entidades culturais de alcance regional e nacional) e R$ 40 mil para coletivos em três distintas categorias.
Para concorrer não é necessário ter um grupo formalizado – com CNPJ, por exemplo – embora segundo a minuta do edital, os valores mais altos serão entregues a entidades com constituição jurídica.
O MinC entende como “coletivos culturais” povos, comunidades, grupos e núcleos sociais comunitários, e redes e movimentos socioculturais que tenham atuação na área da comunicação e da cultura.
É importante não possuir financiamento direto e nem “subordinação editorial a empresas de comunicação legalmente constituídas”.
Além disso, serão levadas em consideração a qualidade estética, a regularidade de publicações ou veiculações do grupo, a capacidade de promover interação e de mobilizar ações através do Pontos de Mídia Livre além da utilização de ferramentas de software livre e da observação de política de conteúdo aberto.
O edital faz parte da política de Pontos de Cultura do MinC. Nas edições anteriores da chamada pública, em 2009 e 2010, o MinC destinou cerca de R$ 9 milhões a 154 Pontos de Mídia Livre, contemplando um amplo espectro de suportes de comunicação (audiovisual, impresso, multimídia, rádio e web) em todo o país.Seminário gratuito discute gestão sustentável de resíduos na Capital
Iniciativa do Projeto Cidade bem tratada e da Câmara Municipal de Porto Alegre, o IV seminário de Gestão Sustentável de resíduos discutirá a política nacional para o setor e os caminhos a serem seguidos na esfera municipal, estadual e federal sobre esse tema.
O evento, que ocorre entre os dias 18 e 19 de maio no Teatro do Bourbon Country, contará com palestras de vários especialistas e gestores da área ambiental, entre eles o ex-candidato do PV à presidência da República, que também é médico sanitarista, Eduardo Jorge; e a secretária Estadual do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, Ana Pellini.
As inscrições ainda estão abertas e são limitadas até esgotar a capacidade do teatro (100 lugares). Os credenciamentos acontecem às 17h e 8h, dos dias 18 e 19 respectivamente. Todos participantes receberão diploma de participação.
