Autor: da Redação

  • Audiência pública sobre um projeto polêmico

    Durou mais de quatro horas a primeira das duas audiências públicas para apresentação do projeto imobiliário Parque do Pontal, na área do antigo Estaleiro Só, num dos pontos mais valorizados da Orla do Guaíba.
    A ocupação deste terreno, originalmente uma área pública , é uma das mais polêmicas questões urbanas de Porto Alegre.
    A audiência, na sede do Jockey Clube, no bairro onde está localizado o empreendimento começou às 19 horas com a apresentação do Eia-Rima necessário à a licença prévia para a obra.
    Clarice Debiaggi, da equipe que elaborou o projeto apresentou o estudo para um público dividido entre os que apoiam a ocupação privada da área e militantes dos movimentos comunitários que questionam a inclusive a transferência do terreno, que pertencia ao governo do Estado, para uma empresa, o extinto Estaleiro Só, que o havia recebido em comodato (não poderia ser negociado).
    Uma segunda audiência ocorre nesta terça feira também a partir das 19 horas, na igreja da Cidade Baixa.

  • Pedal das Águas reunirá uma centena de ciclistas no domingo

    Mais de 100 ciclistas são esperados na terceira edição do Pedal das Águas, evento que acontece no domingo (12) e cujo propósito é pedalar 110 quilômetros entre a Zona Norte de Porto Alegre e o município de Gravataí – ida e volta incluídos.
    Entre os 55 quilômetros do trajeto, 3 quilômetros são de chão batido, que desembocam no ponto de chegada: a Cascatinha do Mato Fino, em Gravataí, onde após a longa jornada, os participantes poderão tomar banho de cachoeira (o ingresso custa R$ 15).
    A saída está marcada para as 7h30, na esquina das avenidas Farrapos e Cairu.
    Para participar da atividade, é necessário confirmar presença no evento criado no Facebook, solicitar as pulseirinhas aos organizadores e pagar a taxa de ingresso.
    O Projeto Rio Limpo, da Associação de Preservação da Natureza – Vale do Gravataí (APN-VG), acompanhará o trajeto e distribuirá camisetas aos participantes patrocinadas pelo Programa Socioambiental da Petrobras. O 3º Pedal das Águas conta ainda com o apoio da Casa das Pantalhas, IAGENTE, FLB Consultas Cadastrais e Artesanato do Futuro.

  • Movimentos se organizam para audiências públicas do Pontal

    Naira Hofmeister
    Uma reunião na noite dessa segunda-feira (06) deflagrou a união dos movimentos contrários à construção do Parque do Pontal, que se preparam para as audiências públicas sobre o projeto, quarta e quinta-feira desta semana.
    Diante de um estandarte cujos dizeres eram “A orla é pública e não está à venda”, ativistas da reforma urbana, ambientalistas e integrantes dos movimentos comunitários de Porto Alegre se encontraram na sede gaúcha do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS).
    A intenção era construir em conjunto uma estratégia que amplifique as críticas ao empreendimento, que pretende erguer em uma área de 6 hectares à beira do Guaíba um shopping center, duas torres comerciais e uma praça pública.
    “É um projeto que ameaça a zona Sul. Se deixarem construir ali, em pouco tempo, os moradores não terão alternativas a não ser vender suas casas para construtoras erguerem espigões. Onde passa um boi, passa uma boiada!”, alertou a integrante do Conselho Municipal do Plano Diretor, Anadir Alba.
    A preocupação principal do grupo, que contava com cerca de 20 pessoas, é com o aparelhamento das audiências públicas. “Os locais escolhidos são estratégicos para contar com amplo número de apoiadores do projeto”, observou o presidente da Associação Comunitária do Centro Histórico, Paulo Guarnieri.
    O ativista sublinhou que o local do primeiro encontro, no dia 8 de abril (quarta-feira) – o Salão Amarelo do Jockey Club do Rio Grande do Sul (Av. Diário de Notícias, 750) – é compreensível por ser justamente em frente à área pretendida para o empreendimento.
    Entretanto, a segunda audiência, no dia 9 de abril (quinta-feira) – que foi solicitada por moradores da área central que também serão impactados pela construção – ocorrerá na Paróquia Sagrada Família (Rua José do Patrocínio, 954). “É onde tradicionalmente se reúnem movimentos conservadores, críticos do carnaval de rua e do funcionamento de bares na Cidade Baixa”, sublinhou.
    Vilas farão falta
    Mesmo sobre o encontro no Jockey Club paira certa desconfiança dos movimentos porque o espaço é utilizado pelo Clube de Mães do Cristal, entidade que defendeu o projeto durante sua tramitação na Câmara Municipal.
    O movimento também não conta com a União das Vilas do Cristal, desfeita com a desapropriação de áreas próximas ao futuro Parque do Pontal, que deram lugar a outros empreendimentos – como o Barra Shopping – ou a contrapartidas de melhorias urbanas feitas por eles.
    Para suprir essa falta, os ativistas estudam convocar moradores do Morro Santa Teresa, da vila Tronco e aqueles desalojados pelas obras do Programa Socioambiental (Pisa). “São pessoas que entendem que se trata de um processo de expulsão popular de locais onde classes mais altas querem se estabelecer”, justificou o representante do Núcleo Amigos da Terra (NAT), Fernando Campos Costa.
    Os participantes também salientaram a importância de que o movimento chegue cedo aos locais das audiências, para garantir as falas de seus representantes. “Eles distribuem um número limitado de senhas”, esclareceu Anadir.
    Mas para o integrante do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema), José Fonseca, é preciso, sobretudo, denunciar o sistema das audiências. “Quando é que foi possível influenciar realmente um projeto depois de uma audiência? Isso é mera burocracia!”, bradou.
    Vitória do “não” será lembrada
    Essa não será a primeira iniciativa conjunta dos movimentos na discussão do tema. Em 2009 eles conseguiram mobilizar a cidade e venceram a consulta popular proposta pela prefeitura municipal sobre o uso da área.
    Embora a pergunta feita nas urnas tenha sido se a população concordaria com a construção de residências no terreno – o que foi barrado pela maioria dos porto-alegrenses que votaram – os ativistas sempre entenderam que o “não” era uma resposta mais ampla.
    “Foi um não da cidade à especulação imobiliária na orla, à exploração comercial de locais que poderiam ser amplamente utilizados por todos os cidadãos”, explicou a vereadora Sofia Cavedon (PT), única representante da Câmara a estar na reunião.
    Os participantes pretendem resgatar essa votação que consideram histórica, levando inclusive, materiais como faixas e cartazes elaborados na época para reavivar o sentimento na população.
    O grupo possui uma página no facebook onde a mobilização permanece de forma constante.

  • Pontal abrirá 8 faixas de trânsito para reduzir congestionamentos

    Naira Hofmeister
    A construção do Parque do Pontal – antigo Pontal do Estaleiro – vai intensificar o tráfego de veículos no acesso à zona Sul de Porto Alegre. O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do empreendimento, que será apresentado à população em duas audiências públicas, nos dias 8 e 9 de abril, aponta o surgimento de 11 novos pontos de congestionamento na região e sugere medidas mitigadoras do impacto.
    Entre as opções para dissipar o volume extra de veículos transitando na região, o Rima sugere a construção de oito novas faixas de trânsito em cinco pontos próximos ao local do empreendimento. A extensão das novas faixas não está explicitada no estudo, que também prevê ajustes em duas rotatórias e em um canteiro central.
    Para cinco dos problemas previstos com a construção do conjunto que terá shopping center, torre comercial e área pública de 3,6 hectares, a solução apresentada pela empresa Profill, que fez o levantamento, é aguardar as medidas compensatórias que deverão ser feitas pelo Barra Shopping.
    São consideradas ainda medidas compensatórias a criação de 54 vagas de estacionamento para bicicletas, 10 vagas para automóveis de portadores de necessidades especiais e outras 76 para idosos.
    Principais vias estão esgotadas
    O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do projeto Parque do Pontal mostram que as principais via de acesso ao novo empreendimento já estão esgotadas em sua capacidade de tráfego, condição estrutural e possuem pavimento bastante danificado.
    “Analisando os resultados obtidos como um todo foi verificado que as avenidas Diário de Notícias, Edvaldo Pereira Paiva, Icaraí e Pinheiro Borda apresentam-se estruturalmente deficientes”, aponta o EIA.
    Como o empreendimento prevê 1826 vagas de estacionamento – que serão ocupadas por trabalhadores das torres comerciais e por clientes do shopping center – haverá um acréscimo significativo de tráfego nestas avenidas já saturadas.
    Entretanto, dos oito pontos de congestionamentos projetados para estas quatro vias quando o Parque do Pontal estiver operando, apenas quatro serão executados pelo empreendedor. A outra metade será compensada por obras do Barra Shopping e por “outras medidas nas demais intersecções”.
    O EIA-Rima também relaciona entre as obras a serem feitas pelo centro comercial vizinho algo que reduza a “insegurança no tráfego de veículos e pedestres na interseção entre a Avenida Pinheiro Borda e a Rua Estevão Cruz”.
    Por fim, para o excesso de tráfego previsto para a confluência das avenidas Borges de Medeiros, Praia de Belas e José de Alencar, não haverá uma ação específica: “esse impacto será compensado por outras medidas propostas pelo empreendimento nas demais interseções”, avisa o estudo.
    Novas faixas
    Padre Cacique, sentido norte-sul
    Diário de Notícias (apenas no acesso ao Jockey), ambos sentidos
    Icaraí, ambos os sentidos
    Icaraí/Campos Velho, faixa exclusiva para conversão à direita sentido bairro-centro
    Wenceslau Escobar, na aproximação da rotatória com a Pereira Passos
    Rua Butuí, sentido leste-oeste
    Medidas a cargo do Barrashopping
    Intersecção Padre Cacique/Diário de Notícias
    Intersecção Icaraí/Coronel Claudino
    Intersecção Chuí/Ibicuí
    Intersecção Cavalhada/Campos Velho
    Ajustes em rotatórias e canteiros
    Diário de Notícias/acesso ao Joquey
    Wenceslau Escobar/Pereira Passos
    Corte canteiro da Icaraí na altura da Butuí para facilitar conversão à esquerda

  • Tutti Giorni: na falta do bar, clientes ocupam praça

    Camila Benvegnú
    Terça-feira, 31 de março de 2015. A festa na rua tem entrada livre, música, quitutes veganos e bebidas artesanais. Centenas de convivas circulam ao redor da Ponte de Pedra, um dos mais antigos monumentos de Porto Alegre, para celebrar outro símbolo – este mais recente – da Capital: o Tutti voltou!
    Mas que ninguém se engane: quem está de volta é o movimento de ocupação do espaço público, e não o bar que alimentou seus criadores com cerveja barata e ideias malucas por anos.
    Tanto que o encontro, convocado pelo facebook por duas intercambistas francesas que estão na cidade há pouco mais de meio ano não levava sobrenome – o Giorni, no original do botequim. Na verdade Justine Serol e Suzette Obsolète chamaram virtualmente o evento de A volta do Tutty’s – como ficou carinhosamente conhecido por esta geração de frequentadores.
    “Ficamos com saudade; Porto Alegre também!”, justifica Justine.
    O bar
    O Tutti Giorni era um bar tradicional nos altos da escadaria da Borges de Medeiros. Tinha o pé direito baixo e as paredes forradas de desenhos oferecidos pelos frequentadores mais irreverentes da casa: os cartunistas da Grafar.
    Por motivos burocráticos o estabelecimento fechou em 2012. Reabriu meses depois, na alça direita do Largo dos Açorianos, a que dá acesso aos carros que vem da Borges de Medeiros (sentido bairro-centro) para a Loureiro da Silva.
    Desde então, foi catapultado a reduto de uma juventude que deseja uma cidade mais livre, aberta e barata.
    Curioso é que na primeira “festa independente” realizada pelos frequentadores sem o seu bar, o lado do Largo escolhido não foi aquele tradicionalmente ocupado pelos clientes do Tutti, mas sim o oposto, ao redor da Ponte de Pedra.

    Na primeira noite independente, frequentadores escolheram o outro lado da praça para celebrar | Camila Benvegnú/JÁ
    Festa independente foi ao redor da Ponte de Pedra | Camila Benvegnú/JÁ

    O movimento
    No novo endereço, o público cresceu e tornou-se mais heterogêneo.
    Aceitava-se qualquer pessoa: rico e pobre, ciclista, pedestre, usuário de transporte coletivo – até de carro chegavam alguns, eventualmente. A orientação sexual era o que menos importava.
    Era tanta gente que não cabia mais nas mesas. A turma tomou a calçada e depois a praça que fica do outro lado da rua.
    “Faltam espaços com um propósito, que reúnam esse pessoal da paz”, acredita o antigo proprietário, Ernani Glorio Marchioretto, o Nani, 51 anos de idade.
    Ali, os bolinhos de batata recheados com carne do Tutti Giorni e o litrão de Skol eram consumidos em meio a pasteis veganos caseiros e cachaça artesanal que os próprios frequentadores traziam para vender.
    Também chegavam ambulantes com churrasquinho de gato, isopor com refri-cerveja-e-água e o perfume de erva queimada rolava solto.
    O fim
    A Lei Kiss apertou o cerco da prevenção e proteção contra incêndios depois da tragédia na boate santamariense. A fiscalização de bares se intensificou.
    No final de outubro de 2014, o Tutti novamente fechou as portas. Estava irregular, com alvará vencido e sem plano contra incêndios. O excesso de barulho gerou reclamações da vizinhança, o que também agravou a situação.
    “Nós fechávamos determinada hora, mas o pessoal ficava até de manhã”, justifica o proprietário.
    Recomeço?
    Agora o empresário está à procura de um espaço para reabrir o seu Tutti – o Giorni. Mas o preço dos aluguéis o impede de reabrir as portas por enquanto.
    Já o movimento Tutty’s mostra que tem consistência e promete seguir ocupando ruas e espaços públicos – o que, segundo seus integrantes, reduz a criminalidade.
    Mas para o antigo frequentador Fabrício Paris, 35 anos, uma coisa não existe sem a outra. “É legal o pessoal querer o espaço de volta. O bar dava segurança para o evento acontecer na rua”, acredita.
    Enquanto o frequentadores seguem se reunindo com independência, Nani faz um apelo: “que o pessoal se conscientize e respeite os moradores quanto ao barulho”.
    Na noite do retorno dos encontros na rua, não houve problemas. A chuva chegou antes da madrugada e garantiu o sono dos vizinhos.

  • Cais Mauá: Estado e empreendedor podem ser acionados

    Naira Hofmeister
    A Defensoria Pública já confirmou que levará aos órgãos competentes questionamentos sobre a concessão e obras no Cais Mauá, em Porto Alegre, formulados por ambientalistas.
    O primeiro pedido de informações, que já está redigido, será feito à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) – a Defensoria aguarda apenas a nomeação do novo titular da pasta, que substituirá Cláudio Dilda no cargo após seu afastamento por questões de saúde.
    “Vamos requerer os Estudos de Impacto Ambiental feitos até agora”, revelou a coordenadora do Núcleo de Defesa Ambiental (Nudam) da Defensoria Pública, Loraina Raquel Scottá, em entrevista ao Jornal JÁ na semana passada.
    Mas a considerar o documento entregue pelos ativistas à instituição, que segundo Loraina embasam as diligências do Nudam, será necessário também solicitar explicações de órgãos estaduais, a exemplo da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) e a Casa Civil.
    O empreendedor, a Porto Cais do Brasil S.A. também deverá ser inquirido.
    composição do consórcio gera dúvida
    O documento levado por ambientalistas à defensora possui cinco páginas e aponta “eventuais irregularidades e ilegalidades no edital de licitação e na fiscalização dos contratos de revitalização, modernização e recuperação do complexo Cais Mauá”.
    Também questiona a “destruição e desfiguração de patrimônio histórico, cultural e ambiental da cidade de Porto Alegre”.
    O texto apresenta as controvérsias que envolvem o projeto desde o seu lançamento e se embasa em um relatório elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), que ainda está em tramitação.
    Segundo o levantamento feito pelos ativistas e entregue à promotoria, a inspeção especial levada à cabo pelo TCE-RS apontou irregularidades como o não cumprimento da cláusula que determinava a apresentação do projeto 120 dias após a assinatura do contrato.
    A data considerada o marco inicial deste prazo seria 06 de março de 2012. Logo, o projeto detalhado deveria ter sido levado ao conhecimento público em julho daquele ano.
    Os ambientalistas, entretanto, apontam – com base no expediente do TCE – que houve apenas a apresentação parcial dos projetos.
    Há também uma dúvida com relação à alteração de quadro societário do consórcio, “sem que as novas empresas tenham comprovado as exigências da licitação”.

    Ativistas pedirão ao Iphan tombamento da paisagem do Cais Mauá | Francielle Caetano/PMPA
    Ativistas querem proteção da paisagem | Francielle Caetano/PMPA

    tombamento do a7 será pleiteado
    No que se refere ao patrimônio, o documento dos ambientalistas critica demolições de edificações não protegidas, retirada de 7 das 11 gruas que teriam sido vendidas “como sucata” e a possibilidade de derrubada do armazém A7.
    Os ativistas pretendem recorrer ao Instituto do Patrimônio HIstórico e Artístico Nacional (Iphan) para pedir o tombamento desta unidade. Também cogitam solicitar a proteção da “paisagem histórica e cultural do Cais Mauá” para reduzir os riscos de descaracterização do ambiente.
    O relatório entregue à Defensoria Pública aponta ainda danos ao patrimônio arqueológico da Capital – nos últimos dez anos o município vem promovendo escavações nas áreas próximas à Orla para buscar objetos antigos.
    A preocupação dos ambientalistas é com uma área denominada RS-JA-10, na praça Brigadeiro Sampaio, cuja pesquisa começou em 2010 e a escavação foi fechada apenas no ano passado, antes da realização da Copa do Mundo de Futebol.

  • Edgar Vasques – Transparência

    Edgar Vasques | Reprodução Diário Popular

  • Cultura promete transparência na gestão

    Naira Hofmeister
    O Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul estuda a possibilidade de abrir ao público as sessões do pleno do órgão, responsáveis por liberar projetos para captação financeira através de renúncia fiscal.
    A intenção, revelada na última sexta-feira (27) pelo presidente do colegiado, Neidmar Roger Charão Alves, em um seminário de qualificação de agentes culturais em Porto Alegre, teria como objetivo garantir a transparência das análises de mérito feitas pelo Conselho, muitas vezes alvo de críticas por favorecimento a determinados projetos.
    “O Conselho hoje já é uma casa aberta a prefeitos, produtores, gestores da cultura. Podem nos ligar para marcar uma visita ou ir até a nossa sede, no Memorial do Rio Grande do Sul. Abrir as reuniões segue essa determinação”, justificou Alves.
    Para abrir as sessões do pleno, será necessário reformar o regimento interno do órgão. Além desta iniciativa legislativa, o Conselho Estadual de Cultura está comprometido com o envio do Plano Estadual de Cultura para a Assembleia Legislativa.
    No final do ano passado os deputados derrubaram o projeto que instituía o instrumento de gestão e planejamento de ações no setor. Legisladores contrários disseram que não queriam comprometer o governo que seria empossado em janeiro de 2015 com a iniciativa, embora o Plano tivesse sido discutido em todos os fóruns setoriais necessários.
    LIC resiste à cortes, fac não
    A proposta de abertura das sessões do pleno ganha ainda mais importância a se considerar os anúncios feitos pelo próprio secretário titular da Cultura, Victor Hugo da Silva, que também participou do evento com produtores.
    Ele garantiu que os cortes que o governador José Ivo Sartori vem promovendo desde que assumiu não afetarão a Lei de Incentivo à Cultura (LIC). Ou seja, o Estado vai manter a renúncia fiscal no teto estabelecido pelo governo anterior, de R$ 35 mil por ano, permitindo que esse recurso seja investido por empresas em projetos artísticos.
    “A LIC não entra no caixa, então não há razão para cortar”, ponderou Victor Hugo.
    Aliás, desde o início do ano, já foram liberados R$ 7 milhões para a LIC – a seguir neste ritmo trimestral, em dezembro já seriam R$ 28 milhões. Mas há grandes eventos, como a Feira do Livro de Porto Alegre, que podem ficar com uma parcela acima da média dos recursos.
    A realidade, entretanto, não será a mesma para o Fundo de Apoio à Cultura (FAC), cuja redução em 2015 será de R$ 1,5 milhão – passando dos R$ 11 milhões previstos no orçamento para R$ 9,5 milhões.
    “Há uma tesoura, mas não é drástica”, contemporizou Victor Hugo.
    O secretário lembrou aos presentes que é melhor assegurar a execução de um valor menor do que manter uma expectativa pelo teto que, ao final, não se cumpriria.
    instrumentos estão relacionados
    Apesar do cuidado do secretário com a manutenção da LIC, o setor cultural pode se ressentir pelos cortes no FAC. É que este instrumento, criado ainda no governo de Yeda Crusius, mas efetivamente executado apenas na gestão de Tarso Genro, é considerado por muitos produtores como uma garantia de diversificação dos financiamentos culturais.
    Ambos – FAC e LIC – formam o sistema Pró-Cultura, mas enquanto o segundo depende do interesse direto de empresas por um determinado projeto – no qual colocam recursos deduzidos do imposto de renda em troca de marketing – o primeiro destina a verba através de editais.
    Com isso, cumpre a função expressa na lei que o formalizou: “estimular projetos que, independente de apelo comercial, sejam detentores de reconhecido mérito cultural”.
    “Ainda há uma concentração de investimentos em determinadas áreas culturais e para certos operadores”, admitiu Vitor Hugo na reunião, para logo emendar que deseja que sua gestão fique marcada pelo lema “fazer caber mais projetos nos recursos disponíveis”.
    De qualquer forma, se o governo realmente conseguir manter a execução da LIC, isso também traz impacto para o FAC na medida em que ambos estão relacionados. Quando uma empresa decide apoiar um projeto “comercialmente viável”, ela deve separar uma pequena porcentagem da doação para ser aplicada via FAC.
    Como o teto da LIC foi atingido em 2014 e 2013, os recursos para o FAC também ganharam volume. Atualmente o Rio Grande do Sul possui 460 empresas investindo em cultura via LIC.

  • Gerdau e RBS na lista da Operação Zelotes

    O grupo Gerdau e a RBS estão numa lista de grandes empresas – Bradesco, Santander, Safra, Pactual, Bank Boston, Ford e Mitsubishi,  BR Foods –  investigadas por suspeita de pagar propina para apagar débitos com a Receita Federal no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).
    Constam da lista também a Petrobrás, Camargo Corrêa e a Light, distribuidora de energia do Rio.
    Todas estão na Operação Zelotes, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira.
    A lista ainda incompleta foi publicada pelo jornal O Estado de São Paulo. nesta sábado, 28.
    A estimativa é de que a sonegação chegue aos 19 bilhões, o que faria desta a maior das  fraudes contra os cofres públicos, superando inclusive o Mensalão e a Lava Jato.
    “Aqui no só os pequenos devedores pagam. Os grandes, não”, diz um ex-conselheiro do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) , numa conversa interceptada com autorização da Justiça, segundo relato dos investigadores
    A fórmula para fazer o débito desaparecer era o pagamento de suborno a integrantes do órgão, espécie de “tribunal” da Receita, para que produzissem pareceres favoráveis aos contribuintes nos julgamentos de recursos dos débitos fiscais ou tomassem providências como pedir vistas de processos.
    O grupo RBS é suspeito de pagar R$ 15 milhões para obter redução de débito fiscal de cerca de R$ 150 milhões. No total, as investigações se concentram sobre débitos da RBS que somam R$ 672 milhões, segundo investigadores.
    O grupo Gerdau também é investigado pela suposta tentativa de anular débitos que chegam a R$ 1,2 bilhão. O banco Safra, que tem dívidas em discussão de R$ 767 milhões, teria sido flagrado negociando o cancelamento dos débitos.
    Estão sob suspeita, ainda, processos envolvendo débitos do Bradesco e da Bradesco Seguros no valor de R$ 2,7 bilhões; do Santander (R$ 3,3 bilhões) e do Bank Boston (R$ 106 milhões).
    A Petrobrás também está entre as empresas investigadas. Processos envolvendo dívidas tributárias de R$ 53 milhões são alvo do pente-fino, que envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e as corregedorias da Receita Federal e do Ministério da Fazenda.
    A Camargo Corrêa é suspeita de aderir ao esquema para cancelar ou reduzir débitos fiscais de R$ 668 milhões. Também estão sendo investigados débitos do Banco Pactual e da BR Foods.
    Os casos apurados na Zelotes foram relatados no Carf entre 2005 e 2015. A força-tarefa ainda está na fase de investigação dos fatos. A lista das empresas pode diminuir ou aumentar. Isso não significa uma condenação antecipada.
    Procuradas pela reportagem, a maioria das empresas informou não ter conhecimento do assunto.

  • Defensoria quer dados de obra do Cais Mauá

    A Defensoria Pública do Rio Grande do Sul vai solicitar à Prefeitura de Porto Alegre esclarecimentos sobre as obras de revitalização do Cais Mauá, no Centro Histórico da Capital.
    “O expediente já foi aberto, estamos esperando o anúncio do novo secretário municipal do Meio Ambiente para encaminhar um ofício solicitando diligências”, revela a coordenadora do  Núcleo de Defesa Ambiental da Defensoria Pública, Loraina Raquel Scottá.
    A ação do órgão decorre de uma iniciativa de entidades ecologistas gaúchas, que há mais de um ano, solicitam apoio jurídico da Defensoria Pública em pleitos que envolvem a temática do meio ambiente. No último dia 23, uma reunião estabeleceu o início da parceria efetiva.
    Loraina explica que com o pedido, a Defensoria está “formalizando a denúncia” dos militantes contra a administração pública e o consórcio que venceu a licitação para revitalizar, modernizar e utilizar comercialmente a área tombada pelo patrimônio histórico.
    “Seria leviano da minha parte dizer que há irregularidades sem antes ler a documentação da prefeitura, mas efetivamente recebemos um levantamento de uma série de problemas que devem ser analisados”, observa.
    Caso os esclarecimentos da prefeitura não solucionem as dúvidas trazidas pelos ambientalistas à Casa, o Cais Mauá poderá ser objeto da primeira ação coletiva da Defensoria Pública no tema ambiental.
    No dia 14 de março, um “protesto festivo” diante do pórtico central arrecadou 2 mil assinaturas de cidadãos interessados em rever o processo de concessão. No próximo sábado (28), outro grupo articula um ato para chamar atenção sobre o debate, organizando uma serenata noturna no local.
    Smam será a primeira questionada
    As primeiras diligências serão solicitadas à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam). “Queremos informações dos Estudos de Impacto Ambiental que já foram feitos no local”, aponta Loraina.
    A Defensoria, entretanto, também deverá encaminhar pedidos de esclarecimentos à Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb) e ao Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais.
    Há ainda outras esferas do poder público que podem ser convidadas a contribuir com a investigação, como Governo do Estado e Agência Nacional de Transportes Aquaviários(Antaq).
    Pontal também poderá ser questionado
    Na reunião em que sagrou-se a parceria entre ambientalistas e Defensoria Pública as entidades manifestaram preocupação também com outra importante obra na Orla do Guaíba: o projeto para a área do Estaleiro Só, que mudou de nome e agora chama-se Parque do Pontal, ao invés de Pontal do Estaleiro, como era anteriormente conhecido.
    “Ainda não recebemos a documentação com a síntese dos questionamentos, mas isso deve ocorrer em breve”, acredita Loraina.
    Houve ainda uma terceira demanda encaminhada ao órgão: a de que investigue a construção de edifícios na praia de Imbé. “Foi uma reunião muito produtiva, conseguimos objetivar questões que há tempos vem sendo debatidas.  Estou confiante de que temos muito a auxiliar”, comemora a defensora.