Autor: da Redação

  • PT gaúcho prega unidade popular ante luta de classes

    Uma reunião da Comissão Executiva do PT do Rio Grande do Sul terminou, na noite de segunda-feira (16), com a publicação de um pequeno manifesto contendo orientações para a atuação da militância na defesa do governo da presidenta Dilma Rousseff.
    O diagnóstico das lideranças gaúchas é que os atos do dia 15 de março promoveram ataques “rebaixados” à figura de Dilma e foram uma “demonstração de fúria contra o PT”, o que revelaria “o ascenso do ódio e do preconceito de classe”.
    “Em face do teor golpista dessas manifestações, destacamos a importância da unidade das forças populares diante da explícita luta de classe em curso, que opõe os interesses dos mais ricos aos avanços obtidos pelos trabalhadores nos governos Lula e Dilma”, proclama o manifesto, publicado na página do diretório estadual do partido.
    texto converge com lideranças
    Embora pregue a defesa do mandato de Dilma, o manifesto reforça a cobrança de uma mudança de rumos na gestão federal, ratificando demandas que já haviam sido encaminhadas ao diretório nacional do partido.
    Entre as sugestões, estão a revogação das medidas do ajuste fiscal capitaneado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, a redução da taxa de juros básicos e a taxação de grandes fortunas. A Executiva estadual cobra ainda a recomposição do imposto sobre os lucros “que no governo FHC, foi reduzido de 25% para 15%”.
    São temas que foram levantados pelo ex-governador Tarso Genro e pelo ex-deputado e ex-prefeito de Porto Alegre, Raul Pont no seminário de 35 anos da sigla que ocorreu no último sábado (14).
    Na ocasião, Tarso havia defendido ainda a taxação de altos salários para reduzir a distância entre os extremos: no Brasil, os que ganham mais tem renda 80 vezes superior à parte debaixo da tabela, enquanto que, em países desenvolvidos, essa relação fica entre 25 ou 30 por um.
    Outro ponto de convergência entre as manifestações das lideranças que ocorreram no sábado e a reunião dos dirigentes gaúchos na segunda à noite é a tentativa de ampliar o debate para além dos limites da militância tradicional do partido.
    No sábado, o presidente nacional, Rui Falcão, sugeriu que o 5º Congresso Nacional, que ocorre em junho, em São Paulo, fosse um evento “para fora” e sob aplausos, pediu que se retomasse a leitura do manifesto de fundação do PT: “Lá está escrito por que devemos participar de eleições. Não é para conquistar mandatos, mas para fazer andar um projeto de reforma da sociedade brasileira. Precisamos fazer a releitura do socialismo petista. Chega de usar os gabinetes para construir mecanismos de poder”.
    A nota redigida na noite de segunda-feira na reunião estadual vai no mesmo sentido. Diz que é preciso transformar os encontros partidários em eventos abertos e que os debates se debrucem sobre a pauta atual, ou seja, “contra o golpe e a intolerância que produz ódio e cisão na sociedade brasileira”.
    Ao fim do texto, dois eventos aparecem listados para que os militantes acompanhem e compareçam às agendas. Uma reunião cuja a pauta é a comunicação – que ocorre na quarta, às 18h30, na sede municipal – e um seminário com lideranças regionas no dia 21, às 9h, no Sindicato dos Bancários.
    combate a cisões é um imperativo
    Outro ponto destacado na nota da Comissão Executiva do PT-RS foi a tentativa de combater cisões – tanto as internas, no partido, quanto divergências com a base formada por sindicatos e organizações apoiadoras.
    A lição de casa seria “empenhar esforços para que a composição das direções regionais represente um grande acordo de unidade partidária”. Também está no manifesto a orientação para que os prefeitos da legenda construam “formas de comunicação unificadas em defesa do PT, do governo e das administrações locais”.
    No que tange à sustentação externa do partido, a Executiva alerta para a necessidade de manter um diálogo constante com centrais sindicais e movimentos populares “sobre o conteúdo das Medidas Provisórias encaminhadas ao Congresso Nacional que tratam de temas relacionados ao mundo do trabalho”.
    A nota também conclama a direção nacional e a militância a se aproximarem de entidades como a CNBB e a OAB para “fortalecer a unidade sobre a reforma política”. A democratização da mídia, “nos termos da Constituição Federal”, também se apresenta como uma medida urgente.
    nota pede suspensão de vaccari
    A nota aborda ainda o tema que, na opinião de grande parte da militância, se tornou central neste momento de crise. A suspensão dos quadros políticos investigados pela Lava Jato – principalmente o do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto.
    O manifesto gaúcho cobra “que seja aplicada a medida cautelar prevista no Art. 246 do Estatuto do Partido, com a suspensão dos direitos partidários a todos os filiados referidos na Operação Lava Jato, até que todos os fatos sejam esclarecidos, sem prejuízo do amplo direito de defesa e do contraditório”.
    *Com informações do PT-RS

  • Fortunati anuncia saída do PDT: "vou seguir outros caminhos"

    O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, anunciou na manhã desta terça-feira (17) que vai se licenciar do PDT, partido ao qual é filiado desde que deixou o PT, em 2002.
    O comunicado foi feito ao vivo, em uma entrevista conduzida pelo jornalista André Machado, no Jornal Gente da Rádio Bandeirantes.
    A “gota d’água” – como o próprio prefeito definiu no ar – foi a derrubada de vetos do Executivo  aos projetos que preveem o gravame de áreas ocupadas de Porto Alegre como de Interesse Social e a determinação de que toda a frota de ônibus da Capital conte com ar condicionado – ambos ocorridos na sessão plenária de segunda-feira (16).
    A saída do partido, entretanto, é uma ideia que vem sendo gestada há mais tempo, conforme o próprio prefeito explica em um artigo em seu blog. “É uma decisão que vem sendo amadurecida”, revela.
    Há meses o prefeito vem mantendo um embate interno com outras lideranças do partido – à exemplo do recém-empossado senador Lasier Martins – com relação à sua sucessão no comando da Capital do Estado.
    Fortunati já garantiu inúmeras vezes que apoiará seu vice, Sebatsião Melo, do PMDB. Mas uma corrente muito forte na legenda advoga pelo lançamento da candidatura própria em 2016.
    Nova filiação fora do horizonte
    Embora o prefeito tenha rechaçado a possibilidade de se filiar de imediato a outra sigla – o licenciamento não é, necessariamente, um afastamento definitivo do PDT – uma frase na entrevista ao Jornal Gente deixa claro o rompimento. “Tenho que buscar outros caminhos”, avaliou.
    A decisão de Fortunati, que foi tomada na noite de segunda-feira, após o encerramento da sessão plenária na Câmara Municipal, foi comunicada inicialmente ao presidente estadual Pompeu de Mattos. “Hoje vou enviar uma correspondência formal também ao  presidente municipal Nereu D’Avila”, explicou.
    Pompeu de Mattos convocou uma reunião da Executiva estadual para avaliar o pedido de Fortunati. Mas ela só ocorerrá na sexta-feira.
    Presidente estadual dá razão ao prefeito
    Também em entrevista ao Jornal Gente, da Band, o presidente estadual do PDT disse compreender as razões de Fortunati para pedir o licenciamento. “O PDT faltou efetivamente com dois votos”, admitiu.
    Entretanto, destes dois votos – dos vereadores Delegado Cleiton e Dr. Thiago Duarte – Pompeu se disse surpreso apenas com a falta de fidelidade do primeiro. “Sobre Dr. Thiago já não há muita expectativa em torno dele, e o prefeito sabe disso”, lamentou Pompeu, remetendo às duras críticas feitas pelo vereador, que é médico de formação, nos últimos anos à gestão da Saúde na Capital.
    A bancada do PDT na Câmara Municipal é composta por 5 vereadores. Além dos dois citados por Pompeu de Mattos, Marcio Bins Ely e Nereu D’Avila estavam ausentes do plenário na hora da decisão. Apenas o ex-secretário municipal da Copa, João Bosco Vaz, subscreveu a decisão de Fortunati.
    Para o prefeito, a atuação dos colegas de partido no Legislativo é uma “esquizofrenia política”. “Sou um defensor ferrenho da independência dos poderes, algo fundamental para a consolidação do Estado Democrático de Direito. Agora não posso admitir que exista em diversos parlamentares uma esquizofrenia política tamanha, na qual se é ao mesmo tempo governo e oposição, cruzando esta fronteira por mera conveniência pessoal”, escreve em seu blog.
    Decisão da Câmara vai para a Justiça
    O prefeito José Fortunati anunciou ainda, que recorrerá na Justiça sobre a derrubada do veto sobre o gravame de ocupações como Áreas Especiais de Interesse Social (Aeis). “A partir de hoje, vou repensar completamente minha relação com a Câmara Municipal”, admitiu, sem descartar mudanças no secretariado.

  • Por favor, ditadura, nos salve da democracia

    Naira Hofmeister
    Uma frase bradada por um senhor de cabelos grisalhos que descia a Ramiro Barcelos rumando do Parcão para a Redenção, poucos minutos depois das 17 horas, permite uma leitura dos protestos do último domingo (15).
    “Militares, nos salvem do PT”, gritava, para diversão dos amigos que o acompanhavam.
    No domingo, ao longo do dia – e hoje nos noticiários matinais das rádios – os comunicadores ressaltavam que pedidos de intervenção das forças armadas provinham de uma minoria.
    Pode ser que aqueles que veem na ditadura uma opção concreta fossem poucos no meio da massa de insatisfeitos (12,5%, segundo o instituto de pesquisa Amostra). Outros tantos (mais de 65%) defendiam o impeachment de uma presidenta eleita legitimamente sobre a qual não pesa nenhuma acusação.
    Em seu pronunciamento, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo – que falou ao lado do colega gaúcho, secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto – lembrou que uma desestabilização política ou econômica (Cardozo usou a palavra crise) não favorece nenhum brasileiro.
    Com isso até Fernando Henrique Cardoso e outros líderes da oposição ao governo concordam. Tentar derrubar a chefe do Executivo sem razões concretas só trará problemas.
    O que não quer dizer que a população não possa estar contrariada com a corrupção e que saia às ruas para cobrar atitudes de nossos representantes. No pronunciamento, Cardozo e Rossetto disseram que as medidas – originalmente planejadas para serem anunciadas no fim do primeiro semestre de 2015 – estão quase prontas. É questão de dias, garantiram. As ruas tiveram seu efeito.
    Voltemos à frase do senhor grisalho. Ele pedia que o salvassem do PT. Isso é um sintoma das manifestações. Nos bairros de classe média-alta, a convocação do protesto foi feita através de panfletos postados nas caixinhas de correspondência.
    “Ninguém aguenta mais! Ou o Brasil acaba com o PT ou o PT acaba com o Brasil”, era o que estava escrito nas peças, que acusavam o partido de ser uma quadrilha e vinha ilustrado com uma foto de Dilma Rousseff carrancuda.
    É mais um equívoco direcionar as queixas contra um partido: o governo não é exclusivamente do PT, assim como a corrupção não é oriunda apenas desta sigla. Vide, aliás, a lista de Janot com seus trinta e tantos integrantes do PP – que é governo e está sendo investigado por corrupção. Mas ela continha gente do PMDB, do PSB, do PSDB.
    Os rumos do governo não dependem apenas do Executivo. Dilma poderá baixar o pacote anti-corrupção inteiramente por decreto. E isso apenas sinaliza o quão frágil é a nossa democracia, onde um poder não pode contar com o outro para criar os mecanismos de controle que a população pede.
    Em 2013, quando as ruas também se encheram de insatisfeitos, Dilma anunciou uma consulta popular sobre a reforma política. Foi boicotada pelo Congresso Nacional.
    Mais uma vez o assunto veio à tona. O governo defende o fim do financiamento privado de campanha, um dos temas da tal reforma política.
    Os ministros salientaram a importância do debate neste momento. Pediram que a população dialogue entre si e com seus representantes, que busquem consensos de onde se possa partir. Mas os manifestantes não ouviram. Estavam batendo panelas.
    Se houvesse um diálogo, o mediador natural seria a mídia, que tem acesso a todas as entidades que acumulam conteúdo e reflexão sobre o tema – OAB, CNBB, partidos, coletivos, organizações. Mas o noticiário parece ser o primeiro que simplifica a situação – a desinformação, aliás, é um fator que pode explicar como uma massa tão representativa possa apoiar um golpe – ainda que não militar – em meio à democracia.
    Em tempo
    – A mídia criou todo o clima para as manifestações, colocando diariamente a agenda em sites e nos impressos.
    – Isso não aconteceu na sexta-feira (13) – em Porto Alegre, na quinta (12) – quando grupos que pedem combate à corrupção mas são contrários ao golpe se reuniram para ir às ruas. Tampouco houve entradas ao vivo na programação. No domingo, alguns canais transmitiram durante horas os atos, especialmente o de São Paulo.
    – Enquanto no Brasil inteiro as emissoras de TV mandaram para os protestos o melhor de sua tecnologia, quem queria acompanhar pela telinha o que ocorria em Porto Alegre teve que se contentar com as câmeras estáticas da EPTC, que cedeu as imagens à TV Com.
    – Vá lá que a RBS pedisse para usar as imagens da EPTC que lhe servissem, mas notar que havia câmeras públicas focando o interior do parque Moinhos de Vento – o Parcão – ao invés de monitorar o trânsito da Capital é algo que precisa ser explicado.

  • Cine Capitólio reabre no dia 27 de março, após reforma de uma década

    Após um interminável processo de restauro – que iniciou há 10 anos – a Cinemateca Capitólio abre suas portas ao público no dia 27 de março, dentro da programação do aniversário de 243 anos de Porto Alegre.
    A cerimônia oficial de inauguração será às 10h30 e as sessões públicas iniciam às 19h. No programa, o curta metragem Início do Fim, de Gustavo Spolidoro (filmado nas ruínas do prédio), e o longa Vento Norte, de Salomão Scliar (que foi o primeiro longa-metragem de ficção com som realizado no Rio Grande do Sul), cuja cópia foi cedida pelo Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa.
    Ao longo do fim de semana, 28 e 29 de março, as portas também estarão abertas ao público, com exibições gratuitas de três grandes clássicos do cinema, A Doce Vida, de Federico Fellini, O Leopardo, de Luchino Visconti, e Alphaville, de Jean-Luc Godard.
    Prefeitura comprou prédio nos anos 90
    Na década de 1990, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre e o Governo do Estado iniciaram uma ampla política de revitalização da área central, focada na recuperação de praças e passeios públicos, incluindo também a implantação de equipamentos culturais, como forma de resgatar a vida artística do Centro da Capital.
    Em 1994, a prefeitura adquiriu o prédio do antigo Cine-Theatro Capitólio, construído em 1928, visando à sua futura restauração. Por sua relevância arquitetônica e cultural, o prédio foi declarado Patrimônio Histórico do Município de Porto Alegre (em 1995) e do Estado do Rio Grande do Sul (em 2007).
    A ideia da criação da Cinemateca Capitólio nasceu em 2001, a partir de uma mobilização inicial da comunidade cinematográfica, representada pela APTC-RS.
    Em 2003, o projeto toma corpo, através de uma parceria firmada entre a Prefeitura de Porto Alegre, a Fundacine – Fundação Cinema RS, e a Aamica – Associação dos Amigos do Cinema Capitólio, com o objetivo de restaurar o antigo Cine-Theatro Capitólio, transformando-o numa cinemateca, com as funções de preservar, armazenar e difundir a memória do cinema e do audiovisual do Rio Grande do Sul.
    Ainda em 2003, a Fundacine RS, através de convênio firmado com a Prefeitura de Porto Alegre, começou a captar os recursos necessários para a obra, cujo orçamento inicial era da ordem de R$ 6,5 milhões.
    O patrocínio da Petrobras, através da Lei Rouanet, no valor de R$ 4 milhões, que viabilizou a primeira fase de restauro do prédio, realizada entre 2004 e 2006. Foi uma grande e complexa obra, dividida em duas etapas, compreendendo toda a reforma dos interiores e fachadas do prédio e a sua preparação para receber as instalações e equipamentos de uma cinemateca.
    Nos anos seguintes, a Fundacine RS continuou trabalhando na busca de recursos para a conclusão do projeto. Em 2010, a Cinemateca Capitólio recebeu o patrocínio do BNDES, com recursos de R$ 1,1 milhão, destinados aos sistemas elétricos e de climatização, aquisição de mobiliário e outros equipamentos.
    Desocupação para reforma gerou novos gastos
    Ao longo de cinco anos sem ocupação, entretanto, foi constatado que o prédio da Cinemateca Capitólio necessitava de reparos e adaptações para o seu funcionamento adequado.
    Assim, em 2011, a Prefeitura de Porto Alegre firmou um convênio com o Ministério da Cultura, assegurando o valor de R$ 1 milhão para a conclusão do projeto (com aporte de R$ 800 mil do MinC e contrapartida a de R$ 200 mil da prefeitura).
    Iniciada em outubro de 2012, esta terceira e última etapa da restauração incluiu a execução das obras civis de reparos e adaptações do prédio, a compra e a aquisição de equipamentos específicos de projeção e som, equipamentos de informática e telefonia, entre outros itens necessários para a efetiva conclusão do projeto.
    A obra civil de restauro foi entregue em 4 de abril de 2014, marcando oficialmente a conclusão do longo processo de recuperação e implantação do prédio da Cinemateca Capitólio e a sua reintegração ao espaço urbano de Porto Alegre.
    Paralelamente, foram iniciados os processos para aquisições de equipamentos de projeção e som, da área de acervo e de todo o mobiliário. Também entraram em finalização o projeto de climatização do espaço e as adaptações relacionadas ao projeto de prevenção contra incêndio.
    Um processo que finalmente se conclui em março de 2015, com a abertura do prédio ao público.
    Principais espaços da Cinemateca Capitólio
    Sala de Cinema
    A sala de exibição da Cinemateca Capitólio mantém as características originais do espaço, preservando o amplo pé direito do antigo Cine Theatro Capitólio e a arquitetura da tela, tendo contudo sua plateia adaptada para o formato stadium. A sala, com capacidade para 164 espectadores (além de um espaço reservado a quatro cadeirantes), terá sessões de cinema permanentes. Equipada com dois projetores 35mm, a sala de cinema terá programação de terça a domingo, com três sessões diárias.
    Acervo
    O acervo da Cinemateca Capitólio está organizado em salas distribuídas em quatro pavimentos, projetadas especialmente para a função de guardar materiais relacionados à memória audiovisual do Rio Grande do Sul. Localizada atrás da tela da sala principal de exibição da Cinemateca Capitólio, a área do acervo da Cinemateca Capitólio reúne filmes realizados em distintas bitolas (35mm, 16mm, 8mm, VHS, DVD, HD), cartazes, roteiros, fotografias, recortes de jornais e demais documentos relacionados à produção cinematográfica em nosso Estado.
    Sala Multimídia
    Espaço destinado à realização de oficinas, cursos, palestras e exibições de filmes, equipado com um projetor digital de alta definição e capacidade para 40 pessoas.
    Salas de Pesquisa
    Duas salas destinadas à consulta individual de pesquisadores interessados em assistir a filmes guardados no acervo da Cinemateca Capitólio. Equipadas com aparelhos de DVD e monitores de televisão, as salas são de uso gratuito, sendo disponibilizadas mediante agendamento prévio através do telefone 3289-7463.
    Biblioteca
    Biblioteca especializada em cinema, reunindo livros, catálogos e revistas, com o objetivo de atender pesquisadores da área e demais interessados pelo tema.
    Sala de Exposições
    Espaço destinado a exposições e projeções de videoarte, localizado no andar térreo do prédio.
    Cafeteria
    Localizada no segundo andar do prédio, a cafeteria é um espaço de convivência destinado a atender aos frequentadores da Cinemateca Capitólio, servindo cafés, bebidas e uma diferente carta de doces, salgados e lanches em geral.
    * Com informações da Prefeitura Municipal de Porto Alegre

  • Pressão popular derruba veto sobre áreas de interesse social

    As galerias lotadas de moradores de ocupações em Porto Alegre garantiram, nesta segunda-feira (16), a derrubada do veto do prefeito José Fortunati a um projeto de lei que transformava os locais onde vivem em Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS).
    O placar registrou 19 votos a favor da derrubada do veto e 13 contrários. “O Fórum de Ocupações Urbanas da Região Metropolitana ocupou e conquistou áreas por meio da mobilização popular. A melhor forma de garantir a permanência dessas famílias em suas casa é declarar esses loteamentos como Aeis”, justificaram os proponentes do projeto, a vereadora Fernanda Melchionna e os atual deputado estadual, Pedro Ruas, ambos do PSOL.
    Segundo Melchionna, 10 mil famílias vivem nestas residências e “resistiram a todos os tipos de pressão” para manter suas casas.
    O projeto de lei já havia sido aprovado pelo plenário da Casa em 22 de dezembro de 2014, mas o prefeito José Fortunati vetou todo o teor do texto, argumentado que seria inconstitucional gravar as áreas que são,majoritariamente, privadas. A procuradoria da Câmara, entretanto, não via nenhum “óbice jurídico à tramitação da matéria”.
    Marcha passou pelo Centro Histórico
    Desde cedo os moradores das ocupações se mobilizaram para pressionar os parlamentares. Dezenas de pessoas marcharam desde os loteamentos até Centro Histórico da Capital, onde, primeiro, fizeram um ato em frente a prefeitura.
    Logo após o almoço, o grupo partiu rumo ao Legislativo, passando ainda pelo Palácio Piratini.
    Uma vez na Câmara de Vereadores, os militantes ouviram a manifestação de suas lideranças que ocuparam a Tribuna Popular. Os representantes da Cooperativa Habitacional São Luís salientaram que as áreas não são ocupadas por grilagem, mas para que cumpram sua função social.
    “Queremos que este projeto sirva de exemplo para o Brasil e pedimos para que os vereadores derrubem o veto do Executivo ao projeto, caso o contrário, ficaremos acampados na Câmara”, avisou Juliano Fripp.
    A promessa era de que, caso os vereadores não colocassem em pauta o projeto – ou que mantivessem o veto do Executivo, os manifestantes acampariam na Casa.
    Minha Casa Minha Vida só tem 5% de execução
    Durante a marcha, os manifestantes distribuíram um panfleto onde elencavam suas insatisfações. Se queixam de que o preço da terra duplicou nos últimos anos e que grande parte das famílias trabalhadoras já gastam mais de 50% do orçamento com o aluguel.
    Condenam que a prefeitura tenha concluído apenas 2 mil unidades do Programa Minha Casa Minha Vida quando há 54 mil famílias inscritas em Porto Alegre – ou seja, apenas 5% do programa foi executado desde 2009, quando se encerraram as inscrições.
    “Para agravar ainda mais a situação, durante a preparação para a Copa do Mundo o município demoliu mais de 4 mil Unidades Habitacionais para as tão esperadas obras da Copa, que até hoje não estão concluídas”, denuncia o panfleto.
    Essas são as razões, segundo o Fórum das Ocupações Urbanas da Região Metropolitana, que assina o material, para a tomada irregular de áreas consideradas ociosas para a construção de moradia – caso das 14 localidades de que trata o projeto hoje aprovado.
    “Estamos cansados de esperar por esta fila que não anda e resolvemos nos organizar para reivindicar um direito que nossa Constituição nos outorga, MORAR”, explica o texto.

  • Movimento pede nova discussão sobre Cais Mauá

    Um movimento integrado por mais de uma dezena de entidades, empresas e moradores de Porto Alegre está pedindo que a prefeitura inicie um debate sobre o futuro do Cais Mauá, no Centro Histórico da Capital.
    “Queremos dar uma cachoalhada na opinião pública, que parece meio apartada dessa situação”, explica uma das articuladoras do grupo, a jornalista Katia Suman.
    Na noite de sexta-feira (13), os ativistas organizaram um “ato festivo” em frente ao pórtico de entrada do Cais, na avenida Sepúlveda, entre a Secretaria da Fazenda e o prédio da antiga Alfândega do Estado.
    Durante o evento, mais de 2 mil assinaturas foram recolhidas para a causa.
    Também enquanto durou a concentração, o pórtico de entrada – feito em ferro francês, o mesmo utilizado na construção da Torre Eiffel, em Paris – ficou fechado por um grupo de pelo menos 20 seguranças privados, que se somaram aos brigadianos e guardas portuários.
    A entrada de pessoas era controlada e só passavam pela barreira carros credenciados ou passageiros do Catamarã, que funcionou até às 21h30.

    Pelo menos 20 seguranças privados montavam guarda | Tânia Meinerz/JÁ
    Pelo menos 20 seguranças privados montavam guarda | Tânia Meinerz/JÁ

    Artistas se engajam na causa
    Entre as apresentações artísticas da noite – financiada pelos participantes que contribuíram com o chapéu que passava de mão em mão – figuravam nomes conhecidos do circuito cultural porto-alegrense que estão engajados na causa.
    “Desde que me conheço por gente acompanho a discussão sobre a cidade  e sua orla. Primeiro veio o muro, para ceifar o rio. Agora querem colocar um biombo de cimento para ser uma separação definitiva”, criticou o músico Nelson Coelho de Castro, que fez questão de sublinhar que participava como cidadão do evento.
    “Chega de a cidade se resignar, se acostumar com a frieza e a feiura”, completou.
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    Nelson Coelho de Castro foi como cidadão, mas deu uma palhinha | Tânia Meinerz/JÁ

    Ele dividiu o microfone improvisado sobre os paralelepípedos com gente como Marcio Petracco, Bibiana Petek, Yanto Laitano, Deluce Deluce, Carlos Carneiro, e Paz com Dj Marcus Felix.
    Frank Jorge, que levou sua guitarra para o incomum protesto, disse estar lá para garantir que seus filhos (com 24, 15 e 10, respectivamente) possam usufruir do espaço mais do que ele. “Há capitais, no Brasil mesmo, onde a relação entre a população e a porção de água que a margeia são muito mais intensas – como em Belém do Pará”, exemplificou.
    Espigões e estacionamento incomodam
    O movimento se articula para frear a chamada revitalização do espaço, que estava desativado desde 2005 (mas já ocioso como porto havia mais de 50 anos) e foi concedido a um consórcio liderado por um grupo espanhol.
    Embora os empreendedores justifiquem que a intervenção será positiva para a cidade – que poderá frequentar novamente o espaço transformado em área de lazer, com os 11 armazéns tombados pelo patrimônio histórico restaurados – os ativistas criticam o modelo de projeto imposto pelo consórcio e cobram da prefeitura da Capital um debate mais amplo.
    Eles também estão desgostosos com a demolição de um dos armazéns, cujas características “não são as mesmas do conjunto”, segundo consta na página do empreendimento.
    Ativistas não querem a derrubada de nenhum armazém | Tânia Meinerz/JÁ
    Ativistas não querem a derrubada de nenhum armazém | Tânia Meinerz/JÁ

    “É inaceitável que em troca da revitalização dos armazéns, haja a imposição da construção de três espigões de 100 metros (a torre do Gasômetro tem 105 metros), um hotel, um shopping center e 5 mil vagas de estacionamento”, aponta um manifesto assinado pelo grupo.
    O EIA-RIMA do projeto deve estar concluído ainda antes do fim do mês. Os empreendedores calculam que as contrapartidas exigidas pela prefeitura para que o projeto se consolide devam chegar à cifra de R$ 60 milhões.

  • Ativistas levantam recursos em seis dias para criar ong

    A Rede Minha Porto Alegre, cujo objetivo é incentivar a participação da população nas decisões sobre a cidade, será criada na próxima segunda-feira (16), quando termina o prazo de arrecadação de fundos para viabilizar a iniciativa via internet. Os idealizadores da proposta – que se inspira e trabalha junto com a ONG Meu Rio – conseguiram alcançar a meta prevista de doações – R$ 13.790 – em apenas seis dias de campanha.
    “Foi uma surpresa. Sabemos que há muitos grupos em Porto Alegre interessados em discutir as decisões políticas sobre a cidade, mas nunca imaginaríamos conseguir o dinheiro em tempo recorde”, comemora um dos fundadores da Minha Porto Alegre, o economista Bruno Paim.
    Apesar da meta atingida, a campanha segue arrecadando recursos para projetos futuros. A receita pedida inicialmente vai bancar uma viagem de um mês ao Rio de Janeiro para a dupla fundadora, onde eles conhecerão a sede da entidade mãe e as ferramentas que terão à disposição para tocar adiante o projeto.
    Até agora eles já receberam R$ 16.756 – os quase R$ 3 mil excedentes servirão para financiar as primeiras ações do grupo logo que se estabilizarem na Capital. “Ainda não podemos antecipar como será a estrutura, mas sabemos que no início precisaremos manter nossos empregos atuais”, revela Bruno.
    Sua sócia na empreitada é a psicopedagoga Carolina Soares, que esteve envolvida no projeto Porto Alegre Como Vamos, uma tentativa de atrair a atenção da sociedade para o debate político na Capital.

    Bruno Paim (e) é um dos sócios fundadores da filial portoalegrense | Jack Glashorester/Divulgação
    Bruno Paim (e) é um dos sócios fundadores da filial portoalegrense da Meu Rio | Jack Glashorester/Divulgação

    sete iniciativas no país conseguem fundos
    Além da rede Minha Porto Alegre, o grupo de ativistas que nasceu no Rio e ganhou uma filial em agosto do anos passado em São paulo, agora se espalhou pelo Brasil através do financiamento coletivo – e ganhou o nome de Nossas Cidades.
    Com um prêmio pago pelo google, o Nossas Cidades lançou um edital para criar iniciativas em sete municípios brasileiros. A ong recebeu 126 projetos de candidaturas e selecionou, além da Capital gaúcha, Garopaba e Blumenau (em Santa Catarina), Curitiba (Paraná), Ouro Preto (Minas Gerais), Campinas (São Paulo) e Recife (Pernambuco) para a primeira expansão.
    Todos deveriam arrecadar um valor mínimo através de campanhas públicas de doação – cada uma de acordo com a sua capacidade arrecadatória. Todas atingiram suas metas antes do prazo final esgotar e a maioria já tem pelo menos 10% a mais do que haviam estipulado.
    Brechó encerra campanha em Porto Alegre
    A Minha Porto Alegre encerra a sua campanha de arrecadação no domingo com um brechó para viabilizar as futuras mobilizações. No sábado haverá uma ação chamada B.O Coletivo, que vai espalhar cartazes alertando para o risco de assaltos em locais onde a população aponta alto índice de criminalidade.
    E nesta sexta o grupo – que ainda é informal – se une aos militantes que pedem que o Cais Mauá seja mantido como uma área pública e que não sejam construídos no local edifícios, shopping e estacionamentos.
    Embora esteja participando de uma ação que é contrária ao atual projeto, Bruno adverte que a ong não tem como objetivo posicionar-se em discussões, mas apenas garantir que a população seja ouvida em debates como este. “Nossa proposta é encontrar canais para que estes coletivos ganhem mais força”, reitera o fundador.
    Serviço:
    Sexta-feira (13)
    Todos pelo Cais Mauá – Largo Vivo
    19h na Avenida Sepúlveda
    Sábado (14)
    B.O. Coletivo
    11h na Praça Dom Feliciano (em frente à Santa Casa)
    Domingo (15)
    Brechó do Minha Porto Alegre
    16h às 22h no Pasito (Rua José do Patrocínio, 824)

  • Quilombo do Areal receberá terreno da prefeitura

    Já tramita na Câmara Municipal de Porto Alegre o projeto de lei que vai garantir a transferência definitiva da área do Quilombo do Areal à associação comunitária dos descendentes que vivem na região.
    O projeto conclui o processo de titulação, que determina ao Estado a emissão dos títulos de domínio aos remanescentes das comunidades de quilombo.
    O terreno que será doado aos quilombolas fica na Cidade Baixa, entre as avenidas Getúlio Vargas e Praia de Belas – na rua Baronesa do Gravataí – e deverá será gravado como Área Especial de Interesse Cultural.
    É um cuidado que o Executivo quer tomar diante da especulação imobiliária sobre a região, cujos contornos estão mudando rapidamente com a construção de novos edifícios de classe média.
    “Originada do desaparecimento de antigos arraiais e posteriormente ocupada, predominantemente, por descendentes de escravos, a área foi paulatinamente transformada por amplas operações urbanas em área residencial”, explica o texto.
    “O quilombo do areal é um dos últimos remanescentes das ocupações típicas da região e vive sob constante pressão de um mercado imobiliário em franca expansão”, completa.
    * Com informações da Câmara Municipal de Porto Alegre

  • Ato na sexta-feira defende Cais Mauá público

    Moradores, entidades e um grupo de pequenas empresas de Porto Alegre organiza um ato nesta sexta-feira (12) para defender o caráter público do Cais Mauá, no Centro Histórico da Capital.
    Menos de 24 horas antes do horário marcado para o encontro, um evento no facebook já reunia 3500 confirmações de presença.
    “Em nome de uma duvidosa revitalização privada de um espaço público, pretendem construir 3 espigões de 100 metros e shopping center no espaço público mais valorizado do Centro Histórico de Porto Alegre”, condena o texto de apresentação do ato na rede social.
    Os militantes criticam a criação anunciada de 4.000 vagas para automóveis no local, que, acreditam, vai “afogar ainda mais o trânsito nessa área já tão congestionada”.
    O grupo está de acordo com a utilização do Cais para o comércio e serviços, como cafés, restaurantes, livrarias, eventos de artes e feiras, porém, sem novas construções de edifícios ou estacionamento.
    E aventam a possibilidade de que o poder público convoque uma consulta popular sobre o uso do espaço.
    O encontro dos militantes ocorre a partir das 19h na Avenida Sepúlveda, entre o Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul.

  • Democratização da mídia volta à pauta no RS

    O Comitê Gaúcho pela Democratização da Comunicação começou nesta quinta-feira (12) uma rearticulação dos militantes para preparar a participação no 2º Encontro Nacional pelo Direito a Comunicação, que acontece entre os dias 10 e 12 de abril em Belo Horizonte, Minas Gerais.

    A primeira reunião de 2015 teve quórum reduzido – contou com apenas quatro pessoas. A intenção, entretanto, é organizar um debate prévio ao evento nacional, ainda no mês de março, para angariar apoios e renovar o fôlego da luta.

    Desde os anos 80, quando o movimento nacional pela democratização da mídia se articulou para incluir na Constituição artigos que tratassem da comunicação – que, apesar de redigidos nunca foram regulamentados e, portanto, tem efeito nulo no regramento da atividade no País – pouco se avançou na pauta. Nem mesmo a realização da Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, foi capaz de mexer as peças no tabuleiro da mídia brasileira, controlada por seis famílias.

    Durante a campanha de 2014, a presidenta Dilma Rousseff se comprometeu com o compromisso de “regular economicamente” os meios de comunicação – ou seja, romper os monopólios e oligopólios do setor, nocivos à livre concorrência de mercado.

    Essa medida afetaria os conglomerados de comunicação do país que possuem concessões de rádio e TV e ainda mantém impressos. No Rio Grande do Sul Sul, além do grupo RBS – que possui quatro jornais, dois canais de televisão e oito rádios – a rede Record, Pampa e Bandeirantes também possuem propriedade cruzada de veículos.

    Participação de ministro será cobrada

    Apesar da promessa, os militantes reconhecem que o momento é delicado para exigir ações concretas do governo federal. Além da pressão sobre a política econômica que parece monopolizar o Planalto, o perfil conservador da atual legislatura no Congresso Nacional e, principalmente, a resistência a qualquer pauta progressista manifestada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, desanimam o movimento.

    “Está difícil mobilizar”, admite a coordenadora do Comitê Gaúcho, Ramênia Vieira, que entretanto vê com otimismo a receptividade do Ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, às bandeiras do grupo.

    Por isso, consideram a participação no Encontro Nacional fundamental. Eles querem garantir que Berzoini ou o secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto estejam presentes no evento – o que seria entendido com uma sinalização de que o governo tem disposição para abraçar pelo menos as causas das quais não depende do Congresso Nacional, como por exemplo, ampliar o investimento em comunicação pública e comunitária.

    As concessões de rádio e TV a políticos também precisa ser banida, lembraram os participantes da reunião, que deram como exemplo os 10 detentores de proprietários de veículos de comunicação que aparecem na lista dos investigados pela operação Lava Jato.