Uma CPI no Senado Federal, uma investigação da Receita Federal e da Polícia Federal e um esforço de jornalistas e da mídia para quebrar o silêncio em torno da lista de 8.667 brasileiros com contas no banco HSBC.
Este é o conjunto de medidas propostas pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), hoje, da tribuna do Senado, para desvendar o ‘SwissLeak’, nome do escândalo que envolve mais de US$ 200 bilhões de depósitos em 100 mil contas bancárias vazadas do HSBC em Genebra e que sugerem evasão fiscal e lavagem de dinheiro em nível planetário.
“A denúncia contra o HSBC mostrou o Brasil no topo da cadeia criminosa”, lembrou Randolfe, citando o quarto lugar brasileiro entre os países com maior número de clientes listados no vazamento do HSBC e lembrando a nona posição do Brasil (US$ 7 bilhões) entre os dez países com maior volume de dinheiro depositado.
“Em moeda nacional, isso representa uma quantia equivalente a R$ 20 bilhões, exatamente o que o Governo Dilma pretende arrecadar com o pacote de maldades que resume o ajuste fiscal desenhado pelo ortodoxo ministro da Fazenda, Joaquim Levy”, disse Randolfe.
O ‘SwissLeaks’, que ganhou manchetes e espaços generosos nos grandes jornais e revistas do mundo, não teve aqui o mesmo tratamento:
“Estranhamente, no Brasil, o caso do HSBC mereceu um estridente silêncio da grande imprensa”, lamentou o senador, lembrando que a pauta do ‘SwissLeaks’ vaza na imprensa brasileira pelo esforço de blogs e blogueiros desvinculados da grande mídia: “Blogs como Megacidadania e O Cafezinho, sites como Brasil 247e Diário do Centro do Mundo ou blogueiros como Miguel do Rosário e Luís Nassif vasculham e revelam dados que não se vê, nem se lê nos grandes veículos de comunicação”, lembrou Randolfe Rodrigues.
O senador escreveu que, na terça-feira (17), o site Jornal GGN, de Nassif, repassou uma informação de um jornalista de Hong Kong, na China, que conseguiu descobrir os nomes e endereços de 93 contas da lista do HSBC relacionadas a brasileiros. “Uma ninharia perto dos quase 9 mil brasileiros que fazem parte desta listagem ainda inédita”, observou Randolfe.
Nota seca
O senador do PSOL destacou no seu texto que, para milhões de brasileiros, “o Jornal Nacional, da Rede Globo, ainda é a única, talvez a mais importante fonte de acesso às notícias do país e do mundo”.
No sábado (21), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou que o HSBC entrou em sua alça de mira.
O senador anotou: “Esta decisão mereceu do JN daquela noite uma nota seca, de apenas três frases e 59 palavras, lidas em 25 segundos pela apresentadora do telejornal, sem qualquer imagem ou destaque”.
Randolfe ressaltou a justificativa editorial para não revelar os nomes dos clientes brasileiros do HSBC, dada pelo jornalista Fernando Rodrigues, do Portal UOL, o único detentor no Brasil da lista integral fornecida pelo ICIJ — sigla em inglês do Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo, uma rede global de 185 profissionais de investigação espalhados por 65 países: “A lista completa nunca será publicada? Não, pois seria uma invasão de privacidade indevida no caso de pessoas que podem ter aberto contas no exterior de boa fé, respeitando a lei e pagando impostos. O ICIJ vai publicar algum dia todas as informações? Não”, antecipou Rodrigues em seu blog.
“O jornalista adianta, sem dar nomes, que há uma minoria de pessoas conhecidas — empresários, banqueiros, artistas, esportistas, intelectuais — e garante que a imensa maioria dos brasileiros da lista do HSBC é desconhecida do grande público.
Seria gente anônima, portanto”, diz o senador Randolfe, fazendo uma importante ressalva: “É bom lembrar que pessoas anônimas também fazem história.
No passado recente, dois anônimos, desconhecidos do grande público, vieram à luz para mudar o destino e a biografia de pessoas importantes de nossa República.
O motorista Eriberto foi crucial no desfecho das investigações que levaram ao impeachment do presidente Fernando Collor.
O caseiro Francenildo foi decisivo no caso que culminou com a demissão do ministro da Fazenda, Antônio Palocci”.
Cone de silêncio
O senador Randolfe Rodrigues destacou que a grande maioria dos nomes listados pelo HSBC pode ter realizado depósitos seguindo os trâmites da lei, mas o total desconhecimento da lista não permite dirimir as dúvidas cada vez maiores que nivelam inocentes e culpados.
“Este caso do HSBC é importante demais para ficar restrito à decisão pessoal, privativa, seletiva, monocrática de um único jornalista, de um só blog, de apenas um veículo poderoso da internet. O dinheiro sonegado e subtraído ao Brasil e aos brasileiros não pode ser envolvido pelo segredo, pelo sigilo, pela impunidade que todos combatemos”, ressaltou o senador do PSOL.
Citando as grandes organizações que reúnem jornalistas e empresários da mídia, Randolfe Rodrigues fez um apelo coletivo à FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), ANJ (Associação Nacional dos Jornais), ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) para que “juntem seus esforços e emprestem seu prestígio para quebrar este cone de silêncio que paira sobre a lista de brasileiros passiveis de investigação nos arquivos do HSBC.”
O senador estendeu seu apelo ao jornalista Fernando Rodrigues, ao portal UOL e ao próprio ICIJ, na pessoa de seu diretor-geral, Gerard Ryle, que “defendem juntos a livre informação e combatem qualquer tipo de censura”.
Randolfe Rodrigues terminou seu discurso citando o jornalista inglês Peter Oborne, 57 anos, comentarista-chefe de política do diário conservadorDaily Telegraph, de Londres, que se demitiu semana passada em protesto pela censura que o jornal impôs ao noticiário sobre o HSBC, denunciada por ele na internet: “Uma imprensa livre é essencial para uma democracia saudável. Há um propósito no jornalismo, é não é só entreter. Não deve ceder ao poder político, grandes corporações e homens ricos. Os jornais têm o que no final das contas é um dever constitucional de dizer a seus leitores a verdade”, ensinou o jornalista inglês.
Autor: da Redação
Senador pede CPI sobre contas de brasileiros no HSBC
Interesses políticos e comerciais cercam Petrobras
GERALDO HASSE
Passados mais de 100 dias desde a dramática vitória eleitoral de novembro, a presidenta Dilma Rousseff esboça um movimento de reação.
Tenta, como diria um cronista moderno, “recuperar o protagonismo” perdido desde que, admitindo a necessidade de colocar ordem nas contas públicas, nomeou ministro da Fazenda o economista Joaquim Levy, que passou a roubar a cena num ministério formado ao gosto de partidos fisiológicos.
Não bastasse o revertério econômico, Dilma viu o adversário político Eduardo Cunha (PMDB) assumir o comando da Câmara dos Deputados e o pouco confiável aliado Renan Calheiros (PMDB) fincar pé na presidência do Senado.
Enquanto isso, ao olhar para o lado, ela vê o vice-presidente Michel Temer (PMDB) impassível diante dos boatos de que a oposição (PSDB et allii) vai pedir o impeachment presidencial por conta do escândalo da corrupção na Petrobras, tema que continua comandando a pauta político-econômica.
Tomados isoladamente, o crescimento zero, a inflação, o déficit fiscal, a alta dos juros, o desemprego emergente e outros problemas pontuais não fariam estrago se não estivessem ocorrendo ao mesmo tempo em que se desmantela a credibilidade da Petrobras, o maior ativo do Estado brasileiro.
Sem dúvida, a BR é muito maior do que o escândalo. O problema é a onda que se faz, como se a corrupção tivesse começado agora.
No chamado “terceiro turno”, a Petrobras virou a bola da vez, alvo da cobiça do cartel internacional do petróleo, que paira como um dos superpoderes do mundo moderno, ao lado das indústrias de armas e veículos. (A quem estiver disposto a se aprofundar no assunto, há um livro de 1972 que não perdeu a atualidade: Os Trustes Petrolíferos e os Países Subdesenvolvidos, de Michael Tanzer, fartamente ofertado em sebos virtuais).
Desde que o presidente Bush veio repentinamente ao Brasil em março de 2007 (no início do segundo mandato do presidente Lula), sabemos que, por trás de toda aquela festa em torno do sucesso do etanol de cana entre nós e do etanol de milho nos States, o que ele queria, como bom texano, era demonstrar seu apetite pelo petróleo descoberto na camada pré-sal da plataforma continental brasileira.
Desde os anos 1970, a petroleira que mais se destacou no setor foi a Petrobras, líder na pesquisa e produção em águas profundas.
Nesse jogo de xadrez em torno de grandes jazidas e ricos mercados, não cabe reclamar da disposição do Ministério Público e da Polícia Federal em lancetar a corrupção vigente nos meganegócios da Petrobras com seus fornecedores de serviços e equipamentos – eles estão fazendo a sua parte, antes de passar o abacaxi para o Supremo Tribunal Federal.
No entanto, o empenho dos grandes meios de comunicação em destruir a Petrobras alimenta a suspeita de que esteja em andamento, por uma combinação de várias circunstâncias e medidas, um cerco global para colocar a fabulosa companhia estatal brasileira à mercê de um processo de privatização a preço vil.
Não foi à toa que um grupo de 50 personalidades identificadas com o nacionalismo lançou no dia 20 de fevereiro um manifesto em defesa da Petrobras. Em ordem alfabética, assinam o documento desde Alberto Passos Guimarães Filho até Waldir Pires.
A recente redução do preço internacional do petróleo pode tornar não lucrativa a exploração dos campos do pré-sal, de onde a Petrobras já vem tirando 20% do petróleo produzido no Brasil. Por quanto tempo a BR aguentaria um prejuízo operacional na exploração do seu mais novo filé?
O Tesouro Nacional não está em condições de financiá-la, enquanto os países produtores de petróleo, Arábia Saudita à frente (com os EUA por trás), nadam de braçada nos custos rasos do deserto. É aí que mora o perigo.
A queda do preço global do petróleo pode ser fruto de uma supermanobra oportunista de âmbito global, como é próprio dos cartéis.
A campanha para desvalorizar a Petrobras se alia à torcida de segmentos políticos, empresariais e religiosos que desenvolveram um ódio radical ao PT não tanto pelo envolvimento de petistas com a corrupção, mas pelo que fizeram os últimos governos pela distribuição da renda, a valorização do trabalho e a educação das pessoas situadas na base da pirâmide social.Ato lembra estudante que subiu em árvore
Militantes da causa ambiental se reuniram nesta quarta-feira (25) em frente à Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para relembrar a ousada atitude do então estudante Carlos Dayrell que, 40 anos atrás, no mesmo local, subiu em uma tipuana para evitar sua derrubada – programada para dar lugar ao atual viaduto Dona Leopoldina.
“Foi um ato heroico”, elogiou o presidente da Agapan, entidade ambientalista que convocou o ato, Alfredo Gui Ferreira.
Um dos presentes na ação foiMarcos Saraçol, que secundou o protesto de Dayrell e fez companhia ao estudante no topo da tipuana. “Precisamos preservar as árvores para garantir nosso futuro”, declarou.
Além de marcar a passagem de quatro décadas do ato, que foi uma ação inédita e ganhou repercussão internacional, a intenção dos ambientalistas é questionar as políticas de expansão viária na cidade que determinam a extração de espécies vegetais.
“Decorridas quatro décadas deste gesto as árvores ainda estão lá. O viaduto também, evidenciando que a derrubada era desnecessária e que sempre existem alternativas inteligentes para os problemas sociais e ecológicos. Basta o poder público ter sensibilidade e vontade política”, justifica um manifesto publicado na página da entidade.
Lutz instigou Dayrell em reunião da Agapan
A mesma Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) que convocou o ato neste 2015 foi a entidade que provocou o universitário a tomar a atitude naquele 25 de fevereiro de 1971, em plena ditadura militar.
Em 1975, Dayrell havia sido instigado por José Lutzenberger a tomar de assalto a tipuana. Foi durante uma reunião da entidade, a primeira que frequentava, dias depois de ter conhecido alguns de seus integrantes.
No encontro, o debate se centrava em como sensibilizar a prefeitura de Porto Alegre, na época comandada por Telmo Thompson Flores, sobre as podas e derrubadas de árvores para a construção de grandes obras viárias. O corte das tipuanas estava agendado para a manhã seguinte, época de férias da Universidade, para não chamar atenção.
A Agapan havia distribuído um manifesto em todos os jornais da Capital, mas nenhum fez eco das ideias dos ambientalistas. “Olha, só tem uma saída. Vocês, os jovens amanhã vão para lá e subam nas árvores”, sugeriu Lutz ao novato, sem levar muito a sério a si mesmo – conforme o depoimento de Augusto Carneiro no livro Pioneiros da Ecologia (JÁ Editores, 2007).
Dayrell não apenas seguiu a sugestão de Lutz como ganhou a companhia de outros universitários – Marcos Saraçol e Teresa Jardim, que também escalaram a árvore. Outros ficaram em solo, apoiando com cartazes escritos à mão. Muitos foram espancados pela polícia, que ainda levou quatro pessoas presas, incluindo jornalistas que cobriam o ato.
Entidade denuncia “política arboricida” em Porto Alegre
Para a Agapan, Porto Alegre leva a cabo em seus dias atuais uma “política arboricida”. A entidade cita inúmeros eventos recentes em que exemplares de árvores foram suprimidos das ruas da Capital para dar lugar a obras viárias.
É o caso da duplicação da Av. Edvaldo Pereira Paiva, cuja defesa do conjunto de vegetais na Orla do Guaíba gerou um acampamento ao lado da Câmara Municipal desfeito em uma madrugada em ação da Brigada Militar; do corte de 30 árvores para a construção da trincheira da Anita, no bairro Bela Vista; e do desmatamento do terreno do Hospital de Clínicas para a construção de um estacionamento e de um novo prédio.
“Esses fatos exemplificam o retrocesso político da questão ecológica, o que conspira contra a sobrevivência da civilização e a verdadeira sustentabilidade planetária”, concluem os ambientalistas na carta.
Fotos: Agapan (arquivo e Adriane Bertoglio)Juros da dívida equivalem a dez Bolsa Familia
A dívida pública, de R$ 2,3 trilhões, custa ao Brasil R$ 270 bilhões em juros, por ano.
Esse valor é dez vezes maior do que o governo gasta anualmente com o programa Bolsa Familia.
Esta é uma das questões que serão debatidas no seminário “Brasil: Desafios e Oportunidades”, nesta quarta-feira em Brasilia.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estará presente para falar sobre caminhos para os investidores aqui no país. O ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, também estará presente.
A abertura será feita pelo presidente da EBS Business School e Ph.D em Economia, Judas Tadeu Grassi. Ele vai mostrar que “poucos países tem oportunidades como aqui, mas que nós enfrentamos um grande problema: o governo gastador”
Cenário
Para Judas Tadeu um novo Brasil só será possível se corrigirmos as distorções no setor público, que fica com 36,5% do PIB em impostos. Mesmo assim, o montante não é suficiente porque os nossos governos nos custam algo como 41,5% do PIB. Nos países desenvolvidos, os governos custam em torno de 25% do PIB. No Chile, por exemplo, é de apenas 18%.
“Assim, há um déficit anual de 5% do PIB. Por isso, temos agora uma dívida de R$ 2,3 trilhões, que nos custa anualmente algo como R$ 270 bilhões somente em juros, valor que é maior do que 10 vezes o Bolsa Família (que nos custa R$ 25 bilhões para que 13 milhões de famílias passem menos fome”, explica o Presidente da EBS.
Serviço
O evento, que acontecerá no Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada, promovido pelo Consulado Geral da Áustria em São Paulo e Embaixada da Áustria no Brasil.
Fechado para convidados, deve receber profissionais brasileiros e austríacos que trabalham no Brasil e com negócios entre os dois países.
(Com assessoria de imprensa)Prefeitura apresenta contas parciais de 2014 em audiência pública
Um balanço parcial de receitas, despesas e ações de gestão efetuadas pela prefeitura de Porto Alegre entre setembro e dezembro de 2014 será dado a conhecer aos cidadãos em duas audiências públicas nesta terça-feira (24), a partir das 09h30, na Câmara Municipal.
Nesta hora, a Comissão de Saúde e Meio Ambiente inicia a análise do relatório do Executivo sobre ações em saúde no período. A pasta era comandada por Carlos Casartelli até a última terça-feira (17), quando o ex-secretário foi demitido pelo prefeito após manifestar pelas redes sociais contrariedade com a interferência da Fazenda nas contas de sua pasta.
A partir das 10h, o secretário da Fazenda, Jorge Tonetto, e a titular da pasta de Planejamento Estratégico e Orçamento, Izabel Matte, abrirão detalhes das contas gerais da administração municipal ao longo do terceiro quadrimestre de 2014 na Comissão de Economia, Finanças e Orçamento.
Segundo o site da prefeitura, o secretário Jorge Tonetto frisou a importância da divulgação a cada quatro meses dos números como um “compromisso de divulgar com transparência o trabalho realizado pela administração municipal, detalhando os números em audiência pública”. Apesar disso, nenhum dos dois compromissos constava na previsão de pautas da prefeitura no início da noite da segunda-feira (23).
Em janeiro, o prefeito José Fortunati celebrou um superávit de R$ 269,38 milhões ao apresentar o balanço anual das receitas e despesas ordinárias do município. Foi o primeiro resultado positivo depois de dois anos com as contas no vermelho – o que favorece ao Executivo Municipal a tomada de empréstimos.
Fortunati busca apoio em Brasília para reduzir passagem
Enquanto seus secretários se encarregam de apresentar à população as contas dos meses de setembro a dezembro de 2014, o prefeito José Fortunati estará em Brasília, onde irá conversar com a bancada gaúcha sobre o projeto de desoneração do transporte coletivo em níveis estadual e federal. “A redução do valor final da tarifa poderia ser superior a 20%”, antecipa o prefeito.
Fortunati vai pedir apoio na aprovação do Regime Especial de Incentivo ao Transporte Coletivo Urbano e Metropolitano de Passageiros (Reitup), que está em tramitação no Congresso Nacional.
A reunião ocorrerá às 17h, no Plenário 13 da Câmara dos Deputados. Exatamente no mesmo horário, o Bloco de Luta pelo Transporte Público de Porto Alegre começa a concentração para uma marcha, que sairá do Paço Municipal, no Centro Histórico. Os manifestantes estão contrariados com o aumento que passou a vigorar no último domingo (22), na cidade: R$ 3,25 para os ônibus e R$ 4,85 para as lotações.
O prefeito leva à Capital Federal não apenas a sua demanda particular, mas fará eco aos colegas dos executivos municipais que integram a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), da qual é presidente. A sugestão da entidade é que o governo federal isente as empresas que operam no setor de tributos como PIS e Cofins para a compra de combustíveis e equipamentos.
Fortunati defende ainda que uma parte da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e o diesel poderia ser repassada para os municípios. “É nas cidades que as pessoas abastecem. Parte desse valor poderia ser direcionada ao transporte público”, destacou.
Os prefeitos também pedem a implantação de um modelo de planilha de custos único para todo o país e medidas de transparência.
Em 2013, Porto Alegre viu a tarifa de ônibus e lotações ser reduzida a partir da isenção do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISQN) para as empresas que operam, sem licitação, o sistema de transporte coletivo.
Com informações da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e da Câmara de VereadoresSaída é uma lei geral da propina
GERALDO HASSE
Havia outrora, num programa humorístico de rádio, uma dupla de personagens que representavam o corruptor e o corrupto.
Eles dialogavam e não chegavam a um acordo, até que o primeiro dizia ao outro, identificado como político ou funcionário público:
– Doutor, toque aqui neste objeto.
– Hã?
– Toque, Doutor, o senhor não vai se arrepender.
O outro tocava no “objeto misterioso” e logo ficava bonzinho. Estava implícito no quadro humorístico que o “objeto” era um pacote de dinheiro.
Passados tantos anos, ferve cada vez mais o caldeirão do gorjetório.
Enquanto o MPF e a PF juntam indícios e provas de “propinas” associadas a contratos superfaturados em encomendas da Petrobras – ficam para o segundo tempo, se houver, os contratos da Eletrobras e outros entes estatais –, resta esperar que no devido tempo o Judiciário esclareça o que é ético e permitido no mundo dos negócios em que o dinheiro público é usado para pagar serviços privados.
Se em todo negócio existe uma taxa de serviços, não seria mais racional criar uma lei estabelecendo as regras para a distribuição de propinas?
Não é segredo que o mundo dos negócios consagrou inúmeras formas de “gratificação” por serviços prestados. Veja-se quantos nomes tem a “coisa”.
Tome-se como referência o que fazem as igrejas. Foi na mais antiga delas que se estabeleceu o “dízimo” ou, seja, os fiéis deviam doar 10% dos seus rendimentos para sustentar os sacerdotes e seus cultos. É claro que ninguém doa esse percentual, mas se criou um teto que acabou se tornando a base de um império religioso.
Nos restaurantes e hotéis, institucionalizou-se a “gorjeta” de 10%, valor que pode ser maior, claro, dependendo da qualidade do serviço e da satisfação do cliente. Em muitos lugares, a gorjeta é legalizada como “taxa de serviço”. Em outros, foi abolida.
No mercado imobiliário, vigia antigamente a “taxa de corretagem” de 5% ou 6%, mas houve uma diversificação que pode ser resumida assim: enquanto nos alugueis a taxa de intermediação pode chegar a 10%, nas vendas de grandes apartamentos orçados em milhões, o corretor assalariado pela incorporadora se contenta com apenas 1%.
Nos remates de animais e leilões de mercadorias, o profissional responsável pelos negócios tem direito a uma “porcentagem” de apenas um dígito (5%, máximo) de cada negócio.
Em bancas de jornais (que estão minguando) e livrarias (dominadas por grandes redes), a “margem” é de 30%. Nas leis de incentivo à cultura e ao esporte, o governo federal contempla os intermediários com 10% do valor do projeto, cabendo 2% ao agente encaminhador da papelada e 8% ao captador dos recursos junto às empresas patrocinadoras.
No setor financeiro, entre as inúmeras taxas existentes, uma das mais peculiares é o “spread” bancário, taxa a que faz jus um banco ao agenciar ou intermediar um empréstimo de um grande banco. Por exemplo, o banco do estado faz o meio-campo entre uma empresa regional e o BNDES. Sai o financiamento e o intermediário recebe um spread de 0,5% sobre o valor total. Se rola algum por fora, nunca se sabe mas sempre se desconfia.
No mercado publicitário, a “comissão de agência” foi durante muito tempo de 20% sobre o valor dos anúncios e recentemente foi reduzida para 15%, queda compensada pela criação da “BV” (bonificação por volume), regra segundo a qual as agências recebem dos veículos um percentual das verbas programadas, o que redundou na concentração das veiculações e na cartelização da mídia.
Nas galerias de arte, a “comissão” vai de 25% a 50%. Nos contratos envolvendo jogadores de futebol e outros esportistas, rolam comissões igualmente polpudas, tanto que um dos maiores atletas brasileiros, Ronaldo Fenômeno, não deixou o mundo da bola, tornando-se empresário de coleguinhas como Neymar,
Na arquitetura, a convenção indica um percentual de 5% a 15% do valor da obra. No comércio de material de construção e em ramos afins (tintas, vidros, aço, móveis para auditórios etc), os compradores são aquinhoados com “descontos” ou com “agrados” depositados em conta-corrente ou em contas-laranjas…
Entramos agora no amplo universo das “consultorias” dos grandes negócios, cujas comissões variam tanto que adquiriram nomenclatura específica: “bola”, “graxa”, “propina”. Quem opera nesse mercado se identifica como “consultor”, nunca como “laranja” ou “lobista”.
Rico é o mundo dos engenheiros de obras públicas e vasto é o vocabulário desse mundo em que o essencial é invisível aos olhos. A linguagem do mundo dos negócios PP (público-privados) lembra o palavrório dos serviços de telemarketing, que prometem benefícios e vantagens que não serão cumpridos.
A maioria das pessoas está acostumada a viver nesse mundo de falsificação e mentiras, sujeitando-se a pagar o preço da convivência com a falcatrua, tal é a força do “objeto misterioso”.
Em grande número de situações, não há saída senão submeter-se. É o que acontece quando vem o guardador de carros e diz: “Pode deixar, Doutor, eu tomo conta”. A gente deixa, mesmo tendo consciência de que a desigualdade de renda entre um guardador e um proprietário de carro torna impossível um relacionamento confiável entre ambos.
É assim que bacanas e pés-de-chinelo realimentam, em diversos níveis e em todos setores, a cordialidade fajuta que mascara desde as relações sociais até as transações no mundo dos negócios.
Quem nos salvará de tanta hipocrisia? O juiz Sérgio Moro? O ex-ministro Joaquim Barbosa? O bispo Edir Macedo? Ou será que estamos condenados a conviver para sempre com a picaretagem e a falência ética?
Talvez seja ingenuidade esperar que o Judiciário ponha as coisas nos devidos lugares, mas nunca os brasileiros precisaram tanto de reflexões maduras e sentenças equilibradas sobre o ético e o lícito num meio cujo denominador comum é, de alto a baixo, o dinheiro.
Se em todo negócio há um percentual para remunerar ou gratificar o(s) agente(s) intermediário(s), a solução não seria tornar todos os contratos obrigatoriamente transparentes? Tudo indica que não há outro caminho.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“Não se pode receber da verdade mais do que nela se investiu”
Milorad Pavitch, escritor sérvio (1929-2009)
Imposto sobre grandes fortunas pode render 10 bilhões
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) atacou o ajuste fiscal do Governo Dilma como um ‘pacote de maldades’ do Governo Dilma Rousseff, baseado em duas Medidas Provisórias— 664 e 665 —, que reduzem os benefícios de trabalhadores e aposentados e restringe o acesso ao seguro-desemprego.
Randolfe, em discurso na tribuna do Senado Federal nesta quinta, propôs que o Governo Federal apoie a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), que segundo ele “atenderia mais da metade dos R$ 20 bilhões que o Governo pretende arrecadar com o seu infeliz Pacote de Ajuste Fiscal”.
O senador do PSOL citou um relatório de 2014 do banco Credit Suisse, com sede em Zurique, na Suíça, listando cerca de 1.900 pessoas com um patrimônio líquido superior a US$ 50 milhões (cerca de R$ 130 milhões), que poderiam ser alcançadas pelo Fisco brasileiro para “dar um quinhão maior de contribuição no combate à desigualdade de renda no País”.
Randolfe Rodrigues destacou, em seu discurso, que cerca de 10 mil famílias no Brasil se enquadram na moldura das grandes fortunas. “Nesse universo privilegiado, metade — ou 5 mil famílias — teria um patrimônio somado equivalente a 40% do PIB brasileiro, a sétima maior economia do mundo, que representa uma riqueza de US$ 2,24 trilhões”, destacou Randolfe.
Nessa conta, lembrou o senador do PSOL, cerca de US$ 900 bilhões estariam concentrados nas mãos das 5 mil famílias mais ricas do País. O Imposto sobre Grandes Fortunas foi aprovado pela Constituição de 1988 (Artigo 153, Inciso VII), mas até hoje não foi regulamentado: “Passaram-se mais de 26 anos e o Brasil ainda não estabeleceu as regras que tornariam viável este imposto ainda intocado pelo Fisco”, reclamou Randolfe.
O senador do PSOL lembrou que “reduzir direitos sociais, aumentar tarifas e preços públicos vai na contramão não só do que defendeu a presidente Dilma Rousseff na campanha eleitoral, mas também do que quer, deseja e merece o povo brasileiro”. E fez um alerta: “O povo que foi às ruas em 2013 e em 2014, com certeza, retomará as ruas em 2015 por mais e melhores direitos. A sociedade não aceita mais pagar, com os impostos mais caros do mundo, uma estrutura política apodrecida que frauda e corrói seus direitos mais elementares”. (Da assessoria)
Agert promete apoio a Sartori

O governador José Ivo Sartori e o secretário da Coordenação de Comunicação, Cleber Benvegnú, receberam a direção da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), no final da tarde desta segunda-feira (9), no Palácio Piratini.
Na reunião, Sartori enfatizou que quer manter uma relação qualificada com o segmento, pautada pelo diálogo. “De peito aberto, estamos prontos para dialogar, pois consideramos esse o caminho para superar desafios e avançar”.
Além da saudação ao governador, três iniciativas fizeram parte da agenda: a entrega do Relatório Social da entidade, a oportunidade de realizar uma rede de comunicação com a população através dos veículos do interior, na segunda quinzena de maio, e por fim, convidar Sartori para participar da abertura do Congresso da Agert, em 27 de outubro desse ano, em Canela, na Serra. O evento ocorre a cada dois anos.
“Estamos aqui para confirmar que a nossa Associação é sua parceira e que estamos ao seu lado”, disse o presidente Roberto Cervo Melão ao final do encontro.122 mil disputam 47 vagas na Petrobras
Provas para 47 vagas e formação de cadastro serão realizadas no dia 8 de março
O processo seletivo da Petrobras Distribuidora, visando ao preenchimento de 47 vagas, em cargos de nível médio e superior, e formação de cadastro de reserva, teve um total de 122.750 inscritos, uma média de 2.161 candidatos por vaga.As carreiras de nível superior são Administração, Ciências Contábeis, Comunicação (Relações Públicas), Direito, Ênfase em Automação, Ênfase em Vendas a Grandes Consumidores, Ênfase em Vendas a Rede Automotiva, Engenharia (Ambiental, Elétrica, Mecânica, Produção e Segurança do trabalho), Psicologia e Serviço Social. Para esses cargos, a remuneração mínima é de R$ 8.866,74.
Para os cargos de nível médio serão selecionados Técnicos de Administração e Controle Júnior, com remuneração mínima de R$ 3.095,97; já para cargos de nível médio com formação técnica, as carreiras são Técnico de Manutenção Júnior (ênfase em Elétrica e ênfase em Mecânica), Técnico de Operação Júnior e Técnico de Química Júnior, com remuneração mínima de R$ 3.730,66.As provas serão realizadas no dia 8 de março e a divulgação do resultado final será feita em 12 de maio de 2015. O processo seletivo terá validade de 12 meses, podendo ser prorrogado por igual período. A lista com o quantitativo de inscritos por cargo e polo de trabalho está disponível no Portal BR (www.br.com.br/rh) e no site da Fundação Cesgranrio (www.cesgranrio.org.br).
Gerência de Imprensa/Comunicação Institucional
Telefone: 55 (21) 3224-1306 e 3224-2312
Plantão: 55 (21) 99921-1048 e 99985-9623
Fax: 55 (21) 3224-3251
imprensa@petrobras.com.brCrise da água revela colapso da gestão ambiental
Geraldo Hasse
Por mais que os técnicos avisem, os políticos não têm conhecimento nem coragem para atacar o problema do abastecimento d’água
Se fosse prefeito, V. decretaria o racionamento da água? Não precisa responder.
Um diretor da Sabesp matou a charada ao afirmar que “não se pode racionar o que não existe”.
Sim, os 20 milhões de habitantes da megalópole paulista estão na bica do suicídio hídrico, mas é preciso não esquecer que o problema afeta intermitentemente outros 30 milhões de brasileiros.
A falta d’água na cidade mais populosa e rica do país sintetiza o drama da insustentabilidade da exploração dos recursos naturais.
Está ficando claro como água: a crise hídrica, que tem desdobramentos graves no setor energético, é um assunto sério demais para ficar na mão dos políticos.
Enquanto estes não têm conhecimento nem coragem para encarar o problema, os técnicos não possuem poder para atacá-lo a curto ou médio prazo, só atuando no longo prazo mediante a apresentação de dados sobre pluviometria, desmatamentos, exploração dos aquíferos e as famosas mudanças climáticas, que muitos políticos desdenham e até alguns cientistas menosprezam.
Por menos que se possa provar a relação entre as mudanças climáticas e a falta d’água, todos os tópicos mencionados no final do parágrafo anterior estão interligados e fazem parte do rol de temas subjacentes à crise ambiental discutida nos últimos 40 anos e que mais recentemente passou a ser debatida sob novo nome – a questão da sustentabilidade da exploração dos recursos naturais da Terra.
Só que os debates não se transformam em medidas, pois prevalecem os interesses econômicos, como ficou notório no caso da Sabesp, cuja privatização parcial levou a empresa a zelar mais pela lucratividade do que pelo abastecimento.
Não é esse o único exemplo de subversão do interesse público pelo enfoque privatista. No caso de uma mercadoria fundamental como a água, trata-se de um crime perfeitamente denunciável pelo Ministério Público ou, na omissão deste, pelos cidadãos lesados nos seus direitos.
Na realidade, o recurso à Justiça já começou e tende a se intensificar pois são cada vez maiores as áreas sujeitas a estiagens, secas e problemas climáticos. No Brasil o problema era restrito ao Semi Árido nordestino, onde a seca virou um flagelo intermitente. Agora ela aparece no Sudeste, no Pantanal, no Cerrado e até no Pampa. No mundo nem se fala: da Califórnia à Austrália, ninguém sabe o que fazer quando chega o verão e os bombeiros já não dão conta das emergências.
Está se confirmando cada vez mais a previsão de aumento da temperatura na superfície terrestre. É só 1,5 graus C em média, dizem os partidários do “laissez faire” na economia, esquecendo que esse número representa um acréscimo de 7,5% sobre a temperatura média anual em regiões de clima temperado. O suficiente para alterar o regime da Natureza em vários aspectos, a começar pelas chuvas.
Como acontece em São Paulo e em outras regiões de Mata Atlântica, a escassez de água em alguns pontos mais densamente povoados – e, portanto, mais radicalmente explorados, do ponto de vista ambiental – tem a ver com o desmatamento praticado nos últimos séculos. As cabeceiras dos rios do planalto paulista foram totalmente devastadas. Algo semelhante aconteceu nas zonas litorâneas dos territórios fluminense, capixaba, mineiro e baiano, onde foram implantadas vastas monoculturas arbóreas que, além de comprometer seriamente a biodiversidade, não cumprem o papel hidrológico exercido pelas florestas naturais.
É elementar que a vegetação nativa condensa umidade nas copas e raízes, protegendo os lençóis subterrâneos e recarregando as reservas hídricas. Como lembra o professor Ciro Correia, da Geologia da USP, a recarga dos aquíferos subterrâneos não se faz na mesma velocidade da demanda por água para consumo humano, animal, agrícola e industrial. Aí está o X do problema: agrava-se a defasagem consumo x recarga de água.
De uma forma simplificada, se pode dizer que está havendo uma ruptura do circuito natural de realimentação das reservas hídricas. Com as mudanças climáticas alterando drasticamente o regime das chuvas, o problema se acentuou. Onde vai parar, não se sabe, mas sua gravidade está sendo escamoteada por grande parte dos meios convencionais de comunicação.
Em compensação, nas redes sociais e nos blogs, espalha-se a denúncia de que os paulistanos mais abonados estão buscando uma saída na perfuração de poços artesianos em profundidades variáveis de 10 a 1000 metros. A busca de saídas individuais vai agravar o problema coletivo. O que vai sobrar para os pobres? Pela lógica da História, chafurdar na água suja.
LEMBRETE DE OCASIÃO
Um lobo e um cordeiro bebiam água no mesmo ribeirão. Eis que o lobo interpela o cordeirinho:
“Você está sujando a água que eu bebo”.
O cordeiro responde prontamente: “Impossível, Senhor Lobo, eu estou bebendo água abaixo de onde se encontra Vossa Senhoria”.
“Isso não importa!”, diz o lobo, pulando sobre o animalzinho indefeso.
(Resumo da fábula de Esopo)


