Autor: da Redação

  • MP investiga uso de TV por igrejas

    Prática corriqueira, o aluguel de tempo de televisão no Brasil assemelha-se à distribuição de sesmarias pelos capitães hereditários do período colonial.
    A União, por meio do Ministério das Comunicações, distribui concessões de radiodifusão aos “donatários”, que recebem a missão de povoar as emissoras com conteúdo próprio ou independente. Incapazes de realizar a tarefa, os concessionários distribuem parte de suas frequências para outros colonos, que se incumbem de torná-las produtivas.
    Há, porém, uma diferença fundamental: a parcela da grade horária repassada por donatários de emissoras a terceiros lhes proporciona dividendos milionários, o que não ocorria com os capitães do passado.
    A estratégia das emissoras de arrendar uma parte ou a totalidade de sua grade horária desenvolveu-se sob a vista grossa do Ministério das Comunicações nos últimos anos.
    Embora a pasta tenha chegado em 2012 a estudar um decreto para vetar o expediente, o governo de Dilma Rousseff recuou da medida após parlamentares da bancada evangélica ameaçarem uma debandada para a oposição.
    As igrejas neopentecostais são as principais beneficiárias da prática.
    No topo da lista, a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, usufrui de mais de 1,5 mil horas de televisão por mês, distribuídas entre seis emissoras.
    Além de espaços consideráveis na Record, Rede TV!, Bandeirantes e Gazeta, a Universal mantém controle quase integral sobre a programação da Rede 21 e da CNT.
    A igreja tem um contrato de cinco anos para ocupar 22 horas diárias da programação de ambos os canais e tem a prerrogativa para aprovar ou não o conteúdo das peças publicitárias veiculadas nos intervalos.
    O acordo pode ser entendido como uma subconcessão, vedada pela Lei de Concessões e o Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT).
    Em agosto de 2014, o então ministro das Comunicações Paulo Bernardo afirmou não ter base legal para impedir a prática e disse ser esse o motivo pelo qual o Ministério Público Federal se omitia.
    Foi a senha para os procuradores da República Elizabeth Kobayashi e Jefferson Aparecido Dias ingressarem com ações em dezembro do ano passado contra a Rede 21 e a CNT.
    Os procuradores obtiveram os contratos da Universal com ambos os canais, bem como os acordos da igreja com a Record, a Rede TV! e a Bandeirantes.
    Em todos os casos, os valores contratuais foram rasurados, o que obrigará o MPF a requisitar judicialmente as cifras.
    Os procuradores estimam que a Bandeirantes, dona da Rede 21, receberá 480 milhões de reais em cinco anos, e a CNT, 420 milhões.
    Diante desse quadro, o Ministério Público pediu a decretação da indisponibilidade de bens da CNT, da Rede 21 e da Universal, o impedimento aos réus de obter novas outorgas de radiodifusão e a suspensão das concessões.
    Embora a Justiça tenha negado os pedidos, a decisão em primeira instância relativa à CNT traz boas perspectivas.
    Os autos afirmam que os fatos narrados na ação estão suficientemente comprovados e os argumentos jurídicos “são consistentes e devem ser levados a sério”.
    Por se tratarem de ações inéditas, a doutrina jurídica para o tema é raquítica. Duas teses embasam as ações dos procuradores.
    A primeira trata da ilegalidade da subconcessão. Embora a Lei de Concessões admita a transferência da operação de serviços públicos a terceiros, ressalva-se justamente os casos ligados à radiodifusão.
    A segunda tese é mais abrangente e, caso aceita pela Justiça, pode atingir as outras quatro emissoras.
    Segundo os procuradores, a comercialização de tempo de tevê constitui uma venda de espaço publicitário, independentemente da natureza do conteúdo a ser veiculado.
    O CBT prevê o limite de 25% do tempo de programação a ser destinado à publicidade.
    Dada a omissão do Ministério das Comunicações na fiscalização das irregularidades, o Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (Findac), encontro mensal entre os procuradores e representantes de organizações como Intervozes e Artigo 19, continuará a atuar para regular o setor.
    O Findac tem procedimentos administrativos instaurados para tratar de outros arrendamentos, da acumulação excessiva de outorgas em mãos de uma única pessoa física e do controle de concessões de radiodifusão por deputados e senadores, um flagrante desrespeito à Constituição.
    Se não vier pelo Congresso, talvez a reforma do setor de telecomunicações saia dos gabinetes do Ministério Público.
    Miguel Martins | Carta Capital

  • Agenda Lírica divulga programação

    Atividades Promovidas pela Agenda Lírica, da Associação Gaúcho de Cultura Musical:
    Apresentação do programa Sexta Lírica na RÁDIO DA UNIVERSIDADE AM 1080, nas sextas-feiras às 20h30min. Ouça ao vivo pela Internet www.ufrgs.br/radio.
    Coordenação dos SARAUS LÍRICOS, na primeira quinta-feira de cada mês, às 18h30min, no MUSEU DE HISTÓRIA DA MEDICINA (Av. Independência 270).
    Coordenação das CORTINAS LÍRICAS, na terceira quinta-feira do mês, às 19h30min, na Sociedade Italiana do Rio Grande do Sul (Rua João Telles 317).
    Eventos
    14/JAN/2015 (quarta) 12h30min FOYER DO THEATRO SÃO PEDRO Praça da Matriz
    Entrada franca
    MUSICAL ÉVORA
    QUINTETO PORTO ALEGRE
    ELIESER F VIEIRA Trompete TIAGO LINCK Trompete ISRAEL OLIVEIRA Trompa
    JOSÉ M VIEIRA Trombone WILTHON MATOS Tuba
    21/JAN/2015 (quarta) 12h30min FOYER DO THEATRO SÃO PEDRO Praça da Matriz
    Entrada franca
    MUSICAL ÉVORA
    LUIZ CARDOSO Violão e SINFONIA GAÚCHA:
    DOUGLAS MENDES Violino FLEDI SOUTO Acordeão JULIANO CARDOSO Violão
    21/JAN/2015 (quarta) às 18h30min PINACOTECA RUBEN BERTA Duque de Caxias 973
    Entrada franca
    CLÁSSICOS NA PINACOTECA
    MARCEL ESTIVALET Violonista LEANDRO FABER Pianista
    Obras de Mario Castelnuovo-Tedesco e Leo Brower
    21/JAN/2015 (quarta) 20h30min StudioClio José do Patrocínio 698
    Ingresso R$ 30,00 e R$ 60,00 www.studioclio.com.br F: (51) 3254-7200
    SÉRIE MASTER DE CONCERTOS STUDIOCLIO
    Chopin no século XX”
    MICHAL SZYMANOWSKI (Polônia) Pianista
    Obras de Chopin, Rachmaninoff, Debussy, K.Szymanowski, A.Scriabin e R.Maciejewski.
    22/23/JAN/2015 (qui/sex) 21h StudioClio José do Patrocínio 698
    Ingresso R$ 120,00 e R$ 150,00 www.studioclio.com.br F: (51) 3254-7200
    RECITAL
    YAMANDU COSTA Violonista
    28/JAN/2015 (quarta) 12h30min FOYER DO THEATRO SÃO PEDRO Praça da Matriz
    Entrada franca
    MUSICAL ÉVORA
    DUO CANTO E VIOLÃO
    DEISI COCCARO Soprano FERNANDO MATTOS Violão decacorde
    Eventos
    18/JAN/2015 (domingo) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    ORQUESTRA DE CÂMARA THEATRO SÃO PEDRO
    YAMANDU COSTA Violonista
    Regência de ANTONIO BORGES-CUNHA
    19/JAN/2015 (segunda) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    CUARTETO 4 MIL (Argentina)
    20/JAN/2015 (terça) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    Ópera ORFEU, de Claudio Monteverdi
    Produção dos alunos e professores do Instituto de Artes da UFRGS
    Regência de DIEGO BIASIBETTI
    21/JAN/2015 (quarta) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    QUINTETO PORTO ALEGRE
    22/JAN/2015 (quinta) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    CIA DE DANÇA MUOVERE e ORQUESTRA RESIDENTE
    23/JAN/2015 (sexta) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    NÚCLEO DE METAIS/BANDA SINFÔNICA ACADÊMICA
    24/JAN/2015 (sábado) às 20h30min PRAIA DO LARANJAL PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    ORQUESTRA UNISINOS ANCHIETA e RENATO BORGHETTI
    25/JAN/2015 (domingo) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    ORQUESTRA ACADÊMICA
    26/JAN/2015 (segunda) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    NÚCLEO DE CORDAS E VIOLÕES/NÚCLEO DE MADEIRAS
    27/JAN/2015 (terça) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    ORQUESTRA RESIDENTE
    Solistas: HORÁCIO SCHEFER (RS) e EMMANUELE BALDINI (Itália)
    Regência de EMMANUELE BALDINI
    28/JAN/2015 (quarta) às 20h30min THEATRO GUARANY PELOTAS/RS
    5º FESTIVAL INTERNACIONAL SESC DE MÚSICA
    NÚCLEO DE PERCUSSÃO/NÚCLEO DE METAIS
    Música na Mídia
    16/JAN/2015 (sexta) 20h30 RÁDIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RS AM 1080
    www.ufrgs.br/radio
    SEXTA LÍRICA – AS GRANDES VOZES DA ÓPERA
    Pilar Lorengar Francisco Kraus Ana Maria Martinez
    Alfredo Kraus Sonya Yoncheva/Rolando Villazon Jose Carreras
    Produção e Apresentação de AURY HILARIO
    18/JAN/2015 (domingo) às 15h RÁDIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RS AM 1080
    www.ufrgs.br/radio
    UMA ÓPERA POR SEMANA
    A ITALIANA NA ARGÉLIA, de Gioacchino Rossini
    Lucia Valentini Terrani (Mez) Francisco Araiza (Ten) Wladimiro Ganzarolli (Bai)
    Coro da Rádio Ocidental Alemã de Colônia
    Cappella Coloniensis
    Regência de Gabriele Ferro
    Gravação de 1979
    Coordenação de PAULO BUSATO
    18/JAN/2014 (domingo) às 22h RÁDIO FM CULTURA 107.7
    www.fmcultura.com.br
    A ÓPERA DA SEMANA
    FALSTAFF, de Giuseppe Verdi
    Mirella Freni (Sop) Fernando Corena (Bai) Luigi Alva (Ten)
    Coro de Câmara da Holanda
    Orquestra Real de Concertgebouw
    Regência de Carlo Maria Giulini
    Gravação de 1963
    Produção de SOFIA DE CURTIS
    Boletim da Ópera
    O fim de ano é um período de muitos concertos, recitais e óperas por todo o mundo.
    Nesta virada de ano, houve a encenação da opereta A Viúva Alegre no Metropolitan
    Opera de Nova York, aconteceu a tradicional apresentação da Filarmônica de Viena,
    com regência pela quinta vez de Zubin Mehta, a realização da opereta Die Csárdásfürstin,
    em forma de concerto, na cidade de Dresden e o concerto de fim de ano do Teatro La
    Fenice, em Veneza.
    Abaixo, alguns vídeos destas apresentações.
    Die Csardasfürstin, de Emmerich Kalman (Netrebko, J.D.Florez, Landschamer, Breslik).
    http://www.youtube.com/watch?v=qzTqYn8fEn8
    A Viúva Alegre, de Franz Léhar.

    Filarmônica de Viena
    http://www.youtube.com/watch?v=j-P46Gr4VvY
    Teatro La Fenice – La Bohème, de Puccini (Matthew Polenzani e Maria Agresta).
    http://www.youtube.com/watch?v=mUy-XiQrEfk
    JOSEANE BÖHM
    josebohm@bol.com.br
    Notas
    O maestro LINUS LERNER, que de 31 de janeiro a 08 de fevereiro estará no Estado durante
    o GRAMADO IN CONCERT, está participando, como docente, no Festival de Ópera da cidade
    de Oaxaca, no México.
    Avisos
    O 13º CONCURSO BRASILEIRO DE CANTO MARIA CALLAS, realização da
    Cia Ópera São Paulo, está com suas inscrições abertas, encerrando em
    31 de março. Podem se inscrever cantores brasileiros e latino-americanos
    com até 40 anos de idade. Fone (11) 3467-0815.
    info@ciaopera.com.br
    NOSSOS TALENTOS
    LUCIANA KIEFER Soprano
    Giunse al fin il momento, ópera As Bodas de Fígaro, de Mozart
    Florença, Itália, janeiro de 2011.

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  • Benvegnu promete gestão profissional na comunicação

    (Da Assessoria)
    O jornalista Cleber Benvegnú assumiu, nesta terça-feira (13) à tarde, o cargo de secretário de Comunicação do Governo do Estado.
    O auditório da Secom, na Rua Riachuelo (Centro da Capital), onde foi realizada a solenidade, ficou lotado com a presença de secretários de Estado, jornalistas, publicitários, comunicadores, sindicalistas, colaboradores, servidores públicos e familiares.
    Antes do seu pronunciamento,  Benvegnú pediu um minuto de silêncio em reverência às vítimas do atentado ocorrido em Paris na semana passada.
    Em sua fala, disse que assume a função comprometido com uma comunicação fundamentada em valores como respeito, liberdade e boa convivência.
    Enfatizou também que pretende promover uma “gestão profissional, que divulgue ações e serviços essenciais para a população e, desta forma, aproxime o governo de todos os gaúchos”.
    Formado em Jornalismo pela PUCRS, Benvegnú é também advogado e consultor político. Tem 37 anos e é natural do município de Casca.
    Começou a trabalhar como redator aos 13 anos e passou por emissoras de rádio, televisão e redações de jornal e internet.
    Atualmente, é sócio da Critério – Inteligência em Conteúdo, prestadora de serviços de assessoria estratégica e geração de conteúdo. Agora, a gestão da empresa fica sendo conduzida pelos sócios Soraia Hanna, Rafael Codonho e Tomás Adam.

  • Sartori nomeia funcionários de carreira para o Banrisul

    O governador José Ivo Sartori anunciou na manhã desta quarta-feira (14) os nomes que ocuparão a diretoria do Banrisul durante sua gestão.
    A equipe será formada por sete funcionários do próprio quadro da instituição, um do Banco Central e um oriundo da Secretaria da Fazenda do Estado.
    Conforme já havia antecipado em manifestações anteriores, Sartori confirmou o caráter técnico das escolhas para o banco como forma de valorizar e fortalecer o papel do Banrisul junto à população gaúcha e ao próprio mercado financeiro.
    O presidente será o economista Luiz Gonzaga Veras Mota, funcionário do banco desde 1979, pós-graduado em Administração e Finanças pela UFRGS.
    O vice-presidente será o economista Irany Sant’anna Junior, funcionário de carreira do Banco Central.
    As diretorias serão ocupadas pelo economista Ricardo Richiniti Hingel (funcionário do Banrisul desde 1977), o economista Júlio Francisco Gregory Brunet (oriundo da Secretaria da Fazenda do Estado), o analista de sistemas Jorge Fernando Krug Santos (funcionário do Banrisul desde 1981), o contador Leodir Antônio Araldi (funcionário do Banrisul desde 1981), o economista Oberdan Celestino de Almeida (funcionário do Banrisul desde 1979), a advogada Suzana Cogo (funcionária do Banrisul desde 1989) e o economista Jorge Luiz Oliveira Loureiro (funcionário do Banrisul desde 1976). Os nomes serão encaminhados à Assembleia Legislativa nos próximos dias e, posteriormente, ao Banco Central.
    Confira, abaixo, mais detalhes sobre a trajetória dos indicados:
    Luiz Gonzaga Veras Mota – Presidente
    Graduado em Ciências Econômicas pela Fundação Educacional de São Gabriel e em Formação de Professores pela Instituição Educacional São Judas Tadeu. Pós-graduado em Administração e Finanças pela UFRGS. Possui especialização em Ciências contábeis pela PUCRS, especialização em Administração bancária pela Associação dos Bancos Comerciais Estaduais (Asbace) e especialização em Marketing pela ADVB. Foi diretor na Companhia União de Seguros Gerais, de abril de 1998 a janeiro de 1999.
    Admitido no Banrisul em 1979, atuou como assessor técnico (Economista), gerente de Operações com o Mercado Aberto, gerente de Mercado Aberto, chefe de Departamento de Crédito Imobiliário (1994 a 1995), chefe do Departamento de Gestão de Riscos (1996 a 1997), chefe do Departamento Financeiro (1997 a 1998), membro efetivo do Comitê de Crédito (1994 a 1998), presidente do Comitê de Captação e Alocação de Recursos (1997 a 1998), chefe do Departamento de Organização e Métodos (janeiro a setembro de 1999), superintendente regional (1999 a 2003), superintendente executivo da Unidade Comercial de Varejo (2003 a 2006), membro efetivo do Comitê de Crédito do Banrisul (2003 a 2006), coordenador do Comitê de Tecnologia e Negócios (2003 a 2006), membro do Comitê de Captação e Alocação de Recursos (2003 a 2006), diretor d e Administração de Recursos de Terceiros (2006 a 2010), diretor financeiro (2010 a abril de 2011). Atual superintendente executivo da Unidade Financeira e coordenador do Comitê de Gestão Econômica e membro do Comitê de Riscos Corporativos, do Comitê de Gestão Comercial, dentre outros.
    Irany Sant anna Júnior – Vice-presidente
    Economista formado pela UFRGS em 1981. Trabalhou em consultoria na área econômica até 1994 e, desde então, é funcionário de carreira do Banco Central do Brasil. Atuou na área de supervisão bancária como coordenador e gerente técnico no Departamento de Supervisão Bancária para a Região Sul. Desde 2013 atua como chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária Nacional do Banco Central do Brasil, sediado em São Paulo.
    DIRETORES
    Ricardo Richiniti Hingel
    Economista formado pela UFRGS, foi diretor na Secretaria Geral do Governo do Estado (1995 a 1996), diretor na Secretaria de Desenvolvimento do Estado (1997 a 1998), assessor parlamentar (1999 a 2002). Consultor de empresas especializado na área de Mercado de Capitais. Atuou como diretor regional do Banco BTG Pactual S.A., de 2010 a 2011. Admitido em 1977, execeu o cargo de assessor técnico na Assessoria de Planejamento e Diretor Financeiro do Banrisul, de 2003 a 2010. Atual Assessor Consultivo da Diretoria do Banrisul.
    Júlio Francisco Gregory Brunet
    Economista formado pela UFRGS e mestre em Economia pela PUCRS. Trabalhou na Fundação de Economia e Estatística, na Corsan, na Secretaria de Assuntos Internacionais, na Secretaria da Fazenda e na Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado. Funcionário concursado para os cargos de Técnico em Planejamento da Secretaria de Coordenação e Planejamento e de Agente Fiscal do Tesouro Estadual.
    Jorge Fernando Krug Santos
    Graduado em Análise de Sistemas pela PUCRS, pós-graduado em Engenharia de Software da UFRGS. Participa de uma série de associações e comissões de TI, nacionais e internacionais, atuando como Líder do ”Financial Payments Council” da Smart Card Alliance Latin America (SCALA), diretor de Segurança da Sucesu-RS, membro do Comitê de Segurança e Fraudes da Associação Brasileira das Empresas de Cartões e Serviços (ABECS). Na Federação Brasileira de Bancos (Febraban) integra o Comitê de Segurança de TI. É membro do Comitê de Automação Bancaria e Tecnologia (CNAB) e do Grupo de Organização da Conferência Internacional de Automação Bancária (CIAB). Foi o primeiro membro da América Latina eleito a ter assento no Conselho Mundial – Board of Advisors do PCI Council (Payment Card In dustry), que estabelece as normas mundiais de segurança para os meios de pagamentos e cartões.
    Admitido no Banrisul em 1981. Foi gerente da área de Automação Bancaria e atuou no desenvolvimento do projeto de integração dos Bancos Estaduais nos anos 90. É superintendente executivo de Segurança de TI desde 2007.
    Leodir Antônio Araldi
    Formado em Ciências Contábeis pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pós-graduado em Gestão Bancária pelo IBGEN.
    Admitido no Banrisul em abril de 1981, onde exerceu o cargo de gerente-geral na Rede de Agências (1981 a 1999) e superintendente regional desde 1999. Atualmente é superintendente regional em Santa Cruz do Sul.
    Oberdan Celestino de Almdeida
    Formado em Economia pela Universidade de Ijuí (Unijui), possui MBA em Gestão Bancária pela UFRGS. Admitido no Banrisul em janeiro de 1979, onde exerceu o cargo de gerente-geral na Rede de Agências (1988 a 1998), e superintendente regional (2003 a 2011). Atualmente exerce o cargo de gerente-geral na agência Passo Fundo.
    Suzana Flores Cogo
    Advogada formada pela UPF, possui MBA em Direito da Empresa e da Economia pela Fundação Getúlio Vargas e especialização em Governança Corporativa pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). É membro associado do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, no qual integra a Comissão de Governança em Instituições Financeiras. Admitida no Banrisul em abril de 1989, exerceu o cargo de gerente executiva no Núcleo de Contratos na Assessoria Jurídica, entre abril de 2003 e março de 2010. Foi superintendente executiva na Secretaria de Governança Corporativa, entre abril de 2010 e junho de 2011, e de superintendente jurídica entre junho de 2010 e abril de 2011. Atualmente exerce a função de assessora jurídica.
    Jorge Luiz Oliveira Loureiro
    Formado em Economia pela PUCRS, é especialista em Engenharia Econômica e Administração Bancária pela ASBACE. Admitido no Banrisul em 1976, assessor técnico desde 1982, exerceu o cargo de gerente e superintendente na Assessoria de Planejamento e Controle (ASPLAN), superintendente na Unidade de Recursos Humanos e na Unidade Financeira. Foi também diretor financeiro e administrativo da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banrisul (Cabergs) e diretor financeiro na Fundação Banrisul de Seguridade Social (1999 a 2011).
    Da assessoria

  • A Globo e o conto do "bolivarianismo"

    Luiz Nassif, do GGN
    Em 1962 a Globo associou-se ao grupo Time-Life, em um momento em que as redes norte-americanas tentavam se internacionalizar. Recebeu cerca de US$ 6 milhões, a dólares da época, e um know-how imbatível de operação.
    Foi beneficiada por uma CPI conduzida por João Calmon, dos Diários Associados, que levou os gringos a venderem sua parte. O próprio Roberto Marinho adquiriu com financiamento do Banco Nacional autorizado por José Luiz de Magalhães Lins.
    ***
    Em 1980 as verbas publicitárias para a televisão já representavam 85% do total de tudo o que se anunciava no país. Sobravam 15% para a rapa. Desses 85%, a Globo ficava com 85%, contra 11% da TV Tupi e 4% das demais emissoras.
    O modelo comercial e político, os pactos com o mercado publicitário, tudo foi tão bem sucedido que a Globo sempre conseguiu fatias de publicidade superiores aos seus índices de audiência.
    ***
    Em agosto passado, a Abert (Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão) estampava os indicadores favoráveis: no primeiro quadrimestre o meio TV recebeu 70% das verbas publicitárias. Cresceram também o rádio, a TV por assinatura e a mídia exterior.
    Quem perdeu: Guias e Listas, com queda de 32%, Revista, que caiu 10,1% e Jornal, que caiu 6%.
    ***
    A Globo domina amplamente a TV aberta, tem presença forte na TV fechada, amplo predomínio no rádio, boa presença no mercado de revistas, um dos três jornais mais influentes do país e presença fortíssima na Internet.
    A Abril se esvai em sangue. Há informações fidedignas na praça de que a família Civita conferiu mandato a dois bancos para vender a revista Veja. Há anos o Estadão busca um comprador. A Folha caminha para ser um braço da UOL – cujo modelo de negócio está cada vez mais focado em prestação de serviços tecnológicos. O Valor tenta se equilibrar com eventos e edições especiais, mas sua tiragem caiu abaixo dos 50 mil.
    Todos esses grupos são vítimas dos novos tempos, sim, mas principalmente da Globo, cujo modelo monopolista atuou como um super aspirador das verbas do mercado.
    Em tese, esses grupos seriam os maiores beneficiários de uma regulação econômica da mídia, assim como a imprensa regional e os novos jornais e sites na Internet. No entanto, as maiores resistências a essa regulação econômica partem justamente deles. Como se explica?
    ***
    Se vivo fosse e à frente da Folha, Otávio Frias certamente estaria comandando uma campanha pela regulação econômica da mídia. Já o filho comanda uma campanha contra… blogs. Os Mesquita estariam na mesma trincheira, como estiveram por ocasião do acordo da Globo com a Time-Life.
    ***
    A Globo conseguiu montar um clima de guerra, de luta contra o tal bolivarianismo, em que ela foi a grande vitoriosa. Invoca-se o fantasma de Hugo Chaves para interditar o debate sobre a regulação econômica da mídia.
    Meses atrás, um dos interlocutores dos irmãos Marinho relatava sua preocupação com o enfraquecimento acelerado de seus parceiros. Abril, Estadão e Folha não apenas davam respaldo político à vocação monopolista da Globo, como eram os álibis para quem apontava concentração excessiva de mercado.
    A trama conspiratória do bolivarianismo conseguiu iludir o eleitor, o leitor, o telespectador. E, no caso dos demais grupos, também o editor.

  • Atentado em Paris: um outro olhar

    JE NE SUIS CHARLIE
     Por Lelê Teles
    Charlie Hebdo? Um provocador obcecado contra o islã, um jornal decadente que perdia leitores a cada ano.
    O que ele pretendia com isso?
    Hebdo sabia quem e o quê queria provocar com sua obstinada insistência.
    Stéphane Charbonier, o Charb, o diretor do Habdo, era judeu.
    Isso parece não ter importância; claro, a ênfase é para o islã.
    Como bem disse o Therry Meyssan, “o Charlie Hebdo s’était spécialisé dans des provocations anti-musulmanes et la plupart des musulmans de France en ont été directement ou indirectement victimes”.
    O fundamentalismo islâmico, é sempre bom lembrar, é um produto do imperialismo ocidental.
    Os Estados Unidos alimentaram sujeitos lunáticos, inescrupulosos e sedentos por poder para combater o grande satã, o comunismo.
    Bin Laden nasceu daí, e disso todo mundo sabe.
    Enquanto cresciam as milícias sanguinárias, protegidas por uma falsa camada religiosa, espancando estudantes, fuzilando professores laicos, colocando as mulheres “na linha”, o ocidente aplaudia.
    É lá, é com eles, é o efeito colateral. Melhor que termos os comunistas sentados sobre as maiores reservas de petróleo e gás do mundo.
    É bom frisar que os fundamentalistas, recuso-me a chamá-los de islâmicos, não fabricam armas e que as nações “santinhas” estão a encher as burras com todo esse terror.
    Lembram das terríveis imagens de Gaddaffi, assassinado brutalmente por sicários ensandecidos? Limparam a área pra turma da toca ninja.
    Hebdo, desculpem-me a franqueza, mas era um inocente útil.
    Seu jornal, que tinha os maiores chargistas do mundo, não tinha leitor, porque sua leitura obstinada, fundamentalista, estava cansativa.
    Ir contra o profeta Maomé era pedir briga, não com os muçulmanos, mas com os fanáticos.
    Dizer que o crime em França atentava contra a liberdade de expressão é de um lugar comum risível.
    O fundamento dos fundamentalistas é cercear a liberdade de expressão. E eles são contra a liberdade de expressão de todos aqueles que não pensam como eles, sobretudo muçulmanos.
    Descobriram isso agora quando morreram não-muçulmanos?
    Vi até o Laerte, o Laerte minha gente fina, falar agora em atentado contra a liberdade de expressão, como se essa liberdade fosse exclusiva de jornalistas.
    Ô, Laerte, se tu for lá no Afeganistão, tu corre um sério risco de virar churrasco, e não é por causa de tuas charges, hein!
    Ao gritarem Allah Akbar! (Alá foi vingado), satisfizeram um desejo oculto de Charlie, que até vaticinara o atentado.
    Agora as trapalhadas, obsessivas, do jornal satírico farão com que a Europa se volte contra os muçulmanos, coitados, gente que professa sua fé em paz e em harmonia.
    Os franceses já estão nas ruas a falarem em Libertè, a mesma França que impediu as garotas muçulmanas de usar véu nas escolas, a mesma França que insiste em intervenções colonialistas na Françáfrica (Mali, Costa do Marfim e República Centroafricana).
    Para os muçulmanos, as charges Charlie Hebdo são apenas ofensas reprováveis e desrespeito, como o foi Je Vous Salue Marie para os cristãos.
    Mas Hebdo sabia que provocava a ira dos sicários e parecia gostar disso.
    Para os islamofóbicos aquilo era um prato cheio, mais cedo ou mais tarde, embora os muçulmanos convivessem com Hebdo, os fanáticos iriam agir, e o mundo faria crer que agiam em defesa de todos os muçulmanos. O que é uma fraude.
    Doze franceses mortos? Sério que é isso que comove o mundo agora?
    Os extremistas matam pessoas a todo momento, matam sobretudo muçulmanos.
    Essa histeria comovida me lembra o 11 de setembro.
    Não vi essa tristeza toda quando eles entraram no Mali abrindo fogo.
    Quem foi que puxou o gatilho mesmo? (do 247)
     

  • Jornal francês fez apelo aos leitores para se manter

    Roberta Namour, correspondente do 247 em Paris:
    – Mergulhado em uma crise financeira, o semanário Charlie Hebdo fez um apelo aos franceses com uma “vaquinha online” para salvar a publicação em novembro do ano passado.
    Símbolo extremo da liberdade de expressão no país, o jornal não tinha leitores o suficiente para manter sua circulação.
    Depois do covarde ataque terrorista ontem, que deixou 12 mortos e mais uma dezena de feridos, mais de 100 mil franceses foram às ruas em protesto.
    Todos levantaram a bandeira do “Je suis Charlie”, em nome da democracia.
    Mas não demorou até que as redes sociais estampassem o que grande parte da sociedade francesa pensava de Charlie Hebdo.
    Para o francês ‘de base’, suas charges muitas vezes ultrapassavam o limite do aceitável e eram até consideradas uma agressão, uma forma de racismo.
    A forma de censura dentro de casa era traduzida pelo baixo número de vendas. Nada, porém, justifica o fim trágico ocorrido na tarde de ontem, em Paris.
    A polícia francesa iniciou esta quinta-feira (8), procurando dois suspeitos, dois irmãos, que teriam cometido o atentado contra o “Charlie Hebdo”.
    Eles foram identificados como Said Kouachi, 34, Cherif Kouachi, 32.
    Um terceiro suspeito, Hamyd Mourad, de 18 anos se entregou após ver seu nome circular nas redes sociais e afirma que é inocente.
    Amigos dizem que, na hora do atentado, ele estava em aula.
    Entre as vítimas –-mortas a tiros– estão o diretor da publicação, Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, e outros três cartunistas, entre eles o mitológico Wolinski, de 80 anos.
    Foram mortos oito funcionários do jornal, um colaborador da publicação, um funcionário do prédio em que funciona o veículo e dois policiais. Além dos mortos, 11 ficaram feridos, quatro em estado grave.
    Nesta quinta-feira houve um novo tiroteio, que terminou com uma policial morta e outra vítima em estado grave, mas não se sabe se há relação entre os casos.
    Esse foi o pior ataque à mídia desde 2009, segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas. E o atentado mais mortífero na França desde 1961.
    O jornal já havia sofrido outros ataques por publicar caricaturas de líderes muçulmanos e do profeta Maomé. Em 2011, a redação, que fica perto do monumento da Bastilha, foi alvo de um incêndio criminoso após ter publicado uma série de caricaturas sobre Maomé.
    “Nós vingamos o profeta Maomé, nós matamos Charlie Hebdo”, disseram terroristas após a invasão. Segundo testemunhas, os criminosos se identificaram como membros do braço da rede terrorista Al Qaeda no Iêmen.
    Após o ataque, mais de 100 mil franceses foram às ruas em várias cidades do país em homenagem às vítimas. A hashtag #JeSuisCharlie (#EuSouCharlie) se espalhou rapidamente pelas redes sociais.
    10h41

  • Abril desocupa metade do prédio

    A Editora Abril desocupou metade do prédio onde está sua sede, na Marginal Pinheiros, em São Paulo. Alugado do Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, o prédio tinha o busto do fundador na entrada. Desde esta 2a-feira, como a Abril vai dividir o prédio com outros inquilinos, o busto não  está mais na recepção. A notícia é do Brasil247:
    Quem chegou para trabalhar na Editora Abril, nesta segunda-feira, teve uma surpresa. O busto do fundador do império, Victor Civita, não está mais na recepção do prédio, na Marginal Pinheiros.
    O motivo: em crise financeira, a Abril devolveu metade do espaço para a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que é dona do empreendimento.
    A Previ, agora, irá alugar o espaço para outros clientes corporativos e decidiu retirar o busto porque, aos poucos, a Abril se torna minoritária no local.
    A crise financeira da Abril tem raízes tecnológicas (a migração do leitor para plataformas digitais) e econômicas (a disseminação de conteúdos gratuitos de qualidade), mas também editoriais.
    Ao se engajar politicamente de forma inédita, tendo rodado milhares de exemplares da famosa capa de Veja ‘Eles sabiam de tudo’ para que a mesma fosse distribuída como um panfleto político, às vésperas de uma eleição presidencial, a Abril perdeu credibilidade e leitores – e ainda se viu forçada a publicar um direito de resposta no dia do voto.
    Recentemente, a Abril anunciou o fechamento de revistas como a Info, que migrou para a plataforma digital. Cerca de 10 publicações foram transferidas para a Editora Caras. E os carros-chefe da editora, Veja e Exame, também vêm sofrendo cortes nas áreas editorial e comercial.

  • 2015: O risco global estará na Ucrânia

    J. CARLOS DE ASSIS |

    Os Estados Unidos do Prêmio Nobel da Paz, Barak Obama, empreendem uma guerra virtual contra a Rússia e preparam obstinadamente uma guerra real para ser travada em território ucraniano.
    Não importa a inviabilidade dessa aventura militar, do ponto de vista estratégico.
    O objetivo não é controlar o território ucraniano e “salvá-lo para a democracia”, mas esgotar em combate o poderio russo mediante seu estrangulamento econômico e militar numa guerra convencional em terceiro país.
    É que nem os lunáticos neoconservadores instalados no Pentágono, no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança Nacional proporiam um ataque direto à nação russa, dada sua condição de potência nuclear de primeira linha.
    A estratégia central norte-americana é afirmar sua hegemonia mundial a partir da força.
    É-lhe intolerável a realidade de um mundo apolar ou multipolar em face da presença de um competidor nuclear como a Rússia e de uma potência econômica ascendente como a China, também ameaçadora, a médio prazo,  no campo militar.
    Para os neoconservadores, a hora de agir é agora, antes que essas forças rivais criem raízes mais profundas.
    O pretexto ucraniano vem a calhar. Depois de derrubar um governo legítimo e colocar em seu lugar um bando de facínoras, o próximo passo é a incorporação da Ucrânia à OTAN, em aberto desafio à Rússia.
    Só com muito sangue frio Putin poderá contornar mais essa provocação no quintal da Rússia.
    É muito fácil começar uma guerra de grandes proporções na terra dos outros,  sobretudo quando se tem a ilusão de um poder assimétrico em relação ao adversário e mesmo quando não se tem certeza quanto aos efeitos.
    É que, uma vez instalado o caos que se segue a uma guerra, não basta ter imensa superioridade militar para controlar suas consequências.
    Os Estados Unidos são peritos em começar guerras inacabadas: foi assim na Coreia, no Vietnã, no Iraque, no Afeganistão; mais recentemente insuflaram revoluções no norte da África, que resultaram em dramática carnificina e permanente instabilidade na Líbia e no Egito.
    Entretanto, quando se trata de conseguir a paz, os Estados Unidos lavam as mãos. Os outros  que cuidem do estrago que provocam, como no Haiti e no Iraque.
    É muito fácil entender a estratégia dos chamados neoconservadores americanos que acabaram de colocar agora um representante na principal cadeira no Departamento de Defesa.
    Querem repetir o processo que levou à exaustão a antiga União Soviética.
    Dado que Estados Unidos e Rússia estão em virtual paridade nuclear, a solução é levar a Rússia à capitulação através de uma guerra convencional, não em território russo, que arriscaria uma guerra nuclear, mas no território de um terceiro país. Nada melhor, pois, que a Ucrânia.
    O objetivo dos neoconservadores é tentar repetir uma estratégia que, embora tendo dado certo na liquidação da União Soviética, não liquidou o Estado russo que estava em seu coração.
    O Estado socialista desmoronou, mas a nação russa, mesmo ferida, continuou de pé. Putin tratou de recuperá-la por inteiro colocando-a na condição de um estorvo nuclear que limita a vontade de poder ilimitada de Washington.
    A intenção norte-americana de atacar o governo sírio esbarrou efetivamente no veto russo e chinês.
    Isso, claramente, expôs a impossibilidade prática do exercício de um poder hegemônico na era nuclear partilhada. Transformado num boneco operado pelos neoconservadores, Obama resolveu “estrangular” a Rússia com embargos econômicos.
    PERIGO PRESENTE
    Recordemos os passos que levaram à extinção da União Soviética a fim de examinarmos os paralelos atuais.
    Em meados dos anos 70, foi refundada em Washington por influência do então diretor da CIA, George Bush pai, a ONG denominada “Comitee on the present danger”, ou Comitê para o Perigo Presente (CPD).
    Tinha como principal objetivo estatutário “levar a União Soviética à rendição, se necessário por meios militares”.
    Do Comitê faziam parte 60 personalidades notáveis do círculo conservador norte-americano, sendo que o futuro Presidente Ronald Reagan filiou-se à ela pouco antes de eleger-se em 1979.
    Como Presidente, levou a posições de alto destaque no Departamento de Defesa, no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança Nacional 33 integrantes do Comitê.
    Em 1985, quando estive na Alemanha para cobrir a reunião dos Sete Grandes, andava por lá o chefe do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Richard Perle, membro do CPD, fazendo conferências sobre o conceito subjacente ao programa de escudo nuclear, então conhecido como Guerra nas Estrelas, que se baseava no princípio de “guerra nuclear protegida”.
    Perguntei aos alemães o que achavam daquilo, pois a guerra nuclear “protegida” no contexto de Guerra nas Estrelas implicava a proteção nuclear do território norte-americano, mas não do europeu.
    Os alemães com quem conversei estavam perplexos. Imagino que estejam perplexos de novo com a marcha forçada pela guerra em território da Ucrânia, que os expõe diretamente às forças militares russas convencionais em seu próprio território.
    É importante assinalar que não se tratava apenas de retórica. Diretivas presidenciais de Reagan, na virada do primeiro para o segundo mandato, introduziram mudanças cruciais nos programas de computador que põem em posição de ataque os três sistemas estratégicos baseados em terra, mar e ar das forças nucleares norte-americanas.
    Através de vazamentos de imprensa, soube-se de mudanças fundamentais  no SIOP (Single Integrated Operational Program, ou Programa Operacional Integrado Único), a parafernália eletrônica capaz de desencadear uma guerra nuclear contra a então União Soviética a partir do teatro europeu.
    A principal alteração no SIOP, de acordo com os fragmentos de diretivas presidenciais secretas, recolhidos e reconstituídos por um cientista canadense, F. Knelman (em “America, God and the Bomb”), consistiu em recuar para oito minutos, pelo princípio do prêmio por resposta rápida, o início de um ataque nuclear total à União Soviética a partir do primeiro alarme.
    Não se tratava de uma questão acadêmica.
    Como um hipotético míssil soviético em cruzeiro levaria 36 minutos para mergulhar em território nacional norte-americano (trata-se de míssil disparado de terra: não se menciona a frota indetectável de submarinos nucleares, por expediente elusivo de convencimento), o programa Guerra nas Estrelas só se justifica se houver uma capacidade efetiva de interceptá-lo no meio da trajetória, isto é, no mínimo 18 minutos depois do disparo.
    O mesmo tempo é o que levaria um míssil americano disparado de terra para alcançar o míssil hostil na estratosfera. Entretanto, seria necessário um sistema de detecção instantânea do início do ataque.
    Para qualquer efeito prático, não há possibilidade de alcançar o míssil antes que cruze o ponto médio da trajetória, a não ser de uma base em órbita.
    O programa Guerra nas Estrelas pretendia pôr bases em órbita, mas até lá seria necessário contar com a boa vontade dos estrategistas soviéticos para não atacarem primeiro.
    Por isso reduziram o tempo de resposta do SIOP a oito minutos, pelo que ficou limitado a um nível de redundância o processo de checagem para confirmar se um disparo captado na tela de controle eletrônico era um disparo real.
    Com isso ficamos todos expostos à possibilidade de uma guerra nuclear casual na medida em que o SIOP reagiria automaticamente a uma checagem errada sem tempo de consulta para resposta ao falso ataque do Presidente da República.
     SEM MEDO DE RETALIAÇÃO
    O primeiro passo para implementar Guerra nas Estrelas era ignorar o tratado SALT II, que vedava a construção de sistemas antibalísticos por parte de EUA e União Soviética.
    A lógica do SALT II, jamais aprovado pelo Senado norte-americano mas até então respeitado pelo Executivo, era simples: a dissuasão nuclear só se efetiva na base da autodestruição assegurada por quem iniciar uma guerra nuclear.
    Se um dos lados conseguir construir um sistema operacional que efetivamente proteja seu território de um contra-ataque nuclear, ele estará livre para desencadear um primeiro ataque sem medo de retaliação.
    Cientistas de todo mundo, inclusive americanos, questionaram as bases técnicas de Guerra nas Estrelas, mas Reagan, a fim de esgotar a União Soviética numa corrida tecnológica para construir seu próprio escudo, levou Gorbachev a uma posição insustentável por falta de condições econômicas e técnicas para isso.
    Foi a combinação de pressão tecnológica, econômica e política norte-americana que levou a União Soviética à autodestruição.
    É este mesmo caminho que está sendo seguido agora para levar a Rússia à exaustão econômica e à rendição política. Não se trata de teoria conspiratória.
    Os norte-americanos, conscientes de sua superioridade militar e econômica, nunca escondem suas reais intenções.
    Seus movimentos são explícitos e claramente apresentados em documentos estratégicos públicos.
    Assim, eis como a intenção de eliminar qualquer possibilidade de “um novo rival” era colocada em 1992, imediatamente depois da derrota da União Soviética, pelo neoconservador Paul Wolfowitz, do CPD, então Subsecretário da Defesa, no Manual de Planejamento de Defesa:
    “Nosso primeiro objetivo é prevenir a re-emergência de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética seja em outro lugar, que coloque uma ameaça do tipo que foi colocado pela antiga União Soviética. Isso é uma consideração dominante sublinhando a nova estratégia de defesa regional e requer que previnamos qualquer  tentativa de um poder hostil de dominar uma região cujos recursos poderiam, sob controle consolidado, ser suficiente para gerar poder global.”
    Essa linha estratégica está sendo trilhada religiosamente no sentido de evitar que a Rússia seja um embaraço para a hegemonia militar absoluta norte-americana, contornando a realidade elidida da virtual paridade nuclear.
    O SALT II foi revogado,  unilateralmente, pelos EUA. Eles se recusam, por outro lado, a fazer um tratado de desmilitarização do espaço.  Assim, é necessário recuar à geopolítica anterior à Guerra Fria para entender os movimentos americanos.
    De fato, há uma década e meia a possibilidade real de uma guerra na Ucrânia está sendo preparada metodicamente pela OTAN, que agora mesmo acaba de decidir aumentar o comprometimento de orçamento militar de seus membros (2% do PIB) por pressão americana.
    Desde 1999 que a Organização avança para o Leste. Naquele ano, incluiu a República Checa, a Hungria e a Polônia.
    Uma segunda expansão se deu em 2004, incluindo Bulgária, Estônia, Latvia, Lituânia, România, Eslováquia e Eslovênia.  Com isso, quase metade dos países atualmente membros da OTAN foram incorporados, rumo ao Leste, depois do fim da URSS.
    HOSTILIDADE NO QUINTAL
    Paralelamente expandia-se para Leste a União Europeia, cujo último movimento seria a tentativa de tomada de posse da Ucrânia.
    E só não houve a efetiva incorporação da Ucrânia e da Geórgia, formalmente sinalizada na cúpula de Bucareste em 2008, porque dessa vez Putin reagiu pela força, pois se tratava, a seu ver, de colocar uma fortaleza militar hostil no quintal de seu país.
    O cerco militar à Rússia segue uma tríplice estratégia: alargamento da OTAN, expansão da União Europeia e promoção da “democracia”, obviamente desconsiderando o risco de uma guerra aberta.
    Diante do baile estratégico que foi a absorção da Crimeia pela Rússia, com apoio esmagador da população da península, os Estados Unidos se movem na direção da guerra através inicialmente de sanções econômicas, a partir de uma posição forte, recém-conquistada, no campo da energia.
    Contudo, não nos iludamos. Uma guerra convencional seria de alto interesse norte-americano, desde que ela pudesse esgotar a capacidade militar e econômica russa sem o risco de escalar para uma guerra nuclear.
    É com essa possibilidade que os neoconservadores contam para iniciar a guerra.
    Sabemos, por outro lado, pela experiência histórica, que os Estados Unidos não se preocupam muito em como acabar com guerras. Para eles trata-se de um jogo estratégico para assegurar a afirmação da hegemonia mundial.
    Por isso, no momento, a única força capaz de parar a máquina de guerra americana é o povo dos Estados Unidos, tocado pela consciência de solidariedade com os bilhões de inocentes do mundo, e eles próprios, que sofreriam as consequência de uma guerra proto-nuclear.
    É necessário que os inocentes rompam com a passividade, falem e votem. De fato, os Estados Unidos podem esgotar as forças econômicas e militares dos russos numa guerra em território de terceiro.
    Mas o que acontece com uma potência derrotada, humilhada, sitiada, e não obstante de posse de um imenso arsenal nuclear?
    Aos que consideram essa análise exagerada peço que leiam “Foreign Affairs”, uma das mais prestigiosas revistas do estabelecimento norte-americano, em detalhados e esclarecedores artigos sobre a “crise” na Ucrânia, na edição de setembro último.
    Um deles diz claramente: “a crise na Ucrânia é nossa culpa”, referindo-se aos Estados Unidos. No corpo da matéria vem a narrativa da marcha da OTAN para Leste, em confronto direto com entendimentos anteriores com os russos e sob constantes protestos destes.
    Ali também se encontra o relato do caos planejado pelo Departamento de Estado e ONGs patrocinadas pelo Governo norte-americano para derrubar o governo legítimo pró-russo de Kiev, colocando em seu lugar um governo que tem pelo menos quatro membros proeminentes neofacistas.
    Ainda em termos de medidas provocativas contra a Rússia, destaca-se a monstruosa derrubada do avião comercial MH 17 sobre o Leste da Ucrânia, um típico atentado terrorista que os Estados Unidos pretenderam atribuir a forças pró-russas.
    Falso. O avião, de que já não se fala mais, foi derrubado por forças do governo de Kiev, conforme denunciou o presidente russo Vladmir Putin, numa reunião internacional, com base em investigações independentes, e com praticamente nula repercussão no Ocidente.
    O ânimo dos neoconservadores  norte-americanos para o confronto global com os russos, a partir da economia, ganhou força com a revolução energética representada pela exploração de gás de xisto nos Estados Unidos através de uma das mais criminosas tecnologias do ponto de vista ambiental, o fracting.
    O sucesso comercial do empreendimento, com rápida expansão de produção de gás e petróleo de xisto, possibilitou atacar o principal pilar da economia russa, grande produtora e exportadora de petróleo e gás, e, simultaneamente, “tranquilizar” os europeus quanto à possibilidade de cessação de suprimento de gás russo à Europa, o qual seria substituído pelo norte-americano.
    Não se sabe se os sauditas entraram nesse jogo por razões geopolíticas, evitando reduzir a produção de petróleo para prejudicar os russos, ou por suas próprias razões de tentar inviabilizar economicamente a produção de hidrocarbonetos por fracting.
    O fato é que também grandes empresas norte-americanas, que investiram pesadamente no petróleo e gás de xisto, estão tendo pesados prejuízos com a redução do preço do petróleo, que agrada mesmo só ao consumidor.
    Por outro lado, as promessas supostamente infinitas do fracting  se revelaram surpreendentemente  limitadas nos últimos meses:  em Monterey, na Califórnia, reservas de petróleo de xisto antes avaliadas em 13,7 bilhões de      barris foram reavaliadas oficialmente para 600 milhões, ou 96% menos.
    Além disso, a opinião pública norte-americana começa a ser mover contra o fracting: segundo uma pesquisa de opinião recente, em 2008, 48% a 38% dos norte-americanos apoiavam essa tecnologia; em novembro último, 47% a 41% se manifestaram contra.
    Isso certamente reflete a comprovação inequívoca da destruição ambiental, sobretudo de aquíferos, que essa tecnologia suja provoca no meio ambiente de forma irreversível.
    Enquanto o mercado de hidrocarbonetos não sofrer nova reviravolta, refletindo o fracasso da Califórnia, a Rússia, sem dúvida, será penalizada pela estratégia norte-americana de seu estrangulamento econômico.
    Putin, com sua frieza característica, ponderou que a Rússia é um país autossuficiente e, de qualquer modo, tem meios de retaliação – imaginando certamente um embargo na exportação de gás para a Europa.
    Uma importante ficha para a Rússia é certamente a China, que já lhe garantiu um contrato de fornecimento de gás por 20 anos no montante de 400 bilhões de dólares, e que tem se alinhado com ela em questões geopolíticas, como no caso da Síria.
    Contudo, estamos claramente diante de uma escalada.
    O novo passo estimulado pelos EUA foi a recente decisão do Parlamento da Ucrânia de renegar sua neutralidade.
    Note-se que o próprio Kissinger, num artigo recente, assinalou que a solução definitiva para a crise ucraniana, de uma forma aceitável pela Rússia, seria transformar a Ucrânia num país neutro entre a União Europeia/OTAN e a Rússia, como aconteceu com a Finlândia na Guerra Fria.
    Contudo, Kissinger é um velho conservador lúcido, não um neoconservador alucinado. Os EUA, sob controle destes, indicam que não aceitarão perder mais essa oportunidade de guerra. Tudo indica que forçarão a Rússia a aceitá-la.
    Com a integração da Ucrânia na OTAN, numa iniciativa indiferente aos milhões de russos e russófilos no Leste do país, a aliança militar ocidental estaria nas costas da Rússia, o que significa ameaça direta a seu território.
    O mínimo que a Rússia buscaria seria retalhar a Ucrânia com apoio local, o que de uma certa forma foi ensaiado na Crimeia. Seria então uma guerra global em território ucraniano?
    E nós, que temos a ver com tudo isso?
    Os inocentes entre nós acham que os neoconservadores norte-americanos veem com muita naturalidade nossa aproximação, via BRICS, com sua arqui-inimiga Rússia.
    Acreditam que a gravação das conversas da Presidenta foi mero divertimento. Acham que as tentativas de desestabilização do legítimo Governo brasileiro atual, assim como o reeleito, são fenômenos exclusivamente internos, ou resultantes dos impulsos éticos de alguns tribunais.
    Pelo fato de termos passado à margem de guerras, e estarmos no centro de um continente  peculiarmente pacífico, nos acostumamos a não pensar geopoliticamente – mesmo porque, na era nuclear, a geopolítica devia estar definitivamente fora de moda.
    Contudo, querendo ou não, estamos no jogo. Se o preço do petróleo cair abaixo de 40 dólares o barril, a exploração do pré-sal estará inviabilizada. Se os Estados Unidos fizeram a guerra contra a Rússia em território ucraniano, teremos de fazer difíceis escolhas.
    Carlos de Assis – Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB (transcrito do 247)

  • A tesoura da RBS vai em frente

    Luiz Cláudio Cunha | Especial para o Jornal JÁ
    A RBS — o maior grupo de mídia do sul do país, a 27ª empresa gaúcha no ranking dos Top 100, com oito jornais, oito emissoras de rádio e 18 de televisão espalhados pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina — suspendeu a rodada de demissões programada para o início de dezembro.
    Até quem acredita em Papai Noel deve saber que o adiamento não é mero produto do espírito natalino que caracteriza a época. A lista de execuções que a RBS definiu a partir do duro plano de ‘reestruturação’ do consultor Cláudio Galeazzi, conhecido no mercado como Galeazzi Mãos de Tesoura, previa a execução em dezembro de aproximadamente 200 postos de trabalho, na versão mais otimista da lista cifrada que circula pelo sexto andar do edifício-sede da RBS, em Porto Alegre (a versão mais pessimista degolava até 600 empregos em uma só tesourada). Mas, não foi apenas o tradicional saco de bondades do Bom Velhinho que travou, agora, a lista inoportuna do malvado Galeazzi.
    O vazamento do corte iminente, revelado aqui no site do JÁ ( LEIA ‘Nova tesourada na RBS já tem data”) duas semanas antes do previsto, em uma sexta-feira, 21 de novembro, fez a RBS sustar a sangria planejada para a primeira sexta-feira de dezembro, dia 5.
    Outras avaliações, além da inconfidência do JÁ, sustaram no ar a lâmina afiada da RBS. Além da repercussão negativa da degola iminente vazada na internet, a RBS se assustou com a reação inevitável na área legal.
    Na quinta-feira 4, véspera da demissão em massa, o Sindicato dos Jornalistas protocolou em Porto Alegre denúncia contra a RBS na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, vinculada ao Ministério do Trabalho.
    O presidente do sindicato, Milton Simas, explicou no ofício a razão da denúncia: “As situações de demissões imotivadas e terceirização do trabalho de jornalistas, que são coagidos a pedir desligamento da sua função e passam a prestar serviço como Pessoa Jurídica, prejudicando as relações trabalhistas”.
    Simas esclareceu no site do sindicato: “O grupo tem promovido uma série de demissões em seus quadros desde o início do ano. Alguns colegas foram convencidos a se tornarem Pessoa Jurídica (PJ), mas seguem cumprindo jornada como se ainda fossem empregados. O sindicato não é contrário ao trabalho como pessoa jurídica, mas é contra o artifício utilizado pelas empresas para burlar os direitos trabalhistas e precarizar o trabalho do jornalista”.

    O selfie de Zero Hora: sorrisos, alguns amarelos, e o ar preocupado de todos com a campanha ‘Vá em Frente’
    O selfie de Zero Hora: sorrisos, alguns amarelos, e o ar preocupado de todos com a campanha ‘Vá em Frente’

     ‘Fraudes trabalhistas’
    Desde agosto passado, quando uma tesourada em massa decapitou 130 funcionários na RBS, o sindicato se movimenta junto ao braço legal que mais inquieta a família Sirotsky: o ativo Ministério Público do Trabalho.
    Os advogados da empresa sabem que tiro fatal virá da Área Temática 3 da legislação que trata, sem rodeios, de ‘Fraudes Trabalhistas’. A lei cita ali, no grupo temático 3.1, as ‘fraudes para descaracterizar a relação de emprego’.
    No subtema 3.1.6, sob o título ‘Desvirtuamento de Pessoa Jurídica’, a legislação praticamente repete as palavras do presidente do sindicato, ao definir em Nota Explicativa um dos problemas centrais da RBS pela ótica legal: “O desvirtuamento de Pessoa Jurídica é a conduta baseada na exigência de que os trabalhadores constituam uma pessoa jurídica (empresa) como condição para serem contratados”.
    O presidente-executivo da RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, 42 anos, mais conhecido como Duda, decidiu estancar o clima de pânico que ameaçava corroer a empresa, desta vez escolado pela desastrada ação de agosto passado, quando falou aos funcionários em videoconferência que misturava as estações e confundia mais do que explicava. Agora, para acalmar seu público interno, Duda voltou ao ar na terça-feira, 2 de dezembro, apenas três dias antes do temido massacre de sexta 5.
    Durante quase uma hora, um Duda mais austero, menos brincalhão, mais formal, falou em uma videoconferência que teve um elevado Ibope nos monitores espalhados pelas 53 unidades que compõem a RBS — nas 34 da mídia tradicional, englobando jornais, rádios e TVs, nas 10 do braço digital plugado na e.Bricks e nas 9 do setor definido como ‘Outros Negócios’, onde se vende de tudo, desde classificados de empregos, carros e imóveis até a entrega de mercadorias, passando por gráfica de impressos e folhetos, cursos de educação executiva e promoção de eventos.
    Duda começou pelo essencial, para pacificar os espíritos assombrados pela notícia do JÁ: “Não haverá demissão coletiva. A RBS fará contratações e alguns ajustes pontuais”. E, pela primeira vez, falou no nome do demônio: “Tivemos um ano muito difícil e, por isso, chamamos o consultor Cláudio Galeazzi”.
    Procurou justificar as dificuldades do grupo pela crise do setor: “Tivemos o mau desempenho que tiveram todas as empresas de comunicação. Fomos bem na Copa do Mundo e nas eleições de 2014, mas não tão bem no caixa”. E, com o cuidado de não falar em vinho ou cerveja, tentou vender otimismo: “Precisamos nos adequar. Estamos muito animados”.
    A superação de 1%
    Quem não está muito animado são os funcionários da RBS. As boas ideias de estímulo e recompensa profissional criadas pela empresa, e que funcionavam nos bons tempos, não são nada estimulantes em tempos difíceis, como os confessados por Duda.
    O esperado PPR, Plano de Participação nos Resultados, chegava a agregar até três salários no final do ano — um pelo Grupo, outro pela Unidade e um terceiro pela Equipe.
    Existem versões conflitantes sobre o que vai acontecer com o plano de participação. Os cálculos financeiros mais otimistas, segundo alguns, previam um único PPR, este referente ao Grupo, e ainda assim sem completar um salário fechado.
    O índice estimado era de 43% de um salário apenas, para ser fechado em dezembro e pago em janeiro de 2015. Outros informam que os três salários de PPR usualmente pagos por Zero Hora e Diário Gaúcho vão cair pela metade, cerca de 1,5 salário. Dizem uns que o pagamento será em fevereiro, outros garantem que mudou para março. Na crise, nada é certo.
    A RBS adotou, a partir de abril de 2012, um processo de avaliação individual de desempenho, o SuperAção 2.0, que segundo a empresa busca “um método claro e justo de avaliação para consolidar a cultura de alto desempenho e meritocracia”. No seu primeiro ano, 50,7% dos funcionários do grupo foram avaliados trimestralmente pelo método.
    As notas de superação vão de zero a cinco, mas os resultados atuais não deixam os funcionários entusiasmados. Em uma empresa onde mais da metade dos 6,5 mil empregados ganha menos de três salários mínimos, hoje valendo R$ 2.172, uma boa nota do SuperAção 2.0 pode representar um aumento de 1,1% no rendimento mensal — uma magra bolada de R$ 23,89.
    Em 12 de dezembro passado, uma sexta-feira, Duda Sirotsky produziu um artigo para a Folha de S.Paulo, intitulado “O futuro a nós pertence” e encharcado de otimismo:
    “Na era do ‘eu, mídia’, não há mais zona de conforto para a mídia”, escreveu o comandante da RBS, compartilhando a inquietude global onde jornal, revista, rádio e TV vivem, segundo ele, “transformações radicais, abruptas, disruptivas, desafiadoras”.
    Revelação de Duda Sirotsky:
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    “Na RBS, também estamos inquietos e explorando as novas oportunidades. Depois de investigação global, que levou um ano para ser concluída e na qual foram entrevistadas mais de 150 personalidades, como Shane Smith, do site Vice News, Vint Cerf, um dos ‘pais’ da internet, e Ethan Zuckerman, do Centro de Mídia do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA), construímos premissas para nos guiar rumo à comunicação total.
    Elas são baseadas em princípios e demandas do nosso tempo, como autenticidade, credibilidade, transparência, legitimidade, curadoria, relevância, interação, abertura, disponibilidade, compromisso, propósito, intuição e conveniência”.
    Contrariando o sentido da fala infeliz de agosto passado, quando manteve um eloquente silêncio em relação a termos como ‘jornalismo’ e ‘jornalistas’, Duda agora caprichou na forma e na ênfase de sua conversão no artigo para a Folha: “Na nossa visão, não há futuro sem jornalismo e não há jornalismo sem jornalistas, fundamentais na era da informação”.
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    O amarelão da RBS
    Os números do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul mostram que, no futuro imediato da RBS, o jornalismo da casa tem menos jornalistas, apesar de “fundamentais na era da informação”.
    A impressão dominante de que a RBS trocou as demissões em massa por demissões a conta-gotas é confirmada pelo quadro consolidado das rescisões de contrato firmadas, por obrigação legal, junto à representação sindical da categoria.
    Uma planilha Excel cedida pelo Sindicato ao JÁ mostra que, entre janeiro e novembro de 2014, foram consumadas 233 rescisões de jornalistas em Porto Alegre — 91 delas executadas apenas no âmbito da RBS.
    Apesar da crença de Duda Sirotsky de que não há futuro sem jornalismo e não há jornalismo sem jornalistas, o grupo que ele dirige é responsável por 39% das demissões, quatro em cada 10 profissionais no Rio Grande do Sul só em 2014.
    A tesourada mais forte atingiu a Zero Hora, onde 53 pessoas perderam o emprego, quase 60% das 91 demissões do grupo. A segunda maior vítima foi a área de TV, onde 34 funcionários (mais de 37%) foram decapitados. A primeira execução do ano na RBS veio de lá, da TV Gaúcha POA, em 2 de janeiro, quando Hector Guevara Werlang saiu, tendo como causa de afastamento um ‘pedido de demissão’. Ainda segundo a tabela já defasada do sindicato, a última execução data de 14 de novembro e atingiu o festejado diretor de arte da Zero Hora, Luiz Adolfo Lino de Souza, identificado como ‘despedido sem justa causa’.
    A grande maioria dos nomes afastados não tem justa causa, mas mesmo os pedidos de demissão, segundo o Sindicato, não indicam uma opção voluntária, mas uma imposição negociada para transformar antigos funcionários, de salários mais altos, em pessoas jurídicas, os PJs — que sugere “o artifício utilizado para burlar os direitos trabalhistas e precarizar o trabalho do jornalista”, conforme a denúncia feita ao Ministério Público do Trabalho.
    A hegemonia da RBS no quadro de demissões de jornalistas no Rio Grande do Sul pode ser percebida visualmente pela marcação, em amarelo, dos nomes tesourados na empresa em 2014, segundo a planilha do sindicato fornecida ao JÁ.
    Os nomes sem cor representam empresas menores e casos mais isolados, como Caldas Júnior, rádio e TV Guaíba, Grupo Pampa, Jornal do Comércio, Grupo Sinos, Fundação Cultural Piratini (TVE), sindicatos ou pequenas empresas de mídia empresarial. O amarelão da RBS se vê abaixo:
    O amarelão da tesoura em 2014 e o futuro sem jornalistas: 4 em cada 10 demitidos no Rio Grande eram da RBS | Fonte/ Sindicato dos Jornalistas RGS
    O amarelão da tesoura em 2014 e o futuro sem jornalistas: 4 em cada 10 demitidos no Rio Grande eram da RBS | Fonte/ Sindicato dos Jornalistas RGS

    À beira de um ataque
    Os problemas que azucrinam a vida da RBS no Rio Grande do Sul cruzaram o rio Pelotas e contaminam também a RBS de Santa Catarina, onde a empresa possui 15 empresas de mídia tradicional. São cinco jornais (Diário Catarinense, Hora de Santa Catarina, A Notícia, Jornal de Santa Catarina e O Sol Diário), oito rádios (CBN, Itapema FM em Florianópolis e Joinville, Atlântida FM em Criciúma, Chapecó, Blumenau, Joinville e Florianópolis) e duas TVs (RBS e TVCOM).
    Só em Florianópolis, entre a tesourada de agosto e o final de novembro, o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina contabiliza 18 demissões na RBS. No período, outras nove demissões ocorreram no interior, entre Joinville, Blumenau e Lages. No início de dezembro, o time inteiro da sucursal de Lages do Diário Catarinense ganhou cartão vermelho: 11 funcionários, incluindo a faxineira, o motorista, a telefonista e quatro jornalistas. Um diretor sindical lembrou ao JÁ: “Ontem [quarta-feira, 3 de dezembro], homologamos a demissão traumática de uma funcionária da RBS com oito anos e meio de casa. Ela chegou ao sindicato à beira de um ataque de nervos. O marido, também funcionário da RBS, fora demitido semanas antes. A família está desamparada…”
    O departamento jurídico do sindicato catarinense, como faz sua contraparte gaúcha, está entrando com reclamatórias trabalhistas na Delegacia Regional do Trabalho e junto ao Ministério do Trabalho, exigindo que a RBS pague aos demitidos a participação nos lucros proporcional aos meses em que trabalharam lá ajudando a empresa a lucrar. O relato do Sindicato de SC ao JÁ é assustador:
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    “Vários casos de homologação rescisória beiram o estelionato e estamos recomendando aos nossos sindicalizados o caminho da justiça. A RBS usa critérios diferentes para situações iguais, premiando seus escolhidos com vantagens que negam a outros. Alguns jornalistas demitidos podem ficar sem o seguro médico, enquanto outros o recebem. A empresa submete os jornalistas demitidos a negociações individuais, pagando uns de um jeito e outros de outro. Parece coisa sem importância, mas é bem pensada: divide os coleguinhas entre os que nada têm a reclamar e os que ficam falando sozinhos, carimbados como loucos, reclamões, os que pra quem nada serve.
    O truque mais velho da RBS é o de não pagar o INPC na data-base de 1º de maio, assim ganhando dinheiro simplesmente com o atraso dos pagamentos devidos. A jogada é simples: a RBS leva 10 meses para pagar, alegando que é o sindicato que complica as negociações. Dizem ser ‘extorsiva’ a cláusula em que pedimos, por exemplo, o aumento do vale-refeição de R$ 10 para R$ 12.
    Com base nisso, ficam meses sem voltar à mesa de negociação, querendo forçar o sindicato a implorar de joelhos a retomada desse estranho ‘diálogo’. Se voltamos à mesa, temos que nos sujeitar apenas à oferta de R$ 2 de aumento ‘extorsivo’. Se não voltamos, ficamos mal vistos pela categoria.
    Aí, mansamente, no final do ano, antes que a briga pelo aumento vá aos tribunais, a RBS abre o cofre e paga o devido. Nesse longo tempo de impasse, a empresa fica com o dinheiro rendendo. É possível estimar o que eles ganharam, em 2014, a partir dos 200 empregados que possuem em Santa Catarina.
    Pelo INPC e aumento real, cada funcionário teria direito a R$ 150 por mês de aumento cada um, multiplicado por 10 meses, que é o tempo básico de espera. Multiplicado pelo número de empresas e empregados que a RBS tem aqui, isso passa de R$ 1 milhão. Depois de esperarmos desde maio, a RBS anunciou em novembro que pagaria o aumento devido na folha de dezembro”.
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    Outra esperteza identificada pelo sindicato catarinense é a invenção de um cargo nas redações da RBS chamado de ‘assistente de conteúdo’.
    É uma espécie de limbo, desconhecido na lei trabalhista, que flutua entre o inferno do ‘estagiário’ e o purgatório da ‘Pessoa Jurídica’. O sindicato está ouvindo sigilosamente o depoimento de alguns deles, que carregam todas as obrigações e nenhum direito de um funcionário legalizado. São estudantes de jornalismo, ainda não formados, que adentram o paraíso da redação assumindo de forma consciente os riscos da clandestinidade legal:
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    “A gente trabalha oito horas ou mais na redação, faz todo o serviço de um repórter, apura e escreve, sem o direito de assinar a matéria. Fazemos tudo o que nos exigem, sem poder exigir nada em troca. Basta o ‘privilégio’ de estar lá dentro da redação, na condição de um subempregado, ganhando menos de R$ 1 mil. Mas, quem vai reclamar? Todo mundo espera uma chance melhor no futuro, mesmo sendo na RBS…”, contou ao JÁ um dos assustados ‘assistentes de conteúdo’ de Santa Catarina.
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    ombudsman sob vigilância
    Por incrível que pareça, existe uma maneira de frequentar de forma bem-humorada o circo de horrores da RBS. Basta acessar, como fazem reservadamente todo dia os funcionários da casa, o Blog do Prévidi, que o jornalista José Luiz Prévidi, 60 anos, sustenta há 12 anos sob um lema inspirador: “jornalismo de opinião com bom humor”. Carioca de Copacabana, trocou em 1966 a praia do Rio em definitivo pela rua da Praia de Porto Alegre, passando pelas principais redações da capital: Diário de Notícias, Correio do Povo e Zero Hora, onde atuou por três anos na editoria de Política. Sempre bem humorado e ferino (“Sou torcedor do Botafogo, no Rio, e do Internacional, aqui. Mas sem fanatismos”), Prévidi tornou-se uma espécie de ombudsman virtual da RBS, registrando com um prazer incontido as derrapadas e mazelas deste annus horribilis do grupo dos Sirotsky, recortado pela figura de Galeazzi Mãos de Tesoura.
    Que ninguém despreze o poder corrosivo de Prévidi e suas notas ácidas. No ano passado, o seu blog registrou uma média de 800 mil acessos mensais, totalizando quase 9 milhões de visitas, a partir de 38 países. Um número que deve ser creditado, em boa parte, ao alvo central de suas notas, a própria RBS, que ele mesmo ironizou em um registro de 2 de dezembro passado:
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    “Os comedores de sucrilhos orgânico com nescauzinho, os tais ‘executivos’ do Grupo RBS, tomaram uma decisão do mais alto nível!
    Brilhantes como sempre, mandaram monitorar pela TI (Tecnologia de Informação) todos os funcionários que acessam o Blog do Prévidi. Como diz a minha ‘informante’, a medida é para ficarem com medo e não acessarem. Genial! Terão que proibir que os funcionários trabalhem com celular.
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    Foi no blog do Prévidi que se soube, na quinta, 4 de dezembro, que seriam extintos todos os planos de saúde, incluindo Golden Cross e Unimed, que a RBS concedia como benefício aos seus funcionários. “Todos serão atendidos agora pelo CAF, que é um SUS melhorado.
    E os ‘colaboradores’ ainda vão colaborar com descontos em folha de uma parte do valor da consulta”, complementou Prévidi, nomeando o diretor que deu a notícia: Deli Matsuo, o vice-presidente de Gestão e Pessoas do Grupo RBS, apesar de sua formação em engenharia elétrica e tecnologia de informação.
    Na terça, 9 de dezembro, Prévidi deu outra triste notícia sobre a Zero Hora, que os leitores da Zero Hora nunca podem ler no jornal: a demissão de Bete Duarte, funcionária da RBS nos últimos 35 anos e editora há 15 anos do caderno de Gastronomia de ZH.
    O ombudsman da RBS: é preciso ler o Prévidi para saber que Zero Hora demitiu sua editora Bete Duarte | Foto/ Blog do Ucha / Reprodução
    O ombudsman da RBS: é preciso ler o Prévidi para saber que Zero Hora demitiu sua editora Bete Duarte | Fotos: Blog do Ucha / Reprodução

    ironia sem graça 
    A fase da RBS, de fato, não é boa. No início do mês, 48 horas antes do massacre previsto para o dia 5, o grupo lançou uma massiva campanha de incentivo, com filmes nas suas emissoras de TV, spots nas rádios e páginas nos jornais.
    Os filmetes, produzidos pela agência Dez Propaganda, mostram momentos decisivos na vida dos personagens, quando estão prestes a fazer escolhas importantes, como comprar um imóvel, pedir a namorada em casamento ou saltar de paraquedas.
    Tudo isso ao som de ‘Vida’, a música composta em 1985 por Ricardo Garay e Carlos Ludwig atendendo a um pedido de Maurício Sirotsky Sobrinho, o fundador do grupo, e que se tornou o hino oficial das festas de fim de ano da RBS.
    A diretora de Marketing e Comunicação do grupo, Anik Suzuki, definiu a ideia que estava por trás da campanha: “Queríamos uma mensagem de recomeço, de nova chance, algo que fizesse bem às pessoas. Que provocasse nelas entusiasmo, otimismo, senso de urgência e coragem para realizar seus projetos, planos e sonhos”.
    São belas intenções, mas mortamente comprometidas pelo título infeliz escolhido para definir a campanha: “Vá em Frente”. Com direito ao hashtag #2015VáEmFrente.
    Para uma empresa traumatizada pelo fantasma da crise, o conceito do “Vá em Frente” soa como uma cruel ironia fora de hora ou uma piada sem graça. Nada provoca mais entusiasmo, otimismo, senso de urgência e coragem para realizar projetos e sonhos do que preservar empregos e salários — valores em crise profunda para os minguantes 6.500 funcionários da RBS.
    Uma das peças da campanha mostra uma criança saltando nas águas serenas de 2015. Outra peça conclama: “Não importa qual o seu objetivo, seu sonho, seus planos: vá em frente. Faça acontecer. Você quer estimular alguém a tomar uma decisão importante? Quer dar aquele empurrãozinho que falta?”.
    Para realçar a ideia, sob a trilha sonora de ‘Vida’, aparece alguém saltando de um avião, ainda sem o paraquedas aberto. Nada define melhor, hoje, o sentimento dos aflitos empregados da RBS, que temem o ‘empurrãozinho que falta’ e o mergulho sem paraquedas no espaço vazio do desemprego, em um território inóspito como o desanimador mercado de trabalho para jornalistas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
    O empurrãozinho que falta e o salto no escuro: o lema  infeliz da campanha da RBS  que sangra com a tesoura
    O empurrãozinho que falta e o salto no escuro: o lema infeliz da campanha da RBS que sangra com a tesoura

    Vendendo jornal velho
    A crise existencial da RBS não é percebida pelo autismo do grupo, que vende de forma obsessiva sua falsa modernidade, mas pode ser entendida pela reflexão de quem avalia o cenário com precisão longe das páginas de Zero Hora. O jornalista Tiago Lobo, formado pela PUC gaúcha, é editor da revista digital Pensamento, acaba de publicar um artigo no Observatório da Imprensa — O jornal e a utopia metropolitana — sobre o jornal dos Sirotsky, onde diz:
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    “Zero Hora dá aula de como cavar a própria vala. Suja, rasa, sem lápide, para ser enterrada como indigente. E só eles, enquanto negociam vinhos, pirulitos e “negócios digitais”, não se dão conta do que perdem. Independente dos motivos, grandes nomes que faziam valer a leitura daquelas páginas mal acabadas foram seguindo seu rumo. Altair Nobre, Alexandre Bach, Chico Amorim, Carlos Wagner, Luiz Adolfo e tantos outros jornalistas competentes que foram saindo ou sofreram a degola das tesouras da RBS, para falar só dos jornais impressos do grupo.
    Agora resolveu que o jovem vai salvar o seu negócio. No entanto, sua reforma (apressada, atrapalhada e que causou confusões dentro do departamento de diagramação) é um tiro no pé feito dentro de uma sala escura, já que muda a forma de o jornal se relacionar com o seu leitor de uma hora para a outra, indo do clássico ao desarranjo contemporâneo e caótico sem avisar. […]
    Jornais de verdade levam, em média, 10 anos para implantar uma mudança gráfica e de linha editorial radical. Isso é feito de conta-gotas. O motivo? Simples: respeitar a experiência de leitura do público e ir aperfeiçoando detalhes despercebidos durante o processo. Mas Zero Hora trabalha com o conceito mais estúpido do mundo, em se tratando de papel: tudo é beta e para ontem. Tudo pode mudar, até amanhã. Se não der certo, não tem problema: era beta, mesmo. E deixam isso claro com seu slogan “papel, digital, o que vier”. Mas se esquecem de que sequer estarão de pé para encarar “o que vier” se continuarem a desconstruir o jornalismo que alegam fazer”.
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    O implacável Blog do Prévidi garimpou outra preciosidade, que demonstra o surto de ideias infelizes que atropela o bom senso na RBS. Um pequeno anúncio, que serve como calhau, anuncia aos leitores de Zero Hora que “você pode resgatar o que já foi notícia”. E avisa que jornais antigos estão à venda no arquivo de ZH, de segunda a sexta-feira, no bairro São João. É bizarro que, diante da crise global para vender jornais do dia, a RBS faça um esforço para vender jornal velho, imprestável até para embrulhar peixe. Em um mundo conectado pela urgência da mídia digital, que tudo informa em bytes e pixels medidos em segundos, é válido perguntar quem poderia se interessar por jornais velhos, antigos, de edições remotas, amareladas pelo tempo, desbotadas na memória.
    A Zero Hora, com papel ou digital:  vendendo jornal velho e ainda agasalhando novas mídias. O que vier...
    A Zero Hora, com papel ou digital: vendendo jornal velho e ainda agasalhando novas mídias. O que vier…

    Líder perde a liderança em casa
    Mais do que vender jornal velho, Zero Hora deveria se preocupar em vender jornal novo, a cada dia. Não é o que está acontecendo. O IVC (Instituto Verificador de Circulação) mostra que, entre janeiro e setembro, a ZH perdeu 6,34% de sua circulação diária, caindo de 181.772 para 170.243 exemplares. A queda só não foi maior do que a de seu concorrente, Correio do Povo, que despencou 12,67% no período, caindo de 134.998 para 117.891 exemplares diários.
    O vexame maior é que ZH perdeu o título de maior jornal do Estado para um imprevisto concorrente da própria casa, cedendo a liderança para seu primo pobre, o Diário Gaúcho, que cresceu 23,19% nos nove primeiros meses de 2014. Vendia 150.214 exemplares diários em janeiro e, em setembro, subiu para 185.055 exemplares. É o jornal popular da RBS, dedicado às classes C, D e E, com uma linha editorial vulgar que privilegia notas policiais, futebol, fofocas da TV e fotos na capa de mulheres com pouca roupa e muitas curvas. O jornal, além dos vales que publica para serem trocados por panelas, copos, talheres, assadeira de bolo, livros de culinária e outras bugigangas domésticas, tem como atração o preço baixo de capa: 75 centavos, três vezes menos do que os R$ 2,50 de Zero Hora.
    Zero Hora e Diário Gaúcho: o maior jornal do RS perde a liderança para o primo pobre
    Zero Hora e Diário Gaúcho: o maior jornal do RS perde a liderança para o primo pobre

    A vertiginosa ascensão do Diário Gaúcho, apesar da tesourada que reduziu sua redação de 20 para 12 jornalistas, lança dúvidas tenebrosas sobre a saúde dos empregos em Zero Hora. Afinal, a dura política de cortes de Galeazzi no jornal popular da empresa fez subir sua rentabilidade, com maior tiragem e menores custos, ao contrário do que acontece no jornal-líder do grupo, menos rentável, com menor circulação e custos elevados.
    As demissões em massa foram transformadas em degolas pontuais, que persistem e não cessam, embora chamem menos atenção. Com a perspectiva do tempo, como se vê no amarelão da planilha do sindicato, é possível constatar que a estratégia de cortes de Galeazzi continua firme e forte. A navalhada massiva de dezembro foi substituída pela tesourada gradual, que deve se prolongar pelo primeiro semestre de 2015, conforme confidências vazadas por executivos da RBS.
    A lista de meta de demissões na gaveta da diretoria continua oscilando entre 200 e 600 funcionários, nos termos do rígido plano de ‘reestruturação’ estabelecido pelo Mãos de Tesoura e não revogado por Duda Sirotsky.
    É bom lembrar que, em julho de 2015, vence o prazo de dois anos que Cláudio Galeazzi se impôs para trabalhar no recorte de gastos da RBS. Ele sai, em meados do ano, mas fica na empresa sua doutrina de implacável austeridade. A sensação permanente de perigo está eternizada no selfie da crise, o auto-retrato da redação de Zero Hora, onde muitos sorriem, outros tantos não, todos apreensivos com o que veio no Ano Velho e com o que virá no Novo Ano.
    Afinal, Cláudio Galeazzi sai da RBS e vai em frente. E a tesoura que fica, também.