LUIS NASSIF
Há que se ter um mínimo de responsabilidade e parar com essa brincadeira de impeachment. O que está em jogo não é o governo A ou B, mas a normalidade democrática e a necessidade de interromper esse terceiro turno para superar o momento econômico atual.
É irresponsável a exploração do senador Aécio Neves em relação à proposta do governo federal de flexibilizar as metas fiscais.
A política fiscal, no governo Dilma Rousseff, de fato, foi de uma irresponsabilidade à toda prova. Tudo o que Dilma pedia era aceito acriticamente pelo Secretário do Tesouro Arno Agustin, ainda que forçando a mão nas contas, para o pedido poder caber na ficção criada.
Tem que haver formas institucionais de impedir a repetição dessas aberrações.
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Pretender transformar essas barbeiragens em crime de responsabilidade, para levantar a tese do impeachment de Dilma – como pretende o senador Aécio Neves – é uma ação ao mesmo tempo irresponsável e hipócrita
Em 2012 o estado de Minas foi obrigado a assinar com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) um Termo de Ajustamento de Gestão por infração muito pior do que o não cumprimento da meta fiscal: o inadimplemento dos gastos mínimos em saúde e educação. As metas fiscais estão na Lei de Responsabilidade Fiscal. Os limites legais de gastos em saúde e educação estão na LRF e na Constituição Federal.
E Minas não cumpriu.
O TAG previu um escalonamento gradual para o reenquadramento de Minas nas despesas mínimas obrigatórias – por saber não ser possível cavalos de pau em política fiscal. O limite mínimo de 12% na saúde e 25% na educação só seriam alcançados em 2014.
Não pode ter ato pior do que descumprir, e reconhecer mediante confissão, percentuais constitucionais e orçamentários definidos em lei complementar. Seria hipótese de crime de responsabilidade evidente.
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Pior, houve influência política no trabalho do Tribunal de Contas do Estado. Acatou a tese do déficit – proposta pela procuradora do TCE -, mas não impôs nenhuma medida compensatória.
Como explica um especialista, quem ajusta conduta confessa a inadimplência e recebe o benefício da presunção de boa-fé mediante o ônus de compensar o dano”. Isso não ocorreu em Minas mesmo sendo expressamente exigido no art. “25 da Lei Complementar 141/2012.
Poderia ter ocorrido até a suspensão das transferências constitucionais para o Estado, mas nada foi feito. O tema mereceria uma análise do STF (Supremo Tribunal Federal), para questionar os argumentos de Aécio contra direitos sociais.
Ninguém propôs empichar o governador Antônio Anastasia nem incluir Aécio Neves em crime de improbidade administrativa.
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Para se passar o país a limpo, o primeiro passo é acabar com esse festival de hipocrisia.
Há um conjunto de práticas daninhas e há uma corrupção generalizada entranhada em todos os poros do sistema político, do PT ao PSDB. Assim como Lula, FHC conhece muitíssimo bem esse jogo, porque ambos praticaram em nome da governabilidade.
Pretender utilizar as denúncias em benefício político próprio, ao preço de desestabilizar a própria economia, é tão imoral quanto praticar a própria corrupção política.
Em vez de brincar de conspirador, faria melhor Aécio em assumir o desafio da construção de uma verdadeira oposição. Se Dilma insistir no estilo do primeiro governo, Aécio precisará esperar apenas quatro anos a mais para conquistar o poder.
COLUNA ECONÔMICA – 21/11/2014
email: luisnassif@ig.com.br
Autor: da Redação
A brincadeira do impeachment e os desvios de Aécio
Lava Jato: a imprensa abre o leque
Luciano Martins Costa / Observatório da Imprensa
Ainda que timidamente, os jornais começam a revelar o envolvimento de representantes de outros partidos, além daqueles que formam a aliança governista, no escândalo da Petrobras.
Também de maneira discreta, colunistas já se referem à possibilidade de a “Operação Lava-Jato” ser ampliada para os níveis de uma “Operação Mãos Limpas”, como a força-tarefa que restringiu as ações da máfia na Itália nos anos 1980 e 1990.
Embora o PT e o PMDB apareçam no centro da cena, há citações ao PP, ao PSDB e ao Partido Democratas.
Como no histórico processo comandado pelos procuradores Giovanni Falcone e Paolo Borsellino – que acabaram assassinados pelos mafiosos –, o inquérito brasileiro é montado como uma árvore, e tem potencial para se desmembrar em uma variedade de ações judiciais específicas, que podem ser referenciadas entre si.
Esse sistema permitiu à justiça italiana chegar ao topo do poder corrupto, desmascarando as mais altas patentes do governo do país, como os primeiros-ministros Bettino Craxi e Giulio Andreotti, e ao mesmo tempo alcançar o sistema capilarizado da Cosa Nostra.
Essa é, aparentemente, a estratégia elaborada pelo juiz Sergio Moro no caso da Petrobras, como se pode depreender do noticiário.
Embora o conjunto das provas e suspeitas indique a existência de uma rede envolvendo todas as grandes empreiteiras que realizam obras de infraestrutura para o poder público, o esquema é mais simples porque repete o mesmo modus operandi há muitos anos, mudando apenas os nomes de alguns dos protagonistas.
O resultado do esforço de investigação vai depender de certos elementos que não são muito visíveis a olho nu.
Um deles é o papel da imprensa, que produz um efeito espelho e influencia a ação das autoridades que conduzem o processo.
Na Itália, a mídia demorou a se incorporar ao esforço contra a invasão da política pelo crime organizado, em parte porque muitos jornais estavam mancomunados com o governo do Partido Socialista Italiano e pelo fato de a mídia regional ser submissa ao poder terrorista da máfia. Mas o exame do noticiário da época mostra que não houve um movimento homogêneo e corporativista da imprensa.
O risco da leniência
O desembargador aposentado Walter Maierovitch, certamente o brasileiro que estudou com mais profundidade a “Operação Mãos Limpas” e foi amigo pessoal do procurador Giovanni Falcone, costuma dizer que a melhor estratégia para combater o crime organizado é expor e atacar seu sistema econômico.
O processo na Itália permitiu retirar das contas da Cosa Nostra cerca de 60 bilhões de euros em vinte anos.
Esse é, aparentemente, um dos objetivos no caso da Petrobras, mas os jornais têm dado espaço para algumas propostas restritivas.
A ameaça de perda de receita poderia levar as empresas envolvidas a aderir a um programa de colaboração com a Justiça, e a imprensa tem dado voz a alguns protagonistas que parecem jogar nesse sentido.
Não se pode ignorar, por exemplo, aparições recentes do presidente do Tribunal de Contas da União, João Augusto Nardes, do ministro-chefe da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Todos eles se referem à possibilidade de um “acordo de leniência” com as empreiteiras, mas não se deve perder de vista que isso pode limitar o alcance do processo.
É de se questionar, por exemplo, o papel do TCU, a quem caberia examinar os contratos que agora se revelam irregulares.
Uma das citações à omissão do órgão foi feita pelo colunista Janio de Freitas em outubro, lembrando que os ministros da instituição, bem como outras entidades responsáveis pelo bom funcionamento do Estado, só se movem em episódios que “animam as redações”.
Nardes, indicado pelo Partido Progressista para o TCU, transita pelo noticiário como o ilustre magistrado que defende a repactuação dos contratos sob suspeita, sob a alegação de que, se as empreiteiras forem consideradas inidôneas, suas obras terão que ser interrompidas e “o país será paralisado”.
A preocupação faz sentido, mas, nesta altura dos acontecimentos, com depoimentos e provas suficientes para desmascarar a associação entre partidos e empresas, qualquer sinal de “leniência” por parte das autoridades encarregadas do processo será visto pela sociedade em seu significado estrito, conforme aparece nos dicionários: “excessiva tolerância”.RBS: direção suspende novos cortes
Em video-conferência no início da semana, o presidente do grupo RBS, Eduardo Melzer tranquilizou o público interno, agitado com a perspectiva de uma nova tesourada neste final de ano.
O vazamento das informações sobre demissões, com ampla repercussão, e a mobilização do sindicato dos jornalistas, que recorre à Justiça questionando a substituição de funcionários contratados por terceirizados, são as razões da suspensão da medida, que faz parte de um plano de ajuste que a empresa está adotando para enfrentar a nova realidade do mercado da comunicação.
Informações não oficiais, dão conta de que o plano não foi modificado, apenas as medidas mais drásticas foram adiadas.
O plano de ajuste, concebido pelo administrador Claudio Galleazzi, prevê uma redução de 10% no quadro de mais de 6 mil funcionários. Cerca de 200 já foram demitidos.
Cláudio Galeazzi orquestra os cortes e a “reestruturação” do grupo
A péssima repercussão das demissões em massa de agosto fez a empresa recuar, sem desistir da execução a conta-gotas, realizada semanalmente em todas as unidades do grupo.África: imperialismo ocidental segue ditando as regras
Mariano Senna*
Em novembro 1978, o lendário músico e ativista nigeriano Fela Kuti se apresentava pela primeira vez em solo germânico, no Festival de Jazz de Berlin (Berliner Jazztage).
Antes do show na famosa filarmônica de Berlin, Fela, como de costume, fez um discurso político. Entre as muitas mensagens e provocações, uma das mais contundentes foi: “99,9% das informações que chegam aqui na Europa sobre a África estão erradas”.
Na época o ícone da música africana estava com 40 anos. Um ano antes quase havia sido morto em represália pelo exército nigeriano.
Apesar disso, continuava desafiando poderosos e os conselhos de amigos que lhe diziam para cessar suas atividades políticas. “Quanto mais tentarem me calar, mais e mais eu vou falar a verdade, até que eles não possam mais ouvir”.
Passados exatos 36 anos do show revolucionário, a captial alemã voltou a receber uma série de eventos sobre as intermináveis crises de países africanos.
Fela Kuti em Lagos, início da década de 1990
Além de atualizações, as palestras, encontros e diálogos mostram que o discurso de Fela Kuti na filarmônica de Berlin continua atual.
Mais, lançam luz sobre o “paradigma das boas intenções”, termo utilizado pelo intelectual norte-americano Noam Chomsky em sua crítica à política imperialista de países ditos desenvolvidos.
No início de novembro o escritor e professor universitário senegalês, Boubacar Boris Diop, veio a Berlin para falar de seu último livro, A Glória dos Impostores (La Gloire des Imposteurs, 2014).

A obra, baseada na troca de correspondências com a ativista e crítica do processo de globalização, Aminata Traoré, fala da real situação política e social do Mali, terra natal de Aminata.
O gancho das 230 páginas do livro foi a última interenção militar francesa no país do noroeste africano.
Batizada como “operação Serval” em dezembro de 2012, ela foi alardeada como uma necessidade humanitária, devido ao avanço de grupos radicais islâmicos que dominavam o norte do Mali e ameacavam derrubar o governo da capital Bamako.
Diante da plateia de 100 pessoas que o recebeu no salão principal da Universidade Humboldt de Berlin, Boubacar lembrou que essa foi a 49a intervenção militar da França na região desde a independência em 1960.
“De fato houve alívio para muitos no Mali, inclusive progressistas, com a chegada dos soldados franceses. Mas dizer que a operação foi um sucesso é desrespeitar a história e os fatos”, ponderou ele.
No evento promovido com o apoio da fundação Rosa Luxemburgo, o professor senegalês foi categórico em afirmar que a mentalidade colonialista européia continua mais viva do que nunca.
Apesar da necessidade real de combater o extremismo, ele afirma que os países africanos de forma geral precisam de reformas mais profundas e apoios sitemáticos se quiserem realmente transformar suas realidades. “Mas não é isso que vemos”, disse ele.
Segundo Boubacar Diop, a verdadeira razão da intervenção francesa foi, entre outros interesses, garantir a exploração das minas de urânio no vizinho Niger.
Localizadas próximas à fronteira com o Mali, as minas hoje são um dos principais fornecedores de matéria prima para a gigante nuclear francesa Areva.
Um monstro corporativo empregando 45 mil pessoas em 30 países, e faturando 9,2 bilhões de euros por ano.
A situação hoje no Mali é a prova de que o interesse dos franceses passa longe da verdadeira estabilização social e política do país.
“Assim como na Líbia, no Egito e em muitos outros lugares da África o que vemos é um país dividido, geografica e socialmente. Grupos de pessoas cometendo represálias mutuamente, e regiões inteiras sem nenhum controle ou influência do Estado Maliense”, afirmou ele.
Nesse contexto, a palavra “terrorismo” vira apenas pretexto para intervenções violentas. A discussão ganha cada vez mais espaco, especialmente entre ativistas e em veículos marginais ao mainstream ocidental. Um exemplo recente ajuda a contextualizar a questão.
Em entrevista à rede Aljazeera sobre imperialismo e intervenções humanitárias (http://www.aljazeera.com/programmes/headtohead/2014/11/humanitarian-intervention-imperialism-2014111093042592427.html), o ex-ministro das relações exteriores francês, Bernard Kouchner, insistiu: “Pacifismo é uma ideia muito boa. Infelizmente ela não funciona”.
Ex-ministro francês Bernard Kouchner
Também co-fundador da ONG Médicos Sem Fronteiras, Kouchner porém admitiu pela primeira vez que a França deveria desculpar-se por sua responsabilidade no genocídio em Ruanda nos anos 90. Apesar de ter treinado o exército ruandês, cujos membros participaram do genocídio, a França e nenhum país europeu interveio em Ruanda durante os 100 dias de matança.
Como um dos arquitetos do conceito do “direito de interferir”, ele defende a ideia de que o ocidente tem o dever de proteger vidas humanas, independentemente dos meios e das fronteiras nacionais.
Vale lembrar que tal “direito” também foi usado no fim dos anos 80 pelo governo francês para apoiar o golpe que destituiu e matou o presidente de Burkina Fasso, Thomas Sankara.
O golpista que tomou seu lugar, um megalômano chamado Blaise Compaoré, foi finalmente deposto em revolta popular no final do mês passado.
Ao fundo dessa noção de “direito de intervir”, há um conceito velado do que é ser humano, civilizado, correto.
Algo parcial, sempre vendido como verdade universal, sem espaço para outras perspectivas. Sob tal ponto de vista, conceitos importantes como “desenvolvimento”, “progresso” e “prosperidade” acabam também instrumentalizados.
No último fim de semana Mwangi Waituru, conterrâneo de Fela Kuti e vice-presidente da ONG Beyond 2015 (www.beyond2015.org), apresentou sua crítica à forma como países ricos padronizaram a noção de bem estar social.
E a usam para impor sua agenda de interesses, fazendo isso com o aval da ONU. Afinal, quem vai ser contra o bem estar?
Um desses instrumentos são os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (http://www.un.org/millenniumgoals/). Eles englobam oito objetivos, mensurados em 21 indicadores aplicados de forma homogênea e linear a todos os países.
Para Mwangi Waituru, aplicar uma única medida para todos os contextos gera invariavelmente distorções e outras injustiças.
Mwangi Waituru
“Nos dedicamos à criação de uma nova agenda de desenvolvimento que considere responsabilidades compartilhadas, mas que respeite as diferentes realidades e capacidades, especialmente históricas”, declarou ele em um diálogo promovido pela Fundação Africavenir (www.africavenir.org) e patrocinado pela Prefeitura de Berlim e pelo Ministério para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ).
* Mariano Senna é jornalista, mora em Berlin.Uma versão para a São Paulo sem água
Circula pelas redes sociais esta versão, em desenho, com a explicação do PSOL para a escassez de água em São Paulo. Vem assinada pelo presidente nacional do partido e deputado estadual paulista Ivan Valente.
Não faltou quem perguntasse: “Se a culpa da seca é da falta de chuvas, o que o governador Geraldo Alckmin vai fazer com os R$ 3 bilhões que pediu ao governo federal? Subornar São Pedro?”Mudanças climáticas: a caminho do colapso
Está circulando na noosfera (podem chamar de Internet) um assustador documento-síntese assinado pelo cientista Antonio Nobre, o brasileiro que tem assento no IPCC, o painel da ONU sobre as mudanças climáticas.
Depois de ler mais de 200 trabalhos científicos, o cara não deixa barato: estamos perdendo a guerra da sustentabilidade ambiental e o mundo continua caminhando irresponsavelmente para o colapso da civilização.
Numa entrevista à repórter Daniela Chiaratti, do Valor Econômico, Nobre falou especialmente do papel da Amazônia para o equilíbrio climático.
A seguir, o JA apresenta uma síntese do que pensa e anda falando o apocalíptico doutor Nobre.
“Nos últimos 40 anos, a área devastada na Amazônia equivale a três Estados de São Paulo, duas Alemanhas ou dois Japões.
A velocidade do desmatamento na Amazônia, em 40 anos, é de um trator com uma lâmina de três metros se deslocando a 726 km/hora – uma espécie de trator do fim do mundo.
Foram destruídas 42 bilhões de árvores, cerca de 3 milhões de árvores por dia, 2.000 árvores por minuto.
Os cientistas que estudam a Amazônia estão preocupados com a percepção de que a floresta é potente e realmente condiciona o clima. É uma usina de serviços ambientais.
Ela está sendo desmatada e o clima vai mudar. No arco do desmatamento, por exemplo, o clima já mudou. Lá está aumentando a duração da estação seca e diminuindo a duração e volume de chuva.
Agricultores do Mato Grosso tiveram que adiar o plantio da soja porque a chuva não chegou. Ano após ano, na região leste e sul da Amazônia, isso está ocorrendo.
A seca de 2005 foi a mais forte em cem anos. Cinco anos depois teve a de 2010, mais forte que a de 2005. O efeito externo sobre a Amazônia já é realidade. O sistema está ficando em desarranjo.
A mudança climática já chegou. Os céticos do clima conseguiram uma vitória acachapante, fizeram com que governos não acreditassem mais no aquecimento global.
As emissões aumentaram muito e o sistema climático planetário está entrando em falência como previsto, só que mais rápido. Mais de duas dúzias de projetos grandes estão sendo feitos na Amazônia, com dezenas de cientistas.

Agronegócio
A discussão sobre a Amazônia é fragmentada. “Temos que desenvolver o agronegócio. Mas e a floresta? Ah, floresta não é assunto meu”.
Cada um está envolvido naquilo que faz e a fragmentação tem sido mortal para os interesses da humanidade. Quando fiz a síntese destes estudos, eu me assombrei com a gravidade da situação.
Pegue o noticiário: o que está acontecendo na Califórnia, na América Central, em partes da Colômbia? É mundial.
Alguém pode dizer – é mundial, então não tem nada a ver com a Amazônia.
É aí que está a incompreensão em relação à mudança climática: tem tudo a ver com o que temos feito no planeta, principalmente a destruição de florestas.
A consequência não é só em relação ao CO2 que sai, mas a destruição de floresta destrói o sistema de condicionamento climático local. E isso, com as flutuações planetárias da mudança do clima, faz com que não tenhamos nenhuma almofada.
A floresta é um seguro, um sistema de proteção, uma poupança. Se aparece uma coisa imprevista e você tem algum dinheiro guardado, você se vira.
É o que está acontecendo agora, não sentimos antes os efeitos da destruição de 500 anos da Mata Atlântica, porque tínhamos a “costa quente” da Amazônia.
A sombra úmida da floresta amazônica não permitia que sentíssemos os efeitos da destruição das florestas locais.
Eu queria mostrar o que significa aquela floresta. Até eucalipto tem mais valor que floresta nativa. Se olharmos no microscópio, a floresta é a hiper abundância de seres vivos e qualquer ser vivo supera toda a tecnologia humana somada.
O tapete tecnológico da Amazônia é essa assembleia fantástica de seres vivos que operam no nível de átomos e moléculas, regulando o fluxo de substâncias e de energia e controlando o clima.
5 segredos
A Amazônia tem cinco segredos.
O primeiro é o transporte de umidade continente adentro. O oceano é a fonte primordial de toda a água. Evapora, o sal fica no oceano, o vento empurra o vapor que sobe e entra nos continentes. Na América do Sul, entra 3.000 km na direção dos Andes com umidade total. São os gêiseres da floresta.
É uma metáfora. Uma árvore grande da Amazônia, com dez metros de raio de copa, coloca no ar mais de mil litros de água em um dia, pela transpiração. Fizemos a conta para a bacia Amazônica toda, que tem 5,5 milhões de km2: saem desses gêiseres de madeira 20 bilhões de toneladas de água diárias.
O rio Amazonas, o maior rio da Terra, que joga 20% de toda a água doce nos oceanos, despeja 17 bilhões de toneladas de água por dia. Esse fluxo de vapor que sai das árvores da floresta é maior que o Amazonas. Esse ar que vai progredindo para dentro do continente vai recebendo o fluxo de vapor da transpiração das árvores e se mantém úmido, e, portanto, com capacidade de fazer chover. Essa é uma característica das florestas
O segundo segredo: chove muito na Amazônia e o ar é muito limpo, como nos oceanos, onde chove pouco. Como, se as atmosferas são muito semelhantes? A resposta veio do estudo de aromas e odores das árvores. Esses odores vão para a atmosfera e quando têm radiação solar e vapor de água, reagem com o oxigênio e precipitam uma poeira finíssima, que atrai o vapor de água. É um nucleador de nuvens. Quando chove, lava a poeira, mas tem mais gás e o sistema se mantém.
O terceiro segredo: a floresta é um ar-condicionado e produz um rio amazônico de vapor. Essa formação maciça de nuvens abaixa a pressão da região e puxa o ar que está sobre os oceanos para dentro da floresta. É um cabo de guerra, uma bomba biótica de umidade, uma correia transportadora. E na Amazônia, as árvores são antigas e têm raízes que buscam água a mais de 20 metros de profundidade, no lençol freático. A floresta está ligada a um oceano de água doce embaixo dela. Quando cai a chuva, a água se infiltra e alimenta esses aquíferos.
O quarto segredo: estamos em um quadrilátero da sorte – uma região que vai de Cuiabá a Buenos Aires no Sul, São Paulo aos Andes e produz 70% do PIB da América do Sul. Se olharmos o mapa múndi, na mesma latitude estão o deserto do Atacama, o Kalahari, o deserto da Namíbia e o da Austrália. Mas aqui, não, essa região era para ser um deserto. E no entanto não é, é irrigada, tem umidade. De onde vem a chuva? A Amazônia exporta umidade. Durante vários meses do ano chega por aqui, através de “rios aéreos”, o vapor que é a fonte da chuva desse quadrilátero.
O quinto segredo: onde tem floresta não tem furacão nem tornado. A floresta tem um papel de regularização do clima, atenua os excessos, não deixa que se organizem esses eventos destrutivos. É um seguro.
O desmatamento leva ao clima inóspito, arrebenta com o sistema de condicionamento climático da floresta. É o mesmo que ter uma bomba que manda água para um prédio, mas eu a destruo, aí não tem mais água na minha torneira. É o que estamos fazendo.
Ao desmatar, destruímos os mecanismos que produzem esses benefícios e ficamos expostos à violência geofísica. O clima inóspito é uma realidade, não é mais previsão. Tinha que ter parado com o desmatamento há dez anos. E parar de desmatar é fundamental, mas não resolve mais. Temos que conter os danos ao máximo. Parar de desmatar é para ontem.
A única reação adequada neste momento é fazer um esforço de guerra. A evidência científica diz que a única chance de recuperarmos o estrago que fizemos é zerar o desmatamento. Mas isso será insuficiente, temos que replantar florestas, refazer ecossistemas. É a nossa grande oportunidade. É muito sério, muito grave. Estamos indo direto para o matadouro.
Agora temos que nos confrontar com o desmatamento acumulado. Não adianta mais dizer “vamos reduzir a taxa de desmatamento anual.” Temos que fazer frente ao passivo, é ele que determina o clima.
O clima não dá a mínima para a soja, para o clima importa a árvore. Soja tem raiz de pouca profundidade, não tem dossel, tem raiz curta, não é capaz de bombear água. Os sistemas agrícolas são extremamente dependentes da floresta. Se não chegar chuva ali, a plantação morre.
Os serviços ambientais prestados pela floresta estão sendo dilapidados. É a mesma coisa que arrebentar turbinas na usina de Itaipu – aí não tem mais eletricidade. É de clima que estamos falando, da umidade que vem da Amazônia. Estamos perdendo um serviço que era gratuito, trazia conforto, fornecia água doce e estabilidade climática.
Estamos fazendo a transposição do São Francisco para resolver o problema de uma área onde não chove há três anos. Mas e se não tiver água em outros lugares? E se ocorrer de a gente destruir e desmatar de tal forma que a região que produz 70% do PIB cumpra o seu destino geográfico e vire deserto? Vamos buscar água no aquífero?
No norte de Pequim, os poços estão já a dois quilômetros de profundidade. Não tem uso indefinido de uma água fóssil, ela tem que ter algum tipo de recarga. É um estoque, como petróleo. Usa e acaba. Só tem um lugar que não acaba, o oceano, mas é salgado.
Temos nas florestas nosso maior aliado. São uma tecnologia natural que está ao nosso alcance. Não proponho tirar as plantações de soja ou a criação de gado para plantar floresta, mas fazer o uso inteligente da paisagem, recompor as Áreas de Proteção Permanente (APPs) e replantar florestas em grande escala. Não só na Amazônia.
São Paulo tem que erradicar totalmente a tolerância com relação a desmatamento. Um esforço de guerra no replantio de florestas não é replantar eucalipto. Monocultura de eucalipto não tem este papel em relação a ciclo hidrológico, tem que se replantar floresta e acabar com o fogo.
Reconstruindo as florestas
Para não competir com a agricultura, se poderia começar reconstruindo ecossistemas em áreas degradadas. Nos morros pelados onde tem capim, nos vales, em áreas íngremes. Em vales onde só tem capim, tem que plantar árvores da Mata Atlântica.
O esforço de guerra para replantar tem que juntar toda a sociedade. Precisamos reconstruir as florestas, da melhor e mais rápida forma possível.
O desmatamento legal não pode nem entrar em cogitação. Uma lei que não levou em consideração a ciência e prejudica a sociedade, que tira água das torneiras, precisa ser mudada.
A realidade é que estamos indo para o caos. Já temos carros-pipa na zona metropolitana de São Paulo. Estamos perdendo bilhões de dólares em valores que foram destruídos. Quem é o responsável por isso?
Um dia, quando a sociedade se der conta, a Justiça vai receber acusações. Imagine se as grandes áreas urbanas, que ficarem em penúria hídrica, responsabilizarem os grandes lordes do agronegócio pelo desmatamento da Amazônia. Espero que não se chegue a essa situação.
Temos uma floresta de mais de 50 milhões de anos. Nesse período é improvável que não tenham acontecido cataclismas, glaciação e aquecimento, e no entanto a Amazônia e a Mata Atlântica ficaram aí. Quando a floresta está intacta, tem capacidade de suportar. É a mesma capacidade do fígado do alcoólatra que, mesmo tomando vários porres, não acontece nada se está intacto. Mas o desmatamento faz com que a capacidade de resiliência que tínhamos, com a floresta, fique perdida.
Aí vem uma flutuação forte ligada à mudança climática global e nós ficamos muito expostos, como é o caso do “paquiderme atmosférico” que sentou no Sudeste. Se tivesse floresta aqui, não aconteceria, porque a floresta resfria a superfície e evapora quantidade de água que ajuda a formar chuva.
O replantio florestal não garante o reequilibrio, porque existem as mudanças climáticas globais, mas reconstruir ecossistemas é a melhor opção que temos.
Quem sabe a gente desenvolva outra agricultura, mais harmônica, de serviços agroecossistêmicos. Não tem nenhuma razão para o antagonismo entre agricultura e conservação ambiental. Ao contrário.
A agricultura consciente, que soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas. E, por iniciativa própria, replantaria a floresta nas suas propriedades”.
Orquestra da Ulbra toca Cachorro Grande
Música de orquestra nada clássica: dia 22 de novembro, às 21 horas, o maestro Tiago Flores rege a orquestra da Ulbra em apresentação com a banda de rock Cachorro Grande. Será o encerramento da temporada 2014 do projeto Concertos Populares com Orquestra, no Salão de Atos da UFRGS.
A banda porto-alegrense é formada por Beto Bruno (vocal), Marcelo Gross (guitarra), Rodolfo Krieger (baixo), Pedro Pelotas (teclados) e Gabriel Azambuja (bateria). “É a primeira vez que vamos fazer uma coisa assim e estamos muito ansiosos para ver os arranjos e o resultado final. É algo nunca visto e nunca esperado, até mesmo pela banda!”, diz Beto Bruno.
Os arranjos, especialmente elaborados para este espetáculo, são dos músicos Rodrigo Bustamante, Iuri Correa, Alexandre Ostrovski, Daniel Wolff, Daniel Sá e Pedro Figueiredo. No programa, canções dos álbuns Cachorro Grande (2001), As próximas horas serão muito boas (2004), Pista livre (2005), Todos os tempos (2007) e Cinema (2009) – além de uma música do recém-lançado Costa do Marfim (2014).
Os ingressos custam R$ 30 e podem ser adquiridos antecipadamente, a partir do dia 17, nos seguintes locais:
– Bilheteria do Salão de Atos da UFRGS, de 17 a 21 de novembro, das 11h às 18h. Dia 22, das 14h às 21h.
– ULBRA Campus Canoas – Prédio 14, sala 321, de 17 a 21 de novembro, das 10h às 12h e das 13h às 20h.
Realizado desde 2001 com patrocínio da Dana, pelo do Pró-Cultura-RS, o projeto já faz parte do calendário cultural do Rio Grande do Sul. Em 13 anos, foram mais de 60 apresentações e público de mais de 63 mil pessoas. Já passou por estilos tão diversos como MPB, regional, pop, rock, soul, chorinho e instrumental, com a participação de mais de 60 artistas de visibilidade nacional.
Em 2014, foram três concertos – o primeiro foi o especial Beatles; o segundo, com Lenine; e terceiro foi um concerto Regionalista, com Cesar Oliveira & Rogério Melo, Daniel Torres e Guri de Uruguaiana. Agora, o rock gaúcho.
(com informações da jornalista Raphaela Donaduce Flores). Foto de Fernando ChemaleQuinze municípios recebem 14,1 milhões para investimentos
Quinze municípios gaúchos assinaram contratos com o Badesul, nesta quarta-feira (12/11), no Palácio Piratini, através do Programa Badesul Cidades, totalizando o montante de R$ 14.143.000,00.
Os recursos serão aplicados em infraestrutura urbana, aquisição de máquinas e equipamentos, construção e reforma de centro administrativo e ampliação de escola e creche.
Os contratos foram assinados pelos representantes dos municípios e pelo diretor financeiro do Badesul, Aldino Dick.
A secretária de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI) em exercício, Mariela Klee, representou o Governador Tarso Genro no evento. “Através destes repasses, colocamos em prática a descentralização do desenvolvimento, beneficiando regiões menos favorecidas, com reflexo direto na qualidade de vida da população”, afirma Mariela Klee.
Programa Badesul Cidades já contratou mais de R$ 281 Milhões com 243 Municípios do RS.
Integrado às políticas públicas do Governo do Estado, o Programa Badesul Cidades já contratou, desde 2011, com 243 municípios gaúchos, totalizando R$ 281 milhões, para investimentos em infraestrutura urbana, construção de pavilhões industriais, ginásios, máquinas e equipamentos rodoviários, centros administrativos, escolas e revitalização de praças.
A relevância do Programa do Badesul Cidades no apoio aos municípios gaúchos é destacada pelo diretor financeiro, Aldino Dick: “O Badesul Cidades é um programa de investimentos direcionado para os municípios gaúchos – financiado integralmente com recursos do capital do Banco. Estes recursos são provenientes da capitalização feita pelo Governo do Estado para viabilizar uma política de apoio aos municípios do Estado”.
O Badesul Cidades já contratou R$ 95,5 milhões para 83 municípios gaúchos, somente em 2014.
Municípios contemplados com financiamento:
Tucunduva
Máquinas e equipamentos
Provias/BNDES
689.000,00
Augusto Pestana
Máquinas e equipamentos
PIMES
700.000,00
Barão do Cotegipe
Infraestrutura Urbana
PIMES
700.000,00
Barra Do Quarai
Máquinas e equipamentos.
PIMES
350.000,00
Brochier
Infraestrutura Urbana
PIMES
700.000,00
Canguçu
Infraestrutura urbana
PIMES
3.000.000,00
Doutor Mauricio Cardoso
Infraestr. e ref. Centro adm.
PIMES
665.000,00
Entre-Ijuís
Infraestrutura Urbana
PIMES
700.000,00
Guaporé
Infraestrutura Urbana
PIMES
2.000.000,00
Igrejinha
Infraestrutura Urbana
PIMES
1.223.000,00
Iraí
Infraestrutura Urbana
PIMES
700.000,00
Itapuca
Centro administrativo
PIMES
700.000,00
Não Me Toque
Infraestrutura urbana
PIMES
1.000.000,00
Nova Esperança do Sul
Ampliação escola e creche
PIMES
318.000,00
Pontão
Infraestrutura Urbana
PIMES
698.000,00
Total: R$ 14.143.000,00
(Com assessoria de imprensa)Jornada psicanalítica em Porto Alegre
A Psychesul – Sociedade Sul Brasileira de Psicanálise está recebendo inscrições para a Jornada Psicanalítica “10 ANOS DE PSYCHESUL : PASSEANDO PELOS CAMPOS DA PSICANÁLISE”.
O evento ocorre no dia 22 de novembro (sábado), no Auditório da Fundação da Escola Superior do Ministério Público, na rua Cel. Genuíno, 421, 7º andar (próximo ao cinema Capitólio da Av. Borges), centro de Porto Alegre /RS.
A abertura será às 9 horas e o encerramento às 17 horas.
Para marcar os 10 anos da entidade, também será lançado o livro Ensaios Psicanalíticos. A obra conta com a colaboração de associados, alunos e professores de formação Psicanalítica da Psychesul.
Alguns autores vão apresentar seus temas durante a Jornada. No local do evento, haverá um estande da Editora Artes Médicas com exposição e vendas de livros de Psicanálise e afins, incluindo as obras do homenageado Dr. David Zimerman.
“Com esta programação estaremos homenageando o Dr. David Zimerman, médico, psicanalista, escritor, grande amigo e colaborador da Psychesul, falecido recentemente” destaca a presidente da entidade Eunice Catarina Marangon.
As inscrições devem ser confirmadas até o dia 14/11 pelo e-mail psychesul@gmail.com, ou pelos fones 51-30615533/32261553.
Dirce Becker Delwing Jornalista (Mtb 9737)Aécio Neves e o comportamento da oposição
Luis Nassif
Aécio reassumiu sua cadeira no Senado prometendo cobrar “violentamente” os compromissos de campanha de Dilma. Não basta cobrar assertivamente, persistentemente. Tinha que ser “violentamente”.
Depois, registrou seu repúdio “mais violento e radical” aos manifestantes que pedem a volta da ditadura militar.
Finalmente, repetiu o mantra da “campanha honrada” que teria feito em contraposição à “campanha perversa” de Dilma. Corta! O baixo nível da campanha foi similar nas duas pontas. O figurino de “moralista honrado” não cabe em quem, nos debates, tratava as adversárias – Dilma e Luciana Genro – como “levianas”.
Com sua agressividade reiterada, Aécio abriu a guarda para Dilma, oirtentada por João Santana, encaixar meia dúzia de uppercuts fatais.
***
Com a morte de Eduardo Campos e o posterior esvaziamento de Marina Silva, Aécio saltou de quase nada para quase tudo. Tornou-se conhecido no curtíssimo período a partir dos dois últimos debates do primeiro turno.
Mais natural na televisão, durante alguns dias Aécio incorporou a imagem do bom moço de família mineira. Perdeu até o olhar malicioso-agressivo que o perseguia em todas as fotos na fase inicial da campanha.
Retomou o segundo turno na liderança. Aí incorporou a euforia bélica de seu guru, FHC. Foi o estilo bélico que o fez perder a liderança e as eleições.
Agora, novamente mostra uma notável falta de timming político, ao pretender manter o estilo bélico durante a trégua que se segue a toda campanha encarniçada.
Não entendeu nada.
A grande marca política de Aécio parecia ser a arte da composição, a habilidade política que demonstrou quando se compôs com Fernando Pimentel, do PT, para o pacto mineiro. Ali aparentemente desenhava-se o futuro grande político nacional, o estadista da conciliação, herdeiro da tradição política mineira.
Engano.
Em um momento em que a disputa deveria se dar na conquista do público novo, não alinhado, cansado da política tradicional, Aécio incorporou em si a pior cara do PSDB: a de José Serra e sua tropa de vikings da terceira idade, Aloysio Nunes, Alberto Goldman, e do inexcedível Roberto Freire.
Não se vá exigir de Aécio o que escapa à sua compreensão.
Assim como no varguismo, o lulismo é composto de duas partes: o lulismo e o antilulismo. O antilulismo não tem vida própria, não tem projeto próprio, é apenas um apêndice do lulismo.
O próximo momento político brasileiro é o do pós-lulismo. Para a história, FHC sempre será o apenas anti-Lula, a parte derrotada do passado. Grupos de mídia, mercado, o establishment só investiram em sua imagem porque o antil-ulismo precisava de uma cara. Apenas isso.
Assim como o mito Marina, o personagem FHC é muito menor do que o mito criado em torno dele.
Ao contrário de Aécio, Alckmin é duríssimo na ação, conservador até a medula, anacrônico até o fundo da alma; mas cordato nas palavras e gestos.
Seu aceno para uma trégua visou não apenas reduzir as críticas contra as barbeiragens da Sabesp, mas ocupar o espaço na oposição.
Quando acontecer o segundo tempo do jogo – na tentativa futura de tentar alijar Dilma no rastro da Operação Lava-Jato – a liderança será de quem simulou o entendimento inicial; não de quem se comportou violentamente antes da hora.






