TANIA JAMARDO FAILLACE*
Na reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental, de Porto Alegre, nesta terça-feira, 4, constatou-se que foi descartada a participação da comunidade como avaliadora da Viabilidade Urbana e Ambiental para instalação das antenas da telefonia móvel – as torres da Claro, Vivo e OI, que aumentam o índice geral de radiações cancerígenas em nosso ambiente.
Até a mudança da lei, pela nossa Egrégia Câmara Municipal de Porto Alegre, as ERBs estavam sujeitas à avaliação dos Conselheiros, que pediam diligências técnicas e inclusive se dirigiam aos locais para saber de eventuais infrações à legislação, como a proximidade de certos ambientes de concentração populacional ou vulneráveis, como escolas, hospitais, hospitais, centros de radiodiagnósticos, clínicas e outros.
Pois os vereadores de Porto Alegre, comprovando para quem realmente trabalham na Câmara, aceitaram o pedido da prefeitura para que as ERBs não fossem obrigadas a apresentar o EVU-Estudo de Viabilidade Urbanística (e Ambiental) ao CMDUA.
O CMDUA já havia apresentado muitas reclamações sobre a verdadeira “zona” nesse setor, e proliferação de ERBS sem licenciamento por toda a cidade, e em locais inadequados, ou colaborando para agravar a situação de baixa salubridade do ambiente urbano em Porto Alegre.
A solução encontrada pelas empresas, a prefeitura e os vereadores, foi tirar essa atribuição do CMDUA, para facilitar a vida das empresas de telefonia (que não são de telefonia, mas de rádio-comunicação, como a maioria das pessoas não atenta – a telefonia verdadeira segue em cabos blindados sob a terra, ou em alguns casos, aéreos em instalações antigas, e não emitem radiações)
Alegou-se que já existia um conselho técnico a respeito e a opinião popular não era importante. Nem a democracia, pelo visto.
Talvez fosse oportuno que ambientalistas e cidadãos de Porto Alegre se pronunciassem a respeito e se estão de acordo em permitir que esses licenciamentos sejam assunto de “amigos” e não de interesse público.
Ao que parece, mais dia menos dia, seremos convidados (se formos) a votar num referendo pela instituição da Monarquia em Porto Alegre, em que caberá à população apenas prostrar-se diante dos poderosos.
*Jornalista e ativista social de Porto Alegre, RS
Autor: da Redação
Nova lei afastou conselho das decisões sobre antenas
Carros chineses querem conquistar o Brasil
A América do Sul é o principal alvo dos fabricantes de automóveis da China, que avançam por novos mercados para compensar a redução das vendas internas.
Brasil, Chile e Peru são os preferidos. “Os produtores chineses vêm avançando sem pressa, mas sem pausa, no sentido de dominar a América a partir de dentro”.
A marca Great Wall já tem uma montadora no Equador, e a Chery possui fábricas no Uruguai, Venezuela e Brasil.
Também a JAC Motors prevê produzir os primeiros veículos no Brasil em 2015, enquanto a BYD prepara o seu desembarque no país.
Ao todo, segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL, um órgão da ONU), a indústria automobilística chinesa já investiu 6 bilhões de dólares (14,9 bilhões de reais) na região.
Além da produção local, os fabricantes chineses exportaram 286.500 veículos para a América do Sul durante 2013, o que significa um aumento de 19% com relação ao ano anterior e 30% de todas as vendas do país asiático para o exterior.
No recente Fórum Anual Automotivo Chinês, o secretário-geral da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (ACFA), Dong Yang relatou que as marcas chinesas já pisam fundo no acelerador fora das suas fronteiras, e antevê que isso em breve será muito evidente.
“Nossas empresas aprenderam com os fabricantes estrangeiros a criar veículos de qualidade, além de solucionarem uma infinidade de problemas próprios de uma indústria que ainda é jovem na China”.
Yang reconhece que os fabricantes chineses “ainda estão quatro ou cinco anos atrasadas em termos tecnologia”.
Por isso, Isbrand Ho, chefe da divisão europeia da BYD, uma das empresas mais agressivas em sua expansão no exterior, considera que, diante da dificuldade de competir em igualdade de condições no campo dos motores a combustão, as marcas chinesas deveriam procurar se fortalecer no setor dos veículos impulsionados por novas energias.
“No futuro, todos os veículos terão zero emissão [de carbono]. Nós temos a melhor tecnologia de baterias do mundo, e devemos fazer valer essa vantagem.”
E, de fato, é isso que vem ocorrendo. Seus carros elétricos já percorrem as ruas de Barcelona, Londres e Bruxelas – mas só como táxis.
“Nossa estratégia passa por colaborar primeiro com empresas de transporte público, que estão mais preocupadas com a economia propiciada por esses veículos, para que os usuários vejam que esses veículos funcionam corretamente e são cômodos. Assim criamos imagem de marca e preparamos a empresa para dar o salto.”
No caso da BYD, esse avanço significa a implantação de fábricas, centros de desenvolvimento e polos logísticos em outros países.
“A América Latina é prioritária para nós, por isso produziremos lá. Temos que nos tornar empresas locais”, diz Ho.
A empresa já está construindo em Estado de São Paulo as primeiras instalações da BYD nas Américas, onde 450 empregados fabricarão baterias recicláveis de fosfato de ferro e 1.000 ônibus elétricos por ano. “Essa é a primeira etapa da nossa expansão internacional”, disse Tyler Li, diretor da empresa para o Brasil.
A BYD não é a única marca chinesa que pretende fincar raízes fora do gigante asiático.
A Great Wall também aposta firmemente em se instalar na América Latina.
“Temos de lutar contra a percepção negativa que se tem das empresas chinesas, e uma forma de fazer isso é gerando riqueza onde fazemos negócios”, admite Roger Wang, diretor do Departamento de Comércio Internacional da Great Wall e responsável pelo mercado latino-americano.
Sem dúvida, disso depende o objetivo da empresa de, até 2015, obter 30% do seu lucro no mercado externo.
Aposta na América Latina
Até agora, a marca chinesa líder nos segmentos de veículos 4 x 4 e caminhonetes já deu seus primeiros passos: criou a marca Haval, para diferenciar seus produtos de maior qualidade, e lançou uma agressiva campanha de imagem global, que inclui a participação de seus veículos no rali Paris-Dacar, que há cinco anos é disputado na América do Sul.
“Pelas características de nossos veículos, que são sólidos e desfrutam de uma grande relação preço-qualidade, consideramos que a América Latina é um dos mercados mais interessantes”, afirma Wang.
A região se tornou o maior importador de automóveis chineses. No ano passado importou 286.500 unidades, 19% a mais do que em 2012, e neste ano a entidade setorial espera que o ritmo de expansão cresça ainda mais.
Assim, no Uruguai, as marcas chinesas obtiveram o ano passado nada menos do que 23% do mercado.
No Peru, estima-se que elas já tenham 15%, além de 10% no Chile e pouco mais de 6% na Colômbia.
Esse crescimento, em alguns casos muito superior à expansão das empresas no mercado chinês, é um grande estímulo para a implantação na América Latina.
O investimento chinês no setor automobilístico sul-americano, sobretudo no Brasil, atende também ao impulso dado pelo Partido Comunista Chinês às relações com os países latino-americanos.
Possivelmente por isso, a estatal Chery é uma das que mais apostam nessa expansão.
Já investiu mais de 300 milhões de reais na abertura de uma fábrica em Jacareí (SP), onde fabricará 50.000 pequenos automóveis por ano, e os 930 milhões da segunda fase ampliarão sua capacidade para 150.000 unidades em 2017.
O objetivo é que, já em 2016, o Brasil responda por 11% do faturamento da empresa.
Dong Yang, entretanto, tentou abrandar um pouco o entusiasmo pelo mercado exterior e alertou para o perigo de uma rápida internacionalização das marcas chinesas.
“Acredito que elas deveriam se centrar inicialmente na consolidação do mercado doméstico e em melhorar sua tecnologia. E depois sair mais devagar e com uma maior coordenação entre si.”
Dong, porém, está convencido de que “no futuro se abrirão enormes oportunidades para as marcas chinesas em todo o mundo”.O desafio das grandes cidades para evitar o caos
Caos viário na Cidade do México.
Ruas virtualmente sem calçadas na Cidade da Guatemala.
Transporte público deficiente em Caracas.
Moradias precárias no Rio de Janeiro.
Bairros distantes e inseguros em Tegucigalpa.
Invasões e despejos em Porto Alegre
A lista parece interminável quando se trata de problemas que afligem as grandes cidades de todos os países latino-americanos.
Na base de tudo, a causa principal: o crescimento rápido e desordenado dessas metrópoles.
Para o colombiano Elkin Velásquez, diretor da entidade ONU-Habitat para a América Latina, só um esforço internacional pelo desenvolvimento urbano sustentável pode minimizar essas situações que beiram o caos.
Velásquez lançou o desafio no sábado passado, quando pela primeira vez desde sua fundação, em 1978, a organização celebrou o Dia das Cidades, com um ato em Xangai.
“A Europa se construiu durante séculos e, portanto, suas cidades foram se adaptando às necessidades de seus habitantes”, destaca Velásquez.
Na América Latina, por outro lado, elas se consolidaram nos últimos 50 anos com escasso planejamento urbanístico. Isso levou ao surgimento de extensas periferias, segregadas e desconectadas entre si.
No outro extremo está a África, onde apenas 30% das áreas nas cidades estão devidamente urbanizadas, segundo dados da ONU, e 61,7% da população subsaariana vive em bairros precários.
As ruas ocupam apenas 2,2% do espaço metropolitano, enquanto em cidades bem planejadas tal cobertura chega a 35%.
Na América Latina, uma em cada quatro moradores de zonas urbanas vive em assentamentos não planejados, o que significa que estão distantes de quase tudo.
Quem vive em áreas afastadas do centro precisa realizar longos deslocamentos para chegar a escolas, empregos e hospitais.
E essas pessoas precisam, além do mais, usar um transporte público – geralmente em más condições – ou perder uma média de três horas por dia dentro de um carro.
A África enfrenta um problema similar: metade das pessoas mora em assentamentos irregulares.
Entretanto, países como Egito, Líbia e Tunísia puseram mãos à obra e implementaram projetos para reduzir a área dos subúrbios.
“A Cidade do México é o exemplo de uma metrópole extensa, segregada e com um transporte coletivo ineficiente”, afirma o especialista.
A capital mexicana, com mais de 20 milhões de habitantes (São Paulo tem 11,9 milhões), revela muitos dos desafios da América Latina.
O primeiro desafio é tornar a cidade mais compacta.
Os latino-americanos costumam sonhar com uma moradia unifamiliar, diz Velásquez, acrescentando: “Não há solo nem recursos energéticos suficientes. As construções verticais começam a ser uma necessidade”.
O segundo desafio é recuperar os espaços públicos.
O que significa isso? Que essas áreas tenham comércios, parques, transporte, escolas, escritórios públicos e privados, indústria e uma mistura de classes sociais.
O atual modelo de “planejamento”, entretanto, vai em direção contrária.
Mas há lugares onde as coisas já estão mudando.
Velásquez menciona alguns: “Santiago [Chile] tem um plano para recuperar os bairros centrais e lhes devolver a vida.
Em Medellín [Colômbia], o bairro Juan Bobo, que era considerado um dos mais inseguros até 2004, melhorou graças à criação de espaços públicos e moradias dignas”.
Esses projetos acabam se transformando em exemplos para outras cidades. Port Moresby (Papua-Nova Guiné), por exemplo, se inspirou nas iniciativas de Durban (África do Sul) para o combate à criminalidade, e a gestão hídrica urbana em Katmandu (Nepal) é exportável para a América Latina.
Outros projetos influentes foram realizados em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.
Velásquez lamenta que a reordenação das cidades não seja uma prioridade para os Governos. Mas admite que algo está mudando:
“Há 10 anos nem sequer se discutia sobre o desenvolvimento sustentável, e agora algumas cidades já o contemplam. É um avanço, embora continue sendo um desafio para as grandes cidades”.
(com informações de El Pais)Contracultura e liberdade em novo livro de Luiz Carlos Maciel
Filósofo, jornalista, teatrólogo, escritor, o gaúcho Luiz Carlos Maciel foi o guru da contracultura, que influenciou uma geração de brasileiros.
Em seu novo livro “O Sol da Liberdade”, Maciel revisita os pensadores e as experiências que o marcaram na luta “contra todas as formas que a engrenagem se utiliza para aprisionar o indivíduo e distraí-lo de sua capacidade de gerir o próprio caminho”.
A LIBERDADE É UM SOL
Patrícia Marcondes de Barros*
No seu livro “O Sol da Liberdade” ( Vieira&Lent Casa Editorial, R$ 39,00),o escritor gaúcho Luiz Carlos Maciel nos traz reflexões sobre temas atuais, ensaios, entrevistas e algumas experiências que vivenciou e que marcaram sua visão de mundo.
Uma visão permeada por horizontes de influências e possibilidades: de Phillip J. Dick e Jorge Mautner, de Baudrillard a Isabel Câmara, de Norman Mailer às experiências religiosas da seita União Vegetal.
Descondicionamento e criação, como sugere o pensamento orientalista, Maciel passeia pelos escombros da pós-modernidade e o fim da história em “A política da insanidade” – capítulo que trata do esgotamento de um modelo linear de representação para explicar a história da humanidade – e o início de sua reversão, como concebe o filósofo Jean Baudrillard.
Esta reversão se reflete na ascensão do discurso da direita, da política imperialista norte-americana, das teorias conspiratórias e de um efeito perverso que deslocou o mundo real para o virtual.
É o início da chamada “Era da Mediocridade” que, segundo Maciel, tem como característica principal o conservadorismo, principalmente o da juventude atual, a “geração facebook” – conectada às novas tecnologias de comunicação.
Simulacros, “compartilhamentos e curtições” num mundo de efemeridade e de liquidez de significados.
Analisa o movimento juvenil brasileiro, que se tornou conhecido por muitos como “a revolução dos vinte centavos”, e traça um paralelo com James Joyce e aquilo que chamou de “here comes everybody”.
Em “Contracultura e erotismo” passamos para a discussão da contracultura, tema que ainda hoje suscita polêmica.
Muitos negam que tenha sido um marco, uma transição entre os pensamentos moderno e pós-moderno, e o caracterizam como um movimento imaturo, subjetivo, individualista e utópico, que foi facilmente cooptado pelo sistema capitalista.
Outros tentam teorizar o que não é descritível: o espírito de uma época, o aspecto dionisíaco, o lúdico e o caráter de experimentalidade em todos os gestos. Ao mitificar tal movimento, o petrificam.
A busca por uma existência autêntica levou parte da juventude dessa época a ampliar o conceito de política, estendendo-o ao corpo, ao comportamento dos indivíduos, à questão sexual.
As considerações marxistas já não respondiam aos novos paradigmas que se impunham. Aqui, o autor aborda o tema (e a necessidade de transcender, superar a questão sexual) através da literatura erótica, da magia sexual de Aleister Crowley (“Todo homem e toda a mulher é uma estrela (sic), da perversão polimórfica, das ideias de Herbert Marcuse sobre sexualidade e sociedade, e de Normal Mailer, a favor do sexo como manifestação de vida).
Apresenta ainda uma entrevista que fez com o escritor João Ubaldo Ribeiro em ocasião do lançamento de seu livro “A casa dos Budas ditosos” (1999). O tema em questão era sexo na literatura.
Em “Eterna, efêmera vanguarda”, traz reflexões sobre política cultural no Brasil, entrevistas e algumas impressões sobre personalidade, como a escritora Isabel Câmara (1940-2006), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogério Duarte, José Agripino de Paulo e o pesquisador norte-0americano Christopher Dunn.
Este ultimo, segundo as palavras de Maciel, “tem uma relação no mínimo kármica com o Brasil”, causada por sua identificação e também pela profundidade com que desenvolveu estudos sobre a cultura brasileira, especificamente, o movimento tropicalista.
Os pressupostos filosóficos que norteiam o pensamento de Maciel, desde sua juventude, manifestam-se nos ensaios dos capítulos seguintes, “O tao e a filosofia”, e “Imanência e transcendência”.
Nestes dois momentos do livro apresenta suas reflexões acerca do pensamento filosófico, principalmente o existencialismo sartriano e o marxismo, movimentos que o influenciaram profundamente, além de seu professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFURGS), no curso de Filosofia, Gerd A. Bornhein.
Com Bornhein, Maciel iniciou os estudos sobre Romantismo Sturm Und Drung (Tempestade e Ímpeto), que se tornaria uma importante referência para seu pensamento no que tange ao orientalismo.
Bornhein afirma: “o romântico coerente deveria tornar-se um visionário, bastante próximo do misticismo oriental”.
“Da história para o mistério”, como visiona Norman O. Brown, a orientalização do Ocidente foi um dos caminhos da geração da contracultura.
A questão não era negar o racionalismo da filosofia ocidental, mas criticar que o mesmo seja colocado como paradigma, única forma de ser, sentir e pensar.
Em “O voo cego”, poesias de Maciel, que nos conta também de suas experiências com a morte.
Quando lhe perguntei sobre a inspiração para o título de seu livro, “O Sol da liberdade”, Maciel falou sobre sua experiência com a seita União do Vegetal. Para ele, sob os efeitos alucinógenos de Ayahuascas, a doutrina foi explicada: “O sol é Deus” e, então, concluiu: ”A liberdade é um sol, o Sol é a liberdade”. A liberdade é a essência de Deus.
A ontologia da liberdade realizada por Maciel em seu livro faz referência aos pensadores que trouxeram à tona as questões do “ser” e da liberdade, a despeito de todas as formas que a engrenagem se utiliza para aprisionar o indivíduo e distraí-lo de sua capacidade de gerir o próprio caminho.
Que o Sol da liberdade irradie forças sobre nós.
*Doutora em História/ UNESP, pesquisadora de contracultura no BrasilFeira do Livro: Libretos anuncia nove lançamentos
A Editora Libretos, de Clô Barcelos e Rafael Guimarães, chega à sua 15a. Feira do Livro de Porto Alegre com nove lançamentos.
Confira a os lançamentos da Libretos com apresentação da editora:
01 nov – “Vaca Azul é Ninja em uma Vida entre aspas”, de Jéferson Assumção
15h15 – Bate-papo sobre o livro com o autor e Gabriela Silva, na Tenda de Pasárgada.
17h – Autógrafos do livro, na Praça Central
Livro apresenta com humor alegoria do intelectual contemporâneo. Esta narrativa literária com ares de história em quadrinhos, com muitas situações divertidas, trabalha com o alegórico parodiando ainda clássicos da Filosofia e da Sociologia. A Vaca Azul é Ninja, personagem surrealista e iconoclasta do autor, é uma representação irônica de um tipo de intelectual em crise no nosso tempo.
02 nov – Entre a Neve e o Deserto(Libretos), de Gisela Rodriguez
14h15 – pocket show de voz e violão, com intervenções musicais e trechos do romance com Gisela Rodriguez e Ed Lannes, na Tenda de Pasárgada.
16h – Autógrafos na Praça Central
O romance de Gisela Rodriguez, Entre a neve e o deserto, retrata a jornada de três jovens que mergulham em uma trip literária e existencial, tendo como bússola os textos de seus heróis, os escritores malditos Arthur Rimbaud, Jack Kerouac, e Gregory Corso, entre outros.
03 nov – Dora (Libretos – selo Poche – livros de bolso), de Meire Brod
14h – um bate-papo sobre a relação mãe e filha e a construção da identidade feminina na literatura com Luisa Geisler e a autora de Dora, Meire Brod, na Sala Oeste do Santander Cultural
16h – Autógrafos na Praça Central
Novela ficcional que aborda o relacionamento entre mãe e filha, que ora é intercalado de admiração mútua e, em outras vezes, tão conturbado e dolorido como pode ser o universo de sentimentos que envolvem duas gerações diferentes. Porém, a autora extrapola os limites da ficção quando mergulha nos manuscritos da própria mãe que os escreveu há anos, para refazer, ela mesma, a história que imaginou por conta própria.
04 nov – Escritos de Alfabetização Audiovisual (Libretos Universidade), organizado por Maria Angélica dos Santos e Maria Carmen Silveira Barbosa
14h30 – Mesa Cinema e Educação: Programa de Alfabetização Audiovisual promove a produção e reflexão sobre cinema em sala de aula, no Auditório Barbosa Lessa (CCCEV)
16h – Autógrafos coletivos no Memorial RS
O cinema na sala de aula sobre Alfabetização Audiovisual no âmbito da escola pública, na qual serão apresentadas ações e resultados do Programa de Alfabetização Audiovisual (MEC/UFRGS/PMPA). Esse programa visa promover o acesso de estudantes da rede pública de ensino à produção e à reflexão sobre audiovisual.
12 nov – Coligay -Tricolor e de todas as cores (Libretos), de Léo Gerchmann
16h – Bate-papo sobre o livro com o autor do livro Léo Gerchmann, Volmar Santos – fundador da Coligay e Gustavo Andrada Bandeira, doutorando em educação pela UFRGS e estuda a masculinidade nos estádios de futebol, na Sala Santander Oeste.
18h – Autógrafos na Praça Central
O jornalista Léo Gerchmann resgatou a história da Coligay, uma torcida organizada só de homossexuais, que enfrentou o conservadorismo da época, em plena ditadura militar, de 1977 a 1983.
13 nov – O Mistério do Oito Deitado(Libretos), de Daniela Echevenguá Teixeira
14h – Contação com a autora e apresentações de imagens do livro, na Sala de vídeo da Biblioteca Moacyr Scliar, na área infantil.
15h – Autógrafos na Praça Central
O livro destina-se a leitores curiosos e é um convite a uma viagem pelo universo
A partir de um número oito desenhado no papel, a autora começará a sua viagem pela imaginação das crianças, levando os pequenos para uma época em que o tempo era medido pelas ampulhetas, com as quais os piratas regulavam as tarefas nos navios. O universo também será apresentado para as crianças e elas vão descobrir que tanto os incas quanto os poetas têm um profundo respeito pelo universo e que os astronautas vão utilizá-lo como seu campo de trabalho. É no universo também onde estão os satélites e onde acontece o milagre das comunicações no mundo hoje. O universo é um tema que fascina adultos e crianças.
14 nov – A criação da Terra e do Homem – releitura da história e mitologia yorubá(Libretos), de Onà Artero
15h15 – Encontro da Literatura com a Capoeira com o autor Onà Artero e Mestre Cabeça, na Tenda de Pasárgada. O autor faz um bate-papo com o Professor Cabeça, com apresentação de capoeira mirim, este misto de dança-luta e religião que tem suas bases na cultura afro.
17h – Autógrafos na Praça Central
No livro Onà Artero reconta e desenha a lenda Yorubá sobre a criação do mundo. A África é a origem e o berço da civilização e, segundo o autor, é necessário resgatar sua história, suas concepções filosóficas, políticas e culturais. Os desenhos, feitos por Onà podem ser preenchidos e coloridos. O texto é adequado a todas as idades. Os retratos dos orixás, pintados a óleo, foram publicados no verso das capas. O livro é uma referência para a capacitação de professores na exigência prevista na Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino sobre as etnias em salas de aula dos anos do Fundamental e Médio.
14 nov – Pão & Circo – Textos, roteiros e argumentos para o Picadeiro (Libretos), de Dilmar Messias
19h15 – O autor Dilmar Messias apresenta um Clown literário. O Nada é um divertido monólogo onde o cômico alemão Franz Fertig desafia a tolerância da plateia. Franz é uma figura remanescente de dois espetáculos em que teve fundamental participação: Certo Dia Numa Estação de Rádio, do cômico alemão Karl Valentim, e Tangos e Tragédias. A personagem percorreu caminho próprio, conservando apenas alguns tênues traços do modelo, brincando com o humor alemão.
20h – Autógrafos na Praça Central
Dilmar Messias – autor, dramaturgo e diretor de teatro – apresenta sua obra, concebida para o picadeiro, editada em forma de textos, roteiros e argumentos. Constam do livro os seguintes trabalhos de Dilmar: Cyrano nas Nuvens, O Mundo da Lua, Cabaré, Misto Quente, Gran Circo Irmãos Siqueira – Circo Mágico, Pão & Circo e Circo Eletrônico. O livro, que apresenta diversas fotos das montagens realizadas pelo Circo Girassol, criado por Dilmar Messias há 15 anos, traz ainda um glossário da linguagem do palco/picadeiro e instrumentos de cena.
Durante a 60ª Feira do Livro de Porto Alegre a Editora Libretos estará presente na Praça da Alfândega, na banca nº 62 – localizada na Sete de Setembro próximo à Rua Capitão Montanha.
NOTA DO EDITOR:
Este espaço está aberto às editoras para divulgação de seus lançamentos durante a 60a.Feira do Livro de Porto Alegre.

RBS: fantasma da tesoura volta a assombrar
A RBS retomou os cortes de pessoal.
Em setembro, quando o grupo demitiu a primeira leva de 130 funcionários por conta de um “ajuste estratégico”, o JÁ antecipou, com base em fontes confiáveis, que outra leva do mesmo porte ocorreria depois das eleições.
A empresa desmentiu.
Na tarde desta quarta-feira, o anúncio do desligamento do vice-presidente de Jornais, Rádios e Digital, Eduardo Smith, trouxe de volta o fantasma da tesoura.
Nem a formalidade do anúncio, em carta do presidente Eduardo Melzer, conteve a onda de especulações, surgida na véspera, e até uma lista de nomes com antigos e importantes profissionais circulou.
Novos cortes seriam anunciados na próxima segunda-feira, 3, e podem, até janeiro, atingir um número muito maior do que o previsto.
Um consultor de empresas disse ao JÁ que o “ajuste estratégico” programado pela RBS, sob a batuta do administrador Cláudio Galeazzi, prevê a redução total de 10% de cerca de 6 mil funcionários.
A crise que atinge a RBS, com queda de receita publicitária, principalmente dos anúncios classificados, perda de assinantes e venda avulsa dos jornais, é na verdade uma crise sistemica que abala todas as corporações de mídia no país.
Para a vice-presidência de Jornais e Mídias Digitais, no lugar de Smith, irá a jornalista Andiara Petterle, atualmente em São Paulo como CEO da Predicta – empresa de publicidade e mídia programática do portfólio da e.Bricks, holding de investimentos digitais da RBS.
Em entrevista ao Coletiva, ela disse que sua meta “é integrar e reforçar as experiências on e off-line do leitor, enriquecendo e ampliando muito mais sua experiência com o conteúdo e criando novas possibilidades de abordagem com o mercado. A relação de credibilidade com as marcas não muda, mas se amplia nas diversas plataformas”. Andiara assume a nova função em março de 2015.
CARTA DE DUDA MELZER AOS FUNCIONARIOS:
Colegas da RBS,
Compartilho com vocês uma mudança muito importante que estamos fazendo na nossa estrutura e operação. Nosso companheiro de Diretoria Executiva Eduardo Smith, em decisão planejada e conjunta com a RBS, deixará a função de Vice-Presidente de Jornais, Rádios e Digital em 31 de dezembro, encerrando seu ciclo como executivo do Grupo RBS.
Há 20 anos na empresa, mais do que um excelente executivo e colega, Smith sempre foi um grande parceiro. Começou sua trajetória conosco como trainee e foi conquistando posições em reconhecimento a sua dedicação, a sua capacidade e ao seu comprometimento.
Quando convidei o Smith para liderar nossa operação de jornais e rádios, a partir de janeiro de 2013, combinei com ele algumas missões relevantes para esses dois anos, como a formação de um time de alta performance e alinhado aos nossos valores para que pudéssemos enfrentar os desafios da nossa indústria; o desenvolvimento de novas frentes tecnológicas; a implementação das mudanças que marcaram os 50 anos de Zero Hora e a reestruturação dos nossos jornais no RS e em SC.
Entendemos, eu e o Smith, que a missão está cumprida e que as operações sob sua responsabilidade estão prontas para um novo ciclo a partir de 2015. Por tudo isso, e também pela amizade que temos, deixo aqui meu enorme reconhecimento e meu agradecimento a ele por tudo o que fez pela RBS. Desejo muito sucesso ao Smith nos caminhos que vai percorrer e na sua busca por novas perspectivas de desenvolvimento pessoal e profissional.
Diante dessa mudança, farei alguns movimentos importantes: as Rádios, sob liderança da Fabiana Marcon, passam a se reportar diretamente para mim, e nos jornais, estarei à frente do período de transição, que ocorrerá nos próximos quatro meses, até a chegada da nova liderança.
Pensando neste novo ciclo de oportunidades para os nossos jornais, convidei a nossa colega Andiara Petterle para ser a nova Vice-Presidente dos Jornais e Mídias Digitais do Grupo RBS.
Gaúcha de Alegrete, ela começou sua carreira no Rio de Janeiro, onde formou-se em Comunicação Social pela PUC-RJ e concluiu seu mestrado, realizado em parte na universidade Brown (EUA), no Departamento de Cultura Moderna e Mídia, onde também foi pesquisadora.
Andiara, além da grande experiência executiva, tem experiência em gestão de conteúdo, tanto na área editorial quanto na área de negócios. A partir de 2000, trabalhou na TV Globo como coordenadora de jornalismo e produto multimídia. Em 2005, fundou o Bolsa de Mulher, maior grupo de mídia voltado ao público feminino da América Latina. Desde 2011, Andiara está na RBS, nos postos de CEO da Predicta (onde, inclusive, lidera um projeto para a Associação Nacional dos Jornais, ANJ) e líder de empresas de mídia digital da e.Bricks.
Nas conversas com a Andiara, compartilhei nossa visão de futuro para os jornais: valorização do jornalismo, nossa crença e principal atividade; aperfeiçoamento dos nossos jornais impressos, com melhorias no produto e abertura de novas oportunidades de negócio; desenvolvimento de novas plataformas e nova linguagem digital e mobile para nossos conteúdos. Queremos aproveitar ao máximo todo o potencial que temos ao unir o que aprendemos a fazer há 57 anos com as tecnologias disponíveis hoje no mundo.
A Andiara está num momento muito especial. Grávida de oito meses, está esperando a chegada da Olívia. E com a filha e o marido, Guilherme, vem construir a sua família em Porto Alegre no início do ano que vem. Desejo à Andiara muita energia e muita garra para encarar os desafios que virão.
E ao amigo Smith, dirijo minha palavra de gratidão pela dedicação e comprometimento em todos esses anos. Como eu disse a ele, as relações profissionais passam, mas as relações pessoais são as que ficam. Conta sempre comigo e com a RBS!
Eduardo Sirotsky Melzer
PresidenteCâmara apresenta a 60ª Feira do Livro de Porto Alegre
Com um piquenique na praça da Alfândega, a Câmara Riograndense do Livro apresentou, nesta terça-feira, à imprensa, a programação da 60a Feira do Livro de Porto Alegre, que começa na sexta-feira, 31.
Na entrevista, que antecedeu o piquenique, foram apresentadas as peças publicitárias que vão promover a freira. Reproduzem 60 páginas selecionadas de cerca de 400 livros.
Além disso, serão postados nas redes sociais vídeos com autores lendo a página 60 de seus livros preferidos. Os conteúdos serão publicados com a hashtag #minhapagina60.
Na Praça haverá, ainda, um totem onde o visitante poderá fazer a marcação de trechos de escritos de seu agrado.
O piquenique ocorreu, em seguida à entrevista, no novo espaço de alimentação, que terá “uma proposta gastronômica diferenciada”.
O espaço foi reduzido, mas tem novidades – temakeria, trattoria e cafeteria – e a alternativa de nove food trucks (caminhões lanchonetes).
O repórter Mauro Schneider fez o seguinte relato no Jornal do Comércio:
“O patrono desta edição, Airton Ortiz, disse que quer promover a Revolução do Livro este ano. “Quanto mais livros, mais livres”, disse. “A leitura é libertadora. Quem pensa, age de maneira consciente”, alertou ele.
Apesar da ausência do patrono do ano passado, Luiz Augusto Fischer, ex-patronos marcaram presença no evento com a imprensa, que contou com piquenique após o detalhamento da programação.
Luiz Coronel, que ocupou o cargo em 2012, considera a responsabilidade uma “coroa itinerante”. “Não é mesmo, Jane?”, brincou com Jane Tutikian, dona do título em 2011.
O país homenageado, desta vez, é o Canadá. Marco Cena, presidente da Câmara Riograndense do Livro, disse que a organização da Feira neste ano foi muito difícil por causa da Copa do Mundo e das Eleições. Apesar disso, garantiu que será uma edição “bárbara”.
Na área adulta, estão agendadas 130 mesas redondas e 30 oficinas. Além disso, a Tenda Passárgada terá um projeto chamado “Eu Sou”, onde autores falarão sobre sua literatura.
A área infanto-juvenil ainda não retorna ao Cais do Porto, mantendo-se entre as ruas Siqueira Campos e a Mauá. “Dizem que ano que vem voltaremos para lá, vamos ver”, disse Sônia Zanchetta, responsável pelo espaço.
A área internacional voltou para frente do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs).
A Feira do Livro começa nesta sexta-feira, dia 31 de outubro, e segue até o dia 16 de novembro.Geólogos da USP querem água do Aquífero Guarani para São Paulo
Geólogos da Universidade de São Paulo (USP) elaboram um estudo para saber se é possível retirar água do Aquífero Guarani para abastecer a região de Piracicaba, aliviando o Sistema Cantareira. A proposta é analisar a viabilidade da construção de 24 poços artesianos no município de Itirapina, região oeste do estado, onde o aquífero pode ser acessado de forma rasa. A análise será apresentada, em aproximadamente um mês, ao comitê criado pelo governo estadual para administrar a crise hídrica no Cantareira. O sistema chegou a 13% da capacidade de armazenamento, após o início da utilização da segunda cota do volume morto.
O professor Reginaldo Bertolo, do Instituto de Geologia, explica que o estudo inclui a simulação, por meio de um modelo matemático, da extração de 150 mil litros de água por hora. “Queremos avaliar se o aquífero suporta essas vazões em longo prazo”, apontou. A análise baseia-se em um artigo publicado em 2004 por um grupo da Universidade Estadual Paulista (Unesp). De acordo com o trabalho, a região de Piracicaba fica distante cerca de 60 quilômetros (km) em linha reta, o que diminui os custos de um transporte da água direta para a capital. Outra vantagem é que o desnível geográfico entre as regiões de captação e consumo favorece o deslocamento.
Mesmo em fase de pré-viabilidade técnica, Bertolo acredita que essa pode ser uma alternativa interessante para o abastecimento de parte da região que deveria receber água do Cantareira. Ele destaca, no entanto, que é preciso fazer o uso sustentável dessa água para evitar novas crises. “A gente precisa ter a recarga no aquífero para que ele continue dando água. Se a gente tiver em longo prazo a certeza de que a chuva vai continuar caindo e o aquífero recarregado, uma vazão de 1 metro cúbico por segundo é uma vazão segura”, apontou. O Aquífero Guarani é a maior reserva estratégica de água doce da América Latina.
Atualmente, o aquífero abastece a maior parte das cidades do oeste paulista. “Observe que a crise de abastecimento de água está mais crítica nos municípios do centro-leste do estado”, avaliou. Isso ocorre, segundo Bertolo, porque eles têm maior segurança hídrica com a água oriunda dos aquíferos Bauru e Guarani. Entre os municípios abastecidos dessa forma, o professor destaca Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília, Bauru, entre outros. Ele explica que a profundidade das águas subterrâneas exige tecnologia complexa de engenharia, similar à utilizada para encontrar petróleo, para cavar os poços profundos.
(Da Agência Brasil)O que há por trás da capa de Veja
Luis Nassif*
A aventura irresponsável de Veja – recorrendo a uma matéria provavelmente falsa para pedir o impeachment de um presidente da República – não se deve a receios de bolivarianos armados invadindo a Esplanada.
Ela está sendo derrotada pelo mercado, pelo fato de que, pela primeira vez na história, a Internet trouxe o mercado para o setor fechado, derrubando as barreiras de entrada que permitiram a sobrevida de um jornalismo anacrônico, subdesenvolvido, a parte do país que mais se assemelha a uma republiqueta latino-americana.
É um caso único, de uma publicação que se aliou a uma organização criminosa – de Carlinhos Cachoeira – e continuou impune, fora do alcance do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.
A capa de Veja não surpreende. Há muito a revista abandonou qualquer veleidade de jornalismo.
Acusa a presidente da República Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula de conhecerem os esquemas Petrobras com base no seguinte trecho, de uma suposta confissão do doleiro Alberto Yousseff:
– O Planalto sabia de tudo – disse Youssef.
– Mas quem no Planalto? – perguntou o delegado.
– Lula e Dilma – respondeu o doleiro.
Era blefe.
Na sequência, a reportagem diz:
“O doleiro não apresentou – e nem lhe foram pedidas – provas do que disse. Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o depoente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades”.
Na primeira fase da delação premiada tem-se o criminoso falando o que quer. Enquanto não apresentar provas, a declaração não terá o menor valor. E Veja tem a fama de colocar o que quer nas declarações de fontes.
Ligado ao PSDB do Paraná, o advogado de Yousseff desmentiu as informações. Mas não se sabe ainda qual é o seu jogo.
As apostas erradas da Abril
Golbery do Couto e Silva dizia que a mentira tem mais valor que a verdade. A verdade é monótona, tem uma só leitura. Já a mentira traz um enorme conjunto de informações a serem pesquisadas, as intenções do mentiroso, a maneira como a mentira foi montada.
Daí a importância da capa de Veja: permitir desvendar o que está por trás da mentira.
A primeira peça do jogo é entender a posição atual do Grupo Abril.
Apostas de altíssimo risco só são bancadas em momentos de altíssimo desespero.
A tacada da Veja torna quase irresistível a proposta de regulação da mídia e de repor as defesas do cidadão que foram suprimidas pelo ex-Ministrio Ayres Britto, ao revogar a Lei de Imprensa.
Qual a razão de tanto desespero nessa aposta furada?
A explicação começa alguns anos atrás.
No mercado de mídia, o futuro acenava para o advento da Internet e da TV a cabo e para o fim das revistas e do papel. As apostas da Abril foram sempre na direção errada.
Ela montou um dos primeiros portais brasileiros, o BOL, que posteriormente fundiu-se com a UOL. Graças à sua influência política, conseguiu frequências de UHF e canais de TV a cabo.
A editora endividou-se e, para tapar buracos, Civita foi se desfazendo de todas as joias da coroa. Passou os 50% que detinha na UOL para a Folha – por um valor insignificante; vendeu a TV A para a Telefonica.
Associou-se ao grupo sul-africano Naspers, em uma operação confusa, visando burlar o limite de 30% para capital estrangeiro em grupos de mídia, previstos na lei.
Não parou por aí.
Adquiriu duas editoras – a Atica e a Scipionne –, que dependem fundamentalmente de compras públicas, confiando no poder de persuasão dos seus vendedores junto à rede escolar. A decisão do MEC (Ministério da Educação) de colocar todos os livros em uma publicação única, para escolha dos professores, eliminou sua vantagem comparativa.
Aí decidiu investir em cursos apostilados para prefeituras, um território pantanoso. Finalmente, “descobriu” o caminho das pedras, passando a direcionar todas suas energias para a área de educação.
Para tanto, criou uma nova empresa, a Abril Educação, colocou debaixo dela as editoras e os cursos e contratou um executivo ambicioso, Manoel Amorim, que aumentou exponencialmente o endividamento do grupo, para adquirir cursos e escolas.
Foi uma sucessão de compras extremamente onerosas, que deixaram o grupo em má situação financeira. A solução foi vender parte do capital para um grupo estrangeiro. Nem isso resolveu sua situação.
No ano passado, em conversa com especialistas do setor de mídia, Gianca Civita, o primogênito, já antecipava que a editora iria ser reduzida a meia dúzia de revistas e à Veja. Colocara à venda suas concessões de UHF e esperava que algum pastor eletrônico se habilitasse.
O cartel da jabuticaba
A editora viu-se depauperada em duas frentes. Uma, a própria decadência do mercado de revistas; outra, a descapitalização ainda maior para financiar a aventura educacional da Abril.
Além disso, foi vítima do maior tiro no pé da história da mídia brasileira: o “cartel da jabuticaba”.
Um cartel tradicional consiste em um pacto comercial entre competidores visando aumentar os preços e os ganhos de todos. O “cartel da jabuticaba” brasileiro foi uma peça genial (da Globo) em que todos se uniram contra a distribuição de parte ínfima da publicidade pública para a imprensa regional e para a Internet.
Alcançaram seu intento, mas não levaram o butim. A Internet não cresceu mas o resultado foi uma enorme concentração de verbas na TV aberta — e, dentro dela, na TV Globo.
Poucos meses atrás, o próprio João Roberto Marinho – um dos herdeiros da Globo – manifestava a interlocutores sua preocupação com a concentração da mídia. A Globo jogou em seu favor, óbvio; mas não contava com o despreparo das demais empresas sequer para entender onde estavam seus interesses.
Quando o faturamento do papel minguou, todos pularam para a Internet. Mas a piscina estava vazia graças às pressões que eles próprios fizeram sobre a Secom e as agências.
Hoje em dia, o mercado de TV a cabo passou a disputar acirradamente as verbas publicitárias. Se indagar de um executivo do setor se a disputa é com as revistas e jornais, ele dará de ombros: a imprensa escrita não tem mais a menor relevância; a disputa é com a TV aberta.
A bala de Fábio Barbosa
É esse quadro de crise nas duas frentes que explica a bala de prata de Fábio Barbosa.
Nos últimos meses, Fábio Barbosa contratou o INDG, de Vicente Falconi, para um trabalho de redução de custos da Abril, paralelamente à própria redução da Abril..
Falconi constatou o que o Blog já levantara alguns anos atrás: a estrutura de Veja era superdimensionada para o conteúdo semanal.
Na época, montei um quadro com todas as reportagens de uma edição, estimei o tempo-hora de cada repórter e editor e, no final, mostrava que seria possível entregar o mesmo conteúdo com um terço da redação.
Com metodologia muito mais gerencial, Falconi chegou às mesmas conclusões, resultando daí a demissão de várias pessoas em cargos-chave – inclusive Otávio Cabral, repórter das missões sensíveis da revista, que acabou indo trabalhar na campanha de Aécio.
Apenas amenizou um pouco a queda. Com as duas frentes comprometidas, a Abril entrou em uma sinuca de bico.
Com a morte de Roberto Civita, começou a enfrentar dificuldades crescentes para renovar os financiamentos. Desde o início do ano, os herdeiros de Roberto Civita estão buscando compradores para a outra metade da Abril Educação.
Antes disso, desde o ano passado, decidiram sair definitivamente da área editorial. Mas a legislação não permite à Naspers ampliar sua participação na editora. E, se não teve nenhum corte de verba oficial para suas publicações, por outro lado a Abril jamais encontrou espaço no governo Dilma para acertos e grandes negócios, como uma mudança na legislação sobre capital estrangeiro na mídia..
É nesse quadro dramático, que o presidente do grupo, Fábio Barbosa, tenta a última tacada, apostando todas as fichas em Aécio.
A última chance
A carreira anterior de Barbosa foi no mercado bancário. Foi sucessivamente presidente do ABN Amro, depois do ABN-Real, quando o banco holandês adquiriu o Real; depois do Santander, quando o banco espanhol adquiriu os dois.
No ABN e no Santander foi responsável por uma das maiores operações imobiliárias do mercado. No ABN participou do empréstimo de R$ 380 milhões para a WTorres adquirir o esqueleto da Eletropaulo, na marginal Pinheiros. Seis meses depois, a companhia não tinha mais recursos para quitar o financiamento. Entregou parte do capital aos credores.
Em 2008, ainda na condição de presidente indicado para o Santander, Fábio anunciou a aquisição da torre pelo banco por R$ 1 bilhão. “A aquisição desse imóvel é um marco e demonstra a determinação do Santander em investir para que tenhamos um Banco cada vez mais forte e competitivo”, afirma ele. (http://migre.me/ms7aW).
Atuou no início e no final da operação, assessorado por seu homem de confiança, José Berenguer Neto.
Em pouco tempo começaram a pipocar os problemas da WTorre. Atrasou a entrega da sede do Santander, que ingressou em juízo com pedido de indenização de R$ 135 milhões. A dívida fez com que a WTorre desistisse de lançar ações na Bolsa de São Paulo.
Em outubro de 2010 a obra continuava causando transtorno, sem ser entregue (http://migre.me/ms7Pc)
Em agosto de 2011, Fabio saiu do Santander. O clima azedou quando a direção se deu conta dos problemas criados. O presidente mundial Emilio Botin colocou um homem de confiança como espécie de interventor, levando Fabio a se demitir. Junto com ele saiu José Berenguer Neto, que assumiu um cargo na Gávea Investimentos, para atuar na área imobiliária.
Na época, executivos do banco ouvidos pela imprensa disseram que no ABN Fabio tinha plena liberdade; no Santander, não mais. Fabio deixou o banco sendo elogiado pelo sucessor.
O episódio não causou tanto estardalhaço quanto a tentativa de Barbosa, no comando da Veja, de tentar um golpe de Estado armado com um 3 de paus.
Revista enfrenta sete processos por calúnia
O PT e os partidos que fizeram parte da Coligação Com a Força do Povo, que reelegeu Dilma Rousseff presidente no domingo (26), encaminham sete ações na Justiça contra a revista Veja. A publicação cravou, sem provas e a dois dias do segundo turno, que tanto Dilma quanto Lula “sabiam de tudo” no caso da Petrobras, investigado na Operação Lava Jato.
Um dos pedidos foi encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral. A Corte chegou a condenar Veja a publicar direito de resposta à Dilma e considerou a “reportagem” um peça eleitoral em favor do adversário Aécio Neves (PSDB), determinando a suspensão de sua publicidade.
Foi necessário que o TSE emitisse um novo despacho após a condenação, ameaçando multa de R$ 500 mil por hora, para que o portal da revista cumprisse a decisão judicial nos termos apresentados pelo ministro Admar Gonzaga.
“Ao TSE, será encaminhado pedido de direito de resposta, inclusive na revista Veja Online, por se tratar de reportagem mentirosa, caluniosa e difamatória. Encaminha-se, ainda, uma representação para impedir qualquer publicidade desta edição da revista em rádio, TV e outdoor por configurar propaganda eleitoral negativa”, informou o PT.
Ao Ministério Público Federal, um pedido de instauração de procedimento de investigação para apurar os abusos cometidos pela revista com a intenção de prejudicar a candidatura de Dilma e influenciar o resultado das eleições presidenciais de 2014 também foi encaminhado.
*Fonte: Jornal GGN, com o título “A última tacada de Fábio Barbosa e da Editora Abril”Petrobras contrata investigação independe para apurar corrupção
Providências internas tomadas pela Petrobras relacionadas à “Operação Lava Jato”
A Petrobras, diante das notícias relacionadas às investigações decorrentes da Operação Lava Jato, vem atualizar a imprensa com as seguintes informações:A “Operação Lava Jato” é uma investigação que vem sendo realizada pela Polícia Federal brasileira. No âmbito da operação, um ex-diretor da Petrobras, conjuntamente com outras pessoas, já foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Neste momento, estão em curso investigações sobre a prática de supostos crimes em desfavor da Petrobras.
Considerando esse cenário, a Petrobras tomou diversas medidas com a finalidade de apurar fatos, cabendo ressaltar as seguintes:- Constituiu Comissões Internas de Apuração para averiguar indícios ou fatos contra a empresa, bem como subsidiar medidas administrativas e procedimentos decorrentes;- Requereu acesso aos autos da investigação relacionada à Operação Lava Jato, incluindo os autos da ação por lavagem de dinheiro e organização criminosa, como forma de acompanhar de perto as investigações, o que foi deferido pelo Poder Judiciário;- Solicitou acesso ao conteúdo da “delação premiada” realizada pelo ex-Diretor Paulo Roberto Costa, o que ainda não foi deferido pelo Poder Judiciário;
- Vem prestando esclarecimentos às autoridades (Polícia Federal, Ministério Público Federal e Poder Judiciário), inclusive informando as diligências já realizadas no âmbito da companhia;- Solicitou esclarecimentos, para subsidiar suas avaliações internas, às empresas mencionadas na imprensa como tendo atividades sob investigação na “Operação Lava Jato”, especialmente após a repercussão na mídia de informações a respeito da mencionada “delação premiada”.
Especificadamente diante das denúncias de corrupção na companhia efetuadas pelo ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e pelo Sr. Alberto Youssef, em audiência na 13ª Vara Federal do Paraná em 08/10/2014, a companhia, conforme autorizado pelo Juiz da causa, teve acesso oficial ao inteiro teor dos depoimentos – que não se confundem com a íntegra dos depoimentos prestados no âmbito da chamada “delação premiada”, que ainda estão sob segredo de Justiça – e tem utilizado tal material para subsidiar suas Comissões Internas de Apuração.Em 24 e 25/10/2014 a Petrobras assinou contratos com duas empresas independentes especializadas em investigação, uma brasileira e outra americana, com o objetivo de apurar a natureza, extensão e impacto das ações que porventura tenham sido cometidas no contexto das alegações feitas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, bem como apurar fatos e circunstâncias correlatos que tenham impacto material sobre os negócios da companhia.
Ao autorizar a contratação dessas empresas, a Diretoria Executiva cumpre seu dever de diligência e, além das normas regulatórias e de auditoria aplicáveis pela CVM, considera o contexto do Foreign Corrupt Practices Act (“FCPA”) e da Seção 10A do Securities Act of 1934 (Seção 10A), uma vez que a Petrobras é registrada na Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA.
Paralelamente ao avanço das investigações, a companhia já está trabalhando nas medidas jurídicas adequadas para ressarcimento dos supostos recursos desviados e dos eventuais valores decorrentes de sobrepreços derivados das empresas supostamente participantes do cartel, conforme mencionado no depoimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa, além dos danos causados à imagem da companhia.
A companhia reitera que vem acompanhando as investigações e colaborando efetivamente com os trabalhos das autoridades públicas, conforme reconhece o Poder Judiciário. Reitera, ainda, enfaticamente, que manterá seu empenho em continuar colaborando com as autoridades para a elucidação dos fatos.A Petrobras reforça, por fim, que está sendo oficialmente reconhecida pelas autoridades públicas como vítima nesse processo de apuração.
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