Mineiro de Belo Horizonte, Aécio Neves tinha como carro chefe de sua campanha os seus dois mandatos no governo de Minas Gerais, dos quais saiu com mais de 90% de aprovação.
Mas as derrotas no primeiro turno, de seu candidato a governador e dele próprio, minaram sua estratégia.
“Quem conhece Aécio não vota nele”, dizia a propaganda do PT.
A reeleição de Dilma, por pouco mais de 3% dos votos, estaria definitivamente comprometida, se não fosse a derrota de seu adversário em Minas, não pelo número de votos que perdeu, mas pela bandeira de eficiente administrador que as urnas rasgaram. (da Redação)
Autor: da Redação
Minas Gerais derrotou Aécio Neves
Partidos: nanicos tiraram votos de todos os grandes
A votação para deputado federal, que define o tamanho de cada bancada na Câmara Federal, mostra que todos os grandes partidos perderam votos nestas eleições de 2014
O PT, campeão de votos para deputado federal, teve uma queda de 18,3% nas eleições deste ano em comparação com o pleito de 2010.
Caiu de 16,6 milhões de votos na eleição passara para 13,5 milhões em 2014 (número que inclui os nominais e na legenda nos 26 estados e no Distrito Federal).
O PMDB que ficou em segunda colocação na eleição de 2010, com 12,7 milhões de votos, caiu 15%, ficando com pouco mais de 10 milhões de votos agora.
O PSDB também caiu, mas bem menos, apenas 3,6%, ficando com pouco mais de 11 milhões de votos.
Com isso ultrapassou o PMDB, que caiu para o terceiro lugar no ranking dos maiores partidos.
Dos partidos tradicionais, o que mais perdeu foi o DEM, com 44% a menos de votos, caindo de 7,3 milhões em 2010, para pouco mais de 4 milhões.
O PDT, fundado por Leonel Brizola, foi outro dos tradicionais que caiu quase 30% no número de votos para deputado federal. O PP também caiu 14% e mesmo o PSB, que teve um candidato a presidência fez 9% de votos a menos nesta eleição.
Dos 32 partidos, 15 tiveram menos votos neste ano que em 2010. A queda mais surpreendente foi a do Partido Verde, o PV, que encolheu quase à metade (46%), que quase 4 milhões em 2010 para pouco mais de 2 milhões agora.
A maior queda foi registrada pelo PMN (58%), que já alcançara mais de um milhão de votos na eleição passada e agora recuou para 460 mil.
Doze siglas ganharam votos em 2014, sendo o nanico PTN o destaque, com alta de 290,5%, saltando de 180 mil para 720 mil.
O PRB que já tiveram um crescimento acentuado na eleição passada, agora deu um salto de 150% – 1,7 milhão de votos para 4,4 milhões, deixando de ser um nanico para tornar-se um partido médio.
*O número de cadeiras que cada partido ganha na Câmara dos Deputados não é determinado apenas a partir do total de votos que a sigla recebeu. Votos na coligação, na legenda e no candidato são levados em consideração para fazer a conta. Por isso, é possível que um partido tenha mais votos que outro, mas menos cadeiras.
Mesmo sendo o segundo no número de votos, o PSDB é o terceiro no número de cadeiras – 54, contra 66 do PMDB e 70 do PT. O mesmo acontece com o PSB, que é o 4º em votos (6,3 milhões), mas o 6º em cadeiras (34). Já o PSD é o 4º em cadeiras (37) mesmo sendo o 6º em votos (6 milhões). O PT é o lider em ambos os quesitos. (Da Redação).Define-se o estilo Sartori de governar
A reação de José Ivo Sartori, o governador eleito no Rio Grande do Sul, às especulações sobre seus futuros secretários, dá uma pista de seu estilo de governar.
Já na campanha, quando foi lembrado que seu vice, Cairoli, é critico do salário mínimo regional, ele foi taxativo: “Quem vai governar sou eu”.
Agora, mal surgiram as primeiras especulações, ele reuniu os assessores e foi claro: não quer ninguém de sua equipe falando em nomes. E avisou à imprensa: “Até 15 de dezembro não vai ter nenhum nome e ninguém está autorizado a anunciar nada”.
Nesse período ele vai consultar seus botões.
Mandou também um recado aos que fazem lobby: “O nome especulado é muitas vezes prejudicado”.
Os nomes no entanto já circulam nos jornais: muitos deles integrantes da coordenação de campanha, como João Carlos Brum Torres, Ibsen Pinheiro, José Fogaça e Luis Roberto Ponte, Germano Rigotto, Giovani Feltes, da nova geração, eleito deputado federal. São citados, como os homens mais próximos de Sartori, Carlos Búrigo, braço direito na campanha, e Edson Néspolo, chefe de gabinete do governador eleito por oito anos em Caxias.
Quando prefeito, Sartori valorizou técnicos sem vínculo partidário, chegou a ter nove deles entre os vinte secretários municipais.
Em todo caso, ele não poderá fugir de reservar um espaço para contemplar a composição política que o elegeu e que envolve: PDT, PTB, PSB, PSD, PPS, PP, PSDB, PRB e Solidariedade…
Fora os compromissos internos: por exemplo, é quase certo que chamará um deputado federal, para que José Fogaça, que ficou na suplência, possa assumir o mandato em Brasília. (EB)Regulação da mídia foi destaque em seminário da Ajuris
A Associação dos Juizes do Rio Grande do Sul marcou seus 70 anos com um seminário sobre “A Liberdade de Expressão na América Latina”. As leis existentes e as propostas para regulação da mídia foram o tema de duas palestras no dia 23/10.
Na primeira palestra o conselheiro de Comunicação e Informação para o Mercosul e Chile da Unesco, Guilherme Canela Godoi, destacou “os muitos avanços registrados nos últimos trinta anos quanto à liberdade de imprensa mídia na América Latina”.
Citou, como exemplo. o fato de todos os países da região, exceto Cuba, terem a liberdade de expressão consagrada em suas constituições.
Listou três “desafios centrais”: a criação órgãos reguladores independentes, a regulação adequada da concentração de propriedade e a violência contra jornalistas.
“São três questões que continuam em aberto e que precisam ser aprimoradas para a garantia de mais liberdade de expressão e não menos”, frisou.
O palestrante ressaltou como fundamental o entendimento de que o tema não é responsabilidade de um determinado poder ou de parte da sociedade, mas de todos.
“A liberdade de expressão é a pedra angular da consolidação dos regimes democráticos, sem ela não haverá avanços’’, salientou.
Assim, ressaltou a importância de que os atores públicos, privados e a sociedade civil organizada compreendam a necessidade de um esforço coletivo visando a constante evolução do cenário.
“As medidas são de diferentes ordens. Há medidas legislativas, de capacitação desses atores, há medidas de monitoramento da sociedade civil, de autoregulação do setor empresarial. Enfim, é um tema complexo e seria ingênuo pensar que uma única medida vá avançar”, explicou.
O presidente da AJURIS, Eugênio Couto Terra, disse que, no Brasil e na América Latina, a regulação da mídia está marcada ideologicamente, com a equivocada associação do tema à censura. “Isso não é verdadeiro.Um marco regulatório eficiente, democrático, construído em conjunto com a sociedade, garante mais democracia, mais acesso a mídia”, afirmou.
O debate é inevitável e a Associação quer contribuir para o esclarecimento do assunto. O presidente lembrou que em 70 anos de história a entidade sempre assumiu um caráter propositivo, fortalecendo a discussão sobre questões sociais relevantes.
Na segunda parte do seminário, à tarde, ao tema foi “O controle social dos meios de comunicação” e palestrantes os jornalistas argentinos Martín Becerra, pesquisador dos Sistemas dos Meios de Comunicação na América Latina, e Fabio Ariel Ladetto, presidente do Foro de Periodismo Argentino (Fopea).
O painel teve como mediador o jornalista e professor da UFRGS, Flávio Porcello traçaram um amplo cenário do que a Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual y Reglamentación mudou no país vizinho desde sua implantação em 2009.
Ambos acompanham a lei de regulação da mídia argentina desde seu início e, apesar de algumas distinções no modo de percebê-la, fazem coro sob um aspecto: os benefícios não são maiores por conta do próprio governo argentino.
Para Becerra, colaborador da criação da lei, ela tem sido mal aplicada pelo governo e tornou-se impulsionadora de disputas políticas e judiciais. Mas nem por isso pode ser desconsiderada ou propagada erroneamente como “lei da mordaça”, como segmentos políticos opositores e de imprensa do próprio país e de vizinhos da América Latina, inclusive no Brasil, têm informado.
A contrariedade em relação à norma recai principalmente ao item que limita a 30% de alcance da população o serviço dos canais licenciados – muito abaixo do que a maior parte dos conglomerados de mídia possui.
A lei permitiu, pela primeira vez na Argentina, que as decisões sobre liberações de concessões não ficassem exclusivamente com o governo.
Becerra lembrou que opositores políticos e membros da sociedade civil participam do órgão regulador, a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA).
No entanto, Becerra avalia que o governo identificou no grupo Clarín, seu opositor, um inimigo formal. Na tentativa de desmembrá-lo e enquadrá-lo na limitação de alcance imposto pela lei, o governo faz vistas grossas para as demais empresas que atuam em igual condição.
“Há um abismo entre o que a lei planta e o governo realiza”, declarou o jornalista
A tentativa do Clarín é de arrastar as questões judiciais em curso, revela Becerra.
Como o mandato da presidente Cristina Kirchner se encerra no final de 2015, há a expectativa por um novo presidente mais alinhado com o grupo de comunicação – o deputado Sergio Massa e o ex-prefeito de Buenos Aires Mauricio Magri aparecem como os nomes mais fortes entre os pré-candidatos –, o que poderia amenizar a crise.
Já Ladetto, embora com uma linha mais crítica em relação à aplicação da lei, reforça a importância de sua elaboração para a democracia.
Segundo ele, a normativa rompeu com velhas práticas dos governos ditatoriais na Argentina, que concedia benefícios e concessões a seus parceiros políticos a partir de critérios pouco claros. “Essas medidas nunca privilegiaram o cidadão”.
Para ele, a lei não deve ser vista como uma censura às empresas de comunicação, mas sim como um elemento para defender os interesses da população.
“As normativas sancionadas em vários países latino-americanos para atualizar as regras sobre a comunicação social e as pendentes, como neste querido Brasil, são marcos que devem nos guiar a aprofundar os processos democráticos e a dar poder os cidadãos”, declarou.
Ambos palestrantes alertaram para o fato de que boa parte das novas concessões na Argentina atendem os interesses do atual governo.
O órgão responsável pelas licenças é AFSCA, que concedeu nestes cinco anos de legislação 1.200 licenças. Poucas delas ainda estão no ar.
Becerra acrescentou que, até o momento, o aumento nas produções regionais em meios audiovisuais foi pequeno.
A concentração permanece com Buenos Aires. “Faltam políticas que permitam o fomento das produções locais, o que dificulta a busca por maior audiência”.
Ladetto ainda questiona as outorgas concedidas. “Enquanto isso, houve decisões desconcertantes, como licenças para grupos que já têm meios, que potencia os setores concentrados, o que abertamente contradizem o postulado legal”, aponta Ladetto.
O mediador do painel, professor Flávio Porcello, elogiou a iniciativa da AJURIS que, ao celebrar 70 anos de história, escolhe fomentar o debate sobre um assunto de interesse da sociedade, mas pouco discutido. “A regulação da mídia não é um problema que afete a Argentina, o Brasil, esse ou aquele país, mas a todos nós”, refletiu.
O jornalista afirmou, ainda, ser fundamental encontrar meios de regularizar a atividade da comunicação social visando a beneficiar as pessoas. E frisou: isso não significa censura, repressão ou controle de ideias. “Ninguém é a favor da censura. Censura é uma coisa; regular, regularizar a situação da comunicação no país é outra”, lembrou. Para Porcello, debate é o instrumento mais adequado para atingir esse objetivo.
Particiram da abertura do evento, o chefe de gabinete do Governador, representando o Governo do Estado, Ricardo Zamora; o presidente do Conselho de Comunicação Social do TJ/RS, representando a Corte, desembargador Túlio de Oliveira Martins; o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Gilmar Sossela; o subprocurador-geral para Assuntos Jurídicos, representando a Procuradoria Geral da Justiça, Ivory Coelho Neto; o Defensor público geral do Estado, Nilton Leonel Arnecke Maria; o Procurador geral do Estado, Carlos Henrique Kaiper; o diretor do Foro da Comarca de Porto Alegre, Nilton Tavares da Silva; o vice-presidente e corregedor do TRE/RS, representando o Tribunal, Luiz Felipe Brasil Santos; o integrante da Comissão de Comunicação Social e Relações Institucionais do TRT da 4ª Região, representando àquela instituição, desembargador Marcelo Gonçalves de Oliveira; o procurador-chefe da Procuradoria-Regional da República da 4ª Região, Marco André Seifert; o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo dos Santos Costa; e representando a OAB/RS, Ana Paula Oliveira Ávila.
O evento contou com patrocínio do Banrisul e apoio da Escola Superior da Magistratura e da Clínica de Direitos Humanos da Uniritter.
Áudios
O Seminário AJURIS 70 Anos teve transmissão, ao vivo, da Radioweb AJURIS. Os áudios já estão disponíveis no site da Associação.
(Com informações da Ajuris)Virada de Dilma se consolida nas últimas pesquisas
Prenunciada há uma semana, a quebra de tendência em favor da candidata Dilma Rousseff se consolida segundo indicam as últimas pesquisas.
Na ultima pesquisa do Ibobe ela abriu oito pontos na frente de Aédio – 54 a 46.
[wp_charts title=”eleicoes” type=”doughnut” width=”30%” height=”auto” align=”aligncenter” margin=”0px 20px 0px 0px” data=”54,46″ colors=”#FCB03C,#A9BF5D”]Dilma >>>>>>>>>>>>>>>>>> 54%
Aécio >>>>>>>>>>>>>>>> 46%
Se as pesquisas refletem o que está ocorrendo, não há tempo para reverter, Dilma está reeleita. A menos que Aécio tenha uma bala de prata. (EB)
Justiça tira do ar propaganda com ataques pessoais
A juíza Liselena Schifino Robles Ribeiro, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), determinou a proibição de uma peça da campanha de José Ivo Sartori (PMDB), por conter “ataques pessoais” ao governador Tarso Genro (PT).
“As assertivas lançadas constituem ataques de natureza pessoal”, disse a desembargadora em seu despacho. Considerou a intervenção do tribunal necessária para “tornar o debate mais respeitoso e produtivo para os cidadãos gaúchos”.A propaganda em questão, veiculada nos dias 21 e 22 de outubro, lança uma série de ataques a Tarso Genro – “desequilibrado, mentiroso, fanático, manipulador, alucinado, ator de teatro de baixo nível”, entre outras acusações.O pedido de suspensão imediata da propaganda foi feito pelo comitê da campanha de Tarso, que entrou com representação na Justiça Eleitoral contra a coligação adversária, chefiada pelo PMDB e seu candidato José Ivo Sartori.Há ainda, um pedido de resposta, que será analisado em breve pela justiça eleitoral.
Vivo vai cobrar mais de gaúchos e mineiros pela internet por celular
A operadora de telefonia Vivo vai mudar a forma de cobrança da internet pelo celular para clientes de pacotes pré-pagos a partir de 6 de novembro, a começar pelo Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Quando o pacote de dados contratado pelo cliente acabar, ele terá que pagar um valor adicional para continuar navegando na internet. Atualmente, quando a franquia chega ao fim, a velocidade de navegação é reduzida, mas o usuário não tem que pagar a mais.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as regras do setor permitem às empresas adotar várias modalidades de franquias e de cobranças, mas o Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações determina que qualquer alteração em planos de serviços e ofertas deve ser comunicada ao usuário, pela prestadora, com antecedência mínima de 30 dias.
A Vivo informou que os clientes pré-pagos estão sendo avisados por SMS sobre a mudança. Depois da mudança, os clientes vão receber uma mensagem de texto (SMS) quando o consumo atingir 80% da franquia e outro no momento em que ela acabar. O último aviso virá com a opção de contratação do pacote adicional de 50 MB, que custará R$ 2,99 por sete dias.
O mesmo ajuste deverá ser implementado futuramente para os clientes de planos pós-pagos. A empresa diz que está trabalhando em ajuste sistêmicos e fará o anúncio sobre a mudança aos usuários com a antecedência necessária. Segundo a Vivo, 53,1 milhões de clientes pré-pagos vêm usando cada vez mais a transmissão de dados pelo celular, especialmente para acessar redes sociais.
Para a TIM, mudanças no formato de tarifação de dados móveis são um movimento natural, em linha com o crescimento contínuo do uso de internet nos celulares, mas a operadora disse que não prevê qualquer ajuste na cobrança, por enquanto, e segue avaliando as diferentes possibilidades.
A Oi disse que considera o fim da velocidade reduzida, aliada ao novo modelo de cobrança por pacotes adicionais, uma tendência mundial, mas não informou se irá adotá-la em breve.
A Claro também não informou se mudará a estratégia. Seus clientes podem escolher entre contratar pacotes adicionais ou navegar com a velocidade reduzida depois que a franquia acaba.
A Associação de Consumidores Proteste critica a intenção das operadoras e diz que vai enviar um ofício à Anatel questionando a iniciativa. Para a entidade, as empresas não podem alterar unilateralmente o contrato para os consumidores que já têm planos de franquia que garantem a continuidade do serviço, ainda que com velocidade reduzida. “Os maiores prejudicados serão os consumidores que foram iludidos com pretensos planos de acesso ilimitado a internet. É importante verificar no contrato as limitações de velocidade previstas quando o usuário excede a franquia média de dados”, orienta a Proteste.
(Da Agência Brasil)Tortura: “É preciso que as Forças Armadas reconheçam", diz Dallari
O presidente da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari, voltou a cobrar das Forças Armadas o reconhecimento da sua responsabilidade por torturas na ditadura (1964-85).
Na América Latina, o Chile, a Argentina e o Uruguai, militares e autoridades se desculparam pela violação de direitos humanos. A tortura e mortes nessas circunstâncias são classificadas como crime contra a humanidade.
“É preciso que as Forças Armadas reconheçam que houve essa realidade, pelo bem, inclusive, da reconciliação, uma das finalidades da Comissão da Verdade “, disse Dallari, ao deixar a Base Naval da Ilha das Flores, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Foi a última das sete diligências em instalações militares onde ocorreram torturas e mortes durante a ditadura.
Em setembro, o ministro da Defesa, Celso Amorim, disse que as Forças Armadas não negam. “Mas também não reconhecem, e é muito importante que reconheçam”, frisou Dallari.
Cerca de 200 presos políticos passaram pela base da Ilha das Flores, entre eles, os jornalistas Fernando Gabeira e Elio Gaspari e o novelista Aguinaldo Silva. Hoje, acompanhando o trabalho da comissão, estavam peritos, pesquisadores e 14 testemunhas, como Ziléa Reznik, uma das primeiras mulheres detidas pela ditadura no Rio. Em entrevista do lado de fora da base, onde a gravação foi permitida, Ziléa revelou detalhes dos abusos que sofreu no local.
“Tinha a a coisa sexual presente na tortura [contra mulheres]. A primeira coisa que eles mandavam era tirar a roupa. A roupa ficava de fora e eles passavam a mão na gente – era nua o tempo todo. Eles não estupravam, como fizeram depois, mas tinha todo o assédio, os xingamentos depreciativos, o terror psicológico com nossas famílias”, lembrou Ziléa, que à época integrava o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e tinha 20 anos.
Outro militante do MR-8, Umberto Trigueiros Lima, confirmou o pau de arara, os espancamentos e a solitária, onde passou 15 dias. Durante as torturas, Trigueiros chegou a ser examinado por um médico conhecido por Dr. Coutinho, que verificava se os presos aguentavam os maus-tratos. “Ele atendia a gente nos interrogatórios, sob tortura. Se o preso desmaiava, ou qualquer coisa, ele tomava a pressão, auscultava, dizia se podia continuar ou não”, revelou.
Base da Ilha das Flores recebeu 200 presos políticos durante o regime militar Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil
Na diligência desta terça-feira, a CNV recolheu provas e registrou as condições das instalações da base naval. A CNV e Comissão Estadual da Verdade querem que seja erguido na área um memorial em homenagem às vítimas do regime militar. No local, à beira da Baía de Guanabara, já funciona o Centro de Memória da Imigração, por ter recebido europeus no fim do século 19.
Desde o ano passado, a comissão visita instalações militares usadas para a prática de tortura pelas Forças Armadas, no Rio, em São Paulo, no Recife e em Minas Gerais. O objetivo da diligência é comprovar desvio de finalidade no uso das instalações. O material vai compor o relatório final da CNV, cujas atividades se encerram no dia 10 de dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos.
Em documento divulgado em setembro, conhecido por Manifesto dos 27 Generais, um grupo de oficiais da reserva que atuou no regime militar fez críticas à CNV e disse que não será dada qualquer desculpa pelos crimes cometidos no período. A Marinha não se pronunciou. (Agência Brasil)
Queijo serrano busca selo de origem
No início de novembro, o queijeiro gaucho Rafael Medeiros, de Bom Jesus, vai a São Paulo para participar do concurso Queijo Brasil.
Em sua companhia vai o técnico agrícola Orlando Junior Kramer Velho, da Emater, que dá assistência aos agricultores familiares de São José dos Ausentes e Bom Jesus.
Os dois vão na garupa do chefe de cozinha Carlos Christensen, de Porto Alegre, que vai usar o queijo de Cima da Serra na preparação de alguns pratos.
A inédita viagem à capital brasileira da gastronomia faz parte do esforço para obter o selo de origem para o queijo artesanal serrano, o principal produto da pecuária familiar dos Campos de Cima da Serra, onde a criação extensiva de gado se desenvolve há mais de dois séculos em cima de 1 milhão de hectares de pastagens nativas.
Segundo Kramer Velho, o queijo serrano, que se caracteriza pela casca dura e a cor amarela, era um dos itens do farnel dos tropeiros que faziam a rota RS-SP.
Ultimamente, com o fortalecimento da pecuária leiteira no Rio Grande do Sul, foi descoberto por turistas e, mais recentemente, passou a ser encomendado por chefes da gastronomia chique.
Aí começa o pulo do gato dos queijeiros dos “alpes gaúchos”.
Nessa região de altitude em torno de 1 mil metros há três associações de produtores de queijo serrano. A mais antiga é a Aprocampos.
Fundada há cinco anos, reúne 45 familias de Bom Jesus e São José dos Ausentes. Há três anos, associados da Aprocampos vêm participando com sucesso do pavilhão da agricultura familiar da Expointer. (GH)Cultura: IPHAN premia ações de valorização do Patrimônio Cultural
O Clube do Choro, em Brasília, será o palco de entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), às melhores iniciativas de preservação, valorização e salvaguarda do Patrimônio Cultural Brasileiro.
A cerimônia ocorre no dia 04 de novembro, às 19h, e reunirá os representantes das seis ações vencedoras. Cada uma dessas receberá o valor de R$ 25 mil e uma placa comemorativa como parte do reconhecimento às iniciativas. O Prêmio que chega a 27ª edição foi criado pelo Iphan, no ano de 1987, em homenagem ao primeiro presidente do Instituto. O objetivo é reconhecer iniciativas, desenvolvidas por pessoas e instituições públicas ou privadas que mantém vivo o patrimônio e suas mais diversas formas de expressão.
Esta edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade lembra ainda o centenário da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, responsável por inovações estéticas na arquitetura nacional. Ela participou ativamente da produção cultural do país, ao lado de nomes como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Athos Bulcão, Burle Marx, Portinari, o escultor Landucci e outros. Projetou espaços culturais importantes, como a sede do Museu de Arte de São Paulo (MASP); o Teatro Oficina de São Paulo; o Museu de Arte Moderna da Bahia; e a Casa de Cultura, em Recife. Sua própria residência, conhecida como Casa de Vidro, foi tombada pelo Iphan em 2007.
Os premiados dos estados do Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba e Rio de Janeiro foram selecionados em agosto, pela Comissão Nacional de Avaliação, composta por 16 jurados, que levaram em consideração a relevância e excelência de cada projeto. Durante a cerimônia de premiação o público poderá conhecer os projetos vencedores que fortalecem relações de identidade e preservação da memória social do Brasil. São eles:
Categoria I – Iniciativas de excelência em técnicas de preservação e salvaguarda do Patrimônio:
Ação: Rabecas da Tradição: performance e luteria
Projeto Rabecas da Tradição Performance e Luteria / CE
Os rabequeiros, tocadores e fabricantes artesanais da rabeca, mantêm vivo o som deste instrumento, no interior do Ceará, como forma de preservar a cultura do lugar onde vivem.
Proponente: Francisco Gilmar Cavalcante de Carvalho
Estado: Ceará
Ação: Projeto Respeitável Público, Respeitável Circo.
Capa da Cartilha Seja Parceiro do Circo / Projeto Respeitável Público. Respeitável Circo / MG
A partir de diversas ações e de uma extensa pesquisa documental, o Projeto reacende a memória e a força de expressão cultural do Circo, em Minas Gerais.
Proponente: Sula Kyriacos Mavrudis
Estado: Minas Gerais
Ação: Projeto de Balsa Buriti Preservando a Memória Fluvial
Balsa de Buriti / PA
Uma balsa feita da leveza do Buriti traz à tona o peso e força da memória, percorrendo, pelo rio, diversas localidades da região e mostrando este antigo costume de construir este tipo de balsa.
Proponente: Fundação Casa da Cultura de Marabá
Estado: Pará
Categoria II – Iniciativas de excelência em promoção e gestão compartilhada do Patrimônio:
Ação: Projeto Cabocla – Bordando Cidadania
Projeto Cabocla Bordando Cidadania / GO
Oficinas de um antigo costume, o bordado, são ministradas às presidiárias e aos presidiários da cidade de Goiás, tecendo novas histórias.
Proponente: Milena Curado de Barros
Estado: Goiás
Ação: Memórias e colaborações através do audiovisual
Reisado de Zabelê /Projeto Memórias e colaborações através do audiovisual / PB
No município de Zabelê, o pequeno gesto de uma câmera na mão é capaz de reviver e registrar o patrimônio cultural daquele lugar.
Proponente: Associação Cultural de Zabelê.
Estado: Paraíba
Ação: Programa de Apoio à Conservação do Patrimônio Cultural – PRÓ-APAC
Projeto Pró-Apac / RJ
A ação propõe a revitalização de residências, como instrumento de manutenção da memória e de preservação do patrimônio
Proponente: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro/Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.
Estado: Rio de Janeiro
Mesas Redondas
Este ano, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade traz uma novidade. Na tarde do dia 03 de novembro, e na manhã do dia 04 de novembro, os premiados estarão reunidos na sede do Iphan em Brasília apresentando seus projetos em mesas redondas. A abertura dos trabalhos será às 14h, com a presidenta do Iphan, Jurema Machado, diretores e técnicos do Instituto. Também participarão do debate – que será aberto ao público – alguns dos jurados da Comissão Nacional de Avaliação. O objetivo deste encontro é proporcionar maior interação entre o Iphan e os envolvidos nas ações vencedoras, além de possibilitar a troca de experiências e uma ampla divulgação dos projetos que apresentam uma visão sobre o país a partir de suas realidades locais.
Lina Bo Bardi
A 27ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade celebra também o centenário da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, responsável por inovações estéticas na arquitetura nacional. Veio para o Brasil junto com o marido, Pietro Maria Bardi, em 1946, onde participou ativamente da produção cultural do país, ao lado de nomes como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Athos Bulcão, Burle Marx, Portinari, o escultor Landucci e outros. Projetou espaços culturais importantes, como a sede do Museu de Arte de São Paulo (MASP); o Teatro Oficina de São Paulo; o Museu de Arte Moderna da Bahia; e a Casa de Cultura, em Recife. Sua própria residência, conhecida como Casa de Vidro, foi considerada patrimônio Cultural pelo IPHAN em 2007.
Rodrigo Melo Franco de Andrade
O advogado, jornalista e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade nasceu em 17 de agosto de 1898, em Belo Horizonte. Foi redator-chefe e diretor da Revista do Brasil e, na política, foi chefe de gabinete do ministro da Justiça, Francisco Campos, atuando na equipe que integrou o Ministério da Educação e Saúde do governo Getúlio Vargas. O grupo era formado por intelectuais e artistas herdeiros dos ideais da Semana de 1922.
Rodrigo Melo Franco de Andrade comandou o Iphan desde sua fundação, em 1937, até 1967.
Serviço:
Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade
Cerimônia de Premiação
Data: 04 de novembro de 2014, às 19h
Local: Clube do Choro de Brasília
Endereço: Setor de Divulgação Cultural, Bloco G – Eixo Monumental, Brasília – DF
Mesas Redondas:
Data: 03 e 04 de novembro
Local: Sala Mário de Andrade – Sede do Iphan
SEPS 713/913, bloco D – Asa Sul – Brasília – DF
Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação IPHAN
premio.prmfa@iphan.gov.br






