Autor: da Redação

  • Mostra “Meu Olhar” estreia na Urban Arts Porto Alegre

    A Urban Arts Porto Alegre apresenta, a partir desta quinta, 25, a exposição “Meu Olhar”, de Elvira Tomazoni Fortuna. A mostra apresenta o registro de detalhes, nem sempre percebidos por visitantes e moradores, de lugares e paisagens de cidades como Nova York, Porto Alegre, Punta del Este e praias brasileiras.
    Com o avanço tecnológico, a exposição de Elvira nasceu das curtidas e comentários de fotos postadas nas redes sociais. O diferencial está na imagem digital que se torna presencial, “saindo” das telas dos computadores e celulares para se tornarem palpáveis.
    As imagens remetem a lugares e paisagens, que trazem lembranças a quem já esteve lá. Nas fotografias impressas em canvas e papel metalizado, os temas podem ser facilmente identificados pelo espectador. Alguns registros trazem o “olhar” de Elvira no reflexo, uma característica do seu trabalho.
    Visitação
    De 25 de setembro a 16 de outubro, de segunda à sexta das 10h às 19h, e sábados das 11h às 18h, na Urban Arts Porto Alegre (Rua Quintino Bocaiúva, 715 – Moinhos de Vento)
    A mostra fotográfica se divide em três temas distintos: 
    MEU OLHAR NYC
    Fotografias do Central Park, skyline de Manhattan, arquitetura e algumas peculiaridades que são tão presentes e não percebidas durante a correria da Big Apple. Não são fotos turísticas, mas imagens que podem ser identificadas por um turista.

    NYT
    NYT

    MEU OLHAR POA – Imagens da capital gaúcha através da água e do ar. Muitos reflexos apresentam uma paisagem local que é muito conhecida, mas nem sempre apreciada ou registrada.
    MEU OLHAR PRAIA – Torres, Santa Catarina, Punta del Este, Rio de Janeiro e Fernando de Noronha – certamente muitas lembranças agradáveis.
    Liberdade
    Liberdade

    SOBRE A AUTORA
    Elvira Tomazoni Fortuna é formada em Publicidade e Propaganda pela PUCRS e pós-graduada em Gestão Cultural pela Universidade de Girona. Iniciou seu trabalho com cultura em Nova York, ao lado de Nelson Motta e Maria Duha, de 1996 a 2000. Atua na área das artes visuais, como coordenadora de comunicação da Fundação Iberê Camargo. Ampliou seu conhecimento técnico fotográfico durante a faculdade, chegando a montar um laboratório de experimentações fotográficas em preto e branco. Também participou de alguns cursos de fotografia nos anos 80, época dos equipamentos ainda analógicos.
    SOBRE A UA POA
    Desde março de 2013 em operação na capital gaúcha, a Urban Arts Porto Alegre se tornou uma referência no mundo da arte digital e ilustração na cidade. Além de comercializar trabalhos de artistas, designers e ilustradores de talento nacionais e internacionais, a UA POA promove mensalmente exposições de artistas locais. Já passaram pela galeria artistas como Pirecco, Beto 70, Gus Bozzetti, Raul Krebs, Carol W, Clarissa Motta Nunes, Theo Felizzola, Duda Lanna, Henry Lichtmann, Gustavo Corrêa, Roberto Pujol, Pablo Etchepare, Jackson Brum e também os coletivos Barraco Estúdio/Galeria Mascate, Musgo Design, Acervo Independente, Vó Zuzu Atelier, Estúdio Hybrido, Azul Anil Espaço de Arte, Paxart e Núcleo Urbanóide.

  • Sete milhões pedem constituinte exclusiva para reforma política

    Eduardo Maretti*
    São Paulo – O Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, realizado entre dias 1° e 7 deste mês, chegou a quase 8 milhões de votos no país. Com cerca de 95% das urnas apuradas, o número de votantes atingiu 7.754.436 de votos, dos quais 97,05% votaram no “sim” e 2,57% disseram “não”. Brancos (0,2%) e nulos (0,17%) não chegaram a 0,5%. Os números foram divulgados na tarde de hoje (24), em entrevista coletiva que reuniu o presidente da CUT, Vagner Freitas, um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, e Paola Estrada, da Secretaria Operativa Nacional do movimento.
    Embora o objetivo inicial fosse atingir pelo menos 10 milhões de votos, marca do plebiscito contra a Alca em 2002, os organizadores consideraram que a consulta pela Constituinte foi vitorioso e superou as expectativas. “É um resultado extraordinário, principalmente por ter sido ignorado pela mídia”, disse Vagner Freitas.
    “O (governador Geraldo) Alckmin come um pastelzinho ou toma um cafezinho e vira notícia da mídia, e do plebiscito, que foi apoiado por vários candidatos a presidente da República, não saiu nada”, criticou Paola. Freitas lembrou que a consulta sobre a Área de Livre Comércio das Américas contou com apoio de parcela do empresariado e da igreja católica e não foi boicotado tão ostensivamente pela imprensa como o da reforma política.
    Rodrigues, do MST, ressaltou o caráter “pedagógico” da consulta. “Além disso, teve grande importância do ponto de vista organizativo.” Segundo ele, o resultado deve ser comemorado por três motivos: ficou demonstrado, pela participação, que a sociedade quer mudanças no sistema político; a realização, de acordo com o dirigente, bem-sucedida do movimento, foi decorrente das mobilizações de rua iniciadas em junho de 2013; e foi um incentivo para a continuidade das mobilizações pela constituinte exclusiva.
    Apesar de a convocação de um plebiscito ser atribuição do Congresso Nacional, cuja composição pode ficar ainda mais conservadora com a eleição de 2014, os organizadores acreditam que ele aconteça. “Nossa disputa será junto com a sociedade. Com as forças organizadas e mobilização vamos criar um clima e um debate por um novo processo constituinte e não deixar a questão só com o Congresso”, explicou João Paulo Rodrigues.
    O próximo passo dos movimentos reunidos em torno do plebiscito popular agora é levar os resultados para os principais representantes dos três poderes, nos próximos dias 14 e 15: a presidenta Dilma Rousseff; o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski; e o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros.
    Os organizadores lembraram que lideranças importantes, ao participar, deram legitimidade ao processo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos candidatos à presidência Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Luciana Genro (Psol) e até Pastor Everaldo (PSC) participaram da votação. Dilma, Lula e Luciana votaram “sim”. Marina e Everaldo não revelaram seus votos. “Ainda assim, é importante, porque eles participaram e assim também legitimaram o movimento”, disse Paola Estrada.
    Alckmin
    Os organizadores do plebiscito popular lembraram, na coletiva, que o governador Geraldo Alckmin impediu que as urnas entrassem nas escolas da rede estadual de ensino. Isso dificultou a participação da juventude da rede de ensino de São Paulo no processo. “Até entendo, porque ele deve ser defensor do financiamento privado de campanhas políticas”, ironizou o presidente da CUT. O governador enviou ofício às escolas estaduais para que os professores evitassem a discussão sobre o plebiscito em salas de aulas, além de ter solicitado que diretores não autorizassem as urnas, segundo os organizadores da consulta.
    O fim da participação de empresas privadas como financiadoras de candidatos e partidos é uma das principais bandeiras do movimento social.
    “Eu acho que se ele concordasse com as propostas do plebiscito ele teria facilitado a coleta de votos nas escolas. Só consigo imaginar por uma posição contrária dele ao que propunha o plebiscito. Como eu não sei a posição dele, penso que seja isso. Não acredito que o governador do estado tenha feito isso apenas por um ato de mesquinhez. Acho que ele deve ter mais coisas para fazer”, afirmou Vagner Freitas.
    *Maretti é jornalista da Rede Brasil Atual e do blog Fatos etc

  • O brasileiro seduzido pelo grupo extremista Estado Islâmico

    José Antônio Severo  
    Apareceu o primeiro brasileiro nas fileiras do Estado Islâmico, aquela força multinacional que invadiu o Iraque e a Síria para restabelecer o califado de Bagdá, extinto pelo grão mongol Hugalu, em 1258. Abu Qassen Brazili, que tinha o nome cristão de Brian de Mulder, cidadão belga filho da brasileira Rosana Rodrigues, natural de Antuérpia, na Bélgica, é que defende as cores da camiseta canarinho nas hostes de Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do movimento sunita que tem como meta estratégica restabelecer as antigas fronteiras do império Abássida, que começavam no Irã, abarcando todo o oriente médio, o norte da África e a Península Ibérica.
    Brian é um caso bem típico de descendente de imigrante, vidrado na cultura de seus ancestrais, no caso de sua mãe brasileira, doente por futebol, falante em português, que tentou a carreira da bola, mas não deu no couro. Deprimido, aos 17 anos de idade foi cooptado pelos muçulmanos belgas e trocou Jesus Cristo por Maomé e Deus Pai por Alá. É o que conta sua genitora Rosana, desesperada, esperando saber a qualquer momento que seu menino explodiu e esfarelou-se como homem bomba. Entretanto, pelo menos enquanto estiver em Alepo (Síria), onde ficou sabendo que ele está não explode, pois ali se espera que ele seja um combatente convencional, de arma na mão.
    A Bélgica é o maior celeiro de jihadistas ocidentais. Estima-se que no Levante estejam 300 belgas combatendo ao lado dos extremistas islâmicos dos países muçulmanos tradicionais.
    Essa história do califado é importante porque nela está a origem desta guerra contemporânea, que se perde nos confins da idade média ocidental, mas coincide com o apogeu da civilização árabe. Com a destruição do califado os árabes foram dominados pelos mongóis e, a seguir, pelos turcos, só recuperando sua independência política depois da Primeira Guerra Mundial, passando por uma transição colonial europeia bem curta, é verdade, se considerarmos que os franceses e ingleses controlaram aqueles estados por menos de 50 anos, tempo ínfimo numa história que já mais para mais de um milênio de submissão forçada.
    A origem dessa briga é a destruição da dinastia omíada, xiita, com sede em Damasco, que comandava o mundo muçulmano. Não é por acaso que os restauradores do califado marcham sobre a capital da Síria procurando recuperar a mística da conquista histórica do califado de Bagdá.
    Tudo começou em 750. O líder sunita al-Mansur, unindo as tribos do deserto e seus senhores da guerra, caudilhetes do Levante, destronou os descendentes do sheik Ali, marido da filha de Maomé, Fátima, e fundou o califado, ou seja, seu império. Autodenominou-se califa, que é um sinônimo de rei no sentido muçulmano, chefe de estado e da religião, como a rainha da Inglaterra ou o imperador do Japão, que são chefes de estado e chefes das igrejas nacionais.  Construiu sua capital, Bagdá (que significa “A Cidade da Paz”) nas proximidades da antiga Babilônia e deu curso ao extermínio dos fatimídias, impondo a hegemonia sunita e criando a guerra irreconciliável até hoje. Nunca houve convívio entre sunitas e xiitas. A regra é a submissão dos derrotados.
    No entanto, nos últimos séculos, sunitas e xiitas árabes foram abafados sob a hegemonia turca. A hostilidade sectária parecia adormecida, pois o poder do estado estava em mãos de outra facção, a dissidência sufista de Istambul, que não é nem uma coisa nem outra. Tudo isto, uma questão de mil está abalando a cabeça do meio brasileiro Brian.
    A questão é que o califado não é, como muita gente pensa, um grupo homogêneo, com liderança e comando centralizado, algo que lembrasse as brigadas internacionais da Guerra Civil espanhola. Além disso, para quem vê de fora, tampouco é uma luta nacional de árabes contra ocidentais ou, mais ainda, rebeldes contra governos de seus países. De fato, é um conflito interno de sunitas contra as demais facções muçulmanas, sem distinção de fronteiras, entremeado por rivalidades internas dos dois de todos os lados.
    Por isto há tanto receio dos países europeus e dos Estados Unidos de botar a mão nessa cumbuca. Na resistência ao ocidente, que poderia ser um fator para unir a todos contra um inimigo comum, o proselitismo remete à Idade Média. O porta voz do califado, Abu Muhammad al-Adami, ao desafiar Barak Obama, por exemplo, denominou o presidente americano de “mula dos judeus”. Isto tem um significado que pode surpreender, porque ao chamar Obama de “mula” ele não está se referindo ao simpático híbrido que tanto contribuiu para o transporte no Brasil colonial, mas evocava uma expressão do dialeto árabe da Mauritânia usado na região do al-Graheb, hoje aportuguesado para Algarve, para denominar os cristãos que viravam a casaca, oferecendo-se para se converterem ao islamismo nos tempos da dominação moura da Península Ibérica. Esses “muçulmanos-novos” eram denominados “mahalati”, de onde surgiu a palavra “mulato”, usada pelos muçulmanos da África sub saariana para chamar os filhos de brancos com pretos, no tempo das navegações, comparando-os a ao estranho animal resultante dos cruzamentos de cavalos com jumentos, sem sentido pejorativo. Portanto, ao chamar Obama de “mula dos judeus” está dizendo que o presidente norte-americano, um cristão, está se passando para o judaísmo religioso. Portanto, é uma “mula”.
    Por outro lado, os líderes ocidentais estão relutantes em armar os exércitos de Bagdá, porque o novo governo, controlado pelos xiitas, favoreceria a unidade dos sunitas contra o governo legal do Iraque. A estratégia é obrigar o governo a formar uma coalização com sunitas antes de atacar o califado. Isto é tão difícil quanto apoiar o presidente Assad, da Síria, da seita alauíta que, com o apoio dos cristãos locais, está enfrentando o califado com objetivos puramente sectários, sem motivações da guerra fria. Putin manda armas para Assad resistir, pois assim os jihadistas chechenos ficarão no Levante, deixando os russos em paz por algum tempo.

  • "É um deboche", diz Pont sobre auxílio moradia para juízes

    “É um acinte e um deboche à sociedade brasileira”, disse o deputado Raul Pont, referindo-se  à decisão do desembargador Luiz Fux, do STF, que concedeu R$ 4,3 mil de auxílio-moradia aos magistrados federais que não disponham de residência oficiais em suas respectivas áreas de atuação.
    “Trata-se de aumento salarial disfarçado, uma forma de não cumprir a lei”, disse Pont. “São os maiores salários de servidores públicos do país. O que restará para o cidadão comum, aquele que recebe salário mínimo e mesmo para a grande maioria cujo salário médio está abaixo deste valor?”
    Pode haver, segundo Pont, “alguma justificativa, ainda que discutível” para pagar o auxílio aos 12 ministros do STF e aos do CNJ, “mas estender o benefício para todos os membros do Judiciário nos estados, incluindo os inativos, o que fatalmente ocorrerá, é uma imoralidade, uma agressão à consciência do país”.
    Na avaliação do deputado, a decisão vai gerar um efeito cascata que se tornará insustentável para os Estados. “Peguemos o nosso exemplo, no Rio Grande do Sul, onde se faz um enorme esforço para pagar o piso dos professores, esta demanda não pode ficar atrás do interesse de alguns poucos. Isso vai gerar um custo em torno de R$ 60 milhões anuais aos cofres públicos, sem que haja sequer previsão orçamentária”.
    Lembrou Pont que o valor pleiteado como auxílio moradia é maior que o teto da aposentadoria do INSS e que o salário da grande maioria do funcionalismo estadual.

  • Ana Amélia pede segredo de justiça em processo contra blog

    Corre em segredo de justiça, no TRE, o processo da senadora Ana Amélia Lemos (PP), contra o blog Sociedade Política.
    O blog divulgou na sexta-feira passada, que a candidata, líder nas pesquisas para o governo do Rio Grande do Sul, omitiu uma fazenda de 1.900 hectares em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral.
    A liminar que pretendia a retirada imediata da matéria, por inverídica, foi negada no domingo. A ação agora está em julgamento.
    O segredo de justiça foi pedido ( e concedido) porque foi anexada ao processo a declaração da senadora ao Imposto de Renda.
    Nesta quarta-feira, 24, a advogada Lúcia Kopitke que representa o editor do blog, Fabrício Maia, vai entrar com recurso pedindo a retirada do segredo de justiça. “Ao menos no que concerne as decisões a serem tomadas, o segredo de justiça não faz sentido”, disse ela ao JÀ.
    O caso deve ser julgado nos próximos dias. A senadora alega que não há qualquer irregularidade na sua declaração de bens.
    Até então restrito a blogs independentes, o caso mereceu nesta terça-feira uma reportagem do G1, o portal da Globo, de autoria de Flávio Ilha:.
    “A fazenda Saco do Bom Jesus, localizada no município de Formosa (GO), foi adquirida por Ana Amélia e pelo marido, senador Octávio Cardoso, em duas operações, em 1984 e 1986.
    Em janeiro deste ano, o patrimônio foi incorporado aos bens da atual senadora depois de concluído o inventário resultante da morte de Cardoso, ocorrida em 2011.
    O espólio de Cardoso foi avaliado em R$ 9,47 milhões, dos quais R$ 4,74 milhões couberam a Ana Amélia, viúva do senador.
    Os dois se casaram em comunhão universal de bens em 1990, depois de viverem em união estável por mais de dez anos. O inventário foi registrado no 2º Tabelionato de Notas de Formosa no dia 27 de janeiro deste ano.
    Na declaração de bens da candidata ao Tribunal Superior Eleitoral não consta o patrimônio resultante do inventário, que inclui 36% das terras em Goiás – cerca de 680 hectares – e metade das 600 cabeças de gado da fazenda.
    Também fizeram parte do espólio imóveis em Porto Alegre e em Lagoa Vermelha, terra natal da senadora, veículos e títulos de capitalização. Os outros bens foram divididos entre as três filhas do senador.
    Ao TSE, entretanto, Ana Amélia declarou um patrimônio de R$ 2,55 milhões, constituído por imóveis, veículos e aplicações financeiras. O bem de maior valor da declaração é um apartamento em Brasília, avaliado em R$ 816 mil. O patrimônio omitido é praticamente o dobro do que foi declarado à justiça eleitoral.
    A primeira matrícula dos imóveis, que se refere a uma área de 1.030 hectares, foi registrada no dia 6 de dezembro de 1984 no 1o Cartório de Notas de Formosa. Outra parte da fazenda, adquirida para fins de reserva florestal legal, foi adquirida no dia 3 de julho de 1986.
    Segundo o advogado Fabrício Maia, um dos administradores do blog Sociedade Política, a fazenda já fazia parte do patrimônio de Ana Amélia antes da morte do senador e, portanto, deveria ter sido declarada ao TSE tanto na eleição deste ano quanto no pleito de 2010, em que a atual candidata ao governo foi eleita senadora.
    — Não estamos discutindo a situação fiscal da candidata, se ela deveria ter ou não declarado os bens no imposto de renda. Esse é outro tema. Em relação à lei eleitoral, não há desculpa: a fazenda deveria ter sido declarada — justifica o blogueiro.
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    A lei 9.540, de 1997, determina no artigo 11 que os candidatos devem apresentar no pedido de registro de candidatura uma declaração de bens, assinada pelo titular ao cargo em disputa. O artigo não especifica se os bens podem ou não estar partilhados entre cônjuges.
    A assessoria jurídica da candidata queria tirar o site do ar alegando que as propriedades não precisariam ser declaradas à justiça eleitoral por constarem da declaração de renda do espólio de Cardoso. Além disso, alegava que a página divulga “afirmações ofensivas à honra” de Ana Amélia. A ação deu entrada nno TRE ainda no sábado.
    A desembargadora Liselena Robles Ribeiro, entretanto, considerou improcedente o pedido e remeteu o caso à Procuradoria Regional Eleitoral.
    O advogado de Ana Amélia, Gustavo Paim, disse que a candidata nunca escondeu a propriedade e acusou o blog Sociedade Política de ter sido criado apenas para fins eleitorais.
    — Trata-se de uma acusação irresponsável feita por um blog criado há pouco mais de um mês apenas para plantar factoides. Vamos tomar as medidas cabíveis também na área criminal — disse Paim.
    Segundo o advogado, a candidata não tinha obrigação de declarar a propriedade da fazenda porque fazia parte da declaração de renda do marido de Ana Amélia. Para Paim, o regime de comunhão universal de bens permite que as propriedades de um casal sejam declaradas ao fisco apenas por um deles na declaração anual de renda. A candidata preferiu não se pronunciar sobre o assunto.
    ‘OMISSÃO FERE A LEI ELEITORAL’
    O desembargador aposentado Antônio Augusto Mayer dos Santos, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB gaúcha, classificou a situação como “singular”.
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    — A lei eleitoral menciona uma declaração dos bens disponíveis pelos candidatos, que são de uso cotidiano, o que não parece ser o caso da fazenda em questão. Mas de fato o tema merece uma interpretação mais detalhada — afirmou.
    A desembargadora Lúcia Koppitke, que foi juíza do TRE gaúcho, avaliou que a omissão os bens ferem a legislação eleitoral vigente:
    — Pelo regime de união entre os dois, metade da propriedade já era da senadora mesmo antes da morte do marido. No meu entendimento, deveria constar da declaração de bens à justiça eleitoral — disse”.
    INTEGRA DAS DECISÕES
    JUSTIÇA ELEITORAL
    TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO GRANDE DO SUL
    Intimem-se.
    Em 21 de setembro de 2014.
    Desa. Liselena Schifino Robles Ribeiro,
    Juíza Auxiliar do TRE/RS.
    Processo Classe: AC Nº 1512-39.2014.6.21.0000 Protocolo: 526322014
    RELATOR(A): DES. FEDERAL OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA
    MUNICÍPIO: PORTO ALEGRE-RS
    ESPÉCIE: AÇÃO CAUTELAR
    Requerente(s): Adv(s) André Luiz Siviero, Gustavo Bohrer Paim, Jivago Rocha Lemes, Miguel Tedesco
    Wedy e Ricardo Hermany
    Requerido(s):
    Vistos, etc.
    Trata-se de ação cautelar ajuizada por ANA AMÉLIA LEMOS e COLIGAÇÃO ESPERANÇA QUE UNE O RIO
    GRANDE contra FABRÍCIO MAIA e VINICIUS RAUBER E SOUZA, requerendo a exclusão da internet de sítio que
    estaria divulgando fatos sabidamente inverídicos e ofensivos a honra da primeira representante.
    Segundo os representantes, o referido blog estaria afirmando que Ana Amélia não divulgou, em sua relação de bens
    encaminhada ao TSE, uma fazenda em Goiás, da qual seria proprietária. Argumenta ser sabidamente inverídico este
    fato, pois a propriedade está arrolada na declaração de renda do espólio de seu falecido marido. Sustenta que o sítio
    divulga afirmações ofensivas à honra da candidata.
    Requer a concessão de liminar, a fim de que seja determinada a imediata exclusão do blog e, ao fim, seja confirmada a
    liminar.
    É o relatório.
    Decido.
    A página da internet sociedadepolitica.com.br está divulgando que a candidata Ana Amélia deixou de informar, em sua
    declaração de bens remetida ao TSE, a propriedade de uma fazenda em Goiás. Argumentam os autores que esse fato é
    sabidamente inverídico, pois a candidata não teria obrigação de declarar o imóvel à Justiça Eleitoral, já que a fazenda
    foi integralmente declarada no Imposto de Renda do espólio de seu marido.
    O fato objetivo de que a fazenda não foi declarada ao TSE não pode ser taxado de sabidamente inverídico, situando-se a discussão sobre a obrigatoriedade ou não dessa declaração.
    Não se justifica, portanto, a concessão da medida liminar, podendo o caso aguardar solução no momento próprio, após a
    defesa dos réus e a manifestação do Ministério Público Eleitoral.
    Ademais, o rito da ação cautelar é célere não permitindo vislumbrar o perigo na demora.
    DIANTE DO EXPOSTO, indefiro a liminar.
    Notifiquem-se os demandados para apresentarem defesa em 05 dias.
    Com a defesa ou transcorrido in albis o prazo, encaminhem-se os autos em vista à Procuradoria Regional Eleitoral.
    Após, retornem conclusos.
    Observe-se o sigilo na tramitação do feito, considerando que os autos contém informações sigilosas.
    Intimem-se.
    Em 21 de setembro de 2014.
    Des. Federal Otávio Roberto Pamplona,
    Juiz Auxiliar do TRE/RS.
    Contra a Google do Brasil Internet Ltda.:
    JUSTIÇA ELEITORAL
    TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO GRANDE DO SUL
    Porto Alegre, 21 de agosto de 2014.
    Desa. Liselena Schifino Robles Ribeiro,
    Juíza Auxiliar do TRE/RS.
    Processo Classe: AC Nº 1514-09.2014.6.21.0000 Protocolo: 526372014
    RELATOR(A): DESA. LISELENA SCHIFINO ROBLES RIBEIRO
    MUNICÍPIO: PORTO ALEGRE-RS
    ESPÉCIE: PETIÇÃO
    Requerente(s): Adv(s) André Luiz Siviero, Gustavo Bohrer Paim, Jivago Rocha Lemes, Miguel Tedesco
    Wedy e Ricardo Hermany
    Requerido(s):
    Vistos, etc.
    Trata-se de ação cautelar oferecida por ANA AMÉLIA LEMOS e COLIGAÇÃO ESPERANÇA QUE UNE O RIO
    GRANDE contra GOOGLE DO BRASIL INTERNET LTDA, pretendendo a remoção de um blog no qual se faz
    afirmação sabidamente inverídica em prejuízo dos representantes.
    A página da internet estaria divulgando fato sabidamente inverídico ao afirmar que a propriedade de uma fazenda teria
    sido omitida na declaração de bens de Ana Amélia ao TSE. Segundo a inicial, a declaração do aludido imóvel era
    desnecessária, pois foi integralmente arrolado no imposto de renda do espólio de seu marido. Argumentam que o blog
    “cloaca news” identifica-se com o governo do Partido dos Trabalhadores, tendo a intenção de desprestigiar a autora.
    Requer a concessão de liminar, a fim de que seja determinada a remoção da matéria impugnada na presente ação do
    blog “cloaca news” , confirmando-se, ao final, a medida de urgência.
    É o relatório.
    Decido.
    As medidas de urgência são apreciadas segundo um juízo de plausibilidade das alegações. Na hipótese, não verifico a
    fumaça do bom direito, que justifique a concessão da liminar requerida.
    A matéria ora impugnada afirma que uma fazenda da autora Ana Amélia Lemos não foi elencada na sua declaração de
    bens informada à Justiça Eleitoral. Esta informação, ao que tudo indica, não é sabidamente inverídica, parecendo que a
    controvérsia reside no fato de ser ou não obrigatória a inclusão desse imóvel na declaração de bens da candidata.
    Ademais, o rito da ação cautelar é bastante célere, o que não permite visualizar o perigo na demora, pois caso será
    solucionado com a brevidade necessária, no momento oportuno da decisão final.
    DIANTE DO EXPOSTO, indefiro a liminar.
    Notifique-se o demandado para apresentar defesa em 05 dias.
    Com a defesa ou transcorrido in albis o prazo, encaminhem-se os autos em vista à Procuradoria Regional Eleitoral.
    Após, retornem conclusos.
    Observe-se o sigilo na tramitação do feito, considerando que os autos contém informações sigilosas.
    Intimem-se.
    Em 21 de setembro de 2014.
    Desa. Liselena Schifino Robles Ribeiro,
    Juíza Auxiliar do TRE/RS.
     

  • Translab, laboratório cidadão, abre as portas em Porto Alegre

    O Translab começou a funcionar em agosto numa casa do bairro Rio Branco (Rua Prof. Duplan, 146). É o primeiro “laboratório cidadão” gaúcho.
    Internacionalmente conhecido como living lab, é um lugar onde qualquer pessoa pode assistir, discutir e experimentar a cocriação. O foco é a inovação social, cruzando arte, ciência e tecnologia.
    O conceito de laboratório cidadão foi difundido na Europa pela rede Enoll (European Network of Living Labs), que há sete anos articula a criação desse tipo de ambiente. Os espanhóis foram os que mais aderiram.  Segundo a Enoll, há 12 laboratórios cidadãos no Brasil, e o de Porto Alegre é o primeiro independente.
    O Translab venceu o edital de processos culturais colaborativos da Secretaria Estadual da Cultura, e com isso promove até dezembro o Circuito Montagem, começando pelo começo: oficinas e seminários para discutir e pôr em prática as intenções de um laboratório cidadão.
    “Um projeto de inovação social não deve ser confundido com voluntariado ou assistencialismo. É importante pensar a estratégia de sustentabilidade econômica”, adverte um dos coordenadores, o psicólogo Daniel Caminha.
    A ideia é que as pessoas, ao buscarem soluções inovadoras, aprendam fazendo, compartilhem conhecimento. Por isso o espaço parece um atelier para criação livre, para desenvolver protótipos que acolham processos de construção com madeira, plástico, papelão e eletrônicos.
    Colaboram empresas da economia criativa, como a Nômade (trabalha para aproximar as organizações das pessoas a partir de relacionamento colaborativo), Paxart (produção artística de marcas, produtos, campanhas e ambientes), Tecttum Design (projetos e consultoria em design de produto e tecnologia assistida) e Querosene Filmes (produtora audiovisual). O site do projeto é  www.translab.cc.

    Casa Duplan, um espaço para pensar e para fazer
    Casa Duplan, um espaço para pensar e fazer

    Um exemplo do que está acontecendo na Casa Duplan são os encontros quinzenais com o Raiz Urbana, que incentiva a produção de alimentos em ambiente urbano. Começou como uma experiência na escola estadual de ensino fundamental Ivo Corseuil, com uma oficina para ensinar a plantar. Hoje a educação ambiental está inserida na proposta pedagógica da escola, com grande envolvimento da comunidade.

  • A Revolução Eólica (49) – Usina Cerro Chato terá novo centro de visitações

    O Centro de Visitações da Usina Eólica Cerro Chato (UECC), em Santana do Livramento, deve ser inaugurado em janeiro, informa o coordenador, o guia turístico Nereo Rodrigues Mendes.
    O centro está sendo construído no topo de cerro que dá nome à região. Aliás, foi bem naquele ponto que D. Pedro II e familiares, acompanhados do Luis Filipe Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, genro do imperador, estiveram no dia 10 de outubro de 1865 em visita ao amigo ‘Machado’ (possivelmente trata-se do sesmeiro Silvano Machado do Couto). A comitiva vinha de Uruguaiana em direção à vila de Santana do Livramento.

    Casa terá telhado com jardim, painéis solares e aerogerador
    Casa terá telhado com jardim, painéis solares e aerogerador

    O projeto do Centro de Visitações é da arquiteta Claudia de Moura Incerti, 41 anos, Ela foi selecionada pelo arquiteto Sato Yoshiki, quem supervisionou as obras de construção da subestação coletora de energia Cerro Chato e da linha de transmissão. “Quando fui conhecer o Cerro Chato, já visualizei o centro como um cartão postal para a cidade, uma casa integrada àquela região e, principalmente, que não agredisse o meio ambiente”, diz.
    Claudia tomou como exemplo a casa inteligente da Eletrosul em Florianópolis, com telhado verde, painéis solares e incorporou outras ideias resultados de suas pesquisas e sugestões do próprio Sato. O terraço do prédio terá terá um jardim e o guarda-corpo será de vidro para facilitar a vista do parque eólico. Os painéis solares e um aerogerador que inicialmente iriam fornecer energia para os jardins, agora se prevê que possam abastecer pelo menos a metade da energia consumida no centro. Também irão ajudar a aquecer a água. O telhado verde que ajudará na captação da água da chuva.
    “Haverá tratamento de esgoto, será feito através de uma zona de raízes, que é ecologicamente correto. Não é simplesmente uma fossa e filtros. Então são vários sistemas que serão instalados ali. Uma casa autossustentável”, resume a arquiteta.
    A
    O projeto

    D6
    interno

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    Externo

    Por enquanto, os visitantes dos parques eólicos são recepcionados por Mendes e auxiliares num posto de informações improvisado junto ao aerogerador nº 5 do Parque III. São visitantes do próprio município e da vizinha cidade de Rivera, Uruguai, assim como turistas vindos das mais diversas cidades do Estado e do País, e do Norte do Uruguai. Durante os dias de semana são programadas visitas escolares das mais diversas escolas da cidade, universitários de diversas universidades existentes no Estado. Ali, recebem orientações, cartilhas explicativas e são convidados a assistir a um vídeo sobre a Usina. As dicas são indispensáveis para quem quiser ir além do registro fotográfico.

  • Feira do Livro: patrono editou livro que defende a ditadura

    Airton Ortiz, anunciado a poucos dias como Patrono da Feira do Livro, editou em 1985, quando o Brasil ainda se debatia com a ditadura, um livro que defende o regime militar e seus métodos, inclusive a tortura.
    O caso foi minimizado na matéria da Zero Hora, dado como um fato secundário de uma notícia mais importante: o lançamento de mais uma edição do livro Brasil, Sempre, do sargento reformado Marco Pollo Giordani ex -agente do Doi CODI.
    Nada pessoal, mas do ponto de vista estritamente jornalístico o que interessa mesmo é essa informação, que estava submersa no tempo, e que poderia ter influido decisivamente na escolha do patrono da 60a. Feira do Livro de Porto Alegre, um dos maiores eventos culturais do país, criado e cevado nos cânones do humanismo.
    Não vejo nada de errado num editor que faz um negócio para editar um livro assim, mas não votaria nele para patrono da feira.
    Eis o que diz o Clic
    Livro de agente do regime militar, “Brasil: Sempre” será relançado nesta sexta
    Título foi editado originalmente em 1985 por Airton Ortiz, patrono da próxima Feira do Livro de Porto Alegre. Volume é assinado pelo sargento reformado Marco Pollo Giordani
    por Alexandre Lucchese
    22/09/2014 | 09h01
    A capa da primeira edição de “Brasil: Sempre” (centro) estampava uma provocação ao fazer uso do mesmo projeto gráfico de “Brasil: Nunca Mais” (esquerda). Nova edição (direita) foi ampliada.Foto: Reprodução / Divulgação
    No ano em que o golpe de 1964 completa cinco décadas, o mercado editorial brasileiro recebeu uma profusão de títulos que tentam analisar o regime militar no país. Nesta sexta-feira, um dos livros que mais causaram polêmica sobre o tema no Estado ganha uma nova edição, com sessão de autógrafos na Livraria Cultura, em Porto Alegre, às 19h.
    Lançado originalmente em 1986, Brasil: Sempre, do então sargento Marco Pollo Giordani, tentava rebater as denúncias de arbitrariedades das Forças Armadas no regime militar. O volume ganhou as livrarias pelas mãos de um ilustre personagem da 60ª Feira do Livro de Porto Alegre. Airton Ortiz, patrono do evento, foi o responsável pela primeira edição do livro quando dirigia a extinta editora Tchê!.
    – O primeiro editor que procurei foi o Ortiz. Ele abraçou o projeto. Eu jamais esperava isso, pois a Tchê! era considerada de esquerda, mas negócios são negócios – conta Giordani.
    O título do livro era uma provocação a Brasil: Nunca Mais, volume lançado pela editora Vozes em 1985 e considerado um marco na divulgação de documentos de denúncia sobre o regime militar. Por sua vez, Brasil: Sempre buscava apresentar o perigo dos movimentos considerados subversivos e divulgava uma lista com supostas vítimas de ações terroristas.
    – Não posso analisar só um lado da questão, mas minha ideologia é clara, fui um homem do regime – destaca o autor, que foi agente do DOI-Codi.
    Ortiz diz não se arrepender de ter aberto as portas da Tchê! para um título identificado com a ditadura:
    – Giordani era agente da ditadura militar, mas, por um problema médico, foi afastado e ficou brabo com o Exército. No livro, tornou públicos relatórios e formulários que os agentes da época faziam. Publiquei o volume para divulgar documentos que explicavam os processos que o Exército usava para prender e torturar dissidentes políticos.
    Brasil: Sempre vendeu cerca de 20 mil exemplares, uma cifra expressiva para o mercado editorial da época. Mas Ortiz afirma que não topou a edição por critérios comerciais:
    – Não achava que seria um sucesso, porque a direita não lê. Minha intenção era divulgar documentos. Era uma época de caça a documentos da ditadura, foi o que moveu a publicação do livro. Todo o catálogo da Tchê! era de esquerda, não havia como a editora ser estigmatizada como direitista.
    A lista de vítimas dos subversivos rendeu problemas a Giordani. Em reportagem de ZH por ocasião do lançamento, em agosto de 1986, o militante dos direitos humanos Jair Krischke provocou o autor a apresentar o responsável por um dos homicídios citados. A provocação repercutiu, e Giordani acabou preso por 10 dias no 3º Batalhão da Polícia do Exército por razão de ordem disciplinar, uma vez que se manifestou sobre assuntos sigilosos.
    Marco Cena Lopes, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, afirmou desconhecer a publicação, mas considera que o envolvimento de Ortiz não prejudica a imagem do patrono:
    – Não será uma publicação que vai comprometer toda a carreira literária do Ortiz, ainda mais um livro que nem é assinado por ele, não sendo uma expressão de seu próprio pensamento.
    A segunda edição de Brasil: Sempre foi editada de modo independente e conta com novos textos de Giordani – incluindo manifestações de apoio aos métodos de tortura usados no regime militar.
    – A própria CIA reconheceu que chegou ao Bin Laden através da tortura. Você não pode dar uma aspirina contra um câncer, não vai resolver. Sem isso (a tortura), estaríamos igual à Colômbia – afirmou o autor.
    “Brasil: Nunca Mais”: marco nas denúncias
    Viúva de um militante preso pela ditadura militar, Suzana Lisboa luta para mudar o registro de óbito do marido, que aponta que ele teria se suicidado. Luiz Eurico Lisboa, irmão do músico Nei Lisboa, desapareceu em 1972, mas só teve seu corpo localizado em 1979. O caso é um dos tantos documentados em Brasil: Nunca Mais, livro assinado por Dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor presbiteriano Jaime Wright. Um marco na denúncia dos excessos da ditadura, o projeto apoiado pelo Conselho Mundial de Igrejas expôs documentos do regime militar e alcançou grande repercussão na época de seu lançamento, em 1985. Ganhou sucessivas reedições – e uma resposta editorial como Brasil: Sempre.
    – Brasil: Nunca Mais divulgava pela primeira vez uma infinidade de autos de processos. Não eram mais suposições: eram fatos – diz Suzana. (Elmar Bones)

  • Espaço IAB abre terceiro ciclo de artes visuais com 4 exposições

    O Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Rio Grande do Sul, convida para a abertura de 4 exposições selecionadas em edital, que integram o terceiro ciclo de artes visuais da galeria Espaço IAB(*) em 2014. O coquetel será realizado dia 24 de setembro, a partir das 19h30, permanecendo com visitação até o dia 17 de outubro de 2014, das 14 às 20h. Para saber mais sobre as exposições e o histórico da galeria acesse galeriaespacoiab.blogspot.com .
    (*) Centro Cultural do IAB RS fica na rua Gal. Canabarro, 363 -Centro Histórico. Porto Alegre
    NA SALA NEGRA:
    CABEÇA – RELICÁRIO DO PENSAMENTO JOÃO OTTO KLEPZIG

    IAB RS / João Otto Klepzig
    IAB RS / João Otto Klepzig

    A exposição reúne obras que procuram mostrar visualmente o resultado de um processo criativo em que as modificações nos traços e formas da cabeça buscaram imprimir maior força às suas linhas, proporcionando assim novas leituras. A cabeça humana, que guarda e protege o cérebro, é o relicário dos  pensamentos, envolvendo sentimentos,  angustias e sonhos, e é o tema escolhido para a exposição reflete essa concepção. As interferências efetuadas por João Otto exibem diferentes expressões do semblante humano refletindo momentos particulares de cada pessoa. As obras escultóricas, com essa abordagem, objetivam levar o  público a refletir sobre a infinita possibilidade de construção, modificação e reestruturação da cabeça humana. A mostra propõe uma experiência emocional, visual e cognitiva, reunindo as cabeças-esculturas, cujas formas  evocam a idéia  do quanto somos diferentes devido à maneira como pensamos e como podemos ver o outro de forma diversificada. João Otto, que já realizou várias individuais, é aluno do escultor Caé Braga junto ao Museu do Trabalho e nesta exposição exibe resultado das etapas recentes do trabalho que vem desenvolvendo na criação e modelagem das cabeças em argila, fundidas em bronze e submetidas a diferentes tratamentos de cor.
    Na Circulação:
    DO GASÔMETRO ATÉ A BORGES ENTRE A DUQUE E A DEMÉTRIO ANTÔNIO AUGUSTO BUENO E LUIS FILIPE BUENO
    IAB RS / Antônio Augusto Bueno e Luis Filipe Bueno
    IAB RS / Antônio Augusto Bueno e Luis Filipe Bueno

    A mostra dá continuidade à parceria dos irmãos Antônio Augusto e Luís Filipe Bueno. Desta vez texto e fotografias mapeiam poeticamente um recorte do Centro Histórico de Porto Alegre. No Solar do IAB, vizinho a esta trama de ruas em que Antônio Augusto e Luís Filipe costumam passear em passos e pensamentos, serão expostos texto, fotografias e um livro de artista.  E, como expressão  da vontade de dialogar com os moradores do Centro Histórico, o texto impresso também será distribuído nas caixas de correio de casas e apartamentos da redondeza. Antônio Augusto  e Luís Filipe vêm dialogando artisticamente há vários anos através de exposições, intervenções urbanas, vídeo, música, texto, fotografia, desenho e gravura, sempre costurando texto e imagem. Em 1998 a série “Seres” ganhou exposição de desenhos em espaço alternativo com tiragem de uma série limitada de camisetas.  Em 2004 a exposição “Regras libertárias disfarçadas em livres intenções” ocupou o mezanino da Usina do Gasômetro. “O desenho da imagem no espelho da linguagem” foi exposto na Galeria Augusto Meyer (IEAVi) e no Espaço Cultural Chico Lisboa. Além disso, realizaram ações de intervenção urbanas em diversas cidades. Desde 2006 mantêm o blog “Mangibre – o cotidiano urbano reencantado”. Para o ano que vem está previsto o lançamento do livro “Jabutipê” e também uma residência artística no Canto da Carambola no Rio de Janeiro.
    Na Sala Anexa:
    MITOS ORIENTAIS – Exposição de Zen Aquarelas. “Uma colorida contemplação como fonte de deslocamento e prazer”
    GABY BENEDYCT
    IAB RS / Gaby Benedyct
    IAB RS / Gaby Benedyct

    Exposição de aquarelas fundamentadas nas tradições e gestos orientais – a beleza colorida como proposta para a descontração e relaxamento, composição de precisas manchas samurais, inspiradas em gestos fluidos, linhas líquidas, muito movimento e uma pretensa narrativa, simulação de ideogramas, cujo significado é atribuído pelo próprio observador. Divide-se em alguns temas básicos como Dragões e Peixes, Templos em Paisagens, Azuis e Vermelhos, Gueixas e Samurais e as Aquarelas em Camadas, uma técnica que está sendo lançada nesta exposição que é a sobreposição de aquarelas através de lâminas translúcidas de algodão.
    Na Sala do Arco:
    ESCULTURAS ZETTI NEUHAUS
    Fios aparentes tramam a sua urdidura e que são todas costuradas com fios de cobre que dão sustentação às formas que contrastam com o alumínio. Pedras cristalinas – detalhes incrustrados em meio à malha – funcionam como pontos de luz a despertar a atenção do apreciador. Para produzir suas obras, Zetti modela a tela de alumínio, em diversas camadas que adota a forma que lhe é inspirada. As várias camadas de telas se sobrepõem criando volumes e para estruturá-las usa uma malha de alumínio menos flexível, ou de aço inox, e ainda cabos de alumínio trançado, que usa há mais de dez anos em suas esculturas. Segundo a artista, o trabalho é todo intuitivo. “Quero que cada pessoa faça a sua leitura, a sua interpretação. Este é o meu desafio, o de provocar a imaginação das pessoas”

  • Arte do absurdo expõe a estética do pesadelo

    A estética do pesadelo é o que norteia a exposição “Jest sztuką absurdu”, da artista visual Samy Sfoggia, que inaugura na terça-feira, 23, às 19 horas, na Galeria Ecarta.
    Selecionada por edital, a mostra (cujo título, traduzido do polonês, significa “arte do absurdo”) é composta por cinco séries de trabalhos que tiveram como princípio a fotografia, especialmente de base química, e desenhos.
    Todas resultam de uma pesquisa acadêmica na qual a autora aliou a teoria e a prática diária em laboratório fotográfico.
    Durante o processo, Samy estudou o conceito de fotograficidade, definido por Francis Soulages como a articulação entre a irreversível obtenção do negativo e o inacabável trabalho a partir desse. Segundo ele, uma das características da fotografia é o fato de ela ser aberta à hibridação e à impureza, sendo isso uma consequência do inacabável.
    A maioria das imagens da exposição, foram captadas em negativos de 35mm em P&B, que foram escaneados e manipulados digitalmente. Após serem impressas, as imagens sofreram alterações manuais e, em alguns casos, novamente digitalizadas e reimpressas. Os desenhos, por sua vez, tiveram como referência fotografias de arquivo pessoal e stills de filmes consagrados. “Em todos os trabalhos houve a busca pela construção de uma estética do pesadelo”, conceitua Samy. “As séries apresentadas sofreram influência tanto de outros fotógrafos quanto de obras que transpõem os limites da própria fotografia. Como ferramenta ou como trabalho em si, essa técnica é amplamente utilizada na produção de arte contemporânea”.

    Série - Das Fremde in mir (m vertical)
    Série – Das Fremde in mir

    “Jest sztuką absurdu” fica em cartaz na Galeria Ecarta (Av. João Pessoa, 943, Porto Alegre) até 2 de novembro de 2014. O horário de visitação é de terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 20h; e domingo, das 10h às 18h. Entrada franca. Informações pelo fone 51.4009.2970 / www.ecarta.org.br .
    Sobre a artista
    Samy Sfoggia (1984) é formada em História pela FAPA (2007) e pós-graduada em Arte, Corpo e Educação pela UFRGS (2009). Atualmente, estuda fotografia no Instituto de Artes da UFRGS, onde atuou como monitora das disciplinas de Fotografia Analógica e Digital e como bolsista de iniciação científica no projeto de pesquisa intitulado “Procedimentos de contato: desdobramentos da fotografia em imagem numérica na arte da atualidade”, coordenado pela professora Elaine Tedesco.
    Em 2012 e 2013, participou das exposições coletivas: Projeção Fotográfica #Mesa7 (Recife/PE); Contatos Imediatos – Centro Universitário Feevale (Novo Hamburgo/RS); Mostra Videoarte Mamute – Santander Cultural (Porto Alegre/RS); Arte Agora 2 – Galeria Lourdina Jean Rabieh (São Paulo/SP).
    Sua primeira exposição individual intituladaREM ​(Rapid Eye Movement), com  curadoria de Elaine Tedesco, ocorreu no Estúdio Galeria Mamute (Porto Alegre/RS), em 2012. No ano seguinte, expôs individualmente a série fotográfica Verboten, na Galeria do 4º andar da Usina do Gasômetro (Porto Alegre/RS). Em 2014, participou da primeira exposição coletiva do Acerto Independente (Porto Alegre/RS). O trabalho de Samy foi comentado nos livros Tradição em Paralaxe: a novíssima arte contemporânea sul-brasileira e as “velhas tecnologias“, organizado por Daniela Kern, e Poéticas Abertas, organizado por Rosa Maria Blanca. Além disso, suas imagens foram publicadas em diversos sites e revistas internacionais, tais como: Lost At E Minor, Powerscourt Gallery, International Times, Trend Hunter, Empty Mirror Arts & Literary Magazine e Synchronized Chao.