Opinião – ENIO SQUEFF
A real possibilidade de Marina Silva se tornar presidenta do Brasil, relembra aquele filme – uma comédia inglesa do grupo Monty Python, – em que um dos protagonistas, ao trilhar por uma floresta encantada, é atacado, no pescoço, por uma lebre assassina. Há, realmente, quem pense que a candidata à presidência pelo Partido Socialista é um bichinho da Amazônia: nas circunvoluções ideológicas que tem sofrido nos últimos dias, contudo, tem-se claramente que a pele de cordeiro é ainda um bom disfarce, que lhe cabe na medida. Uma lebre com dentes de víbora. Foi assim com Collor. De repente, um governador de quinta categoria transformou-se no “caçador de Marajás”. O povo o elegeu e deu no que deu.
A opinião não é apenas de quem vota no PT, ou na esquerda. Há dois dias saiu um artigo no Estadão, lá no fundo do jornal, em que um ecologista desancou Marina sob uma alegação respeitável: quem não vota na Marina Silva é quem conviveu com a ela. Uma ególatra, diz o articulista. E elencou todas as contradições que vem se acumulando na candidata , desde que seu nome passou a ser viável para a conquista do poder no Brasil.
Há, parece, realmente, muitas razões para muitos temores. A se crer em alguns levantamentos, o entusiasmo pela ex-discípula de Chico Mendes parte principalmente de setores jovens: eles veriam uma verdade incontestável em seu discurso como “terceira via”. Eles acreditariam entusiasticamente que a mulherzinha frágil, com um discurso messiânico, seria o mais próximo do ideal para tirar o Brasil daquilo que a grande imprensa chama de pasmaceira do governo do PT. E que será sempre assim, enquanto o PT governar o Brasil – não importam os ganhos dos setores mais pobres, as obras de infra-estrutura, a descoberta e a exploração do Pré-sal, o desemprego em baixa e o país internacionalmente em alta, ou seja, exatamente a mudança de que o Brasil necessita com todos os entraves à sua transformação numa verdadeira potência democrática, e até quando isso possa existir sob o capitalismo.
De fato, evoquem-se alguns fatos e Marina Silva passa a encarnar o que há de mais tradicional – e perigoso – na política brasileira. Ela era contra os transgênicos e tem como seu vice um dos mais intransigentes defensores dos transgênicos. Enquanto pertenceu ao governo Lula, atacou o agronegócio como o mal maior de um país a ser destruído por “plantadores de soja e de vacas”.
Confirmada, porém, sua ascensão vertiginosa nas pesquisas, logo tratou de procurar os ruralistas. Não seriam tão deletérios quanto a antiga musa – a ecológica – lhe cantava. Ou seja, nem mesmo o poder lhe chegou às mãos, a frágil nativa das florestas abraça-se com Kátia Abreu, até anteontem – para a candidata do PSB, – a defensora dos poderosos e opressores.
Mudou o Natal ou mudei eu? Mudaram as condições de chegar ao poder, apenas isso. Como perguntaria Bonner, o indelével âncora do Jornal Nacional da Globo: não será isso o sintoma mais evidente da transformação de Marina Silva na mais tradicional das políticas brasileiras? O tempo está a falar por si.
Enquanto isso, porém, divisam-se as muitas perguntas que é claro, não são feitas. Uma vez eleita, qual o caminho tomará a hoje candidata? Se cessar as obras de construção das hidroelétricas, como ela sempre pregou, trairá os empresários – mas se não o fizer, será a mais notável traíra dos ecologistas radicais.
As contradições evidentemente não cessam por aí. Mas a ameaça de termos um “tournant” no desenvolvimento brasileiro dos últimos anos, não parece obra de petistas ou de paranóicos de plantão. Era meridiano que Collor – sem qualquer estrutura partidária, psicológica ou intelectual – não era páreo para a complexidade de um país como Brasil.
No caso de Marina Silva e do apoio de amplos setores da juventude, pensa-se na reflexão feita pelo cineasta em seguida à primeira eleição de Silvio Berlusconi para governar a Itália. Bertolucci insistiu num tema que quase ninguém se lembra, mas que vale também para o Brasil: a questão da educação. “Falhamos na educação de nossos jovens” constatou o realizador do “Último Tango em Paris”. Foram os jovens italianos, de fato, os maiores entusiastas da eleição do homem que, como diria Walter Benjamin sobre Hitler, soube “estetizar a política” como nenhum de seus adversários à direita ou à esquerda . A se confirmar a onda Marina, como insuperável -, sem alarmismos, aguarda-se o pior, já que no Brasil o futuro sempre se afigura o pior.
Leonel Brizola, quando Collor recebeu o “Impeachment”, com a sua indiscutível sagacidade – à parte seus inúmeros defeitos – assacou uma conclusão irreprochável. Disse das elites brasileiras que eram suficientemente irresponsáveis, para toparem qualquer coisa, desde que contra a esquerda.
Há outros aspectos, evidentemente. Por mais que a tese da morte de Eduardo Campos como fruto de um conluio internacional, seja o que de mais próximo temos da “teoria da Conspiração”, uma coisa é certa. Foi a partir da morte de Eduardo Campos que Marina Silva – sem partido, sem reais condições de ascender ao poder como vice do ex-governador pernambucano, – alcançou a condição inequívoca de disputar a presidência. Como diz o ditado italiano, “se non è vero, è bene trovato”…
A isso, porém, se alia o que até agora é um boato. Uma vez eleita, Marina Silva, comenta-se, convidaria o indefectível Joaquim Barbosa para o Ministério da Justiça. Com isso, se fecharia o circo. Do homem que conseguiu gravar na opinião pública de que o PT seria o partido mais corrupto do Brasil, pode-se dizer muita coisa – uma é de que seria realmente um justiceiro. Agiu como tal, pouco se importando o quanto a comunidade negra deve aos governos Lula e Dilma na tentativa de eliminar a injustiça histórica contra a discriminação de que são alvos os negros brasileiros, ainda hoje cidadãos de segunda categoria na sociedade brasileira. Ah, mas ele condenou os culpados e isso mostra o quão foi justo. É um bom argumento, desde que não se discuta a sério o tal processo do “Mensalão”. E desde que não se constate que este mesmo homem justo (?) fez-se de cego, surdo e mudo perante o escândalo muito maior, (um bilhão de reais) perante o comprovado crime de roubo do metrô de São Paulo, a envolver muitos tucanos da mais fina estampa. Não mexeu uma palha para desvendar o caso. E não apenas para não compensar, mas como presidente do Supremo, regalou-se em todo o tipo de violência contra os réus – especialmente José Dirceu e José Genoíno – palavras da OAB e de inúmeros juristas, inclusive claramente de direita, como Ives Gandra Martins e Cláudio Lembo.
Deste personagem, enfim, pode se dizer que nunca, em tempo algum a direita brasileira, principalmente os partidos de oposição, deveram tanto a uma pessoa quanto a ele, Joaquim Barbosa. O hoje aposentado ex-presidente do STF conseguiu cuspir na mão que o afagava e cravou no partido que se preocupou com os direitos dos negros, a pecha de “o mais corrupto”da história recente do País. Concluir que, com Marina Silva, ele se completa na história assustadora que vem por aí, pode ser mero alarmismo de um homem de idade provecta que já viu muita coisa neste país – não será, porém, uma mera hipótese. Quem conhece os dois personagens sabe do que são capazes. É rezar para que não assumam o poder. E não descurar do óbvio: há quem se interesse que o Brasil passe a ser uma nação de segunda categoria como o nosso complexo de vira-latas sempre pregou. Se eleita Marina Silva, o pior estará se desenhando sem meias tintas. Os sobreviventes verão.
A propósito, seria de se criticar o PT e a sua pífia campanha eleitoral no Brasil.
Mas isso é outra história.
Autor: da Redação
Um perigo chamado Marina Silva
Heimat, a outra pátria, sobre a imigração alemã no RS, entra em cartaz
Por Francisco Ribeiro
Entrou em cartaz nesta quinta-feira, 28, no Cine Guion, “ Heimat, a outra pátria”, 2013, de Edgar Reitz. Trata-se da quarta parte de uma obra de grande sucesso na televisão alemã, iniciada em 1984. A apresentação do filme em Porto Alegre – que integra as comemorações dos 190 anos da imigração alemã para o Estado – tem a parceria do Instituto Goethe, responsável pela vinda do jovem ator Jan Dieter Schneider, protagonista desta película que também conta com a participação especial do diretor Werner Herzog, interpretando o naturalista Alexander von Humboldt.
Nas três partes anteriores – Heimat 1: Uma crônica da Alemanha, 1984; Heimat 2: Crônica de uma geração, 1992; e Heimat 3: Crônica da mudança de uma época, 2004 – Reitz , em 30 capítulos que somam quase 52 horas, contou a história da Alemanha no século XX: do término da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) até aurora do novo milênio.
Em “Heimat, a outra pátria”, o diretor, no vigor dos seus 82 anos, concentrou sua narrativa no começo da década de 40 do século XIX, onde, numa situação de penúria, a imigração para o Brasil aparece como solução para fugir da miséria. Mas o filme não trata, apenas, de questões pragmáticas, como trabalho e sobrevivência. Dividido em dois episódios – Crônica de um sonho, e Êxodo – a história, com cerca quatro horas de duração, se passa no vilarejo fictício de Schabbach, na região do Hunsrück (Renânia- Palatinado, sudoeste da Alemanha).
Em Schabbach vive a família Simon, composta de ferreiros e camponeses. Contudo, alguém destoa neste ambiente tacanho e conservador. Trata-se de Jakob (Jan Schneider), o filho caçula, o único que sabe ler, que sonha com a América e seus índios, crendo-se, em momentos de delírio, um deles. Jakob, enquanto narrador, fala com paixão das línguas ameríndias, estuda, faz correspondências com seu dialeto materno, e surpreende-se, no caso específico de uma tribo da Amazônia, dela ter 22 palavras para designar diferentes tipos de verde.
Mas Jakob verá seus planos frustrados pelo seu irmão Gustav (Maximilian Sheidt), que se apropria dos seus sonhos : tanto no amor, casando-se com Jettchen (Antônia Bill) ; como na ida para o Brasil. Isso o obriga, pela tradição, a ficar no vilarejo e cuidar dos mais velhos, e dos negócios da família. Mas sentimentos e sensações não são fixos, Jakob saberá unir sonho e inventividade, a ingressar na modernidade dos novos tempos, como sugere a máquina a vapor.
Em Heimat, a outra pátria, se fala muito em Brasil, no Rio Grande do Sul, e em Porto Alegre: agentes da imigração fazem propaganda de uma exótica – não falta o papagaio no ombro – e paradisíaca América do Sul; das promessas do jovem imperador brasileiro, ele próprio, meio germânico; da possibilidade de viver num lugar onde o sol brilha com mais intensidade, invernos sem neve. Mas não aparece ninguém com a informação de que, na época, o Continente de São Pedro do Rio Grande, vive uma guerra: a dos Farrapos.
Isso, certamente, teria sido corrigido se Reitz, como era seu desejo, pudesse ambientar uma parte do filme no Rio Grande do Sul. “A falta de uma produtora brasileira que entrasse como parceira impossibilitou o projeto, falta de recursos, ” explicou a diretora do Instituto Goethe, Marina Ludeman. Apesar disso, ela destaca o preciosismo na reconstrução de uma típica aldeia alemã do século XIX: “chegaram, inclusive, a plantar a espécie de trigo da época, que não se cultiva mais”.
Reizt, em relação à trilogia anterior, manteve a coerência estética. Filmou em preto e branco, com pequenos toques coloridos, que servem como reforço semântico, para destacar sensibilidades líricas, ou momentos de felicidade. Fica de mais interessante nesta quarta parte de Heimat, a reconstituição do ambiente camponês europeu do século XIX, da lama que parece querer invadir tudo. Também o sopro das revoluções que após a queda do império napoleônico impregna o velho continente, o sonho da república, a luta de um punhado de não-conformistas em varrer os restos feudais – pré-unificação alemã de 1871 – ainda existentes.
Enfim, dá para entender – através das imagens épicas dos grande carroções que cortam as colinas – os sonhos daqueles alemães que vieram para o Brasil no século XIX. E cujos dialetos e costumes ancestrais ainda podem ser encontrados em algumas regioes do Rio Grande do Sul atual, como por exemplo, Santa Maria do Herval, a Heimat gaúcha, futuro cenário, quem sabe, de um novo capítulo a ser filmado por Edgar Reitz.Lei que tira general da avenida está na mão de Fortunati
A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou nesta quarta-feira, 27, a mudança do nome da avenida Presidente Castelo Branco, principal acesso rodoviário à cidade, para avenida da Legalidade e da Democracia.
O projeto teve 21 votos a favor e 5 contrários. Foi aprovado por maioria simples (50% mais um).
Falta ainda a sanção do prefeito José Fortunati, para a lei entrar em vigor. Até agora, ele não quis comentar a medida.
Militantes dos movimentos de direitos humanos, como o Comitê Carlos De Ré, acompanharam a votação com vaias e aplausos, conforme a posição dos oradores. A sessão teve quatro vereadores ausentes e cinco abstenções.
A proposta é assinada pelos vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, ambos do PSOL. “Entre outros atos contrários ao Estado Democrático de Direito brasileiro, o presidente Castelo Branco determinou o fechamento do Congresso Nacional em outubro de 1966 e editou o Ato Institucional nº 2 – que extinguiu os partidos políticos e cassou os seus registros – e a Lei de Segurança Nacional, que possibilitava julgamentos de civis por militares. A alteração do nome da Avenida Presidente Castelo Branco para Avenida da Legalidade garantirá, no mínimo, uma reflexão da sociedade sobre as violações perpetradas pelo regime civil-militar”, dizem os autores.
O novo nome homenageia o movimento liderado pelo ex-governador Leonel Brizola em 1961, que permitiu a posse de João Goulart na presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros.
Projeto com o mesmo teor foi apresentado em 2011 e rejeitado pelo plenário em 14 de dezembro do mesmo ano, por 16 votos contrários e 12 favoráveis.
Veja abaixo os votos dos vereadores hoje:
Bancada do DEM
Reginaldo Pujol: Não
Bancada do PCdoB
João Derly: Ausente
Jussara Cony: Sim
Bancada do PDT
Delegado Cleiton: Sim
Dr. Thiago: Não votou
Márcio Bins Ely: Sim
Mario Fraga: Sim
Nereu D’Avila: Ausente
Bancada do PMDB
Idenir Cecchim: Sim
Lourdes Sprenger: Ausente
Professor Garcia: Não votou
Valter Nagelstein: Sim
Bancada do PP
Guilherme Socias Villela: Não
João Carlos Nedel: Não
Kevin Krieger: Ausente
Mônica Leal: Não
Bancada do PPS
Any Ortiz: Sim
Bancada do PRB
Séfora Mota: Sim
Waldir Canal: Sim
Bancada do PROS
Bernardino Vendruscolo: Não votou
Bancada do PSB
Airto Ferronato: Não votou
Paulinho Motorista: Sim
Bancada do PSD
Tarciso Flecha Negra: Sim
Bancada do PSDB
Mario Manfro: Não
Bancada do PSOL
Fernanda Melchionna: Sim
Pedro Ruas: Sim
Bancada do PT
Alberto Kopittke Sim
Engº Comassetto Sim
Marcelo Sgarbossa Sim
Mauro Pinheiro Sim
Sofia Cavedon Sim
Bancada do PTB
Alceu Brasinha Não votou
Cassio Trogildo Sim
Elizandro Sabino Sim
Paulo Brum Sim
Lasier Martins: "Nunca me censuraram na RBS"
O candidato ao Senado pela coligação O Rio Grande Merece Mais (PDT\DEM\PSC\PV\PEN), Lasier Martins, disse que não entende bem como seria a regulamentação dos artigos sobre Comunicação que constam na Constituição aprovada em 1988.
Eles nunca foram regulamentados por pressão dos donos dos jornais e redes de TV, muitos deles atuando no Congresso. O parágrafo quinto do artigo 220, por exemplo, diz que os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio, mas não foi regulamentado.
Lasier afirmou nesta quarta-feira, 27, durante entrevista à imprensa antes do tradicional Tá na Mesa promovido pela Federasul, que sempre teve total liberdade para trabalhar tanto na Caldas Júnior como depois na RBS, lugar que ficou por 27 anos. “Eles nunca me censuraram.”
Para ele, a formação de oligopólios na mídia nacional é uma questão de competência, “mas estou disposto a repensar este conceito”, completou. E ainda fez uma provocação: “por que não regulamentam o patrocínio oficial? A maior parte da verba publicitária do governo Dilma Rousseff é dirigida para a Rede Globo.”
O candidato não comentou o histórico de perseguições que líderes trabalhistas sofreram pela mídia conservadora. Os ataques de Carlos Lacerda na sua Tribuna da Imprensa, jornal do Rio de Janeiro, levaram Getúlio Vargas ao suicídio. João Goulart também foi perseguido pelos jornalões de São Paulo e rede Globo, assim como Leonel Brizola, que acabou ganhando na Justiça um antológico direito de resposta no Jornal Nacional.
Lasier também respondeu ao candidato Olívio Dutra, do PT, que o chamou de puxa saco dos empresários. “Ele só acredita na agricultura familiar, que é importante, mas não é a única. A economia brasileira depende intensamente dos empresários e de empresas fortes.” (Sergio Lagranha)Avião de Eduardo Campos chega ao Jornal Nacional
Mais uma vitória dos blogs sujos, no caso o Tijolaço, que investigou já nos primeiros dias as dúvidas sobre as condições em que estava sendo usado o avião que caiu em Santos com o candidato do PSD, Eduardo Campos.
Tijolaço: “Chega-se à conclusão de que Eduardo e Marina faziam campanha num avião fantasma. Ninguém admite ser dono do Cessna, ninguém admite ter bancado as despesas com o jatinho – e ninguém declarou qualquer informação sobre o uso do avião à Justiça Eleitoral”..
Nesta terça feira, 26, o assunto que já vinha ocupando primeira página nos jornais, chega ao Jornal Nacional, da Rede Globo:
DOCUMENTOS INDICAM EMPRESAS FANTASMAS NA COMPRA DO AVIÃO EM QUE MORREU EDUARDO CAMPOS
O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade aos extratos da conta AF Andrade – empresa que, para a Anac, é a dona da aeronave.
O Jornal Nacional obteve, com exclusividade, documentos importantes da operação de compra e venda do jato Cessna, que era usado pelo candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos.
O dinheiro que teria sido usado para pagar o avião em que morreu o candidato Eduardo Campos passa por escritórios em Brasília e São Paulo, e por uma peixaria fantasma em uma favela do Recife.
“Rapaz, eu estou até desnorteado. Como é que eu tenho uma empresa uma empresa sem eu saber?”, questiona um homem.
O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade aos extratos da conta AF Andrade – empresa que, para a Anac, é a dona da aeronave. Mas a AF Andrade afirma que já tinha repassado a aeronave para outro empresário, que emprestou para a campanha de Campos.
Os extratos que já foram entregues à Polícia Federal mostram o recebimento de 16 transferências, de seis empresas ou pessoas diferentes. Num total de R$ 1.710.297,03.
Nos extratos aparecem os números do CPF das pessoas físicas ou do CNPJ, das empresas que transferiram dinheiro para a AF Andrade. Com esses números foi possível chegar aos donos das contas.
A empresa que fez a menor das transferências, de R$ 12.500, foi a Geovane Pescados. No endereço que consta no registro da peixaria encontramos Geovane, não a peixaria.
“Acha que se eu tivesse uma empresa de pescado eu vivia numa situação dessa?”, diz Geovane.
Outra empresa, a RM Construções, fez 11 transferências, em duas datas diferentes. Cinco no dia 1º de julho e mais seis no dia 30 de julho, somando R$ 290 mil.
O endereço da RM é uma casa no bairro de Imbiribeira em Recife. Mas a empresa de Carlos Roberto Macedo não funciona mais lá. “Tinha um escritório. Às vezes, guardava o material o outro”, conta ele.
Tentamos falar por telefone com Carlos, mas ele pareceu não acreditar quando explicamos o motivo da minha ligação.
Repórter: Você andou depositando dinheiro para comprar de um avião?
Carlos: Tem certeza disso?
Já um depósito de quase R$ 160 mil saiu da conta da Câmara & Vasconcelos, empresa que tem como endereço uma sala vazia em um prédio e uma casa abandonada. Os dois lugares em Nazaré da Mata, distante 60 quilômetros do Recife.
A maior transferência feita para a AF Andrade foi de R$ 727 mil, no dia 15 de maio, pela Leite Imobiliária, de Eduardo Freire Bezerra Leite.
E completam a lista de transferências João Carlos Pessoa de Mello Filho, com R$ 195 mil, e Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho, advogado com escritórios em Brasília, Recife e São Paulo, com uma transferência de R$ 325 mil.
Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho disse que realizou, em junho, uma transferência bancária de R$ 325 mil e que esse valor é referente a um empréstimo firmado com o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho.
O empresário João Carlos Lyra declarou que, para honrar compromissos com a empresa AF Andrade, fez vários empréstimos, com o objetivo de pagar parcelas atrasadas do financiamento do Cessna.
A Leite Imobiliária confirmou que transferiu quase R$ 730 mil para a AF Andrade como um empréstimo a João Carlos Lyra.
Já o PSB declarou, nesta terça-feira (26), que o uso do avião foi autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira.Especialistas e procuradores de Justiça debatem medidas para humanizar o parto
Audiência pública sobre a humanização no parto, realizada em conjunto pelo Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF/RS) e Ministério Público Estadual, reuniu cerca de 200 pessoas no auditório do Memorial do Ministério Público nesta quinta-feira (21), em Porto Alegre. O objetivo foi discutir medidas de humanização do parto e de prevenção da violência obstétrica. Todos os encaminhamentos que foram relatados pelos participantes do evento serão avaliados para assegurar a participação da sociedade civil na instrução de inquérito civil que tramita no MPF (Inquérito Civil nº 1.29.000.000975/2013-97).
As procuradoras da República Ana Paula Carvalho de Medeiros e Suzete Bragagnolo, titulares do 1º e 2º Ofícios do Núcleo da Seguridade Social da Procuradoria da República no Estado, estiveram presentes. “A verificação do cumprimento da lei do acompanhante, da aplicação da portaria que recomenda a primeira hora de vida do bebê com a sua mãe – quando a condição clínica assim o permitir, a adoção de indicadores hospitalares relacionados ao parto e o encaminhamento das denúncias de violência contra a mulher aos conselhos de fiscalização profissional foram alguns dos encaminhamentos da audiência”, afirmou Ana Paula.
Na avaliação de Suzete, o evento também serviu para consolidar muitos pontos convergentes dos atores envolvidos na discussão e tornar clara a necessidade de continuar o debate nos pontos divergentes. Mauro Silva e Souza, do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do MP/RS, lembrou que o Brasil está fora dos parâmetros recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação à quantidade de partos cirúrgicos realizados. A OMS recomenda que o percentual fique na casa de 15%, enquanto na prática o Brasil registra um índice de 40% em média. Também participou o procurador regional da República Paulo Leivas, coordenador do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região. “Humanização é um conceito polissêmico, e um dos aspectos é a defesa dos direitos reprodutivos das mulheres e dos direitos das crianças. Aí se insere o MPF, na defesa dos direitos humanos”, explicou o procurador da República.
Especialistas no assunto, representantes de ONGs, conselhos e órgãos públicos além de um bom público com a presença de mães e pais com suas crianças também tiveram a palavra. Sérgio Martins-Costa, chefe da área de obstetrícia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, trouxe dados de pesquisas internacionais em países tidos como referência. Um dos principais é de que, até 2000, no Brasil, verificou-se uma relação direta entre o aumento do percentual de cesarianas e a queda da taxa de mortalidade nos partos.
No entanto, de lá para cá, embora o percentual de cesarianas siga aumentando, a taxa de mortalidade se manteve, o que significa, segundo Costa, que a partir de um certo percentual o aumento das intervenções cirúrgicas não favorece a redução da mortalidade materna. Para Maria Helena Bastos, consultora em Saúde da Mulher do Ministério da Saúde e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz, “é fundamental que se faça uma releitura da medicina, da obstetrícia e da saúde da mulher”.
Ela ressaltou a necessidade de capacitação dos profissionais, elaboração de diretrizes clínicas e implementação de estratégias para melhoria da qualidade do atendimento às parturientes como algumas medidas de combate à violência obstétrica. Antônio Celso Koehler Ayub, representante do Conselho Federal de Medicina, alertou para importância da fiscalização. “Conselhos federais e regionais, que têm a missão de fiscalizar a atividade da medicina, procuram cumprir sua função da maneira mais correta possível, buscando sempre, em primeiro lugar, o benefício da população”, sustentou.
Críticas contra violênia obstétrica/Tânia Rêgo /ABr 
Recado de uma participante da Marcha /Tânia Rêgo/ABr
Os procuradores da República Ana Carolina Previtalli Nascimento (SP) e Maurício Pessutto (SC) também participaram da audiência pública, que teve como expositores Maria Esther de Albuquerque Vilela, Coordenadora-Geral da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, o obstetra Ricardo Jones, Nadiane Albuquerque Lemos, Coordenadora da Saúde da Mulher da Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, e o médico do Hospital Sofia Feldman, de Belo Horizonte, João Batista Marinho de Castro Lima.
“Há alguns anos, quando falávamos sobre violência obstétrica, dizia-se que isso era lenda. Iniciou-se uma investigação em 2001 na Argentina, a partir de denúncia de uma mulher. Foi quando o termo começou a ganhar sentido. É uma das muitas formas de violência contra as mulheres. A Venezuela já tem dispositivo legal de reconhecimento da violência obstétrica desde 2004. Na Argentina, há uma lei em 2009. Precisamos avançar também no Brasil”, enfatizou Lara Werner, representante da rede Parto do Princípio.
(Assessoria do MP/RS)Farsul vai desossar 40 carcaças na “vitrine da carne”
Pelo sexto ano consecutivo a Farsul vai realizar no pavilhão internacional da Expointer 2014 a Vitrine da Carne Gaúcha, demonstração de desossa de bovinos, bubalinos, ovinos e suínos que costuma ser seguida de sessões de degustação abertas ao público assistente. São 40 “aulas” de desossa das melhores carnes gaúchas que começam no dia 30 de agosto (sábado) às 10h30 e terminam às 16h30 do dia 6 de setembro (sábado).
Coordenada pela assessor técnico da Farsul, Luiz Alberto Pitta Pinheiro, a Vitrine da Carne Gaúcha foi realizada pela primeira vez na edição de 2009 com o objetivo de mostrar que a carne de qualidade é resultado de um processo que começa no campo e depende de cuidados agronômicos (bons pastos) e veterinários (sanidade animal). Participam da vitrine, técnicos das associações de criadores das raças angus, braford, brangus, devon, hereford, simental e zebu, além da Cooperbúfalo, Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) e Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs).
A parceria entre a Farsul, o Senar-RS e o Sebrae/RS põe dentro da vitrine o consultor de carnes Marcelo Bolinha, que vai fazendo os cortes, explicando de onde saem o filé, a picanha, a alcatra e outras partes dos traseiros e dianteiros. Do lado de fora, separado por um vidro, o público acompanha o espetáculo. Da sala de desossa, uma prova dos cortes é preparada pela chef Fernanda Moreira em uma cozinha contígua. Os diversos pratos são finalmente levados ao público, sustentando uma “boca livre” bastante concorrida mas pouco farta, pois o evento é antes de tudo educativo.Os cinco segredos da Amazônia, segundo Antonio Nobre
O repórter Ramiro Escobar, correspondente do El País em Lima, acompanhou o III Encontro Panamazônico realizado na capital peruana, nos dias 6 e 7 de agosto e destacou a participação do cientista brasileiro Antônio Nobre, que abriu a reunião. Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) Nobre é um dos maiores conhecedores da floresta e falou dos cinco segredos que fazem dela “o pulmão, o fígado e o coração do planeta”. Reproduzimos a entrevista que Escobar fez com o cientista sobre os perigos que rondam a Amazônia e as consequências disso para o clima. Já estamos no ‘Dia depois de amanhã’ das mudanças climáticas? Estamos em uma situação bastante grave. A ponto de a comunidade científica, que não costuma concordar entre si, ter formado um bloco com uma convicção homogênea sobre o assunto. As mudanças climáticas não são mais só uma projeção. E como essa situação de gravidade se manifesta na Amazônia? No desmatamento, que remove a capacidade de a floresta se manter. Ela conseguiu se manter por milhões de anos, em condições adversas. Mas hoje sua capacidade está reduzida. Antes havia duas estações na Amazônia, a úmida e a mais úmida. Que eram facilmente reconhecíveis. Agora temos uma estação úmida moderada e uma estação seca. E a seca tem um efeito muito perverso. Porque quando não chove as árvores se tornam inflamáveis. O fogo entra e já não existe mais uma floresta tropical. Apesar de tudo, a Amazônia ainda guarda cinco segredos. É algo que os povos indígenas sempre souberam e que a nossa civilização não percebeu. Mas, nos últimos 30 anos, a Ciência revelou esses cinco segredos. O primeiro é como a floresta Amazônia mantém a atmosfera úmida mesmo estando a 3.000 quilômetros do oceano… …E fazer com a que a chuva chegue até a Patagônia. E aos Andes, por 3.000 ou quase 4.000 quilômetros. Outras partes do mundo que estão longe do oceano, como o deserto do Saara, não recebem água. Mas na América do Sul não há esse problema, e isso se deve ao primeiro segredo: os jatos de água verticais. E qual é o segredo desse segredo? É que as árvores da Amazônia são bombas que lançam no ar 1.000 litros de água por dia. Elas a retiram do solo, a evaporam e a transferem para a atmosfera. A floresta amazônica inteira coloca 20 bilhões de toneladas de água na atmosfera a cada dia. O rio Amazonas, o mais volumoso do mundo, joga no Atlântico 17 bilhões de toneladas de água doce no mesmo intervalo de tempo. É incrível. Como isso foi descoberto? Fazendo medições. Com torres de estudo, com satélites que detectavam esse transporte de vapor d’água, que é um vapor invisível. Produzido pelas árvores quase que por magia. A magia vem no segundo segredo. Como é possível que caia tanta chuva, se o ar da Amazônia é tão limpo, já que o tapete verde cobre o solo? O oceano também ter um ar limpo, mas não chove muito sobre ele. Nós, cientistas, desvendamos um mistério. Qual? Para formar uma nuvem de chuva, que são gotas de água em suspensão, é preciso transformar o vapor baixando a temperatura. Mas se você não tem uma superfície de partículas, sólida ou líquida, para gerar essas nuvens, o processo não começa. Então o que é que a floresta faz? Produz o que chamamos de pó de fadas. São gases que saem das árvores e que se oxidam na atmosfera úmida para precipitar um pó finíssimo que é muito eficiente para formar chuva. Parece uma fábula. É que a floresta manipula a atmosfera constantemente e produz chuvas para si própria, uma coisa quase mágica. Os gases saem das árvores. São como perfumes e se volatilizam. Uma espécie de grande fragrância sustentável. É um oceano verde, diferente do azul. O azul não tem esse mecanismo porque carece de árvores. Tem as algas, que produzem um pouco, mas não como o verde. Vamos ao terceiro segredo. Vamos. Na Amazônia, o ar que vem do hemisfério norte cruza do Equador, entra e vai até a Patagônia. Até lá chega esse ar úmido, que vem do Atlântico equatorial. Com os ventos alísios. Sim, com os ventos alísios que trouxeram as caravelas dos europeus, há 500 anos. Mas os alísios do oceano sul sopram para o norte. O que faz esses ventos irem contra a tendência de circulação global? Dois físicos russos com quem eu colaboro responderam a essa pergunta ao estudar o efeito do vapor dos jorros verticais amazônicos. Mais uma vez os jatos verticais. Eles descobriram que, pela física fundamental dos gases, essas condensações de vapor puxam o ar dos oceanos para dentro do continente e criam uma espécie de buraco de água. É como uma bomba natural. A floresta traz sua própria umidade do oceano. “Onde há florestas não há seca, nem excesso de água, nem furacões, nem tornados. É como uma apólice de seguros” E ainda tem mais… O quarto segredo é a transferência dessa umidade amazônica para outras regiões: os Andes no Peru, os páramos da Colômbia… Se você olhar o mapa do mundo, vai descobrir que existe um cinturão úmido que passa pelo Equador, pela África e pelo sudeste asiático. É a linha do Equador... Sim, mas é na linha dos trópicos, o de Câncer ao norte e o de Capricórnio, ao sul, que estão todos os desertos. O do Atacama, no Chile, o da Namíbia, na África. Mas essa área que concentra 70% do PIB da América do Sul que vai de Cuiabá a Buenos Aires, de São Paulo aos Andes – é úmida! Apesar de estar na linha dos desertos. E qual o mistério dessa área? Chama-se rios voadores. É uma grande massa de ar úmido bombeada pela Amazônia contra os Andes, que são uma parede de mais de 6.000 metros de altura. É assim que essa massa chega a áreas onde deveria haver deserto. Por isso chove na Bolívia e no Paraguai. Falta, finalmente, o quinto segredo… O quinto segredo é que, se você colocar em um gráfico todos os furacões que já aconteceram na história – e a NASA já fez isso – na região das florestas equatoriais não há nenhum deles. E essa região é a que tem mais energia porque a radiação solar é muito intensa. Deveria haver ciclones, como na Índia e no Paquistão… Eles não existem porque o topo da floresta, onde estão as copas das árvores, é áspero e faz com que os ventos sejam obrigados a dissipar sua energia, o que acalma a atmosfera. Mas ocorrem tempestades… Claro, mas elas não costumam ser destruidoras. Onde há florestas não há secas, nem excesso de água, nem furacões, nem tornados. É como uma apólice de seguros contra os fenômenos atmosféricos extremos. Agora esses cinco segredos estão em risco… O problema se chama desmatamento. Se tirarem a metade do fígado de um bêbado, vai ser difícil para ele lidar com o álcool. É isso o que está acontecendo com a Amazônia. Estamos retirando um órgão do sistema terrestre. Então a Amazônia não é o pulmão, mas sim o fígado do planeta? É o pulmão, o fígado, o coração… É tudo! Essa bomba natural da qual falei é um coração que pulsa constantemente. O pó de fadas também funciona como uma vassoura química contra substâncias poluentes, como o óxido de enxofre. O melhor ar é o da Amazônia. E, apesar disso, continuamos destruindo a floresta. Se você chega com uma motosserra, com um trator ou com fogo, a Amazônia não pode se defender. As intervenções do homem podem ser
benéficas, como na medicina, mas também terríveis, como a motosserra. Por isso eu proponho um esforço de guerra. No que consistiria esse esforço? Seria uma concentração de forças para resolver um problema que ameaça tudo. Hoje a ciência nos permite saber que a situação é gravíssima. E o que eu proponho é lutar contra a ignorância, o principal motivo da destruição da floresta amazônica. Parece que as prioridades mundiais são outras... Em 2008, os bancos foram salvos em 15 dias. Foram gastos trilhões de dólares nisso. A crise financeira não é nada comparada à crise ambiental. O que está acontecendo? Estamos embriagados com a civilização? É uma embriaguez primitiva. Quando você vai ao médico e ele diz que você tem uma doença em estágio avançado, o que você faz? Continua fumando? O sistema terrestre é um organismo e está muito doente. A parte contaminante é a parte mais degenerada do ser humano. Podemos curar a Amazônia dessa doença? Eu acredito que se tivermos uma capacidade semelhante à que tivemos para salvar os bancos, sim. Porque a floresta tem um poder de regeneração impressionante. E, além disso, ela deveria ser importante para todo o mundo. A atmosfera tem uma coisa chamada teleconexões. Um modelo climático pode demonstrar que as mudanças na Amazônia vão afetar os ciclones na Indonésia. Então, o maior segredo é acordar… E saber que o que fazemos agora é determinante. As gerações posteriores vão sofrer com as más escolhas de hoje. A geração que está na Terra hoje tem nas mãos os comandos de um trem que pode ir para o abismo ou uma oportunidade para se viver muito mais.Rombo na prefeitura pode chegar a R$ 300 milhões este ano
É comovente o esforço que a Zero Hora faz diariamente para preservar o prefeito José Fortunatti no noticiário sobre a administração municipal de Porto Alegre.
Nesta segunda-feira mesmo se pode ler, na coluna política do jornal, o título burocrático – “Contenção de gastos na prefeitura”. É um caso exemplar – a uma nota sobre as contas públicas da capital, que estão há dois anos no vermelho.
No ano passado, o balanço da prefeitura apresentou um buraco de quase 150 milhões de reais, equivalente a quase 10% da receita de impostos.
Já era o segundo ano consecutivo no negativo (em 2012, o déficit foi de 60 milhões de reais) e está a caminho do terceiro ano.
Segundo a mesma nota, o déficit mensal este ano está entre 25 e 30 milhões. O que significa que no final de 2014, o rombo pode superar os 300 milhões de reais.
As causas apontadas – despesas com a Copa do Mundo e redução da atividade econômica – não convencem, quer pelo valor dos investimentos com recursos próprios nas obras da copa, quer pelos dados do balanço do ano passado, quando a receita de impostos cresceu quase 4% acima da inflação.
Assim, sem esclarecer as causas nem dar a real dimensão do problema, o jornal destaca o esforço da prefeitura em “racionalizar as despesas” para voltar ao equilíbrio.
Será essa uma das contrapartidas pela permissão, acertada com o gabinete do prefeito, para que o jornal promova seus 50 anos com instalações temporárias nos principais parques da cidade?Segunda reviravolta na campanha para o Senado
Desmentindo todas as notícias das últimas semanas, o senador Pedro Simon aceitou ocupar a vaga de Beto Albuquerque, que trocou a candidatura ao Senado pela de vice-presidente na chapa de Marina Silva.
Simon vai disputar o seu quarto mandato consecutivo de senador, depois de ter várias vezes anunciado o fim da carreira. (Teve um primeiro mandato em 1978/86, antes de ser governador).
Sua presença na disputa provoca uma segunda reviravolta na campanha ao Senado no Rio Grande do Sul. A primeira foi a entrada do ex-governador Olívio Dutra que rachou o favoritismo do jornalista Lasier Martins, a novidade desta eleição.
Com Simon a correlação de forças se altera novamente, ao que tudo indica em detrimento de Lasier, já que o voto em Olivo tende a ser o voto partidário consolidado, menos sujeito a flutuações.
A candidatura de Pedro Simon de reeleição ao Senado será oficializada em coletiva de imprensa às 14h desta segunda-feira, no diretório estadual do PMDB.
“Candidato ao governo do Estado pelo PMDB, José Ivo Sartori, considerou a aceitação de Simon um “ato de renúncia” do senador, que, aos 85 anos, chegou a receber recomendações do médico Fernando Lucchese para não participar da eleição.
Pedro Simon
O quarto consecutivo, o quinto mandato.
Senado Federal
1.º – 15 de março de 1979
até 15 de março de 1982
Min. Agricultura Tancredo/Sarney
15 de março de 1985
14 de fevereiro de 1986
Governador do RGS
15 de março de 1987
até 1 de abril de 1990
Senado Federal
2.º – 1 de fevereiro de 1991
até 1 de fevereiro de 1999
3.º – 1 de fevereiro de 1999
até 1 de fevereiro de 2007
4.º – 1 de fevereiro de 2007
(em exercício)
(Com assessoria de imprensa)


