POR Cleber Dioni Tentardini
O Largo dos Enforcados é o ponto de encontro para início da “Marcha Contra Genocídio do Povo Negro”, a partir das quatro da tarde na sexta-feira, 22, no centro histórico de Porto Alegre.
Nesta segunda edição, a marcha ganhará dimensão internacional pois ocorrerá simultaneamente em 12 capitais brasileiras e de outros países.
Os protestos querem chamar atenção para os dados alarmantes de todos os tipos de violência contra os negros.
De acordo com a Mapa da Violência no Brasil, documento produzido pelo Instituto Sangari, ligado ao Ministério da Justiça, 30 mil jovens negros, entre 14 e 29 anos de idade, são vítimas de homicídio no país por ano.
O advogado Onir Araújo, um dos coordenadores da marcha na capital gaúcha, explica que ela se originou de um coletivo na Bahia chamado Quilombo X, que organizou as manifestações no ano passado, com maior peso em Salvador e alguns protestos no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Este ano, o Quilombo X e o MNU decidiram reforçar os protestos contra a violência policial contra os jovens, através de uma campanha chamada ‘Reaja ou será morta. Reaja ou será morto’.
O Brasil é o maior país africano fora da África e já possui a quarta maior população carcerária do mundo, onde os negros representam 80%.
E a situação no Rio Grande do Sul não é diferente, segundo o advogado, que integra a Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas e o MNU – Movimento Negro Unificado.


“A violência contra os jovens negros é praticamente homogênea no Brasil, levando-se em conta estados mais populosos. Aqui no Estado, os negros representam 18% da população, segundo o IBGE, e mesmo em minoria formam 45% da população carcerária ou internada.
Em Porto Alegre, os negros são 20% da população. “Se visitarmos o IML numa sexta à noite veremos que a maioria dos mortos é formada por jovens, e a metade destes, são negros”, aponta o advogado.
Araújo observa, no entanto, que este ano a marcha ganha um caráter mais amplo, para que as manifestações reflitam as realidades locais. “Não podemos ficar quietos diante da inexistência de políticas sociais.A única política pública que o povo negro e pobre conhece é o policiamento ostensivo, e isso não resolve os problemas de regularização fundiária, saúde, educação, saneamento”, critica.
E continua: “Exemplo é que recentemente a UFRGS concluiu uma pesquisa em 22 comunidades quilombolas no Estado sob o prisma da segurança alimentar, e a conclusão é que os quilombolas no RS são três vezes mais inseguros na questão alimentar do que o restante da população. Isso é um sintoma de que não existe política pública se levarmos em conta a demanda.”
Em Porto Alegre, há cinco quilombos e apenas um titulado, da Família Silva, que é o primeiro quilombo urbano titulado do país.
Os outros estão com processos em andamento: Alpes, na Gloria; Fidelix; antiga Ilhota; Areal, no Praia de Belas; e o da família Machado, núcleo que recentemente iniciou o processo de titulação no Incra.
O advogado condena também “o acentuado processo de limpeza étnica” em Porto Alegre. “Próximo ao Centro, naquela região do Morro Santa Teresa, onde ainda há uma concentração maior de pobres, Cristal, Cruzeiro, Icaraí, e ali no antigo Resvalo, depois avenida Campos Velho, as famílias estão sendo retiradas. Já foram removidas 1.200 pessoas da Vila Tronco com o argumento da duplicação da avenida, inclusive oito terreiros de religião de matriz africana foram fechados.
Boa parte daqueles que estavam na ocupação Iluminados por Deus, no terreno da antiga Avipal, são dali da Icaraí, portanto foram desalojados pelas obras do PISA – Plano Integrado Sócio Ambiental –sem planejamento algum. Ou seja, pinta de branco as áreas centrais e de preto e amarelo as periferias e toca a polícia em cima. E as cidades cada vez mais segregadas”, completa.
Manifestação segue roteiro histórico
A Marcha acontece no Centro Histórico de Porto Alegre, passando por locais do Museu de Percurso do Negro, desenvolvido pelo Programa Monumenta – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) / Ministério da Cultura.
Início no Largo dos Enforcados, onde os negros eram executados. Ali foi instalado uma escultura no formato de um tambor, por isso chamada também de Praça do Tambor.
Passa pelo Pelourinho, na frente da Igreja das Dores, onde os negros eram castigados.
Cruza pelo Zaire, a Esquina Democrática, ponto de manifestações, e segue pela Borges de Medeiros até o Tribunal de Justiça. Termina no Largo Zumbi dos Palmares.
Autor: da Redação
Marcha denuncia violência contra negros
Em Porto Alegre, integrantes percorrem comunidades para fortalecer a mobilização em torno da Marcha / Foto Divulgação Escultura na Praça Brigadeiro Sampaio sinaliza local onde os negros eram assassinados / Foto Divulgação Pelourinho, Jean Baptist Debret, 1827 Vinho brasileiro ganha mercado em 35 paises
Recordes na exportação do vinho brasileiro engarrafado: 257% mais no primeiro semestre de 2014, em relação ao mesmo período do ano anterior. Até junho, o Brasil exportou US$ 7,16 milhões em vinhos engarrafados, num total de 1,78 milhão de litros.
Em todo o ano de 2013, as vendas para o exterior somaram US$ 5,3 milhões, com 1,5 milhão de litros (o mercado interno consumiu 8,71 milhões de litros).
O que as vinícolas mais comemoram é a valorização do preço médio por litro exportado, que passou de US$ 3,36 para US$ 4,01, um ganho próximo de 20%.
O Reino Unido, que no ano passado ocupava a sexta posição entre os destinos do vinho brasileiro, nos últimos três meses despontou como o maior importador. Gastou doze vezes mais, US$ 1,56 milhão, quase 20% do total exportado.Para a, gerente do Wines of Brasil, um projeto do Instituto Brasileiro do Vinho, o setor está colhendo os resultados da aproximação com redes de varejo internacionais. Entre elas, estão a Waitrose, cadeia de supermercados de luxo no Reino Unido (312 lojas na Inglaterra, Escócia e Gales), e a Marks & Spencer, a maior rede de lojas de departamento do Reino Unido (840 lojas em 30 países). Ela acredita que a visibilidade que a Copa deu ao Brasil contribuiu para as marcas brasileiras no exterior.
A Bélgica foi a que mais aumentou suas compras: US$ 1,16 milhão, quase 60% mais do que importou no primeiro semestre de 2013.
O terceiro maior comprador foi a Alemanha (US$ 730 mil). A China, que começou a importar vinhos brasileiros há apenas três anos, hoje está entre os 10 principais compradores, e paga um dos valores mais altos na média de preço por litro, de US$ 7,47. “Isso se deve ao fato do vinho na China estar ligado a status e não necessariamente à cultura de consumo. Entretanto, o país é estratégico principalmente pelo tamanho de seu mercado potencial”, observa Roberta.
No total, nos primeiros seis meses do ano, os vinhos brasileiros engarrafados foram exportados para 35 países, três mais que no mesmo período de 2013.
Os cinco países-alvo do Wines of Brasil – projeto de promoção dos vinhos brasileiros no Exterior – estão entre os 10 principais destinos de exportação: Reino Unido, Alemanha, Holanda, Estados Unidos e China/Hong Kong. Além da Bélgica, figuram entre os destinos de destaque Paraguai, Japão, Suíça e Colômbia.Entre Dilma e Marina, cresce o fator Lula
Todos sabiam que Campos não jogava para 2014. Em todas as suas conversas com o empresariado ele sempre falou de um projeto a longo prazo.
Ele era o homem para truncar a continuidade do lulismo em 2018 , quando o próprio Lula poderá retornar.
Para 2014, já que Aécio Neves não sai do chão, truncar a continuidade do lulismo tornou-se o objetivo das corporações midiáticas, com a Globo e suas repetidoras na cabeça.
Daí o entusiasmo com a tese de que, depois da trágica morte de Eduardo Campos, temos “uma nova eleição” e que com a ascensão de Marina Silva o segundo turno é inevitável. Parece mais um desejo do anti-petismo da mídia do que uma realidade, até agora.

Nem mesmo a pesquisa do Datafolha, a primeira depois do acidente que matou Campos, dá suporte de verdade a essa interpretação, mais coerente com o clima emocional e a manipulação midiática do que com os fatos políticos.
O que mostra a pesquisa? Mostra Dilma em situação estável e confortável.
Está lá com os mesmos 36% da pesquisa anterior e o índice de aprovação de seu governo subiu (38% de bom e ótimo). O otimismo dos brasileiros em relação ao futuro também aumentou, segundo o mesmo Datafolha.
Com mais de 20 minutos diários na televisão a partir de amanhã, Dilma terá tempo para mostrar tudo o que tem feito no governo, o que apesar dos detratores não é pouco. Não convém esquecer que ela está há 12 anos no governo, oito como ministra de Lula e quatro em seu próprio mandato.
Campos também tinha obras para mostrar, de seus dois governos estaduais, assim como Aécio também as tem. Marina tem o quê? Sem contar que o programa de Campos não cabe exatamente no figurino de Marina. Como diz Cesar Maia, “o tempo de TV de Marina e a muito menor capilaridade de sua coligação podem transformar estes 21% num teto”.
Por falar em Lula, ele parece ser o grande beneficiário das mudanças decorrentes da tragédia. Por puro preconceito, a cobertura não deu atenção aos lances ágeis e precisos de Lula em seguida da morte e no velório de Eduardo Campos. Foi o único político que se moveu com desenvoltura nestes momentos difíceis.
Uma foto no velório, aliás, é simbólica. Lula está no centro da cena, abraçando a filha de Campos. Dilma está atrás, com a mão espalmada em suas costas. Marinha está do outro lado, olhando o vazio.
Passado o trauma, Lula está no centro da cena política, com tudo para garantir a eleição de Dilma e com o terreno desimpedido para 2018.(E.B.)Santa Teresa: governo não age, aumentam invasões
Um relatório do engenheiro Vinicius Galeazzi, diz que em cinco anos o Movimento de Defesa do Morro Santa Teresa, obteve avanços “documentais”. Foram criadas leis para defender o morro, mas na prática ele continua sem defesa
A regularização das comunidades consolidadas que vivem na área (há cinco vilas com mais de 30 anos) simplesmente não avança, o projeto do parque ambiental está em aberto, o tombamento dos prédios históricos não acontece e, pior, nos últimos meses as ocupações irregulares tem se intensificado.
Movimento nasceu nas redes sociais
O movimento comunitário em defesa do Morro Santa Teresa, patrimônio paisagístico e ambiental de Porto Alegre, nasceu nas mídias sociais. Talvez tenha sito a primeira grande manifestação gerada pelos novos meios no Rio Grande do Sul.
O projeto da governadora Yeda Crusius, já na Assembleia tinha aprovação garantida. Estava embalado no interesse social: o governo precisava de nove imóveis em pontos diversos da cidade, para implantar seu projeto de descentralização das unidades da Fase, a fundação que trabalha com menores em conflito com a lei. Unidades menores, com os internos daquela região, que ficariam mais perto da família, esse era o argumento.
Como não tinha dinheiro para comprar as novas casas, o governo daria o morro em troca. Nas redes sociais circulou que já havia até uma grande construtora escolhida para proporcionar aos seus clientes a melhor vista de Porto Alegre, em troca de nove casas de segurança em diversos pontos da cidade.
Em poucos dias, o movimento se organizou e no dia da votação levou milhares de pessoas ao Legislativo , obrigando o governo a recuar.
Nascido na internet, o movimento envolveu moradores das vilas consolidadas na área, ambientalistas, entidades representativas como a OAB, o IAB, o Ministério Público. Mais: manteve uma impressionante regularidade de reuniões semanais.
O movimento reivindica a regularização das comunidades já consolidadas, com mais de 30 anos ocupando, cerca de 20% da área. São cinco vilas, com aproximadamente 20 mil pessoas.
A recuperação de áreas de preservação ambiental, que estão degradadas e tombamento para preservação de dois prédios históricos, hoje ocupados pela Fundação Sócio Educacional (Fase).
A permanência das comunidades foi garantida por um decreto de 17 de maio de 2011, Um ano depois foi criado um Grupo de Trabalho e logo em seguida teve aprovação unânime o Projeto de Lei Complementar, que grava o Morro como Área Especial de Interesse Ambiental, desdobrada em AEIS, AEIC e AEPAN (Área de Interesse Social, Cultural e de Proteção do Ambiente Natural).
O grupo de trabalho, coordenado pela Secretaria de Habitação e Saneamento, tinha 120 dias para apresentar um relatório, isto é, 21 de outubro de 2012. “Desde essa data nosso Movimento, pelo menos em cinco reuniões nessa Secretaria e por outras vias, vem reclamando, sem sucesso, das ações do dito GT”, diz Galleazzi em seu relatório..
A ações da Secretaria da Habitação se resumiram a uma solução emergencial para o esgoto cloacal que escorria à céu aberto nas ruelas da Vila Gaúcha. Outra iniciativa foi a contratação em 26 de outubro de 2012, a empresa Engeplus para fazer, em 180 dias, o levantamento de dados para os projetos, “cujos relatórios, sempre incompletos e incorretos, acabaram sendo finalmente rejeitados, recentemente”.
Edificações e teleférico
A SEMA, Secretaria de Meio Ambiente, por sua vez e individualmente, apresentou projeto de um parque com edificações e teleférico com proposta de autofinanciamento, que não foi aceito.
Mais tarde, a Secretaria de Turismo apresentou proposta de construção do Centro de Eventos do Estado, na saibreira do Morro. Mas não houve, em todo esse tempo, qualquer proposta de preservação da área, dos campos, matas e córregos.
“A mais grave consequência da inoperância desse GT é que na área de mata nativa, situada estre as Vila Ecológica e União, estão acontecendo novas ocupações e mais recentemente proliferam”.
A reclamação pela inoperância do GT foi protocolada na chefia da Casa Civil do governador, em novembro de 2013.
Um mês depois o Sindicato dos Engenheiros (SENGE RS) entrou com representação no Ministério Público, reclamando “ação imediata (do governo do Estado) visando reverter a situação das ocupações recentes porque estão comprometendo uma área importante de mata nativa numa encosta acentuada que exige preservação, situação de alto risco”.
O sindicato reclamou, ainda, que se torna imprescindível que o Estado, “se não tem intenções e/ou recursos para implementar o decretado Parque Ambiental agora, tome providências, pelo menos, para demarcar a área de preservação e institua lá um gerenciamento mínimo para cuidar do patrimônio ambiental público que, por inoperância, está sendo devastado”.
O Ministério Público, por sua vez, através do Procurador Luciano Brasil, chamou para uma audiência a 18 de março de 2014, o Secretário Marcel Frison, os líderes das comunidades, este Movimento e o SENGE RS. O Secretário afirmou que aconteceram reunião do GT, que não podia fazer nada para evitar novas ocupações porque não tem efetivos para isso, que estaria reunindo o GT e que, em um mês, estaria chamando as comunidades para tratar de suas demandas, regularização fundiária e as emergenciais.
Aconteceram, neste ano até o momento, quatro daquelas reuniões técnicas-jurídicas, acertadas entre o Secretário Marcel Frison e o Dr. Jacques Alfonsin, com técnicos da SEHABS, tratando saber do andamento dos estudos, visando o projeto da regularização fundiária, tentando aproveitar o relatório dos levantamentos da Engeplus e de convencer os técnicos da necessidade de obter a Concessão de Uso, ainda neste ano.
Na reunião de 31 de julho, os técnicos da SEHABS aceitaram discutir minuta da Concessão de Uso por nós proposta, o que significou grande avanço. Mais recentemente, a 14 de agosto, foi decidido redigir o texto final, por uma comissão conjunta que, aprovado, deverá ser assinado pela presidenta da FASE, proprietária da área.
Na reunião de 31 de julho, foi apresentada, finalmente, uma (ou a) ata de reunião do GT. Conforme essa ata, da reunião a 1º de abril de 2014, a SEHABS apresentou aos presentes os dados sobre os levantamentos e discutiram estratégias de ação.
Não ficou definida data para outra reunião, para quando os participantes deverão “apresentar estratégicas e um plano de trabalho para o desenvolvimento das próximas ações” e ficaram definidos quatro itens, entre eles, “quanto à FASE, a mesma deverá apresentar quais as áreas de seu interesse” e “quanto à SEMA, deverá apresentar um projeto para o parque”. Conforme o Decreto, o relatório final deveria ser entregue ao Governador a 21 de Outubro de 2012.
shoppings e estacionamentos
Quanto à criação do parque ambiental, a única informação escrita de que o tema foi tratado ao nível de Estado, reclamado desde sempre por este Movimento e decidido criar pelo Decreto Estadual 49.256 de 21 de Julho de 2012, com novas ocupações em mata nativa, é uma linha da tal ata do GT de 1º de abril. Sabedor dessa informação, o SENGE-RS, a 11 de agosto, protocolou ofício solicitando do MP cobrança dos órgãos do Estado, encarregados da preservação e criação do parque ambiental decretado.
Quando o Governo, através do Secretário da SEHABS, estabeleceu interlocução por meio de uma única pessoa, Dr. Jacques Alfonsin e, depois, com a pequena equipe técnica jurídica para tratar da regularização fundiária e a Concessão de Uso, este Movimento aceitou a imposição por entender prioritário conseguir, pelo menos, garantia da titularidade e a posse da terra pelas famílias e que poderia ser um meio de conseguir acesso a documentos e interagir de forma mais eficaz. Mas essa forma de tratativa não participativa das pessoas e entidades envolvidas desmotivou, de alguma forma, a participação das pessoas.
A CEEE começou o posteamento das vilas Gaúcha e União Santa Teresa, em julho último, demanda reclamada desde sempre, o que significa um alento neste fim de governo.
Neste momento, sem saber se o novo gestor do Governo terá o mesmo entendimento social ambiental do importante e querido Morro Santa Teresa, expressamos nossa preocupação e lamentamos muito que, não obstante o Governador Tarso Genro tenha entendido e acatado nossas três causas e decretado que as Secretarias envolvidas, em grupo de trabalho, apresentassem em 120 dias, estudos e encaminhamentos, esse GT não existiu, a não ser num triste 1º de abril e ficou na ata desse 1º de abril. Aconteceram alguns avanços, mas frutos de nossa insistência e persistência na área habitacional. Da restruturação da FASE, quanto se saiba, estão remodelando o quadro técnico.
Quanto ao parque ambiental, a preservação das matas, campos e vertentes, fora do papel, nada foi feito, nada planejado e, muito menos, preservado ou demarcado, as novas ocupações que o digam. Será que vamos assistir um novo governo entregar nosso querido morro para a iniciativa privada cercar as matas e fontes e transformar todo o resto em edifícios e avenidas e shoppings estacionamentos? E nós que sonhávamos/sonhamos com um parque ambiental aberto para todos em uma das mais belas e ricas áreas públicas desta cidade..Uma outra leitura dos números da pesquisa
A pesquisa do Datafolha/RBS divulgada nesta sexta-feira mostra, à primeira vista, um quadro favorável à candidata do PP, senadora Ana Amélia.
Ela tem 39% das intenções de voto, enquanto o governador Tarso Genro tem 30%. Os que ainda não sabem em quem votar, são apenas 14%.
Além disso a rejeição a Tarso (27% não votariam nele de jeito nenhum) é mais que o dobro de sua adversária (13%).
Outros dados da pesquisa no entanto relativizam essa vantagem.
O índice de aprovação do governo Tarso Genro é de 30% (ótimo/bom), o mesmo do percentual na intenção de voto.
A grande maioria (44%) acha que o governo é regular. Quem acha regular, poderá mais facilmente convencer-se que o governo é bom quando ele mostrar suas obras na tevê.
Fora isso, o percentual dos que votariam em qualquer um (19%) somado ao dos que não sabem ( 18%), somam um contingente de 37% dos eleitores aberto ao convencimento.
ACampos foi aos empresários antes de ser candidato
“Ele é a grande novidade da cena política brasileira”, saudou a revista Exame em reportagem sobre os primeiros movimentos do ainda não candidato Eduardo Campos, em maio de 2013.
Em oito páginas, a principal revista de economia e negócios do país relata as andanças do jovem governador entre os maiores empresários do país, para falar de seu projeto político. Em público, ele ainda negava que fosse candidato.
Dois repórteres da revista – Daniel Barros e Tatiana Bautzer – falaram com 50 empresários de primeiro time que haviam encontrado ou queriam encontrar Campos. Itaú, Bradesco, Santander, Odebrecht, Gerdau… quase todos da lista dos 100 “maiores e melhores” ouviram Campos.
Os mais influentes, individualmente, os demais em almoços ou eventos. O que disse Campos aos big boss da plutocracia nacional?
Disse o que eles queriam ouvir: é preciso menos intervenção do governo, remover muitos entraves aos negócios, liberar as taxas de retorno nas concessões públicas: “Não é o governo que deve definir a taxa de retorno das concessionárias de serviços públicos. É a competição dos leilões” foi uma de suas afirmações recorrentes.
Segundo a revista o “status de estrela ascendente foi rapidamente captado pelo meio empresarial”.
Qualquer que tenha sido o grau efetivo de apoio empresarial à candidatura Campos, fica uma constatação: Eduardo Campos era um jovem e promissor líder político, mas não era propriamente o “novo na política brasileira”.
E uma pergunta: até que ponto esse capital será transferido para seu substituto?
(E.B.)Por que os abonados do Brasil compram imóveis nos EUA
Não foi só o ministro Joaquim Barbosa que comprou apartamento em Miami: segundo dados do Banco Central, em 2013 aumentaram em 17% os investimentos de brasileiros em imóveis no exterior, EUA à frente, com 31% das aquisições registradas, que somam US$ 5,4 bilhões (não se conhecem os investimentos off line). Os brasileiros já são o segundo maior comprador de imóveis em Miami, atrás apenas dos venezuelanos.
Fugindo do alto preço dos imóveis no Brasil, onde segundo alguns haveria até uma “bolha imobiliária”, os brasileiros estão aproveitando pechinchas geradas pela crise financeira de 2008. A recuperação da economia americana atrai compradores brasileiros que vislumbram morar ou fazer negócios nos Estados Unidos e especialmente na Flórida, o estado americano que possui maior comércio com o Brasil, cerca de R$20 bilhões anuais.
Ao contrário dos americanos, que podem financiar 100% do valor do imóvel, os estrangeiros precisam pagar pelo menos 40% cash, podendo financiar o resto em até 30 anos com juros anuais de 4% a 5%. O governo americano dá incentivos fiscais para o estrangeiro que der entrada de 80%. De um jeito ou de outro é bom negócio para quem possui bala.
O investidor que tiver dinheiro aplicado no Brasil (onde a taxa-base de remuneração do Banco Central é de 10,50%) não só paga o investimento nos EUA com a aplicação brasileira como, com a sobra do rendimento, pode passar férias lá ou na Praia Que Preferir. Se alugar o imóvel lá comprado, pode tirar mais um rendimento equivalente a 8% a 10% ao ano. (G.H.)
(Nota elaborada a partir de um release da Faccin Investments)Fraude do leite também em Santa Catarina
Como previu o procurador Altino Bastos Filho, um dos responsáveis pelas investigações do Ministério Público Federal sobre adulterações no leite produzido no Rio Grande do Sul, um ramal da fraude foi detectado pela primeira vez em Santa Catarina.
As autoridades policiais e sanitárias estão colocando fora do comércio uma parcela da produção de um laticínio catarinense na qual foram encontrados vestígios de formol, substância usada para mascarar a deterioração de leite cru.
Segundo o procurador Bastos Filho, é lógico esperar que a fraude detectada em 2013 no Rio Grande do Sul também exista em outros estados, já que a cadeia produtiva de leite opera da mesma forma em todo lugar: a matéria-prima altamente perecível é recolhida nos milhares de sítios produtores por centenas de fretistas autônomos, alguns dos quais se transformam em proprietários-exploradores de “linhas de leite” a serviço de poucas indústrias de laticínios. São poucas mesmo: no RS, apenas duas dezenas – três das quais fecharam depois das investigações que já condenaram sete pessoas a penas de dois a 18 anos de reclusão.
Nesse longa história que começou com o tradicional “batismo” do leite com água por leiteiros avulsos, falta apurar quem ensinou os modernos transportadores a “corrigir” leite estragado com produtos como peróxido de hidrogênio (a popular água oxigenada), soda cáustica e ureia com formol. Só pode ser coisa de técnicos de nível médio a superior que trabalham ou trabalharam em indústrias alimentícias e sabem os efeitos dessas substâncias em produtos perecíveis. O peróxido de hidrogênio é usado pela indústria láctea no processo de limpeza da caixinha de UHT antes do seu enchimento com o produto oferecido aos consumidores.
(Geraldo Hasse)
Campanha de pernas para o ar a sete semanas da eleição
Nenhum colunista ou analista político arriscou até agora qualquer previsão sobre o que vai acontecer com a campanha para eleger o novo presidente da República, depois da morte de Eduardo Campos, nesta quarta-feira 13.
A sete semanas da eleição, nem mesmo a indicação de Marina Silva, a vice da chapa de Campos, é certeza.
Marina, com Roberto Freire, do PPS, de vice é a melhor hipótese. Mas não passa disso.
Da mesma forma, o resultado da eleição virou uma incógnita. Aumenta a chance de Dilma ganhar no primeiro turno? O fator Marina pode surpreender? Só o tempo vai responder. Com a campanha suspensa por três dias, será necessário esperar o início do horário eleitoral na televisão para se ter alguma coisa sob os pés. (E.B)Entidade Israelita do RS declara Tarso Genro "persona non grata"
Matéria assinada pelo repórter Lucas Azevedo, correspondente do UOL em Porto Alegre, reproduz cópia do texto assinado pelo presidente da SIBRA (Sociedade Israelense Brasileira Cultura Beneficência) endereçado à Federação Israelita do Rio Grande do Sul, onde a diretoria da entidade declarou o governador Tarso Genro (PT) ‘persona non grata’ em sua sinagoga.
O governador não quis se manifestar sobre o assunto.
Confira a íntegra da carta remetida à FIRS
Posicionamento da SIBRA
Porto Alegre, 05 de Agosto de 2014.
À
Federação Israelita do Rio Grande do Sul
A/C
Presidente da FIRS
Sr. Mario Cardoni
E/M
N/C
Prezado Sr. Mario Cardoni:
Em primeiro lugar, receba nossos cumprimentos pela gestão realizada por sua Diretoria à frente de nossa Federação.
A SIBRA se sente honrada em fazer parte da gestão comunitária e de participar ativamente de todos os momentos em que a FIRS solicita nosso apoio e presença.
Em reunião de Diretoria, ficaram determinadas algumas ações que serão aplicadas por nossa sinagoga nas Grandes Festas de 2014.
Uma das determinações é de que, neste ano, nossa instituição não irá receber o Sr. Tarso Genro em nossas dependências.
Acreditamos que o cargo de Governador do Estado do Rio Grande do Sul não pode estar sendo representado dentro de nossa sinagoga, em um momento tão importante, por uma pessoa que a cada momento mostra seu desprezo e total desconsideração com a nossa comunidade.
A SIBRA sempre acreditou no diálogo e na convivência entre todos, mas nesse momento em que o antissemitismo aflora na comunidade do RS, não podemos aceitar a postura do líder de nosso Estado, que manda mensagens claras de ser pró-Palestina.
Em respeito a todos os integrantes da comunidade judaica do Rio Grande do Sul, principalmente aos nossos associados, não iremos impor uma presença tão incômoda como a do Sr. Tarso Genro.
Esperamos poder sempre manter a cordialidade de nossas relações institucionais. Na certeza de seu entendimento de nossa atitude, colocamo-nos ao seu inteiro dispor.
Cordialmente,
SHALOM
Sérgio Caraver
A notícia completa no UOL Noticias Internacional: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/08/11/entidade-israelita-do-rs-declara-governador-tarso-genro-persona-non-grata.htm

