A senadora e jornalista Ana Amélia Lemos, candidata da coligação “Esperança que une o Rio Grande” (PP, PSDB, PRB e Solidariedade) disse nesta quarta-feira, que a criação de um Conselho Estadual de Comunicação não é prioridade para o Rio Grande do Sul:
“A margem para discussão no Estado nesta área é muito pequena, mais em questões técnicas. As concessões dos canais de televisão, por exemplo, estão a cargo do governo federal”. Para ela, o que interessa ao cidadão atualmente são as estradas, saúde, segurança. “O governo precisa ter foco”, explicou. Ana Amélia foi questionada na Federasul, no tradicional Tá Na Mesa.
PROJETO ESTÁ PARADO
O Conselho Estadual de Comunicação foi tema do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – o Conselhão gaúcho – de 26 de maio de 2011 até o final de 2012.
Nos debates para a comunicação pública um dos temas mais polêmicos foi como evitar que o órgão fosse um ‘fiscalizador’ da imprensa.
O relatório aprovado pela Câmara Temática sugere um Conselho de Comunicação apenas consultivo.
Na ocasião, os conselheiros recomendaram o envio da proposta via Projeto de Lei para aprovação na Assembleia Legislativa RS. No entanto, desde 2012 o projeto está parado na Casa Civil.
Na época, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Celso Schröder, disse ao site Sul 21 que o projeto que cria o Conselho Estadual de Comunicação reforça o desejo dos profissionais da área, de um órgão com “absoluta autonomia e a garantia de existência”. “Temos que ter capacidade orçamentária e de atuação, mas, não podemos ser um órgão de estado”, acrescentou.
Schröder salienta que o consenso entre os atores que vem discutindo o tema é de que a representatividade do Conselho de Comunicação tem que dar peso para a área de comunicação do RS. “Os empresários, sindicatos, setores dos ‘consumidores’ e da universidade estarão representados também”, alerta.
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O Tá na Mesa, da Federasul, terá ainda como palestrantes para falar sobre os desafios do Rio Grande: o governador Tarso Genro, candidato à reeleição pela “Unidade Popular” (PT – PTB – PCdoB – PPL – PR – PTC – PROS) em 6 de agosto; José Ivo Sartori, candidato ao Governo do Estado pela coligação “O novo caminho para o Rio Grande” (PMDB / PSD / PPS / PSB / PHS / PT do B / PSL / PSDC), em 13 de agosto. Nas quatro semanas seguintes os palestrantes serão os candidatos ao Senado pelas mesmas coligações: Olívio Dutra (PT), Lasier Martins (PDT). Simone Leite (PP), Beto Albuquerque(PMDB).
Sérgio Lagranha
Autor: da Redação
Ana Amélia: "Conselho de Comunicação não é prioridade"
Comissão da Verdade: militares alegam "erro histórico" para não falar
A imprensa teve que sair a pedido dos depoentes, mesmo assim eles não responderam nenhuma da perguntas dos membros da Comissão Nacional da Verdade.
Seriam ouvidos o general reformado Nilton de Albuquerque Cerqueira e os capitães Jacy e Jurandyr Ochsendorf, todos defendidos pelo advogado Rodrigo Roca, que orientou seus clientes a ficarem em silêncio.
“A questão não é colaborar, nem se defender. É evitar que erros históricos se repitam e acabem virando uma verdade”, disse o advogado, afirmando que a comissão foi induzida a um “erro histórico” ao divulgar uma foto do acidente em que morreu a estilista Zuzu Angel, na qual aparece o coronel Freddie Perdigão.
A imagem foi entregue à CNV pelo ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) Claudio Guerra. “Com esse engano, causou-se um transtorno muito grande, acredito eu, para os parentes e para os companheiros de farda [do coronel Perdigão]. Quem declarou isso a Vossa Excelência, ou se enganou, ou te enganou, que é pior ainda”, disse o advogado ao coordenador da CNV, Pedro Dallari.
Dallari classificou a justificativa de incoerente: “Se há erro, o erro só pode ser corrigido com depoimentos, com elementos e com documentos. Não com silêncio. A declaração de que [o convocado ou convidado] não vai se manifestar sobre um assunto não ajuda na investigação”, disse Dallari. Ele ressaltou que a foto do acidente foi recebida de uma testemunha de grande credibilidade, que participou ativamente dos eventos. “Não podemos aceitar que haja contestação das informações por quem se nega a prestar depoimento, porque aí seria uma inversão da própria lógica do processo de investigação.”
Apesar de lamentar, o coordenador da comissão, no entanto, minimizou: “É claro que, para a CNV, seria muito importante que houvesse mais colaboração, mas eu diria que já temos elementos suficientes. A fala deles era importante do ponto de vista do direito de defesa, de eles poderem apresentar a sua versão dos fatos. Para mim, essa estratégia pode fazer sentido juridicamente, embora, do ponto de vista da imagem, seja péssima, porque quem fala que não tem nada a declarar em geral é quem é culpado. Se eles fossem inocentes, apresentariam a sua versão dos fatos.”
O general Nilton Cerqueira comandava a Polícia Militar do Rio de Janeiro na época do atentado do Riocentro, em 1981, e há um ofício em seu nome que pede a retirada do policiamento no dia doshow em que ocorreria o atentado. Em outra audiência pública sobre o caso, a CNV apontou essa estratégia como uma das formas de contribuir com o clima de terror no episódio, em que a bomba acabou explodindo no carro com os militares dentro. A participação de Nilton também é apontada no Araguaia e na Operação Pajuçara, em que foi morto o líder militante Carlos Lamarca, na Bahia. “Ele esteve relacionado diretamente a esses eventos. É protagonista de eventos dramáticos da história do Brasil”.
Mais de dez perguntas foram feitas a Nilton, e nenhuma foi respondida. De acordo com a advogada Rosa Cardoso, integrante da CNV, ele disse apenas que pediu para os jornalista deixarem o salão porque “a imprensa distorce tudo” e afirmou “que era um absurdo a comissão investigar o fato 30 anos depois”.
Jurandyr Ochsendorf |Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Os irmãos Jacy e Jurandyr são apontados como participantes da farsa montada para sustentar a versão de que o deputado Rubens Paiva foi resgatado por guerrilheiros e fugiu, encobrindo o fato de ter sido torturado e morto.
“Estavam vinculados ao DOI-Codi e participaram diretamente da operação de simulação da fuga de Rubens Paiva. Depois, a comissão apurou que Rubens Paiva não fugiu, foi executado no DOI-Codi, e o que se fez foi forjar a fuga do parlamentar. Os capitães Jacy e Jurandyr tiveram participação direta no evento, como foi relatado por um colega deles.”
Antes do depoimento de Jurandyr, membros da CNV chegaram a insistir que ele falasse, e, se não fosse falar, que a imprensa pudesse acompanhar as perguntas. Em resposta, o militar respondeu apenas que “permaneceria calado” e que “preferia a ausência da imprensa”.
O jurista João Paulo Cavalcanti Filho, que pediu a permanência da imprensa, classificou a posição de uma “deselegância”, já que os jornalistas tiveram que sair do salão no início de cada depoimento. Cinegrafistas e fotógrafos foram impedidos pela segurança pela Polícia Federal de fazer imagens do embarque dos dois últimos depoentes, Jacy e Jurandyr, em carros no pátio interno do Arquivo Nacional.
Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil Edição: Nádia FrancoCampanha colhe assinaturas para reduzir CCs no serviço público
A campanha para aprovar uma lei que limite a criação dos cargos de confianças (os famosos CC) no serviço público no Rio Grande do Sul já tem comitês em 20 cidades,
Oito entidades que representam os funcionários de carreira estão envolvidas. Elas querem recolher pelo menos 60 mil assinaturas para poder protocolar uma PEC (projeto de emenda constitucional) que limite a criação de cargos de confiança pelos governos.
“Cargo público não é mercadoria”, diz o slogan. O Rio Grande do Sul é o 5º estado do Brasil com maior número de cargos em comissão (CCs), considerando os três poderes. O ranking é São Paulo, Minas, Bahia e Goiás, pela ordem.
No legislativo gaúcho há 362 servidores concursados para 1.135 servidores comissionados.
Ou seja, os CCs são mais de 75% da folha de pagamento da Assembleia Legislativa.
No judiciário gaúcho – que tem mais de 6,8 mil servidores efetivos, celetistas e transpostos – há aproximadamente 1,2 mil pessoas atuando de forma comissionada.
No Ministério Público do RS, onde há em torno de 1,7 mil cargos de provimento efetivo, tem mais de 760 CCs criados.
Eis uma nota da campanha:
“Para qualificar a prestação do serviço à sociedade, moralizar o serviço público, combater o nepotismo na administração, promover a abertura de concursos públicos e a nomeação de concursados que o Fórum de Servidores Públicos do Estado do RS (FSPE-RS) lança a campanha Basta de CCs.
Esta campanha irá colher assinaturas de eleitores gaúchos no estado, com o objetivo de instituir o Projeto de Emenda Constitucional Popular que regulamenta as formas de provimento dos cargos sem concurso no serviço público.
A entrevista coletiva de lançamento da Campanha Basta de CCs acontece na próxima quarta feira, dia 30/07, às 10 horas, no auditório do CPERS/Sindicato. Na ocasião, o grupo de trabalho do FSPE-RS irá apresentar os objetivos, metas e as ações a serem desenvolvidas em todo no RS.
SERVIÇO
O que: Lançamento da Campanha Basta de CCs
Quando: Quarta feira, dia 30 de julho de 2014
Horário: às 10 horas
Onde: No auditório do CPERS Sindicato – Av. Alberto Bins, 480 | Centro de Porto Alegre/RS
Quem: Fórum de Servidores Públicos Estaduais (FSPE-RS) e CPERS SINDICATO, SIMPE RS, SINDIÁGUA RS, SINDJUS RS, SINDPPD RS, SINDISPGE RS, APROJUS RS E SINDET RS.
CONTATOS: Assessoria de Comunicação do CPERS Sindicato – João dos Santos Silva (51) 9732.5722 – Assessoria de Comunicação do SIMPE RS – Nara Roxo (51) 9124.7995 Assessoria de Comunicação do SINDJUS RS – Elaine Barcellos de Araújo (51) 9970.6088Brigada prepara retirada de invasores da Avipal
Um grupo precursor do Pelotão de Operações Especiais (antigo Choque) da Brigada Militar esteve por duas horas no terreno da Avipal, na tarde desta segunda-feira, 29.
A área de dez hectares num dos pontos mais valorizados da Zona Sul de Porto Alegre começou a ser invadida há um mês e já tem, segundo a Brigada, 400 famílias, cerca de duas mil pessoas, a maioria remanescentes de antigos reassentamentos e desocupações.
Eram oito oficiais e suboficiais comandados pelo capitão Heraldo. Entre eles, duas tenentes, encarregadas do levantamento fotográfico.

Cada um tinha uma tarefa: um ouvia os moradores (de onde veio? quem disse que podia vir pra cá?) outro marcava as posições dos barracos no mapa da área, as duas tenentes fotografavam tudo. Apenas um com arma pesada: um fuzil metralhadora.
Foi cordial a relação dos invasores com os brigadianos. As tenentes fizeram selfies com crianças e as senhoras que tomavam chimarrão na frente dos barracos. O capitão Heraldo ponderou: “Temos que pensar que isso não é um problema policial, é um problema social”.
Mas lei é lei e a ordem judicial já foi dada. “Já tem a data para retirada?” O capitão sorri: “Ainda não, o problema é complexo”
Um morador veio chamar atenção para uns tanques cheios de algo que eles supõem ser veneno ou ácido. Seriam tanques com um caldo químico onde os restos das aves abatidas no extinto aviário seriam dissolvidas.
“Caiu aí já era”, diz o rapaz, diante dos enormes tanques cobertos com uma camada esverdeada. Um dos tenentes examina e explica: era um sistema de tratamento de efluentes. A água com os restos dos frangos eram lançadas em lagoas, num sistema de decantação, não tem veneno. Um sapo salta num canto do tanque, provando que o tenente tem razão.
Eram quatro da tarde, o sol batia inclinado, até os barracos feitos com pedaços de eucatex e cobertos com sacos de lixo brilhavam.

Os brigadianos se despedem apertando as mãos dos moradores na entrada da invasão, sombreada por frondosas arvores.. Um carro, duas caminhonetas e quatro motos levam os representantes da autoridade.
“Se eles me tirarem daqui vou pra cima da árvore”, diz Eva Morais, olhando de alto abaixo um enorme eucalipto. Pensa melhor: “Ou vou voltar pra baixo do viaduto”.
Todas as histórias ali são assim: situações-limite. “Um punhado de arroz e um punhado de feijão era ouro pra nóis”, diz Maura de Lourdes, na frente da moradia improvisada – quatro paredes de tijolo, sem porta sem janela e sem teto.
Nem ela e seus dois filhos, nem a vizinha que está no mesmo espaço, com quatro filhos, almoçaram. Ganharam um litro de leite e um pote de nescau, que deram para as crianças.
Até quando ficarão ali?
Paulo Pimentel, um dos coordenadores, sobe a ladeira avisando: “Não aconteceu nada, pessoal, não para nada, segue arrumando os barracos”. (E.B.)Radamés Gnatalli abre o Unimúsica 2014 com arranjos inéditos
“A cidade e a música” é o título da série de sete concertos em homenagem a Porto Alegre no Unimúsica 2014, que comemora também os 80 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Radamés Gnatalli abre o ciclo, no dia 7 de agosto, às 20h, no Salão de Atos da UFRGS.
Em formação inédita, OLINDA ALLESSANDRINI ( piano), ZECA ASSUMPÇÃO (contrabaixo), TONINHO FERRAGUTTI (acordeon), OSCAR BOLÃO (percussão) e PAULINHO FAGUNDES (guitarra) – executam um repertório selecionado por Arthur de Faria, que inclui “Pé de Moleque”, “Meu amigo Tom Jobim”, “Remexendo” e “Uma Rosa pro Pixinguinha”, entre outros.
Segundo Arthur, alguns dos arranjos que serão apresentados – todos escritos por Radamés – nunca foram escutados.
Portoalegrense, nascido no bairro Bom Fim, Radamés Gnattali formou-se com grau máximo em piano em 1924, no Conservatório de Música (atual Instituto de Artes da UFRGS).
Em seguida transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se tornar um dos mais importantes arranjadores do país.
Fez história na Rádio Nacional, onde atuou também como maestro, pianista e compositor – lá ele criou arranjos emblemáticos, como a famosa orquestração para “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso.
Sua obra influenciou muitos compositores populares, entre eles Tom Jobim.Energia Elétrica: geradoras aproveitam crise para turbinar os lucros
A Federação Nacional dos Engenheiros e a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor recorreram ao Conselho de Defesa Econômica (CADE), para denunciar “práticas abusivas de empresas geradoras de energia durante crise de estiagem que afetou a produção energética no país”.
Segundo nota das entidades, as concessionárias estão aproveitando a crise para obter lucros estratosféricos, prática que pode “levar a uma crise sem precedentes, que já apresenta reflexos negativos no setor industrial”.
“Para o consumidor, o aumento na conta de luz será inevitável”. As empresas geradoras, segundo a denúncia, estão aproveitando a escassez de energia elétrica disponível, para lucrar com a venda de eletricidade no mercado de curto prazo, com preços abusivos.
Para a FNE, o governo federal está atacando de modo errado a crise do setor elétrico. Ao conceder subsídios e empréstimos com recursos públicos e privados às concessionárias de distribuição de energia elétrica, “está apenas gerando uma dívida, que será repassada aos consumidores ao longo dos próximos anos”.
No documento, as entidades denunciam que, para manter sua lucratividade, as empresas geradoras de energia deixam de firmar contratos, obrigando as distribuidoras a comprar energia no mercado de curto prazo.
Ou seja, as geradoras não participam dos leilões oficiais promovidos pelo governo federal, destinados ao atendimento das distribuidoras, fazendo com que se tenha pouca energia disponível no mercado regulado, “o que aumenta significativamente os custos de aquisição de energia”.
O diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), Carlos Augusto Kirchner, explica que as geradoras estão burlando a legislação que manda contratar 100% da carga disponível. Deixam de vender nos leilões oficiais, para colocar no mercado a curto prazo, a preços elevados.
Dívida impagável
Isso aumenta o prejuízo das distribuidores, que tem que ser socorridas pelo governo.
“A dívida acumulada em empréstimos emergenciais de socorro às empresas distribuidoras e aportes da União será bilionária e se tornará impagável, fazendo com que os prejuízos sejam repassados para as tarifas dos consumidores”, afirma.
As entidades pedem ao CADE que sejam adotadas medidas preventivas e coercitivas – com a abertura de inquérito administrativo para apuração das infrações à ordem econômica – junto a todos os agentes que estão se beneficiando com a venda no mercado de curto prazo.
A consultora do Proteste, Flávia Lefevre, destaca: “São necessárias ações imediatas em vista da bilionária dívida que vem sendo acumulada e que vem sempre aumentando para socorrer as empresas distribuidoras e que serão pagas pelos consumidores de energia”.
Segundo a FNE, essa política energética mercantil poderá desencadear uma crise econômica sem precedentes, além de afetar o setor industrial com a geração de desemprego, instabilidade, perda da competitividade e inflação. O presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, argumenta que se trata de uma afronta não somente para os engenheiros, mas ao interesse público, aos consumidores de energia e ao setor produtivo do país.
“Nós cobramos também uma posição da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre a falta de fiscalização e intervenção nesse mercado que vem sendo explorado pelas geradoras, causando forte desequilíbrio entre agentes do mercado, com prejuízos para todo o setor produtivo nacional”, destaca. Carlos Kirchner acredita que a utilização de termelétricas, desde outubro de 2012, devido à forte estiagem no país, não é o único motivo do aumento de custo para a produção de energia. “Na verdade, a geração de energia pela fonte hidráulica não deveria implicar aumento de custos, pois a maioria delas é proveniente de usinas hidrelétricas já amortizadas, ou seja, com seus contratos de venda de energia encerrados no final de sua vigência em 31/12/2012 ou em 31/12/2013”, aponta.
O diretor do SEESP explica que as empresas se respaldam em uma interpretação restrita e distorcida da legislação do setor elétrico para justificar suas condutas anticoncorrenciais e o aumento arbitrário dos lucros está em desacordo com regras de defesa do consumidor.
“O fato de se produzir energia em uma usina hidrelétrica já amortizada como é o caso da Cemig, Copel e Cesp ao custo de R$ 20,00 por megawatt-hora e de vendê-la pelo preço de R$ 822,83, com margem de 4.000% (quatro mil por cento), viola o princípio do serviço público essencial, em que a regra é a do menor lucro possível”, comenta.
De acordo com as entidades, a conduta das concessionárias é anticompetitiva e ilegal, pois o agente gerador transformou a sobra deliberada de energia numa prática corriqueira de lucro. Por sua vez, as distribuidoras de energia, que compram o produto caro no mercado, vão repassar o prejuízo integralmente aos seus consumidores, ainda que alguns empréstimos governamentais e privados protelem o pagamento destas dívidas.
“É inadmissível a conduta que tenha como resultado a retirada de energia do mercado, implicando em escassez artificial que leva ao aumento injustificado dos preços prejudicando a livre concorrência e também os consumidores”, conclui Flávia Lefevre.
Pode se considerar como mercado imperfeito todo aquele em que um dos “players” ou o conjunto deles consegue manipular os preços a seu favor, maximizando assim seus lucros em detrimento da livre concorrência.
Numa época de estiagem em que os valores do PLD atingem seu valor teto de R$ 822,83 por MWh, a forma das empresas geradoras de energia obter altíssimos lucros é muito simples e tentadora: simplesmente não ofertar a energia para ninguém e nem formalizar nenhum contrato de venda, de modo que toda a energia que fica sobrando é automaticamente classificada como uma diferença a seu favor e liquidada ao preço de PLD.
Sobre a Federação Nacional dos Engenheiros: Fundada em 25 de fevereiro de 1964, a FNE (Federação Nacional dos Engenheiros) tem sede em Brasília e, hoje, é composta por 18 sindicatos estaduais, aos quais estão ligados cerca de 500 mil profissionais.
[related limit=”5″]Dilma defende combate à inflação e lamenta episódio do Santander
Luciano Nascimento / Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff afirmou a veículos de comunicação que as avaliações sobre o combate a inflação em seu governo são feitas com dois pesos e duas medidas. Dilma comparou seu governo ao do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), disse que a inflação deste ano vai ficar no teto da meta, de 6,5%, e negou que haja descontrole inflacionário no país.
“Não concordo que tenha alguma coisa errada no combate à inflação. O sistema de metas foi criado em 1999. Nesses 15 anos, em 12 deles a inflação esteve acima do centro da meta. Em cinco, esteve acima do limite superior da banda, se considerar 6,5%. Ela ficará abaixo do limite superior da meta. Hoje está 0,02 acima do centro da meta e em uma trajetória decrescente,” disse Dilma.
Dilma fez as declarações em resposta a uma pergunta durante sabatina organizada pelo jornalFolha de S.Paulo, o portal de UOL, o SBT e a Rádio Jovem Pan, realizada nesta segunda-feira no Palácio da Alvorada. Os quatro veículos de comunicação já sabatinaram neste mês os candidatos Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB).
“No meu período, a minha inflação, se comparar com os governos FHC [Fernando Henrique Cardoso] e Lula [Luiz Inácio Lula da Silva], o meu e o do ex-presidente Lula se calibram. Então, acho que usam dois pesos e duas medidas para julgar o meu governo”, avaliou.
Durante a sabatina, Dilma criticou a postura do Banco Santander que, em comunicado a correntistas, disse que sua eventual reeleição poderia resultar em efeitos negativos para a economia. “Um país não deve aceitar uma interferência de qualquer instituição financeira, de qualquer nível. Sobre o Santander, eu acho inadmissível. Eu não sei o que farei, eu não vou especular. Eu sou presidenta da República, eu tenho de ter uma atitude mais prudente”, disse Dilma, que classificou o comunicado como “lamentável” e disse ainda que o pedido de desculpas do banco foi “protocolar”.
A presidenta e candidata comparou o pessimismo nas avaliações da economia ao que havia durante a preparação para a Copa do Mundo. “Ano passado falaram a mesma coisa da economia, falaram que haveria apagão. Há um pessimismo com a economia do mesmo jeito que havia contra a Copa. A economia vive de expectativa. Receitaram o racionamento pra mim, todos os meses do ano, com consequência de queda de 2 pontos do PIB [Produto Interno Bruto], e nada disso ocorreu, pelo contrário”, avaliou.
Dilma disse que país sofre com os efeitos da crise econômica de 2008 e reconheceu que o governo errou ao desconsiderar o “descontrole” financeiro internacional. “Todos nós erramos pois não tínhamos ideia do grau de descontrole. O mundo errou porque saiu completamente do controle a crise do sistema financeiro internacional. No Brasil, tentamos impedir que o tradicional efeito da crise, como a geração de desemprego, acontecesse. Minimizamos os efeitos da crise na economia brasileira”.
Dilma voltou a aformar que há um “pessimismo inaceitável” com a economia e lembrou que a “tempestade perfeita” que a “mídia previu” para o fim de 2013 não ocorreu. “Nós temos robustez fiscal, a dívida líquida caiu para 34%”, citou.
Dilma disse ainda que alguns setores estão aproveitando o momento eleitoral para especular com a economia e que quem faz isso vai “se dar mal”. “A característica de vários segmentos é especular. Sempre que especularam não se deram bem. A conjectura passa e eles se dão mal. Na eleição 2002 quem especulou contra Lula se deu mal”, ironizou.Casa de Cultura tem exposições, teatro e poesia nos 108 anos de Mario Quintana
A Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, comemora o aniversário do poeta, que faria 108 anos nesta quarta-feira, 30 de julho, com a abertura do acervo da Instituição e o lançamento do IV Festival de Esquetes, além de atividades infantis à tarde.
O lançamento do IV Festival de Esquetes da CCMQ inicia às 19 horas no Espaço Lupicínio Rodrigues, e terá como atração a apresentação de Histriônicos, do grupo Shoyu com Banana, trabalho que ficou em 5º lugar na mostra do ano passado, e se transformou em espetáculo.
Após a apresentação de 40 minutos, haverá a solenidade da festa, quando serão divulgados os 26 selecionados da edição 2014 da mostra.
Em seguida, será lançado um folder que servirá como guia para consulta pública local e virtual do Acervo e Memória, formado por documentos da Casa e da Sedac, incluindo papeis institucionais e de personalidades como o poeta, a cantora Elis Regina e o crítico de cinema Romeu Grimaldi, além da coleção de obras de arte doadas à Casa. O Núcleo de Acervo e Memória faz tratamento arquivistico do material, a fim de serem disponibilizados para consulta.
O NAM/CCMQ realiza exposições periódicas de seus acervos, como forma de divulgação ao público visitante. A primeira foi a exposição relativa aos 20 anos de falecimento do poeta (1994-2014),Saudade: 20 anos sem Mario Quintana, que pode ser vista até o dia 30, na sala Radamés Gnattali (4º andar).
Programação infantil
O Espaço Expositivo Sapato Florido e o Atelier da Oca promovem às 15h30 uma roda de poesias aberta ao público, onde as crianças escolhem um verso do poeta para declamar, com a coordenação da professora Anelore Schumann. Por volta das 16h30, será cantado parabéns para Mario Quintana e servido um bolo para os participantes que tiverem declamado um verso na roda de poesia.
A Traça Biblió fará a visita guiada para o público em geral às 14h30. A apresentação é conduzida pela atriz Dinorah Araújo, na pele da personagem Traça Biblió, de Carlos Urbim, com roteiro assinado pelo escritor e pela atriz. A Traça Biblió e o Poeta –Brincando com os versos de Quintana é uma apresentação teatral conduzida de forma lúdica pela personagem Traça Biblió, que percorre os mais variados espaços da Casa, desde a Travessa dos Cataventos, entre eles o quarto do poeta.
A atividade da Sapato Florido integra a exposição Um Sonho Realizado, que exibe trabalhos artísticos que as crianças participantes do Atelier da OCA fizeram a partir do poema O MAPA. Livros de Mario Quintana estarão disponíveis para a escolha dos versos a serem declamados e o local contará com um lounge infantil, proporcionando um momento de aproximação com sua obra de forma descontraída e aconchegante.
A peça
Histriônicos é o trabalho de estreia do grupo Shoyu com Banana. Rossano Pio é o responsável pelo audiovisual e direção. No elenco, Fábio Schuch, José Renato Lopes, Lizandra (Ayello) Bulgaro e Renata Zonatto.
No palco, quatro pessoas (que até pode ser a mesma), em diferentes épocas – o que fica evidente no figurino, com referências dos anos 1920 até 1980 – se questionam sobre o suicídio.
O acervo
O Núcleo de Arquivo e Memória funciona contíguo à Biblioteca Erico Veríssimo, no 3º andar da CCMQ, com entrada pela Ala Leste do prédio. O horário de atendimento é das 10h às 16h. Disponibiliza mesas para consulta de documentos, com a possibilidade de digitalização de itens mediante agendamento antecipado. A documentação em outros suportes, como discos, fitas K7 e CD-Roms será completamente convertida para arquivos digitais e disponibilizada via rede.
Suassuna: Matuto danado de bom
Crônica de Marcius Cortez
Onde está o escritor Ariano Suassuna? Está vivo em suas obras literárias, aulas-espetáculos, vídeos e entrevistas.
Onde está a pessoa Ariano? Está inteirinho nas páginas dos folhetos da literatura de cordel.
A última vez que estive com ele, foi na casa de Boris Schnaiderman no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Ariano estava na capital paulista para o comício de encerramento da campanha de um candidato à Presidência da República, que terminou perdendo as eleições.
Zélia veio com ele. Era o mesmo Ariano das reuniões do pessoal do Gráfico Amador que estava ali (sempre que podia, ele afirmava que seu guru foi José Laurênio de Melo, poeta pernambucano).
Pois bem, no meio da conversa, um aluno de Boris declarou que não acreditava em Deus e pra quê o pistoleta foi falar isso? Ariano incorporou o Auto da Compadecida e gesticulando que nem o cumpádi Grilo e que nem o cumpádi Mazzaropi contou um causo que havia acabado de acontecer com ele:
Na tarde do dia anterior fora rezar na Catedral da Sé quando apareceu um homem grandão que se aproximou do altar do Espírito Santo. O caningado da moléstia falou assim para a Santa Divindade: “se tu existe mesmo me dê uma chapuletada pra eu cair no chão”. Ariano olhou para a esposa, ao seu lado: ”se prepara aí, Zélia”. Mal acabou de falar, o bebum se estatelou no chão. “Tá vendo, vai brincar com Espírito Santo que tu leva uma cacetada no coco!”
Não preciso dizer que a conversa se animara. Depois do sertanejo Ariano contar que o poeta Sebastião Uchoa Leite, presente na reunião, tinha uma tia que nunca tomou água na vida, liberou o papo.
Então, vencendo minha timidez, aresolvi debulhar uma do Conde João Alfredo Cortez, meu tio. Introduzi o assunto com uma pergunta: “a gente vê cachorro, gato, galinha, bezerro e até cavalo atropelado pelo meio da estrada, mas por que será que nunca a gente vê bode atropelado”?
A questão devia ser muito profunda porque calou um silêncio no ambiente. Boris, Jerusa e Bastião, diga-se de passagem, não deram bolas para essa alta filosofia. Mas Ariano mostrou-se interessado. Então eu desfiz a charada: “o bode é o único animal que quando vai atravessar a rua olha para os dois lados”.
O autor do Romance d’A Pedra do Reino não só concordou comigo como desatando o novelo sapecou uma infinidade de histórias de bodes e cabras. Valeu por um doutorado. O ucraniano Boris, tradutor de Dostoievski, Tolstói, Tchekhov e Maiakovski, adorou as bodadas.
Aula-espetáculo
Intérprete de um povo, não é isso o que se valora num escritor? Pois bem, em matéria de alma brasileira é raro encontrar um espelho transparente e verdadeiro como o desse navegador das terceiras margens do rio.
Vi Suassuna na Flip em Paraty. Na palestra para os participantes do evento literário e também para a população da cidade graças aos telões instalados nas praças públicas. Devo dizer que a aula-espetáculo continuou no dia seguinte.
Na peixaria, o limpador de camarão repetia as histórias que o poeta falara. Na lojinha de material fotográfico, “seu” Oziel, o balconista, disse que ia à biblioteca pegar os livros do escritor. Na padaria, a moça que comprava leite e broas, declarou que também tinha o hábito de prosear com Nossa Senhora. Ora, ora, se isso não for literatura, o que diabo é literatura?
A arte deve estar onde o povo está. Ariano tornara-se uma figura pública porque ele ia de encontro às pessoas, o criador de bodes de Taperoá, Paraíba, prezava o contato direto.
Tive o prazer de vê-lo no Marco Zero do Recife, participando de um comício gigantesco. Dra. Cristina Fittipaldi, minha irmã médica, me contara que o escritor perdera um filho e que, portanto, vivia um drama pessoal.
Muito bem, esse homem, com toda a dor que sentia naquela hora, estava lá no palanque. Valha-me ó Deus de todos os búzios, aquilo foi uma psicanálise selvagem, foi um tal de chorar e de rir que o mar que fica ali por perto, tremeu.
Ligeirinho, meio inocente, mas malicioso que só a peste, faz que não sabe nada, mas sabe tudo, cê tá indo, ele tá voltando, tinhoso, temente de deus e do diabo, louco pra conversar, parece que tá concordando com você, mas no fim você vê que ele próprio tem a sua opinião, não troca seis por meia dúzia porque sempre gosta de levar uma vantagenzinha e pra moças bonitas é perito em palavras floridas.
É o Jeca Tatu, é o Pedro Malazarte, o Chicó, a Maria Bonita, o Corisco, o Antônio Conselheiro, a moça que virou cobra, o cabra que presenciou a chegada de Lampião no inferno, o dono do cine do pavão maravilhoso, o Rei Dom Sebastião, enfim de todos eles, mas também de Ariano Vilar Suassuna, matuto danado de bom. Desse, o Brasil sentirá falta.Ariano Suassuna e os intérpretes do Brasil
Por Enio Squeff
É possível que não exista um país com tantos intérpretes quanto o Brasil. Talvez o tamanho do país justifique tantos esforços genéticos.
Euclides da Cunha do mais fundo da sua veia crítica, admitia que “estamos condenados ao progresso”.
O nunca assaz louvado Ariano Suassuna, falecido na semana passada, partia do mesmo pressuposto. Apesar de seu viés também crítico, ou, quem sabe, justamente por isso, não se cansava de louvar o Brasil. E de uma forma que talvez escandalizasse Euclides.
Ariano contava causos, fazia críticas que muitos consideravam xenófobas, mas era impagável em suas famosas “aulas- espetáculos.”
Euclides da Cunha não gostava de ouvir anedotas. Para o genial autor de “Sertões”, o mundo e, particularmente, o Brasil suscitavam, certamente, um sentido de tragédia, que a sua imorredoura memória do massacre de Canudos não suportava.
Suassuna, pelo contrário, considerava tudo uma pândega. Gostava de provocar a plateia, em suas famosas aulas-espetáculo, com frases de efeito – um pouco como seus personagens Chicó e João Grilo, de sua peça mais famosa, “O Auto da Compadecida”.
Tudo lhe parecia motivo para o riso, inclusive a morte. Chamava-a de “Caetana” e dizia que, se dependesse dele, a tal de Caetana não o surpreenderia jamais. Do alto de seus 87 anos dizia e repetia que ela, a morte, a malfadada Caetana não era dada a pegar gente de muito riso e pouco siso.
Seus principais personagens, justamente, João Grilo e Chicó, ressuscitam por obra e graça de seu humor, do qual nem mesmo a Nossa Senhora da peça ficou indiferente.

Na própria encenação, a Virgem anuncia que quem não gosta de rir é o Demo. Ariano acreditava que enquanto risse – e fizesse rir -, ela não o surpreenderia. No caso, ou o demônio ou a morte.
Nisso tudo, a começar pelo título da peça, que evocava os “autos” medievais, Suassuna foi, sobretudo e paradoxalmente, um homem de alta erudição.
Em meio aos causos e piadas, principalmente com a americanização do Brasil – odiava anglicismos, motivos de suas chacotas mais ferinas – reivindicava seu direito à crítica por alentar tanto a sabedoria da cultura popular, quanto o acervo da alta cultura representada, ora pela tradição portuguesa, ora pela alta cultura do Brasil.
Ao criticar a mais “importante música” de um grupo de rock – de cuja letra, no seu rudimentarismo, ele se lembrava para gozar e provocar gargalhadas na plateia, ele se referia a um crítico da “Folha” que achava o compositor do grupo “um gênio” (sic).
Depois de brincar com a indigência da letra e da música do rock, ele perguntava: se o autor, como dizia o crítico da “Folha”, era realmente genial, que expressão usaria, então, para definir Beethoven?
Nisso tudo, Suassuna não era bem visto por certos jornalistas, normalmente mais representativos da “Caetana”, com seu mau-humor, sempre mais para a morte do que para a vida.
Por isso, ele jamais constava dos lembretes oficialescos dos jornais hegemônicos. Não podia ser bem visto pelo mundo neoliberal – aquele que dizia serem irrelevantes quaisquer laivos nacionalistas, já que o “consenso de Washington” estribava-se inclusive no fim da história.
Povos, línguas e cultura, identidades, enfim, todas se fariam tábula rasa diante do mundo globalizado sob a égide da língua inglesa.
Em sua cruzada anti-globalista Ariano Suassuna provocava preferencialmente o mundo acadêmico, que ele julgava alienado e ao qual contrapunha, aí sim, a sua imensa erudição.
Era capaz de recitar, de cor, tanto a longa trova de um cantador nordestino, quanto páginas e páginas de um sermão do padre Vieira, ao qual, não raro, acrescentava poemas de Camões, ou as mais intrigantes e engraçadas cenas do “Dom Quixote” de Cervantes. Tudo literalmente.
No fundo, foi um quixotesco na expressão da palavra: não o constrangia que o chamassem de “velho palhaço” que efetivamente ele era – mas só que um palhaço clássico, talvez mais que tudo um “Clown” ,aquele personagem do circo tradicional, que fingia não ter habilidade alguma, mas que conseguia se equilibrar magnificamente numa corda bamba, disfarçando sua uma capacidade, maior que todos os acrobatas do picadeiro. Ou que, muitas vezes, levava os espectadores às lágrimas, ao começar a tartamudear um instrumento qualquer para, de repente, tocá-lo como um virtuose, que se escondia no mau jeito.
Talvez seja essa a definição mais condigna de Ariana Suassuna. Foi um clown da Cultura brasileira.
Ao contrário de seu conterrâneo Gilberto Freyre, que também descreveu as origens do Brasil pelo lado positivo, ou de outros que buscaram a gênese do país naquilo que ele tinha de mais profundo – como Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro e o próprio Euclides da Cunha – Ariano Suassuna encarnou o homem do interior brasileiro – mas que fingia ser um bronco, para se mostrar logo em seguida, um dos homens mais cultos do Brasil. Fala-se da alta cultura – aquela representada também pelos entreguistas, que ele invectivou nas suas críticas. E que naturalmente, nunca o perdoarão.
Gilberto Freyre
Mais um santo da cultura brasileira de todos os tempos, sem, porém, o sentido do trágico; ou talvez com este senso, mas transmudado em humor, um dos mais finos e excelsos, algo que o faz um legítimo herdeiro também de Cervantes, que ele conheceu como poucos no Brasil.





