O Supremo Tribunal Federal está para julgar este ano uma causa trabalhista milionária que transbordou do âmbito da Justiça do Trabalho e interessa particularmente aos trabalhadores terceirizados pela indústria de celulose.
O caso envolve um recurso da Cenibra, que atua no leste de Minas/oeste do Espírito Santo e foi condenada a pagar R$ 2 milhões em uma ação antiterceirização movida pelo Ministério Público do Trabalho.
A subida do processo da Cenibra ao Supremo é um esforço advocatício extremo no sentido de reverter o entendimento generalizado no TST de que as empresas não podem terceirizar suas principais atividades (atividades-fim).
É por isso que os trabalhadores ganham a maioria dos recursos que chegam à instância superior da Justiça do Trabalho, na qual tramitam hoje cerca de 20 mil processos de terceirização.
Um dos mais cabeludos envolve telefônicas que terceirizam os serviços de call center operados por cerca de 500 mil pessoas no Brasil.
Além de telecomunicações e celulose, os principais usuários da terceirização são os setores de construção civil, energia elétrica, logística, mineração, bancos e saúde. Estima-se que 10 milhões de pessoas trabalhavam em empresas que prestam serviços terceirizados. Isso representava 25,5% do mercado formal de mão-de-obra no país.
Como não há regulamentação específica sobre a terceirização, os advogados empresariais esperam que o Supremo adote uma postura menos rígida do que o TST. Eles alegam que a terceirização é uma tendência global, enquanto os sindicatos a apontam como um mecanismo de exploração dos trabalhadores.
De acordo com uma pesquisa realizada em 2010 pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), a remuneração dos trabalhadores terceirizados era 27,1% menor do que a dos empregados diretos. Mas o salário não é o maior problema.
A terceirização é prática corrente no Brasil desde os anos 1970, quando começou a ser implantada no setor bancário. Desde então, predomina no TST o entendimento de que toda terceirização frauda a Consolidação das Leis do Trabalho (de 1943), pois implica na retirada de benefícios que favorecem os empregados diretos, configurando a famosa “precarização” das relações de trabalho — salários menores, jornadas maiores, um número maior de acidentes fatais de trabalho e o enfraquecimento do movimento sindical.
Segundo o jornal Valor Econômico, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) já pediu uma audiência com os ministros do STF em nome de todas as centrais sindicais. Elas temem que a liberalização dos contratos de terceirização crie uma retirada maciça de benefícios dos trabalhadores, já prejudicados nas últimas décadas pela onda da “flexibilização” (quase sempre a favor dos patrões) dos direitos trabalhistas. (Geraldo Hasse)
Autor: da Redação
Terceirização: 20 mil processos na Justiça do Trabalho
Pesquisa: favela quer é prosperar
Qual a maior preocupação dos comerciantes de uma favela? Segurança? Não, ao menos na favela da Maré, uma das maiores do Rio. Lá, uma pesquisa com quase dois mil empreendedores revelou que a principal demanda deles é agências bancárias. A segurança vem bem depois, com menos de 10% das indicações.
São 16 favelas, com 130 mil habitantes, que formam o chamado “Complexo da Maré”, em Bonsucesso, subúrbio do Rio de Janeiro.
O “censo econômico” da região feito pela Redes da Maré em parceria com o Observatório das Favelas e foi divulgado esta semana.
O resultado mostra demandas muito diferentes daquelas que aparecem na imprensa.
A pesquisa analisou os dados colhidos em 2.953 estabelecimentos locais.
Dois terços dos empreendimentos são voltados para o comércio, 33% para serviços. Apenas 1% entra na classificação industrial.
Bares e salões de beleza são as principais atividades comerciais, que empregam nove mil pessoas dentro da própria comunidade.
Entre os quase dois mil estabelecimentos comerciais, 660 (22,4%) são bares, 307 (10,4%) são salões de beleza, 216 (7,3%) estão voltadas para o comércio de roupas, 138 (4,7%) são mercados e 131 (4,4%) são lanchonetes.
A pesquisa também mostra que 87,6% desses empreendimentos têm um único dono, sendo 60% gerenciados por homens e 75,6% são informais.
A maioria dos pedidos dos comerciantes é que existam bancos (23,2%) na comunidade. Eles também desejam mais segurança (8,7%), saneamento (4,6%), cursos de qualificação (3,4%) e urbanização (3%).
A diretora da Rede de Desenvolvimento da Maré Eliana Souza Silva diz que a pesquisa traz um conjunto significativo dos desejos e necessidades da comunidade. Também ajuda a entender o perfil dos empreendedores da região de maneira profunda.
“A pesquisa ajuda a entender que existe um desejo desses empreendedores de ser organizar, buscando se qualificar e melhorar seu negócio do ponto de vista da gestão”, disse a diretora.
A Revolução Eólica (45) – Energia dos ventos supera a nuclear até 2020
A expansão da energia eólica em escala mundial avança a passos largos. A eletricidade a partir dos ventos já equivale à produzida por 280 reatores. A cada ano, o número de aerogeradores cresce 20%. A Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA, na sigla em inglês) estima que até 2020 o volume energético gerado pelo vento irá quadruplicar, chegando a mais de mil gigawatts.
Na Espanha e na Dinamarca, o vento é a fonte de 20% da eletricidade. Na Alemanha, essa percentagem é de 10% e, segundo os prognósticos, até 2020, será de 20% a 25%.
Mas é a China o país que mais promove esse avanço. A parcela da energia eólica no abastecimento nacional gira em torno de apenas 3% – a maior parte (75%) é proveniente das térmicas a carvão -, no entanto é de lá que vem quase a metade de todas as turbinas produzidas.
No entanto, em termos de volume absoluto, a geração de energia eólica na China ultrapassa o total da produção em toda a União Europeia. Em 2013, a eólica superou a nuclear e tornou-se a terceira matriz energética do país, atrás das termelétricas a carvão e das hidrelétricas.
O país asiático projeta para os próximos seis anos duplicar o número de turbinas eólicas no país ao longo dos próximos seis anos elevando sua capacidade instalada de energia eólica dos atuais 75GW para 200GW até 2020.
Novos parques estão a ser criados em ritmo acelerado na China. O Governo chinês tem lançado uma série de subsídios, preocupado com a elevada poluição do ar em muitas cidades do país. Uma fabricante chinesa já consegue produzir duas turbinas por dia. Esse ‘boom’ do setor, com novos modelos de turbinas, reflete na indústria mundial, ocasionando uma quebra de preços nos mercados da Ásia, América Latina e África.Semana da amamentação
A primeira grande campanha pró-amamentação no Brasil foi lançada pela artista Bibi Voguel ainda no final da década de 1970. A indústria de leites artificiais, protagonizada pela Nestlé, inicialmente com o famoso leite ninho, passou por cima da diva de toda e qualquer campanha ou pesquisa.
De lá para cá lançou inúmeras marcas de leites artificiais, especializando-se inclusive no marketing apelativo de “semelhante ao leite materno”, que continua inimitável, já que hormônios humanos e toda a singularidade da composição do leite das mulheres, que muda conforme o crescimento do bebê, demanda e funções relacionais, formam uma diversidade tal que nem mesmo uma mimetização seria possível.
Ainda assim pelo menos duas gerações da massa de mulheres brasileiras retirou o suco de mães das crianças e o leite artificial acabou fazendo muito sucesso. Os índices de amamentação caíram drasticamente no país, assim como elevaram-se os de desmame precoce até meados da década de 1990, quando nova leva de mulheres voltou a questionar as funções e a importância da amamentação.

Até que chegamos ao famoso maio de 2011, quando começaram os mamaços pelo país desmascarando os preconceitos em relação ao ato de amamentar e como isso vem afetando o desempenho das mães como nutrizes. Muitas mulheres não sabem conscientemente ainda, mas desmamam por sofrerem pressão social, psicológica e econômica. Muitas nem conseguem enfrentar a intimidade dos primeiros meses de amamentação, sentindo-se excessivamente expostas e amedrontadas diante dessa capacidade fisiológica nata do corpo feminino.
O próprio feminismo deixou de lado a amamentação como forma de poder, confundindo o tempo necessário à função como um tempo não investido em coisas mais importantes, como cumprir regras de trabalho idênticas as dos homens, sem direitos ao direito de ter corpo de mulher, mas a nova geração de balzaquianas não está deixando barato.
Querem trabalhar e amamentar, não admitem perseguição ao prazer de amamentar. Foi assim que em maio de 2011, cerca de 80 nutrizes estiveram presentes numa manifestação batizada como “mamaço” em uma galeria de exposição do Itaú Cultural, em São Paulo.
O evento, um protesto pacífico, ocorreu poucos meses depois de uma mãe ter sido impedida de amamentar ali mesmo. Casualmente ela colocou a queixa numa rede de relacionamentos que vinha retirando fotos de mulheres amamentando em nome da moral e dos bons costumes.
Foi o estopim para surgir um evento organizado com apoio do próprio Itaú Cultural. As belas fotos de mulheres amamentando estamparam as capas dos sites de jornais da capital e como era de se esperar, a cobertura ficou no básico sobre o evento; número de presentes, que cada site calculou de um jeito, uma ou outra palavra de manifestantes e só.
Uma pena que nenhum repórter de plantão se perguntou: mas como é mesmo esse negócio de preconceito contra os peitos das mulheres que amamentam? Eu tenho isso? O colega ao lado tem? De onde nasceu isso? Nham nham, teria aqui na redação umas boas fontes para responderem essas questões?

Não deu tempo nem para pensar, zarparam os repórteres para cobrir o óbvio. Os colunistas saíram correndo atrás comendo poeira da notícia mal coberta. Alguns, politicamente corretos, defendem o movimento, embora insistam em separar peito com leite de sexualidade.
Outros literalmente talharam o leite das colunas, como João Pereira Coutinho, da Folha de São Paulo, ao comparar direito de amamentar com direito de se masturbar, tomar banho ou fazer sexo em público. Coitado do rapaz, ficou assustado com as belas madonas, entrou fundo no buraco do que não teve e eureka: peito e sexo, algo a ver! Mas o quê exatamente? Fez uma salada russa do seu quase insight.
As militantes enraiveceram-se, a coluna do moço nunca foi tão visitada na vida, mas algumas delas, inconformadas com as comparações bizarras na coluna do João, enfiaram os pés pelos peitos e insistiram na premissa de que peito amamentando não tem nada a ver com sexualidade.
Uma pena, enquanto não enfiamos o dedo na ferida, ela não cura e a militância deveria saber que peito amamentando não perde sua função sexualizada, que o olhar dos homens para um par de peitos femininos, com ou sem bebê mamando, é um olhar sexualizado e pode ser confuso, mas tão confuso para um homem — embora não seja para todos – ver um peito feminino exposto, sendo sugado, que ele desate a pensar, sentir, falar ou escrever besteirol infantilizado, mesmo quando tem uma boa formação, uma boa educação, como parece ser o caso do jovem colunista.
Peitos de mulher sempre tirarão homens do sério levando-os para sonhos oníricos de tempos inconscientes. Mais do que isso, e quando entramos nas sombras, um par de peitos amamentando pode causar problemas na vida de muitos casais, impedindo o breve retorno da vida sexual ou literalmente levando o sujeito a permanecer sexualmente descomprometido com a -santa- mãe dos seus filhos.
Aconteceu com Elvis Presley, por exemplo, e acontece todos os dias, tudo porque peito é sexualidade, peito mexe com a sexualidade de homens e mulheres e peito é, para a sorte desses bebês que mamam, a primeira grande lição de sexualidade feliz, plenamente satisfatória.
A militância pode e deve promover mamaços, mas que seja de cabeça feita, sem falsos moralismos de que esse nobre gesto é assexuado como uma pintura bem comportada. Amamentar tem cheiro, cor, prazer de ambos os lados, muita satisfação em esvaziar e ser esvaziada, parece muito com um ato sexual sim, é sexualidade primária, fundamental, de base e quem não viveu ou não processou esse grounding da sexualidade humana de algum jeito, sofre, se confunde, não consegue ver, ouvir ou conviver com a amamentação de forma espontânea. Nas mulheres um dos sintomas, triste sintoma, é não conseguir amamentar.
Muitas fobias e transtornos relacionados à amamentação, ao desmame e até mesmo um eventual prolongamento da licença-maternidade, que no Brasil é escandalosamente curta justamente porque não leva em conta as necessidades de aleitamento do bebê, podem ser resolvidos com um melhor entendimento da sexualidade via amamentação.
O conhecimento sobre o gesto ancestral que possibilitou a sobrevivência da espécie humana não se encerra no fisiológico. Somos seres culturais, padecemos e temos prazeres intensos via cultura e nosso caldo psíquico, ainda que rico e esclarecedor, continua sentado no cantinho do castigo moral. É preciso alongar o olhar sobre os bastidores internos do tema, afinal entre a visão equivocada de que amamentar é apenas candura assexuada e o nojinho sarcástico de quem não desfrutou das bases da sexualidade humana, tem chão a ser percorrido.
O rapaz que escreveu a coluna na Folha não mamou prazerosamente por meses a fio na própria mãe, sequer deleitou-se no corpo nu da mãe; posso afirmar isso sem conhecê-lo, sem que ele tenha mencionado e me arrisco a afirmar porque um homem que mamou prolongadamente em sua mãe ou que teve livre acesso ao corpo nu da mãe, ainda que não tenha mamado, não fica tão confuso diante da sexualidade emanada da amamentação.
O homem que pôde desfrutar de um pele-a-pele com a mãe conhece bem o corpo de uma mulher, sabe que aquele mesmo par de peitos tem múltiplas funções e vê com naturalidade a função básica, a mais fisiológica dos seios femininos, sem que isso o cinda, sem separar o peito que amamenta do peito que dá prazer sexual. Sem nóias, sem perversões.
Desde esse maio de 2011, mamaços em comemoração ao direito de amamentar tornaram-se comuns a cada tentativa de repressão ao ato. Na semana mundial de amamentação comemora-se o direito de amamentar, redes de mulheres divulgam os benefícios do leite humano, desconstroem mitos sobre leite fraco, pouco leite, demonstram como mães adotivas podem aleitar pelo método da translactação e reúnem-se em praças e parques com suas crianças de peito.
Em Porto Alegre, a comemoração esse ano é no Parque Moinhos de Vento a partir das 10h da manhã.Faixa de Gaza: Israel diz que Brasil é "anão diplomático"
Está aberta uma crise diplomática sem precedentes entre os governos de Israel e do Brasil. As declarações do porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, publicadas pela imprensa israelense desta quinta feira, 24, certamente vão provocar reação e azedar as relações entre os dois países. Israel cobra do Brasil uma condenação ao Hamas e um apoio mais explícito ao direito de se defender do terrorismo.
Nota do G1
Israel lamentou nesta quinta-feira (24) a decisão do Brasil de chamar para consultas seu embaixador em Tel Aviv, uma decisão que, segundo o governo israelense, “não contribui para encorajar a calma e a estabilidade na região” e chamou o país de “anão diplomático” por causa do gesto.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, disse que a decisão brasileira “não reflete o nível de relação entre os países e ignora o direito de Israel defender-se”.
De acordo com a publicação “The Jerusalem Post”, Palmor afirmou que a medida “era uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”.
“Estas medidas não contribuem para promover a calma e a estabilidade na região. Ao contrário, elas promovem o terrorismo e naturalmente afetam a capacidade do Brasil de exercer influência. Israel espera suporte de seus amigos em sua luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por diversos países ao redor do mundo”, disse ele ao jornal “Haaretz”.O governo brasileiro convocou nesta quarta-feira (23) para consultas o embaixador em Tel Aviv após considerar “inaceitável a escalada de violência” e condenar “energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza”.
A Confederação Israelita do Brasil também divulgou uma nota nesta quinta manifestando sua “indignação” com a posição brasileira. A confederação diz compartilhar da “preocupação do povo brasileiro e expressa profunda dor pelas mortes nos dois lados do conflito. Assim como o Itamaraty, esperamos um cessar-fogo imediato.”
Entretanto, o grupo critica o governo brasileiro por eximir “o grupo terrorista Hamas de responsabilidade no cenário atual. Não há uma palavra sequer sobre os milhares de foguetes lançados contra solo israelense ou as seguidas negativas do Hamas em aceitar um cessar-fogo. Ignorar a responsabilidade do Hamas pode ser entendido como um endosso à política de escudos humanos, claramente implementada pelo grupo terrorista e que constitui num flagrante crime de guerra, previsto em leis internacionais.”
Nos 17 dias de ofensiva militar em Gaza, pelo menos 733 palestinos e 35 israelenses morreram. Além disso, 4.600 palestinos ficaram feridos.Jornalista autografa hoje o romance Vinhas da Peste
Estreante no mercado literário, o jornalista Luiz Guimarães lança hoje, às 19h, na Livraria Saraiva do Shopping Praia de Belas, o romance Vinhas da Peste, uma obra que traz para a ficção um episódio real da história recente do Rio Grande do Sul.
O livro é ilustrado pelo multipremiado cartunista Santiago, tem capa de Marco Cena e prefácio do escritor e Secretário da Cultura do Rio Grande do Sul, Luiz Antonio de Assis Brasil.
Tendo como pano de fundo o surto de aftosa que sacudiu a pacata cidade de Joia, situada no noroeste gaúcho, na segunda metade do ano 2000, o autor cria um ambiente mágico, dando alma aos animais marcados para morrer, ao mesmo tempo em que revela o lado mesquinho dos homens que arquitetam a estratégia de combate ao mal.
A obra traz para o conflito o debate político acerca do episódio e extrapola para o romance policial quando um assassino em série barbariza a pequena comunidade. Na esteira de um vinho misterioso, capaz de provocar mutações na espécie humana, a narrativa ganha tons de realismo fantástico, ao profanar a convivência entre homens e homens e animais e homens.
“Desde o início, nunca passou pela minha cabeça produzir um livro-reportagem; a ideia sempre foi trabalhar o real (o episódio da aftosa) pelo caminho da ficção, sem deixar, no entanto, de ser fiel aos fatos que acompanhei como repórter da extinta Gazeta Mercantil de São Paulo”, explica Guimarães.
No prefácio, Assis Brasil afirma que o conjunto de pessoas e elementos – quase todos incontroláveis – faz com que o romance justifique a si mesmo. “É um romance que, apropriando-se de um material comum (o pampa e suas circunstâncias), diz-nos algo de novo.”
O autor
Luiz Carlos Monteiro Guimarães é formado em Jornalismo e pós-graduado em Marketing pela PUC/RS. Lecionou Redação Jornalística no curso de Comunicação Social da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Por longo tempo, trabalhou como editor e chefe de reportagem do Correio do Povo e como repórter da sucursal de Porto Alegre na extinta Gazeta Mercantil. Atualmente, é editor de Economia do Jornal do Comércio.Vieira da Cunha: "Dívida estrangula o Rio Grande"
O candidato ao governo do RS pela coligação “O Rio Grande Merece Mais” (PDT\DEM\PSC\PV\PEN), Vieira da Cunha, disse nesta quarta-feira, 23, na Federasul, em Porto Alegre, que o Estado precisa recuperar sua capacidade de investimento.
Entre todos os estados endividados com a União, o Rio Grande do Sul possui a maior dívida em termos proporcionais. O projeto de lei que trata da renegociação da dívida do RS está tramitando no Senado. Ele citou alguns números já conhecidos como a projeção de um saldo negativo das contas do governo estadual em 2014 em torno de R$ 1 bilhão, enquanto em 2013 fechou em R$ 1,4 bilhão.
Portanto, o déficit acumulado em quatro anos de governo Tarso Genro será próximo de R$ 4 bilhões. Também lembrou que foram sacados dos depósitos judiciais pelo atual governo R$ 5,1 bilhões.
Para Vieira da Cunha as propostas já existem, foram todas encaminhadas pelos Conselhos Regionais de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Coredes). “O que precisamos é conseguir dinheiro para viabilizá-las.” Para que isto aconteça ele entende que a renegociação da dívida tem que ocorrer, pois nos últimos 15 anos o Estado não teve acesso a operações de crédito.
O secretário estadual da Fazenda, Odir Tonollier, informou em palestra na mesma Federasul que durante os próximos anos o RS seguirá precisando de novos financiamentos para sustentar os investimentos. Esses recursos virão a partir da renegociação da dívida com a União, prevista para ser aprovada pelo Senado no segundo semestre, em que o Rio Grande do Sul economizará cerca de R$ 20 bilhões até 2027, conquistando, assim, novo espaço fiscal.
Outro caminho para viabilizar investimentos, conforme Vieira da Cunha, é através de Parceria Público-Privada, desde que a população seja a grande beneficiária sem esquecer o retorno para o investidor privado. Ele considera que não pode ocorrer como na privatização dos pedágios durante o governo de Antônio Britto quando, segundo ele, a população foi extorquida.
Ele entende que a estatal Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) criada pelo governo Tarso Genro poderá conviver com pedágios privatizados.
O candidato prometeu ainda retomar o projeto de escolas em tempo integral. “Como trabalhista, vemos a educação com a prioridade que ela tem. Um CIEP construído hoje é um presídio a menos que teremos que construir amanhã. Tira a criança do caminho do crime.”
O Tá na Mesa, da Federasul, terá ainda como palestrantes para falar sobre os desafios do Rio Grande a senadora Ana Amélia Lemos, candidata ao Governo do RS pela coligação “Esperança que une o Rio Grande” – PP, PSDB, PRB e Solidariedade, no dia 30 de julho; governador Tarso Genro, candidato à reeleição pela Unidade Popular (PT – PTB – PCdoB – PPL – PR – PTC – PROS) em 6 de agosto; José Ivo Sartori, candidato ao Governo do Estado pela coligação O novo caminho para o Rio Grande (PMDB / PSD / PPS / PSB / PHS / PT do B / PSL / PSDC), em 13 de agosto. Nas quatro semanas seguintes os palestrantes serão os candidatos ao Senado pelas mesmas coligações: Olívio Dutra (PT), Lasier Martins (PDT). Simone Leite (PP), Beto Albuquerque(PMDB). (Sérgio Lagranha)
A Revolução Eólica (44) – Cerro Chato produz mais 30MW
Mais três parques eólicos estão produzindo eletricidade em Santana do Livramento, totalizando 30MW. São eles: Cerro Chato IV, Cerro Chato V e Cerro dos Trindades. A nova energia se soma aos 90MW em operação desde 2012 na Usina Eólica Cerro Chato.
Dessa primeira fase do Complexo Eólico Livramento, ainda estão sendo instalados 12 aerogeradores do Cerro Chato VI e outros 12, do Ibirapuitã I.
Esses cinco parques representam o Entorno I, com 78 MW, e ocupam uma área de 4.776 hectares e terão capacidade para abastecer 180.117 residências com 574.573 habitantes.
O gerenciamento é da Eletrosul Centrais Elétricas, que detém 49% do investimento, em parceria com a Fundação Eletrosul de Previdência e Assistência Social – Elos, com 10%, e o Fundo de Investimento Privado (FIP) Rio Bravo , com 41% das ações. A estatal e as entidades constituíram a Livramento Holding S.A para gerenciar as usinas.
Três empresas formam o consórcio construtor: a fabricante argentina de aerogeradores IMPSA; o grupo português Efacec, especializado em equipamentos eletromecânicos; e a Iccila, empreiteira local da construção civil, que está executando os trabalhos de infraestrutura da área – abertura das vias de acesso aos locais onde serão instalados o canteiro de obras e as turbinas.
Os empreendimentos foram viabilizados no último Leilão de Energia Nova (A-3), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), realizado em agosto de 2011. Nesse certame, saíram vencedores 21 empreendimentos que somam 492 MW de potência. Entre eles, novas usinas no Litoral Sul do Rio Grande do Sul, batizados de Geribatu (258 MW), em Santa Vitória do Palmar, e Chuí (144 MW), no município de Chuí.Onde estão as fotos do governo Yeda?
O acervo fotográfico do Palácio Piratini produzido durante o governo de Yeda Crusius (2007/2010) continua sumido.
Pela lei, deveria estar à disposição do público no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa. Não estão.
A jornalista Ana Jung, ex-assessora de imprensa no Piratini, diz que as fotos estão armazenadas em um HD de posse da própria Yeda Crusius. A ex-governadora mantém silêncio sobre o assunto.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas RS, Milton Simas, lamenta a posição de Yeda Crusius: “Essas fotos são documentos públicos, de conteúdo histórico, e os profissionais da fotografia que trabalharam na gestão da ex-governadora estavam a serviço do Estado, utilizaram verba pública, portanto esse acervo já deveria estar à disposição da população no Museu de Comunicação”, diz Simas.
O presidente da Arfoc/RS – Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul, Itamar Aguiar, que trabalhou na gestão tucana, não sabe o que aconteceu com os arquivos: “Essas fotos são instrumento do Poder Público, têm que estar lá no Museu. As do governo Rigotto, eu e o Paulo Dias levamos pessoalmente para o Hipólito, mas as do período Yeda ficaram sob a responsabilidade do pessoal da retaguarda lá do setor no Piratini.
O jornalista e professor, Mario Rocha, considera que a produção em imagem (fotos e filmes), bem como em áudio (programas de rádio), inclusive com disponibilização através pela internet, evidencia o desempenho de gestão (municipal, estadual ou federal) e constitui patrimônio da sociedade e fonte de referência para pesquisadores. “Independente de eventual exigência legal, parece-me evidente que todos os governantes tenham especial interesse na preservação de tal legado”, afirma.
O Museu é subordinado à Secretaria de Estado da Cultura. Foi criado através de decreto em 10 de setembro de 1974 com a finalidade de guardar, preservar e difundir a memória dos meios de comunicação no Rio Grande do Sul.
Seu Setor de Fotografia preserva o acervo oficial, como os da assessoria de imprensa do Palácio Piratini, além de trabalhos de colecionadores particulares, como dos gaúchos Miguel Castro (1924) e Salomão Scliar (1925-1991), e retratos de estúdios famosos da cidade, como Otto Shönwald, Irmãos Ferrari e Vírgilio Calegari.
As imagens sobre Porto Alegre e o Rio Grande do Sul abrangem o período desde 1880 até os dias atuais.Ponte interditada prejudica 60 municípios
A ponte sobre o rio Uruguai na BR 158, divisa Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com 1003 metros de extensão, está parcialmente interditada há oito meses – afetando uma vasta região produtiva do sul do País, com pesados prejuízos econômicos.
O presidente da Organização das Cooperativas de Santa Catarina (Ocesc), Marcos Antônio Zordan, considerou a situação um “descalabro nacional”.
O problema se arrasta desde novembro do ano passado, quando motoristas e pedestres alertaram as autoridades sobre balanços e movimentações excessivas das estruturas da ponte localizada entre os municípios de Irai (RS) e Palmitos (SC), nas microrregiões do noroeste sul-rio-grandense e oeste catarinense.
Além de situar-se no traçado da BR 158, a ponte marca o quilômetro zero da BR-386.
Técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) inspecionaram, na época, a ponte e decretaram situação de emergência.
Após diversas vistorias na estrutura, engenheiros e projetistas da autarquia constataram falhas em um dos vãos. As placas da ponte se movem em condições acima do considerado normal. Com o movimento intenso, as proteções laterais, em concreto, também foram danificadas.
infiltrações e emendas
Embaixo, é possível perceber que há infiltração nas emendas. O DNIT acredita que a movimentação da ponte decorra do desgaste das borrachas que calçam a estrutura.
O documento elaborado pelo DNIT foi encaminhado ao Ministério dos Transportes, em Brasília, e a obra emergencial na ponte, com dispensa de licitação, já deveria estar concluída, mas nunca foi contratada.
“Essa situação absurda causa enormes prejuízos para toda a região”, resume Zordan.
Desde novembro do ano passado o tráfego ocupa apenas meia pista. Com as cheias de junho deste ano, a situação agravou-se. Desde o dia 11 deste mês de julho, além de meia pista, só podem transitar automóveis e caminhões com no máximo 16 toneladas.
Ou seja: o transporte pesado não pode mais utilizar uma das principais ligações entre os dois Estados do extremo sul do Brasil.
Deixam de passar pela região mais de 1.000 carretas por dia. Agora, esses veículos pesados fazem desvios de mais de 200 quilômetros mais ao oeste (via Tenente Portela, Itapiranga) ou mais ao leste (via Chapecó, Nonoaí).
“Essa situação dificulta e encarece a circulação de máquinas, equipamentos, grãos, aves e suínos, prejudicando as empresas, as cooperativas, os consumidores e os municípios “, assinala o presidente da Ocesc.
Além dos prejuízos para as empresas que dependem do transporte de matérias-primas, produtos e mercadorias, com o fim do transporte pesado, o comércio regional está sofrendo: caiu em 70% o movimento dos postos de combustíveis, mecânicas, restaurantes, borracharias e hotéis do entorno da ponte.
O DNIT está sinalizando os trechos próximos à ponte para que os motoristas possam pegar rotas alternativas.
ATO
Lideranças empresariais, profissionais e políticas dos dois Estados manterão encontro com o superintendente do DNIT do Rio Grande do Sul na terça-feira (29), às 14 horas, na Câmara de Vereadores de Irai (RS).
Logo em seguida, farão ato público na ponte. Um dos organizadores é o empresário Ivan Dallagnol, proprietário do Posto Kakareko.
O evento reunirá representantes de 60 municípios prejudicados pelo atual status da ponte.


