Autor: da Redação

  • Morre Roberto Manera, bom de foto, bom de texto

    José Antonio Severo
    Ele foi um dos integrantes mais destacados da geração de jornalistas riograndenses que se mudaram para o centro do País na década de 1960, participando do desenvolvimento da imprensa brasileira, numa fase em que surgiram as principais revistas e os jornais tiveram reformas modernizadoras.
    Manera começou no jornalismo em 1967, como fotógrafo da Zero Hora. Nesse ano o chefe de fotografia daquele jornal, Assis Hoffmann, recrutou um grupo de jovens gaúchos para formar um departamento de fotografia diferenciado. Esse grupo foi apelidado de geração Blow Up, porque eram rapazes recrutados nas universidades, embalados pelo sucesso do filme de Michelangelo Antonioni, Blow Up, em que o fotógrafo aparecia como uma figura charmosa e irresitível. Também nesse projeto Assis introduzia no Estado as câmeras de filmes de 35 milímetros, abolia o flash e criava um novo conceito de fotojornalismo.
    Logo em seguida, Assis Hoffmann, que era o mais famoso fotógrafo do Rio Grande do Sul, foi contratado pela Editora Abril para atuar na sucursal gaúcha e servir mais diretamente à revista Veja, que estava sendo lançada. Manera, ao lado de Sérgio Arnoud e Leonid Straliev, foi convidado a fazer parte da equipa de free lancers da Abril. Ali ele se revelou.
    Logo se destacou com uma foto sobre a competição acirrada entre os dois gitgantes da indústria de refrigerantes mundial, Coca-Cola e Pepsi-Cola. O Rio Grande do Sul era um teatro singular dessa guerra comercial, pois era o único lugar do mundo em que a Pepsi vencia a Cola. Manera fez a foto emblemática: em frente a um bolicho numa estrada remota do Estado, as duas placas, desgastadas e quase caindo, estavam frente a frente, e na imagem se via um burrico magro passando. Era o retrato dessa luta em todos os espaços. Manera era o autor da foto que vale mais que mil palavras, como se dizia na época.
    Como fotógrafo free lancer, muitas vezes fazendo coberturas sem repórter, tinha de escrever relatórios para a redação explicando a imagem. Qual não foi sua surpresa ao ser convidado para integrar a equipe fixa da revista Quatro Rodas e saber que o chefe de reportagem, Nilo Martins, o convidava para ser redator da publicação. Daí em diante Manera abandonou o clique pelas “pretinhas”, como se chamavam as letras da máquinas de escrever.
    Deixou o rio Grande do Sul em 1970 e foi trabalhar como repórter de Quatro Rodas na sucursal do Rio de Janeiro. Transferido para São Paulo, integrou a equipe central da revista. Daí seguiu sua carreira, que incluiu outras publicações da Abril, como Guia rural, do qual foi redator-chefe. Também trabalhou no jornal O Globo, no Rio, e foi chefe da sucursal de Porto Alegre durante algum tempo. Voltando ao grupo da Abril, foi diretor de redação da revista Aero Magazine.
    Então adoeceu, colhido por uma diabetes violenta, e sua carreira foi perdendo o ímpeto. Ainda assim integrou a última equipe de Sérgio de Souza, o Serjão, na revista Caros Amigos. Depauperado pela enfermidade, aposentou-se e se mudou para Florianópolis, onde viveu até a semana passada, longe de seus dois filhos, um em Porto Alegre e outro no Rio, e das muitas ex-mulheres.

  • Paisagem sonora, música e território em debate

    Para discutir a dimensão sonora dos espaços, o Grupo de Pesquisa Identidade e Território, ligado à Faculdade de Arquitetura da UFRGS, reúne na próxima semana um grupo de pesquisadores de diversas áreas.
    Como o conceito de paisagem vem da Geografia e o de paisagem sonora foi desenvolvido por músicos compositores, os convidados são Lucas Panitz, do PAGUS – Laboratório da Paisagem e do LABES – Laboratório de Espaço Social, do Departamento de Geografia da UFRGS, e o compositor eletroacústico Rafael de Oliveira, doutorando no CIME – Centro de Investigação em Música Electrónica da Universidade de Aveiro, em Portugal.
    A apresentação e mediação será feita por Thaís Aragão, mestre em Planejamento Urbano e Regional (PROPUR-UFRGS) e integrante do GPIT. Com entrada franca e transmissão pela internet, o debate ocorrerá próxima segunda-feira, 16 de setembro, às 19h30min, no auditório da Faculdade de Arquitetura (Av. Sarmento Leite, 320 – térreo – Prédio 12103 do Campus Centro).
    Mais informações pelo site www.ufrgs.br/gpit

  • "Céus de Chumbo sobre Horizontes de Ferro"

    O seminário Crise da Representação e Renovação da Democracia, realizado em Porto Alegre em 5 e 6 de setembro, reuniu cidadãos brasileiros de várias tribos profissionais com jornalistas, estudantes e estudiosos de comunicação, ciências políticas e articuladores dos novos movimentos mundiais, como Bernardo Gutierrez, do 15 M da Espanha, e Eirikur Bergmann, professor da Escola de Ciências Sociais da Bifröst University, na Islândia e diretor do Centro de Estudos Europeus.
    Uma fauna humana interessantíssima. Sentiu-se fora da era digital a pessoa que sentou calmamente, desligou o celular para não interferir, não dispersar o pensamento, pegou o silencioso bloquinho de notas e a caneta deslizante.
    Pelo menos 90% dos presentes fizeram exatamente o contrário, sentaram-se com a aparelhagem disponível. Não há mais mesas entre palestrantes e plateia, entre eles há laptops, celulares e androids. Enquanto um palestrante fala, sua imagem, seus textos, as entrevistas que ele deu, saltam na tela das centenas de pessoas, que também aproveitam para enviar aos seus contatos de rede social pequenas frases e imagens ao vivo.
    Entre os palestrantes não é diferente, ficam à vontade no palco para manusear seus aparelhos durante a palestra dos colegas. Os antigos rumores e cochichos das velhas reuniões foram trocados por bips e um som de fundo, um zuuuuu não ionizante absolutamente incorporado. Mas a proposta não era mesmo discutir sobre o nível de radiação não-ionizante do local, que deve ter sido altíssimo.
    Muitas questões e um debate quente sobre reforma política e das comunicações, mídias digitais como instrumento de participação política, conceitos e práticas de democracia, não poderiam ter sido melhor representadas por uma exposição do artista plástico Ubiratã Braga no mesmo sexto andar da Casa de Cultura Mario Quintana. Céus de Chumbo sobre
    Horizontes de Ferro, o nome-tema da exposição, por coincidência ou não, definiu o panorama político e midiático do momento. Ao final das palestras sobraram questões sobre os céus de chumbo que herdamos e os horizontes de ferro previstos e já vistos por aí.
    Sergio Amadeu, sociólogo, professor da UFAB e pesquisador em software livre, avisa que a internet livre está sob ataque: “Arrisco dizer que o capital econômico de telecomunicações em breve abocanhará até a Rede Globo e o ministro Paulo Bernardo integra esse coletivo de ataque contra a liberdade digital.
    Estado e corporações
    Numa palestra bastante didática, Amadeu trouxe vários temas, como a crise da intervenção, que envolve a indústria da música e a propriedade dos bens imateriais, a imprensa, a educação e os partidos políticos, destacando que o Estado é muito permeável às grandes corporações.
    “As grandes corporações desvirtuam a democracia, andam em corredores e alteram o resultado do jogo.”
    Natalia Viana, jornalista da Pública.org, destacou que no Brasil existem investigações e denúncias contra os partidos, mas não há jornais que investiguem as empresas. Para Joaquim Ernesto Palhares, da Carta Maior, é na questão de apoio econômico que a mídia tradicional se sustenta:
    “Somos muito frágeis diante do poder que essa gente tem”.
    Na seqüência, completou que essa mesma mídia vive seu momento político de maior fragilidade, chegando ao ponto de se desculpar pelo apoio à ditadura:
    “Se desculpar não basta, essa empresa deve ir à Comissão da Verdade para se explicar, nós temos mortos, desaparecidos e não é se desculpando que vão resolver essa situação, essa gente tem que explicar o que é o tal do apoio, essa gente ganha bilhões e não dá nenhuma contrapartida”.
    Antônio Castro, do Sul 21, analisou a passeata do dia 20 de junho em Porto Alegre.
    “As pessoas estavam caminhando e de repente ficaram indecisas se optavam ir em direção ao Palácio Piratini, o poder do Estado, ou se caminhavam até o prédio da Zero Hora, que representa a manipulação do poder”.
    Para ele é fundamental regulamentar o negócio da comunicação e isso não deve ser confundido com controle sobre a notícia.

    Antônio E. Castro e Lino Bocchini | Democracia em Rede
    Antônio E. Castro e Lino Bocchini | Democracia em Rede

    Lino Bocchini, da Carta Capital, falou da importância das rádios comunitárias e ainda do jornalismo impresso, exemplificando com o Jornalismo B, que aposta nas pessoas que ainda não acessam internet, embora os acessos no Brasil tenham números significativos, como o da foto do médico cubano sendo vaiado por médicas brasileiras. A foto, segundo ele, teve um milhão e setecentos mil acessos e isso é muito mais do que a audiência de qualquer telejornal.
    A internet aparece como fonte de propagação importante da notícia, mas para Bocchini a figura do bom jornalista, do bom editor continua sendo importante. “O jornalismo de qualidade precisa de dinheiro, nem sempre uma notícia importante dá
    audiência, precisa de bons profissionais, precisa ser mantido.
    ” Ele comparou a dificuldade das questões de audiência exemplificando com o Big Brother em alta no momento em que o Egito estava nas ruas e a Carta Capital estava cobrindo, com baixa audiência, um fato tão relevante na política mundial.
    Antônio Martins, criador do Le Monde Diplomatique Brasil e do site Outras Palavras, foi fundo na crítica de mídia sem excluir as alternativas que começam a reemergir depois de anos de cansaço pelo domínio econômico. “
    Precisamos ser capazes de colocar na agenda a Reforma Tributária, precisamos mostrar para a população como é injusto o sistema tributário, fazer com que as pessoas entendam a possibilidade de uma distribuição melhor de renda, o jornalismo deveria ser capaz de explicar a gasolina que é subsidiada para agradar a classe média.”
    Para Martins essa época de declínio do jornalismo tradicional é ideal para resgatar o bom jornalismo. Difícil é ter uma agenda comum – o que é costumeiro entre gente que pensa, estuda e reflete. Nas questões estritamente jornalísticas, todos concordam que os investimentos econômicos, principalmente os que partem do governo, não estão bem distribuídos.
    Candidaturas livres
    O governo segue o mercado, acaba sendo um grande investidor da Rede Globo em primeiro lugar e das outras grandes corporações privadas de comunicação, destinando migalhas aos veículos que representam os cidadãos, suas comunidades, seus direitos. Todos querem a regulamentação da mídia e uma distribuição mais defensável, mais igualitária, ainda que os horizontes pareçam de ferro.
    Nas questões políticas o bicho pega. Há os que defendem que a Reforma Política deve vir antes da Regulamentação da Mídia, há os que não veem possibilidade de uma Reforma Política sem que antes a mídia seja regulamentada.
    Discordam com veemência sobre a eficácia dos movimentos apartidários, mas concordam que candidaturas livres, sem representação coletiva, sem causas específicas, viraria facilmente massa de manobra do capital privado.
    O jornalista Venício Lima e Celi Pinto, cientista política, não acreditam em apartidarismo, defendem que o modo convencional de fazer política via partidos é o que funciona. Celi acredita que fazer política por meio de manifestações virtuais não resolve, nunca resolveu, há uma tendência à dispersão.
    “O que resolve é a aproximação real, a discussão, o debate de ideias junto aos representantes”.
    Lima defende a ideia de que o jornalismo sempre foi partidário e a expansão do jornalismo, o caráter empresarial do jornalismo é que acabou fazendo com que se fingisse uma neutralidade, que de neutra não tem nada.
     
    “Pode ser que eu esteja muito velho, mas não acredito em política sem partido”.
    Com Venício Lima e Celi Pinto se alinha também, com algumas diferenças pontuais, Wilson Gomes, da UFBA.
    “Não acredito em crise da democracia, a democracia é isso mesmo, se ela está em crise sempre esteve.”
    Para Wilson, democracia é processo, direito de manifestação de todos e o foco seria encontrar um ponto comum junto aos representantes.
    Ele ressaltou problemas de clientelismo, colonialismo, mas como coisas a serem tratadas pelo estado democrático.
    “É preciso fiscalização sempre, e diante do controle aparecem os problemas, é o paradoxo da democracia. Se você melhora a transparência e aparecem os problemas, todo mundo se sente pior.”
    É o caso das denúncias no Brasil:
    “De fato as pessoas se sentiram mal, como se as coisas de maneira geral tivessem piorado, mas elas apenas emergiram porque na história a roda não anda para trás. A invisibilidade protege o mais forte, a visibilidade protege os mais fracos.”
    Bernardo Gutiérrez literalmente pulou da cadeira para defender os movimentos apartidários explicando o que ocorreu na Espanha com o 15M, espécie de guarda-chuva de várias manifestações populares. Ele explicou que a água estava para ser privatizada na Espanha, a população se uniu, discordou, o governo não concordou e ainda assim não teve legitimidade, a população venceu, a água é livre.
    Movimentos populares livres
    O coletivo 15M abarca hoje muitos movimentos sociais que não se veem representados por partidos políticos convencionais e unem-se em representações populares diversas, como a Maré Verde, da educação, a Maré Branca, da água, e outros.
    “Na Espanha hoje o que temos são movimentos populares livres que defendem os imigrantes no meio da rua.”
    Falando um português fluente, ele, que viveu no Brasil, defende as ocupações das Câmaras nas capitais.
    “Não tem nada mais subversivo do que alterar o código, vamos limpar isso aí e depois vamos ver o que fazer”.
    Para Bernardo essa movimentação é horizontal, plural e profundamente política, são convergências de coletivos, de lideranças rotativas e sem personalismos.
    “Nós vamos em um ponto comum para ver a pauta e depois a gente dispersa”.
    Na Espanha foi criado um novo termo, a extituição, que se opõe ao modelo institucional comum e pouco operativo em relação às demandas reais e urgentes da população.
    Renato Rovai, da revista Fórum, questiona o sistema democrático e lança no ar uma pergunta: não seria o caso de uma plurocracia? André Rubião, do Centro de Estudos Sociais da America Latina/UFMG, pinçou vários exemplos de democracia com participação popular direta, quando segmentos da população bem distribuídos são escolhidos por sorteio para estudar um tema e decidir sobre ele.
    Em alguns casos, dentro do sistema democrático, quando há a necessidade de serem referendados pela representação política, acabam não dando certo.
    Eirirkur Bergmann falou da Islândia, país com 300 mil habitantes que conseguiu por meio de uma reforma política popular derrotar a democracia aristocrática. Ponderando, ressaltou que na Europa crescem os movimentos de partidos populistas conservadores e ultraconservadores, são as chamadas ondas democráticas. “Vemos isso ocorrendo na Hungria e até em países escandinavos, como a Finlândia e a Suécia”.
    As respostas para essas questões são corpos participativos, como o que ocorreu na Austrália em relação à monarquia. Na Islândia há corpos participativos via cidadãos de várias idades e segmentos sociais. “Acredito que temos um tempo sério pela frente em que as alternativas que conhecemos, esses corpos e práticas podem ser reativos a esses movimentos de partidos populistas.”
    Benedito Tadeu Cesar, cientista político, favorável à Reforma Política antes da Reforma das Comunicações, destacou que a crise das instituições é mundial, que a roda da história pode sim andar para trás, que o momento é de transformação e isso gera perplexidade e não se deve deixar de levar em consideração que os partidos se burocratizaram, todos eles.
    “Eu fui um dos fundadores do PT, militei e estudei o PT, mas não posso deixar de dizer que esse partido também se burocratizou.”
    DO FUNDÃO
    Na plateia diversas manifestações e questionamentos sobre o modus operandi do seminário. Veio à baila a questão de gênero, em cada mesa apenas uma mulher, uma delas moderadora, palestrantes só duas num total de 23 convidados. O espaço para debate com a plateia foi curto, com formação de cadeiras no palco e tom formal.
    A galera reclamou ainda do personalismo característico de um velho tempo, da falta de horizontalidades, mas no final correu para buscar seus certificados de presença, algo que representa no mínimo um desejo de se adequar ao sistema do jeitinho que ele é.
    O coquetel de encerramento foi aberto aos palestrantes e participantes sem distinção e isso parece ter contentado a todos, foi o diferencial desse tipo de evento.
    O QUE FICOU NO AR
    Se sabemos que o Facebook elimina páginas, entrega IPs de acordo com a conveniência política e de capital, se sabemos que existe um alto controle de acessos via Estado ou até mesmo por meio de cidadãos, se existem possibilidades de manipulação da opinião pública pelos meios digitais, se é possível rastrear, espionar e manipular, como podemos crer que a participação popular via novas tecnologias será respeitada?


     
    O Seminário Crise da Representação e Renovação da Democracia foi promovido pelo Gabinete Digital- Democracia em rede. Criado em maio de 2011, é um canal digital – www.gabinetedigital.rs.gov.br – de participação e diálogo entre a sociedade civil e o Governo do Rio Grande do Sul.
    O objetivo é permitir que os cidadãos influenciem na gestão pública e exerçam maior controle social sobre o Estado por meio de mecanismos relacionados às novas tecnologias de informação e comunicação.
    Apoiaram o evento a Casa de Cultura Digital, a Alter Brasil –Instituto de Ideias, a Granpal, as Universidades Unisinos, UFRGS, PUC, Feevale, a Fundação Perseu Abramo, a Fundação Maurício Grabois, Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, Fundação João Mangabeira e o jornal A Hora do Povo.

  • Estudantes da PUCRS assaltados na sala de aula

    Um grupo de alunos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) foi surpreendido por um homem que invadiu o recinto e anunciou o crime: “Seguinte, silêncio, não quero ninguém reagindo que isso aqui é um assalto”, avisou segundos antes de sacar um revolver preto da cintura e apontar para cerca de 20 jovens que assistiam ao trabalho de um grupo de colegas.
    Eram 22h15min de 02/09, segunda-feira. O crime aconteceu na sala 312, no terceiro andar do prédio do curso de Jornalismo da instituição. As vítimas foram obrigadas a depositar dinheiro, celulares e notebooks em uma mochila que o assaltante deixou em cima de uma mesa. O estrago poderia ter sido pior. A turma estava com a metade dos alunos, pois naquele instante acontecia uma palestra no auditório da universidade. A professora e jornalista Roberta Manica, que conduzia a turma, tentou acalmar os ânimos, mas houve momentos de tensão quando um estudante tentou se negar a entregar um notebook.
    Assim que roubou tudo o que podia, o bandido saiu da sala deixando instruções às vítimas e uma pontinha de racismo: “esperem 30 minutos, liguem pra polícia e digam que foram dois ‘negão’ que assaltaram vocês”. A professora Roberta Manica, que ficou com o celular, ligou para a PUCRS em consenso com os alunos. A resposta da instituição foi um segurança 10 minutos depois, achando que a história era brincadeira.
    Segundo os depoimentos, o homem teria 1,70m, pele parda, vestia um moletom cinza e carregava um revolver preto calibre 38. O aluno que discutiu com o assaltante por causa do notebook jura que a arma era de brinquedo.
    O fato é que o homem já perambulava livremente pelos corredores da universidade momentos antes do crime acontecer e levantava suspeitas de alunos: “Era um cara bem diferente do que estamos acostumados a ver na Famecos. Ele estava desde o inicio da aula no corredor andando de um lado pro outro”, explica uma estudante em sua página do Facebook. Ela conta que ficou desconfiada e tentou alertar a secretaria da instituição, mas desistiu devido a brincadeiras dos colegas. Se alguém abordava o sujeito ele dizia que estava “esperando o irmão”.
    A faculdade de comunicação social (Famecos), assim como diversas outras unidades da PUCRS, mantém acesso livre para transeuntes, o que facilitou a ação do assaltante. Seguranças não costumam circular dentro dos prédios e documentos de identificação só são exigidos para acessar os laboratórios. Este acesso acontece por meio de um cartão magnético, onde consta apenas o nome e matrícula do aluno, sem foto. Tanto que é comum colegas emprestarem seus cartões para terceiros, mesmo que exista punição quando a prática é flagrada.
    Até às 1h30min do dia 03/09 a PUCRS ainda não havia se manifestado oficialmente ou dado qualquer tipo de suporte aos estudantes, que foram aconselhados a registrar boletins de ocorrência em qualquer delegacia. O site da instituição marista era um mar de tranquilidade.
    O clima na universidade foi de surpresa, medo e indignação. Alunos e professores custam a acreditar no fato. Um grupo convoca manifestações nas redes sociais exigindo mais segurança e em poucas horas reúne mais de 500 membros. No meio deste tumulto de reações e sentimentos um estudante de 22 anos que presenciou o crime e pediu para não ser identificado desabafa: “A gente não sabe o que esperar, e acha que na sala de aula está seguro. Só que não está. Tenho medo de voltar pra aula”.
    (Texto: Tiago Lobo. Foto: câmeras de segurança da PUC))

  • Morales: “Temos que nos descolonizar”

    “Se queremos mudar o mundo, temos que começar a mudar a gente e para mudar temos que nos descolonizar do fascismo, do racismo, do mercantilismo e do luxo. Juntos”, disse.
    Morales europeus disse ainda que é preciso avançar nas políticas voltadas para os segmentos “historicamente abandonados” e que os países latino-americanos precisam também descolonizar a Europa da “anarquia do mercado de capital”.
    “Descolonizá-los será outra tarefa que nós teremos”, disse. Para Morales, os partidos de esquerda têm a responsabilidade de defender o que chamou de “processos de libertação” na Venezuela, na Nicarágua, na Argentina, no Brasil, no Uruguai, no Equador e na Bolívia. Ele também falou da necessidade de enfrentamento da corrupção e que ele mesmo, inicialmente, não queria fazer política, pois a política era vista como uma atividade de traficantes e pessoas corruptas.
    “Nossos povos estão cansados de abuso de poder e de autoridade. A política não pode ser para quem a trata como negócio ou em seu [próprio] beneficio. A política é a ciência de servir aos nossos povos”, disse Morales.
    Morales criticou o sistema capitalista e as políticas neoliberais e falou sobre a situação da Bolívia antes de sua chegada à Presidência. “Tivemos que recuperar os nossos recursos naturais que estavam nas mãos de poucos e retorná-los para o povo. Antes [de nacionalizar os recursos] a gente tinha que pegar empréstimo no Banco Mundial. Depois da nacionalização não foi mais preciso”, disse.
    “Não é possível que nos países da América Latina quem governe sejam os banqueiros e empresários”, completou.
    No sábado, Morales se encontrou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a assessoria do ex-presidente, durante a reunião, que durou uma hora e trinta minutos, foram discutidos temas como a situação política e econômica da América do Sul e a integração do continente. “Principalmente sobre a necessidade de uma integração que não só amplie as trocas comerciais, como aumente o intercâmbio político, cultural e universitário na região”, diz a nota.
    Outro tema debatido pelos dois foi o fortalecimento da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a ampliação do Mercosul. Em mensagem por vídeo aos participantes no evento, a presidente Dilma Rousseff disse que os governos de esquerda do continente “não se refugiam em um nacionalismo estreito” e buscam a integração regional.
    O 19º Foro de São Paulo reuniu cerca de 100 partidos de esquerda da América Latina. No domingo, os participantes aprovaram uma resolução de apoio à presidenta Dilma Rousseff e aos movimentos que convocaram os protestos que sacudiram o país em junho. “Avançou e pode avançar mais, foi a reivindicação das manifestações no Brasil, cujas vozes determinam um relançamento das lutas sociais no país”, diz o documento. O próximo encontro será realizado na Bolívia.
    Da Agência Brasil

  • João Gilberto: uma entrevista

    Alexandre Leboutte
    Um politico praticante que preferiu se afastar da politica. Um pensador político que se recolheu. João Gilberto Lucas Coelho voltou à ativa na entrevista do Jornal do Comércio desta segunda-feira, 22.
    Militante histórico do antigo MDB, o ex-vice-governador do Estado João Gilberto Lucas Coelho afastou-se da política no início dos anos 2000 por entender que o PSDB – partido que ajudou a fundar em 1988 – havia se distanciado de suas raízes sociais-democratas.
    Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, João Gilberto avalia que o presidencialismo brasileiro acabou sofrendo uma deformação, já no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), gerando uma submissão do Executivo aos partidos que compõem o Congresso Nacional a fim de garantir a governabilidade. Esta subserviência acabaria por tornar o sistema político frágil e permeável à corrupção.
    Na opinião do ex-vice-governador, isso não teria ocorrido se os “primos ideológicos” PSDB e PT tivessem firmado uma aliança no início dos anos 1990. “A saída para governar o País da melhor maneira teria sido lá atrás, PT e PSDB juntos”, defende, argumentando que, depois, o PT acabou empurrando o PSDB para a direita.
    João Gilberto também analisa os movimentos que tomaram as ruas do Brasil a partir de junho, fala da impossibilidade de se convocar uma Constituinte exclusiva para tratar da reforma política e defende a necessidade de que as campanha eleitorais sejam financiadas por recursos públicos.
    Por último, diz que não quis se filiar a outro partido depois de deixar o PSDB porque não viu opções possíveis. “Eu sou um cara de esquerda. E sou uma figura em extinção, porque sou um cara da esquerda não petista”, define-se.
    Jornal do Comércio – Quais as causas das recentes manifestações sociais no Brasil?
    João Gilberto – As pessoas estão descontentes, e o descontentamento une a todos. Também por um desejo de liberdade, parece que pairou bem isso.
    JC – Aqui começou com uma pauta específica que era o preço da passagem de ônibus.
    João Gilberto – E este assunto é que está tendo os resultados imediatos. Mas isso é algo que vai continuar. Que vai produzir efeitos a médio e a longo prazo que se vai conhecer mais adiante a real dimensão disso.
    JC – Analistas falaram em crise de representatividade política.
    João Gilberto – Acho que isso caracterizou o início do movimento. Uma grande sensação de descrédito da forma representativa política, e isto é um traço universal. Não é brasileiro. É universal. Está no Ocuppy Wall Street, está na Espanha, está na Primavera Arábe, em determinado momento, no momento inicial, ou seja, está muito forte.
    JC – A reforma política era uma das pautas?
    João Gilberto – Não estava em pauta essa reforma política, mas estava em pauta talvez a mais profunda das reformas políticas, que seria a reforma do próprio caráter da democracia, e isso está mexendo com as pessoas, só que sequer elas estão sabendo para onde querem ir. Elas estão sabendo o que não querem, mas não estão sabendo o que querem.
    JC – Por que há dificuldade de realizar a reforma política no Brasil?
    João Gilberto – Acho que a maior dificuldade, e que a mídia não alcança, é que há uma profunda divergência sobre os modelos políticos que os brasileiros querem ou não. É a mesma coisa que reforma tributária. É uma unanimidade. Faz uma pesquisa de opinião. “Quem é a favor da reforma tributária?” Dá 90%. Agora vê de qual reforma tributária. O cidadão quer pagar menos imposto, o município quer ter maior arrecadação, o Estado quer ter maior arrecadação, e a União quer no mínimo não perder a arrecadação. Então não tem uma proposta de reforma tributária que seja hegemônica, que tenha o apoio da opinião pública. Não tem. Eu diria que reforma política quase não tem, é pior que escalação da seleção brasileira. Não vai encontrar vários cidadãos brasileiros com a mesma ideia de reforma política.
    JC – Qual seria a sua ideia de reforma política?
    João Gilberto – Destes temas que estão em debate no Congresso são muito pontuais e não são uma grande reforma política. Mas considero, por exemplo, que o financiamento público de campanha vai ser um avanço no Brasil.
    JC – Por quê?
    João Gilberto – Porque a campanha tem um gasto elevado. Como é que alguém, um cara como João Gilberto, que está conversando contigo aqui, de onde é que vou ter patrimônio, bens, ou ter arrecadado entre os militantes de um suposto partido – hoje não participo de nenhum – que eu estivesse participando? Como é que vou arrecadar R$ 4 milhões numa eleição? Não vou. Vou depender de grandes empresas. Então, o cidadão hoje para ser candidato em um cargo desses, quer dizer, seria meu caso, para não atribuir a outras pessoas, eu teria que ceder, teria que transigir com coisas que não concordo.
    JC – E a sugestão de uma Constituinte para fazer a reforma?
    João Gilberto – Para começar, a Constituinte ou é uma Constituinte ou não é. Você fazer uma Constituinte, que exige uma palavrinha que é a ‘soberania’, limitada a um item da Constituição, uma parte da Constituição, é complicadíssimo. E eu tenho sempre citado, lá atrás, quando eu estava no Congresso Nacional, quando foi convocada a Constituinte, eu me afastei da Comissão que iria dar o voto convocatório, por ser defensor da Constituinte exclusiva.
    JC – Por quê?
    João Gilberto – A Constituinte eleita em 1986, instalada em 1987, eu queria que fosse exclusiva, como as entidades queriam. Todavia, uma conversa com o então candidato à presidência Tancredo Neves me deixou muita minhoca na cabeça para o resto da vida, e eu fui amadurecer depois que eu vi a Constituinte e vi a crise entre Constituinte e Executivo. Em certa ocasião, discutindo o tema com Tancredo, fui a ele para defender a Constituinte exclusiva, e ele contraditou: “quem administra uma crise entre dois colegiados: a Constituinte e o Congresso? É inadministrável. Uma crise entre governo e Constituinte é administrável. Agora, entre dois colegiados grandes, é inadministrável. Então, eu teria as seguintes alternativas: ou eu não elejo um Congresso e só funciona a Constituinte e o povo vai dizer: viu? O governo militar manteve o Congresso, ele fechou. Ou elejo o Congresso e a Constituinte e vai dar crise.” Aí ele fazia a defesa da Constituinte congressual.
    JC – Qual a lição?
    João Gilberto – Lembro que a Constituinte de 1987 fez uma norma que dava a ela poder para suspender qualquer ato da presidência da República. Isso é soberania. Ela podia anular qualquer coisa que entendesse que estava no caminho dela, impedindo, prejudicando. Isso é soberania. Agora, imagina uma Constituinte para fazer parte da reforma política e o Congresso paralelo. De repente a Constituinte diz que reforma política significa o Congresso: “Vou mexer”… O Congresso iria reagir de uma forma dramática. Acho que não é viável.
    JC – Há críticas de que as relações políticas entre Executivo e Legislativo se dão como um grande balcão de negócios, nos vários níveis, municipal, estadual, federal.
    João Gilberto – Acho que, em parte, isso aconteceu com o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Criamos uma espécie de presidencialismo de partidos, que não é da gênese do presidencialismo. O presidencialismo é um sistema que se sustenta na autoridade e na responsabilidade pessoal do presidente. Não pode ser na responsabilidade do colegiado.
    JC – Como?
    João Gilberto – Estamos com governos que são formados por indicações partidárias. É claro que governos de coalizão existem em várias partes do mundo, onde tem vários partidos, mas aqui no Brasil é o seguinte: o partido se reúne e decide “É o Pedro” para secretário municipal, estadual ou para ministro.
    JC – Todos acabam cedendo?
    João Gilberto – O Fernando Henrique tinha uma autoridade tal, um tal poder de convencimento, que ele conviveu com o Congresso, cedendo em algumas questões programáticas, especialmente para os liberais, coisas que ele pensava de um jeito, ele aceitou fazer de outro. Mas ele conseguiu compor isso por programas e conseguia cativar as pessoas. O Lula também entrou com muita força, mesmo assim de repente se revelou esse negócio do mensalão que foi um rolo. Outro (esquema de compra de apoio) teria acontecido no governo do Fernando Henrique, não sei, não ficou provado, mas os boatos existem, na história da reeleição. Em algum momento surgiu essa história aí do intercâmbio da base sendo alimentada com recurso etc. Mas eu acho que mesmo se Lula não tivesse feito isso, se segurava. Pela autoridade dele.
    JC – E a presidente Dilma Rousseff?
    João Gilberto – A Dilma é uma pessoa maravilhosa, só que não tem a força política de um Fernando Henrique ou de Lula. Não tem o traquejo, aquela coisa de cativar na conversa, no envolvimento, na articulação.
    JC – Qual a solução?
    João Gilberto – Vou voltar lá atrás. O Brasil não teria passado pelo que está passando, em termos de uma ação política tão minada por práticas irregulares, se dois primos tivessem se entendido. Primos ideológicos que se chamam PT e PSDB. A saída para governar o País da melhor maneira teria sido lá atrás, PT e PSDB juntos, partidos que eram altamente programáticos, podiam se ajustar, tinham até então, ambos, excelentes condutas, e eu estou dizendo lá atrás, quando começou o primeiro governo social democrata do Brasil.
    JC – O senhor defende a tese de que os governos do PSDB e do PT no País são a sequência de um programa social-democrata?
    João Gilberto – O Brasil vai completar, com a Dilma, 20 anos de governo social democrata, e eu acho que o saldo é positivo, mas tem problemas, e os problemas teriam sido menores, os resultados teriam sido melhores se tivesse tido este entendimento lá atrás. E assim como o PT guarda na sua história alguns grandes equívocos, como ter sido contra a eleição de Tancredo, ter votado contra o texto da Constituição – alguns dizem que eles não assinaram, mas assinaram, mas votaram contra a redação final. Eles empurram para a extrema direita, diante da opinião pública, qualquer força de centro-esquerda que vá dividir o campo político deles.
    JC – Como?
    João Gilberto – Já empurraram o Roberto Freire (PPS), o líder máximo dos comunistas nas décadas de 1970, 1980, no Brasil, é hoje de extrema direita, segundo eles. E estão empurrando agora o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), o próximo candidato a se transformar num líder direitista do Brasil. Lá naquela formulação, naquele preparo para a campanha do Fernando Henrique, onde eles não aceitaram estar juntos, e era essa a preferência, eles jogaram o PSDB para a extrema direita diante da opinião pública. O que me angusita muito no caso do PSDB, que me levou a me afastar dele, é que o PSDB, perdendo o debate diante da opinião pública, aceitou isso, mudou completamente. O PSDB era um belo projeto de centro-esquerda.
    JC – O PSDB acabou se afastando de sua gênese?
    João Gilberto – Não tenho dúvidas. Acho que todos os grandes partidos do Brasil, infelizmente.
    JC – E aqui, no Rio Grande do Sul, o PSDB viveu uma crise interna particular…
    João Gilberto – É, o PSDB aqui hoje vive um cenário que eu não quero analisar porque não sou mais do quadro.
    JC – O senhor se afastou por que exatamente?
    João Gilberto – Pelo que eu terminei de dizer lá antes. Porque o PSDB aceitou a descaracterização que o PT fez com ele. Então, foi ficando uma coisa. Eu sou um cara de esquerda. E sou uma figura em extinção, porque sou um cara da esquerda não petista do Brasil, que é uma coisa que não é vista. E hoje, no quadro que há no Brasil, ou você é petista ou é anti-petista. Eu não sou nem uma coisa nem outra. Não sou anti, gosto de vários, tenho amigos e sou capaz de colaborar com ideias ou iniciativas com o PT, não tem nenhum problema, considero eles meus primos.
    JC – Pensou em integrar outro partido?
    João Gilberto – Não, porque eu não vejo para onde ir e nem como eu posso participar.
    Perfil
    João Gilberto Lucas Coelho, 68 anos, é natural de Quaraí. Radicado em Santa Maria, cursou Direito na faculdade que depois viria a integrar a Universidade Federal de Santa Maria. Iniciou sua vida política no movimento estudantil, atuando na resistência contra a ditadura. Em 1972, elegeu-se vereador pelo MDB. Dois anos depois, foi para a Câmara dos Deputados, sendo reeleito em 1978 e 1982.
    Em 1986, concorreu ao Senado. Atuou no Centro de Estudos e Acompanhamento da Constituinte da Universidade de Brasília (UnB), onde lecionou por três anos, e foi consultor no Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
    Em 1988, participou da fundação do PSDB, integrando a direção nacional por diversas vezes. Voltou ao Rio Grande do Sul em 1990 para ser o vice na chapa de Alceu Collares (PDT) ao governo do Estado. Depois de sua gestão (1991-1994), quando também foi secretário de Ciência e Tecnologia, atuou no governo de Antonio Britto (PMDB) como secretário da Metade Sul. Foi presidente estadual do PSDB. Afastou-se da vida partidária nos anos 2000.

  • Revista Já Energia: Editora publica primeira edição de série especial

    Lançada em maio, a Revista Já Energia traz o tema “Energia para Crescer”, abordando os desafios e estratégias para sustentar o crescimento da economia gaúcha. Confira na íntegra a primeira publicação da Editora Jornal Já da série especial Desenvolvimento do Rio Grande do Sul….
    Desafios e estratégias para sustentar o crescimento da economia gaúcha
    O maior desafio ao crescimento sustentável é a produção de energia. Impossível crescer sem energia. Quais são as demandas no Estado? Quais são as fontes disponíveis? Qual é a matriz atual? O que tem que mudar? Qual o custo ambiental? Quais os avanços na redução dos impactos?
    Carvão, vilão ou solução?
    O carvão aparece como o vilão ambiental quando se trata de fonte energética. Tem impacto na lavra, tem impacto no transporte, tem impacto na queima. No entanto, é a maior reserva de energia disponível. São 32 bilhões de toneladas, mais de 80% no Rio Grande do Sul. Qual o uso do carvão, hoje? Qual o seu papel na matriz energética? Até onde ele pode ir sem comprometer o ambiente? O que a tecnologia está fazendo para mitigar os impactos?
    Hidrelétricas: onde está o limite?
    É a principal fonte atualmente no Brasil e no Estado, mas tem suas limitações. Qual é a potência instalada hoje no Estado? Qual é o potencial medido? As PCH (pequenas usinas) podem se multiplicar? Quais os grandes projetos já previstos?
    Outras fontes térmicas
    O óleo combustível também carrega pesado ônus ambiental. Mas ainda é importante como energia complementar. O gás tem baixo impacto, mas vem de longe, de fonte externa. Outras alternativas.
    Energias alternativas
    Nos últimos cinco anos, a energia eólica saiu da fase experimental para tornar-se uma realidade na matriz energética. Os parque se multiplicam, a tecnologia avança rapidamente. As outras fontes limpas, como a energia solar, qual é o horizonte delas?
    Confira:
    Revista JA ESPECIAL ENERGIA – MAIO 2013

  • Bloco de Lutas pelo Transporte Público permanece na Câmara de Porto Alegre

    Uma centena de pessoas do Bloco de Lutas pelo Transporte Público passou a segunda noite consecutiva no plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre, que eles agora chamam de Câmara Popular. A ocupação se repete nos legislativos de Passo Fundo e de Santa Maria.
    Em São Leopoldo, ontem à noite, houve desentendimento entre os cerca de 150 manifestantes acampados em frente à Câmara, que foram expulsos. Duas pessoas seguiram de ambulância para o Hospital Universitário.
    Em Porto Alegre, os ocupantes da Câmara farão nova assembleia no final da manhã desta segunda-feira, para decidir se vão apresentar um projeto de lei instituindo o passe livre. Também querem abertura de contas das empresas de transporte, com auditoria, e há quem fale em encampação das concessionárias pelo poder público.
    A última assembleia foi ontem à noite. Nas assembléias, participa quem vier, fala quem se inscrever. Volta e meia, vem o lembrete para não deixar lixo esparramado, cuidado para não pisar nas flores! Ao final, pediram que permanecesse só que tinha vindo para “ocupar”. Foram atendidos. “Aqui não vai rolar uma festa, nós estamos aprendendo a fazer, agora temos que cuidar do espaço e da segurança”.
    Eles fazem sua própria segurança. Na portaria, quatro guardas acompanham o vaivém e a triagem que decide quem entra ou não. Um dos guardas pede: “Preciso que um de vocês fique aqui, senão vou ter que fechar o portão e vai dar um revertério”.
    Só conhecido
    Já os que vão ‘ocupar’ o plenário da casa precisam ser identificados. Não com documentos, mas conforme as indicações de confiabilidade. Só entra quem é conhecido ou conhece alguém que já entrou. “Esse é da Biologia”, avisa alguém de dentro para tutelar a entrada do que está fora.
    Eles não querem a imprensa. Mas a divulgação não é bom pro movimento? “É, mas eles editam o que a gente diz, distorcem tudo.” Então também fazem a própria divulgação, pelos canais da internet www.postv.org e Mídia Ninja. Depois do passe livre, vão brigar pela regulação da mídia.
    O movimento, criado em Porto Alegre durante o Fórum Social Mundial de 2003, é tão informal quanto organizado. Não despreza a democracia representativa, e sim a sua inoperância no atendimento das demandas populares. Tanto é que estão no Plenário. Exigem apenas que os parlamentares os representem de fato, respaldados pelas manifestações de junho.
    Aos de fora que quiserem ajudar, pedem pão e água, frutas, sucos e café, copos, talheres, muitos panos, sacos de lixo e material de limpeza. Querem deixar a casa em ordem. Ocupação é diferente de invasão.
    Na entrada do plenário, sob a placa metálica que registra que o auditório foi reinaugurado em 2 de janeiro de 1995, foi colada uma folha de papel onde está escrito à mão: “reinaugurado em 10 de julho de 2013”.

  • OAB-RS lança movimento pela Saúde

    No lançamento do movimento “Movimento Saúde Rio Grande– Um Milhão de Razões para Cumprir a Lei”, liderado pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Rio Grande do Sul, em conjunto com 10 entidades ligadas à área da saúde, o presidente da OAB/RS, Cláudio Lamachia, disse que se o Governo do Estado já esgotou as possibilidades para aplicar 12% de sua Receita Líquida em saúde pública via gestão de recursos e não consegue cumprir suas obrigações, deve buscar a renegociação de sua dívida com a União.
    No evento, no final da manhã desta terça-feira(3) na sede da OAB/RS, com a presença de aproximadamente 200 representantes de entidades e advogados, Lamachia lembrou que a dívida do Estado com a União consome por ano mais de R$ 2 bilhões do orçamento gaúcho.
    O movimento busca assegurar a Lei Complementar 141/2012, que determina a aplicação imediata de 12% por parte do Estado, em recursos destinados à saúde pública, ou seja, regulamenta a Emenda Constitucional nº29/2000. Esta norma estabelece, entre outros pontos, os valores mínimos e o rateio dos recursos a serem aplicados anualmente pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios em ações e serviços públicos de saúde.
    Ao longo dos meses de abril, maio e junho, integrantes do movimento irão percorrer as cidades de Pelotas, Passo Fundo, Alegrete, Santa Rosa, Caxias do Sul e Santa Maria. O objetivo é colher um milhão de assinaturasque a serem encaminhadas ao governador do Estado, mostrando que os gaúchos querem a imediata destinação adequada de recursos na saúde, através do cumprimento da Lei.
    Lamachia lembrou, ainda, da campanha nacional que vem sendo promovida pelo Conselho Federal da OAB, juntamente com a Associação Médica Brasileira (AMB) e demais entidades que integram a Frente Nacional por Mais Recursos para a Saúde.
    A iniciativa defende o anteprojeto de Lei de Iniciativa Popular que busca alterar a Lei Complementar 141/12 – que regulamentou a Emenda Constitucional 29 (no que diz respeito ao sub financiamento do SUS) – e tornar possível que 10% da receita bruta corrente da União passe a ser investido exclusivamente na saúde pública.
    Na avaliação da Frente Nacional por Mais Recursos para a Saúde, somente com percentuais fixos de destinação de recursos para a saúde será possível garantir o atendimento no Brasil. O artigo 196 da Constituição Federal estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado.
    Entidades que integram o Movimento Saúde, Rio GrandeCumpra-se a Lei: Além da OAB/RS, Federação das Santas Casas; Cremers; Famurs;Simers; Sindisaúde; Abrasus; Amrigs; CRA/RS; Fehosul; e Feessers.