Começaram pela pintura artística do tapume as atividades o Instituto Zoravia Bettiol na sua futura sede, a Casa dos Leões, uma construção tombada e deteriorada na rua dos Andradas.
O Izobe recebeu da Prefeitura a permissão para uso do palacete no dia 22 de março e convidou três escolas da cidade para participar.
A primeira a fazer sua intervenção foi uma turma da Escola Municipal de Ensino Fundamental de Surdos Bilíngue Salomão Watnick, no dia 20 de abril.
Depois veio a EPA, escola Meninos e Meninas de Rua do Centro. Por fim, dia 18 de maio será a vez do projeto Cidade das Crianças.
Além da preservação, pesquisa e difusão do acervo de Zoravia, o Izobe pretende incentivar manifestações de arte contemporânea e promover ações educativas e pedagógicas. Ali serão desenvolvidos projetos expográficos, editoriais e de pesquisa, cursos de formaçãoo artística, oficinas, seminários e workshops.
O Instituto é resultado da iniciativa conjunta de Zoravia Bettiol e quatro arquitetos que, nos últimos três anos, elaboraram o projeto do Instituto. A trajetória da artista, a última viva de sua geração, sempre envolvida com causas sociais e com a defesa do patrimônio cultural e ambiental, pautou todo o projeto.
A próxima fase, a ser cumprida este ano, é orçar a recuperação do palacete para então partir para a captação de recursos para a restauração do imóvel. “Não vai ser fácil, pela atuação contestadora de Zoravia, atrair apoiadores”, prevê a arquiteta Lídia Fabrício, diretora técnica do Izobe.
Segundo ela, o mais urgente agora é consertar uma parte do telhado, nos fundos, para impedir que a chuva agrave a situação do imóvel.
Autor: da Redação
Casa dos Leões vai abrigar o Instituto Zoravia Bettiol
Zoravia com os estudantes surdos durante a primeira pintura no tapume/Divulgação/Izobe O telhado precisa de conserto urgente /JÁ As pinturas feitas pelos estudantes usam obras de Zoravia como referência Batalha do Brooklin: novo ponto cultural vive conflito entre moradores e frequentadores
Matheus Chaparini
Conhecido e frequentado nos últimos anos em função de batalhas de rap ou de poesia falada – os slams – o Viaduto Imperatriz Dona Leopoldina, rebatizado popularmente de Brooklin, ganha agora visibilidade em função de outro conflito bem menos poético.
Um grupo de moradores, incomodados com o som alto nas madrugadas, organizou um abaixo assinado – com cerca de 80 assinaturas – e procurou o Ministério Público, para mediar o conflito. Um inquérito foi aberto no final do ano passado e uma primeira audiência foi realizada em março. Em resposta, outro abaixo assinado foi criado “em defesa do Brooklin”, reunindo assinaturas de frequentadores dos eventos.
A ocupação do viaduto começou através de skatistas que passaram a praticar o esporte no local, então pouco utilizado e com grande incidência de assaltos. De forma autônoma, foram construídas rampas e outros obstáculos transformando o espaço em uma pista de skate frequentada diariamente. Em seguida, o local foi descoberto por produtores e pela boemia da cidade e tornou-se reduto de samba, cumbia, forró, rap, poesia, feiras e afins. E o movimento repercutiu na imprensa.
Ao chegar de viagem em uma terça-feira, o morador e comerciante Rafael Dei Svaldi se deparou com uma matéria do jornal Zero Hora que apresentava dois novos redutos do samba na capital – Brooklin e o viaduto Otávio Rocha, na Borges de Medeiros. Indignado, escreveu um e-mail para o jornal, reclamando que a matéria não ouvia os moradores insatisfeitos nem citava a situação que já havia chegado ao MP. Outra matéria foi publicada, com este enfoque. Desta vez, a reação veio do outro lado e o conflito de vizinhos ganhou uma dimensão bem maior.
Moradores reclamam do abandono do poder público
Rafael mora e trabalha em um imóvel na rua Sarmento Leite desde 1994 e diz não conseguir dormir ou trabalhar às madrugadas em função do barulho. Proprietário da loja Nerdz, ele afirma ter tentado negociar o horário com realizadores de eventos alguma vezes sem sucesso. “Agora não existe mais, de nossa parte, a intenção de negociar”, afirma.
Além do barulho, outras reclamações por parte de moradores dizem respeito à urina em frente aos imóveis e pichações. Até a permissão ou não para estacionar automóveis gera atritos. O viaduto fica no encontro da avenida João Pessoa com a rua Sarmento Leite. Parte da área é rua, ainda que sem trânsito, parte é viaduto e parte é o largo Archimedes Fortini.
Segundo Rafael, ao longo dos anos foram várias as tentativas dos moradores de se fazer melhorias no local. “Nunca esteve abandonado pelos moradores, e sim pela Prefeitura”, afirma. Proprietária do edifício da esquina, onde estão alguns estabelecimentos, como a Bugio Discos e o Espaço Cultural Lechiguana, Ivone Mendina de Morais chegou a propor em 2016 para a então Secretaria do Meio Ambiente a adoção da praça.
Um projeto chegou a ser feito e o custo de manutenção era de aproximadamente dois mil reais mensais. Como contrapartida, ela pedia que a Prefeitura acabasse com as festas na madrugada. “Não temos apoio de órgão nenhum. Tenho interesse em investir no local, mas a contrapartida é só uma foto com o prefeito. Que contrapartida é essa?”
Duelo de abaixo assinados
Um movimento em defesa da realização de eventos no local foi puxado pelo grupo Encruzilhada do Samba, que desde o início do ano realiza suas rodas todas as terças em frente ao Lechiguana. Foi criado um abaixo assinado “em defesa do Brooklin”. Na primeira noite foram coletadas 495 assinaturas. A escolha do local, segundo Diego Silva, integrante do Encruzilhada, deu-se em função de já ser um espaço cultural estabelecido da cidade e pelas características favoráveis. “É amplo, tem uma área coberta, embaixo do viaduto, e não tem muito prédio, então não tem tantas pessoas que possam se sentir incomodadas.”
O bar Lechiguana, que realiza alguns eventos, como a roda de samba da terça-feira, está em contato com a SMIC para regularizar sua situação. Atualmente, a casa funciona com alvará provisório, mas Márcio Andrei, sócio do estabelecimento, garante que o definitivo já está processo junto à secretaria. Ele defende que as atividades realizadas pelo estabelecimento não são as de maior impacto. “Não somos só nós que fazemos eventos aqui, são diversos grupos”, afirma.
Este é outro empecilho ao diálogo entre as partes. São diversos moradores com suas reclamações e, de outro lado, são muitos os grupos que realizam atividades no local. Para tentar reunir estes grupos, uma reunião foi marcada para esta sexta-feira, a partir das 18h, no Largo Zumbi dos Palmares.
“É um espaço cultural que surgiu espontaneamente, porque há uma demanda por isso. Claro que tem que ter organização, criar regras. Precisamos achar maneiras de continuar utilizando o Brooklin em harmonia com as pessoas que moram ali”, conclui Diego Silva.
MP cogita desmembrar inquérito
Em função da grande quantidade de partes envolvidas, o Ministério Público não descarta desmembrar o inquérito. A promotora do Meio Ambiente, Ana Maria Marchesan, explica que a investigação ainda está em fase inicial e que o objetivo é colher a maior quantidade de informações. O inquérito foi instaurado em 30 de janeiro. A promotora definiu a mediação como “complicada, mas possível”. “Como tudo, tem um lado bom e um lado ruim. Tem o lado de revitalizar a área, mas por outro lado tem a perturbação do sossego”.
Para Ana Maria Marchesan, a principal dificuldade é a grande quantidade de partes envolvidas. “Não afasto a possibilidade de vir a desmembrar, tratar em inquéritos separados. Um inquérito tratando só de um bar, outro para determinado tipo de evento, por exemplo”, explica.Juiz Terra rejeita recurso da PGE para extinguir Zoobotânica
Cleber Dioni Tentardini
O juiz Eugênio Couto Terra, da 10ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre, negou na quinta-feira, 26 de abril, recurso da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) contra a sua decisão, em caráter liminar, proferida no dia 31 de dezembro de 2017, que protege o Jardim Botânico e o Museu de Ciências Naturais, duas das três instituições vinculadas à Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
A PGE apresentou “embargos declaratórios”, sob a alegação de que não teria sido notificada do inteiro teor da decisão no dia 9 de janeiro de 2018, vindo a ser intimada somente em 10 de abril de 2018.
O magistrado considerou improcedente a argumentação dos procuradores do Estado. Confere o despacho do juiz Eugênio Terra: Recebo os embargos declaratórios opostos pelo Estado do Rio Grande do Sul por tempestivos. No entanto, no mérito, não merecem acolhimento. Não prospera a inconformidade vertida no recurso porquanto não há que se falar em omissão, obscuridade ou contradição na decisão agravada (..). O ERGS, na pessoa do Procurador-Geral do Estado, foi devidamente intimado em 09/01/2018, conforme certidão de fl. 1269v.. Nessa oportunidade, tomou ciência quanto ao teor da decisão (e da necessidade de seu cumprimento), tendo acompanhado o mandado, efetivamente cumprido pelo Oficial de Justiça, cópias da inicial, do despacho que deferiu a liminar e ordenou a citação. Cabe ressaltar que em 10/04/2018, começou a correr o prazo para fins processuais (contestação, interposição de recurso, etc.) do ERGS, pois tal data refere-se à juntada do mandado de citação nos autos, nos moldes da fl. 1268v. Todavia, desde 09/01/2018, o ERGS teve conhecimento material da decisão liminarmente proferida e ficou obrigado a atendê-la. Logo os embargos devem ser desacolhidos.
Liminar protege patrimônio material e imaterial
O magistrado acolheu parcialmente a liminar, de iniciativa da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, impedindo o governo do Estado de transferir a gestão do Museu e do JB para a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA) e de se desfazer de qualquer bem, móvel, imóvel e plantas, animais e fósseis que constituem o patrimônio material das instituições, e não poderá cancelar convênios e contratos com instituições públicas ou privadas até que a SEMA apresente “de forma detalhada e clara” como manterá o patrimônio e a qualidade dos serviços das duas instituições. O prazo para apresentar o plano de ação foi de 180 dias, a contar do dia 9 de janeiro.
Determina ainda que o governo providencie o conserto do muro que faz a divisa com a Vila Juliano Moreira, em um prazo de 120 dias, sob pena de multa de R$ 2,5 mil por dia de atraso.Novo projeto do IPTU prevê isenção para 160 mil imóveis em Porto Alegre
Uma nova proposta para revisar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em Porto Alegre já está na Câmara.
As mudanças introduzidas levaram em conta críticas dos vereadores e entidades de classe à proposta votada e derrotada no ano passado.
O projeto foi apresentado na manhã de quinta-feira (26), com outros projetos estruturais que, segundo o prefeito, buscam aumentar receitas para equilibrar as contas da Capital.
A revisão do IPTU é necessária não apenas para aumentar a arrecadação, mas por uma questão de justiça fiscal, aumentando o imposto dos imóveis mais caros e reduzindo ou mesmo isentando as moradias populares.
Foram criadas novas faixas com alíquotas diferentes, de acordo com o valor do imóvel, além das já previstas anteriormente.
As seis faixas do projeto original, foram ampliadas para com oito, indo de imóveis até R$ 60 mil (isentos) a aqueles que custam mais de R$ 3 milhões (alíquota de 0,85%).
Com isso, será menor o número dos contribuintes das faixas de imóveis com alíquotas mais altas.
Pelo projeto do ano passado, 59% os imóveis que teriam aumento de IPTU. A nova proposta que está na Câmara esse percentual é de 57%.
Na outra ponta, o percentual de contribuinte isentos que seria de 41%, agora serão 43% pela nova proposta.
“Hoje, 100 mil imóveis estão isentos de IPTU. Pela nova proposta, serão 160 mil com isenção, principalmente moradores de bairros periféricos. Quem tem propriedades mais valiosas é que vai pagar mais”, conforme o secretário municipal da Fazenda, Leonardo Busatto.
O reajuste médio é de 14% e, se o projeto for aprovado, que passa a valer a partir de 2019.
O governo estima que a arrecadação, no primeiro ano de IPTU revisado, será de R$ 70 milhões.
O valor é menor que o avaliado no ano passado, quando oito em cada 10 imóveis teriam aumento de 25%, o que levaria a uma arrecadação de R$ 90 milhões.
Para Busatto, é praticamente consenso que a planta de IPTU da cidade precisa ser revisada. Ela não é atualizada desde 1991. Porto Alegre, segundo o secretário, é capital que há mais tempo não atualiza a planta de valores do imposto.
Redução para imóveis comerciais
Outra novidade do novo projeto é uma redução temporária de imposto para os imóveis comerciais no Centro Histórico.
A proposta prevê redução de 25% no imposto a ser pago durante quatro anos, até 2022. A ideia é, com uma alíquota menor, dar tempo de a economia reagir e, assim, contribuir para a valorização dessa área.
Parte de um conjunto de 13 propostas que foram apresentados pela prefeitura à Câmara, a revisão do IPTU vai tramitar em regime de urgência, trancando a pauta de votações em 45 dias. O governo pretende, assim, votá-las antes do recesso parlamentar de julho. A oposição já adiantou, porém, que precisa discutir cada proposta, e que a apreciação desses projetos não vai ser tão rápida nem tão simples.
Confira as alíquotas propostas para imóveis residenciais, pelo novo projeto do IPTU
Imóveis até R$ 60 mil – isentos
de R$ 60 mil a R$ 100 mil – 0,40%
de R$ 100 mil a R$ 300 mil – 0,47%
de R$ 300 mil a R$ 500 mil – 0,55%
de R$ 500 mil a R$ 750 mil – 0,62%
de R$ 750 mil a R$ 1 milhão – 0,70%
de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões – 0,77%
acima de R$ 3 milhões – 0,85%
A alíquota vigente é de 0,85% sobre o valor de todos os imóveis
Especialistas afirmam que educação e cultura inclusivas são fundamentais na reconstrução da nação brasileira
WALMARO PAZManter a ignorância do povo e a consequente submissão sempre foi o ideal das elites brasileiras em relação a educação e a cultura. Esta foi a conclusão unânime dos palestrantes do quarto Painel do seminário ” Desenvolvimento Nacional, Dilemas e Perspectivas” que aconteceu na noite de terça-feira ,24/04, no Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. “Não foi por acaso que o País só teve uma universidade com a criação da Universidade de São Paulo , em 1935, enquanto nos países hispano-americanos elas existem desde o incio da colonização , no século XVI”, afirmou Helgio Trindade, ex- reitor da UFRGS e da Unila.A pedagoga Jaqueline Moll (UFRGS); o cientista político Hélgio Trindade, o sociólogo da UFCE, César Barreira e o cineasta e ex-presidente da Ancine, Manoel Rangel foram os apresentadores e a mediação foi do presidente da Sociedade de Economia, Mark Kuschick.Jaqueline Moll destacou que o país ainda não é uma nação e tem vivido apenas momentos de erupção democrática em meio a grandes períodos autoritários, o que tem a ver com a falta de uma educação básica e com o silenciamento imposto ao povo. “Cada vez que o Brasil consegue pensar a educação em todas as suas pontas, temos uma ruptura democrática. Não é a primeira vez que isso acontece”, disse.
Lembrando Darcy Ribeiro, ela disse que “o projeto das elites sempre foi manter povo à margem dos processos de conhecimento” e que a reforma do ensino médio de Temer “foi uma resposta à ousadia de Lula, que incluiu, na emenda constitucional 59, a obrigatoriedade da educação dos 4 até os 17 anos”.
Moll colocou como um dos principais problemas da educação a exclusão das crianças e jovens pelas suas condições sociais. “A escola de educação básica ainda é tardia, excludente, discriminadora, silenciadora e vertical”.
De acordo com a educadora, os principais desafios hoje é tornar a educação, de fato, universal, estabelecendo estratégias de manutenção das crianças na escola; a permanência com aprendizado significativo; a desnaturalização do fracasso; a melhora nas condições de trabalho e salário dos professores e profissionais; a democratização do ambiente escolar; o diálogo com as culturas infantis e juvenis contemporâneas; a sintonização com a revolução científica e tecnológica em curso; a ampliação da jornada escolar para universalização da educação integral; a melhoria na infraestrutura escolar e a efetivação da educação pública como tarefa estrutural para o projeto de desenvolvimento nacional.
“Precisamos fazer uma resistência gentil para construirmos um país e uma escola em que todos caibam”, colocou.
Expansão da educação superior
O ex-reitor da UFRGS e Unila, Helgio Trindade, remontou à formação do país para retratar o atraso da chegada da universidade no Brasil em relação a outros países da América Latina. Hoje, explicou, mesmo com os avanços dos governos Lula e Dilma, 75% das matrículas universitárias do país ainda estão
nas mãos do setor privado e lamentou o “desmonte da política pública que foi a mais ousada e consequente de expansão das universidades da história republicana” iniciada com Lula.
O ex-reitor destacou que tal política de ensino superior do governo Lula teve como base pontos como a expansão e interiorização da universidade; a ampliação do acesso e da permanência do estudante, via Enem, ProUni e cotas; a melhoria da qualidade acadêmica, com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior e a autonomia das universidades.
“O financiamento chegou no fundo do poço com FHC, Lula recuperou progressivamente esse financiamento e após três anos, recuperou o que havia sido perdido e ampliou. Agora, vivemos um drama no qual as universidades voltam à estaca zero”.
Trindade tratou também da expansão indiscriminada de instituições privadas de ensino superior de qualidade questionável, destacando que “a área da educação superior é uma das mais lucrativas do país” e que “a regra hoje é majoritariamente ter lucro”. Neste sentido, explicou que a instituição universitária “está em crise no mundo”, influenciada pela onda neoliberal. “As universidades deixaram de ter interesse na sociedade e se articularam com o mercado”, gerando o que chamou de “capitalismo acadêmico”.
Trindade finalizou sua apresentação dizendo que “a recuperação da universidade é uma micro-utopia pela qual é possível re-encantar o mundo”. No que diz respeito ao Brasil, disse que “refazer este tecido não se resolverá em uma geração, nem na próxima eleição; será um processo longo e lento a envolver gerações que compreendam a importância de reconstruir a democracia”.
Cesar Barreira, da Universidade Federal do Ceará, trouxe a experiência da expansão no Nordeste e destacou que “a educação foi aniquilada por uma elite que se apropria da educação como parte do processo de dominação”. Ele lembrou que o processo de reestruturação e ampliação da educação superior do governo Lula “possibilitou que filhos das favelas, hoje, possam ser doutores”.
Barreira também falou sobre a educação básica, enfatizando a necessidade de tornar a escola mais atraente e combater a evasão. “Hoje, a escola disputa os jovens com o tráfico”, disse. Para ele, “a ampliação das escolas em tempo integral, que transmitam conhecimento e também valores éticos, provavelmente seria um grande aporte para a redução da violência”.
Entrelaçamento entre educação e cultura
Por fim, o painel contou com a apresentação do cineasta Manoel Rangel. Ele destacou que educação e cultura foram apartadas pela institucionalidade brasileira e que ainda não foi reparada.
Segundo Rangel, na área da cultura, “nossos melhores momentos são aqueles em que o projeto de nação se colocou e se firmou frente aos interesses estrangeiros”. Ele destacou a gestão Capanema, anos 1930-40, os anos 1970 e a gestão Gilberto Gil como “três grandes momentos de construção de projetos de nação, onde a cultura estava inserida, com muitas contradições e conflitos: a primeira e a segunda, sob a marca de regimes ditatoriais; a última, profundamente popular e radicalmente democrática na sua experiência ainda que incompleta em sua realização”. Para ele, é fundamental que o país possa aproveitar os avanços dos governos populares para construir a política cultural futura.
Na gestão de Gilberto Gil, “se produziu uma síntese contemporânea” de nossa cultura, disse, firmada em três eixos: a ideia da cultura como um símbolo, reforçando o reconhecimento do Brasil perante o mundo e para nós mesmos; a dimensão da cidadania, de maneira que todos os brasileiros tenham condições de expressar sua produção artística e cultural, “fugindo de visão antiga de belas artes que segrega artistas e criadores de cultura em geral”, e a dimensão econômica, como forma de assegurar a produção artística e cultural para geração de emprego, renda e divisas. De acordo com Rangel, a cultura precisa ser encarada como “uma das dimensões necessárias a um novo projeto nacional de desenvolvimento”.
Rangel destacou os Pontos de Cultura, o Cultura Viva, a política de cinema “que ousou enfrentar o monopólio EUA de distribuição do áudio visual”, as políticas de valorização dos museus e dos patrimônios materiais e imateriais, de direitos autorais, o Vale Cultura, entre outros, como aspectos destacados da gestão de Gil.
Rangel abordou recentes ataques à liberdade de expressão artística — como à exposição Queer Museu, em Porto Alegre, e à performance no MAM, em São Paulo — como retrocessos inimagináveis no contexto democrático pós-ditadura. Também destacou que hoje “os gestores federais abriram mão de uma política cultural engajada no desenvolvimento do Brasil como criador e distribuidor de cultura, submetendo nossos artistas a empresas estrangeiras, renunciando a função reguladora da política pública como no terreno da cultura e da educação”.
Para ele, um novo projeto nacional de desenvolvimento inevitavelmente virá. “Nosso desafio é construi-lo desde já, sonhando, superando divergências, unificando diagnósticos e projetos para unir a maioria do Brasil neste sentido e, assim, ir abrindo caminho em meio à escuridão”. E destacou que “a arte e a cultura têm papel enorme nessa resistência” e também na fase de reconstrução do país e da nossa cultura.
Rangel finalizou sua falando colocando que “o povo brasileiro, na sua maneira silenciosa e surda de resistir e de se opor, continua infundindo um profundo terror às classes dominantes brasileiras e é por isso que prendem Lula e fazem questão de mante-lo distante das urnas porque Lula é a expressão silenciosa da resistência, da revolta e do desejo do povo de enfrentar os inimigos e a classe dominante”.
Há 54 anos… A mais longeva ditadura de nossa história
O clima de hoje lembra o vivido nas vésperas do golpe de 1964, que dividiu o país e abriu espaço para a violência. Antes da ruptura, a conflagração
Completaram-se, no último 1º de abril, 54 anos da implantação da mais longeva ditadura de nossa história, com todo o seu acervo de tragédias sociais e individuais, e profundo atraso político. Suas consequências ainda se fazem sentir, pois estão na raiz dos dramas de nossos dias, cujo desfecho não podemos divisar: em alguns momentos a ‘luz no fim do túnel’ nos enche de esperanças; noutros sugere um trem na contramão.
Lamentavelmente, os regimes autoritários e as ditaduras não são fenômenos estranhos à República, marcada por insurreições militares e golpes de Estado, manifestações exacerbadas de um autoritarismo larvar cujas fontes remontam à Colônia e ao escravismo de séculos, construtor da ideologia da casa-grande, profundamente presente em nossa vida política e em nossa vida social, e mesmo nas relações interpessoais.
A própria República é obra de um golpe de Estado construído na caserna, e sua consolidação fez-se dependente de outro golpe, sustentado pela espada de Floriano Peixoto. Assim se firmou a República oligárquico-agrária, sem povo e sem eleitores, que sobreviveria até a ‘revolução de 1930’. Antes, porém, viveria o país a insurreição de 1922 (Levante do Forte de Copacabana), e os dois 5 de julho que desembocariam na Coluna Prestes (1924).
E, na sequência de 1930, o levante paulista de 1932, o levante comunista de 1935, a implantação da ditadura do ‘Estado Novo’, o putsch integralista de 1938 e, fechando o ciclo, o golpe que detonou a ditadura e levou Vargas para seu exílio na estância Santos Reis em 1945.
É a história do ‘tenentismo’ que se estende até o regime de 1964, quando seus líderes já eram generais, almirantes e brigadeiros. No seu currículo constam ainda a deposição e suicídio de Vargas em 1954, o golpe e contragolpe de 1955, a crise de 1961 e a implantação casuística do Parlamentarismo, de vida breve. A história da República tem sido a história da preeminência dos militares sobre a política e a vida institucional.
O clima de hoje muito lembra aqueles vividos nas vésperas do golpe de 1964, dividindo o país e abrindo espaço para a violência. É sempre assim. Antes da ruptura propriamente dita, a conflagração. Os conflitos exacerbados em 1963 foram a preparação ideológica da ditadura militar.
Os anos difíceis que se instalam com as jornadas de 2013, de que se apropriou a direita com seu aparato midiático, abrem as rotas que levariam ao golpe de 2016 e à instauração do regime de exceção jurídica que não sabemos se será declarado perempto com as eleições de 2018. O precedente histórico não é animador.
Esse viés autoritário, cultivado pela casa-grande desde a Colônia, é servido à população pelos aparelhos ideológicos do Estado a serviço dos interesses de nossas elites perversas. Nesta faina destaca-se o papel dos meios de comunicação de massa, a quem se pode tributar, hoje, a maior responsabilidade pelo clima de violência que pervade a política.
Em 1964 os militares e seus associados – na política e no ‘mercado’– encerraram o ciclo da Constituição democrática de 1946, enquanto a consolidação do impeachment de 2016 declarou perempto o ciclo iniciado com a ‘Constituição cidadã’ de Ulisses Guimarães, que culminara com a ascensão e queda do lulismo.
Talvez sejam os dias correntes a boa oportunidade para tentarmos antecipar o que podem ser os tempos vindouros. As lições colhidas dos fatos que não se repetem podem orientar estratégias e corrigir táticas, principalmente quando o distanciamento histórico favorece a análise fria.
Naqueles anos hoje distantes, os anos do pré-golpe e do golpe de 1º de abril, poucos viram para além da superfície, e assim muitos ignoraram a conspiração que se desenvolvia nos subterrâneos da caserna em interlocução com a ordem econômica, o Congresso e os meios de comunicação, para logo estampar-se à luz do dia.
De outra parte, uma vez mais, a continuidade e segurança do governo popular se havia deslocado das ruas para os acordos políticos de cúpula. O povo continuava percebido como elemento tático numa estratégia que se resolveria fora das ruas.
Não obstante os elementos fornecidos pela realidade palpável, não eram poucos, então, os que transferiam da mobilização popular para o ‘dispositivo militar do general Assis Brasil’, chefe da Casa Militar de Jango, a defesa do governo, das ‘reformas de base’ e da ascensão das massas.
Nesta linha pontificava o antigo capitão Luiz Carlos Prestes, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro.
No dia 17 de março de 1964, para uma plateia que lotava o auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o antigo Cavaleiro da Esperança, após dissertar sobre ‘a formação popular do Exército brasileiro’, anunciou, com o respaldo de sua biografia, a impossibilidade de um golpe militar no Brasil. E quando este se efetivou, muitos o viram como ‘apenas mais uma quartelada’, como as outras que haviam pontuado a República de 46. Passaria logo.
A história que se segue é conhecida.
Do golpe de 1964 muito se pode afirmar, menos a surpresa, defendido que foi abertamente pela grande imprensa, preparando sua recepção e animando as manifestações dos adversários do governo e de suas teses.
O pretenso combate à corrupção de 2013-2016 era, em 1963-1964, a denúncia de suposta corrupção e de infiltração comunista no governo João Goulart, dando conta das conspirações de toda ordem, militares e civis igualmente conjurados, e, hoje documentalmente comprovada, a arquitetura do Departamento de Estado dos EUA, para quem Goulart, se não era comunista, estava a serviço do comunismo, o que dava no mesmo, segundo Washington. Vivíamos o auge da Guerra Fria e poucos meses nos separavam da crise dos mísseis estocados em Cuba pela União Soviética, incidente que por muito pouco não nos levou ao suicídio nuclear.
A conspiração, aliás, já se iniciara e era visível desde a posse de Goulart, como em suas memórias registra sem peias o Marechal Denis, líder da trinca militar que em agosto de 1961 tentara impedir a posse do vice-presidente constitucional, chamado ao posto pela renúncia do presidente Jânio Quadros.
Hoje também já se sabe que a articulação que culminou com a deposição de Dilma Rousseff já era maquinada nos idos de 2013, a onda preparadora do levante de 2015, com sua inédita carga de violência, deixando para trás os piores momentos de 1963.
Nas duas oportunidades os golpes foram precedidos de grandes mobilizações populares e, ainda em ambos, o leitmotiv unificador da conspiração era, fundamentalmente, a resistência da casa-grande à ascensão político-econômica das grandes massas, naquela altura representada pelo varguismo, em nossos dias pelo lulismo.
Os golpes de 1964 e de 2016 guardam parentesco que precisa ser posto de manifesto. Ambos foram precedidos de mobilizações populares carregadas de atos de violência que expunham a genealogia fascista. Em 1964 importava aos seus verdadeiros formuladores algo muito além da mera deposição de Jango e esse seu caráter profundo só ficou claro aos analistas em 1965, com o Ato Institucional n. 2, baixado pelo presidente que havia jurado a Constituição e prometido defender a democracia.
O significado de 2013 não foi compreendido em seu primeiro momento, e os sismógrafos dos especialistas não perceberam o real significado do impeachment, aquele que se revelaria pelo governo que a ele se segue..
O difícil não está na identificação dos fatos expostos e vividos, mas na arte ou ciência da prospecção social, aquela que revela a realidade ainda em gestação, ou seja, a serpente ainda no ovo.
Em 1964 muitos não lograram antever o significado e os objetivos da ditadura, nem seu largo e profundo mando de 21 anos. Carlos Lacerda, sua principal voz civil, e Juscelino Kubitschek, que votaria no marechal Castello Branco, primeiro ditador, apostaram, olhando para trás, na transitoriedade do novo regime, e logo engrossariam a lista de suas vítimas.
Se não nos foi possível antever a gestação da irrupção popular de 2013, também faltou clareza à esquerda quanto a deposição da presidente Dilma Rousseff, apenas o passo necessário para defenestrar o lulismo, a grande operação de nossos dias.
O ovo da serpente, este é o título da obra-prima de Ingmar Bergman. Quem já assistiu, assista de novo. Quem ainda não o viu, corra para ver. Está no YouTube.
Roberto Amaral
______________Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia
São Paulo reduz 30% a taxa de lucro das concessionárias de ônibus
A Prefeitura de São Paulo, nesta terça-feira, 24, as novas regras para a reestruturação do sistema de ônibus do transporte urbano.
O projeto prevê redução de 146 linhas de coletivos da cidade e uma diminuição de 646 veículos em operação. Atualmente, são 1.193 linhas e 13.591 coletivos em operação.
Segundo o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, João Octaviano, os itinerários com trajetos mais curtos vão permitir a adição de 105 mil vagas a mais no sistema, para reduzir a lotação, e trazer mais 952 mil pessoas ao sistema.
A licitação lançada hoje está sendo preparada desde 2015 e resultará em contratos que vão somar R$ 67,5 bilhões em 20 anos.
A prefeitura continuará mantendo o subsídio ao sistema, com previsão de R$ 2,2 bilhões só em 2018.
Ao comentar o fato de que a cidade terá menos ônibus em operação, mas por um mesmo preço, Octaviano afirmou que o edital prevê a substituição dos coletivos atuais por veículos mais novos, com ar condicionado, wi-fi, tomadas USB e câmeras de vigilância. “Terão toda a tecnologia embarcada”, afirmou.
Também citou o fato de que a Prefeitura determinou que os novos coletivos tenham fontes energéticas menos poluentes que o diesel atual – mas a frota só será 100% limpa daqui 20 anos.
Para explicar a redução de coletivos e linhas com acréscimo do número de lugares oferecido a cada viagem, a Prefeitura argumentou ainda que os novos ônibus serão maiores nos eixos de grande circulação, de ligação entre os terminais.
Ainda ao falar da manutenção dos mesmos custos praticados atualmente, Octaviano argumentou também que os empresários de ônibus terão lucro menor que o atual. “A taxa de retorno deles vai cair de 14% para 9,8%”, afirmou. Redução de quase 30%.
A previsão é que os envelopes com as propostas dos empresários interessados sejam abertos entre os dias 11, 12 e 13 de junho. Mas as mudanças no sistema, com o corte e alteração de linhas, só deverão ocorrer 12 meses após a assinatura dos contratos. “Nenhuma mudança de linha será feita sem que a polulação seja comunicada”, afirma. O processo de mudança, ainda segundo o secretário, só deve ser concluído em quatro anos.
Empresários que já estão na cidade, e possuem garagens para suas frotas, não precisarão adquirir novos espaços. Já algum empreendedor de fora que quiser participar do processo, terá de comprar ele mesmo um terreno para abrigar seus coletivos por meio de uma desapropriação que poderá ser feita pelo poder público. Mas com os custos todos, incluíndo a obtenção de licenças ambientais, feitos pelo empresário.
(Com informações do Estadão)Centrais preparam ato unitário em defesa de Lula no 1.o de Maio
A Frente Brasil Popular, que reúne centrais sindicais e movimentos sociais que preparam a manifestação de 1º de Maio anunciou que o ato em São Paulo será na Praça da República, região central da capital, a partir das 12h.
Além de temas como defesa da democracia, manutenção de direitos, criação de empregos e valorização das aposentadorias, a data também terá manifestações de solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde o último dia 7.
As centrais sindicais estão se articulando para realizar um inédito ato unitário na capital paranaense.
Em São Paulo, o evento tem participação de CTB, CUT e Intersindical.
Será, segundo os dirigentes, um dia de resistência e protestos contra a arbitrariedade judicial e a “reforma” trabalhista, entre outros temas.
De acordo com a FBP, entre as atrações artísticas confirmadas estão a banda Liniker e os Caramelows, a rapper Preta Rara, a sambista Leci Brandão, o grupo Mistura Popular, a escola paulistana Unidos de Santa Bárbara, e os intérpretes André Ricardo, Grazzi Brasil e Celsinho Mody.
Flávio Koutzii: "Não haverá política no Brasil sem Lula"
Flávio Koutzii passou quatro anos preso, entre 1975 e 1979, em cinco prisões da ditadura argentina.
Foi preso por integrar a Fracción Roja do PRT e do ERP(Partido Revolucionário dos Trabalhadores – Exército Revolucionário do Povo), que participou da resistência armada à ditadura.
Após sair da prisão, Koutzii foi para a França, e se diplomou em Sociologia na “École des Hautes Études en Sciences Sociales”, onde defendeu a tese “Système et contre-système carceral pour les prisonniers politiques en Argentine” – 1976-1980”.
A tese que serviu de base para o livro “Pedaços de Morte no Coração”, publicado no Brasil em 1984 pela L&PM.
Koutzii citou essa pesquisa, durante debate realizado segunda-feira (23) à noite no auditório do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, para falar da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
A reportagem é de Marco Weissheimer, publicada por Sul21, 24-04-2018.
O debate, que lotou o auditório do SindBancários, reuniu Flávio Koutzii e Lenio Streck, convidados para falar sobre o “colapso da democracia e a ascensão do conservadorismo no Brasil”.
Koutzii lembrou do estudo baseado na vivência direta que teve nas prisões da ditadura argentina, para falar da prisão de Lula.
“Tenho uma certa experiência sobre isso. Passei quatro anos preso na Argentina e depois, em liberdade, escrevi um trabalho sobre o sistema prisional em que vivi. Passei por cinco prisões e procurei sistematizar o modelo que cada uma usava para tentar coagir e destruir física e psiquicamente os prisioneiros. Quando olhei o desenho da cela onde Lula foi colocado na Polícia Federal em Curitiba, que é apenas um pouquinho maior daqueles em que fiquei na Argentina, vi que a estrutura dela é exatamente igual a do sistema prisional que a ditadura argentina usou para destruir seus opositores, uma ditadura, cabe lembrar, que ‘desapareceu’ 30 mil pessoas”.
Flávio Koutzii disse que ficou pasmo com o que os meios de comunicação estavam reproduzindo sobre os supostos “privilégios” que Lula estaria usufruindo no prédio da Polícia Federal em Curitiba.
“Havia coisas que tínhamos, como um período para tomar sol, que não está claro se Lula está tendo. Estou cada vez mais convencido que há uma engrenagem de destruição física e psíquica de Lula em Curitiba”.
O diagnóstico de Koutzii acerca do tratamento ao qual Lula vem sendo destinado foi acompanhado de uma advertência sobre a duração desse processo: “Isso não vai se resolver em seis meses. É preciso ter isso em mente na luta de resistência. Eles não conseguiram a imagem que queriam na prisão de Lula. Pelo contrário, a imagem que ficou foi ele sendo carregado nos braços do povo”.
Para o ex-deputado estadual e ex-chefe da Casa Civil do governo Olívio Dutra, a prisão de Lula representa uma virada na história do Brasil.
“Parece o momento de uma derrota, mas não é uma derrota irreversível”.
Mais uma vez, ele lembrou da Argentina, mais especificamente do peronismo. “Desde os anos 50, com tudo o que aconteceu, é impossível fazer política na Argentina sem o peronismo. Resguardadas todas as diferenças, não tenho dúvida em dizer que não haverá política no Brasil sem Lula. Eles têm a Globo, o Moro e aquele dono de puteiro, mas nós temos uma figura gigantesca”.
Para Lenio Streck, o sistema judicial dos azembe, na África do Sul, ofereceria maiores chances de justiça a Lula do que o sistema brasileiro.
No sistema azembe, assinalou, os pajés preparam um veneno que é ingerido por um pintinho. “Se o pintinho morre, o réu é condenado; se ele vive, é absolvido. Neste sistema, Lula teria pelo menos 50% de chances de ser absolvido”.
Streck classificou como extremamente grave o que em acontecendo no sistema judicial brasileiro. O item 9 do acórdão da sentença contra Lula, assinalou, diz que não se pode exigir do Ministério Público uma postura isenta no processo.
“Adverti meus colegas do MP que eles não poderiam aceitar isso, mas descobri que eles próprios eram os autores dessa formulação”.
Essa situação, ressaltou, se fortaleceu graças à postura da própria esquerda brasileira que negligenciou coisas que não deveria ter negligenciado.
“Aquilo que nós desprezamos está nos destruindo. Uma parcela da esquerda desdenhou o Direito e agora que precisa dele ele não está mais lá”.
Lenio Streck disse acreditar, por outro lado, que o STF está metido em uma ‘sinuca de bico’, especialmente após a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), impetrada pelo PCdoB.
A ação pede a declaração de constitucionalidade do artigo 283 do Código de Processo Penal e a proibição da execução antecipada da pena.
Essa ADC, observou Streck, tem a ver com um ponto levantado por Gilmar Mendes, segundo o qual, o voto do falecido ministro Teori Zavaskiapontou a possibilidade de prisão após decisão em segunda instância e não obrigatoriedade.
Lenio Streck ironizou o caminho adotado pelo ministro Edson Fachin, dizendo que ele está fazendo exatamente o percurso contrario de São Paulo. “Fachin faz o caminho inverso ao feito por Saulo, faz o caminho contrário de Damasco”.
E apontou a parcela de responsabilidade da esquerda em relação ao que está acontecendo hoje. “A ministra Rosa Weber aplicou o drible da vaca em seu voto ao adotar a tese da colegialidade, mas é bom lembrar que essa tese foi defendida pela esquerda. A tese de que você tem que ser coerente mesmo no erro e que a soma dos votos de um colegiado vincula o seu voto. Esse foi o fator principal da prisão de Lula e de várias outras pessoas”, acrescentou.
Streck criticou a lógica que vem imperando nas faculdades de Direito. “As faculdades de Direito não estão formando apenas analfabetos funcionais, estão formando fascistas. O professor de Direito Constitucional, hoje, é um subversivo. Ao dar aula de Direito Constitucional ele pode ser acusado de obstrução de justiça”.
Gripe: RS recebe 4 milhões de vacinas para imunizar grupos de risco
Vai até primeiro de junho a campanha de vacinação contra a gripe, iniciada nesta segunda, 23.
Durante o período, as vacinas estarão disponíveis em todos os postos de saúde do estado, gratuitamente.
Segundo a Secretaria da Saúde, 3,6 milhões de gaúchos fazem parte do público-alvo.
São pessoas que tem mais chances de desenvolver quadros graves de gripe Influenza. A meta é imunizar pelo menos 90% dos seguintes grupos:
– Idosos com 60 anos ou mais;
– Crianças de 6 meses 5 anos;
– Gestantes;
– Mães até 45 dias após o parto;
– Trabalhadores da área da Saúde;
– Povos indígenas;
– Portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais;
– Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos que estejam cumprindo medidas socioeducativas;
– População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional;
– Professores das escolas públicas e privadas.
Como acontece todos os anos, a campanha vai ter um Dia D, para aumentar a mobilização.
Será no dia 12 de maio, um sábado, quando os postos de saúde ficarão abertos.
Mas a recomendação da SES é para se vacinar o quanto antes, já que a proteção leva cerca de dez dias para começar a fazer efeito.
O Rio Grande do Sul já recebeu do Ministério da Saúde 37% das 4 milhões de doses previstas. Os lotes recebidos já foram repassados aos municípios.
Em 2016, o Rio Grande do Sul registrou 1.380 casos da gripe A e 215 mortes. Em 2017, foram 439 casos registrados e 48 mortes. Este ano, até o início deste mês, houve sete casos registrados e nenhuma morte. Isso é resultado também da imunização”.
O secretário Francisco Paz explicou a vacina não é só uma proteção pessoal. “Não temos como vacinar toda a população, infelizmente. Mas, vacinando os grupos de risco, reduzimos consideravelmente a circulação do vírus entre a população inteira. Protegemos toda a população”.
Paz também reforçou que a vacina é segura: “Existem boatos, mas a população precisa ficar tranquila. A vacina da gripe não faz mal. As únicas reações que ela pode dar são dor e vermelhidão no local da picada e talvez um pouco de febre. As únicas pessoas que tem restrição são as alérgicas ao ovo”.
A vacina é segura e produzida por vírus mortos e fragmentados, ou seja, não há o risco de causar gripe nas pessoas. Ela protege contra três tipos de gripe Influenza: A (H1N1), A (H3N2) e B. A dose precisa ser renovada a cada ano, ou seja, mesmo quem se vacinou ano passado, deve se vacinar novamente.
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Lançada campanha de vacinação contra a gripe no Estado




