Autor: da Redação

  • Movimento está restrito nas áreas secas do Cais Mauá

    Geraldo Hasse
    Os mais de 100 funcionários remanescentes da extinta Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) em Porto Alegre foram notificados nesta quinta, 08/03), sobre as novas normas de circulação nas áreas secas do Cais Mauá, patrimônio público cedido à iniciativa privada por 25 anos.
    As novas regras, visando à segurança das pessoas e à disciplina dos serviços, foram ditadas pelo consórcio Cais Mauá, responsável pelas obras de “revitalização” dos espaços (armazéns, galpões e pátios) situados ao longo da Avenida Mauá. É uma “linha dura” que conflita com o marasmo do lugar situado no centro histórico de Porto Alegre.
    Foi anunciada a construção de um tapume que se unirá ao cinquentenário Muro de Contenção das Águas do Guaíba para restringir o movimento de pedestres na área seca do cais.

    Circulação de visitantes está proibida / JÁ

    A circulação de visitantes está proibida, conforme aviso afixado em placas no pórtico central. Em cada um dos portões da área privatizada foram colocados guardas de uma empresa de segurança.
    Já o movimento de embarcações no lado das águas segue as regras da navegação, pois, como lembra o engenheiro Álvaro Melo, diretor de manutenção da hidrovia: “A verdadeira frente do porto não fica na Avenida Mauá, mas nas águas do Guaíba”.
    Além dos catamarãs que transportam passageiros na linha Porto Alegre-Guaíba-Porto Alegre, o canal do Guaíba é usado por navios de carga que buscam os terminais Navegantes, de Gravataí e Triunfo.
    São apenas três ou quatro barcos por dia, mas sua movimentação é uma prova viva de que, de acordo com Melo, “a hidrovia continua funcionando”.
    Os serviços básicos de manutenção da hidrovia são garantidos atualmente por uma centena de funcionários concursados em 2010 e que permanecem em suas funções graças a uma liminar da Justiça do Trabalho.
    Desde o ano passado, quando da extinção da SPH, aposentaram-se mais de 40 funcionários admitidos na época do antigo Departamento Estadual de Portos Rios e Canais (DEPRC), criado nos anos 1930 e extinto no final do século XX.
    Os veteranos que sobraram foram anexados ao quadro de pessoal da Secretaria dos Transportes, mas respondem operacionalmente à Superintendência do Porto de Rio Grande.
    A tarefa mais constante do pessoal mantido em Porto Alegre é a manutenção dos sinais náuticos, especialmente boias cegas e boias luminosas que orientam o tráfego noturno entre o Lago Guaíba e Itapuã, na entrada da Laguna dos Patos.
    Cada boia de luz pesando quase duas toneladas custa R$ 50 mil. Não são incomuns os abalroamentos de boias por navegantes distraídos. Bem mais frequentes são os furtos das lanternas alimentadas por sensores de energia solar – cada uma custa R$ 13 mil.
    A reposição dessas peças é obrigação prioritária do pessoal da ex-SPH.
    A falta de recursos impede a implantação de uma rede completa de iluminação da hidrovia Guaíba-Itapuã.
    O projeto está pronto mas, para implantar a rede de boias luminosas, é preciso fazer um levantamento por sonar multifeixe do leito do Guaíba exigido pela Marinha (para a navegação) e pela Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (para liberar a extração de areia do leito do Guaíba).
    A SPH tem a embarcação apta a fazer o serviço, mas falta o equipamento multifeixe a ser providenciado pela SEMA.
    Consórcio já pôs sua marca no Muro do Guaíba / JÁ

  • CAU apresenta denúncia sobre desqualificação do Ensino de Arquitetura e Urbanismo

    O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS) entregou ao Ministério Público Federal, nesta quarta-feira, 07/03, um dossiê com fatos que, segundo o CAU, evidenciam um cenário de desqualificação do ensino da arquitetura e urbanismo no Rio Grande do Sul. O dossiê será analisado pelo Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Enrico Rodrigues de Freitas.
    Em uma coletiva de imprensa, realizada em conjunto com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS), as duas entidades criticaram as práticas de algumas Instituições que, para os órgãos, afrontam a garantia fundamental do padrão de qualidade do ensino prevista na constituição.
    “Compete ao Conselho zelar pela dignidade, independência e valorização da Arquitetura e do Urbanismo; sendo expressa a Lei 12.378/2010 ao impor o dever-poder do CAU em promover o aperfeiçoamento da cultura e das instituições de Arquitetura e Urbanismo”, destacou o presidente do CAU/RS, Tiago Holzmann da Silva.
    “É dever do CAU proteger a população dos maus profissionais. A qualidade do ensino afeta diretamente a qualidade do exercício profissional prejudicando toda a sociedade”, afirmou o presidente do CAU/RS.
    Para Rafael Passos, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS), é preocupante o avanço das empresas multinacionais na educação superior e o alastramento do Ensino à Distância (EAD). “No último ano foram autorizados cursos 100% à distância na área de Arquitetura e Urbanismo, que não pode abrir mão da modalidade presencial e das disciplinas teórico-práticas de Projeto. Além disso, o debate em sala de aula é essencial para a formação do senso crítico, aspecto fundamental da formação de qualquer profissional”, criticou Passos.
    Em 2017 foram demitidos 1216 professores de ensino superior no RS
    Tanto o CAU como o IAB entregaram ao MP um relatório com vários pontos, que segundo as entidades evidenciam a desqualificação dos alunos. Entre pontos apresentado estão faculdades do interior e de Porto Alegre que tem, por exemplo, horas de disciplina à distância em desconformidade com a portaria nº 1.134, de 10 de outubro de 2016 do MEC, a qual determina que a oferta de disciplinas na modalidade à distância não deve ultrapassar 20% (vinte por cento) da carga horária total do curso. Foi verificado que uma faculdade possui 46% de aulas por EAD para o curso de arquitetura e urbanismo.
    Há escolas com aulas de períodos de 37 minutos e que, ainda no primeiro semestre de 2018, podem ter os períodos de aulas reduzidos a 25 min, em descumprimento de normativas que exigem a cargo horária mínima de 50 minutos.
    O texto ainda lembra que em 2017 foram demitidos no Rio Grande do Sul 1.216 professores do ensino superior, de acordo com os registros do Sindicato dos Professores do Ensino Privado.

  • Mulheres ganham menos que homens mesmo sendo maioria com ensino superior, diz IBGE

    Mesmo em número maior entre as pessoas com ensino superior completo, as mulheres ainda enfrentam desigualdade no mercado de trabalho em relação aos homens. Essa disparidade se manifesta em outras áreas, além do item educação. É o que comprova o estudo Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
    Tomando por base a população de 25 anos ou mais de idade com ensino superior completo em 2016, as mulheres somam 23,5%, e os homens, 20,7%. Quando se comparam os dados com homens e mulheres de cor preta ou parda, os percentuais são bastante inferiores: 7% entre os homens e 10,4% entre mulheres.
    Em relação ao rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos e razão de rendimentos, por sexo, entre 2012 e 2016, as mulheres ganham, em média, 75% do que os homens ganham. Isso significa que as mulheres têm rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos no valor de R$ 1.764, enquanto os homens, R$ 2.306.
    A economista Betina Fresneda, analista da Gerência de Indicadores Sociais do IBGE explica que os resultados educacionais não se refletem necessariamente no mercado de trabalho. Segundo ela, as mulheres, por terem nível de instrução maior do que os homens, não deveriam ganhar o mesmo salário, em média, deles. “Deveriam estar ganhando mais, porque a principal variável que explica o salário é educação. Você não só não tem um salário médio por hora maior, como na verdade essa proporção é menor.”
    Também a taxa de frequência escolar líquida ajustada no ensino médio em 2016 exibe maior percentual de mulheres (73,5%) que de homens (63,2%). A média Brasil atingiu 68,2%. Estudos mostram que o ambiente escolar é mais adequado ao tipo de criação dado às meninas, em que se premia a disciplina, por exemplo, disse a analista. “Tem mais a ver então com características da criação das meninas. Outros estudos mostram que, a partir do ensino médio, por exemplo, os homens começam a conciliar mais estudo e trabalho do que as mulheres. Diversos fatores que estão associados a papéis de gênero.”
    Em termos de rendimentos, vida pública e tomada de decisão, a mulher brasileira ainda se encontra em patamar inferior ao do homem, bem como no tempo dedicado a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos. A pesquisa confirma ainda a desigualdade existente entre mulheres brancas e negras ou pardas.
    No tópico da educação, o estudo procurou ressaltar também que entre as mulheres, as desigualdades são marcantes. As mulheres brancas alcançam superior completo em proporção duas vezes maior que as pretas ou pardas. “Então, existe um efeito também da cor da pessoa na chance de concluir o ensino superior”, destacou a economista.
    O IBGE reuniu informações de três pesquisas no levantamento: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), partindo da base do Conjunto Mínimo de Indicadores de Gênero (Cmig), proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU). Somaram-se a isso dados do Ministério da Saúde, do Congresso Nacional e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira do Ministério da Educação (Inep). Os indicadores apurados foram agrupados em cinco temas: estruturas econômicas e acesso a recursos; educação; saúde e serviços relacionados; vida pública e tomada de decisões; e direitos humanos de mulheres e crianças. Dependendo do indicador, o período analisado vai se 2011 a 2016.
    Estruturas econômicas
    De acordo com o estudo, o tempo dedicado aos cuidados de pessoas ou a afazeres domésticos é maior entre as mulheres (18,1 horas por semana), do que entre os homens (10,5 horas por semana). Na média Brasil, são dedicadas por homens e mulheres 14,1 horas por semana a esse tipo de trabalho. “Por qualquer nível de desagregação que a gente faça, seja por regiões, como por raça ou por grupo de idade, há mulheres se dedicando com um número de horas bem maior do que os homens a esse tipo de trabalho”, ressaltou a pesquisadora do IBGE, Caroline Santos.
    Para Caroline, esse indicador é importante porque dá visibilidade a um trabalho não remunerado, que é executado pelas mulheres, dentro de casa. E tem pouca visibilidade. Por regiões, verifica-se que no Nordeste, as mulheres dedicam um número maior de horas a cuidados, nesse tipo de atividade (19 horas por semana, contra 10,5 horas semanais dos homens).
    Caroline destacou que por cor ou raça existe o agravante histórico, característico da formação do país, em que as mulheres pretas ou pardas se dedicam mais a esse tipo de trabalho não remunerado. De acordo com o estudo, as mulheres pretas ou pardas dedicam 18,6 horas semanais para cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, contra 17,7 horas entre as mulheres brancas.
    Tempo parcial
    Segundo o estudo do IBGE, a dupla jornada fica nítida para as mulheres quando elas têm que se dividir entre os afazeres domésticos e o trabalho pago. Isso faz com que elas sejam obrigadas a aceitar, em alguns casos, trabalhos mais precários, afirmou Caroline.
    Para mostrar como a carga horária é um diferencial na inserção de homens e mulheres no mercado de trabalho, quando se aborda o tempo parcial, verifica-se que o número de mulheres apresenta um percentual maior (28,2%) do que o de homens (14,1%).
    Por cor ou raça, 31,3% das mulheres pretas ou pardas estão no trabalho por tempo parcial, ante 25% de mulheres brancas.

  • Lideranças se mobilizam contra privatização da água em municípios do RS

    A possibilidade de que serviços de tratamento e abastecimento de água em diversos
    municípios gaúchos sejam privatizados foi tema de reunião no Tribunal de Contas do Estado (TCE) na manhã de terça-feira, 6/03.
    O procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Geraldo da Costa da Camino, recebeu deputados e demais lideranças, todos
    preocupados com os movimentos que ocorrem nas cidades.
    Recentemente, na Assembleia Legislativa, foi retomado o debate sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que obriga gestores públicos municipais a consultarem a população antes de qualquer ação relacionada à privatização dos serviços.
    Uma das situações relatadas no encontro foi a de Erechim. Lideranças da cidade entregaram ao procurador-geral documentos que comprovam a intenção do governo do PSDB em privatizar os serviços de água por meio de decreto, sem consulta à população.
    Da Camino confirmou que estará atento aos movimentos nos municípios e que manterá um canal direto com os parlamentares e os demais representantes.
    “Qual a necessidade de entregar o serviço à exploração da iniciativa privada? Qual são os interesses? A relação entre a Corsan e o governo municipal foi potencializada durante o governo de Tarso Genro e, agora, o município corre o risco de ter aumento de tarifas e precarização dos serviços”, questionou o deputado estadual Altemir Tortelli (PT).
    O parlamentar esteve acompanhado dos colegas Jeferson Fernandes (PT) e Valdeci Oliveira (PT), do presidente do Sindiágua/RS, Leandro Almeida, do representante do Sindiágua em Passo Fundo, Natalino da Silva, do representante do Sindiágua em Rio Grande, Fábio Jean Gonçalves, e dos integrantes do Fórum Popular em Defesa da Água de Erechim, Fábio Adamczuk e Neori Pavan.

  • MST invade fazenda do coronel amigo de Temer, em São Paulo

    Eram sete horas da manhã quando cerca de 350 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra invadiram, nesta quarta feira, a Fazenda Esmeralda, no interior de São Paulo.
    A fazenda formalmente pertence à empresa Argeplan, de João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, ex-assessor e amigo do presidente Temer. Lima, assim como Temer, também é investigado no inquérito dos Portos
    A fazenda foi citada nas delações do empresário Joesley Batista e do executivo Ricardo Saud, da JBS.
    Os dois mencionaram o deputado federal Paulinho da Força, do Solidariedade, que teria dito a eles que a fazenda no interior de São Paulo em nome da Argeplan ou mesmo do Coronel Lima, na verdade pertence a Temer.
    A defesa de Temer nega ter ligação com o imóvel.
    Joesley Batista, que também prestou depoimento no inquérito dos Portos, em 15 de fevereiro, disse que “se recorda que Paulinho da Força comentou com ele que existe uma fazenda no Estado de São Paulo, em nome do coronel Lima ou de sua empresa Argeplan, mas que na verdade seria de Michel Temer; que inclusive Paulinho sempre expressava para o depoente, quando estava irritado com Michel Temer: uma hora nós vamos invadir aquela fazenda dele”.
    É a terceira vez que o MST ocupa a propriedade.
    De acordo com dirigentes a ocupação tem o objetivo de “denunciar a ilegitimidade” do governo Temer e de se posicionar contra a “agenda de retrocessos para a classe trabalhadora”. Eles reivindicam ainda a área e todas as áreas adquiridas por corrupção devem ser destinadas para Reforma Agrária.
    A Polícia Militar afirmou que a ocupação foi pacífica e que monitora a situação. (com informações de O Estado de São Paulo)
     

  • Empresários ligados ao MBL apoiam linha dura na segurança

    A Folha de São Paulo publicou hoje detalhes de um “Plano Nacional Emergencial de Segurança e Combate ao Crime” formulado pelo grupo Brasil 200, que reúne empresários de direita ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre).
    As informações foram obtidas pelo  jornalista Marcos Augusto Gonçalves.
    No grupo de empresários citados estão, entre outros, executivos e acionistas de empresas como Havan, Riachuelo, Centauro, Dudalina, Polishop, Droga Raia e Habibs.
    A proposta, “linha-dura”,  por enquanto de caráter reservado, tem como objetivo defender a intervenção federal no Rio e intervir no debate sobre como enfrentar a criminalidade no país.
    O plano, em linhas gerais, segue receita defendida por setores conservadores e bancadas parlamentares ligadas ao lobby das armas, à redução da maioridade penal e ao agravamento de penas.
    Na seção dedicada a “Alterações na Legislação Penal”, por exemplo, as prioridades são:

    • Fim do Estatuto do Desarmamento:
    • Cidadão sem antecedentes pode adquirir e portar arma
    • Pena mínima de 10 anos para uso criminoso de arma privativa das Forças Armadas
    • Elevação de penas e fim de mecanismos que amenizam o cumprimento integral:
    • Em caso de crimes dolosos que resultam em morte, começar sempre em regime fechado
    • Pena mínima de 15 anos para homicídio
    • Fim do limite de 30 anos para penas
    • Fim dos indultos, das saídas de feriados, do auxílio-reclusão
    • Modificação imediata do Estatuto da Criança e do Adolescente
    • Se o criminoso já tem 16 anos ou mais será julgado como maior
    • “Acabam os termos menor infrator, apreensões e medidas socioeducativas”
    • Mudança da Lei de Execução Penal
    • Fim de limites para a aplicação do Regime Disciplinar Diferenciado

    A proposta dedica uma seção ao caso do Rio, na qual propõe, entre medidas de endurecimento, “operações de apoio social” inspiradas na experiência das Forças Armadas no Haiti.
    A apresentação não esquece o aspecto midiático. Para promover a intervenção federal, organiza um projeto de comunicação, intitulado “Cobertura de guerrilha”, que prevê:

    • “Usar monitoramento digital e blogosfera para identificar e contra-atacar as narrativas contrárias à operação”
    • “Se possível montar um ‘MBL News’ diário in loco para acompanhar o desenvolvimento da operação e passar a sensação de segurança e normalidade”
    • Amplo, o plano explora três linhas consideradas prioritárias: além da Legislação Penal, os presídios e a reorganização das polícias.

    Trata-se, enfim, de uma proposta de reforma do setor lançada por uma ala dura de direita, que vê na intervenção federal e no repentino estrelato do tema da Segurança Pública –a “jogada de mestre” a que se referiu o presidente Temer– uma oportunidade política oferecida de bandeja.
    É bom que a proposta seja lida e debatida pelos que se interessam pelo assunto e pelos destinos do país. Já havia publicado aqui  uma proposta progressista, formulada por Luiz Eduardo Soares. O cotejo pode ser útil e esclarecedor.
     

  • Assembleia aprova criação do IPE Prev e novas normas para concessão de benefícios

    O plenário da Assembleia Legislativa aprovou nesta terça-feira (6) dois dos quatro projetos do Governo Sartori que mudam regras no IPE. As matérias criam a estrutura do IPE Prev, órgão que será o gestor da previdência dos servidores estaduais, e estabelecem novas normas para concessão de benefícios.
    Ao longo da discussão do terceiro projeto previsto para ser apreciado, o PLC 212/2017, que reorganiza o IPE Saúde, o líder do governo informou que o Executivo iria enviar emenda acolhendo sugestões à proposta e necessitava de tempo para a redação.
    Criação do IPE Prev
    O PLC 206 2017, aprovado com 32 votos favoráveis e 22 contrários, altera a estrutura do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (Ipergs) e cria o IPE Prev, órgão que passa a ser o gestor único do regime de previdência dos servidores estaduais.
    O novo órgão caracteriza-se pela autonomia administrativa, financeira, patrimonial e de gestão de recursos humanos e autonomia nas suas decisões.
    Durante a discussão, os deputados da oposição ocuparam a tribuna com críticas à proposta. Enio Bacci (PDT) afirmou não concordar com reformas estruturais profundas no final do governo. “”Essas reformas devem ser feitas no início de governo, com mandato urgido pelos votos”. A deputada Miriam Marroni (PT) expressou preocupação com a manutenção do IPE como órgão público. “Mexer nesta estrutura açodadamente, sem debate, sem falar com os servidores é preocupante. Não temos segurança que o governo vá manter o IPE público”.
    O deputado Juvir Costella (PMDB) defendeu a proposta, afirmando que a separação da prestação de serviços de saúde e previdência será benéfica para os segurados. O líder do governo, deputado Gabriel Souza (PMDB) apresentou emenda à proposta em plenário, informando ter sido construída em conjunto com órgãos públicos, servidores e bancadas da casa.
    Regras para concessão de benefícios
    PLC 207 2017, aprovado com 32 votos favoráveis e 22 contrários, dispõe sobre o Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Rio Grande do Sul – RPPS/RS, que dá cobertura aos benefícios previdenciários da aposentadoria, da transferência para a inatividade, da pensão por morte e do auxílio-reclusão. A proposta faz a adequação da legislação estadual ao regramento geral da Previdência Social e incorpora medidas como o reconhecimento do cônjuge/companheiro para fins de pensionamento nos mesmos moldes da esposa/companheira e o reconhecimento da união estável homoafetiva, nos termos do decidido pelo Supremo Tribunal. Também estabelece a criação de fundo financeiro e a normatização dos planos de custeio e de benefícios.

  • Manifesto de movimentos sociais repudia intervenção militar no Rio

    “Nós, lutadores e lutadoras que sempre fomos e somos das liberdades democráticas, dirigentes, integrantes e apoiadores(as) de comissões, comitês, coletivos e fóruns da Memória, Verdade, Justiça e Reparação; ex-presos políticos e familiares dos mortos e desaparecidos da ditadura militar, manifestamos o nosso mais veemente repúdio à intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro”.

    Registramos a nossa preocupação com as conseqüências práticas dessa iniciativa do ilegítimo governo Temer. E denunciamos os riscos da repetição de crimes verificados durante os trágicos 21 anos da ditadura militar no Brasil.

    Desde o golpe parlamentar-jurídico-midiático que retirou Dilma Rousseff da presidência da República, em 2016, a situação do país mais vem se agravando em todos os aspectos. O aprofundamento do neoliberalismo, como exigência de Washington e do capital financeiro interno e externo, passou a apresentar um resultado pior que o conhecido durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Está aí o exemplo do crescente aumento do desemprego (14,2 milhões de desempregados), da precarização do trabalho, da pobreza, da desigualdade e da exclusão social.

    Houve o recrudescimento da violência no campo, atingindo trabalhadores rurais e povos indígenas. Em Mato Grosso, por exemplo, fazendeiros promoveram um massacre, assassinando nove agricultores de um assentamento. E, no Maranhão, jagunços feriram 13 indígenas. Dois tiveram as mãos decepadas e outros foram parcialmente esquartejados, enquanto um deputado do PTN, apoiador de Temer, dizia não aceitar a permanência deles naquela terra. Em Brasília, com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, um forte esquema militar reprimiu o protesto de quatro mil índios de 200 etnias diferentes.

    Para enganar maiores parcelas da população, levando os paneleiros e falsos patriotas para a rua, usou-se o repetido discurso do combate à corrupção. Mas, assumindo o governo, Michel Temer convocou para os gabinetes e corredores palacianos alguns dos políticos mais corruptos do país. Se todos não estão hoje na cadeia, eles são facilmente identificados pelo povo, porque foram vistos na televisão carregando mala de dinheiro ou apresentados como principais responsáveis pelas malas e sacolas escondidas em apartamento de luxo.

    Por tudo isso, a situação pode ser mais grave do que se imagina. Desde as primeiras iniciativas com vistas ao impeachment de Dilma Rousseff, as articulações dos golpistas consideravam a participação direta dos militares nesse processo, levando-se em conta as experiências das Forças Armadas. O general Sérgio Etchegoyen, chefe do Estado Maior do Exército Brasileiro, teve e está tendo papel de grande relevância nos encaminhamentos relacionados à inteligência e à área considerada de segurança.

    Sérgio Etchegoyen é filho de Leo Guedes Etchegoyen, um dos mais duros torturadores durante a ditadura militar. Ele perseguiu, prendeu e torturou sindicalistas e membros de movimentos de direitos humanos. A intervenção federal no Rio de Janeiro e a criação do novo Ministério da Segurança Pública contaram com a colaboração de Sérgio Etchegoyen, que organiza a ampliação da presença dos militares no governo, monitora as mobilizações populares e busca alternativas para endurecimento do regime.

    As ações das Forças Armadas e do general Braga Neto, que comanda a intervenção, já revelaram o nível da atuação militar nas comunidades do Rio de Janeiro. Por isso, buscam providências, alertados pelo general Eduardo Villas Boas, que possam afastar a possibilidade da criação de futura Comissão da Verdade. A Federação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro se manifesta contra a intervenção militar. E esclarece: “Precisamos de uma intervenção que nos traga a vida e não a morte. O Exército é treinado para matar e atuar em tempos de guerra. As favelas nunca declararam guerra a ninguém”.

    Finalmente, dirigimos um apelo a todas as entidades sindicais, populares, democráticas e religiosas. A todos os movimentos e personalidades que defendem os direitos humanos. Que nos unamos na luta em defesa da democracia e de um país verdadeiramente livre, soberano. É preciso corrigir a aplicação da Lei da Anistia, para que a impunidade dos crimes contra a humanidade cometida pelos agentes do estado de 1964 não sirvam de exemplo e estímulo na intervenção militar do Rio de Janeiro de 2018. Vamos exigir a punição dos algozes que, durante a ditadura militar, cometeram crimes contra a humanidade. E exigimos o cumprimento das 29 recomendações da Comissão Nacional da Verdade.

    Não aceitamos a intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro, nem outra intervenção militar em qualquer instância da vida democrática nacional.

    Goiânia, 27 de fevereiro 2018

    1. Rede Brasil, Verdade, Memória e Justiça;
    2. Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas de Goiás;
    3. Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos;
    4. Comissão de Justiça e Paz no Brasil;
    5. Coletivo Catarinense Memória, Verdade e Justiça;
    6. Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno;
    7. Fórum Memória, Verdade e Justiça do Espírito Santo;
    8. GTNM-BA – Grupo Tortura Nunca Mais – Bahia;
    9. Fórum dos Trabalhadores por Verdade, Justiça e Reparação;
    10. Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu – CDHMPFI;
    11. Comitê pela Memória, Verdade e Justiça de Teresina – Piauí;
    12. Comitê Popular de Santos por Verdade, Memória e Justiça;
    13. Comitê Memória, Verdade e Justiça Ceará;
    14. Comissão da Verdade de Petrópolis;
    15. Fórum de Reparação e Memória RJ;
    16. ColetivoRJ Memória Verdade Justiça;
    17. Campanha Ocupa Dops;
    18. Grupo de Filhos e Netos por Memória Verdade Justiça – RJ;
    19. Coletivo em Silêncio – RJ;
    20. Associação de Amigos do Memorial da Anistia Política;
    21. Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça – Porto Alegre/RS;
    22. Juristas pela Democracia – Goiás;
    23. Intercâmbio de Informações Estudos e Pesquisas – IIEP/SP;
    24. Núcleo do PT Lisboa
    25. Pedro Wilson Guimarães – ex-presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados;
    26. Norton Nohama – membro da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Paraná;
    27. Ivete Caribé da Rocha – Advogada (OAB-PR 35.359);
    28. Pinheiro Salles – presidente da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás e vice-presidente da Comissão Nacional de Ética dos jornalistas (Fenaj);
    29. Laurenice (Nonô) Noleto Alves – jornalista e escritora, viúva de ex-preso político e secretária da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas de Goiás;
    30. Frei José Fernandes Alves – OP – provincial da Província Dominicana Frei Bartolomeu de Las Casas;
    31. Vera Vital Brasil – Equipe Clínico-Politica – RJ;
    32. Marcia Curi Vaz Galvão – professora – RJ;
    33. Tânia Gerbi Veiga – Lisboa/Portugal;
    34. Maria de Fátima Oliveira Setúbal – professora, ex-presa política;
    35. Sílvia Helena Calmon da Costa Leite Benfica – psicanalista e ativista de DH – Rio de Janeiro;
    36. Cristina Rauter – professora titular do Instituto de Psicologia da UFF, coordenadora do Núcleo Transdiciplinar Subjetividades, Violências e Processos de Criminalização – RJ;
    37. Jessie Jane Vieira de Souza;
    38. Luiz Antônio Lemos – psicólogo;
    39. Betinho Duarte – ex-preso político e ex-vereador PT-BH;
    40. Rosa Cimiana dos Santos;
    41. Maria Christina Rodrigues – presidente da Associação de Amigos do Memorial da Anistia Política;
    42. Márcia Gonçalves Pereira – Advogada /Goiânia-GO;
    43. Chico Bezerra – membro do Grupo Tortura Nunca Mais – São Paulo e do Centro de Memória e Resistência do Povo de Mauá e Região;
    44. Maria Elizabeth Almeida – escritora e professora _ RJ
    45. Affonso Henriques GuimarãesCorrea – economista aposentado – RJ;
    46. Lúcia Rodrigues Alencar Lima – CE
    47. Jane de Alencar; historiadora e jornalista; presa política – RJ;
    48. Walderez Nunes Loureiro – ex-presa política, professora aposentada UFG – Goiás;
    49. Adrianna Accorsi – delegada de polícia e deputada estadual PT-Goiás;
    50. José do Carmo – advogado – Goiás;
    51. Iolanda Aquino – vereadora PT – Cidade de Goiás/GO;
    52. Luiza Mendes – professora PUC-GO;
    53. Albertina Vicentini – Professora PUC-GO;
    54. Maria TerezaCanezim Guimarães – professora aposentada UFG;
    55. Ana Muller – advogada -RJ;

    56 – Alda Vital Brasil – aposentada Petrobrás – RJ;

    1. Consulta Popular;
    2. Alair Pereira da Silva – Goiânia-Go;
    3. Mirtes Costa Costa – Goiânia-Go,
    4. Olivia Vieira Silva – Goiânia-Go,
    5. Geralda Darc Ribeiro de Castro – Goiânia-Go,
    6. Rita Rossana Monteiro – Goiânia-Go;
    7. João Joao Batista de Queiroz – Goiânia-Go;
    8. Tarzan de Castro – ex-preso político –GO
    9. Adma Rocha – viúva de ex-preso político – GO
    10. Luiz Alberto Gomes de Oliveira– RJ
    11. Darcy Costa – professora aposentada PUC-GO;
    12. Maria Madalena Patricio– funcionária PUC-GO;
    13. Anivaldo Padilha – ex-preso político – SP;

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    Comitê  Carlos  de  Ré  da  Verdade  e   Justiça  do  Rio Grande do Sul

  • Marlon Santos pede prazo de 10 dias para MP se manifestar sobre delação de Diógenes Basegio

    O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marlon Santos (PDT), reuniu a imprensa no início da tarde desta terça-feira (6) para relatar encontro com o procurador-geral de Justiça, Fabiano Dallazen, a respeito de notícia de delação premiada do ex-deputado Diógenes Basegio, cujo mandato foi cassado em 2015. Na conversa institucional com o MP, Marlon Santos obteve a confirmação de que a delação, que envolve quatro parlamentares, foi encaminhada para homologação. Ele pediu que em até dez dias a Assembleia receba manifestação formal sobre o assunto.
    Ao lado dos deputados Nelsinho Metalúrgico, que é membro da Mesa Diretora, Pedro Pereira (PSDB) e Missionário Volnei (PR), o presidente da Assembleia explicou que a sua preocupação é evitar “danos para o coletivo” e a paralisação dos trabalhos legislativos diante de uma acusação que joga suspeição sobre todos os deputados. “Não podemos brincar com reputações”, salientou. Marlon Santos solicitou a Dallazen que o MP se responsabilize pelo sigilo da delação.
    Conforme o presidente da Assembleia, o MP está envolvido com essa questão há mais de 60 dias. Inicialmente, cinco deputados foram apontados por Basegio pela prática de irregularidades, mas quatro permanecem no processo de delação. A acusação é de que também teriam praticado malfeitos em seus gabinetes, ações que resultaram na perda do mandato do agora delator. Os atos supostamente praticados pelos envolvidos são anteriores e até 2015, mas até o momento nenhum deles foi ouvido pelas autoridades judiciárias. Santos assegurou que os documentos relacionados com a rotina de gabinetes parlamentares estão preservados e com acesso restrito, a partir de agora.
    Durante a visita ao MP, o presidente da Assembleia estava acompanhados dos deputados Edson Brum, que é membro da Mesa Diretora, e Gabriel Souza, ambos do PMDB.

  • Entidades denunciam desmonte do ensino de arquitetura e urbanismo no RS

    DENÚNCIA: DESQUALIFICAÇÃO DO ENSINO DA ARQUITETURA E URBANISMO COM APRESENTAÇÃO DE DOSSIÊ AO MINISTÉRIO PÚBLICO
    Nesta quarta-feira (07/03), às 11 horas, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS), e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS) apresentam à imprensa gaúcha uma denúncia da desqualificação do ensino de arquitetura e urbanismo no Rio Grande do Sul.
    Na ocasião, serão mostrados dados, documentos e fatos que integram o dossiê apresentado ao Ministério Público Federal, como por exemplo a irregularidade de algumas Instituições de Ensino na exclusão de 350 horas da carga horária mínima exigida pelo Ministério da Educação (MEC), além da demissão de 1.216 professores do ensino superior em 2017, entre outras informações polêmicas do setor.
    SERVIÇO
    O que: Coletiva de Imprensa no Conselho de Arquitetura e Urbanismo do RS (CAU/RS)
    Quando: Dia 07 de março / Quarta-feira
    Horário: 11 horas
    Onde: CAU/RS (Rua Dona Laura 320, 15º andar)
    Assessoria de Imprensa: Sabrina Ortácio (51) 98196.7951/ Luciano Antunes (51) 98423.7406.