Autor: da Redação

  • Ospa busca novas vozes para compor Coro Sinfônico

    Atenção, cantores de Porto Alegre e arredores: que tal começar o ano integrando um coro sinfônico com quase 50 anos de trajetória, que faz parte de uma das mais antigas e consolidadas orquestras do Brasil?
    A partir desta quinta-feira, dia 1º de fevereiro, o Coro Sinfônico da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) recebe inscrições para a seleção de novos membros. Os interessados devem encaminhar solicitação para os testes pelo e-mail: corosinfonicoospa@gmail.com até 22 de fevereiro.
    Os candidatos devem ter experiência em canto coral, conhecimento teórico-musical básico e tempo disponível para ensaios e apresentações. A avaliação, que deve ocorrer entre 27 e 28 de fevereiro, à noite, na Sala de Ensaios da Ospa, no Centro Administrativo Fernando Ferrari (futura Casa da Música da Ospa), aborda aspectos como solfejo simples, aptidão vocal, ritmo e afinação. Os ensaios acontecem no mesmo local, nas terças e sextas-feiras, das 19h30 às 22h, para contraltos e baixos; e nas quartas e sextas-feiras, das 19h30 às 22h, para sopranos e tenores.
    O que é?
    O Coro Sinfônico da Ospa é formado por, aproximadamente, 80 cantores que se dedicam a interpretar grandes obras. Além de participações marcantes na programação da Ospa, inclusive em montagens operísticas encenadas, o grupo também realiza concertos à capela em diferentes cidades do estado e com outras orquestras ou grupos instrumentais. Em seu repertório estão obras de Beethoven, Mahler, Gounod, Brahms, Bach, Haendel, Haydn, Vivaldi, Verdi, Puccini, Bizet, Orff, Rachmaninoff, Stravinsky, Rimsky- Korsakov, Tchaikovsky, Mussorgsky, Borodin, entre outros.
    Mais detalhes no site da Ospa ou pelo telefone (51) 32227387.

  • Associação quer certificado de origem para o mel branco de Cima da Serra

    GERALDO HASSE
    Com um atraso de quase um mês devido ao excesso de chuvas e outros distúrbios do clima, começou na segunda quinzena de janeiro a colheita de mel nos Campos de Cima da Serra.

    Flor da carne-de-vaca / Tânia Meinerz

    Este ecossistema formado por pastagens e matas nativas propicia a produção, em pleno verão, do chamado “mel branco”, resultante das floradas de três árvores típicas da mata atlântica de altitude: carne-de-vaca, guaraperê e gramimunha.
    Com abundantes flores brancas, as três são companheiras dos pinheirais de Cambará do Sul, São José dos Ausentes, Bom Jesus, Jaquirana e São Francisco de Paula.
    Apesar das incertezas quanto ao volume de produção no final da safra, prevista para meados de fevereiro, a Associação dos Apicultores dos Campos de Cima da Serra está tão animada com o recente sucesso comercial do mel da região que entrou na Secretaria da Agricultura com um pedido de registro do “mel branco” como especialidade alimentar da zona mais fria do Rio Grande do Sul, onde se produz o queijo serrano (feito há 200 anos com leite cru de vacas mestiças).
    O passo seguinte, que poderá levar anos para ser reconhecido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), será o selo de origem geográfica desse mel translúcido, muito doce e que cristaliza no inverno.
    Este ano, por causa dos distúrbios climáticos, que obrigaram as abelhas a procurar as flores de outras plantas como a aroeira, o cambará, o cipó unha-de-gato, as vassouras do mato e, especialmente, a seiva da bracatinga, “o mel branco está saindo meio mesclado”, como disse em sua loja, em Cambará do Sul, a esposa do veterano apicultor Irineu Castilhos, dono do Apiário Cambará, que fora ao campo-mato “buscar mel” em suas colmeias.
    A valorização do mel branco dos CCS incrementou a apicultura entre os agricultores da região e atraiu dezenas de praticantes da apicultura migratória do Rio Grande e de Santa Catarina.
    Mel branco / Tânia Meinerz

    Enquanto os gaúchos seguem liderando a produção brasileira de mel, os catarinenses vêm se destacando como os principais exportadores do produto. Todos eles, nativos ou egressos de fora, acostumaram-se a pagar aos proprietários pela colocação das caixas de abelhas em suas terras.
    Paga-se em mel ou em dinheiro. Pagamentos adiantados não são incomuns. A base dos arrendamentos é 3 quilos de mel por colmeia por ano. Há casos em que os fazendeiros recebem até 30% da produção de mel.
    Embora a apicultura tenha progredido como um bom negócio, ainda há proprietários rurais que, por não querer estranhos em seus domínios, não aceitam sequer conversar com apicultores.
    Entre os diversos méis resultantes da extraordinária diversidade da flora do Rio Grande, o mel branco tem sido bem cotado nos últimos anos, graças à exportação e à presença de ecoturistas nos CCS, mas os maiores volumes de produção de mel ainda têm outras origens.
    O mel branco produzido na Serra / Tânia Meinerz

    As principais variedades são os méis de eucalipto, de laranjeira e o silvestre, fruto de uma variada combinação de fontes de néctar encontradas pela abelhas em banhados, campos, matas e lavouras do território gaúcho.
    “O primeiro mel exportado pelo Rio Grande foi o de angico, originários dos campos sujos do Alto Camaquã”, diz Anselmo Kuhh, presidente da Federação dos Apicultores do Rio Grande do Sul, que cita ainda outras variedades como o mel de quitoco, erva dos campos do litoral norte do Estado.
    Ele lembra que no passado, na região das Missões, antes da proliferação da soja, era apreciado o mel de timbó, originário de uma árvore da mata atlântica. Ultimamente, começou a destacar-se no mercado um tipo de mel claro oriundo da flor da uva-do-Japão, uma árvore asiática invasora do mata atlântica das encostas da Serra Gaúcha.
    Anselmo Kuhh, presidente da Federação dos Apicultores do RS / Tânia Meinerz

    “Eu acho que a uva japonesa já merece um rótulo de destaque”, diz Kuhn, que possui duas centenas de colmeias em Cambará do Sul e Jaquirana, onde comprou duas pequenas áreas de terra. Quando terminar a colheita do mel branco, ele vai levar suas caixas para os eucaliptais de Butiá, onde é um dos 160 apicultores parceiros da Celulose Riograndense.
     

  • Três dias decisivos para o governo Sartori

    As 14 horas desta segunda-feira começam as sessões extraordinárias que o governador Ivo Sartori convocou para votação de projetos que viabilizam a adesão do Estado ao Programa de Recuperação Fiscal do governo federal.
    Congelamento de salários, prorrogação do aumento do ICMS, que vigora desde o início do governo, e outras medidas de contenção, fazem parte das exigências da União para manter a suspensão da dívida estadual por mais três anos.
    Esta parte do pacote pode ser aprovada por maioria simples e, em princípio, Sartori tem os 28 votos necessários. Nessa parte, a tática da oposição é estender os debates até o limite de tempo, impedindo a votação.
    A outra parte, que envolve a privatização de estatais (estão na lista CEEE, Sulgas e CRM), é mais difícil.
    Como requer emenda a constituição estadual, que exige plebiscito para venda de estatais, são necessários dois terços dos votos, o que até o momento o governo não tem.
    As privatizações são exigências indispensáveis para a adesão ao acordo com a União e há dois anos o governo vem tentando aprová-las sem sucesso.
    Na última semana o governo articulou uma frente de empresários para pressionar diretamente os deputados, que temem votar as medidas, impopulares e rejeitadas principalmente pelo funcionalismo, na eleição de outubro.
    De acordo com a projeção da Secretaria da Fazenda, a renegociação representa alívio financeiro de R$ 11,3 bilhões até 2020, além de permitir ao Estado a contratação de novos empréstimos, dentro e fora do Brasil.
    O próprio governo estadual reconhece que as medidas são amargas, mas garante que não tem outro caminho. As votações vão até quarta-feira. Se conseguir a aprovação, o governador poderá até tentar a reeleição. Se for derrotado, seu governo estará acabado.

  • Governo muda lei para transferir servidores das fundações em extinção

    cleber dioni tentardini
    O governo do estado publicou ontem no Diário Oficial (DOE) alterações na lei que regulamenta a extinção das fundações estaduais.
    Agora, o secretário da Modernização Administrativa e dos Recursos Humanos (Smarh), Raffaele Di Cameli, é quem definirá o destino dos servidores das fundações em processo de extinção, que não podem ser demitidos.
    Não se sabe exatamente o prazo fixado pelo governo para efetuar as transferências. Fala-se em duas datas, no dia 30 deste mês de janeiro e no dia 30 de abril. O jornal tentou contato com o secretário mas sua assessoria informou que ele não poderia atender devido às reuniões, agendadas por toda a tarde.
    O Decreto nº 53.895 é assinado pelo governador José Ivo Sartori e pelo chefe da Casa Civil, Fábio de Oliveira Branco. Altera o Decreto n.º 53.756, de 18 de outubro de 2017, que regulamenta a Lei nº 14.982, de 16 de janeiro de 2017, que autoriza a extinção de fundações de direito privado da Administração Pública Indireta do Estado do Rio Grande do Sul.
    A medida do Executivo estadual é um paliativo às decisões da Justiça do Trabalho que desde o ano passado têm assegurado o direito à estabilidade para a maioria dos servidores das fundações. O governo lançou, inclusive, um programa para demissão voluntária (PDV), que até agora teve baixa adesão.
    Em novembro de 2017, a Frente Jurídica em Defesa das Fundações ganhou liminares que impedem o governo de demitir os funcionários que completarem três anos de trabalho até 31/12/2017. O governo ficou impedido de dispensar, ou mesmo conceder aviso prévio, inclusive aos trabalhadores que tenham sido admitidos no período de 9 de novembro de 2014 a 31 de dezembro de 2014, sob pena de fixação de multa no valor de R$100 mil por descumprimento.”
    A FZB é um caso à parte, porque além da decisão trabalhista ela foi contemplada também no início deste ano com outra medida judicial, esta da 10ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central, onde o juiz Eugênio Couto Terra acolheu parcialmente a liminar requerida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, através da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre , que protege o Jardim Botãnico e o Museu de Ciências Naturais, duas das três instituições vinculadas à Fundação Zoobotânica. Possíveis transferências, então, poderiam prejudicar a continuidade dos trabalhos ou a curadoria das coleções científicas.
    Entre outras determinações em relação à Zoobotânica, o governo está impedido de se desfazer de qualquer bem, móvel, imóvel e plantas, animais e fósseis que constituem o patrimônio material das instituições e não poderá cancelar convênios e contratos com instituições públicas ou privadas até que a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável apresente “de forma detalhada e clara” como manterá o patrimônio e a qualidade dos serviços das duas instituições.

  • Editor denuncia sequestro de arquivos do jornal JÁ

    O editor Elmar Bones está há dois dias tentando reaver os arquivos digitais do jornal JÁ que foram arrestados indevidamente pela Justiça na manhã do dia 24 de janeiro.
    Na manhã desta sexta-feira, ele foi à 10ª Delegacia de Porto Alegre e fez um Boletim de Ocorrência pela subtração dos equipamentos e arquivos dos trabalhos em andamento. Logo depois, os advogados do jornal, que já tinham entrado com uma petição na véspera, obtiveram uma liminar ordenando a devolução do material com urgência.
    Os arquivos estavam em três computadores que foram retirados, junto com três impressoras, da Redação do jornal na manhã de quarta-feira pela oficial de Justiça Andreia Daminelli Muniz em cumprimento a um mandado de penhora por conta de uma dívida com o Banrisul.
    “A dívida existe e a penhora de bens é pertinente”, diz o editor. “O problema é que além de recolher os nossos instrumentos de trabalho, sem esperar a presença do responsável pela empresa, levaram todos arquivos, com originais de reportagens e livros em andamento, inclusive as matérias da cobertura do julgamento do ex-presidente Lula, para uma edição especial que estávamos preparando, e a edição mensal do jornal, que estava sendo concluída.”
    Bones estava dentro do Tribunal Federal da 4ª Região acompanhando o julgamento do ex-presidente Lula quando foi avisado. Falou por telefone com a funcionária, mas ela não quis esperar sua chegada ao jornal.
    Havia um único repórter de plantão na Redação e não teve tempo sequer de salvar uma cópia dos arquivos. Os computadores foram retirados das tomadas sem mesmo terem sido desligados antes. A parte mais antiga do material tem backup, mas há textos e imagens de trabalhos em preparo, além dos projetos editoriais em andamento.
    Por volta das 11 horas, a oficial de justiça Andreia Daminelli Muniz chegou à redação do JÁ no segundo andar do prédio da Associação Riograndense de Imprensa, acompanhada de três pessoas – Lefebvre Luz de Saboya (supervisor da agência Bom Fim e preposto do Banrisul), João Pedro Torves (advogado de um escritório de cobrança terceirizado) e mais um funcionário cujo nome não ficou registrado. Portava um mandado para penhorar de bens “quantos bastem para garantir a dívida e demais cominações legais”.
    A dívida é de 155 mil reais em valores atualizados. A servidora da Justiça não procurou outros bens para arrolar, escolheu sem hesitação os computadores, que junto com três impressoras também levadas, foram avaliados em 3.750 reais no próprio auto de penhora.
    No documento, a oficial registra: “Depositei os bens com o preposto da parte exequente sr. Lafebvre Luz de Saboya (…) sendo removidos ao depósito do leiloeiro Norton”.
    O leiloeiro Norton Jochims Fernandes, no entanto, relata que apenas as impressoras lhe foram entregues. Um dos computadores foi localizado com o advogado Torves, que, consultado por telefone, recusou-se a permitir acesso aos arquivos, cujo conteúdo é propriedade intelectual dos seus autores, e não da editora que publica o jornal. Ainda não se sabe para onde foram encaminhados os outros dois computadores.

    BO registrado pelo editor

    Auto de penhora

    Origem da dívida
    “O irônico, diz o editor, é que essa dívida tem origem numa reportagem premiada pelo próprio Banrisul, que patrocina o principal prêmio de jornalismo do Rio Grande do Sul, o Premio ARI”.
    O prêmio não impediu que o jornal fosse condenado a pagar uma indenização por dano moral à família do então governador Germano Rigotto, cujo irmão era o personagem central da reportagem que abordava a maior fraude já cometida contra os cofres públicos no Estado. Aí começaram as agruras que estrangularam a empresa.
    Em 2008, com um novo governo, a editora voltou a estabelecer relações na área estatal. A garantia da editora para contratar o empréstimo, em 2008, consistia na sua carteira de anunciantes, entre eles o próprio Banrisul, o banco do Estado.
    Mas durou pouco. A postura crítica do jornal em relação aos projetos do governo foi punida com o corte da publicidade estatal.
    “Fomos ao fundo do poço”, diz Bones. Em 2010, o caso JÁ chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, patrocinado pelo Artigo 19. Em 2013, a ação foi admitida e entre os prejuízos arrolados como consequência dessa discriminação está a dívida com o Banrisul.
    Desde então, segundo Bones, a editora vem “em penosa recuperação”, num mercado adverso, “em que o impresso é banido das bancas e o digital é uma terra de ninguém”.
    A equipe do jornal está reduzida a seis pessoas, mais colaboradores, alguns voluntários.
    No julgamento do Lula, toda a equipe se empenhou numa cobertura especial que resultaria inclusive numa edição impressa com grandes entrevistas e um bastidor do julgamento.
    O editor conta: “Fui para o tribunal com um entusiasmo quase juvenil. Antes que o primeiro desembargador desse seu voto, recebi um telefonema da redação onde estava de plantão o repórter Tiago Baltz. A oficiala veio ao telefone, expliquei que os computadores eram instrumento de trabalho, estávamos no meio de uma edição, que esperasse… Quando cheguei ao jornal quinze minutos depois, eles já haviam saído, as poucas mesas que restam na nossa redação estavam nuas”.
     

  • Serpentário da Zoobotânica completa um ano fechado

    cleber dioni tentardini
    Ambientalistas, estudantes e servidores da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul protestaram no final da manhã de hoje contra o fechamento da área de visitação do serpentário do Núcleo de Ofiologia de Porto Alegre (NOPA), que completou um ano no dia 18 de janeiro.
    O ato começou no Largo Glênio Peres, com distribuição de panfletos à população sobre as atividades da FZB, e terminou em frente ao prédio da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA), na avenida Borges de Medeiros. Os manifestantes carregavam um boneco gigante de uma cobra cascavel como representação.
    “O serpentário é um dos espaços que desperta interesse direto, ainda é muito procurado pelos visitantes da FZB, que ficam decepcionados ao saber que continua fechado, depois de tanto tempo. Isso é um absurdo, o serpentário da FZB não pode ficar fechado para a comunidade gaúcha, porque faz parte da divulgação do trabalho de pesquisa com ofídios, compartilha o conhecimento sobre biodiversidade e trabalha a educação ambiental’, diz o texto do evento promovido nas redes sociais.
    A secretária da SEMA, Ana Pellini, não quis se manifestar.

    Protesto foi para a entrada do prédio da SEMA

    O presidente da Fundação, Luiz Fernando Branco, diz que a sala de exposição das serpentes é vulnerável e, por isso, não reabrirá ao público enquanto não tiver segurança, com instalação de alarme e câmeras e o bloqueio de uma das portas, que é de vidro. Segundo ele, um videomonitoramento custaria cerca de R$ 7 mil, valor de que não dispõe no orçamento.
    Na noite de 18 de janeiro de 2017, houve uma tentativa de arrombamento da sala de exposição do serpentário, até hoje não esclarecida. A porta foi danificada e pedras arremessadas contra os abrigos das cobras, mas as grades de ferro impediram o acesso e maiores danos. Desde então permanece fechado.
    Área de visitação do serpentário/Cleber Dioni

    As diretorias da SEMA e da FZB já sinalizaram com desinteresse pela reabertura do espaço, inclusive houve uma tentativa frustrada de transferir as serpentes para o Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro.
    As cerca de 350 serpentes, de 16 espécies, são mantidas no Núcleo de Ofiologia de Porto Alegre (NOPA), da FZB, que continua em funcionamento.
    Estado não fornece mais peçonha para produção de soro antiofídico 
    Além da interdição da área de visitações, também foi suspenso o envio de veneno das serpentes nativas ao Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro, porque a Fundação Zoobotânica não renovou o convênio com o laboratório carioca, reduzindo a matéria-prima para produção de soro antiofídico fornecido ao Ministério da Saúde, que redistribui aos hospitais do Estado.
    A parceria entre FZB e IVB foi firmada em setembro de 2009 e previa, além da remessa de peçonha, um acordo de cooperação técnico-científica permitindo o intercâmbio entre técnicos, bolsistas e pesquisadores das duas instituições.
    Soro antiveneno da coral verdadeira, cuja lesão é considerada grave/Cleber Dioni

    A remessa do material ocorria de duas a três vezes por ano, de acordo com a demanda do Vital Brazil.
    “Os venenos das cobras mudam de acordo com a espécie e região de incidência. Aqui no RS tem cascavéis com uma concentração maior da substância chamada Crotamina. Essa toxina é um diferencial para produção de soro mais eficaz”, lembrou o biólogo Roberto Oliveira.
    NOPA, criado por Thales de Lema, foi pioneiro no país
    O NOPA foi criado em 1987 pelo professor Thales de Lema, um dos pioneiros do Museu de Ciências Naturais, da FZB. Com verba do Ministério da Saúde, Lema montou um laboratório de pesquisas e extração de veneno de serpente, a peçonha, para fornecer aos centros produtores de soro antiofídico nacionais. Em seguida, o professor organizou a Rede Nacional de Núcleos de Ofiologia (RENNO), criando nos estados núcleos similares ao NOPA.
    “A FZB tem uma história brilhante de lutas e conquistas e possui um acervo científico invejável e internacionalmente usado”, ressalta Thales de Lema, especialista no estudo de anfíbios e répteis, e que ao lado de Ludwig Buckup deram início a maioria das coleções do MCN e lançaram a Revista Iheringia, as séries de Zoologia (1956) e de Botânica (1958).
    Lema chegou a ser convidado pelo Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul (Lafergs) para criar o soro antiofídico gaúcho, tanto para uso humano como veterinário, mas não chegou a concluir o trabalho porque aposentou-se e assumiu como professor, em dedicação exclusiva, do Programa de Pós-Graduação em Zoologia da PUC, criando as linhas de pesquisa em Ictiologia e Herpetologia.

  • Em São Paulo, Lula avisa: "Agora quero ser candidato à Presidência da República"

    Após os desembargadores do TRF4, em Porto Alegre, terem confirmado a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aumentado a pena para 12 anos e 1 mês de prisão, manifestantes reuniram-se na Praça da República, centro da cidade de São Paulo, para manifestar apoio ao ex-presidente.
    Lula participou do ato e fez o primeiro discurso após a condenação. Ele disse que nunca se iludiu em imaginar um resultado diferente do que ocorreu no julgamento. Lula reafirmou ainda que, com o resultado, voltou a deseja ser candidato à Presidência na próxima eleição.
    “Eu nunca tive nenhuma ilusão com o comportamento dos juízes na questão da Lava Jato. Porque houve um pacto entre o Poder Judiciário e a imprensa, que resolveram que era hora de acabar com o PT e com a nossa governança no país. Eles já não admitiam mais a ascensão social das pessoas mais pobres desse país e dos trabalhadores. Eles não suportavam mais a ascensão da escolaridade, que ia da creche à universidade”, disse.
    “Eu até nem queria mais fazer política, eu já tinha sido presidente, mas agora, o que eu estou percebendo é que tudo o que eles estão fazendo é para evitar que eu possa ser candidato. Não é nem ganhar, é ser candidato. Essa provocação é de tal envergadura que me deu uma coceirinha e eu agora quero ser candidato à Presidência da República”, completou Lula.
    A concentração teve início antes do voto do desembargador Victor Luiz dos Santos Laus, o último a votar. Do carro de som, onde uma faixa dizia “Eleição sem Lula é Fraude”, lideranças políticas e sindicais protestaram contra a condenação e defenderam o direito do ex-presidente de disputar as próximas eleições, em outubro deste ano. “Hoje foi um dia de farsa em Porto Alegre”, disse o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. “Passaram o dia falando, sem conseguir apontar nenhuma prova contra esse cidadão”, continuou, apontando para Lula ao seu lado.
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  • Parcão festeja sentença de Lula em Porto Alegre

    Nem havia acabado o julgamento de Lula, realizado nesta quarta-feira, 24/01, no TRF4 em Porto Alegre, quando manifestantes de verde amarelo já começavam a chegar ao Parque Moinhos de Vento, o Parcão, local de encontro de protestos daqueles que são a favor da condenação do ex-presidente.
    A confirmação do placar de 3 a 0, pouco antes das 18h, só fez explodir ainda mais de alegrias os manifestantes. Animados pela La Banda Loka Liberal, grupo musical criado para cantar em manifestos contra o PT, a comemoração da ampliação da sentença de Lula era festejada pelos que ocupavam um lado da Avenida Goethe fechado para o evento. Era o “Carnalula”.
    A coordenadora do MBL (Movimento Brasil Livre) no Rio Grande do Sul, Paula Cassol comentou o julgamento: “Foi muito importante a condenação de forma unânime tendo inclusive a majoração da pena”.
    Questionada se a comemoração era ainda maior pelo fato de Lula não concorrer nas eleições de outubro, Cassol rechaçou: “Lula tem um rejeição muito grande, mais de 50%. Não se trata dele concorrer ou não. Se trata do chefe do maior esquema de corrupção do país. E ele está sendo punido como outros políticos foram.”
    Até o fechamento desta reportagem nenhum incidente foi registrado. O ato foi acompanhado de forma discreta por um razoável efetivo da Brigada Militar que estacionou pelo menos cinco viaturas nas proximidades do parque.

    Reprodução Facebook

  • Abaixo de sol e chuva, apoiadores de Lula mantiveram vigília

    O dia começou quente. Quando o presidente da 8ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Leandro Paulsen, deu início à sessão do julgamento de Lula,  pontualmente às oito e meia da manhã, a temperatura já era alta em Porto Alegre.
    Milhares de apoiadores do ex-presidente Lula já se concentravam no anfiteatro Pôr do Sol, em vigília. Caravanas não paravam de chegar, do interior do Estado, Santa Catarina, Paraná, Uruguai.
    Os militantes se reuniam em torno de dois carros de som, dos grupos percussivos e dos espaços com sombra. Em um dos trios elétricos, dois trovadores da região das missões. “Lula não vai para a cadeia por causa dessa quadrilha”, atacou um. “Ele só vai ser preso se for nos braços da nossa gente”, respondeu o outro.
    Ao longo da manhã foram se juntando artistas de outros estados, misturando os sotaques. Lideranças do Partido dos Trabalhadores e de diversos movimentos se revezavam nas falas.

    No No carro de som, o discurso das lideranças; no asfalto, percussão, luminosos e fumaça vermelha / Matheus Chaparini / JÁ

    Há um quilômetro, centenas de policiais e viaturas e diversas barreiras até o prédio  onde transcorria o julgamento. O primeiro voto foi o do relator, o desembargador João Pedro Gebran Neto. Após três horas e meia de leitura, apresentou sua sentença, que viria a ser confirmada por seus dois colegas: doze anos e um mês de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
    Após o voto, a sessão foi interrompida para o almoço. Neste momento alguns manifestantes começaram a deixar a vigília. Bonés da CUT, camisas do PT e faixinhas “Lula vale a luta” se espalharam pelos restaurantes da região central.
    No meio da tarde, o tempo começou a virar em Porto Alegre. Quando o desembargador Victor dos Santos Laus concluiu o último voto da tarde, decretando os três a zero, a chuva que se anunciava caiu forte sobre a Capital gaúcha. A manifestação rapidamente dispersou.
    Abaixo de muita água, se ouvia um samba afinado. A bateria do núcleo Santa Margarida, do PT do Rio de Janeiro, seguia firme. “Eu sou resistência / Até o Lula assumir a presidência”.
    Ricardo Stricher / JÁ

    Ricardo Stricher / JÁ

    Ricardo Stricher / JÁ

    Ricardo Stricher / JÁ

  • Por unanimidade, tribunal condena Lula a 12 anos e um mês

    Os três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, votaram hoje (24) pela manutenção da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex no Guarujá, em São Paulo. Os magistrados negaram o recurso da defesa de Lula contra sentença aplicada pelo juiz Sérgio Moro, em primeira instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
    O presidente da turma, Leandro Paulsen, proclamou o resultado e a sessão foi encerrada.
    Os desembargadores entenderam que a sentença de Moro é válida. E também aumentaram a pena do ex-presidente de 9 anos e meio de prisão para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado pelos crimes citados, acolhendo pedido do Ministério Público Federal (MPF).
    Para o juiz federal Sérgio Moro, ficou provado nos autos que o ex-presidente e a ex-primeira-dama Marisa Letícia eram de fato os proprietários do imóvel e que as reformas executadas no triplex pela empresa OAS provam que o apartamento era destinado a Lula e faziam parte do pagamento de propina ao ex-presidente por ter beneficiado a empreiteira em contratos com a Petrobras.
    No recurso, a defesa alegou que a análise de Moro foi “parcial e facciosa” e “descoberta de qualquer elemento probatório idôneo”. Os advogados afirmaram que um conjunto de equívocos justificava a nulidade da condenação. Para a defesa, o juiz teria falhado ao definir a pena com base apenas na “narrativa isolada” do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, sobre o que os advogados consideram “um fantasioso caixa geral de propinas” e a suposta compra e reforma do imóvel.
    Veja como ficou a pena dos envolvidos:
    – Luiz Inácio Lula da Silva: 12 anos e 1 mês de reclusão, em regime inicialmente fechado, e 280 dias-multa;
    – José Adelmário Pinheiro Neto Filho: 3 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, e 70 dias-multa;
    – Agenor Franklin Magalhães Medeiros: 1 ano, 10 meses e 7 dias de reclusão, em regime aberto, e 43 dias-multa.