O grupo “Unamérica” apresenta o show “Canções de Luta – Ontem, Hoje e Sempre”, na terça-feira, 23/01, a partir das 21h, no Café Fon Fon . No repertório, além de músicas do CD Pássaro Poeta, serão apresentadas canções que fazem parte da trajetória desta referência da música latino-americana.
Fundado em 1983, o Unamérica, composto pelos músicos Dão Real (violão, quatro venezuelano e voz) e Zé Martins (charango, zampoña, percussão e voz), desenvolve um trabalho musical identificado com a cultura popular e regional, tendo como proposta a difusão e divulgação da música latino-americana.
Em sua trajetória o Grupo gravou pela gravadora ACIT dois LPs e um CD. O primeiro lançado em 1989 denominado de Unamérica, traz canções como América Morena, Gaúchos Doidos, Paz Pra Nicarágua, Rosa Amarela, dentre outras. O segundo, lançado em 1992, com o título de Unamericando, apresenta as músicas inéditas Andante, Antes da Lua, Mulungu e Por Um Canto Apenas e composições consagradas da música popular brasileira e latino-americana como Pra Lennon e Mc Cartney, Trem do Pantanal, Guantanamera e El Condor Pasa.
Em 1998 lança o CD Unamérica 15 Anos, com uma coletânea de seus melhores trabalhos. Em 2009 participa do CD Trovas da Pátria Grande, juntamente com músicos brasileiros, chilenos, uruguaios e cubanos. Seu mais recente trabalho, o CD Pássaro Poeta, foi lançado em junho de 2017.
O Unamérica tem marcado a história da música gaúcha. Com um estilo próprio, suas composições foram sempre influenciadas pelos vários momentos históricos e políticos da América Latina. Com uma inquietante preocupação com questões sociais e ambientais, bem como com a defesa da rica diversidade das culturas dos povos deste continente, sendo sempre considerados elementos de universalização e congregação.
SERVIÇO
Show Canções de Luta – Ontem, Hoje e Sempre, com Grupo Unamérica
Data: 23 de janeiro de 2018
Horário: 21h
Local: Café Fon Fon- Rua Vieira de Castro, 22.
Couvert artístico: R$ 20,00
Autor: da Redação
"Canções de Luta", com o grupo Unamérica é atração no Café Fon Fon
22 linhas de ônibus serão afetadas por causa de julgamento em Porto Alegre
Vinte e duas linhas de ônibus terão suas rotas alteradas a partir de amanhã, 23/01, em Porto Alegre por conta do julgamento do ex-Presidente Lula na próxima quarta-feira, dia 24. A informação foi dada pela Prefeitura na manhã desta segunda-feira.
O bloqueio de ruas e avenidas começa ao meio-dia desta terça-feira pela Avenida Edvaldo Pereira Paiva, sentido centro/bairro, entre a Presidente João Goulart e Ipiranga. Também será bloqueada a Avenida Augusto de Carvalho, entre a Loureiro da Silva e Aureliano de Figueiredo Pinto.
No dia 24, a partir da meia-noite, o bloqueio será feito na Avenida Mauá com Bento Martins. Às 5h, estará bloqueado o acesso da Legalidade para a Mauá. Desvio pelo Túnel da Conceição, Sarmento Leite, Loureiro da Silva.
Veja os mapas
Linhas afetadas
Dia 23:
T1,
T1 Direto
e C1.
A partir do dia 24, meia-noite: 397 Bonsucesso,
376 Herdeiros/Esmeralda,
360 IPE,
394 MAPA,
R32 Rápida – Bonsucesso,
R32.1 Rápida – Bonsucesso/Parada 13,
349 São Caetano,
273 Belém Novo/Hípica,
255 Caldre Fião,
282 Cruzeiro,
272 Moradas Da Hípica,
282.1 Pereira Passos,
178 Praia De Belas,
244 Santa Tereza,
244.1 Santa Tereza / M. Mattos,
346 São José,
176 Serraria/Rodoviária,
188 Assunção,
429 Protásio/Iguatemi (sentido bairro-centro).
As linhas de ônibus T1 e T1 Direto terão o seguinte itinerário: Praia de Belas, alça do Viaduto dos Açorianos e Loureiro da Silva. O C1 seguirá pela Loureiro da Silva, alça do Viaduto dos Açorianos, Antônio Klinger Filho e Loureiro da Silva.
Os ônibus com terminais na Cassiano Nascimento e Uruguai seguirão pela Mauá, Cap. Montanha, Siqueira Campos, Júlio de Castilhos, Cel. Vicente, Alberto Bins, Dr. Flores, Salgado Filho, Borges de Medeiros, Antônio Klinger Filho, Loureiro da Silva, José do Patrocínio. No sentido bairro / centro, os ônibus das linhas 178, 188 e 429 seguirão pela Loureiro da Silva, Paulo Gama, Túnel da Conceição, Gen. Câmara, Siqueira Campos, até os terminais da Uruguai e Júlio de Castilhos.
Porto Alegre será a capital política do Brasil nesta semana
Os primeiros a chegar são integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Santa Catarina, de onde são esperados 80 ônibus nos próximos dias.
— Teremos 5 mil catarinenses aqui. Muita gente também está vindo por conta própria, de carro e de avião — disse uma das organizadoras.
Conforme a Frente Brasil Popular, que reúne organizações sociais e partidos de esquerda, pelo menos 225 caravanas estão confirmadas. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado, Claudir Nespolo, estima que 50 mil pessoas venham à Capital para se solidarizar a Lula.
No entorno do TRF4, dezenas de policiais militares já estão posicionados e acompanham a movimentação de longe, inclusive por helicóptero. A Brigada Militar transformou o Parque Maurício Sirotsky Sobrinho em QG — um dos gazebos inclusive está sendo utilizado para abrigar os cavalos usados no policiamento.
Na semana em que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) julga o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Porto Alegre terá sua rotina alterada. Além de um grande esquema de segurança, estão previstas uma série de eventos e manifestações, tanto a favor quanto contra Lula, nos próximos dias.
Confira os principais atos previstos:
Segunda-feira (22)
6h30min
Marcha da Via Campesina
Local: início na frente do antigo posto da Receita Estadual, na BR-116, próximo à ponte do Guaíba, com destino ao Anfiteatro Pôr do Sol
9h
Diálogos internacionais sobre a democracia
Local: auditório da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do RS (Fetrafi), na Rua Coronel Fernando Machado, 820, Centro
11h
Conversa com Ana Buarque de Hollanda
Local: Nossa Cara, na Rua Felipe Camarão, 677
13h30min
Ato da Juventude em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato e de transferência da sede da UNE para Porto Alegre
Local: DCE da UFRGS
18h
Ato de juristas e intelectuais em defesa da democracia. Nomes confirmados incluem Celso Amorim (ex-ministro da Defesa) e Eugênio Aragão (ex-ministro da Justiça)
Local: auditório da Fetrafi
20h
Sarau das juventudes
Local: Acampamento dos movimentos sociais, no Anfiteatro Pôr do Sol
Terça-feira (23)
9h
Mulheres pela democracia e pelo direto de Lula ser candidato. Nomes confirmados incluem a ex-presidente Dilma Rousseff e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann
Local: Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa
10h
Inauguração da Tenda da Liberdade de Expressão e Diversidade Cultural com Lula. O espaço abrigará, ao longo do dia, manifestações culturais de diversos artistas, como a cantora Ana Cañas e o cantor Chico César.
Local: Largo Glenio Peres
14h
Ação global anti-Davos _ Contra o ataque neoliberal
Local: Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa
16h
Concentração para marcha e ato político cultural. Caminhada até o Acampamento da Resistência, no Anfiteatro Pôr do Sol. Lula é esperado, mas a presença não está confirmada
Local: Esquina Democrática, no Centro, até o Anfiteatro Pôr do Sol
Noite
Início da vigília para o julgamento, no Anfiteatro Pôr do Sol
Quarta-feira (24)
Todo o dia
Vigília e ato público no Anfiteatro Pôr do Sol
Contra Lula
Terça-feira (23)
18h
Ato em defesa da Justiça, promovido pelo Vem pra Rua
Local: Parque Moinhos de Vento
Quarta-feira (24)
18h
CarnaLula, organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), com a Banda Loka Liberal
Local: Parque Moinhos de Vento
Manifestantes pró e contra Lula disputam a avenida Paulista
A Policia Militar de São Paulo não conseguiu até agora obter um entendimento entre as entidades que planejam manifestações na quarta-feira, quando o ex-presidente Lula será julgado no TRF4 em Porto Alegre.
De um lado estão os representantes da Frente Brasil Popular, defensores de Lula, que querem ocupar a avenida Paulista para acompanhar num telão o julgamento que começa às 8h30min.
De outro lado estão o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Revoltados On Line, que pedem a prisão de Lula e também reivindicam ocupar a avenida, no coração financeiro da capital paulista, desde as 9 horas da manhã até às 20 horas.
Em comunicado divulgado à imprensa, a Frente Brasil Popular diz que as entidades que a compõem “não abrirão mão da caminhada democrática na tradicional avenida”. Segundo integrantes que participaram da reunião, a Polícia Militar teria sugerido realizar os dois atos na Paulista, um em frente ao Museu de Artes de São Paulo (Masp) e outro em frente ao prédio da Fiesp.
A estratégia já foi utilizada em outros casos: após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, entidades da Frente Brasil Popular protestavam contra o governo interino de Michel Temer enquanto militantes do MBL e outras entidades comemoravam a saída do PT do Palácio do Planalto.
Agora, no entanto, os grupos não chegaram a um acordo nas primeiras negociações.
Marcello Reis, do Revoltados On Line, diz que o grupo planeja levar quatro bonecos infláveis de Lula para a avenida, os chamados “pixulecos”, e uma faixa pedindo a prisão do ex-presidente.
— Se a CUT for para a Paulista, a confusão estará decretada, diz Reis.
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Segunda-feira começa com marcha da Via Campesina
Avançaram na noite de domingo os trabalhos de montagem do acampamento que a partir desta segunda recebe os movimentos sociais que estarão em Porto Alegre durante o julgamento do ex-presidente Lula, na quarta-feira, 24.
Nem a chuva impediu o descarregamento do material no Anfiteatro Por do Sul, à beira do Guaiba, e mais de 200 militantes do MST se encarregaram da construção das tendas para plenária de debates, alojamento das caravanas, cozinha e centro de saúde.
A largada da jornada será dada nesta segunda-feira, com a marcha de camponeses da Via Campesina, da Ponte do Guaíba (BR 116) até o local do acampamento, que começará a receber as delegações. Haverá a partir das 14h um seminário sobre arbitrariedades do processo contra o presidente Lula.
Na terça-feira, os acampados fazem marcham até o auditório Dante Barone, na Assembleia Legislativa, para o ato das mulheres pela democracia, a partir das 10h.
No período da tarde, o coordenador do MST e da Frente Brasil Popular João Pedro Stedile participa de seminário sobre a conjuntura brasileira, a partir das 14h.
O grande ato tem concentração a partir das 17h na Esquina Democrática, onde será o ato político, que será seguido por uma marcha pelo centro até o Anfiteatro Pôr do Sol, que será o local da Grande Vigília pela democracia, que acompanhará a 2 quilômetros do TRF 4 o julgamento do ex-presidente Lula.
(Com informações da Assessoria de Imprensa)A mídia, o BBB e os nossos estereótipos: algumas reflexões possíveis
MARÍLIA VERÍSSIMO VERONESE
Hoje fiquei sabendo que uma colega, professora e pesquisadora da UFMG, vai participar do BBB2018. Nunca assisti ao programa Big Brother Brasil. Quando tentei, por interesse etnográfico, não consegui: achei que eram pessoas muito desinteressantes, muito chatas; muito enfadonho era seu cotidiano. Não passei de 5 minutos de TV ligada.
Nem sequer sei qual foi o ano que o atual deputado federal Jean Wyllys participou do programa, porque não assistia. Depois que conheci a linda pessoa que é o jornalista e professor (que está deputado), lamentei; gostaria de ter visto sua atuação, pelo menos alguma vez, durante o programa. Ele é frequentemente desqualificado, por conservadores, pela participação no BBB. Uma boa maneira de disfarçarem seu conservadorismo e homofobia, posando de “intelectuais” diante de Jean, um leitor voraz de literatura de qualidade (volta e meia comenta nas redes sociais suas leituras e aprendizados) e professor universitário.
Como não assisto TV aberta, salvo casos excepcionais, nos últimos anos eu normalmente sabia que ia começar um novo BBB porque via nas redes sociais as ridículas postagens de um HOAX, um texto atribuído ao Luis Fernando Verissimo desancando o programa[1]. Eu e minha prima Mariana Verissimo (filha de Luis Fernando) corríamos a postar que era falso, que não era dele, que ele jamais escreveria aquela bobagem (texto simplório e mal escrito) e que ele pensa que as pessoas devem assistir ao que elas bem entenderem na televisão. Até que cansamos. São muitos anos dessa joça de programa, é todo o ano o mesmo fake, a mesma gente que não conhece a escrita do LFV e mesmo assim o “cita”, através de conteúdos primários e limitados, que ele jamais produziria daquela forma.
Quando conheci o Jean Wyllys, seu trabalho, sua história e suas ideias, tive um insight muito importante: é pré-conceito meu achar que só tem gente besta no B(esta)B(obo)B(iltre), ou em qualquer outro contexto. Bom, talvez no MBL a afirmação se justifique… (risos). Sabem como é, se tudo é relativo, até a própria relativização é relativa! Como dizia meu professor de filosofia Carlos Roberto Cirne Lima, “é absoluto que tudo seja relativo”. Mas não sou filósofa e paro por aqui com esse tema!
Para o meu despertar, contribuiu a minha formação em ciências sociais, claro: ter cuidado com as certezas, saber que as mídias são espaços contraditórios, que não existe BEM de um lado e MAL do outro (nisso acreditam os fascistas e os intelectualmente toscos). As categorias da contradição, da ambivalência e da ambiguidade são as que melhor descrevem esse negócio chamado “cerumanu” e a sua criação chamada sociedade. Pronto. Estava, então, pronta para tentar entender sem julgar tão definitivamente. Pode (embora muito raramente!) ter gente crítica, fina, inteligente e sincera no BBB. Pode ter dúvida – ou equívoco -, na minha concepção de mundo. Uau! Que m., hein: Mundo que não vem pronto, ordenado, classificado, definitivo, absoluto e que ainda me obriga a abrir mão das minhas convicções!
Tendo participado por sete anos do grupo de pesquisa “Ideologia, comunicação e representações sociais”, coordenado pelo Prof. Dr. Pedrinho Guareschi (não conheço ninguém mais crítico à mídia corporativa do que ele[2]); tendo feito um doutorado sanduíche sob orientação prof. Dr. Boaventura de Sousa Santos no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e defendido um doutorado em psicologia social, penso que tenho alguma credencial para avaliar criticamente a mídia no Brasil. Claro que sempre há quem desconsidere a formação da gente, diminua, insinue que somos tontas a dizer asneiras, especialmente se somos mulheres. Isso faz parte dos (mal)entendidos, que são a nossa realidade na maior parte do tempo, na esfera comunicacional.
A mídia hegemônica no Brasil é dominada por umas poucas famílias (ou indivíduos) riquíssimas que defendem seus interesses, isso é fato notório e sabido. As leis são frouxas, antidemocráticas, permitem propriedade cruzada, o que é proibido até na terra dos ianques. A Rede Globo recebeu uma concessão eterna por bons serviços prestados a uma ditadura militar que torturou, assassinou, oculta até hoje cadáveres jamais entregues às famílias dos mortos e desaparecidos, distorcendo conteúdos, tergiversando a realidade ou mentindo deliberadamente, às vezes. O modelo adotado legitima monopólios, persegue a diversidade, criminaliza movimentos sociais e justifica as injustiças.
Apesar de tudo isso, há que considerar, também, que bons profissionais atuam nesses veículos (as pessoas têm de trabalhar pra viver, não é?) e eventualmente produzem bom conteúdo. Exemplo gaúcho: Jorge Furtado, cineasta crítico e posicionado politicamente à esquerda, que assina minisséries e outros programas da TV Globo. Jorge também produziu o excelente documentário “O mercado de notícias”[3], que mostra jornalistas de diferentes posicionamentos discutindo e criticando a mídia da qual fazem parte. Super recomendo, é sensacional. Outro exemplo é o próprio LFV, que foi roteirista de programas como TV pirata, engraçado pra caramba; Dias Gomes, grande escritor, que deu origem a telenovelas memoráveis. Jânio de Freitas, Juremir Machado da Silva e Eliane Brum são outros exemplos de colunistas da “grande mídia” impressa e/ou eletrônica com posicionamento plural.
Meu argumento é: sejamos críticos, mas não taxativos. Moisés Mendes, jornalista que trabalhou muitos anos na Zero Hora (jornal que eu não compro, nunca, e do qual sou muito crítica!) me convidou para escrever em sua coluna, durante a Campanha “Agora é Que São Elas”[4], em 2015, na qual jornalistas e blogueiros homens convidaram mulheres para se expressarem em seu lugar por um dia. Pois bem, eu escrevi e o texto saiu no jornalão de maior circulação no RS, famoso por suas posições conservadoras, mas que tinha em suas fileiras de empregados muita gente inteligente, a exemplo do próprio LFV e do Moisés[5]. Fui atacada por um familiar, que disse que eu era incoerente e desonesta por publicar em ZH, já que criticava o jornal. O mimimi tinha fortes doses de misoginia e machismo (pegava mal esculachar diretamente o conteúdo do meu texto, o que eu acho que era o caso! Então teve que esculachar a autora), mas de qualquer modo o pensamento binário – “é isso OU aquilo” – é bastante limitado, pois eu acho que devemos, sim, ocupar todos os espaços possíveis para comunicar visões de mundo plurais. Do mesmo modo que penso que as mídias convencionais guardam alguma diversidade, em alguns (poucos, é verdade) casos. São espaços contraditórios; eu os critico fortemente, mas não os demonizo automaticamente.
A mídia “alternativa”, na internet, tem sido o meu modo predominante de informação cotidiana e participação comunicativa. Mas aproveitar possíveis brechas na mídia “hegemônica” (uso aqui o termo sem muita precisão sociológica, perdoem-me) em todos os espaços disponíveis e acessíveis, pode ser uma boa oportunidade de pluralizar o debate. Jamais perderia a chance de atingir tanta gente com um texto que expressasse ideias diversas das que geralmente circulam nos espaços midiáticos convencionais, de massa, tipo “jornalões” de grande circulação ou semanários. E se surgir outra, vou aproveitar, podem ir preparando o mimimi!
Mas voltemos ao caso da professora universitária que, surpreendentemente, anunciou essa semana que estará na próxima edição do Big Brother Brasil. Seu nome completo é Helcimara de Souza Telles, mas é conhecida como Mara Telles. Conheci a Mara nas redes sociais, por termos amigos em comum. É pesquisadora e professora de strictu sensu como eu, é mulher de meia idade e mãe de uma mulher jovem como eu, é de esquerda como eu, é crítica do instituído como eu. Me identifiquei com ela imediatamente.
Mas eu não sou é tão engraçada como a Mara: passei a segui-la nas redes sociais porque ela é divertidíssima, além de inteligente. As postagens sobre o “mozão Dallagnol”, nas quais ela inventa um romance com o “moço do power point” para criticar a Lava-Jato, eram sensacionais e hilárias, e seus textões de análise de conjuntura tinham sempre um tom irônico, sagaz e crítico. É pós-doutora em ciência política, já foi docente convidada em respeitáveis universidades no exterior. Mas agora, para alguns, ela é somente uma coisa e nada mais: a ridícula do BBB. Meu deus e minha deusa, como as pessoas são regidas pelos estereótipos automaticamente disparados. Impressionante como Mara foi imediatamente classificada como fútil, boba e oportunista, ao tomar a inesperada decisão de participar do odiado programa. Fiquei um tanto chocada com afirmações peremptórias que vi nesse sentido. Penso que ainda temos muito que refletir e construir, inclusive no campo do feminismo, da maternidade ativa, da sororidade e compreensão mútua entre nós, mulheres. Aprendi com isso que antes de gritar a gente se informa melhor e vou levar esse aprendizado para a militância política, que pode eventualmente fazer-nos menos reflexivas e mais impulsivas. O que também faz parte do processo, mas há que ser críticas de nós mesmas, como sempre alertou o Boaventura: uma perspectiva crítica que não é crítica de si mesma cai facilimamente numa rotina autoritária.
Quero, com este texto, dizer publicamente que admiro e apoio a Mara, mulher, mãe, professora e pesquisadora. Que matou vários leões por dia pra chegar lá nessa carreira tão masculina e machista, como eu própria e várias das minhas colegas. Não sei se vou ver o BBB, provavelmente não, mas tentarei ter acesso a alguma participação da Mara, via vídeos que deverão ser postados nas redes sociais, que pelo que entendi, serão alimentadas pela sua filha, Ana Luiza, jovem que apoia a mãe nessa aventura heterodoxa. Estou com elas duas. Boa sorte, querida Mara, e leva a tua inteligência, sagacidade e criticidade, na medida do possível, para aquele contexto que não tem essas características. Vamos ver se é possível, não deixa de ser uma experimentação, uma exploração de campo empírico… que, como qualquer empreendimento no mundo social, pode dar errado ou dar certo, contém seus riscos. Lembro-me de quando a brilhante atriz gaúcha Ilana Kaplan participou do programa “Sai de baixo”, na rede Globo. Não deu muito certo, embora a ideia fosse ótima e Ilana, talentosíssima. Ela ficou pouco tempo, não se adaptou àquela forma de humor. Torci por ela na ocasião, como agora torço pela Mara.
Assim como eu aproveitei a oportunidade de escrever na ZH, Mara, aproveita a tua de entrar diariamente na casa de gente que gosta do BBB. Quem sabe será uma chance de pluralizar um pouco as referências dessas pessoas, bagunçar seus esquemas cognitivos talvez limitados, portanto uma forma de educação, que é, ao fim e ao cabo, a área a qual nos dedicamos.
Currículo Lattes da Mara: Disponível em: http://lattes.cnpq.br/5854848038464290
Um pouco de suas considerações sobre a política: http://www.youtube.com/watch?v=DRTm38Mi9TQ
Vídeo da Mara analisando a crise política no inicio de 2017: http://www.youtube.com/watch?v=DRTm38Mi9TQ
Referências
[1] Aqui LFV comenta o caso: http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/2769967
[2] A título de exemplo, ver: Pedrinho A. Guareschi e Osvaldo Biz. Mídia e Democracia. Editora Evangraf, 2005.
[3] http://www.omercadodenoticias.com.br/
[4] http://coletivonisiafloresta.wordpress.com/2015/11/06/campanha-agora-e-que-sao-elas-um-primeiro-passo-e-preciso-mais/
[5] Disponível em: http://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2015/11/decapitadas-em-nome-das-luzes-4902500.html
Porto Alegre sitiada
Miguel Idiart Gomes
Criado em 1924, o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), tinha a função de assegurar e disciplinar a ordem militar no país. Quase dez anos depois, em Brasília através de um decreto, formou-se a Delegacia de Segurança Pública e Social (DESPS). Tinha como objetivo coibir comportamentos políticos divergentes.
O DESPS era diretamente subordinada à Chefia de Polícia do Distrito Federal e possuía uma tropa de elite, a Polícia Especial. Suas atribuições eram examinar publicações nacionais e estrangeiras e manter dossiês de todas as organizações políticas e pessoas considerados suspeitas.
Foi em 1935, com avanço da Aliança Nacional Libertadora, uma frente de esquerda composta por setores de diversas organizações de caráter anti-imperialista, antifascista e anti-integralista, que foi promulgado a Lei de Segurança Nacional, definindo crimes contra a ordem política e social.
Em 1944, no Estado Novo, ocorreu a reforma do judiciário, na qual a DESPS, transformou-se em Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP).
Na ditadura civil militar, foi que a polícia política intensificou a repressão. Perseguia, prendia, torturava e executava. Não tinha investigação séria, ou qualquer tipo de julgamento.
No poder judiciário, os Atos Institucionais suspendiam direitos constitucionais. O AI 2, em 1965, elevou o número de ministros do STF de 11 para 16, com o intuito de alterar os posicionamentos. O AI 5, em 1968, suspendeu os direitos e garantias individuais, iniciando as cassações. O AI 6, de 1969, excluiu da apreciação judicial uma série de atos. O AI 13, de 1969, dispôs sobre o banimento dos considerados nocivos à segurança nacional. O AI 14, em 1969, instituiu a pena de morte para os casos de guerra psicológica revolucionária ou subversiva.
Foi a Justiça Militar Federal a grande protagonista. O DL 314/67 e o DL 898, de 29 de setembro de 1969, regulavam os crimes e processos envolvendo a segurança nacional.
As estruturas das Polícias Militares brasileiras, como conhecemos hoje, são herança direta do regime militar. A lógica é compreender a população como inimiga e uma massa a ser controlada. O abuso de poder, a truculência, e os assassinatos cometidos pela Polícia Militar, se antes se sustentavam por um sistema de controle de informações e de segurança nacional, agora se sustenta num regime considerado democrático por alguns setores da sociedade.
As vésperas do julgamento do ex-presidente Lula no TRF4 em Porto Alegre, reascendeu uma a luz de alerta. A Brigada Militar que nas últimas décadas cumpre de forma repressora qualquer tipo de manifestação pública, reaparece com força total. Relatos chegam sem parar, policiais estão sitiando sindicatos, partidos políticos e claro, órgãos públicos. Além de abordagens nas pessoas no entorno sem nenhuma justificativa. Os índices de criminalidade em Porto Alegre, batem recordes. Enquanto a criminosos agem, os policias tem uma orientação nítida que vai na contramão dos crimes e de encontro a ativistas políticos.
Como diria Marx, “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.
*Estudante
Manifestantes ficarão a 1,5 km do Tribunal que vai julgar Lula
A partir da manhã de segunda-feira, integrantes de movimentos sociais começam a chegar a Porto Alegre para acompanhar o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ocorrerá na quarta-feira, 24/01.
Nesta sexta-feira, 19/01, movimentos sociais e Ministério Público Federal fecharam um acordo para que o acampamento em apoio a Lula ocorra na região do Anfiteatro Pôr-do-Sol, cerca de 1,5 quilômetros do prédio do TRF4, onde ocorrerá o julgamento no dia 24.
Em entrevista, a Frente Brasil Popular, coordenadora dos eventos pró-Lula, anunciou que a ocupação do anfiteatro irá começar na segunda-feira, após uma marcha, que entrará em Porto Alegre pela ponte do Guaíba e seguirá pela Avenida da Legalidade, passará pela Borges de Medeiros e Avenida Ipiranga até chegar ao anfiteatro, na beira do Guaíba.
No documento, assinado pelo MPF, representantes de Movimentos Sociais, Governo do Estado e Município de Porto Alegre, também fica estabelecida a limitação do tráfego de veículos na Avenida Edvaldo Pereira Paiva entre a Rótula das Cuias e o Estádio Beira Rio, permitindo-se acesso de ônibus e caminhões para estacionamento aos Movimentos Sociais, embarque e desembarque de pessoas e carga e descarga de material, através da Avenida Ipiranga até a rua Edvaldo Pereira Paiva.
O acordo determina ainda que os movimentos sociais, organizadores dos eventos, se comprometem a não acampar no Parque Maurício Sirotski Sobrinho (Parque Harmonia). O parque estará fechado para o público a partir do meio–dia do dia 23.
Movimentos sociais esperam ao menos 30 mil pessoas e presença de Lula no dia anterior
Conforme o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Cedenir Oliveira, ao menos 30 mil pessoas, entre integrantes de caravanas do interior do Rio Grande do Sul e de fora do estado devem vir a porto alegre e participar das manifestações. “No dia, nossa expectativa é reunir 50 mil pessoas, em um ato a favor da democracia e pacífico”, disse.
Além do acampamento e vigília que ocorrerá no anfiteatro, um grande ato na esquina democrática, Centro de Porto Alegre, está programado no dia 23, a partir das 17h, com a possível participação de Lula. “Ainda não está totalmente confirmada a presença de Lula, vai depender de um aval de seus advogados, mas há ao menos 80% de chance de ele vir e participar”, explicou o vice-presidente do PT gaúcho, Carlos Pestana.
No dia do julgamento, Lula estará em São Paulo, onde também participa de atos a favor de sua candidatura. O julgamento da apelação da sentença de Lula, condenado pelo juiz Sergio Moro a nove anos e meio de prisão, será transmitido ao vivo pela internet. Os manifestantes irão acompanhar a sessão por telões no anfiteatro e não poderão se aproximar de menos de 50 metros do prédio do TRF4.
Cerca de 300 jornalistas vão acompanhar o julgamento na sala reservada à imprensa no TRF4. São mais de 200 profissionais brasileiros e 43 correspondentes estrangeiros. A Secretaria de Segurança deve confirmar na segunda-feira todo o esquema de segurança para o dia do julgamento. Mas policiais dos BOEs de Porto Alegre, Santa Maria e Passo Fundo já estão sendo preparados para o evento.
A Frente Brasil Popular destacou ainda que, para garantir tranquilidade das manifestações e da população, mais de 2 mil pessoas irão atuar na segurança e organização dos atos. “A população, e a imprensa, vão se surpreender com a organização e a pacificidade do movimento. Não pretendemos, de maneira alguma, incitar nenhum ato que comprometa a cidade ou alguém”, disse Cedenir, do MST.
“Independente do resultado, será uma manifestação pacífica. E que fique claro que Lula será o candidato do PT à presidência. Na quarta-feira, a luta pela democracia apenas começa”, disse Augusto Pestana.
Agenda das manifestações pró-Lula
Dia 22/01
10h – Seminário Internacional pela Democracia
Local: FETRAFI – Cel Fernando Machado, 820 – Porto Alegre.
18h – Ato de Juristas e Intelectuais em Defesa da Democracia
Local: FETRAFI – Cel Fernando Machado, 820 – Porto Alegre
20h – Sarau das juventudes
Local: Acampamento dos Movimentos Sociais
Dia 23/01
9h – Mulheres pela democracia e pelo direito de Lula ser candidato!
Local: Teatro Dante Barone – Assembleia Legislativa do RS
14h -Ação Global Anti Davos – Contra o Ataque Neoliberal. Em defesa da democracia, da soberania das nações e dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores
Local: Teatro Dante Barone – Assembleia Legislativa do RS
Presenças: Senador Paulo Paim (PT/RS), Senador Roberto Requião (MDB/PR), Deputada Alice Portugal (PCdoB/BA), Gilberto Leal (Conen), Marianna Dias (UNE), Salete Carolo (MST), Guilherme Boullos (MTST), Deputado Estadual Edegar Pretto – Presidente da AL/RS
17h – Concentração para a Grande Marcha na Esquina Democrática (Centro de Porto Alegre) e Ato político cultural. Após caminhada até acampamento no Anfiteatro e início da vigília.
Dia 24/01
6h30 – Vigília e ato público no anfiteatro para acompanhamento do julgamento. Após resultado haverá um ato simbólico em defesa da democracia no anfiteatro.
Servidores da FEE cobram continuidade de atividades
A menos de 90 dias para o prazo marcado para o fim completo das atividades da Fundação de Economia e Estatística (FEE), servidores divulgaram nesta sexta-feira, 19/01, um comunicado cobrando do governo estadual uma posição sobre a continuidade dos trabalhos desenvolvidos pela FEE, como a continuidade dos estudos, dos indicadores e dos serviços prestados pela FEE e a preservação e a disponibilização de seu acervo.
A FEE, e outras Fundação, Zoobotânica, Piratini, Cientec, Metroplan e FDRH, estão em processo final de desmonte. Oficialmente, as demissões de servidores deve ocorrer até 17 de abril e as atividades suspensas ou repassadas a outros órgãos.
Veja na íntegra a Moção dos Servidores da FEE:
Nós, servidores e servidoras da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser (FEE), reunidos em assembleia geral, aprovamos, por unanimidade, a seguinte a moção:
“Passados 14 meses do envio do projeto da lei de extinção da FEE para a Assembleia Legislativa do RS, 13 meses de sua aprovação, 12 meses de sua sanção e faltando menos de três meses para a data determinada para sua extinção, o Governo do Estado ainda não demonstrou, apesar das declarações públicas do Secretário Carlos Búrigo e do Procurador Adjunto Eduardo Costa, como garantirá a permanência dos serviços públicos prestados pela FEE, bem como o acesso a seu acervos de dados e documentos. Dessa forma, exigimos que os atuais dirigentes da FEE, manifestadamente alinhados com os objetivos do Governo, e, especialmente, o Diretor Técnico Alfredo Meneghetti Neto, por pertencer ao corpo da casa, expliquem, publicamente e de forma cabal e detalhada, como garantirão a continuidade dos estudos, dos indicadores e dos serviços prestados pela FEE e a preservação e a disponibilização de seu acervo”.Lula participa de manifestação em Porto Alegre na véspera do julgamento
O Partido dos Trabalhadores confirmou há pouco que o ex-presidente Lula estará presente na manifestação programada para a Esquina Democrática na terça-feira à tarde, véspera do julgamento no TRF4 na capital.
Lula participa da manifestação e volta para São Paulo de onde vai acompanhar a sessão de julgamento, que começa às 8h30 da quarta-feira, com previsão de término no meio da tarde.
