Autor: da Redação

  • JÁ tem reportagens finalistas no Prêmio ARI de Jornalismo

    O jornal JÁ é finalista do 59º Prêmio ARI de Jornalismo, um dos mais importantes da imprensa gaúcha.

    Na categoria Reportagem Econômica, concorre com o especial ‘Privatizações’, produzido pela equipe de jornalistas do jornal e edição de Elmar Bones. Traz informações sobre o Programa de Recuperação Fiscal que o governo do Rio Grande do Sul negocia com a União e que tem as privatizações como ponto central.

    E na categoria Webjornalismo, com a série ‘Patrimônio Ameaçado’, assinada por Cleber Dioni Tentardini. O especial tem mais de 40 reportagens e 350 fotos e ilustrações sobre a Fundação Zoobotânica do RS.

    A comissão julgadora, integrada por 40 jurados, da ARI e mercado, julgou 408 trabalhos, e 80 foram selecionados, cinco finalistas em cada categoria. O prêmio será entregue no dia 19, às 10h, no Auditório do Ministério Público do Rio Grande do Sul, na praça da Matriz.

    Na oportunidade serão homenageados com o Troféu Antonio Gonzales de Contribuição à Imprensa o jornalista Flávio Tavares, o projeto do Grupo RBS Primeira Pauta e a Rádio da UFRGS na passagem dos 60 anos de fundação.

    Finalistas

    Categoria Reportagem Geral

    BRUNA KARPINSKI – PROTAGONISMO FEMININO (ZH)

    RODRIGO LOPES – RS NA MIRA DA CIA (ZH)

    MICHELE FERREIRA – ENCARCERADOS – SÉRIE DE REPORTAGENS (Diário Popular)

    RODRIGO LOPES – CONEXÃO FACINEPE-MEDELLÍN – O HOMEM DA FACULDADE DE PAPEL (ZH)

    ISABELLA SANDER – ESSA TERRA É DE QUEM? (JC)

    Categoria Jornalismo Esportivo Impresso

    HENRIQUE RODRIGUES – REVOLUÇÃO INDUSTRIAL DE CRAQUES (CP)

    SÉRGIO TRIBUTINI VILLAR – ESPORTE CLUBE SAUDADE (ZH)

    RAFAEL PERUZZO – GUERREIRA DE DAR INVEJA (CP)

    LEONARDO OLIVEIRA – OS 7 DE 77 (ZH)

    ANDRÉ BAIBICH – À SOMBRA DA TRAGÉDIA: O RECOMEÇO DAS VIÚVAS DE CHAPECÓ (ZH)

    Categoria Fotografia

    MATEUS BRUXEL – FAMÍLIAS EXPULSAS PELO TRÁFICO E DESTRUIÇÃO DE CASAS SOB INVESTIGAÇÃO (DG)

    PAULO CESAR LANGARO – DEIXOU DE SER BRINQUEDO E VIROU PROBLEMA (Jornal NH)

    CARLOS QUEIROZ – ENCARCERADOS – SÉRIE DE REPORTAGENS (Diário Popular)

    CARLOS DANIEL MACEDO – A ILHA QUE O MUNDO ESQUECEU (ZH)

    CARLOS DANIEL MACEDO – NÃO É O TAMANHO QUE MEDE A VIDA (ZH)

    Categoria Planejamento Gráfico

    PAOLA GANDOLFO – ESPECIAL PAULO SANTANA (ZH)

    PEDRO DREHER – CORREIO DO POVO RURAL (CP)

    MELINA GASPERINI – CADERNO VIDA – (ZH)

    THAIS LONGARAY – OS MAIORES DESASTRES AMBIENTAIS (ZH)

    MELINA GALLO – REDESENHO DO CADERNO DOC (ZH)

    Categoria Charge

    GILMAR DE OLIVEIRA FRAGA – PAUTA POSITIVA (ZH)

    SANTIAGO – VISITA GUIADA (Jornal Extra Classe)

    CELSO SCHRÖDER – MINISTÉRIOS (CP)

    ALEXANDRE DE OLIVEIRA – ODEBRECHT (DG)

    SANTIAGO – FEIRA DA INFÂMIA (Jornal Extra Classe)

    Categoria Reportagem Econômica

    PRIVATIZAÇÕES (JÁ)

    GUILHERME DAROIT – SÉRIE RUMOS DA INDÚSTRIA (JC)

    FLAVIA BEMFICA – MAIS EMPREGO (CP)

    MAUREN XAVIER – REFUGIADOS: ADIADO O SONHO BRASILEIRO (CP)

    ITAMAR MELO – EM HARMONIA COM A NATUREZA (ZH)

    Categoria Crônica

    PAULO GERMANO – O PIOR COMUNICADOR DO MUNDO (ZH)

    PAULO RICARDO CUNHA MENDES – O GURI DE CARUARU (CP)

    CLÁUDIA LAITANO – O NOSSO 11 DE SETEMBRO – (ZH)

    LIBERATO VIEIRA DA CUNHA – PRA TUDO DEUS DÁ UM JEITO (Jornal do Povo LTDA)

    RODRIGO LOPES – CARTA A ALBA, TEREZA E FAMÍLIA – (ZH)

    Categoria Reportagem Cultural

    MOACIR FRITZEN – FÜR IMMER (PARA SEMPRE) (Jornal NH)

    WILLIAM RODRIGUES – ONDE O METAL GAÚCHO FOI FORJADO (Doc ZH)

    FABIO PRIKLADNICKI – VAIADO HOJE, APLAUDIDO AMANHÃ (Doc ZH)

    ALEXANDRE LUCCHESE – COMO NASCE UMA GAITA (Doc ZH)

    LETICIA PACHECO – OS REFÚGIOS DE BELCHIOR (Gazeta do Sul)

    Categoria Webjornalismo

    CLEBER TENTARDINI – PATRIMÔNIO AMEAÇADO (JÁ)

    NAIRA HOFMEISTER – NOS TRIBUNAIS, OS XIKRIN ESTÃO VENCENDO A VALE (Agência Pública)

    GABRIELLE DE PAULA – CATADORES DE SUSTENTO E CIDADANIA (ANÚ – Laboratório de Jornalismo Social)

    CARLOS ROLLSING – PERIGO NO PRATO (ZH)

    RODRIGO LOPES – A TRAVESSIA (ZH)

    Categoria Televisão Geral

    NATHALIA FRUET – EDUCAR PARA MUDAR (RBS)

    LISELE VELOSO – TVE REPÓRTER OCUPAÇÕES – OS CAMINHOS NA BUSCA POR MORADIA (TVE)

    LUCIANE KOHLMANN – NOVOS IMIGRANTES VEM AO RIO GRANDE DO SUL EM BUSCA DE TRABALHO (SBT)

    JONAS CAMPOS – TÚNEL DO PRESÍDIO CENTRAL (RBS )

    ANDREI ROSSETTO – JOVENS ENGANADOS POR FALSOS EMPRESÁRIOS ERAM TRATADOS COMO ESCRAVOS (SBT)

    Categoria TV Esportivo

    FERNANDO BECKER – GRÊMIO – 20 ANOS DO BI-CAMPEONATO BRASILEIRO (RBS)

    KELLY COSTA – ATLETA PARALÍMPICA SUPERA EXPECTATIVA DE VIDA E MIRA EM OLIMPÍADA DE 2020 (RBS )

    ALICE BASTOS NEVES – JOGA COM A GENTE (RBS)

    GLAUCO PASA – INTER: 10 ANOS DO MUNDIAL (RBS)

    ROBERTO CABRAL AZAMBUJA – JOGA QUE NEM MULHER (RBS)

    Categoria Radiojornalismo Geral

    JOSÉ RENATO RIBEIRO – FÁBRICA DE CONSIGNADOS (Rádio Cachoeira)

    EDUARDO MATOS – FRAUDE DO LIXO (Rádio Gaúcha)

    CID MARTINS – CERCO AOS NEONAZISTAS (Rádio Gaúcha)

    CID MARTINS – ATAQUE AO EXTREMISMO (Rádio Gaúcha)

    JOSÉ RENATO RIBEIRO – GOLPE DO LUCRO FÁCIL (Rádio Cachoeira)

    Categoria Radiojornalismo Esportivo

    DIOGO ROSSI – TO’S: PAIXÃO ALÉM DO FUTEBOL (Rádio GreNal)

    EDUARDO GABARDO – CARAVANA DA RESISTÊNCIA – (Rádio Gaúcha)

    EDUARDO MATOS – A MAIOR TRAGÉDIA DO ESPORTE MUNDIAL (Rádio Gaúcha)

    RODRIGO OLIVEIRA – CASO VICTOR RAMOS – A COBERTURA DE UMA AUDIÊNCIA HISTÓRICA PARA O FUTEBOL BRASILEIRO (Rádio Gaúcha)

    ALESSANDRO DI LORENZO – VAMO, VAMO, CHAPÊ…… (Rádio Band News)

    Categoria Jornalismo Universitário Impresso

    AMANDA HAMERMÜLLER – SEXTANTE 2017/1 (Fabico – UFRGS)

    CARLA RODRIGUEZ – MENINAS DA FASE (UNIRITTER)

    ÉVILIN CAMPOS – DO OUTRO LADO DAS GRADES (UNIRITTER)

    LUANA SILVA DA CRUZ – O QUE HÁ DE DIFERENTE? (Fabico – UFRGS)

    EDUARDO BRUSCH MÜLLER – UM PARAÍSO AMEAÇADO PELO LIXO (UNIRITTER)

    Categoria Telejornalismo Universitário

    WAGNER PEDROSO DE ABREU – O GRITO DE DESIGUALDADE (Fac. São Francisco de Assis)

    AMANDA FARIAS HAMERMÜLLER – MODA E SAÚDE MENTAL (Fabico – UFRGS)

    JULIANO ROSA DE CASTRO – DEPOIS DA KISS (UFSM)

    ISADORA DUARTE DA SILVA – A ESPERA POR DESAPARECIDOS (Fabico – UFRGS)

    MARCELA BARBOSA BAIGORRA – A ROTINA DA ESPERANÇA (UNIRITTER)

    Categoria Radiojornalismo Universitário

    EDUARDO PINZON – MARCADAS PELA DOR: RELATOS SOBRE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA (Famecos – PUCRS)

    FELIPE GOLDENBERG COELHO – SOMOS TÃO JOVENS: 36 ANOS DE HIV (Fabico – UFRGS)

    EDUARDO PINZON – ILHA DA PINTADA: ONDE NEM TUDO É BÁSICO (Famecos – PUCRS)

    ANA CRISTINA HOFFMANN AZEREDO – RECICLAGEM DE BRINQUEDOS (UNIRITTER)

    BRENDA RODRIGUES FERNÁNDEZ – A DIVERSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO DE FUMO EM SANTA CRUZ DO SUL (Famecos – PUCRS)

    Categoria Webjornalismo Universitário

    RAFAEL DA SILVA PEREIRA – DOZE34 (ULBRA)

    ANA CAROLINA OLIVEIRA PINHEIRO – REFUGIADOS DA NOVA PONTE DO GUAÍBA (UNIRITTER)

    ALINE EBERHARDT RODRIGUES – DESAFIOS DO MOVIMENTO AMBIENTALISTA GAÚCHO (UNIRITTER)

    CAROLINA ZENI – INCLUIR PARA TRANSFORMAR (UNISINOS)

    ANA CRISTINA HOFFMANN AZEREDO – ELES ESTÃO MORRENDO (UNIRITTER)

  • Lula não para de crescer: vale tudo para abatê-lo

    ROberto Amaral*
    O fato de uma ou outra decisão judicial, uma ou outra ação policial poder mencionar, a seu favor, o arrimo, formal nalgum dispositivo legal, não as protege com o diploma da legitimidade, nem da justeza, nem as salva do peso da ilicitude, quando a isenção se aparta do julgador e a condenação do suspeito ou acusado escolhido a dedo para ser acusado e condenado torna-se mais importante do que a busca da justiça
    E, ainda, o aparato judicial assume a política e passa a geri-la, não exatamente como sujeito, mas simplesmente cumprindo o papel de despachante dos interesses do mercado financeiro – o qual, segundo importante colunista de O Globo, portanto alta autoridade nestes temas, reage positivamente à possibilidade de defenestramento da candidatura Lula, o imperativo categórico das forças dominantes.

    A equação é simples: escolhido o réu, cuida-se de imputar-lhe um delito (no caso de Lula, o tal tríplex que lhe teria sido doado pela OAS). Não há provas? Ora, sobram convicções! Para transformar o desejo em realidade todas as maquinações e manipulações e chicanas são chamadas à lide, porque é preciso manter as aparências da legalidade formal (o farisaísmo do direito), sem prejuízo da realização dos fins, a saber, condicionar as eleições de 2018 aos interesses da súcia governante, delegada dos interesses da banca internacional e seus associados da Avenida Paulista.
    Assim, avulta a partidarização ativa do Poder Judiciário, agente de primeira linha no processo golpista aberto com o impeachment. Cumpre-lhe interferir no processo eleitoral para dele afastar o pronunciamento da soberania popular: sai o povo de cena, e em seu lugar são ungidos os juízes; sai o voto e passam a valer as sentenças e os acórdãos. Quem outorgou esse mandato ao Poder Judiciário, exatamente o único dos poderes constitucionais que não recolhe sua legitimidade na soberania do voto?
    Sem despertar maiores surpresas para o observador da cena política de nossos dias, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, segunda instância, marcou para o próximo 24 de janeiro o julgamento da apelação (da sentença condenatória expedida por Sérgio Moro) do ex-presidente Lula no já mencionado caso do tríplex do Guarujá.

    O que há por trás da decisão formalmente legal? O fato de ser uma decisão política, a serviço dos que operam a sagração do regime autoritário que tomou de assalto o Estado brasileiro. Seu objetivo final é prorrogar no poder a atual correlação de forças, e para isso a condição sine qua non é retirar Lula, e o que ele representa, do páreo eleitoral de 2018. O ex-presidente haverá de carpir a ousadia de ser o líder nas pesquisas de intenção de voto. Mas punido também será o povo, cujo poder decisório foi assenhoreado pela toga.
    A segunda grande operação golpista começa, formalmente legal, com o Tribunal da 4ª região apressando o julgamento da apelação de Lula. Dou a palavra ao insuspeitíssimo O Globo (13/12/2017):
    “A ação do caso tríplex teve o trâmite mais rápido no TRF-4 entre 24 apelações já analisadas pela segunda instância. São cinco meses e 24 dias contados entre a apelação apresentada pela defesa do ex-presidente e a data prevista de julgamento. Na maioria dos casos – 18 ações – o TRF-4 levou mais de um ano para julgar as apelações. Apenas um quarto dos processos tiveram decisão em menos de um ano. O julgamento da apelação do ex-deputado Eduardo Cunha, um dos mais rápidos, levou sete meses e 22 dias”.
    Essa pressa, como tudo o mais, não é fruto do acaso, dos astros e dos deuses. Há, atrás do ‘mercado’, da mídia, do Ministério Público, da Polícia Federal, da maioria no Congresso, uma ‘inteligência’ (que não está no Palácio do Jaburu) concertando as operações do sistema golpista que, neste episódio em construção, tem manobras evidentes, a começar pela decretação da inelegibilidade de Lula, a primeira consequência da confirmação da sentença de Sérgio Moro; a segunda será mesmo a possibilidade de sua prisão, pois ainda prevalece a inconstitucional decisão do STF que legitima a execução de penas restritivas da liberdade a partir da confirmação da sentença condenatória na segunda instância.
    A pressa se explica do ponto de vista processual: Lula precisa estar condenado na segunda instância antes de agosto de 2018, mês dedicado ao registro das candidaturas presidenciais.
    Para todos os efeitos, 2018 já começou, trazendo para as ruas a sucessão presidencial, e, ao invés do povo decidindo, temos como protagonista o Poder Judiciário. Assim, em vez de um processo eleitoral, viveremos um processo judicial, hoje dependente, neste país de mais de 141 milhões de eleitores, do que pensam três desembargadores titulares da 8ª turma do TRF-4.
    É a degradação da democracia representativa, corroendo os poderes da República, doravante uma mera figura de retórica.
    O Tribunal porto-alegrense já anunciou, em julgamentos anteriores, como também nas declarações de seu presidente, a que veio, e o que dele é justo esperar. Seu presidente, desembargador Carlos Eduardo Thompson, em entrevista a um jornalão, declara que a sentença prolatada por Sérgio Moro, condenatória de Lula, é “irrepreensível” e “irretocável”. Esse prejulgamento põe por terra qualquer expectativa de julgamento justo da apelação de Lula
    É evidente que estamos em face de uma coalizão que age em harmonia segundo os objetivos que a unificam, a saber, independentemente do destino de Michel Temer e seus asseclas, consolidar, se possível com o concurso da lei, mutável, o Estado autoritário, regressivo em seus valores, antinacional e antipovo, fundado num desenvolvimento dependente, e numa ordem econômica que mais e mais aprofundará as distâncias sociais, a concentração de riqueza e o atrito social.
    Essa coalizão, liderada ideologicamente pelos meios de comunicação de massa, um ‘estado’ dentro do Estado, financiado pelo poder econômico e operado pela tríade acima referida, tem objetivos claros e organiza-se em consenso desde 2013, primeiro visando a interromper o governo de centro-esquerda; e agora, olhando para 2018, no afã de impedir o retorno pela via eleitoral, das forças derrotadas pelo impeachment de 2016.
    As circunstâncias – sua força popular – fizeram de Lula o inimigo nº 1 do atual establishment: ele é o adversário a ser abatido. Como deve vencer, não pode ser candidato.
    A condenação está em toda a mídia, insuflando acusadores e julgadores, preparando a opinião pública para o desfecho encomendado, condenação e prisão tanto mais necessária quanto o ex-presidente se apresenta para as eleições de 2018 sem concorrente à altura. Em qualquer hipótese, mesmo preso, será, como Getúlio em 1945, o grande eleitor e as forças que representa encontrarão meios de enfrentar os desafios que estão sendo montados para assegurar a vitória da minoria.
    Fracassada a tentativa de linchamento moral, tonitruada por todos os meios disponíveis, Lula não para de crescer nas intenções de voto. Assim, foi posta em marcha a segunda alternativa do arsenal reacionário, que consiste em simplesmente em impedir sua candidatura. São muitas as operações e a primeira delas, decerto não a última, é a condenação no TRF-4, independentemente de processo, de defesa e de contraditório, porque procuradores e juiz ouvem a voz de uma ‘firme convicção’, tão forte, tão íntima, que está a dispensar demonstração.
    Como os ‘milagres’ vendidos nas seitas neopentecostais, são uma pura questão de fé. Com base nesse ‘direito subjetivo’, Lula, como combinado, foi condenado na primeira instância, a agora tem sobre si, como espada de Dâmocles, a ameaça de nove anos de cadeia. Foi condenado para não ser candidato. Agora, ditam os deuses, precisa ser condenado na segunda instância que, dependendo das contingências, poderá ser a instância final.
    A imprensa faz sua parte retomando o terrorismo eleitoral de 1989 – quando, na iminência de Lula derrotar Collor, o então presidente da FIESP, Mário Amato, anunciava que com a eleição do metalúrgico 40 mil empresas abandonariam o Brasil.
    O noticiário dominante, mas principalmente as colunas assinadas por jornalistas profissionais, unânimes em seu proselitismo, e tomando o pulso de um etéreo “mercado”, anunciam ora que a Bolsa caiu porque Lula subiu nas pesquisas, ora que ela subiu porque Lula foi condenado.
    Sempre de prontidão, o inefável ministro Gilmar Mendes, ainda presidente do TSE, já ameaça abertamente a candidatura Lula: se sobreviver às armadilhas que juncam seu ainda longo caminho até as eleições (TRF-4, registro de candidatura, financiamento de campanha etc.) as ‘caravanas’, consideradas propagando fora de época, poderão “levar à condenação por abuso de poder econômico e à cassação de eventual diplomação” (O Estado de S. Paulo, 12/12/2017).
    Se essa manobra falhar, há ainda a cartada do parlamentarismo na qual investe o ministro do PSDB, o Palácio Jaburu, a imprensa e todas as formações reacionárias. Os jornais dizem que o ministro e conselheiro de Temer já tem pronto um projeto de reforma constitucional no bolso do colete.
    Quando juízes de piso e ministros dos tribunais superiores julgam segundo convicções subjetivas, quando um ministro do STF se comporta segundo interesses de greis políticas, e chega mesmo a ser acusado por colega de “leniência em relação à criminalidade de colarinho branco”, o Poder Judiciário transforma-se em agente de insegurança jurídica.
    Isto, pelas suas consequências, é mais perigoso para o país do que um presidente de República corrupto ou um Congresso desqualificado, ainda que tenhamos as duas pragas de uma só vez, e pode atapetar a Estrada sempre percorrida pelos adversários da democracia, mesmo dessa nossa democracia mambembe, de que dependem os direitos dos trabalhadores e a emergência das massas,
    *Do blog do autor
     

  • Congresso aprova Orçamento com deficit de R$ 157 bilhões e salário mínimo de R$ 965

    O Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira, 13/12 a proposta orçamentária de 2018, a primeira sob a Emenda Constitucional 95, que instituiu um teto para os gastos públicos. O projeto que vai para sanção presidencial prevê um deficit primário de R$ 157 bilhões para o governo federal no próximo ano. O número é um pouco menor do que os R$ 159 bilhões determinados pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO, Lei 13.473/17) como meta fiscal para o próximo ano.

    A redução de R$ 2 bilhões é explicada pelo aumento da estimativa da receita primária, que alcançou R$ 4,9 bilhões conforme relatório de receita aprovado pela Comissão de Orçamento.
    Fundo para campanhas
    O orçamento que sai do Congresso prevê crescimento de 2,5% da economia em 2018, salário mínimo de R$ 965 – aumento nominal de 3% em relação ao atual (R$ 937) – e investimentos públicos (incluindo de estatais) de R$ 112,9 bilhões.
    A proposta reservou R$ 1,716 bilhão para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), que vai custear as campanhas partidárias nas eleições gerais de 2018. O FEFC foi instituído pela última minirreforma eleitoral, aprovada em outubro pelo Congresso Nacional, que virou a Lei 13.487/17.
    A lei determina que o fundo deve receber 30% dos recursos destinados às emendas de bancada de execução obrigatória no orçamento (cerca de R$ 1,31 bilhão) e o montante da compensação fiscal devida às emissoras de rádio e televisão pela cessão de espaço destinado à propaganda partidária e eleitoral gratuita, nos anos de 2016 e 2017, calculada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
    Emendas parlamentares
    As emendas individuais de deputados e senadores ao projeto somaram R$ 8,8 bilhões. Cada um dos 594 congressistas pode apresentar R$ 14,8 milhões em emendas. Eles direcionam os recursos para obras e serviços em suas bases eleitorais. Por determinação constitucional, metade do valor das emendas deve ir para ações e serviços públicos de saúde.
  • Bancários declaram 'estado de greve' contra votação da Previdência

    Por unanimidade, os bancários de Porto Alegre decidiram em assembleia apoiar o “estado de greve” contra a Reforma da Previdência.
    O recado é direto: “Se botar a Reforma para votar, o Brasil vai parar”.
    Além do estado de greve, os bancários decidiram que irão chamar uma assembleia organizativa, às vésperas de uma possível greve geral, caso a Reforma da Previdência vá à votação em Plenário da Câmara dos Deputados.
    Os bancários já haviam realizado assembleia e aprovado participação na greve nacional chamada para 5/12.
    O governo busca votos para aprovar o PL 287/16, o da Reforma da Previdência, junto à sua base, mas vê que há resistências.
    Os aliados temem repercussões negativas às vésperas do começo de ano eleitoral. Temer vê sua base diminuir e tem dificuldades para aprovar em duas sessões. Precisa de, no mínimo, 308 votos em dois turnos.
    O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, avaliou, durante a assembleia, que os bancários e todos os trabalhadores precisam ficar atentos.
    “É fato que o governo Temer recuou, mas a Reforma da Previdência pode ir a qualquer momento para plenário”.
    Especula-se que a votação possa ocorrer na semana que vem, a partir do dia 18/12. “Tem um pressão grande do mercado. Isso pode ser ruim porque há uma pressão forte de grandes empresários sobre os deputados. Nós temos que fazer a nossa parte. Fazer pressão também. Eles recuaram porque sentiram a força da nossa mobilização. Se conseguirmos barrar a votação este ano, ano que vem vai ser mais difícil porque é ano eleitoral”, avaliou Gimenis.
    A secretária de Mulheres da CUT-RS e bancária do Itaú, Isis Marques, contou que as centrais sindicais estão mobilizadas. Às 5h da manhã desta terça-feira, 12/12, um ato de pressão ocorreu no Aeroporto Salgado Filho.
    Segundo Isis, a reunião das centrais na segunda-feira, 11/12, foi produtiva e recebeu apoio dos caminhoneiros e dos trabalhadores rurais. “O dinheiro do Temer está ficando escasso para comprar votos. Já gastaram o que não tinham com a Reforma Trabalhista. Mas tem também a nossa mobilização. A pressão sobre cada deputado federal é muito importante. Porque, se os deputados chegarem em Brasília dizendo que vão votar contra, o governo pode recuar”, analisou Ísis.

  • Apicultores vão encarar defensores de agrotóxicos 

    Geraldo Hasse
    Em assembleia geral convocada pela Federação Apícola do Rio Grande do Sul, os apicultores gaúchos decidiram no dia 09/12 “conversar” com a A.B.E.L.H.A – Associação Brasileira de Estudos de Abelhas, entidade técnico-científica que vem propondo um convênio de cooperação recíproca.
    A decisão demorou a ser tomada porque, da cúpula às bases da apicultura, há um misto de desconfiança e insegurança quanto aos propósitos da ABELHA, vista como cunha setorial ou testa-de-ferro do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), o poderoso lobby da indústria agroquímica.

    José Cunha, ex-presidente da CBA, não quer conversa com a indústria de venenos ou prepostos / Tânia Meinerz / JÁ

    O líder mais resistente a uma simples aproximação com a ABELHA é José Gomercindo Corrêa da Cunha, criador de abelhas-rainha em Viamão e ex-presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA). Segundo ele, desde o banimento dos neonicotinóides na Europa, em 2011, os fabricantes de inseticidas, liderados mundialmente pela Bayer (que comprou a gigante norte-americana Monsanto recentemente), estão usando entidades como a ABELHA para intermediar suas relações com as vítimas de agrotóxicos, entre as quais figuram, com destaque crescente, as abelhas melíferas e as abelhas nativas, que exercem um papel fundamental na polinização da flora.
    Com verba aprovada pelo CNPq para financiar pesquisas na área apícola, a ABELHA vem oferecendo convênios a federações apícolas. Até agora todas recusaram. “O convênio proposto à FARGS não prevê repasse de recursos”, reclamou Cunha, salientando que a própria CBA, atualmente presidida por José Soares de Aragão Brito, de Sergipe, rejeitou proposta de convênio.
    “A agricultura não vai parar”, diz Aldo Machado dos Santos, defensor do diálogo entre apicultores e sojicultores / Tânia Meinerz / JÁ

    O maior defensor de uma negociação com a ABELHA é Aldo Machado dos Santos, dono dos Apiários São Gabriel e ex-presidente da FARGS até agosto passado. Criticado por apicultores por ter recebido dirigentes da ABELHA em São Gabriel, quando ainda estava à frente da federação, ele acredita que é preciso buscar uma forma de entendimento com os fabricantes de produtos químicos porque “a agricultura não vai parar”.  Ele mesmo se queixou de ter perdido 500 colmeias recentemente.
    “Temos que sentar e conversar com a ABELHA, que está valorizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pelo IBAMA”, disse Machado dos Santos, que é um dos líderes da Cooperativa de Apicultores do Pampa (Coapampa), cujas instalações estão quase prontas em São Gabriel. A Coapampa está se preparando para exportar mel em grande escala.
    Outros apicultores presentes à assembleia realizada na estação experimental da UFRGS em Eldorado do Sul, no Km 146 da BR-290, mencionaram notícias sobre estudos para se criar um fundo destinado a indenizar apicultores cujas colmeias tenham sido atingidas por pulverizações agrícolas.
    Por relato de um participante da assembleia, soube-se que um apicultor de Encruzilhada do Sul, após entrar na Justiça por danos sofridos e lucros cessantes, foi indenizado liminarmente por uma empresa de aviação agrícola responsável pela morte de 60 colmeias de abelhas melíferas.
    RS exporta US$ 6,7 milhões em mel anualmente
    Mesmo sendo uma das primas pobres do agronegócio, a apicultura maneja um dos braços do ambientalismo. Além de produzir mel, as abelhas fazem a polinização dos vegetais nativos ou cultivados, contribuindo diretamente para o aumento do rendimento de diversas lavouras e para a manutenção dos ecossistemas. Os apicultores, portanto, tendem a unir-se a todos os defensores do equilíbrio ambiental ameaçado por práticas predatórias em campos e florestas.
    Contando a caixa, os caixilhos, a cera e o enxame de abelhas, uma colmeia não chega ao mato ou ao campo por menos  de R$ 300. Além da vigilância feita por um parceiro, os apiários precisam ser vistoriados pelos seus proprietários, que precisam dispor de equipamentos especiais. Um uniforme apícola custa R$ 180.
    A morte das abelhas por agrotóxicos não é o único problema da apicultura. O furto de colmeias começa a ser visto como uma forma emergente de abigeato.
    A granel, nas fontes de produção, o quilo de mel não custa menos de R$ 10. No varejo, está sendo vendido a R$ 20, no mínimo. A exportação de mel oscila ao sabor das mudanças climáticas, mas nos últimos dez anos o Rio Grande do Sul teve uma receita média anual de US$ 6,7 milhões com vendas para o mercado externo – isso sem contar o produto gaúcho exportado por empresas do sul de Santa Catarina que compram mel a granel de apicultores do RS.
    Pesquisador da UFRGS é a favor da aproximação com multinacionais
    Para o professor Sattler, da UFRGS, não há saída senão negociar com a Bayer e seus aliados / Tânia Meinerz / JÁ

    Considerando os dois lados do confronto apicultores x usuários de agrotóxicos, o veterano professor Aroni Sattler, diretor do Departamento de Apicultura da UFRGS, aconselhou os apicultores a negociar com os sojicultores e seus fornecedores. Para ele, não adiantar fingir que as coisas não estão acontecendo. “A Bayer está credenciada pelo Ministério da Agricultura para produzir venenos”, disse, lembrando que é preciso buscar formas de convivência com todos os elos da cadeia – desde a indústria até agricultores, passando pelos comerciantes de insumos e os prestadores de serviços, como as empresas de aviação agrícola.
    Como exemplo, Sattler citou o próprio caso: convidado pela Bayer, foi à Alemanha conhecer as instalações da indústria. De volta a Porto Alegre, encaminhou um pedido de auxílio financeiro para um projeto de pesquisa sobre a apicultura migratória praticada nos eucaliptais da Celulose Riograndense, que já atua como parceira da UFRGS ao liberar a atividade apícola em seus “hortos florestais”.
    O fomento apícola da indústria de celulose de Guaíba alcança 159 apicultores que cedem à empresa, como pagamento pelo pasto das abelhas, 2,5 quilos anuais de mel por colmeia.  Desse volume, 40% são encaminhados à UFRGS em forma de equipamentos de extração e envasamento de mel. Segundo Sattler, a Celulose ainda tem vagas para apicultores em 12 mil hectares de eucaliptais. No ano passado, a empresa recebeu 8 mil quilos de mel distribuído a escolas dos municípios em que atua.
    Assim como se montou essa rede de amparo aos produtores de mel, está se formando uma rede para proteger os apicultores contra os danos dos agrotóxicos. Agora, em caso de acidente com colmeias situadas perto de lavouras, em vez de se queixar ao vento, os apicultores devem prestar queixa às inspetorias veterinárias regionais, que estão orientadas a lavrar boletins de ocorrência, recolher provas e pedir análise ao laboratório (Lanagro) do Ministério da Agricultura, que planejou o programa nacional de sanidade apícola (PNSA) como parte de uma articulação mundial de prevenção ao mau uso de agrotóxicos.
    Credenciada para dar andamento ao PNSA, a Secretaria da Agricultura está começando uma campanha de cadastramento de apicultores cujo mote é “cadastrar para poder cuidar”. Segundo Nadilson Ferreira, coordenador da Câmara Setorial de Abelhas, Produtos e Serviços da Secretaria, este ano morreram 1500 colmeias no interior gaúcho por conta de venenos agrícolas. “A ABELHA ofereceu ajuda no cadastramento dos apicultores”, admitiu Ferreira.
    Andrés Canhedo, professor da Unipampa: “A gente precisa abrir a boca” contra os abusos na aplicação de agrotóxicos / Tânia Meinerz / JÁ

    Fechando o cerco aos agrotóxicos, o Ministério Público do Meio Ambiente pediu às entidades apícolas que denunciem usuários de venenos que pratiquem crimes ambientais. “Se a gente não abrir a boca, esse problema vai continuar”, disse Andrés Canhedo, professor de apicultura na Unipampa, de Bagé. Anselmo Kuhn, presidente da FARGS, botou lenha na fogueira: “O Ministério Público aceita denúncia anônima. Se o denunciante não quiser aparecer, a FARGS assume”.
    “Quero lembrar que represento a FARGS no Fórum Gaúcho de Prevenção ao Uso de Agrotóxicos, que opera dentro do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema)”, lembrou Rogério Dalló, diretor-executivo da FARGS e da Coapampa. Para ele, o ambiente está maduro para o fechamento de acordos com órgãos públicos e instituições privadas em defesa da apicultura, até agora um elo esquecido da cadeia do agronegócio.
    A assembleia geral da FARGS terminou com o consenso de que é preciso conversar (com a temida A.B.E.L.H.A e com quem mais aparecer)  para criar regras de convivência e definir objetivos comuns.

  • Saiu a edição de dezembro do JÁ Porto Alegre

    Está nas ruas a edição de dezembro do JÁ Porto Alegre!
    Pra ficar bem informado nesse fim de ano, pega o teu nos pontos de distribuição ou lê on line.
    Nesta edição:
    Cais Mauá: de onde virá o dinheiro para a revitalização?
    Inventário de Petrópolis: revogação da lei não “desbloqueia” imóveis;
    Entrevista: Edgar Vasques na linha de frente do humor que não dá tréguas;
    Artista retrata personagens de Alvorada em quadrinhos;
    85 anos do Viaduto Otávio Rocha: abandonado pelo poder público, abraçado pela comunidade.
    E mais!
    Onde tu encontra o JÁ Porto Alegre:
    Lancheria do Parque – Osvaldo Aranha, 1086
    Café Coletânea – José Bonifácio, 731
    Café Imprensa – Borges de Medeiros, 915
    Barbearia Joni – Venâncio Aires, 1071
    Drogaria do Porto – Jerônimo de Ornelas, 349
    Boteko República – Rua da República, 429
    Cia Das Empadas – José do Patrocínio, 649
    Bom Korean Food e Café – Rua da República, 435
    Jerônimo Café – Jerônimo de Ornelas, 568
    Clube de Cultura – Ramiro Barcelos, 1853
    Tutti Giorni – Av. Borges de Medeiros, 710
    Armazém Porto Alegre – Av. Borges de Medeiros, 786
    Justo – Av. Borges de Medeiros, 741
    Banana Verde – Henrique Dias, 106
    Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736
    Usina do Gasômetro – Av. Pres. João Goulart, 551
    E nos principais bares, cafés, restaurantes e estabelecimentos comerciais dos bairros de circulação do JÁ: Centro Histórico, Bom Fim, Santana, Farroupilha, Cidade Baixa, Independência, Santa Cecília, Rio Branco, Petrópolis e Jardim Botânico.

  • Jornal JÁ recebe Prêmio de Jornalismo do Ministério Público

    O jornalista Cleber Dioni Tentardini recebeu hoje pela manhã o “Prêmio Jornalismo Ministério Público do Rio Grande do Sul”, com a série de reportagens “Patrimônio Ameaçado”, sobre a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, publicada no Jornal JÁ.
    A série, agraciada com o primeiro lugar na categoria Web, tem mais de 40 reportagens e 350 fotos e ilustrações e traz uma visão ampla das três instituições que estão vinculadas à FZB, destacando o trabalho realizado no Jardim Botânico, Museu de Ciências Naturais e Parque Zoológico e os esforços do Ministério Público para evitar os prejuízos para o Estado frente ao desmonte de uma estrutura de conservação do meio ambiente, fundamental para a pesquisa científica e a conservação da biodiversidade rio-grandense.
    A premiação, em sua 19ª edição, que é tradicionalmente promovida pela Procuradoria-Geral de Justiça, Associação do Ministério Público (AMP) e Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), com apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS e Associação Riograndense de Imprensa (ARI), ocorreu nas dependências externas do Palácio do Ministério Público.
    Participaram o procurador-geral de Justiça, Fabiano Dallazen; o presidente da AMP, Sérgio Hiane Harris; assim como integrantes do Ministério Público e jornalistas.
    No total, 91 trabalhos jornalísticos foram inscritos, entre as categorias: Impressa, TV, Rádio, Web, Fotografia e Especial. Os vencedores receberam quantia em dinheiro e comendas, oferecidas pela Associação do Ministério Público e Escola Superior do Ministério Público.
    Nesta 19ª edição, a categoria Especial do “Prêmio Jornalismo Ministério Público do Rio Grande do Sul” homenageou o jornalista Ricardo Andrade Grecellé que atuou durante 15 anos na Assessoria de Imprensa do MP e faleceu, em acidente de trânsito, em 22 de novembro do ano passado.

    Os agraciados com o Prêmio Jornalismo em 2017

    Falando em nome dos agraciados, o jornalista Eduardo Matos lembrou que o MP é conhecido pela atuação em diversas frentes, sempre em defesa da cidadania.
    Em seguida, o presidente da AMP, Sérgio Harris, lembrou que existem dois pilares em uma democracia: um Ministério Público independente e uma imprensa livre. Segundo ele, o momento de agraciar as reportagens que melhor retrataram a atuação da Instituição mostra a importância de tais pilares na sociedade.
    Por fim, o procurador-geral de Justiça destacou que a premiação serve para que o MP e a imprensa “confraternizem uma parceria que é do dia a dia”. Fabiano Dallazen recordou que a atuação do MP vai desde “a presença na área penal até fiscalizar e exigir o cumprimento de políticas públicas em diversas áreas, como a infância e juventude, idosos, entre outras”. Nesse contexto, frisou que a parceria entre MP e a imprensa é “essencial”. O PGJ destacou, ainda, que 2017 foi um ano de muito trabalho para a Instituição e que, no próximo ano, um ano de eleições e que promete ser caracterizado por dificuldades e radicalismos, o MP continuará atuando fortemente na defesa da cidadania. “2018 será um ano de responsabilidades e de muito trabalho”, finalizou sua fala.
    Também estiveram presentes na cerimônia de premiação a subprocuradora-geral de Justiça de Gestão Estratégica, Ana Petrucci; o chefe de gabinete e secretário-geral, Júlio César de Melo; o promotor-assessor Cristiano Ledur; os promotores Ana Maria Moreira Marchesan, Cláudio Ari Pinheiro de Mello e Ivana Machado Battaglin, que tiveram seus trabalhos destacados nas matérias jornalísticas agraciadas com a premiação; a vice-presidente da AMP, Martha Silva Beltrame; o presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Luiz Adolfo Lino de Souza; o diretor do Departamento de Assistência Social da ARI, Ayres Cerutti; o diretor de Jornalismo da RBSTV, Cezar Freitas; o diretor do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Eduardo Silveira; familiares do jornalista Ricardo Grecellé, os professores universitários Luciana Kraemer e Roberto Belmonte, que orientaram os trabalhos acadêmicos laureados, além de jornalistas, servidores, representantes de entidades e acadêmicos.

  • EPTC extingue três linhas, cria uma nova e leva três dias para avisar população

    Usuários de ônibus que desde sábado tentam pegar uma linha nos bairros Petrópolis, Bela Vista e Boa Vista estão um tanto perdidos. Nas paradas são avisados ou por outros usuários ou por motoristas de coletivos.
    Desde sábado, 09/12, as linhas 430 – Bela Vista/Anita, 430.2, Bela Vista/Anita – via Carazinho e Ijuí e a 431 – Carlos Gomes, estão extintas pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
    Elas foram substituídas pelo itinerário ampliado da linha 525 – Rio Branco/Anita e pela criação da linha 432 – Carlos Gomes/Petrópolis.
    De acordo com o gerente de Planejamento de Transportes, Flávio Tumelero, “os novos itinerários vão melhorar o atendimento ao usuário, a frequência. Eram linhas sobrepostas. Há agora um itinerário mais racional, que vai facilitar o cumprimento de viagens.”
    A EPTC trabalha para minimizar os transtornos aos usuários com a sinalização dos locais. Usuários também poderão esclarecer as dúvidas pelo número 118. Ajustes podem ser solicitados pelos passageiros nos primeiros dias da operação.
    Veja o que muda:
    Linha 432 – Carlos Gomes/ Petrópolis – nova linha
    Linha 430 – Bela Vista/Anita – substituída pelas linhas 525 – Rio Branco/Anita/Iguatemi e 432 – Carlos Gomes/ Petrópolis.
    Linha 430.2 – Bela Vista/Anita (via Carazinho e Ijuí) substituída pelas linhas linha 525 – Rio Branco/Anita/Iguatemi e 432 – Carlos Gomes/ Petrópolis.
    Linha 431 – Carlos Gomes – substituída pela 432 – Carlos Gomes / Petrópolis

  • Tetê Espíndola traz ao Stúdio Clio o show “Outro Lugar”

    Márcia Ameriot (especial para o JÁ)
    Três anos após lançar seu último trabalho, “Asas do Etéreo (2014), e depois de um longo hiato dos palcos gaúchos, a cantora e compositora sul mato-grossense lança o álbum de inéditas, “Outro Lugar”, no StudioClio, em dois shows, nestas quarta e quinta feiras, às 20h. No disco, reúne parcerias de longa data como Maria Catunda, Arnaldo Black e Arrigo Barnabé e especiais, como o imortal Manoel de Barros (em poema musicado pela cantora).
    “Cada um de nós tem que encontrar um lugar ou lugares dentro da gente mesmo, pode ser na loucura da cidade ou no meio da natureza. Encontrar a tranquilidade dentro de si mesmo. É a sina de todo ser humano, encontrar o seu lugar e a paz interior”, conta Tetê sobre o lançamento do seu 18º disco.
    Embora inéditas, as faixas do novo álbum não foram escritas recentemente: “Comecei esse projeto organizando meus caderninhos, que chamo de ‘aguardados’. Quando me dei conta que ainda não tinha gravado Boca,por exemplo, um poema de Manoel de Barros, feito para o filme ‘Caramujo em Flor’, de Joel Pizzinia, em 1987, onde eu apareço grávida, senti que o repertório que queria ser gravado seria de várias épocas”, explica Tetê.
    No encarte do disco, a cantora relembra as datas em que elas foram escritas (entre 1974 e 2015) e conta um pouco da história delas. Produzido pela LuzAzul, selo de Tetê, o disco foi gravado em Campo Grande (MS), sua terra natal, em São Paulo e finalizado em Paris, com o francês Philippe Kadosch.
    Para o repertório do show, foram escolhidas músicas como Na chapada (de Tetê e Carlos Rennó), Escrito nas Estrelas (Arnaldo Black e Carlos Rennó), Ibiporã (Arrigo Barnabé) e Sertaneja (Rennê Bittencourt); e recentes, registradas em disco, como Itaverá (composição do irmão Geraldo), Anjo Só (Tetê Espíndola e Luisa Gimenez), Pé de Vento e Bodoque (ambas de Tetê Espíndola com Marta Catunda).
     Loucuras sonoras
    “Adoro cantar em Porto Alegre pois o público desta cidade sempre foi atento às minhas ‘loucuras sonoras’. Outro lugar é uma música composta em minha homenagem pelo Arnaldo (Black, autor do grande sucesso “Escrito nas Estrelas” e pai de seus filhos, o músico Dani e Patrícia, cineasta e documentarista que assina a direção de arte do show e a fotografia do álbum), me traz paz interior e com ela eu convido a plateia a meditar”.
    A cantora fará um show intimista, acompanhada por sua craviola, instrumento de 12 cordas, meio cravo – meio violão, criado pelo músico Paulinho Nogueira, que ela tomou como companheiro desde sua adolescência. Tetê é uma das raras instrumentistas a adotá-lo.
    Tetê se considera hoje mais madura como instrumentista, arranjadora e cantora; diz que está controlando mais a voz e atingindo tonalidades mais graves e suaves: “O mundo está muito barulhento. Agora, trago mais paz para os ouvidos do meu público”.  Mas, avisa, divertida: “vou cantar, sim, Escrito nas Estrelas no mesmo timbre da época que foi gravada. Adoro ver a reação da plateia”.
    As composições de Tetê têm o sabor da música do Mato Grosso do Sul, com influência da alma guarani, onde o Brasil foi Paraguai, com guarânias e polkas. Vencedora da edição de 1995 do Festival dos Festivais, da Rede Globo, a artista experimentou grande sucesso, mas persistiu como uma das cantoras mais originais da música brasileira.
    Suas melodias são extremamente elaboradas e seu trabalho incorporou pesquisas de vanguarda realizadas com sons de pássaros, influência de temas regionalistas e fusões do acústico com o eletrônico. No disco atual, fez questão de gravar a craviola antes, acompanhada do talento de grandes instrumentistas tocando ukelele, violão 7 cordas e harpa paraguaia, entre outros. O CD pode ser adquirido pela loja online da cantora, http://www.loja-tete-espindola.com.
    Sobre a cena musical atual, ela afirma gostar dos tons graves de Maria Gadu e Anelis Assumpção, mas também escuta “sopranos incríveis” como Luz Marina, não por acaso, sua sobrinha e herdeira de seu timbre inconfundível.
    Serviço
    Show Tetê Espíndola – Outro Lugar
    Data: 13 e 14 dezembro, quarta e quinta-feira Horário: 20h;
    Local: Studio Clio;
    Endereço: R. José do Patrocínio-698 – Cidade Baixa;
    Duração: 75 minutos;
    Classificação: Livre;
    Ingressos: Antecipados a partir de R$100 entrada solidária*, R$80 (meia-entrada) e R$160 (inteiro).
    Na porta, a partir de R$110 entrada solidária, R$90 (meia-entrada) e R$180 (inteiro *Entrada solidária – doação para Instituição de caridade
    Na bilheteria: desconto para a entrada inteira na entrega de 1Kg de alimento não perecível. No site: O valor de R$ 10,00 será utilizado para compra de alimentos.
     

  • Coleções da Zoobotânica somam mais de 600 mil exemplares da fauna e flora nativas

    Cleber Dioni Tentardini
    Mesmo diante das ameaças e boicotes que vem sofrendo do governo do Estado, desde 2015, a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB/RS) completa 45 anos no dia 20 de dezembro em pleno funcionamento, com diversas pesquisas em andamento, inclusive para o Executivo estadual, e com um bom motivo para comemorar: suas coleções alcançaram a marca dos 609.445 exemplares, grande parte representativa da fauna e flora riograndenses. Esse número foi computado no início de dezembro.
    O Museu de Ciências Naturais e o Jardim Botânico possuem o maior acervo de material-testemunho da biodiversidade dos ecossistemas terrestres e aquáticos do Estado. Há exemplares também de outros estados e países, a maioria doada.
    O Parque Zoológico, outra instituição vinculada à FZB, possui mais de mil animais nativos e exóticos, de mais de cem espécies, mas não são considerados como coleções científicas.
    Pesquisadores e estudantes de graduação e pós, de instituições do Brasil e do exterior, visitam constantemente a instituição para examinar os acervos. Por vezes, as visitas de especialistas revertem na revisão das informações, imprimindo atualidade às coleções, com os novos estudos publicados.
    Além da quantidade, a qualidade das coleções é outro fator que chama a atenção dos pesquisadores. Acervos conservados, atualizados e devidamente identificados frequentemente rendem elogios aos especialistas e técnicos, ambos indissociáveis das coleções.

    Coleções identificadas e conservadas, facilitando o acesso dos pesquisadores de todo o país e do exterior

    Afora as coleções históricas, todas as demais são vivas, ou seja, perdem e também recebem materiais novos para estudos e catalogação, necessitando de curadoria permanente. Os acervos não são estáticos, ao contrário, estão em movimento, portanto, necessitam da supervisão dos especialistas.
    Só que nos últimos dois anos todo esse patrimônio vem sendo ameaçado, com o fantasma da extinção e a demissão dos pesquisadores, técnicos e demais servidores, o chamado patrimônio imaterial.
    O governo do Estado alega que as coleções serão repassadas para a responsabilidade da Secretaria de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a SEMA, que administrará uma página na Internet com todo o banco de dados da FZB. No entanto, os próprios funcionários da SEMA já admitiram inúmeras vezes que não têm capacidade de absorver esse trabalho nem a qualificação necessária para manusear as coleções. A Fepam também já emitiu nota no mesmo sentido.
    “O fato é que o patrimônio material da Zoobotânica não sobrevive sem a gestão dos especialistas, mestres e doutores em diversas áreas, com conhecimento científico acumulado (…) Esse corpo técnico extremamente qualificado mantém a instituição viva e capaz de nutrir o Rio Grande do Sul com informações sobre a biodiversidade, patrimônio paleontológico, patrimônio genético, dentre outros bens culturais e ambientais de suma relevância para a preservação da vida humana, animal e vegetal”, apontaram na ação civil pública as promotoras de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, do Ministério Público Estadual. “E sentenciaram: “a descontinuidade dessas atividades acarretará terríveis consequências do ponto de vista científico para o Rio Grande do Sul”.
    O biólogo Ricardo Ott é o curador das coleções de aranhas, escorpiões, minhocas e similares, estrelas do mar e ouriços (equinodermos), lacraias, piolhos de cobra etc (miriápodos). Trabalha há 15 anos no Museu de Ciências Naturais e afirma sem titubear: “Deixar uma coleção sem curadoria e disponível somente pela internet é condená-la à inutilidade.”
    Ott exemplifica que a cada ano são publicados mais de dois mil trabalhos só em taxonomia de aranhas. Esse material precisa não só de manutenção física, mas também da manutenção científica, que só um especialista, no caso o curador, tem capacidade de atualizar.
    Biólogo é curador das coleções de aranhas, escorpiões, ácaros, minhocas, estrelas do mar e ouriços, lacraias, piolhos de cobra, dentre outros

    “Nós temos 60 mil lotes com exemplares de aranhas que chegam em torno de 200 mil e cerca de 1.100 exemplares-tipo, que servem de referência para identificação de espécimes. A toda hora são feitas descrições, revisões e outras pesquisas que têm de ser estudadas pelos especialistas”, observa.
    A maioria dos exemplares destas coleções foi coletada na década de 1960, mas existem alguns bem mais antigos, como uma aranha recolhida na Itália em 1906 e doada à FZB pelo Museu de Viena.
    E seu trabalho não resume por aí. Ricardo tem pós-doutorado na Austrália e é uma das referências para consultas do CIT – Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul – órgão do governo do Estado. E, por vezes, é co-orientador de alunos de iniciação científica e de cursos de mestrado e doutorado.
    O setor recebe entre 150 e 200 consultas por ano do CIT, para identificar espécies principalmente de aranhas e escorpiões, a fim de que os profissionais possam passar as orientações adequadas à população sobre prevenção e tratamento contra picada de animais peçonhentos.
    Biólogos Ingrid Heydrich e Ricardo Ott fazendo triagem de serrapilheira, em busca de moluscos, aranhas e insetos, na sede da Fepagro em Livramento /Mariano Pairet/Divulgação

    “Nossas coleções têm de estar muito bem atualizadas. Agora mesmo estamos estudando um ácaro. No controle de pragas, por exemplo, alguns gêneros de ácaros foram revistos pelos taxonomistas e hoje se sabe que o mesmo bicho de pessegueiro não é o de macieira. Então, o técnico é instruído para que não coloque veneno na macieira nessa época do ano porque tal espécie de ácaro só se reproduz em outra estação”, completa Ott.
    Coleção de mamíferos, uma das principais do país
    As biólogas Márcia Jardim e Tatiane Trigo são as curadoras da coleção de mamíferos do Museu de Ciências Naturais. É o Setor de Mastozoologia, que possui uma das principais coleções do Brasil e tem um acervo bastante representativo da fauna gaúcha, além de ter exemplares de outros estados e de países vizinhos como Uruguai e Argentina.
    A coleção tem cerca de quatro mil exemplares e é formada, em grande parte, por morcegos, roedores e carnívoros. Mas há, por exemplo, esqueletos de baleia, rinoceronte, hipopótamo e até de leão e tigre.
    Pesquisadoras e estagiários no Setor de Mastozoologia do MCN / Divulgação

    Concomitante ao trabalho de curadoria e de supervisão dos estudantes e pesquisadores, as biólogas frequentemente saem a campo para subsidiar planos de manejo de áreas protegidas e programas de conservação de espécies ameaçadas. Na semana passada, estavam realizando pesquisas na Área de Proteção Ambiental (APA) do Banhado Grande, que abrange parte dos Biomas Pampa e Mata Atlântica e ocupa 2/3 da bacia hidrográfica do rio Gravataí. Localiza-se entre os municípios de Glorinha, Gravataí, Santo Antônio da Patrulha e Viamão.
    A APA foi criada em 1998 para proteger os banhados que formam o rio Gravataí: Chico Lomã, Grande e dos Pachecos. E ainda o Refúgio da Vida Silvestre Banhado dos Pachecos, unidade de conservação de proteção integral.
    Tatiane (à frente) e Márcia examinando graxaim do mato, no Refúgio Banhado dos Pachecos, da APA do Banhado Grande/Mariano Pairet/Divulgação

    Técnico agrícola da FZB, Mariano Pairet, com veado machucado, na região dos Cerros Verdes, em Santana do Livramento /Divulgação

    Esse trabalho teve origem num convênio com o governo do Estado e envolve pesquisadoras da SEMA e diversos setores de pesquisa da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
    Márcia é doutora em Ecologia, com ênfase em primatologia. Ingressou na FZB em 2001 e faz a curadoria da coleção desde 2003. “A identificação e manutenção requer conhecimento e muitos cuidados, como controle de temperatura, umidade, a preparação correta da pele e do esqueleto, desde a sua entrada, para que fique à disposição dos pesquisadores”, afirma.
    Márcia mostra exemplares da coleção de morcegos/Cleber Dioni

    A bióloga chama a atenção ainda para os cuidados com o material genético, os tecidos, que ficam acessíveis para pesquisas em biologia molecular. “Aqui, também é fundamental a presença do curador a fim de acompanhar e orientar os pesquisadores”, reforça.
    Tatiane, bióloga da FZB desde 2014, doutora em Ecologia pela Universidade Federal, é especialista em genética de conservação e ecologia de felinos silvestres. Ela destaca a capacitação dos servidores e o caráter público das coleções do Museu de Ciências Naturais, garantindo acesso fácil dos pesquisadores.
    Tatiane com peles de exemplares de felinos silvestres, caprichosamente conservadas/Cleber Dioni

    “Desde que o animal entra aqui, é feita a identificação, depois a preparação, que é lenta, porque tem que saber lidar com a pele, o esqueleto, a fim de que ele fique nas condições ideais pra que possa ser estudado. A gente procura ter a maior quantidade de informações sobre o animal, que se torna parte do material testemunho da fauna de mamíferos do RS. Há exemplares, por exemplo, de onça pintada com ocorrências em outras regiões do Estado, ao contrário do que se verifica hoje, cuja espécie está delimitada ao Parque Estadual do Turvo, portanto um animal extremamente ameaçado”, adverte Tatiane.
    Coleção científica fornece diversas informações
    A Fundação Zoobotânica guarda também toda a diversidade de anfíbios do Estado. O curador da coleção, que possui 14 mil exemplares, é o biólogo Patrick Colombo, na instituição desde 2014.
    “Eu costumo dizer que uma coleção científica é como uma biblioteca porque cada exemplar, cada indivíduo tombado equivale à informação que tem num livro. Esses indivíduos guardam informações passadas e presentes. A gente consegue saber através de dados de uma coleção se uma área já foi degradada, que espécies ocorreram nessa área, e, através dessas informações, se consegue traçar mapas de distribuição de espécies e planos de conservação, assim como de educação ambiental”, descreve o biólogo.
    Colombo, que é mestre em Ecologia e doutor em Zoologia, alerta que é um equívoco achar que uma coleção guardada não precisa do especialista. “Dependendo da coleção, precisa de cuidados diários porque são materiais supersensíveis, especialmente os anfíbios que têm a pele sensível e tem toda uma peculiaridade fisiológica. Então, tem que manter a coleção em perfeito estado de conservação e bem identificada”, diz.
    Em eventos de educação ambiental, os “anfíbios do Patrick” são uma das principais atrações/Divulgação

    Colombo caracteriza uma coleção sem curador como abandono. “Não tenho a menor dúvida de que se isso acontecer na fundação, as coleções vão estragar em pouco tempo e vai se perder tudo”, critica o biólogo.
    Sua colega, Rosana Senna, diz que as coleções são indissociáveis dos especialistas. “Infelizmente, as pessoas que tomam decisões não imaginam o valor inestimável dessas coleções, desconhecem que não existe a menor  possibilidade de deixar alguém cuidando de uma coleção, sem conhecimento taxonômico para fazer o manejo e a atualização”, alerta.
    Botânica Rosana Senna no Herbário HAS, do MCN/FZB/Divulgação

    A bióloga, que é uma das curadoras da coleção de plantas vasculares no Herbário Prof. Dr. Alarich R. H. Schultz (HAS), do MCN, adverte que manter um fichário na internet ajuda bastante para fazer uma triagem, mas os pesquisadores que vêm de fora têm que ter acesso à coleção bem conservada e apta para o manuseio e, para isso, o curador tem que mantê-la atualizada.
    Os herbários são coleções científicas de plantas, essenciais para diversas áreas de estudo como taxonomia, sistemática, biogeografia, ecologia, biologia da conservação, genética, evolução, farmácia e medicina, entre outras.
    Outro curador das coleções do HAS é o biólogo Martin Molz. Especialista na flora arbórea e ecologia de florestas, Molz tem pós-doutorado no Centro de Ecologia da UFRGS, é taxonomista e tem interesse especial na conservação de plantas lenhosas, com destaque para a família das plantas com flor (Myrtaceae). Tem experiência em ecologia de comunidades, invasões biológicas, biodiversidade, biogeografia e conservação, em diferentes biomas e formações vegetais no RS e no Brasil.
    Molz (à frente) em São Francisco de Paula/Divulgação

    Pesquisador do Museu de Ciências Naturais desde 2014, Molz observa que um herbário documenta historicamente os conceitos de especialistas que estudaram os espécimes no passado, permitindo planejar onde devem ser feitos novos esforços de pesquisa em regiões pouco investigadas.
    “A partir dos registros existentes é possível estudar as épocas de floração e frutificação de espécies. Os herbários documentam onde as plantas cresciam ao longo do tempo, permitindo identificar espécies invasoras, mudanças climáticas, destruição de hábitats; saber quais plantas crescem com outras espécies de plantas; além de fornecerem material para observações microscópicas, análises de DNA, análises químicas (poluição etc), ensino de botânica e ecologia, estudos de expedições (história da ciência)”, enumera o biólogo.
    Segundo Molz, só em 2017, o HAS teve mais de 3,5 milhões de acessos aos dados já disponibilizados online. O herbário abriga mais de 200 espécimes-tipo e importantes coleções de plantas.
    Identificando exemplares da coleção do herbário/Divulgação

    Uma das coleções mais representativas no HAS é a de Myrtaceae, família da jabuticabeira, da pitangueira, do araçá e da goiaba-serrana. É a maior coleção do Rio Grande do Sul e mesmo com a intensificação do trabalho de curadoria e de pesquisa seu potencial ainda não é totalmente conhecido.
    Molz realizando coleta em Caraá/Divulgação

    “Aí entra a importância da atividade de curadoria, que é altamente especializada, pois requer conhecimento geral de muitas áreas da biologia e de diferentes grupos de plantas, as quais possuem muitas formas de vida e desenvolvem-se nos mais distintos hábitats, como florestas, campos, afloramentos rochosos etc. Um curador precisa entender de sistemas de classificação de plantas, atrair especialistas para revisar e qualificar os materiais do herbário, fazer permutas com outras coleções, captar recursos, além de organizar e realizar expedições científicas para coletar novos registros, incluindo espécies raras, endêmicas e ameaçadas de extinção e algumas vezes espécies desconhecidas para a ciência. Coleções podem guardar raridades e/ou espécies desconhecidas e é o “olho” do curador ou dos especialistas que visitam a coleção que consegue encontrar tais espécimes”, ensina Molz.
    Modelo no país, Jardim Botânico mantém banco de sementes de espécies ameaçadas
    As 27 coleções do Jardim Botânico de Porto Alegre somam 4.344 exemplares, incluindo espécies ameaçadas, raras e endêmicas (que só se encontram no Estado); e coleções especiais, representativas da flora nativa. Há 2.250 espécimes arbóreas, mais de 750 espécimes de orquídeas e mais de 620, de bromélias.
    Catálogo do banco sementes

    Dentre essas variedades, estão preservadas ali 97 espécies ameaçadas de extinção entre bromélias, cactos, orquídeas, espinilhos, araucárias e outras. Constam nas coleções do JB, por exemplo, a espécie de orquídea Cattleya intermedia, o cacto Parodia neohorstii, espécie endêmica da Serra do Sudeste, no Estado, a Callisthene inundata, árvore endêmica da Serra, e a Dyckia marítima, espécie de bromélia que ocorre no Litoral Norte do RS.
    Entre as espécies raras, estão protegidas árvores como o Butiá yatay e o Podocarpus sellowii.
    O Jardim Botânico está registrado na Agenda Internacional de Jardins Botânicos do Botanic Gardens Conservation International (BGCI), o que facilita a captação de recursos para pesquisa. Se não for preservado nas suas atuais condições, segundo a bióloga Andréia Carneiro, curadora das coleções do JB, provavelmente vai perder o registro, com prejuízos irreparáveis para conservação da biodiversidade no Estado.
    Pesquisadoras Rosana Singer e Josy Zarur no Refúgio Banhado dos Pachecos, este ano/Mariano Pairet/Divulgação

    A sua colega, a bióloga Rosana Farias Singer, doutora em Biologia Vegetal, trabalha há cinco anos no Jardim Botânico. Ela lembra que, além das coleções arbóreas e envasadas, há também o Banco de Sementes do JB, ameaçado de ficar sem pesquisadores e na iminência de encerrar as atividades de análise fisiológica e morfológica de sementes de espécies arbóreas e arbustivas nativas do Rio Grande do Sul.
    Espécie de cacto (Parodia neohorstii) que só encontrada na Serra do Sudeste do Estado/Rosana Singer/Divulgação

    O Laboratório de Análise de Sementes, do Banco de Sementes do JB, é o único no Estado que realiza essas funções, inclusive com as espécies ameaçadas.
    Rosana Singer na coleção do Jardim Botânico/Cleber Dioni

    “Sem especialistas, técnicos e jardineiros, não consigo vislumbrar a manutenção do Jardim Botânico. Não há a mínima condição de um único profissional ficar responsável pelas coleções, ou um pesquisador e um jardineiro, por exemplo. Porque o trabalho não é só dar água às plantas, elas precisam dos nutrientes, cuidados contra as pragas, o manejo correto, feito por pessoas qualificadas, sem isso é muito difícil das espécies sobreviverem”, completa Rosana.