Autor: Elmar Bones

  • Entre flores e pássaros

    Por Shana Torres
    A fila para assistir ao show de Alanis Morissette parecia interminável. Até quem era vip não escapou, chegou a ficar um quilômetro distante do portão de entrada. Lá dentro, a multidão se aglomerava em busca do melhor local para assistir ao espetáculo, inclusive na área da imprensa pessoas esticavam o pescoço para enxergar uma pontinha de Alanis Morissette. A cantora veio a Porto Alegre divulgar a turnê do álbum Flavors of Entanglement, seu último disco. Os fãs, de todas as gerações, aguardavam há mais de dez anos pela vinda da canadense ao Brasil.
    Ela entrou no palco às 22h14min, entre flores e pássaros que compunham o desenho do cenário. A primeira música cantada por ela foi The Couch, do disco Junkie, que relata a inconstância da cantora com a vida, principalmente depois do desmanche de seu último relacionamento, com o ator Ryan Reynolds. Alanis Morissette, uma hippie com influências no folk music dos anos 60 e no rock eloqüente dos anos 80, surpreendeu ao enrolar-se na bandeira brasileira cantando uma das músicas mais aclamadas pelos fãs: You Learn, que trata das dificuldades enfrentadas na vida e lições que tiramos das situações cotidianas.
    Not as we, faixa do último disco da cantora, de 2008, foi acompanhada por efeitos visuais que fizeram as três flores desenhadas no cenário oscilarem entre a mistura sombria do laranja e do cinza contrastando com o rosa reluzente, marcando os diversos momentos dessa música, entre a reabilitação emocional da cantora e a vontade de começar de novo e a volta ao passado triste e problemático. Em direção às flores do cenário, pássaros pretos foram desenhados numa simbologia de liberdade ao passado sofrível. Alanis já teve anorexia e bulimia. Na adolescência, ela foi vítima de estupro, tema que será abordado no livro que está escrevendo, com previsão de lançamento para 2010.
    Entre tantas fases pelas quais a canadense passou, desde produções mais frenéticas, como “Head over feet” até composições influenciadas pelo Drum n’bass como a nova “Moratorium”, ela ainda conserva o que tem de melhor: a humildade. Thank you foi não só a música que encerrou o show, às 23h58min, mas foi o agradecimento repetido por mais de dez vezes pela cantora aos fás que cantaram em coro suas letras e imploraram pelo bis.

  • RBS compra mais três diários no Interior

    Três dos mais tradicionais diários do interior do Rio Grande do Sul podem passar a integrar a rede de jornais da RBS. As negociações com O Nacional, de Passo Fundo, estão praticamente concluídas e o contrato deve ser assinado esta semana. No meio, fala-se em R$ 4 milhões. O Nacional pertence a uma família de jornalistas dos quais o mais famoso foi Tarso de Castro, um dos fundadores do Pasquim. Hoje é dirigido por Múcio de Castro, neto e homônimo do fundador. O Nacional foi fundado em 1925, tem uma tiragem de 10 mil exemplares e circula de segunda a sábado. O diretor, no entanto, nega a existência de qualquer negociação.
    Outra negociação adiantada é a que envolve o Agora, de Rio Grande, que já foi noticiada pelo jornal JÁ. Começou no ano passado e tem avançado. O Agora foi fundado em 1975, também circula de segunda a sábado, com tiragem de 6 mil exemplares.
    O terceiro alvo da RBS também é um diário tradicional e de prestígio na região do Vale do Taquari: o Informativo de Lajeado. O jornal foi fundado em 1970. Atualmente possui uma tiragem de 8 mil, de segunda a sábado. Possui filiais em Teutônia e Arroio do Meio. Segundo fontes próximas aos negociadores, acertam-se os detalhes finais.
    Entretanto, a direção da Rede Vale de Comunicação enviou email esclarecendo que foi contatada no final do ano passado pelo Grupo RBS, que manifestou interesse na compra do jornal O Informativo do Vale, mas que nenhuma negociação foi efetivada até o momento (leia comentário). Do mesmo modo, o Grupo RBS negou que houvesse qualquer negócio em andamento.

  • Folia na Cidade Baixa

    Carnaval na Cidade Baixa
    Carnaval na Cidade Baixa

    Por Carolina Teixeira
    No último domingo, dia 08 de fevereiro, a folia tomou conta da Cidade Baixa, entre as ruas Lima e Silva e República, na rua Sofia Veloso. Fantasias divertidas, pessoas bonitas e animadas, muito samba e bateria de primeira.
    O burburinho iniciou por volta das 15h e estendeu-se até a noite. Entre as atrações estavam a bateria mirim “Areal da Baroneza”, a banda de marchinhas “Charanga do Iran” e o grupo de samba “Na Palma da Mão”, além de convidados especiais e personagens circenses.
    O Bloco Maria do Bairro, que colocou sua velha guarda, seu casal de mestre-sala e porta-bandeira e sua rainha da bateria para desfilar, foi quem organizou a função. É o terceiro ano consecutivo que o bloco promove a festa, que inclui apresentação de bandas de samba, marchinhas, bateria e samba-enredo.
    O trânsito da Rua Sofia Veloso foi bloqueado e, como nos antigos carnavais de rua de Porto Alegre, foram distribuídos brindes temáticos, serpentinas, confetes e leques de papel. Esse tipo de evento pretende resgatar o aspecto cultural do bairro.
    O Carnaval de Rua na Cidade Baixa, que começou por volta de 1972 e que durou até 1984, ressurge como um resgate da tradição dos antigos carnavais de rua e manifestações quase que espontâneas que existiam na cidade e que acabaram com o passar dos anos.
    “A tradição do carnaval ao ar livre é um costume no Rio de Janeiro e é cultivada por centenas de foliões que passam o ano aguardando a grande festa, momento de confraternizar com os amigos, com os vizinhos, com a sociedade”, destaca Rafael Tombini, sócio da empresa e um dos realizadores da atividade. “A Maria vive a cultura e acredita que qualquer forma de manifestação artística deve sempre ser incentivada”, complementa.
    Desde sua primeira edição, os organizadores do evento buscam resgatar o romantismo e a cultura dos carnavais de rua de antigamente, numa festa para a comunidade. Em 2008, cerca de 2 mil pessoas participaram do evento. Para este ano, a Maria Cultura passou uma estimativa de um público aproximado de 3 mil pessoas, entre moradores do bairro, jovens, crianças, idosos e famílias.

  • Camelódromo agrada visitantes na abertura

    Por Pedro Lauxen
    Foto: Pedro Lauxen
    Movimento foi intenso na abertura do Centro Popular de Compras
    Depois de vários adiamentos, nesta segunda-feira, 09, foi inaugurado o Centro Popular de Compras de Porto Alegre. Na boca do povo, simplesmente camelódromo. A compra de um pen-drive de R$25, efetuada às 9 da manhã pelo secretário da Smic, Idenir Cecchin, simbolizou a inauguração do espaço, que abriga 800 camelôs antes espalhados pelas ruas do centro.
    Durante todo o dia de ontem, o entra e sai foi constante nos estreitos corredores do local e a iniciativa já agrada tanto os ex-camelôs, agora chamados de comerciantes populares, quanto os consumidores.
    Construído sob os terminais de ônibus das praças Rui Barbosa e Tamandaré, entre as avenidas Mauá e Voluntários da Pátria, o CPC é oferece, além das lojas, praça de alimentação, estacionamento para 216 veículos, área de serviços, banheiros, seis elevadores, segurança privada e sistema de monitoramento.
    Encontra-se de tudo no CPC. Predominam o comércio de vestuário e eletrônicos, mas dando um giro pelo local é possível comprar artesanato, material escolar, cosméticos, artigos tradicionalistas ou religiosos, brinquedos. Precisa comprar uma fantasia? Tem. Incenso? Também. Para os mais letrados, uma das lojas de 4m² acolhe um sebo com centenas de títulos.

    Praça de alimentação apresenta variadas opções de refeição.
    Quem está com fome tem muitas opções, que vão do simples pão de queijo ao buffet de grelhados. Se a preferência for por uma pizza, baguete, um salgado, sem problemas. Aqueles que apreciam um chopinho no final da tarde também foram contemplados. E tem espaço para novidades, como o Biskuit, cuja especialidade é um reforçado sanduíche com 200 gramas de mortadela e queijo derretido. O lanche custa R$ 6.
    PERSONAGENS
    Cerca de 1600 trabalhadores ocupam os 19 mil metros quadrados de área construída do empreendimento. Muitos deles, com apenas algumas horas de labuta, já faziam uma avaliação positiva do novo endereço.
    Para Carla Simone Silva, 39 anos, proprietária da RC Games, o primeiro dia de vendas foi melhor do que a expectativa. “Não perdi nada em vendas, está muito bom e vai melhorar”, disse. Ela, que no domingo à tarde mudou-se do asfalto da Praça XV, aonde atuou por 18 anos, para a loja 414 do CPC, investiu os R$ 8 mil que arrecadou no Natal na estrutura e nas mercadorias do seu novo ponto comercial.
    Além de atrair nova clientela, a vendedora trouxe a sua freguesia de fé. Taís Rocha, 26, foi conhecer o CPC e de quebra deu uma passada na RC para comprar um jogo de videogame para a filha com a Carla, sua fornecedora oficial. “Aqui tu está bem melhor, é bonito, organizado, não tem sol”, explicou. No mesmo sentido, a amiga Vanessa Porto, 26, pondera: “ficou melhor para os dois lados”.

    Carla, da banca de Games recebeu os antigos clientes da rua.
    Como muitos dos comerciantes populares que chegaram ao camelódromo, Carla registrou, sem custos, sua empresa no CNPJ. Até o final do ano, a Smic estima que 90% dos lojistas sigam o mesmo caminho.
    Marta Pereira, 44, responsável pela “Lua Azul”, vende camisas de clubes de futebol no número 405. Camelô desde os 14, quando ajudava a mãe Eva na Marechal Floriano, Marta não arrecadou no primeiro dia o mesmo que costumava ganhar na rua, mas projeta um futuro próspero. “Graças a Deus está sendo bem melhor do que eu pensava”, comemorou.
    Dono da Bali Thay, aonde vende correntes, pulseiras, anéis e outros artigos de prata, Humberto Torbes, 32 anos, desde que ouviu falar do projeto aprovou a idéia e ontem teve certeza de que terá vantagens no novo logradouro. “A estréia foi maravilhosa”, sentenciou. Há três anos ele mantinha o negócio na Praça XV, mas lembra que lá o início foi mais difícil. “No meu primeiro dia aqui rendeu muito mais do que naquela vez”, recordou. Torbes estima recuperar em seis meses o investimento de R 4 mil.
    Levados ao centro pela curiosidade, Divane Dutra, 39, e o marido Francisco, 33, observavam atentamente as vitrines do CPC. Ele “namorava” os eletrônicos, enquanto ela procurava alguma blusa daquelas bonitas e baratas. “Estava curiosa, estamos gostando, mas os preços são iguais em todas as lojas, não adianta pesquisar”, advertiu. Saíram sem sacolas.
    NOVO VELHO CENTRO
    Com o início das operações do Camelódromo, fica proibido o comércio de rua no centro da capital. Segundo o secretário da Smic, Idenir Cecchin, haverá dura fiscalização da BM em conjunto com a secretaria e os próprios comerciantes do CPC vão ajudar a coibir os camelôs de rua. “Agora eles são nossos aliados porque também não interessa pra eles alguém lá”, disse.
    Além disso, equipes da prefeitura já trabalham nos antigos pontos de camelôs transformando os locais em Área Azul – estacionamento rotativo mantido pelo município. Pelo menos no primeiro dia, as ameaças surtiram efeito.

    Praça XV teve visual modificado na manhã de segunda-feira.
    Desde cedo, pôde-se notar que havia um novo cenário no centro. Nenhuma banca de camelô na praça XV, tampouco na José Montaury. Na Vigário José Inácio, apenas pedestres no seu vai-e-vem habitual. Os prédios centenários, que antes passavam despercebidos, agora figuram em primeiro plano. As árvores da praça XV ganharam um colorido especial. Na Vigário, era possível observar os detalhes Igreja do Rosário.

    José Montaury também amanheceu livre das bancas de camelôs.
    Como nem tudo é perfeito, vendedores ambulantes de CDs, DVDs, games, tênis, óculos e até mesmo capas para colchão continuavam oferecendo discretamente seus produtos nesta tarde, na Praça XV, Marechal Floriano e Voluntários. Sem os artigos em mãos, eles vendem o seu peixe mostrando catálogos impressos em folha de ofício. “Ô amigo, CD de Play ou PC?”, “DVD, três por dez!” e “Nike, Nike, Nike!” continuam sendo frases correntes nos arredores do Chalé.

  • Mantido o veto ao projeto do Pontal

    Por Daiane Menezes
    A manutenção do veto do prefeito de Porto Alegre ao Projeto do Pontal do Estaleiro foi acatada por 27 dos 34 vereadores presentes na sessão de hoje na Câmara Municipal.
    Bernardino Vensdrusculo (PMDB), Haroldo de Souza (PMDB), Elias Vidal (PPS) e Reginaldo Pujol (DEM) votaram contra a manutenção do veto. João Antonio Dib (PP), João Carlos Nedel (PP) e Ervino Besson (PDT) optaram por abster-se da votação.
    Logo após o início da sessão, o discurso da base aliada era de que o veto seria mantido. Porém, os vereadores já estavam pensando nas emendas que proporiam ao projeto encaminhado por Fogaça juntamente com o veto. Este novo projeto tem como principal diferença a proposta de um referendo para que os cidadãos de Porto Alegre manifestem-se sobre o assunto.
    “Um referendo sairia muito caro para o município, em torno de 2 milhões de reais. Por isso vamos propor uma outra forma de consulta popular”, disse Valter Nagelstein (PMDB). Além dessa emenda, os vereadores da situação pretendem estabelecer um prazo para que o executivo realize a consulta. “Assim, se não for feita a consulta em 90 dias, passa a valer o que foi votado pelos vereadores”, completa ele.
    A oposição tentou derrubar o regime de urgência, mas não conseguiu. Contou com apenas nove votos. Foram 21 contrários. Isto quer dizer que o projeto não passará pela Comissão de Constituição e Justiça. Dessa forma, limita-se a discussão entre os próprios vereadores e participação da sociedade. “Exclui-se o contraditório”, diz Beto Moesch (PP).
    Cada vez que algum vereador criticava o projeto do Pontal ou defendia o referendo sobre o assunto, escutavam-se algumas palmas. Eram os 15 representantes do Fórum de Entidades, composto por associações de moradores e ONGs. Às vezes, cerca de 30 vendedores ambulantes que esperavam que seus problemas fossem tratados nessa sessão também aplaudiam junto.
    Os defensores do Projeto do Pontal e da derrubada do veto não pareciam contar com simpatizantes nas galerias. Pelo menos não houve manifestações públicas nesse sentido.
    Votações ocorridas em final de ano ou em período de férias não contam com a presença maciça da população. César Cardia, da Associação Amigos da Gonçalo de Carvalho, comentou a fraca mobilização: “o problema é que está todo mundo na praia”.
    A vereadora Maria Celeste (PT) prevê um período de 15 dias para o tramite e votação do projeto do prefeito. Nagelstein acredita o processo se dará em 10 dias. Quanto mais tempo levar, maior a probabilidade de que os porto-alegrenses se organizem e exerçam influência na votação das emendas ao projeto.

  • Viajando bem, sem sair do lugar


    A kombi de Paulo fica na na esquina da rua Augusto Pestana com Venâncio Aires
    Nada como criatividade para fazer business nestes tempos bicudos. O faz-tudo Paulo Gilberto, de 56 anos, reinventou o marketing para ganhar dinheiro no ramo de pequenos consertos domésticos – ele desentope ralos, instala chuveiros, coloca azulejos e troca lâmpadas no Bom Fim e arredores.
    O diferencial dele é uma Kombi 91 branca, eficiente chamariz de cientes. O veiculo está estacionado há três anos na esquina da rua Augusto Pestana com Venâncio Aires, bem na frente do HPS – é um enorme cartaz de exibição gratuita.
    “Eu não tinha pensado nisto”, conta Paulo, dando o segredo de seu bem-sucedido ponto comercial. “Ai, um dia, quando estacionei para fazer um conserto na vizinhança, alguém passou e botou um cartão no párabrisa pedindo outro”.
    Paulo lembra que saiu pra fazer o segundo serviço e quando voltou havia mais dois cartões: “Desde então nunca mais sai daqui”.
    A Kombi está com os documentos em dia, para evitar que seja multada e recolhida pelos azulzinhos. O lixo da rua se concentra em baixo dela, mas a lataria está sempre bem lavada pela chuva.
    Paulo passa as horas de folga no interior da Kombi, onde estão várias revistas velhas e um rádio de pilha. Não, ele não dorme ali dentro – mora no Jardim Lindóia, com a mulher e dois filhos. Nos dias frios, sim, dá pra puxar uma soneca entre um biscate e outro.
    Já foi roubado duas vezes: levaram as ferramentas. Mas ele continua confiando na raça humana e deixando lá dentro o material, porque seria muito complicado pegar dois ônibus pra casa carregando toda tralha.
    O negócio rende quase 1.500 por mês, limpos. Nada de burocracia com a prefeitura, nem imposto, nem IPTU, nem aluguel. Seu capital investido é a carcaça da Kombi. No estado, ela vale uns 4 mil. (R.A.O.)

  • Associação quer fundo para sustentar a Redenção

    Por Daiane Menezes
    Falta de segurança, danos causados por eventos (sem contrapartida) e falta de funcionários. Estes são os principais problemas do parque da Redenção, constatados na reunião da Associação dos Usuários da Redenção com a atual gestora Sônia Medeiros Roland, na quinta-feira 5.
    A utilização do parque para eventos culturais só pode ser feita mediante contrato que estabelece uma contrapartida para auxiliar na sustentabilidade do local e a responsabilização pelos possíveis danos causados. Há, porém, dois problemas. O primeiro: quando há pagamento, o dinheiro acaba indo para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que geralmente dá outra destinação à verba. Segundo: os produtores dos eventos geralmente se recusam a pagar pelos estragos.
    “É muito difícil conseguir fazer com que paguem depois que a vistoria é realizada”, revela Sônia Roland.
    A solução proposta pela Associação dos Usuários do Parque é a criação de um Fundo para a Redenção, para que todo o dinheiro que entre em função da realização de eventos seja investido no próprio parque. Também foi sugerido o estabelecimento de algum tipo de caução para a recuperação dos gramados e do que mais possa ser danificado, como bancos e monumentos, durante as programações não usuais.
    “Os grandes eventos são os que mais maltratam o parque. Precisamos dar prioridade a eventos típicos e pensar melhor nos atípicos”, diz Roberto Jakubaszko, representante da associação.
    Cogita-se, ainda, a possibilidade de destinar parte das arrecadações para a construção do Museu da Redenção.
    Os problemas recentes e recorrentes como o roubo do Orquidário e atos de vandalismo no Minizôo passam pela ampliação do policiamento do parque e pela sua ocupação em horários alternativos. “O dia que o parque precisa de menos segurança, porque o próprio volume de pessoas circulando por ele a garante, é o dia que temos mais policiamento”, diz o ex-administrador da Redenção Clóvis Breda.
    Representantes da Guarda Municipal participaram da reunião e se colocaram à disposição para ajudar a fazer um plano de policiamento para o local, levando em consideração o movimento dos turnos e dias no parque. Atualmente, existem duas duplas de guardas municipais a pé, uma viatura e seis guardas-parque se responsabilizando pela segurança, mas somente das 7h às 19h.
    A Associação de Usuários propôs uma banca ao lado do Expedicionário, nos finais de semana, onde possam ser encontrados: um brigadiano, um guarda municipal, um guarda-parque, um funcionário da SMIC e um funcionário da SMAM. Assim, quando os problemas forem encontrados, como a presença de bancas clandestinas ou a venda de animais proibidos, a questão poderá ser rapidamente resolvida ali mesmo.
    A questão do número de funcionários do parque responsáveis pela sua limpeza e conservação se complica com o passar dos anos. Atualmente são 22 funcionários. A Redenção já chegou a contar com 72. Há duas gestões atrás, ou seja, oito anos, eram mais de quarenta funcionários.
    Além disso, a entrega das obras na fonte do parque continua indefinida e o projeto para a drenagem do parque continua sendo apenas um projeto no DEP. Com 15 minutos de chuva, o parque já fica empoçado e demora um dia para secar. Os cidadãos que querem aproveitar o local ficam prejudicados e os canteiros acabam estragados por conta dos desvios que as pessoas têm que fazer. “Acredito que o projeto está parado porque estão esperando para fazer as obras junto com a reforma do Araújo Viana”, diz Sônia. A previsão é que as reparações no auditório iniciem dia 15.

  • ADÃO PRETTO: Quando morre um guerreiro

    Najar Tubino
    Fica um vazio. Na vida de muita gente, na própria história . Um guerreiro não é um personagem comum. Mesmo morto continuará a sua história. Os guerreiros fazem a história. Os normais, simplesmente morrem.
    No dia 5 de fevereiro morreu o deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, do Rio Grande do Sul, Adão Pretto aos 63 anos, vítima de pancreatite – uma inflamação do pâncreas, um órgão do corpo humano, fundamental para degradação e o metabolismo de alimentos. Principalmente gorduras, ácidos graxos. Ele foi prefeito de Miraguaí, região do Alto Uruguai, dominado por pequenos produtores, e muito tempo atrás, por milhares de sem-terra.
    Adão estava cumprindo o quinto mandato. Participava da Comissão de Agricultura, mas também se envolvia com quase todas as lutas sociais do povo brasileiro. Incluindo a ambiental.
    No dia 15 de dezembro, ainda conversei rapidamente com ele, no lançamento do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio ambiente, no plenarinho da Assembléia Legislativa. Tinha os olhos azuis, brilhantes, marca registrada em alguns descendentes europeus, no caso, italiano.
    É uma perda muito grande, para quem conhece as estruturas políticas brasileiras. No momento, em que o novo corregedor da Câmera dos Deputados, apresenta seu castelo, travestido de hotel, que casualmente, não estava na sua declaração de bens, entregue ao Tribunal Eleitoral. Adão Pretto escreveu um texto de apresentação, no ano passado, num trabalho feito pelo seu gabinete em Brasília:
    “ O povo sempre diz que está enjoado dos políticos, que tudo que é político é safado, é corrupto… muita gente boa tem dito que não vota mais e aí está o exemplo: por falta de apoio do agricultor e do trabalhador consciente, hoje, nós estamos em desvantagem. Todos nós temos que ter clareza de que qualquer mudança no Brasil vai vir das lutas do povo organizado. No entanto, é fundamental a nossa ocupação do espaço do parlamento também, pois é mais uma ferramenta em defesa das lutas do povo. Você tendo um deputado, um vereador, um prefeito, um governo que está do lado da luta do povo é muito melhor que você ter um inimigo ocupando estes espaços”.
    Adão falava especificamente sobre as derrotas sofridas no Congresso Nacional, para a bancada ruralista, como o Projeto de Classificação do Fumo, o projeto que elimina a cobrança de imposto sindical da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), para os pequenos agricultores – só no Rio Grande do Sul são 40 mil famílias que estão sendo processadas pela CNA-, a questão dos índios e dos quilombolas, através do decreto do Governo Lula, que determina a demarcação de várias áreas em vários estados brasileiros e, na Comisão de Agricultura, eles entraram com oito projetos, para anular os decretos do governo e estão sendo aprovados um atrás do outro.
    No escritório dele, em Porto Alegre, tem uma foto de um barraco, na verdade, quatro paus cobertos por folhas de palmeira, com a seguinte legenda: primeiro comitê eleitoral em Miraguaí. Acho que é da década de 1980 (1986). Não importa. Acho que é a definição da vida dele como político comprometido com as suas idéias, e com as entidades e organizações que sempre confiaram nele. Não é à toa que estava no quinto mandato.
    No velório, na Assembléia Legislativa, o ex-prefeito e ex-governador, Olívio Dutra, atual presidente estadual do PT, dizia o seguinte:
    – Agora é hora de confortar a família e seguir na luta. Não há outra coisa a fazer.
    Como missioneiro, nascido em São Luiz Gonzaga, terra de pajadores, de poetas gaudérios, gaúchos que cantam o lamento do pampa, Olívio sabe que vai ser difícil superar a perda. Ocorre que o guerreiro morto era dos bons, muito bom. Aos que ficaram, que continuam na luta, só resta arregaçar as mangas, e trabalhar dobrado. No mínimo, para diminuir o vazio, e não dar espaço aos inimigos.

  • Votorantim patrocina Terreira da Tribo

    Espetáculo de teatro de rua O Amargo Santo da Purificação (Foto: Cláudio Eteges)
    Espetáculo de teatro de rua O Amargo Santo da Purificação (Foto: Cláudio Eteges)

    O Instituto Votorantim vai financiar a “Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz”, em 2009. O grupo foi o único do Rio Grande do Sul selecionado entre mais de 2 mil inscritos Programa de Democratização Cultural, que a Votorantim promove desde 2006.
    A seleção dos vencedores ( 16 projetos, num total de R$ 4 milhões) saiu em dezembro passado. O grupo gaúcho, que tem mais de 30 anos de experiência, vai receber R$ 300 mil para desenvolver o projeto “Teatro: Laboratório para Imaginação Social”, que inclui cursos de formação de atores, oficinas, apresentações e pesquisa de linguagem.
    Espetáculo de teatro de rua O Amargo Santo da Purificação (Foto: Cláudio Eteges)

    A proposta é levar teatro a 15 mil pessoas em oito bairros de Porto Alegre – Humaitá, Bom Jesus, Restinga, Partenon, Belém Novo, São Geraldo, Parque dos Maias e Guaiba.
    Todas as atividades, inclusive as apresentações, serão gratuitas. Quinze “atuadores” estarão envolvidos no projeto.
    Inédito no segmento empresarial, o programa de democratização cultural da Votorantim se propõe a financiar projetos que ampliem o acesso popular às produções artísticas.

  • Camelódromo inaugura na próxima segunda-feira

    Por Shana Torres
    Depois de aproximadamente 7 meses de atraso na obra, atribuído pelo engenheiro Roberto Moura como um contratempo devido às intempéries, o Centro Popular de Compras de Porto Alegre finalmente será inaugurado. Há três dias da inauguração, camelôs e donos de lanchonetes que possuem alvará já estão comercializando seus produtos e serviços.
    Mas 25 funcionários ainda trabalham nos retoques finais da obra. Falta a finalização do restaurante a ser construído no terraço. Nesse local, desde o início do processo licitatório, estava havendo especulação imobiliária. Segundo o engenheiro responsável pelo camelódromo, Roberto Moura, o aluguel do espaço destinado ao restaurante foi cotado por trinta e dois mil reais. Há outras licitações em andamento, dentre elas o estacionamento do terraço.
    Segundo o Relações Públicas da Verdicon, empresa responsável pela obra, Mateus Santos, em frente ao restaurante ainda será construída uma sala para treinamento gratuito dos funcionários. A preocupação social do investimento torna-se evidente nas minúcias da construção. O sistema de exaustão foi instalado de maneira a coibir a emissão de gás carbônico dentro do camelódromo. Os dutos levam o gás até o terraço, onde ele é expelido.
    Agora o CPC também foi adaptado para os portadores de deficiência. Há solo podotátil para cegos na beira das escadas, além de elevadores com avisos sonoros e identificação em braile.
    Quanto à questão ambiental, lixeiras de coleta seletiva foram instaladas estrategicamente pelo camelódromo, as de lixo orgânico mais próximo às lanchonetes e restaurante e as de lixo seco nas proximidades das lojas.
    A obra tinha como proposta terminar com o trabalho ilegal nas ruas do centro de Porto Alegre. No entanto, os 800 comerciantes que terão expostos seus estandes já estavam regularizados pela Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) antes da construção do camelódromo, o que significa que todos os outros 240 que estão na fila de espera não terão um espaço oficial para o trabalho formal. A seleção dos comerciantes foi feita por antiguidade, através do tempo de registro na Smic.
    O Centro Popular de Compras de Porto Alegre terá seu horário de funcionamento entre as 9h e 20h, com horário facultativo das 10h às 22h. Com o recebimento da carta Habite-se pela Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), só falta a liberação do Ministério Público para o Camelódromo inaugurar. A data prevista é segunda-feira, 9 de fevereiro.