Autor: Elmar Bones

  • ARP divulga finalistas do Salão da Propaganda

    A Associação Riograndense de Propaganda (ARP) divulgou nesta quarta, 09/11, os 45 finalistas do Salão da Propaganda 2017.
    Os nomes foram definidos a partir de indicações de profissionais do setor, empresas, formadores de opinião, grupos de comunicação e sócios da entidade.
    A partir do próximo dia 16, os associados poderão votar em seus favoritos nas 15 categorias.
    A votação seguirá até 4 de dezembro, quando se inicia a Semana ARP da Comunicação, no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre.
    Dentre os selecionados, a Moove foi a agência que mais recebeu indicações, com seis estrelas conquistadas.
    Em seguida vem a Morya, com cinco, e, na sequência, a Competence, com quatro.
    Concorrem a Agência do Ano: Competence, Matriz e Moove.
    Os finalistas do prêmio Empresário ou Dirigente de Comunicação do Ano são: Analisa de Medeiros Brum (HappyHouse), Fábio Bernardi (Morya) e José Luiz Fuscaldo (Moove).
    Na categoria Veículo do Ano, concorrem Band RS, GaúchaZH e Sinergy, e das finalistas no quesito Produção Publicitária Eletrônica e Digital, estão Loop Reclame, Zeppelin Filmes e Mythago Produções.
    Em Produção Publicitária de Imagem Gráfica, disputam Estúdio Mutante, Miagui Imagevertising e Studios Meca, enquanto Capacità Eventos, CDN Sul e Inventa Evento concorrem em Serviços Especializados.
    A cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá durante o tradicional Jantar da Propaganda, marcado para 7 de dezembro, quando se encerra a programação da Semana ARP da Comunicação.
    Confira a lista completa de finalistas:
    1 – Empresário ou Dirigente de Comunicação do Ano:
    Analisa de Medeiros Brum (HappyHouse)
    Fábio Bernardi (Morya)
    José Luiz Fuscaldo (Moove)
    2 – Agência de Comunicação do Ano:
    – Competence
    – Matriz
    – Moove
    3 – Anunciante do Ano:
    – Lebes
    – Renner
    – Sicredi
    4 – Veículo do Ano:
    – Band-RS
    – GaúchaZH
    – Sinergy
    5 – Diretor de Criação do Ano:
    – Gregório Leal (Morya)
    – Eduardo Menezes (3YZ)
    – Marcelo Pires (Competence)
    6 – Profissional de Criação do Ano:
    – Cauã Teixeira (Escala)
    – Jacques Fernandes (Competence)
    Roberto Schmidt (Moove)
    7 – Profissional de Atendimento do Ano:
    – Aline Klafke de Lima (Paim)
    – Renata Gouveia (Escala)
    Rosangela Lopes (Moove)
    8 – Profissional de Mídia do Ano:
    – Irenita Boff (Moove)
    Renata Schenkel (Competence)
    – Taísa Brambila (Paim)
    9 – Profissional de Planejamento do Ano:
    – Cristiano Fragoso (DeBrito)
    – Daniele Lazzarotto (Morya)
    Lara Piccoli (Morya)
    10 – Profissional de Produção de Agência do Ano:
    – Melissa Bordin (Morya)
    – Monique Sabater (Matriz)
    Robson Albuquerque (Moove)
    11 – Profissional de Atendimento de Veículo do Ano:
    – Marisa Rodrigues (Grupo RBS)
    – Rafaela Zang  (Grupo RBS)
    – Renan Blanco (Grupo RBS)
    12 – Profissional de Marketing de Cliente do Ano:
    – Ana Paula Ferrão (Pompéia)
    – Luciane Franciscone (Renner)
    – Otelmo Drebes Jr. (Lebes)
    13 – Produção Publicitária Eletrônica e Digital:
    – Loop Reclame
    – Zeppelin Filmes
    – Mythago Produções
    14 – Produção Publicitária de Imagem Gráfica:
    – Estúdio Mutante
    – Miagui Imagevertising
    – Studios Meca
    15 – Serviços Especializados:
    – Capacità Eventos
    – CDN Sul
    – Inventa Evento

  • O fator Lula

    Elmar Bones
    O único ponto fora da curva do golpe neste momento é a candidatura Lula à presidência em 2018.
    Não por acaso a mídia corporativa e seus comentaristas amestrados fazem o que podem para desqualificar ou mesmo ignorar as caravanas do ex-presidente pelo país.
    Um dos truques nestes dias é comparar a condição de Lula, “na eminência de ser condenado pelo juiz Sérgio Moro”, com a de  Michel Temer, acossado pelas denúncias do Procurador Janot.
    Para sustentar esse raciocínio abstruso, omite-se o essencial.
    Temer, sorrateiro, sustenta-se com manobras palacianas, gastando bilhões do erário público para comprar o apoio de deputados venais.
    Lula, de peito aberto, foi para as ruas buscar guarida no povão. Mesmo que o condenem ou prendam, não conseguirão impedir que seja o fator que pode barrar a consolidação do golpe nas urnas.
    São personagens e circunstâncias incomparáveis, mas não é descabido lembrar Getúlio Vargas, em 1950, no primeiro ciclo do trabalhismo. .
    Derrubado por um golpe, Vargas saiu do exílio voluntário em São Borja para percorrer o país e retornar ao poder pelo voto popular.
    Seu programa nacionalista, tinha também no centro da meta a causa do petróleo e a Petrobras.
    Como se sabe, os inimigos, mesmo derrotados, não deram trégua, até levá-lo à tragédia de 24 de agosto de 1954. O lema era: Vargas não pode ser candidato, se for candidato não pode ser eleito, se for eleito, não pode governar…
    O que quero dizer: as forças que promoveram o golpe parlamentar que derrubou Dilma (e que se sustenta a golpes de audácia) aspiram legitimá-lo pela via eleitoral. Lula, com seu cesarismo, é no momento o único obstáculo real.

  • Tudo dominado

    Segunda à noite, obsequiado pela diligência do ministro Eliseu Padilha, Temer recebeu o mapa detalhado dos votos que vão arquivar a segunda denúncia da PGR contra ele nesta quarta-feira.
    Não é improvável que tenha até mais votos do que os obtidos no arquivamento da primeira denúncia do ex-procurador geral Rodrigo Janot.
    A nova procuradora, Raquel Dodge, já não disse que o chefe da organização criminosa é o Geddel Vieira?
    Segundo o preclaro Merval Pereira, de O Globo, fonte de inspiração para os comentaristas amestrados Brasil afora, essa votação encerra a “Era Janot” e Temer pode até ter pretensões a ser o grande eleitor nas eleições gerais do ano que vem.
    Daqui pra frente, segundo essa perspectiva da mídia, Temer vai nadar de braçada.
    Tem os votos descarados do fisiologismo na Câmara. Tem o apoio astuto da mídia, que em algum momento, logo depois da gravação de Joesley Batista ameaçou abandoná-lo, mas logo viu que o risco de embananar o golpe não compensaria.
    E tem o apoio do empresariado, que faz aquele discurso moralista contra a corrupção, mas não tem dúvida que seu homem neste momento é Temer.
    Não será por acaso que a CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou na segunda feira uma pesquisa sobre o índice de confiança do empresariado.
    “Confiança do empresariado atinge 56 pontos, acima da média histórica”, é o título do release distribuído e fartamente reproduzido nas colunas e análises econômicas desta terça-feira, véspera da votação.
    Da agenda que sustentou o golpe, a rigor, está faltando apenas a Reforma da Previdência, que hoje mesmo o ministro Meirelles disse que entrará em votação em novembro.
    Agora é embalar a classe média com manchetes sobre os “sinais de recuperação econômica” e aí estará o próprio Meirelles como candidato do continuismo, com a bandeira de que em pouco mais de um ano “com medidas de austeridade e sem populismo” o governo Temer “colocou país nos trilhos”.
     
     

  • O golpe dentro do golpe

    O parlamento brasileiro deu dois tapas na cara da cidadania.
    No Senado, terça, foi anulado o afastamento do senador Aécio Neves, determinado pela Justiça depois da escandalosa gravação em que ele pede dinheiro ao empresário Joesley Batista.
    E, na Câmara no dia seguinte, a Comissão de Constituição e Justiça decidiu arquivar a segunda denúncia contra o presidente Temer, originada pelas delações no âmbito da Operação Lava Jato. Ficou  aberto o caminho para sua vitória no plenário, na próxima semana.
    São dois tapas que selam aquilo que o senador Romero Jucá definiu como “estancar a sangria” ou seja esvaziar as investigações que nos últimos dois anos expuseram ao país as vísceras podres do seu sistema político.
    Nenhuma novidade,  considerando-se que há no Congresso uma “bancada ruralista” capaz de alinhar seus votos em troca de um decreto que praticamente legaliza o trabalho escravo no país que, é bom lembrar, foi a última nação do mundo civilizado a abolir a escravidão, graças exatamente ao poder dos “terratenientes”.
    Nenhuma novidade também no comportamento da midia corporativa e seus comentaristas amestrados, em certos momentos tão indignados com a “corrupção que campeia solta”  e que, agora,  fazem “olho branco” para os dois tapas violentos estampados pelos corruptos na cara da cidadania.
    O Globo, Folha, Estadão e todo o séquito de repetidores pelo país afora… Nenhuma indignação, nenhum chamamento  que possa  representar qualquer alento ao cidadão espezinhado. Só o registro objetivo dos fatos, num tom oficioso para dar a entender que é assim mesmo. “Quem tem aliados tem tudo”, como escreveu a colunista.
    Aqueles comentários indignados, aqueles editoriais, aqueles reptos de que a Lava Jato era intocável, que o combate à corrupção é uma exigência da sociedade… foram para a lata do lixo. A Lava Jato agoniza em praça pública.
    Como disse, em editorial, o Globo, de onde emana a diretriz principal que inspira o jornalismo oficioso, os parlamentares perderam oportunidade de atender aos anseios da população por justiça, mas o importante é que a Constituição foi respeitada, “manteve-se intocável o fundamento constitucional de harmonia entre os poderes”.
    Esse foi o golpe dentro do golpe. Agora é tocar pra frente que ainda tem a reforma da Previdência para aprovar antes da eleição de 2018.
     
     

  • Série de abusos levou reitor à morte

    A tragédia do reitor Luiz Carlos Cancellier se desenrolou em 75 dias: do dia 19 de julho de 2017 (quando um ofício chegou à delegada Érika Marena, da Polícia Federal, acusando-o de obstruir uma investigação interna na universidade) até aquela manhã de segunda-feira, 3 de outubro, quando se jogou do alto de um vão de um shopping de Florianópolis, em Santa Catarina.
    A denúncia à PF foi feita pelo corregedor da UFSC, Rodolfo Hickel do Prato.
    A delegada Érika, uma das estrelas da Operação Lava Jato, agiu como no cinema. Em 15 dias, encaminhou à juíza Janaina Cassol Machado, da 1ª Vara da Justiça Federal de Santa Catarina, uma peça de 130 páginas, mais 16 anexos, montada com base na denúncia do corregedor. Pedia a prisão por cinco dias do reitor e outros seis professores e o seu afastamento da universidade.
    Mas o reitor nem investigado era
    Nenhum deles foi ouvido. A juíza Janaina Cassol disse aos jornais que trabalhou 55 dias no processo. Deve estar enganada, pois o pedido da delegada está protocolado no dia 5 de agosto e sua decisão foi tomada no dia 28 de agosto. Foram 23 dias portanto.
    Além de autorizar as prisões, a juíza proibiu-os de por os pés no campus e de ter contatos com funcionários e professores.
    A delegada Érika manteve o ritmo: em 15 dias montou a Operação Ouvidos Moucos, deflagrada no dia 14 de setembro. Foram 105 agentes para cumprir 16 mandados de busca e apreensão, sete prisões temporárias e cinco conduções coercitivas. Uma centena de policiais, para prender sete pacatos professores.
    Chancellier, que havia chegado de Portugal no dia anterior, foi surpreendido no apartamento onde morava com o filho, também professor, a poucos metros do campus da universidade.
    Foi levado algemado e, depois de depor na PF, remetido à penitenciária estadual, onde passou por revista, nu, antes de vestir o uniforme de presidiário e ser jogado numa cela.
    Para sorte dos detidos, a juíza se afastou por “motivo de saúde” e o reitor e os demais foram libertados às 19 horas do dia seguinte por uma juíza substituta, que não viu razões para mantê-los presos.
    Foi mantida, porém, a proibição de entrar na universidade. O reitor morava ao lado do campus. Há pelo menos 30 anos sua vida era a universidade. Foi estudante, professor, diretor e reitor, eleito há um ano e meio.
    De repente, estava proibido de entrar ali. Um recurso de seus advogados resultou numa decisão mais humilhante ainda: ele poderia entrar por três horas no campus, para reunião com alunos.
    O isolamento, a condenação pela mídia, os comentários cruéis nas redes sociais. Ele disse que sentia-se como um “exilado”. Foram poucos os amigos que não duvidaram dele. E a mídia sempre tratou-o como culpado.
    Preso no dia 14, só no dia 20 foi ouvido pela imprensa. A entrevista exclusiva ao colunista Moacir Pereira não teve nenhuma repercussão fora de Florianópolis.
    Só depois da morte do reitor as redes de comunicação corrigiram discretamente um erro grosseiro mantido pelo noticiário: o desvio de recursos é estimado em R$ 350 mil – e não R$ 80 milhões, como foi reiteradamente publicado. Além disso, os desvios apurados eram relativos a gestões anteriores.
    Quando ele assumiu o cargo, em maio de 2016, os repasses já estavam suspensos há três meses. A acusação de que tentava obstruir as ações da corregedoria, que determinou sua prisão, é inconsistente. O que havia era um conflito de competência explícito, não resolvido.
    Deflagrada às seis horas da manhã, a operação já rendia manchetes nos noticiários das sete: “PF desarticulou uma organização criminosa e prendeu sete pessoas entre elas o reitor da UFSC”.
    No Bom Dia Brasil, da Rede Globo, a notícia do reitor preso como integrante de uma organização criminosa foi sublinhada com um comentário da apresentadora Ana Paula Araújo: “É roubalheira para todo o lado!”.
     

    O corregedor Rodolfo Hickel do Prato / Youtube

    A delegada Erika Marena / Luis Macedo / JGB

    A juíza Janaína Cassol / Marco Santiago / NdD

  • Jaime Lerner projeta carro compacto feito de material reciclável

    Criador da expressão “o carro é o cigarro do século XXI”, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner surpreende e revela que está desenvolvendo o projeto de um veículo.
    Trabalhando com uma equipe de jovens arquitetos, ele concebeu um automóvel feito de material reciclagem, pequeno, “em que eu mesmo caberia”.
    A revelação foi feita em palestra magna de abertura da II Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo, que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) promove até o dia 10 no Rio de Janeiro.
    “Estou sempre com um brinquedo novo. Procuro fazer de cada dia uma alegria”, diz ele, ressaltando que não abandonou suas ideias sobre a solução para as cidades baseada em apenas três medidas: usar menos carro, morar perto do trabalho e separar e reciclar o lixo.
    Jaime Lerner criticou a insistência em soluções rodoviaristas, dando ainda mais espaços para carros, e programas habitacionais superados, como o “Minha Casa Minha Vida meu fim de mundo”, trocadilho que inventou.
    “O problema está na concepção da cidade, quanto mais tivermos nas cidades moradia, trabalho, mobilidade juntos, mais perto estaremos da solução”, disse.
    Ele explicou que não há como destinarmos 25m² para guardar o carro em casa e mais 25m² para guardá-lo no trabalho, é preciso dedicar esse espaço para construir cidades melhores. “Em São Paulo, há 5 milhões de carros. Vocês podem imaginar o que poderia ser feito se conseguíssemos distribuir melhor esse espaço para conseguir moradias mais próximas”.
    O arquiteto foi três vezes prefeito de Curitiba, duas vezes governador do Paraná e presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA). Em 2010, foi escolhido pela revista “Time” como um dos 25 pensadores mais inovadores do mundo. Celebrado como um dos mais importantes urbanistas em atividade, Jaime emocionou mais de 500 arquitetos e urbanistas presentes no evento com lições poderosas sobre otimismo, inovação e a construção de cidades mais justas e sustentáveis. “Temos que ter a coragem de fazer coisas simples e imperfeitas. A Arquitetura as vezes é um compromisso com a simplicidade e imperfeição. Temos que ter orgulho da nossa constelação de arquitetos-estrelas, mas precisamos mais de uma constelação de arquitetos preocupados com as cidades. Menos ego-arquitetos, mais eco-arquitetos”, afirmou.
    “Nós estamos cada vez mais formando especialistas que estão com farol nas costas, que não conseguem focar no futuro com uma visão sustentável, que criam slogans como ‘cidades resilientes’, ‘smart cities’, tudo no sentido de vender gadgets. Por isso mercados orientados por gente que não sabe fazer acontecer”, disse.
    A solução para o trabalho do arquiteto, segundo Jaime Lerner, está na simplicidade. “Rapidez é importante. As vezes nós demoramos porque queremos ter todas as respostas, não podemos ser tão prepotentes assim. Precisamos entender que planejamento é uma trajetória onde nós podemos começar mas temos que deixar que a população nos corrija quando estivermos no caminho errado. Começar, fazer rápido. Queremos discutir demais, perdemos a oportunidade da mudança”.
    “Não é um momento de otimismo, mas conheço o pais, conheço os arquitetos, sou um otimista incorrigível em relação futuro de nossa prática”, finalizou.

  • Crime de Imprensa

    O imediatismo que domina as grandes redações já lançou no cesto das notícias velhas o suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luis Carlos Cancellier de Olivo.
    A principal razão é que até mesmo os vetustos jornalões, que não cansam de proclamar seu compromisso com a verdade dos fatos, sujaram o nome neste episódio.
    Uma coisa é uma delegada abusar da sua autoridade ou uma juíza inexperiente exorbitar, incorrer em erro. Outra é uma imprensa inteira engolir sem mastigar informações erradas e consagrar versões baseadas em delações duvidosas. O cartaz que uma estudante tentou colocar sobre o caixão, no velório, cobrando “Cadê os 80 milhões”, diz tudo.
    A mídia tem sido bem sucedida em suas manobras para encobrir erros históricos. Vamos ver agora.
    Se as reservas de cidadania e consciência democrática que o país ainda tem não forem suficientes para exigir o amplo esclarecimento desse caso, é porque estamos muito pior do que se imagina.
     
     

  • Atlas nacional mostra que metade dos brasileiros não tem acesso a esgoto

    Quase metade (45%) da população brasileira ainda não tem acesso a um serviço adequado de esgoto.
    O dado consta no Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Ministério das Cidades.
    O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) considera como atendimento adequado de esgoto sanitário o uso de fossa séptica ou rede de coleta e tratamento de esgoto. Dentro desse critério, 55% dos brasileiros dispõem do serviço adequado.
    A publicação aponta que 43% são atendidos por sistema coletivo (rede coletora e estação de tratamento de esgotos); 12% por fossa séptica (solução individual); 18% têm o esgoto coletado, mas não é tratado; e 27% não têm qualquer atendimento.
    Foram realizadas avaliações em cada um dos 5.570 municípios do país, sempre considerando as diversidades regionais e a abordagem por bacia hidrográfica. No estudo, são consideradas exclusivamente as residências urbanas e não foi avaliada a prestação do serviço na área rural.
    O documento divide o país em 12 regiões hidrográficas: Amazônica, Tocantins-Araguaia, Atlântico Nordeste Ocidental, Parnaíba, Atlântico Nordeste Oriental, São Francisco, Atlântico Leste, Atlântico Sudeste, Atlântico Sul, Uruguai, Paraná e Paraguai.
    Investimentos
    De acordo com o Atlas Esgotos, a universalização do esgotamento sanitário na área urbana do país necessitaria de R$ 150 bilhões em investimento, tendo como horizonte o ano de 2035. Cerca de 50% dos municípios, que precisam de serviço de tratamento convencional de esgoto, demandam 28% do valor estimado. Já 70 dos 100 municípios mais populosos requerem solução complementar ou conjunta e concentram 25% do total de investimento.
    Os custos com coleta e com tratamento variam conforme a região, sendo maiores no Norte e menores no Sudeste. Para o Brasil como um todo, os gastos com coleta representam 2,7 vezes mais do que os previstos em tratamento.
    Entretanto, segundo a ANA e o ministério, apenas o aporte financeiro não é suficiente para a universalização, sem capacidade adequada de administração do serviço. No país, existem vários exemplos de sistemas de coleta e tratamento de esgoto que foram abandonados ou sequer entraram em operação devido a problemas associados a gestão.
    Na maioria dos municípios (4.288) o serviço é prestado pela própria prefeitura ou há um prestador que precisa aprimorar a capacidade de gestão. Entretanto, parte significativa da população urbana (87 milhões de habitantes), projetada para 2035, está nos municípios cujo prestador de serviço tem situação institucional consolidada.
    Segundo o Atlas Esgotos, os serviços de esgotamento sanitário podem ser prestados de forma indireta, quando delegados para autarquia municipal, companhia estadual ou concessionária privada; ou de forma direta, sem prestador de serviço, sendo realizado pelas próprias prefeituras.
    O estudo ressalta que, mesmo com as duas possibilidade de organização, há municípios sem coleta e tratamento de esgoto.
    Nesse contexto, 2.981 municípios têm delegado os serviços de saneamento (forma indireta), sendo que cerca de 50% deles têm coleta e tratamento de esgotos, alcançando pelo menos 10% dos habitantes. Por outro lado, 2.589 municípios não têm prestador de serviço, e apenas 5% desse grupo oferecem tratamento coletivo de esgoto.
    A forma indireta de gestão é adotada pelas cidades maiores que delegam, na maior parte das vezes, o serviço para companhias estaduais.
    Nos municípios de pequeno porte, o serviço fica a cargo das prefeituras. Ao observar as regiões, na porção leste do país (Nordeste, Sudeste e Sul), é possível identificar que a maioria dos municípios tem serviço de esgotamento sanitário delegado, enquanto mais a oeste (Norte e Centro-Oeste) predominam aqueles cuja responsabilidade pela prestação do serviço recai sobre as prefeituras.
    Carga orgânica
    Conforme o estudo, o Brasil produz cerca de 9,1 mil toneladas de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) por dia, parcela orgânica dos efluentes vindos do esgoto doméstico. Desse total, 48% são provenientes de 106 municípios com população acima de 250 mil habitantes.
    A DBO é um dos mecanismos usados para medir a poluição das águas e a qualidade do tratamento de esgoto. Quanto mais DBO, maior o grau de poluição na água.
    De acordo com o atlas, durante o tratamento, 60% de DBO precisam ser removidos. Entretanto, na maioria das cidades brasileiras (4.801) os níveis de remoção da carga orgânica são inferiores a 60% da quantidade gerada.
    Os baixos níveis de remoção são encontrados em todas as regiões, em especial no Norte e no Nordeste. Dos 5.570 municípios, 70% removem no máximo 30% da carga orgânica gerada.
    No outro extremo, apenas 769 cidades (14%) têm índices de remoção de DBO superiores a 60%, concentradas principalmente na Região Sudeste. Apenas 31 dos 100 municípios mais populosos conseguem remover carga orgânica acima de 60%.
    Em relação à unidades da Federação, apenas o Distrito Federal remove mais de 60%. Os estados de São Paulo e Paraná chegam perto desse índice, enquanto que nos demais estados os índices são menores.
    No país, de toda a carga orgânica gerada (9,1 mil toneladas de DBO/dia), somente 39% são removidos nas estações de tratamento de esgoto.
    Com isso, uma parcela significativa de poluentes é lançada diretamente nos corpos d’água das bacias, “comprometendo a qualidade das águas para diversos usos, com implicações danosas à saúde pública e ao equilíbrio do meio ambiente”, de acordo com a publicação. Pelo menos, cerca de 110 mil quilômetros de cursos d’água, notadamente na porção leste do país, têm baixa qualidade de água.
    O atlas está disponível na página da ANA.
     

  • Outro Mourão

    ELMAR BONES
    O primeiro Mourão, o general Olympio Mourão Filho, morreu acreditando que foi o verdadeiro mentor e o construtor da “revolução de 1964”.
    De fato, ele foi um dos primeiros chefes a se envolver na conspiração, em 1962, quando comandava a 6ª Divisão de Infantaria, em Santa Maria.
    Enquanto esteve naquele comando, Mourão, o primeiro, aliciou oficiais e, em Porto Alegre, animou empresários e jornalistas que já estavam na conjura. Afinal, ele era um general com um comando e não um comando qualquer. Santa Maria, no centro do Rio Grande do Sul, era, como até hoje, a principal base militar do Sul.
    O núcleo da conspiração, no Rio de Janeiro e São Paulo, desdenhava Mourão, por voluntarioso e megalomaníaco. E o governo Goulart, informado de sua movimentação, não deu importância, era um general fanfarrão. Mourão não perdeu sequer o comando. Transferido para São Paulo, seguiu conspirando, depois para Minas de onde deflagrou o golpe, para surpresa do núcleo da conspiração.
    Diz a lenda que quando ele chegou com seus soldados ao Rio, onde estava instalado o QG do golpe, era madrugada e foi recebido pelo general Costa e Silva, de cuecas, que o tranquilizou. Estava tudo sob controle, ele podia tomar uma Coca Cola e ir descansar.
    Escanteado, Mourão foi um dos primeiros dissidentes do movimento de 1964. Morreu amargurado porque a censura impedia de publicar suas corrosivas memórias.
    Antônio Hamilton, o atual Mourão, salvo engano, tem origem como conspirador também em Santa Maria, onde promoveu uma homenagem ao coronel Brilhante Ustra, torturador carimbado, em 2014, em grosseira afronta à presidente Dilma Roussef, constitucionalmente comandante-em-chefe das Forças Armadas do Brasil. Em todo caso, foi no Sul.
    Perdeu o comando de uma tropa, ganhou o controle de um orçamento em Brasilia. E agora ressurge promovido pela maçonaria e apoiado pelos chefes maiores. Não sabemos, nós que nos informamos pela imprensa, a extensão da conspiração em que ele está metido.
    É provável que ele esteja à margem do núcleo duro da conspiração e, como o primeiro Mourão, seja descartado no primeiro momento. O certo é que ele colocou o golpe militar na rua.
    A ironia é que podem golpear a democracia derrubando um presidente ilegítimo como Temer e fechando um Congresso corrompido como esse comandado por Maia.
    Aos democratas, talvez, reste ter que defendê-los para salvar a constituição.
    A história se repete como farsa. Aí está o Brasil que não deixa o velho Marx mentir.
     

  • Perguntas que o governo não respondeu

    ELMAR BONES
    Não temos o propósito primordial de ser isentos ou imparciais em nossas edições temáticas, impressas.
    Nossa proposta, nesse caso, é escolher um tema corrente e importante e tentar resumi-lo, numa abordagem mais ampla, trazendo dados e argumentos que não transitam ou são restritos nos grandes meios de comunicação, mais sensíveis ao discurso oficial.
    É o caso da última edição, que está circulando, sobre as privatizações. Tentamos situá-las no plano mais amplo do Regime de Recuperação Fiscal ao qual o governo do Estado está buscando aderir.
    As propostas e as razões do governo alimentam o noticiário diário, o discurso oficial está impregnado nos comentários e análises dos grandes veículos.
    As posições e as razões dos funcionários, dos técnicos não alinhados ao governo, dos representantes da oposição geralmente merecem tratamento pontual, secundaríssimo.
    Os sindicatos, para expor suas versões e suas propostas, estão pagando inserções comerciais nos programas de grande audiência.
    Então, o essencial da nossa proposta é exatamente explicitar essa parte que, certa ou errada, tem necessariamente que participar do debate.
    Mesmo assim, nesta edição, planejou-se uma página para o governo do Estado resumir seus argumentos a respeito da adesão incondicional ao Programa de Recuperação Fiscal, que está prestes a ser assinado com a União.
    O repórter Felipe Uhr tem os registros dos contatos que mantivemos durante dez dias com o governo. A certa altura pediram as perguntas por escrito, que foram enviadas a Carlos Búrigo, secretário de Planejamento, Governança e Gestão, sem resposta.
    As perguntas, aliás, continuam aptas e agradeceríamos em nome dos nossos leitores se fossem respondidas:
    Perguntas enviadas para Carlos Búrigo em 11/09
    JÁ – Quais são os próximos passos até  a assinatura do acordo com a União? O que falta aprovar na Assembleia? O que ainda falta ajustar nas negociações com a União?
    – As privatizações, parte essencial das contrapartidas, ficaram para 2018. O que o governo do estado está oferecendo como compensação? Haverá um pré-acordo para ser fechado depois das eleições?
    – O acordo, além de suspender o pagamento da dívida por três anos, prevê entrada de recursos novos, via indenizações federais ou financiamentos?
    – Agentes do governo, próximos das negociações, acreditam que até o final de outubro poderá ocorrer a assinatura. Qual é a sua expectativa?
    – A falta de apoio político para poder privatizar CEEE, CRM e Sulgás sem plebiscito retardou bastante o processo. A falta do dinheiro que a privatização ou federalização delas renderiam não pode atrapalhar ou desequilibrar o caixa?.
    – Os críticos do governo dizem que ele não tem um projeto para o Estado, mas apenas um programa ideológico de encolhimento do setor público O que diz o governo?