Assim que encerrou a votação em Brasilia, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul divulgou um comunicado em suas redes sociais.
“É necessário repensar o Brasil, através de uma Reforma Política que abra o caminho para as demais mudanças estruturais, como da Previdência, Tributária, Trabalhista e Administrativa”, diz o texto.
Segundo o presidente da Fiergs, Heitor José Müller, o impeachment “não é um fim, mas um meio”.
Por isto, sozinho, não solucionará “os males e malfeitos atuais no País”.
A FIERGS em sua nota chama atenção para o manifesto que publicou em março: “O Brasil não Pode Esperar”.
O texto repudia a transformação do Brasil numa “republiqueta na política” e “uma colônia na economia”.
Em função disso, a FIERGS elabora, juntamente com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agenda Para o Brasil sair da Crise – 2016 / 2018.
“Na prática, precisamos de um tratamento rápido e eficaz para tirar a economia brasileira da UTI. A retomada da confiança interna é o primeiro requisito, através de um amplo entendimento nacional, sendo requisito o resgate da harmonia entre os Poderes Constituídos”, avalia Müller.
Disse ainda que “precisamos o mais rápido possível destravar a economia. Os governantes precisam dar respostas claras e rápidas para a retomada do crescimento”.
Por fim, a FIERGS sugere que a pauta de discussão para o Brasil contemple algumas questões que precisam ser enfrentadas desde já, como uma Constituinte Exclusiva para a Reforma Política.
Seriam eleitos 257 constituintes com mandato exclusivo de um ano, que teriam compromisso de não concorrer por cinco anos e as novas regras já orientariam a próxima eleição de 2018.
Autor: Elmar Bones
Fiergs pede constituinte exclusiva para a reforma política
Carlos Araújo: "Falei com Dilma, ela está confiante que vai vencer"
Carlos Araújo, ex-marido e um dos principais interlocutores da presidente Dilma Rousseff, falou ao JÁ, na tarde desta sexta-feira.
Ele disse que havia falado com Dilma logo de manhã e que ela estava “confiante que vai vencer”.
Isso antes ainda de os jornais começarem a noticiar – já no início da noite -, que a oposição perdia votos. Segundo o jornalista Jorge Bastos Moreno, de O Globo, governadores que defendem o mandato de Dilma Rousseff estariam conseguindo mudar votos de parlamentares.
Pode ter contado ainda nesta mudança de panorama, uma reportagem do New York Times, republicada em todos os jornais, que mostra o panorama da votação assim: o parlamento que julga Dilma é dominado por políticos acusados dos mais diversos crimes – desde Eduardo Cunha, que é réu na Lava Jato, a Paulo Maluf, passando por latifundiários que usam trabalho escravo em suas terras; lembra que as pedaladas passariam a ser um crime a partir de Dilma, já que outros presidentes utilizaram o expedientes sem questionamento; sublinha que não há prova de corrupção contra a presidente da República e compara isso com sua linha sucessória, que tem Temer, Cunha e Renan, no mínimo, sendo investigados.
Ao longo da sexta-feira (15), movimentos sociais se mobilizaram em diversas cidades do País para defender o mandato da presidente.
Em Porto Alegre, desde a manhã ocorreram atos a favor de Dilma, com agricultores familiares e a Via Campesina marchando sobre a cidade. No final do dia, a Esquina Democrática reuniu 10 mil pessoas para escutar os discursos dos ex-governadores Tarso Genro, Olívio Dutra e do ministro Miguel Rossetto.
A perda de vantagem numérica entre os deputados pró-impeachment fez o vice-presidente, Michel Temer, voltar à Brasília. Ele pretendia acompanhar a votação do impeachment desde São Paulo, base que escolheu desde que rompeu com o governo e passou a ser considerado líder da oposição.
O JÁ vai atualizar a entrevista com Araújo ao longo deste sábado.
Nova biblioteca do colégio Rosário abre com 30 mil títulos
“Mais aportes pedagógicos para estudantes e professores”, essa a justificativa do Colégio Marista Rosário para o investimento na nova biblioteca que inaugurou nesta terça, 5.
Os 915 metros quadrados – o dobro do espaço original – trazem recursos inovadores e criativos para a leitura e construção de conhecimentos, como tablets para a consulta do acervo, área destinada à eventos e sala para projeções.
Outro destaque é a ala infantil, que conta com decoração lúdica e uma estrutura de mais de três metros de altura que simula uma casa na árvore.
A novidade está aberta à toda a comunidade escolar: estudantes, pais, professores e funcionários já podem usufruir do espaço e retirar os cerca de 30 mil livros disponíveis.
“Mais do que um lugar de estudos, é um ambiente de integração e de desenvolvimento em conjunto, onde até cinco turmas poderão realizar atividades simultaneamente”, explica o vice-diretor administrativo, Maurício Erthal.
Colégio prevê novas implementações
A iniciativa é uma das primeiras do Plano Diretor do Marista Rosário, documento que orienta as mudanças atuais e futuras e constitui-se em uma importante ferramenta de planejamento para os investimentos em arquitetura e infraestrutura, visando ao melhor uso do espaço físico da escola.
A instituição tem como uma de suas diretrizes a modernização das estruturas aliada à aprendizagem.31 de março de 1964: 25 anos de ditadura começaram nesta noite
ELMAR BONES
Juiz de Fora, 31 de março de 1964, uma e meia da madrugada. O general Olympio Mourão Filho desiste de tentar dormir e retoma as anotações em seu diário.
Há quase uma semana, Mourão se considera pronto para um golpe, mas desconfia que o estão traindo.
Esperava um manifesto do governador de Minas, que seria a senha para colocar as tropas na rua.
Mourão já tinha morrido quando foi publicada a sua versão do golpe, em 1978
Em vez de mandar o texto antes, para ele, o governador entregou o manifesto à imprensa. E o conteúdo não era o que haviam combinado!
“Eu estava uma verdadeira fúria”, anotou depois. “Meu peito doía de rachar. Tive que pôr uma pílula de trinitrina embaixo da língua”
Mourão Filho, general de três estrelas, comandante da 4ª Região Militar, uma das principais forças terrestres do Exército brasileiro, estava mesmo descontrolado naquela noite.
-“Idiotas. O Chefe Militar sou eu. Magalhães não terá desculpa perante a história… E o Guedes, um falastrão vaidoso que aceitou o papel triste… Fizeram isto, bancando os heróis, porque sabiam que eu era a própria revolução. Do contrário não se atreveriam a dar um passo. Irresponsáveis! Arriscando uma revolução tão bem planejada num momento de vaidade!”
Depois da explosão, acalma-se: “Acendi o cachimbo e pensei: não estou sentindo nada e, no entanto, em poucas horas deflagrarei um movimento que poderá ser vencido porque sai pela madrugada e terá que parar no caminho. Não faz mal…”
Em seu plano original, Mourão previa sair de Juiz de Fora, no início da noite, com 2.300 homens. Cobriria os 200 quilômetros até o Rio de Janeiro em cinco ou seis horas.
Antes de clarear o dia, tomaria de surpresa o prédio do Ministério da Guerra e o Palácio das Laranjeiras, onde estaria ainda dormindo o presidente João Goulart. Depois começava a caçar os comunistas.
Há uma semana “estava pronto”, mas vinha sendo retardado por artimanhas do governador Magalhães Pinto que, mineiramente, temia “se envolver numa aventura”.
Agora está decidido: “Vou partir para a luta às cinco da manhã… Ninguém me deterá. Morrerei lutando. Nosso sangue impedirá a escravização do Brasil”.
Depois se acalma novamente: “E o mais curioso de tudo isto é que, passada a raiva (já estou normal, bebi água e café) não sinto nada, nem medo, nem coragem, nem entusiasmo, nem tristeza, nem alegria. Estou neutro.”
Ilustração de Enio Squeff
em acrílico sobre papel
Anotou alguns nomes num papel e, quando o relógio marcou cinco horas, chamou a única telefonista de plantão na central de Juiz da Fora: “Quero prioridade absoluta e rápida para as ligações que vou pedir. Estou mandando a PM ocupar a Estação e a senhorita não diga palavra a ninguém”.
Considerou-se em ação: “Eu já havia desencadeado a Operação Silêncio”, anotou.
No primeiro telefonema, tentou alcançar o tenente coronel Everaldo Silva, que estava de prontidão no QG, “o telefone estava enguiçado”. Tocou, então, para o major Curcio e mandou desencadear a “Operação Popeye”, o plano militar que ele, Mourão, havia traçado e ao qual batizara com o apelido que lhe haviam dado no quartel pelo uso constante do cachimbo.
Em seguida, convocou os coronéis Jaime Portela e Ramiro Gonçalves para que se apresentassem imediatamente no quartel (nenhum dos dois apareceu). A seguir, ligou para o almirante Silvio Heck, comandante da Marinha, golpista de primeira hora: disse que estava partindo em direção ao Rio, para depor Goulart.
O próximo foi o deputado Armando Falcão, para que avisasse Carlos Lacerda, governador da Guanabara, o mais notório inimigo do presidente.
Falcão, assustado, ligou para o general Castello Branco, que era o líder militar de uma outra conspiração e que evitara sempre se envolver com Mourão.
Castello, que não tinha tropas, tentou falar com Amaury Kruel, o comandante do II Exército, a maior força militar do país. “Isso não passa de uma quartelada do Mourão, não entro nessa”, disse Kruel, quando foi alcançado por emissários. Kruel ainda era amigo de João Goulart.
Nesse meio tempo, Castello recebeu uma ligação do general Antonio Carlos Muricy, outro conspirador sem comando.
Muricy diz que fora chamado a Minas por Mourão, “que está rebelado”. Castello aconselha que vá “para prevenir qualquer bobagem”.
Enquanto isso, Mourão segue anunciando o golpe por telefone. Ao final de sua rajada de chamadas, fez questão de registrar que “estava de pijama e roupão de seda vermelho”. E não esconde o “orgulho pela originalidade”: “Creio ter sido o único homem no mundo (pelo menos no Brasil) que desencadeou uma revolução de pijama”.
Subiu um lance de escada até o quarto onde estava seu hóspede e cúmplice, o desembargador Antonio Neder, “que dormia como um santo”. Gritou: “Acabo de revoltar a 4ª Divisão de Infantaria e a 4ª Região Militar”. O amigo, “entre espantado e incrédulo”, perguntou: “Você agiu certo? Tem elementos seguros?”.
Mourão desdenha : “Vocês, paisanos, não entendem disso”. Eu estou certo, pode crer”. Na verdade, não tinha certeza de nada, nem mesmo se conseguiria tirar suas tropas do quartel.
Mourão em março de 1965, no Superior Tribunal Militar: o general linha de frente acabou na burocracia
Entrou no banheiro, fez a barba e leu alguns salmos da Bíblia, como fazia todos os dias. “Eu era um homem realizado e feliz. Não pude deixar de ajoelhar-me no banheiro e agradeci a Deus a minha felicidade, havia chegado a hora de jogar a carreira e a vida pelo Brasil!”
Abriu o chuveiro, banhou-se calmamente. Só então vestiu o uniforme de campanha e foi tomar café com Maria, sua mulher (“Não consigo me lembrar se o Neder tomou café conosco”, diz ele nos registros que fez dias depois).
A notícia de um golpe militar se espalhava rapidamente pelo país, mas o comandante do levante ainda não saíra de casa.
“A insurreição estava envolta numa nuvem que se parecia ora com uma quartelada sem futuro ora com uma tempestade de boatos”, registra Elio Gaspari.
Por volta das dez horas, ainda sem saber direito o que realmente estava acontecendo, o general Castello Branco saiu de seu apartamento, em Ipanema. Foi para o Ministério da Guerra, no centro, onde tinha seu gabinete de trabalho, no sexto andar. De lá ainda insistiu com o general Luiz Guedes, comandante da 4ª Divisão de Infantaria em Belo Horizonte, e o governador Magalhães Pinto para que detivessem Mourão. “Senão voltarem agora serão esmagados”.
Guedes, em suas memórias, tentou associar-se à ousadia de Mourão, dizendo que àquela hora também já estava rebelado, mas a verdade é que até aquele momento Mourão estava sozinho.
Mourão registra, desde o primeiro encontro entre ambos, a frase que Guedes repetia: “Quem levantar a cabeça primeiro, leva pau”.
Mourão Filho (E), ao lado de Magalhães Pinto: já articulava o golpe
O governador Magalhães Pinto, a quem Guedes seguia, desenvolvia um plano que permitisse recuos. Sua intenção era declarar Minas Gerais em “estado de beligerância”, contra o governo federal.
Esperava obter o reconhecimento dos Estados Unidos e, então, forçar João Goulart a renunciar. Seria instalado um mandato tampão até as eleições de 1965 , quando ele, Magalhães, seria o candidato imbatível – o libertador que afastara o perigo comunista.
O manifesto que lançou no dia 30 de março, escrito pelo mineiríssimo Milton Campos, defendia reformas de base e era tão cauteloso que o deputado federal Wilson Modesto, do PTB de Minas, leu a íntegra por telefone para Jango e o presidente respondeu: “Diga a Magalhães que está muito bom estou de acordo com ele”.
As ações do general Guedes, àquelas alturas, se limitavam à Prontidão da Polícia Militar, força estadual, e a consultas ao cônsul dos Estados Unidos em Belo Horizonte, para saber se os americanos estavam dispostos a ajudar com “blindados, armamentos leves e pesados, munições, combustíveis, aparelhagens de comunicações…”. Para “mais tarde”, precisaria de “equipamento para 50 mil homens”.
***
Enquanto isso, Mourão enfrentava dificuldades para levar as tropas à rua. O comandante do 10º Regimento de Infantaria, coronel Clóvis Calvão, não apoiava o levante. Mourão contornou o impasse dando férias ao coronel.
Dois outros coronéis e o comandante da Escola de Sargento de Três Corações, também rechaçaram a ordem de botar a tropa na rua e foram para casa.
Os recrutas de Mourão começam a se deslocar em direção ao Rio de Janeiro
Nada disso influiu no apetite do general. À uma da tarde, ele foi para casa almoçar e não dispensou sequer a sesta. Nessa hora, já se movimentavam forças para atacá-lo a meio caminho do Rio.
“Na avenida Brasil, principal saída do Rio e caminho para Juiz de Fora, marchavam duas colunas de caminhões. Numa iam 25 carros cheios de soldados, rebocando canhões de 120 mm… Noutra, em 22 carros, ia o Regimento Sampaio, o melhor contingente de infantaria da Vila Militar. De Petrópolis, a meio caminho entre o Rio e Mourão, partira o 1º Batalhão de Caçadores” (Gaspari).
“Tinham-se passado oito horas desde o momento em que se considerara insurreto. Salvo os disparos telefônicos e a movimentação de um pequeno esquadrão de reconhecimento que avançara algumas dezenas de quilômetros, sua tropa continuava onde sempre estivera: em Juiz de Fora.” (Gaspari)
Fardado, de capacete, Mourão, auto-intitulado Comandante em Chefe das Forças Revolucionárias, foi fotografado no meio da tarde, no QG da 4ª DI. Mas aos jornalistas ainda negava que estivesse rebelado.
O general Antonio Carlos Muricy, que Mourão chamou para chefiar a vanguarda da tropa que desceria em direção ao Rio, só foi chegar à Juiz de Fora às 18 horas.
Ao inspecionar as forças de que dispunha, Muricy comprovou que mais da metade eram recrutas mal preparados e a munição dava para poucas horas.
***
“Ele não é bem visto no Exército e provavelmente não liderará uma conspiração contra o governo, em parte porque não tem muitos seguidores. É visto como uma pessoa que fala mais do que pode fazer”, dizia um informe da embaixada americana.
A maioria dos 60 generais em atividade naquele momento, achava que Mourão não conseguiria tirar os soldados do quartel. Lacerda lhe disse isso diretamente. O general Murici, que ele convidou para comandar a vanguarda de suas forças em direção ao Rio, disse-lhe: “Você está louco? Acha que pode fazer uma operação dessas com soldados meninos com um mês de treinamento!”
Quando ele chegou a Minas, em setembro de 1963 para assumir o comando da 4ª.Região Militar, o governador Magalhães Pinto declarou depois da primeira conversa que tiveram, comentou: “Este general que veio comandar a Região ou é agente provocador do governo ou é louco, quer fazer uma revolução logo!” O general Costa e Silva a quem procurou várias vezes, sempre esquivou-se. “Não temos nada”. Para o historiador Hélio Silva, Mourão era um “homem bom, sofredor, pitoresco, capaz de assomos de cólera”.
***
O embaixador americano soube da rebelião por volta do meio dia do dia 31 de março. Imediatamente avisou Dean Rusk, chefe do Departamento de Estado. Ele não tinha Mourão em boa conta, mas ponderou: “(…) pode ser a última boa oportunidade para apoiar uma ação contra Goulart”.
Tanques e jipes do II Exército descem para o Vale do Paraíba. O golpe venceu
A segunda vitória de Mourão aconteceu já na madrugada do dia primeiro de abril, quando o Regimento Sampaio, a mais bem treinada e equipada força militar do Rio, que saiu para atacá-lo. Ao alcançar a dianteira das tropas rebeladas, em vez de atirar, os oficiais simplesmente aderiram ao golpe. Os calejados “tarimbeiros” do Regimento Sampaio abraçaram os “soldadinhos meninos” de Mourão. “Eles passaram-se quando tudo parecia indicar nossa derrota”, anotou o general em seu diário.
Pouco depois, quando se deslocava para assumir a vanguarda das tropas que se dirigiam ao Rio soube pelo rádio do carro que não havia mais resistência. O golpe vencera e o general Costa e Silva havia assumido o Comando Supremo da Revolução, por ser o general mais velho em atividade. Não lhe restou mais que ir ao QG e apresentar-se ao novo comandante. Costa e Silva dormia e atendeu-o de cuecas. Ele quis reclamar, Costa colocou a mão em seu ombro: “Mourão foi tudo resolvido na base da hierarquia ( …) Não se preocupe velho, isso vai dar certo”. E recomendou-lhe ficar mais uns dias no Rio antes de regressar com as tropas. “Achei razoável , de vez que Costa e Silva não contava com quase nada, não dispunha de tropa. Minha obrigação era ficar e garanti-lo”. Ele já era carta fora do baralho.
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Apoio ao impeachment provocou um racha na OAB
P.C.DE LESTER
A Ordem dos Advogados do Brasil apoiou o golpe contra o presidente João Goulart, em 1964. Amargou mais de uma década de vergonha por ter contribuido para a ditadura.
Teve sua estima resgatada quando grandes nomes como Raimundo Faoro a engajaram na luta pela redemocratização,
A OAB também pediu o impeachment de Fernando Collor em 1991. Surfou na onda cívica que culminou com a queda do primeiro presidente eleito pelo voto direto, depois do fim da ditadura. Voltou plenamente ao status de uma das grandes instituições democráticas do pais
Agora, a OAB tomou de novo posição a favor do impeachment da presidente Dilma. O mentor da idéia, o atual presidente recém empossado, já pagou um mico ao entregar o seu pedido de impeachment ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
“A OAB quer novamente o protagonismo mas chegou atrasada”, ironizou Cunha que já conduz a todo vapor um processo da impeachment na Câmara.
O pedido que Claudio Lamacchia protocolou na Câmara ficará numa gaveta, mas se o impeachment foi consumado, a OAB estará entre os que o patrocinaram.
As primeiras consequências desse posicionamento já apareceram no momento mesmo em que Lamacchia chegou à Câmara, quando dois grupos, um contra outro a favor, provocaram um tumulto no local.
Ficou claro que embora com a assinatura dos 26 presidentes de regionais a posição da entidade está longe de ser um consenso entre seus associados.
Quase ao mesmo tempo em Porto Alegre , na frente da sede da OAB regional, cerca de uma centena de advogados e advogadas num ato de repúdio à atitude do presidente da entidade naquele momento. .
O advogado Mário Madureira, um dos oradores, disse que a OAB deu uma facada nas costas da categoria ao se aliar a um movimento golpista, que pretende derrubar a presidente sem fundamento legal. “Qualquer estudante de direito sabe que esse pedido de impeachment não fica em pé sob o ponto de vista jurídico. É um processo político, comandado por um partido, ao qual a OAB se filia.”
Nesse ponto os manifestantes começaram a gritar: “A verdade é dura, a OAB apoiou a ditadura”, em alusão à posição que a ordem adotou em 1964. “Estamos numa mediocridade, num baratilho doutrinário”, finalizou Madureira.
A advogada Bernadete Kurtis falou a seguir, declarando sua “perplexidade ante o oportunismo político revelado pelo presidente da OAB”. Disse também que “o sr. Lamacchia” estava vinculando a Ordem dos Advogados a um movimento partidarizando. “Este gaúcho não nos representa”, gritou.
Valmir Batista, ex-presidente da OAB/RS, também mencionou o oportunismo político e vinculou a iniciativa de Claudio Lamacchia a “um projeto pessoal”.
No final, Antonio Castro leu o manifesto que seria em seguida protocolado na secretaria da OAB, como repúdio à posição a favor do impeachment. “A Constituição está ameaçada, arma-se um golpe para derrubar um governo legitimamente eleito”, diz o documento.
Também foi anunciada a criação de um movimento de “advogados e advogadas pela legalidade democrática”.
A extensão do racha na OAB vai se revelar nos próximos dias, mas é certo: o estrago não é pequeno.
Petrobras: prejuízo-monstro no balanço e um mar de incertezas pela frente
GERALDO HASSE
Tomado por ratos, vigiado por abutres, o transatlântico Petrobras nunca navegou por águas tão turvas.
Mas, surpreendentemente, o Sr. Mercado se manteve calmo, estranhamente calmo, diante da divulgação oficial do prejuízo-monstro de R$ 34,836 bilhões em 2015.
O novo rombo supera largamente o prejuízo recorde do exercício anterior – R$ 21,587 bilhões em 2014.
O balanço revela que nunca andou tão mal a nau capitânia dos Estados Unidos do Brasil.
As reações, porém, sugerem que ter prejuízo virou rotina na maior empresa brasileira.
As ações da Petrobras estão no fundo do poço, pelo segundo ano consecutivo os acionistas não têm dividendos a receber mas, estranhamente, não há reclamações públicas. Por trás desse silêncio parece haver uma torcida para que o barco afunde de vez.
O balanço de 2015 foi o primeiro sob o comando de Aldemir Bendine, deslocado do BB para a BR em fevereiro do ano passado.
Na apresentação do resultado, ele disse que a empresa está se esforçando para resgatar a credibilidade perdida com a gestão perdulária de recursos desviados em contratos que se tornaram alvo da Operação Lava Jato.
Ao desgaste provocado pela descoberta da corrupção nos porões do navio, juntou-se uma combinação de fatores desfavoráveis para a Petrobras: a desvalorização do dólar; o aumento das despesas com juros e das taxas de descontos; a queda nas receitas de exportação; e a reavaliação, para baixo, de ativos (jazidas, campos de produção, plataformas) associados à cotação do petróleo, que caiu barbaridade.
A soma desses itens chegou a R$ 82,6 bilhões, mais do que o dobro do prejuízo contabilizado.
Expurgando esses itens negativos, a companhia teria tido um resultado positivo de R$ 13,6 bilhões, disse um executivo da estatal, lembrando que a desvalorização dos ativos pode ser revertida, desde que o preço do petróleo volte aos patamares anteriores.
Atualmente está em US$ 39 por barril de 159 litros. Há dois anos, estava em mais de US$ 100.
Mas quem garante que o petróleo vai subir? E se for verdadeira a suspeita de que há uma jogada global das petroleiras unidas para jogar a Petrobras na bacia das almas?
Se fosse só isso…Mas tem algo mais que não pode ser abolido nem reavaliado no balanço da Petrobras: o endividamento da ordem de R$ 400 bi.
Estimulados pelas agências de risco que rebaixaram a classificação da estatal como alvo de investimentos, os credores cerraram fileiras para extrair o máximo de seus empréstimos e descontos.
Como é muito natural no mercado financeiro, os bancos se aproveitam da situação para apertar a corda no pescoço do cliente.
A própria gestão financeira da empresa também está comprometida pela desconfiança generalizada dos agentes financeiros na capacidade de sair da crise.
Além disso, a venda de ativos e a redução dos investimentos geram um clima de desmanche que desmobiliza o pessoal na busca de eficiência em campos de produção, refinarias e transportes.
Uma leitura mais atenta do balanço revela que a Petrobras deslocou para as notas explicativas uma série de valores. “Contabilidade criativa”, acusou Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de ciências contábeis da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo.
Segundo ele, “os valores poderão atingir patamares absurdos: de natureza tributária, R$ 114,3 bilhões; trabalhista, R$ 22,07 bilhões; causas civis gerais, R$ 20 bilhões; causas ambientais, R$ 5,8 bilhões; e R$ 7 bilhões com ações de outra natureza”.
No total, essas provisões somam R$ 170 bilhões não contabilizados no balanço. Se forem efetivamente usados, esses valores podem comprometer seriamente o patrimônio líquido da companhia.
Se não forem aplicados, podem aparecer como ativos num próximo balanço, a critério da diretoria, da ouvidoria, do conselho de administração e da assembléia de acionistas.
Fiergs diz que situação é insustentável mas não se posiciona sobre impeachment
A Federação das Indústria optou pela cautela ao se posicionar sobre a crise política.
Da reunião do Conselho de Representantes, na noite de terça, saiu um manifesto que diz ser “insustentável para o Brasil permanecer na atual situação”.
Mas não toma posição sobre o tema mais polêmico, o processo de impeachment contra a presidente da República.
Na nota em que anunciou a reunião, o presidente da Federação, Heitor Muller, havia dito que “o impasse político precisa ser resolvido com urgência, respeitando as possibilidades legais, entre elas o processo de impeachment previsto na Constituição”.
Deu a entender que seguiria o caminho da Federação das Indústrias de São Paulo e outras entidades de representação empresarial, que se posicionaram abertamente pela saída de Dilma, como solução do impasse político que trava a economia.. .
No manifesto de terça-feira, a Fiergs ressalta a gravidade da situação, pede pressa e responsabilidade, sem se posicionar na disputa que envolve o impeachment que tramita na Câmara para ser votado em 30 ou 60 dias.
“Confiamos que os integrantes do Poder Legislativo respondam a seus eleitores com o equacionamento rápido das dificuldades políticas – incluindo o processo de impeachment – para, então, destravar a econompia brasileira”.
“A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul avalia que a retomada da governabilidade se dará por meio do entendimento e da serenidade, com lucidez e bom senso, acima de ranços partidários e ideológicos”.
“Resolvidos os impasses, na nova etapa de prosperidade que se quer para o Brasil, será essencial valorizar os empreendedores, que alavancam o desenvolvimento brasileiro, gerando empregos, oportunidades de ascensão social, renda e tributos”.
Ao finalizar o manifesto, assinado também pelo Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul (CIERGS) e Sindicatos Industriais filiados à Federação, as entidades afirmam: “Não podemos deixar que prossigam os exterminadores do futuro dos brasileiros. Somos do Partido do Desenvolvimento, do Partido da Geração de Empregos, do Partido da Prosperidade”.Trabalhadores dizem que Fiergs "embarca em aventura política"
Três federações de trabalhadores – metalúrgicos, calçados e alimentação – convocaram uma “plenária emergencial” para se posicionar frente ao momento político.
A reunião será na sede da CUT/RS às 14 horas de hoje, quarta-feira
Em nota distribuída ontem, as três entidades criticam o posicionamento dos empresários que estão se manifestando a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
A nota diz que a Federação das Indústrias, Fiergs, está embarcando numa “aventura política, apoiando uma oposição golpista que investe no quanto pior melhor”.
A nota a integra:
“As federações de trabalhadores nas indústrias metalúrgicas, do calçado e da alimentação no Rio Grande do Sul manifestam grande preocupação com o momento político e econômico do país.
Por isso, as três entidades se reúnem nesta quarta-feira, dia 23, às 14h, no auditório da CUT-RS, em Porto Alegre, para aprovar um documento que apontará os caminhos defendidos pelos trabalhadores para a retomada do crescimento econômico e o enfrentamento da crise política.
No passado recente, parte do empresariado da indústria do RS manchou a sua história aderindo a movimentos antidemocráticos, como em 1964, culminando com a implantação da ditadura. Estamos na iminência de testemunharmos a história se repetir.
Na avaliação das entidades dos trabalhadores, as pautas da FIERGS transitam melhor em governos hostis aos trabalhadores, tais como a terceirização sem limites, a flexibilização da legislação trabalhista, a contenção de aumentos salariais e a reforma da previdência, dentre outras.
Para as federações dos metalúrgicos, dos sapateiros e dos trabalhadores na alimentação, o combate à corrupção precisa ser permanente e abarcar outros focos, como por exemplo os absurdos cometidos em torno da sonegação fiscal.
A justiça não pode ser seletiva como vem acontecendo, não pode ser usada para causar blecaute econômico e muito menos como biombo para derrubar governos.
As entidades lamentam que a FIERGS embarque nessa aventura política, apoiando uma oposição golpista que investe no quanto pior melhor e está de costas para o desenvolvimento econômico e social do Brasil”.
Mais informações com:
Federação dos Metalúrgicos do RS
Jairo Carneiro – Presidente
Fone: 99785173
Federação Democrática dos Sapateiros do RS
João Batista Xavier da Silva – Presidente
Fone: 98574113
Federação dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação do RS
Valdemir Côrrea – Presidente
Fone: 95017882
Serviço
Plenária Emergencial das federações de trabalhadores da indústria do RS
Data: 23/03 – Horário: 14h
Local: Sede da CUT-RS (Rua Barros Cassal, 283 – Porto Alegre)Comissão que elabora projeto do Museu das Águas ganha sede
Dia Mundial da Água, esta terça-feira, 22 de março, marca também a instalação da sede da Comissão Pró-Museu das Águas de Porto Alegre.
A programação começa às 9h30min, nos jardins da Estação Moinhos de Vento, com crianças da Legião da Boa Vontade, da Lomba do Pinheiro e de comunidades de áreas irregulares ligadas ao Programa Consumo Responsável participando de atividades culturais e de educação ambiental.
Mais tarde, entre 10h e 13h, na av. Diário de Notícias, em frente ao Barra Shopping, acontecerá uma blitz na sinaleira para conscientizar motoristas sobre a importância da água e do esgotamento sanitário correto na vida cotidiana da população.
No início da noite, às 19h, a Comissão Pró-Museu das Águas de Porto Alegre (Musa) inaugura sua sede nas dependências do Dmae.
Na oportunidade, haverá a apresentação oficial para a comunidade, autoridades e as 18 instituições que integram o Protocolo de Intenções para implantação do Museu das Águas de Porto Alegre na orla do Lago Guaíba.
O Museu das Águas de Porto Alegre tem como tema a água, bem ambiental limitado, e suas manifestações na natureza, suas características, usos múltiplos e simultâneos ao longo da história.
É proposto como instrumento para o desenvolvimento comunitário, com perspectiva dinâmica, aberta ao futuro, gerado em função do patrimônio coletivo da comunidade.
Integram o Protocolo de Intenção para a instituição do Museu das Águas de Porto Alegre, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), Secretaria Estadual da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac), Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Rio Grande do Sul (Sema), Secretaria Estadual de Obras, Saneamento e Habitação do Rio Grande do Sul (SOP), Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-RS), Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Associação Internacional de Lions Clubes (Distrito LD-3), Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa (Ass. Chico Lisboa), Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Instituto de Arquitetos do Brasil/RS (IAB), Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), Organização Não Governamental Solidariedade, Associação Dos Amigos do Museu das Águas de Porto Alegre (Amusa) e Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge).
Dia Mundial da Água – O Dia Mundial da Água foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), através da resolução A/RES/47/193 de 21 de fevereiro de 1993, determinando que o dia 22 de março seria a data oficial para comemorar e realizar atividades de reflexão sobre o significado da água para a vida na Terra.
Foto: Lucas Schardong/Divulgação PMPALula no governo: Dilma joga sua última carta
P.C. de Lester
Provou-se, enfim, que a delação de Delcídio do Amaral existe. Me penitencio, porque duvidei da autenticidade do que foi publicado na IstoÉ, na semana passada.
Tamanha era a seletividade para atingir Dilma, Lula e o PT, que parecia armação.
Na verdade, era: fechou, em cima de Lula, Dilma e o PT, o foco de uma delação que não poupa ninguém. Nem o príncipe dos sociólogos.
A íntegra do que Delcídio falou revela uma “república de ladrões”, um sistema de propinas e de troca de favores que se tornou a regra do jogo político no país.
Não escapa ninguém.
Mas tudo é encaminhado de modo a provar que tudo é obra de uma quadrilha da qual Lula é o chefe.
Numa entrevista imperdível, no Sul 21, o advogado Werner Becker, o Bruxo, fala das semelhanças da situação atual com 1964.
Ele tem autoridade porque viveu “por dentro” todo aquele período, como advogado de inúmeros presos políticos.
Werner diz que o alvo é Lula, não Dilma. Assim como em 1964 o alvo era Brizola, não Jango.
Jango, como se sabe, na hora decisiva não topou nomear Brizola ministro para enfrentar o golpe. Dilma nomeou Lula. Talvez aí esteja a diferença.







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